Isabella: O problema

Era noite de sábado e a mansão dos Swan estava lindamente decorada para mais uma grande festa. Garçons serviam o que havia de mais sofisticado em matéria de comida e bebidas aos jovens convidados que se divertiam e conversavam animadamente espalhados nos salões e jardins da casa.

Era chegado o dia da festa de 21 anos de Isabella Swan, evento muito esperado e anunciado pelas colunas sociais dos mais diversos jornais de Londres.

Enquanto Charlie Swan fazia as vezes de anfitrião perfeito, circulando pelo salão com um sorriso aberto no rosto, sua filha Isabella estava trancada em seu quarto, no segundo pavimento da casa, junto com a sua prima Rosalie Hale, ainda decidindo o que usar nesta noite.

- Está lindo Bella. – Rosalie abriu um sorriso ao ver Isabella sair do seu closet vestida em um vestido curtinho preto e bege de renda e um ombro só.

- Não sei Rose – ela fez muxoxo – Estou achando muito curto, muito apertado, muito chamativo – ela deu uma voltinha, se olhando no espelho em todos os ângulos possíveis.

- Curto nada Bella, está ótimo! – Rosalie levantou-se da poltrona e pegou a prima pela mão – Vamos, vou fazer uma maquiagem bem bonita e vamos descer antes que seu pai mande nos buscar.

Sem protestar, Bella deu um longo suspiro e seguiu Rosalie até o banheiro.

Rose fez uma maquiagem leve, apenas marcando os lábios de Bella em batom bem vermelho, enquanto Bella olhava tudo e achava um exagero aquela arrumação toda enquanto ela estava tão triste.

- Pronto, Está linda! – Rose se afastou com um sorriso satisfeito e pegou seus sapatos para que elas os calcassem.

- Eu mereço... – Bella suspirou e fez uma carranca.

- Ânimo Bellinha! –ela se sentou na poltrona para calçar os sapatos – Tire esta carranca do rosto e vamos curtir a linda festa que seu pai preparou para você.

- Linda festa... Só para isto que ele serve, fazer festas e exibir a família feliz que não existe – Bella murmurou.

- Bella... – Rose murmurou, mas sabia que no fundo a prima tinha razão.

Aquela felicidade toda era uma grande farsa que só as pessoas mais íntimas sabiam.

Enquanto as duas primas davam os últimos retoques em seus visuais, uma voz autoritária ecoou pelo corredor.

- Isabella, o Sr Swan está mandando a senhorita descer agora por que seus convidados já chegaram e a imprensa está aqui para fotografá-la.

Era Consuelo, a terrível governanta da família Swan.

- Avise a ele que eu já estou indo! – Bella gritou irritada para a mulher que ela sempre detestou.

Consuelo foi contratada por Charlie Swan para tomar conta de Bella após o terrível acidente que destruiu a sua família.

Isabella era uma garotinha saltitante, alegre e expansiva, única e amada filha de Charlie e Renée Swan, até que, a 10 anos atrás, um acidente de carro na estrada de Liverpool à Londres, matou a sua mãe quando eles voltavam das férias de meio de ano.

Após aquele dia a sua vida de transformou completamente. A garota alegre e cheia de vida, se tornou cada vez mais retraída. Seu pai que antes era amoroso e sorridente, caiu em uma profunda tristeza, se dedicando cada dia mais ao trabalho e a deixando nas mãos das babás e da terrível governanta, que não fazia a mínima questão de ser simpática com ela.

Charlie nunca deixou nada lhe faltar, sempre enchendo-a de mimos e presentes caros, mas nunca demonstrou se importar com ela, nem lhe deu amor e carinho, fazendo com que ela se sentisse muito solitária e revoltada.

Bella tinha certeza que seu pai não a amava, pois ele era incapaz de demonstrar qualquer tipo de emoção para ela, sendo sempre frio e distante quanto estavam sozinhos.

Os únicos momentos em que ele se esforçava em parecer amoroso eram momentos como estes, onde muitas pessoas os observavam e ele tinha a obrigação de parecer o pai perfeito e devotado.

Depois da morte da sua mãe, só restou à pequena Isabella o amor da sua tia Elisabeth Hale e de seus dois primos Rosalie e Jasper.

Bella sempre foi muito ligada a eles desde a infância, quando todos passavam as férias juntos no haras do falecido marido da sua tia e após a morte da sua mãe, este laço só estreitou-se.

Logo após o acidente, Elizabeth tentou levar Bella para morar com ela, mas Charlie a impediu, dizendo que não queria ser separado do único pedaço de Renée que o restou, mas isto não a impediu de dar muito amor e atenção a querida sobrinha.

A relação de Bella com Jasper e Rose também era muito estreita, sendo eles seus mais leais confidentes. Eles eram o seu porto seguro, aquelas pessoas com que ela podia contar a qualquer dia.

Jasper era apaixonado por ela e ela sabia disto, mas o único sentimento que ela nutria por ele era a amizade irrestrita entre dois primos que se apoiavam muito.

Bella pegou a mão de Rosalie e colocando um sorriso falso no rosto, que de tão treinado já saía naturalmente, saiu do quarto e se dirigiu a grande escada que ligava os quartos à sala principal da casa.

Ela segurou no corrimão e começou a descer degrau a degrau, seguida por Rosalie, enquanto os convidados as olhavam encantados e os flashs dos fotógrafos pipocava em seu rosto.

Charlie veio até ela e pegou a sua mão, dando-lhe um beijo na bochecha.

- Está linda, minha filha – ele deu um sorriso e a levou para frente da mesa do bolo.

- Não precisa fingir... Ninguém está nos ouvindo– ela deu um sorrisinho sem graça e os flashs foram disparados em sua direção, outra vez.

- Não estou fingindo... – ele falou e Bella fez uma careta sem querer discutir este assunto mais uma vez com ele.

Depois de pousar para muitas e muitas fotos ao lado do seu pai, sempre com o seu sorriso forçado, Bella resolveu procura Rose e Jasper para com eles, cumprimentar seus muitos convidados.

- Como você está bonita, Bella! – Jasper Hale, seu primo e eterno apaixonado a cumprimentou dando-lhe um beijo na testa e piscando o olho para ela.

- Obrigada Jazz! – Bella o abraçou – Você também está lindo.

Jasper riu e lhe deu mais um beijo.

- Venha Bellinha – Rose a abraçou pelo outro lado – Seus convidados querem te ver.

Apesar de ser muito tímida e reservada, Bella sempre teve muitos amigos, seja os que ela fez na famosa St. Patrick School, onde estudou por toda a sua vida, sejam os amigos da Chelsea College, onde ela cursa Design, então a sua festa estava cheia de jovens que ao vê-la, saíram ao seu encontro para parabenizá-la.

Bella circulou pelos salões cumprimentados a todos seus colegas, amigos e amigos de seu pai, sempre tentando ser o mais simpática possível.

Ela não estava feliz com aquela festa mas as pessoas que ali estavam não tinham culpa da sua infelicidade, então fingir era o melhor que ela podia fazer.

Terminada a sua obrigação, ela logo foi ao encontro da sua tia, que estava sentada em uma das mesas do jardim, acompanhada de alguns amigos.

- Minha princesa, parabéns – Elizabeth, se levantou e abraçou a sobrinha apertado – Até parece que foi ontem que eu estava no hospital com a minha querida irmã esperando a hora de você nascer e hoje aqui está você tão linda, uma mulher forte e determinada, como sua mãe sempre quis que você fosse.

Bella sorriu largo apertou ainda mais Elizabeth em seus braços, grata pela presença especial da tia em sua vida.

Elizabeth Hale é irmã da mãe de Bella e assim como ela, sempre tinha um jeitinho especial de tratar a sobrinha, sempre a animando nos momentos certos, a confortando na dor e a apoiando sempre, era para o colo dela que Bella corria em seus muitos momentos de carência.

- Agora vá se divertir com a garotada minha princesa – Elizabeth se soltou dos braços de Bella e lhe deu um beijo na bochecha – Estou aqui para o que você precisar.

Bella se afastou da mesa da tia e junto com os inseparáveis primos, foi conversar um pouco com seus colegas e amigos que estavam no bar montado junto da piscina.

Após alguns minutos de conversa, ela viu uma pequena movimentação e a voz do seu pai soou pela casa.

Era hora de mais um espetáculo de Charlie Swan.

- Vamos todos pessoal, vamos cantar os parabéns da minha linda filha, Isabella – Charlie anunciou ao microfone e todos se dirigiram a mesa redonda onde descansava um enorme bolo em tons de rosa e verde.

- Venha Bella! – Rose a chamou, já a puxando para o local dos parabéns.

No mesmo momento Edward Cullen adentrou a mansão dos Swan com uma caixinha nas mãos e um sorriso nos lábio, dando de cara com a linda aniversariante.

Isabella estava ainda mais bonita do que da última vez que ele se lembrava de tê-la visto.

A pele branquinha, os olhos azuis brilhantes, os cabelos escuros espessos e a boquinha carnuda, desenhada em um batom vermelho sangue.

Pequenina, mas encorpada. A cintura fina, as pernas longas e torneadas expostas naquele vestido curto, os seios e bumbum do tamanho certo.

Um corpo maravilhoso, exatamente do jeito que ele sempre gostou.

A menina magricela tinha se transformado em uma linda mulher.

Melhor, em uma mulher gostosa.

Uma tentação de dar água na boca.

Ao vê-la tão diferente e crescida, Edward teve a certeza que a sua missão seria mais agradável do que ele pensava.

Ter que casar-se com Isabella não seria nenhum sacrifício, já que ele teria aquele corpo maravilhoso ao seu dispor quando ele quisesse e bem entendesse.

Edward foi tirado dos seus pensamentos com o barulho das palmas e gritinhos animados de parabéns.

Agora todos os convidados estavam em volta da mesa cantando, animados, parabéns para Isabella.

Bella observava tudo, parada, ao lado do seu pai, seus primos e sua amada tia, lembrando do tempo em que ela era mais feliz, quando ela ainda tinha sua mãe para ampará-la.

Ela tinha algumas boas lembranças da sua mãe e as mais fortes delas eram o seu sorriso cativante, seus olhos azuis sempre tão doces e a sua voz suave cantando para ela dormir.

E como Bella sentia falta da sua mãe. Como ela queria compartilhar seus momentos com a mãe.

Uma lagrima se formou em seus olhos bem no tempo que as palmas e gritos cessaram e seu pai veio abraçá-la, sussurrando em seu ouvido 'feliz aniversário minha filha.', logo seguido por Jasper, que a tirou do chão e lhe deu um beijo estalado na bochecha, arrancando aplausos.

Quando Bella foi cortar o bolo, suas colegas começaram a brincar, dizendo que o primeiro pedaço tinha que ser de Jasper, o que fez Bella corar em um vermelho vivo e oferecer o pedaço de bolo a sua tia Elizabeth.

- Depois vocês me pagam... – Bella falou entre dentes para as meninas que ainda riam perto dela.

Enquanto ela andava indignada pelo meio da festa, alguns rapazes vieram falar com ela, tentando chamar sua atenção, mas ela apenas dava um sorrisinho sem graça e se afastava rapidamente, deixando os pobres falando sozinhos.

Edward observava Bella de longe, esperando a sua hora de entrar em cena e começar a colocar seu plano em prática.

E sua hora chegou quando Isabella parou sozinha no meio do salão, com as mãos na cintura, parecendo procurar por alguém.

- Isabella... – Edward se aproximou do alvo da sua conquista com um sorriso torto nos lábios – Não sei se você se lembra de mim, sou Edward Cullen, sócio do seu pai na mineradora, tudo bem? – estendeu a mão para ela.

Bella apertou a mão dele rapidamente e mirou a figura do homem alto e sensual à sua frente, atônita.

Edward Cullen.

Claro que ela se lembrava dele.

E como ela não lembraria do lindo sócio de seu pai?

Aquele que a fez suspirar anos a fio, desde a primeira vez que o viu, sentado na recepção da sala do seu pai, a uns 5 anos atrás.

Toda vez que o encontrava nas festas da mineradora, Bella ficava pelos cantos, sempre o observando e comentando com Rosalie como ele era bonito e charmoso. Como ela gostaria que ela a notasse.

Mesmo sempre usando aquelas roupas sóbrias, notava-se que Edward é um homem lindo. Mais ou menos 1.90 de altura, corpo musculoso, olhos verdes cheios de mistérios, cabelos acobreados meio bagunçados e o principal: o mais lindo sorriso da face da terra.

Um sorriso que fazia seu coração perder uma batida.

Mas, o que ele estava fazendo na festa dela?

Será que Charlie o tinha convidado?

Não, pouco provável já que Charlie odiava o sócio e não escondia isto de ninguém.

Então qual era a intenção dele ao vir a sua festa?

Bella não conseguia falar e perdida em pensamentos, ficou apenas o observado atentamente.

Diante do seu silêncio, Edward voltou a falar, com um sorriso no rosto, tentando tirar alguma reação dela.

- Para você, feliz aniversário - estendeu o presente que ele tinha escolhido com muito gosto para ela.

Bella piscou os olhos, quase enfeitiçada pelo sócio do seu pai, a quem que ela observou por muito tempo e que nunca teve oportunidade de se aproximar.

- Obrigada – finalmente murmurou, pegando o pacotinho nas mãos firmes de Edward e o abrindo delicadamente.

Dentro da caixinha de veludo, repousava uma delicada pulseira de ouro branco com um pingente em forma de coração salpicado por pequenas pedrinhas brilhantes.

- É muito bonita - Bella pegou a pulseira entre os dedos e sorrindo, olhou para Edward, que a observava atentamente.

Olhando-a assim, tão vulnerável, Edward achou que seria fácil dobrá-la e ele começou bem, já que uma das coisas que derretia as mulheres eram jóias e pelo olhar que Bella lançou para ele ao ver o presente, como previsto, ela tinha adorado a pulseira.

Ainda analisando as reações da bela mulher, ele concluiu que ou acusações sobre o gênio difícil de Isabella eram infundadas, ou ele tinha dado muita sorte em pegá-la em um dia de paz.

Charlie Swan, de um canto do salão, observava todo o ritual de conquista de Edward com um sorriso misterioso no rosto, apenas esperando mais um dos ataques de mau humor da sua linda Isabella.

Continuando seu meticuloso ritual, Edward sorriu para Bella e pegou a pequena jóia em suas mãos, virando seu pulso delicadamente e fechando a pulseira em sua volta.

- Perfeito – ele sorriu para uma Bella sem reação, admirando a jóia, que agora reluzia na pele clara do seu objeto de conquista – Quase tão linda quanto a dona.

E foi nesta hora que Bella se deu conta do que acontecia.

Provavelmente a presença do bonito homem em sua festa, não se devia a ela e sim a algo que ele queria resolver com o pai dela, como já aconteceu algumas vezes antes.

O leve sorriso que existia no rosto da garota desapareceu na mesma hora e a sua famosa carranca se formou.

- Pronto! – ela falou puxando seu braço e encarando o homem a sua frente – Se já terminou o seu papel de puxa saco, se divirta na festa... Bem longe de mim!

Ela virou de costas e saiu quase marchando em direção à Jasper, que descansava sentado no sofá, pegando o primo pelo braço e seguindo para a pista de dança abraçada a ele.

Mais alguns rapazes vieram falar animados com ela, mas ela nem os olhou, dançando sem parar com o primo.

Edward permaneceu parado por um momento, tentando absorver o que tinha acabado de acontecer.

Ele nunca tinha levado um fora de nenhuma mulher em sua vida e não seria Isabella Swan uma megera, fria, mal educada e principalmente muito temperamental, que mudaria isto.

Ele deu uma ultima olhada em direção à pista de dança e viu a megerinha, dançando animada com o mesmo rapaz alto e forte, da hora dos parabéns, que sorria sem parar e depois se dirigiu para a saída da festa.

Isto não ficaria assim.

Não mesmo.

Conquistar Isabella seria mais difícil do que ele imaginava e para colocar seu plano em ação, primeiro ele precisaria de respostas para algumas perguntas que surgiram naquela noite.

E a primeira e mais importante delas é qual era a relação de Isabella com o único rapaz que a fez sorrir, aquele que beijou a sua bochecha no final dos parabéns.

Aquele rapaz que agora dançava animado com seu objeto de cobiça, arrancando risinhos dela.

Descobrindo isto, ele saberia com que tipo de pessoa estaria lidando e como tirá-lo de vez da vida de Isabella.

Isabella percebendo que estava sendo observada, abraçou Jasper ainda mais forte e deu um sorrisinho para Edward, que bufou irritado.

Qual seria o interesse do lindo homem nela?

Porque havia algum interesse envolvido, já todos que se aproximavam eram por isso...

Algum interesse. Ou em se aproximar do seu pai, ou de usufruir do que ela tinha a proporcionar.

Ela já vivia atenta aos falsos galanteios e palavras bonitas, que no findo não queriam dizer nada.

Olhando para ele com indiferença, voltou a se concentrar na dança e rodopiou para fora do olhar inquisidor de Edward Cullen.

Apesar de sempre o achar lindo era somente mais um...

Mais um enganador, mais um que queria se aproveitar dela.

Enquanto Edward caminhava pelo jardim, indo para o seu carro perdido em pensamentos e teorias, Charlie Swan o puxou pelo braço e sorriu irônico.

- Cullen, se eu fosse você, seria um pouco menos confiante. – falou e deu uma gargalhada – Isabella é uma pessoa difícil...

A raiva ferveu dentro de Edward, mas ele não aceitaria mais esta provocação do seu maldito sócio.

Não, ele não daria o gosto ao velho de vê-lo discutir, então apenas soltou seu braço e sem dar uma única palavra, se virou e seguiu o seu caminho irritado.

Edward andou para o estacionamento, se sentou no banco do seu carro e abaixou a cabeça entre as mãos, amaldiçoando o Sr. Swan.

Ele tinha certeza que aquele velho queria a sua ruína, mas se o Sr. Swan achava que ele desistiria assim tão fácil, estava enganado.

Muito enganado.

Desafios: Este era o combustível da vida de Edward Cullen.

E ele não desistiria até conseguir o que queria!