Megaman X: Real Life
Por Harupyuia & Aiyumi
Disclaimer: tanto Rockman/Mega Man, quanto qualquer outra marca registrada que possa vir a ser referenciada nesta fan fiction, são propriedades de seus respectivos donos. Este trabalho não tem relação alguma com tais proprietários/empresas.
Capítulo 29: Cinnamon
Era um dia daqueles (véspera de feriado, todo mundo emendando para viajar). Havia poucos alunos (e professores) na escola! A maioria dos presentes se encontrava de aula vaga, inclusive Zero e Palette. Ambos conversavam em um banco. A navegadora contou do comentário de Chill sobre a possibilidade de Hiromichi estar vivo e do "inesperado encontro" de alguns dias antes.
- Eu fiquei pensando... E talvez o Xis tenha razão. Talvez o Hiromichi não esteja fazendo por mal. Ele pode estar sendo ameaçado ou coisa assim...
- É, pode ser... - Zero disse balançando a cabeça.
De repente Palette olhou para o lado e viu alguns alunos de aula vaga.
- Ei! Olha lá! Eu lembro! Aqueles alunos são da classe que ele estudava! Será que não tem ninguém por aqui que seja amigo dele!? Eu vou lá perguntar!
Ela foi lá correndo toda alegre. Foi falando algumas coisas nada com nada e quando a conversa começou a engrenar, ela perguntou.
- Por um acaso o Hiromichi estudava na sua sala?
- Estudava. Por quê? - disse uma menina, fazendo careta.
- Como é que ele era? Ele tinha algum amigo?
- Amigo? Ele? Ha! Você só pode tá ficando doida. - falou um garoto - Ninguém consegue ser amigo de alguém tão metido a besta que nem ele. Não falava nada com ninguém. Só falava quando um professor perguntava alguma coisa da matéria. Ele sempre acertava e depois ficava se achando.
- Eu já tentei falar com ele, perguntei onde ele morava, se ele tinha irmãos, essas coisas, mas ele não quis falar. - outra menina adicionou.
- Ficava sempre de cara fechada. E olhava como se a gente fosse inferior a ele. Ele se achava o maioral só porque era o melhor aluno da classe! Cara mais besta! Ainda bem que ele saiu!
Palette saiu dali, ainda de boca aberta. Perguntou para outras pessoas (alguns funcionários) e voltou totalmente desapontada para onde Zero a olhava.
- Ninguém gostava dele! - falou tudo que ouviu - Será que ele era tão ruim assim?!
- ... Hm... Agora me lembrei de uma coisa. Eu cheguei a falar com ele uma vez.
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Naquele dia tinha dado tudo errado pra mim. Acordei com dor-de-cabeça, tive dobradinha de Matemática (mesmo pra quem gosta da matéria, com dor-de-cabeça não dá certo), eu tinha que planejar o discurso da reunião do grêmio pro dia seguinte, entre outras coisas. Acabou o horário de aulas e eu ia embora. Pra completar, chovia muito. Eu ia andando pra saída e de repente ele passou correndo e trombou comigo. O bloco de papel que eu usava pra escrever o rascunho do discurso caiu no chão molhado. Eu me descontrolei e comecei a berrar:
- Cuidado por onde anda! E olha só o que você fez com o meu bloco de rascunhos! Vai ter que pagar outro, tá me ouvindo?!
Ele abaixou a cabeça e tentou pedir desculpas timidamente, só que eu nem liguei. No dia seguinte, eu fiquei na escola até mais tarde por causa da reunião. Quando saí da sala do grêmio, lá estava ele me esperando com... Um bloco de papel na mão.
- ... ... Sinto muito por ontem... ... Não tinha um igualzinho mas... - ele falou estendendo o bloco. Logo em seguida saiu correndo.
- ... Espera... - eu ainda estava assustado e não consegui falar alto ou ir atrás.
Ele não precisava ter levado a sério e comprado outro bloco. Eu não tava bem, não consegui me controlar e gritei. Tá certo que se uma pessoa da segunda série leva uma "bronca" dessas, ainda mais de alguém que todos temem, claro que vai ficar com medo mesmo. Mas não precisava fazer tudo aquilo. Isso mostrou que ele era uma boa pessoa. Mas infelizmente deve ter me "odiado" depois daquele dia.
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- Fui eu que agi errado, não deveria ter estourado por causa de um simples bloco de papel... E o pior de tudo é que... Não consegui me desculpar...
Bateu o sinal e a aula acabou. Foram para o portão.
- Ãh? - Palette reparou em algo que nunca tinha visto antes. Era uma casa bem simples, "escondida" entre os muros da escola. Ia se aproximar mas não olhou direito e acabou tropeçando em um galho - Aaaaahhhhh!
Zero ouviu o grito e foi ver o que aconteceu. Palette estava se levantando, com ajuda de uma garotinha de pele clara, olhos azuis e roupa no estilo de enfermeira.
- Tudo bem com você? - perguntou a jovem.
- Ah hahaha tá tudo bem! - Palette tentava esconder a vergonha de ter caído em frente à casa dos outros - Você mora aqui? - perguntou depois de se recuperar.
- Uhum. Eu moro aqui com o meu avô Gaudil. Eu morava com os meus pais, só que a casa foi destruída pelos Mavericks e agora eu vivo aqui. A minha irmã foi tentar ganhar algum dinheiro lá em Giga City. Você foi na excursão que teve pra lá? Talvez tenha encontrado a minha irmã. É a Marino.
- Marino!? Eu encontrei! Encontrei sim! Ela é bem legal! - Palette olhou para trás e percebeu que Zero estava esperando - Ah! Zero! Vem pra cá!
Ele foi, timidamente.
- Oooh! Você é amiga do Zero!? Incrível! - foi correndo em direção a ele - Eu sempre quis conhecer o presidente do grêmio dessa escola, de quem todo mundo fala tão bem. Prazer, eu me chamo Cinnamon!
- Prazer, Cinnamon. - Zero respondeu, ainda meio assustado com a apresentação repentina.
- E o meu nome é Palette!
- Palette? Eu já ouvi esse nome... Ah, vocês não querem entrar e tomar um chazinho? Fui eu que fiz! Foi escondido, porque o meu avô não me deixa mexer no fogão, mas é só não contar pra ele!
Palette olhou para Zero, esperando "autorização". Se demorassem para voltar para a base, todos ficariam preocupados. Seria uma grande desfeita, mas Zero balançou a cabeça negativamente.
- Desculpa mas não vai dar. Fica pra outro dia. - falou Palette, depois do gesto negativo do amigo.
Os dois estavam saindo quando ouviram um barulhão e um grito da navegadora.
- Palette! O que foi que acont... - Zero levou um susto ao ver. Uma árvore havia tombado sobre a garota, que caída chorava e gemia no chão.
- Palette, Palette! - Cinnamon logo foi socorrê-la.
- Eu vou chamar uma ambulância! - Zero ia pegar o "celular".
- Espera! - gritou a mais jovem - Não precisa!
- Como assim...?!
Cinnamon colocou as mãos sobre o enorme machucado. Delas surgiu uma luz e logo Palette estava curada!
- Tudo bem? - perguntou Cinnamon.
- Ãh? Ãh? Hum? ... Nossa! Eu sinto como se não tivesse acontecido nada! Como você fez isso?! - Palette perguntou enquanto Zero ainda estava de boca aberta.
- ... Essa... É a minha Special Skill. - Cinnamon falou baixinho - Fora a minha família, até agora só uma pessoa sabia disso.
- Quem? - poderia não ser da sua conta, mas Palette resolveu perguntar.
- Era um amigo meu. Não sei se vocês conhecem. Ele se chamava Hiromichi.
