Megaman X: Real Life
Por Harupyuia & Aiyumi
Disclaimer: tanto Rockman/Mega Man, quanto qualquer outra marca registrada que possa vir a ser referenciada nesta fan fiction, são propriedades de seus respectivos donos. Este trabalho não tem relação alguma com tais proprietários/empresas.
Capítulo 34: Magoya
Eram quase oito da noite. As ruas estavam vazias. Cinnamon voltava de um passeio com seu avô. De repente ela o fez parar de andar. Mesmo na escuridão, ela conseguiu reconhecer seu amigo Hiromichi desmaiado no meio da calçada. Eles o levaram para casa.
Quarenta minutos depois, ele abriu os olhos.
- Hiromichi Kun! Que bom, você não sabe como eu tô contente em te ver! - Cinnamon gritava de alegria ao lado da cama.
- ...! - ele demorou um pouco para perceber onde estava. Só então se tocou que tinha caído e apagado no meio do caminho.
- O que que aconteceu? Você tava desmaiado no meio da calçada. Foi um Maverick?
Ele até tentou falar alguma coisa. Só que seu corpo parecia paralisado em cima da cama. Por mais que tentasse, não conseguia mover um dedo, a boca não abria para falar e ele acabou apagando de novo. Acordou um pouco melhor não sabe quanto tempo depois. Aproveitou que não tinha ninguém no quarto e resolveu sair. Foi sorrateiramente pela casa e chegou na porta de saída. Bem na hora, Cinnamon o pegou em flagrante.
- Não, não pode se esforçar assim! Você ainda não tá bem! Tem que descansar! - ela colocou as mãos nos ombros dele - Por favor... Eu queria poder conversar, igual a gente fazia antes.
- Não me lembre disso... Da cara de sofrimento que você fazia toda vez que a gente conversava! Eu só te faço sofrer. Você não merece isso. Esquece que eu existo... Esquece tudo! - ele virou bruscamente e saiu pela porta, deixando a garota chocada.
"Me perdoe, Cinnamon." pensava enquanto corria sem olhar para trás.
Amanhecia um novo dia. Xis estava em sua casa. Tomou café, depois se arrumou e ia abrir a porta para ir para a base.
- Xis, eu posso ir com você?
- Não, Rock. Não pode.
- Só uma vez!
- Não.
- Por que não?
- Porque é coisa séria, eu não fico indo lá pra brincar. - saiu e fechou a porta.
- Palette, acorda! - Zero chamava da porta do quarto.
- Ai Zero! Quem mandou você me acordar assim? - já começou gritando sem pensar, ainda não estava recuperada da festa de um primo que teve que ir na noite anterior.
- Foi a sua mãe e anda logo, ou vai se atrasar!
A menina levantou sonolenta (e nervosa). Já teve confusão com Zero na hora do café da manhã, depois os dois foram juntos para a escola sem se falar.
Depois do fim da aula, ela virou para Zero com uma expressão suspeita.
- Que é? - ele ainda conservava o mau-humor de logo cedo.
- ... A gente pode dar uma passada na casa da Cinnamon?
- Grrr... Pode, vai... - concordou logo para não ficar enchendo o saco.
Lá, Palette soube do que aconteceu.
- Ele falou pra eu esquecer que ele existe. - Cinnamon falou - Nem que eu quiser, não consigo. Os dias que ele vinha falar comigo e eu tava regando as plantas, daí ele comentava que gostava de plantas, ou os dias que a gente tomava chazinho junto... Mesmo quando ele vinha contar que tava sendo perseguido por Mavericks, eu gostava que ele confiava em mim. Eu ainda quero que dê pra gente fazer várias coisas alegres, nós três. Você, ele e eu... Ah, quero dizer... Quatro. O Zero também.
- Ih, o Zero... Nem adianta falar com ele hoje que ele tá de mau-humor...
A conversa foi longa, então Palette e Zero acabaram se atrasando, para variar. Palette foi para a sala de navegação e Zero foi andando, pisando firme e chutando o ar, até que encontrou a Operator J0010.
- Por que demoraram tanto?
- Fomos visitar a Cinnamon.
- Ah. - ela sabia quem era, pois passara com as filhas na casa da menina para levá-la ao Battle & Chase.
- E ela fica o tempo todo falando "nele". Eu nunca vi a Palette se interessar tanto por alguém.
Ela sabia quem era "ele", pois como Zero havia dito, Palette tocava muito no assunto.
- ... Zero. O que vou te contar agora é uma coisa que só a Palette e eu sabemos. Começou faz quatro anos. Ela veio chorando para mim, dizendo que não aguentava mais as duas irmãs mais velhas mandando nela. Disse que queria mostrar que também era responsável. De todo o coração ela me pediu um irmãozinho. Se tivesse um irmão mais novo, disse que cuidaria dele com muito carinho e mostraria que é responsável e que já sabe se virar. Infelizmente ainda não consegui realizar seu desejo. A coitada da Palette está triste até hoje.
- ! Eu não sabia. Então eu exagerei. Mas também, ela não precisa ficar atrasando a gente toda a vez ^^.
- Com licença. O comandante convocou a todos para uma reunião. - veio uma navegadora desconhecida avisar.
- Sim, já vamos. - a operadora respondeu com um sorriso.
- Recebemos um telefonema de uma senhora aos prantos, pedindo ajuda para encontrar seu filho que desapareceu. - falava o comandante - Conversei com ela. Estava desesperada, quase não conseguia falar coerentemente e não deu muitos detalhes. O que foi possível entender foi que seu sobrenome é "Magoya" e que aparentemente o jovem desapareceu há pouco tempo, mais ou menos na época em que começaram a desaparecer alunos do Mirae. Ela também usou muito a expressão "aquele Maverick"...
- O senhor acha que tem alguma relação com Sigma? - perguntou um dos vários Hunters.
- Pela aproximação da data, é suspeito, mas não podemos comprovar nada. Faltam muitos detalhes para tirarmos alguma conclusão, mas decidi que era melhor deixá-los avisados. Pedi para que ela nos contatasse outra vez, quando estivesse mais calma.
No esconderijo, Sigma já comprara mais alguns equipamentos para agilizar a transferência de DNA para corpos humanos.
- Já pensaram em ter um mundo só de vocês? Um mundo onde acontece tudo do jeito que vocês querem? - dizia para três alunos que fizera desaparecer do Mirae - Se me ajudarem, eu posso construir esse paraíso para vocês! Hahahahaha! - deu risada enquanto saía.
- Uma vez eu já pensei em querer um mundo do meu jeito. - falou uma garota - Só que eu fico com medo de como ele fala...
- A gente é tratado bem a qui dentro, mas não sei por que, eu não gosto nada desse lugar. Eu quero sair! - choramingou um menino.
- Ah... - suspirou outra garota - Eu não quero saber de um mundo só pra mim. A única coisa que eu queria que acontecesse do meu jeito agora era que aquele lindo Maverick Hunter vermelho viesse nos tirar daqui.
- O Maverick Hunter_0?
- Ele mesmo!
- ... Da última vez que a gente "viu ele" foi no jornal, antes do diretor prender a gente aqui, será que ele tá vivo? Será que os Mavericks não "mataram ele"? - falou o menino pessimista que choramingou a pouco.
- Ai não! Não fala uma coisa dessas! Mas já pensou, o Maverick Hunter_0 vindo salvar a gente?
Zero se encontrava plantado no meio de um dos cômodos da base, sério, de braços cruzados. Ser ou não ser o Partner Hunter de Layer? Precisava ir em missões com outros navegadores para ver se encontrava alguém melhor, mas L1 não deixava que ninguém se aproximasse dele, tirando qualquer chance de arrumar um(a) outro(a) navegador(a).
- Como vão você e a 130, X? - perguntou ao ver o amigo passando.
- Como assim?
- Eu quis dizer vocês como Partner Hunters.
- Ãh, vamos bem, sim. Por quê?
- Porque eu tô em dúvida. Não sei se eu aceito ou não o pedido da L1. Eu sei, ela navega bem. Mas tem horas em que enche o saco. É muito insistente, quando me acha não larga mais, nem me dá chances pra aceitar navegação de outra pessoa. E o principal problema é que eu tô morando na casa da família dela. Elas me acolhem com tanto carinho... Se eu não aceitar, podem interpretar como um ato de ingratidão. Eu não sei o que fazer.
- Vixi, tá complicado. Eu também não sei não... Zero, a 130 me chamou pelo comunicador agora pouco, depois a gente se fala.
Zero suspirou e foi andando pelos corredores da base. Chegou em uma sala onde Layer mexia em um computador. Entrou de mansinho e ocupou o outro PC ao lado. Resolveu jogar algum joguinho para ver se conseguia se distrair. Não fez muitos progressos. Desistiu e, sem o que fazer, ficou parado com a cabeça entre as mãos.
Layer estava tão distraída com o que fazia que milagrosamente não começou a encher as paciências de Zero. Tinha entrado na internet e lido algumas notícias. Quando já ia sair, deu na telha de ir a um buscador e digitar "Magoya". Na terceira página, encontrou um resultado com uma lista de aprovados para um concurso público para professores. Clicou no resultado e começou a ler a lista e levou um susto quando se deparou com o nome Shiguma Magoya. Podia ser só uma coincidência, mas aquilo a preocupou. Podia não ter nada a ver, mas e se tivesse? Estava com um mau pressentimento. continuou examinando os resultados, porém não encontrou nada. Quando Zero chegou, ela tentava descobrir mais coisas e nem parou para olhar para ele. Mesmo depois de deixar o computador, foi embora sem falar com Zero, continuando o milagre.
E continuou ainda à noite, depois de voltarem para casa. Layer pegou tudo que encontrou de jornais na casa e foi lendo folha por folha. Na hora do jantar, ela estava séria, de uma forma que Zero nunca tinha visto. Naquela noite, ninguém soube a hora em que ela dormiu. No dia seguinte, só puderam saber que acordou antes do despertador tocar e deixou os lanches do Zero e das irmãs preparados para o intervalo na escola.
À tarde, na base, Layer quis falar em particular com os três amigos e as duas irmãs sobre suas suspeitas, não quis contar para Signas ainda porque poderia ser um alarme falso.
- Desde ontem estou pesquisando e consegui alguma coisa sobre o Magoya. Encontrei uma lista com o nome "Shiguma Magoya", então eu cheguei a suspeitar que tenha alguma relação com Sigma.
- Não pode ser, o nome dele é "Shiguma Yabonori". E não existe só um Shiguma no mundo. - Zero não quis levar a suspeita a diante.
- É por isso mesmo que eu só estou contando pra vocês, não é certo fazer a base inteira ir atrás desse Shiguma e de repente não ter nada a ver. Mas e se for mesmo o Sigma? Ele pode ter falsificado a identidade ou coisa assim. Não é nada comprovado, mas não deixa de ser possível.
- Certo. Vamos considerar então.
- A gente te fala se descobrir alguma coisa. - Xis falou antes de encerrar a "reunião".
Naquele dia, L1 navegou para Zero como de costume, mas suas ações eram tão diferentes, ela agia séria, não tinha aqueles ataques de loucura pelo MH. Navegava com precisão, como se quanto melhor cumprisse o seu trabalho ajudando os Hunters a cumprirem o deles, fosse descobrir a verdade sobre aquela confusão.
- Já fizeram o suficiente por hoje, podem ir. - Signas entrou na sala de navegação às sete horas da noite.
- Pode ir na frente.
- Ãh? Sim. - Zero estranhou a atitude da navegadora, que nunca pedira que ele fosse na frente, sempre fazia de tudo para que fossem juntos. Agora pensava seriamente em ser seu Partner Hunter, apesar de tudo, Layer se mostrava ser muito dedicada e eficiente.
- Comandante, poderia me dar o telefone da Senhora Magoya, por favor? Eu gostaria de perguntar algumas coisas. - a navegadora começou depois que Zero saiu.
- Aqui está. - Signas foi até sua sala e logo voltou com uma folha de papel.
- Obrigada. - ela pegou-a e dirigiu-se a um dos telefones fixos da base.
No dia seguinte, Palette ficou na escola depois do horário para terminar um trabalho. Quando se preparava para ir embora, ouviu barulho de vidro quebrando e se aproximou para ver o que acontecia. Ficou paralisada de susto. Um aluno andava armado quebrando várias janelas, perfurando paredes, chutando e derrubando bancos. Palette correu e se escondeu, fingindo que não tinha visto.
Zero também ficou até mais tarde, ajudando um professor a pendurar cartazes. Ele soube da notícia do aluno armado e resolveu acalmar a confusão.
- Layer, me faz um favor? Você leva minha mochila pra casa enquanto eu resolvo isso?
- Está certo Zero, boa sorte! - Layer pegou a mochila do amigo e saiu.
O aluno reuniu vários colegas em uma sala vazia.
- O que era a coisa legal que você queria mostrar? - perguntou uma garota.
- Isso. - ele levantou a arma.
- Que dahora! É que nem dos filmes!
- É! E eu posso fazer o que eu quiser aqui dentro que ninguém tem coragem de me encarar! Se vocês querem uma dessas, então me sigam!
- O que está acontecendo aqui?
- Óh! - exclamaram diante do que viram, que era bem mais legal do que a arma. Quem acabara de chegar era o Maverick Hunter_0!
- Oh! Mas é o Maverick Hunter_0! Quero ver se ele pode com isso. - o aluno disparou o gatilho.
Zero não esperava o tiro, mesmo assim teve tempo de pegar seu sabre de plasma e acabar com a bala.
- Aaahhh... - vários alunos ficaram apavorados - É...É uma arma de verdade! Eu pensei que era brinquedo!
- Aaah! Ele acabou com o meu tiro! Não posso acreditar! É o Hunter_0 mesmo! ... Não, mas "ele" falou que se alguém atrapalhasse era pra eu dar um jeito... Haaa! - começou a atirar descontroladamente até acabarem as balas. Todos ficaram mais impressionados ainda ao ver que Zero anulou todos os tiros sem receber nenhum - Aaah! Acabaram as balas, acabaram!
- Entregue isso. - Zero tirou a arma das mãos do garoto e a fez em faíscas com seu sabre.
- Não, minha arma não! - o menino começou a chorar.
- Preciso te fazer algumas perguntas. Venha, por favor. - o MH puxou o culpado até um lugar vazio - Como você conseguiu aquela arma? E quem é "ele"?
- E...E ele é o...O diretor! Ele queria que eu mostrasse pra todo mundo e reunisse o máximo de gente. E se alguém me atrapalhasse disse que era pra eu atirar.
- Por quê? Para que ele quis que você reunisse pessoas?
- Ele disse que ia fazer uns testes pra deixar a gente poderoso, daí a gente ia poder lutar contra os Mavericks e... E eu ia poder salvar o meu irmão!
- ... Seu irmão?
- É! Os Mavericks "levaram ele"!
Zero olhou sério para o menino.
- Qual é o seu nome?
- O...O meu nome é Mazaro. Mazaro Filho.
- Ouça bem o que eu vou dizer, Mazaro. Entendo que você queira salvar seu irmão. Mas tem ideia do que você fez? Usou uma arma. Destruiu parte do patrimônio da escola. E se tivesse atingido alguém? E pior, se tivesse matado alguém? Você colocou a vida de várias pessoas em risco e quase se tornou um Maverick. Seu irmão certamente não iria gostar disso.
O garoto se arrependeu do que fez, prometeu que não ia acontecer de novo e ficou lá chorando. Zero pensava no caminho de volta:
"Sigma queria reunir alunos para fazer testes? Ó não, isso significa que... Ele está usando todas essas crianças como cobaias! Cobaias para testar o poder da cópia de DNA! Só pode ser! Desgraçado!"
Chegando na base, contou tudo para o comandante, para as navegadoras e para os outros dois.
- Esse cara só pode estar maluco! - Xis não aguentou.
- O Sigma provavelmente concluiu que crianças são fáceis de serem enganadas, é só prometer um mundo de doces que elas vão cair, já os adultos seria muito mais difícil. - Alia teorizou.
- Coitadas das crianças, nem devem saber porque estão ali. - Palette fechou os olhos com pena.
- E por falar nas crianças desaparecidas, tenho uma notícia sobre o Magoya. - informou Layer.
- Por favor, diga. - pediu o comandante.
- Ontem telefonei para a Senhora Magoya. Ela ainda estava bastante desesperada, mas conseguimos conversar razoavelmente. Contei que eu sou dos Maverick Hunters e perguntei se ela tinha suspeitas do que pode ter acontecido com seu filho. A resposta foi que sim. Suspeita do marido. Aliás, "suspeita" não, tinha certeza. Disse que quando casaram, parecia tudo bem, mas depois descobriu que ele só estava atrás de sua fortuna. Ele levou uma parte da herança, mas disse que só uma parte não era suficiente e, como não conseguiu ficar com todo dinheiro que queria, ele levou o filho embora, dizendo que ia matá-lo se a mulher não desse tudo o que tem. Só para saber, eu perguntei quem é o marido. Respondeu que é um homem temido e respeitado e que é o atual diretor do Colégio Mirae. Resumindo, o respeitado diretor e ao mesmo tempo, o Maverick mais temido de todos...
Xis, sem palavras e de olhos arregalados, olhou para cada um dos amigos para ver qual foram suas reações. Todos custavam a dizer uma palavra.
- Então... Esse Magoya é... - Alia não conseguiu terminar.
- Isso mesmo... - concluiu L1 - Magoya é o nome de casado, que ele quase nunca usa. E esse jovem desaparecido é... O filho do Sigma!
