Toda a verdade de Charlie Swan
- Alguém me ajude! – Isabella Swan voltou a gritar e seu apelo ecoou chamando a atenção de Jules, Rosalie e Edward que se encontravam na recepção da sala de Charlie.
- É a Bella! – Rosalie arregalou os olhos aterrorizada e assim como a secretária do tio, não conseguiu reagir, ficando paralisada.
Ao se dar conta do grito de Isabella, Edward correu para a sala do sócio e se deparou com uma cena terrível.
Isabella estava sentada no chão da sala amparando o corpo inerte do pai enquanto chorava sem parar.
- O que aconteceu? – Edward aproximou-se de Isabella e pegou Charlie, ainda desacordado dos braços dela.
- Não sei... – Bella murmurou – Ele caiu desacordado sem mais nem menos.
Edward encostou o ouvido no nariz do sócio e notou que ele ainda respirava.
Por sorte, ele ainda estava vivo.
- Venha comigo! – Edward, falou disparando pelos corredores da empresa, sendo seguido de perto por Bella e Rosalie, que saindo do estado de topor, segurou firme no braço da prima.
– Jules, avise ao motorista para ir ligando o carro. É uma emergência, o Sr. Swan desmaiou – Edward entrou no elevador da empresa e em poucos segundo já estava sentado no banco de trás do carro, tendo Charlie em seu colo, enquanto Bella e Rosalie se espremeram no banco do carona do carro que logo saiu disparado em direção ao hospital mais próximo.
Ao adentrarem o hospital, os médicos logo levaram Charlie para o setor de emergência, deixando Edward, Bella e Rosalie sentados na recepção a espera de notícias.
Edward sentou-se eu uma das poltronas, enquanto as meninas se esparramaram em um dos sofás, Rosalie tentando confortar a prima.
Isto não podia estar acontecendo. Era a única coisa que se passava pela cabeça de Edward.
Ele ainda não tinha conseguido o que ele queria, então Charlie tinha que permanecer bem vivo e forte até que as coisas se resolvessem.
O velho ainda não podia morrer, de jeito nenhum!
- Será que ele vai ficar bem? – Bella perguntou um pouco depois a Rosalie, que ainda segurava a sua mão firmemente.
- Vai sim Bellinha... – Rose acarinhou o cabelo da prima e deu um beijo no top da sua cabeça – O tio Charlie vai ficar bem, você vai ver.
Edward que apenas as observava perdido em seus pensamentos, resolveu se juntar a elas e com isso tentar descobrir mais sobre Isabella e a sua relação com o pai.
- Acho que ele vai ficar bem sim Bella – Edward sentou-se em uma das pontas do sofá e em uma ação calculada chamou-a pelo apelido, tentando forçar intimidade – Ele já apresentou outros episódios de mal estar e tudo ficou bem.
- Outros episódios de mal estar? - Bella levantou o rosto e olhou fixamente para Edward, tentando entender o que ele tinha dito e nem notando como ele a chamou – Como assim, ele já havia passado mal outras vezes?
Edward deu de ombros e aproveitou o súbito interesse dela para se aproximar mais.
- Ele já havia passado mal outras vezes na empresa – ele estreitou os olhos para Isabella - Nada parecido com o de hoje... Mais leves, mas ele já havia passado mal, você não sabia?
- Não! – Bella perdeu a cor – Não sabia, mas por favor me conte tudo sobre isto, Sr. Cullen. – Bella nunca tinha o chamado por nome nenhum, então achou que o mais correto seria demonstrar respeito de não chamá-lo pelo primeiro nome, também para não dar a ele uma falsa impressão de intimidade.
Até por que intimidade era a última coisa que ela queria com o sócio maluco do seu pai que agora teimava em persegui-la.
- Edward. – ele riu – Me chame de Edward, por favor. – ele se aproximou ainda mais – Vou te contar tudo.
- Por favor Sr. Cullen – Bella voltou a falar.
- Edward... – ele pegou as mãos da garota sentindo um formigamento estranho – Se você continuar a me chamar de Sr. Cullen, me sentirei um velho. – ele sorriu, sendo simpático.
Bella tirou suas mãos da de Edward rapidamente, pois uma estranha sensação passou por seu corpo, fazendo-a tremer.
- Então Edward, me conte o que sabe – ela deu um sorriso desconcertada com aquela sensação.
Edward então contou todos os episódios de mal estar e desmaio que Charlie tinha apresentado nos últimos tempos, fazendo Bella arregalar os olhos assustada.
- Eu não sabia de nada disto... – ela abaixou o rosto entre as mãos. – Então deve ser grave...
- Disto eu não sei. – Edward fez uma cara pensativa – Vamos esperar para ouvir o que o médico tem a nos falar.
Bella começou a chorar mais uma vez.
Aquelas informações eram demais para ela.
Charlie era terrível, mas era o seu pai e ela tinha que saber como ajudá-lo.
- É isto Bella, espera o que o medico tem a dizer antes de tirar conclusões precipitadas. Daqui a pouco teremos noticias, fica calma... – Rose afagou as costas da prima, tentando acalmá-la. –O senhor poderia pegar um copo d'agua para Bella? – ela de dirigiu a Edward com um sorrisinho ao notar que ele olhava para a prima sem para um só momento.
- Posso sim, senhorita. – Edward se levantou do sofá e foi ao bebedouro perto da porta da emergência.
Enquanto pegava o copo d'agua, Edward concluiu que a relação de Bella com o pai era o que ele imaginava e já tinha descoberto em conversas com Jules: Uma relação bem difícil, mas aparentemente com alguns sentimentos ocultos.
- Bella, este Edward Cullen não tira os olhos de você mesmo! – Rose soltou ao ver Edward se afastar delas – E ele está sendo tão solícito...
- Hoje não é dia para este assunto Rose - Bella bufou irritada, olhando diretamente nos olhos de Rosalie. – E ele só está aqui este tempo todo por que a doença do meu pai também interessa a ele como sócio, entendeu?
Rose acenou com cabeça e deu um sorrisinho.
Realmente, esta não era a hora certa para esta conversa.
- Obrigada Sr. Cullen – Rose pegou o copo das mãos dele e entregou a prima, acarinhando suas costas outra vez – Beba toda Bellinha, vai te fazer bem.
Após beber a água bem devagar, Bella foi se acalmando com o carinho que a prima fazia nela e em pouco tempo seu choro cessou.
- Edward, já que está tudo resolvido e agora só nos resta esperar notícias, você pode ir embora – Bella levantou a cabeça que estava no colo de Rosalie – Sei que você tem muito o que tratar na empresa e não podemos tomar mais do seu tempo.
- Acho melhor ficar - Edward falou suave – O que tenho a tratar não é mais importante do que a saúde do meu sócio e além do mais eu não vou deixar vocês duas sozinhas aqui.
Ele queria saber de tudo o que estava acontecendo com Charlie e o melhor lugar para isto era ficar no hospital, com Bella e sua prima, esperando notícias.
- Não se preocupe em nos deixar, ligarei para meu primo e minha tia e eles virão nos fazer companhia – Bella voltou a falar tentando se livrar do homem e do seu olhar analítico – Você já ficou tempo demais aqui e os negócios te chamam. Muito obrigada pela ajuda, mas a sua presença aqui não é mais necessária.
Edward encarou Bella e deu um sorriso torto.
- Já disse que o que tenho a tratar na empresa não é importante. - ele falou firme. - Eu fico e fim de papo. Vocês podem precisar de mim e além do mais não é justo tirar o seu primo dos seus afazeres se eu já estou aqui e posso acompanhar vocês.
- Não, você vai agora! – Bella falou mais alto, já irritada com a presença de Edward.
Além do momento delicado que estava vivendo, ela ainda teria que ter Edward Cullen por perto?
- Bella... – Rose falou tentando salvar Edward do mau gênio da prima – O Sr. Cullen tem razão. Deixe-o aqui conosco, já que ele pode ficar sem que prejudique seus afazeres, não tem cabimento dispensá-lo e chamar Jasper.
- Rose, não... – Bella começou a falar, mas foi interrompida pela prima.
- Você fica Sr. Cullen – Rose sorriu para Edward e piscou o olho cúmplice.
Edward sorriu ao notar que tinha uma aliada em sua missão de domar Isabella.
Pelo visto, Rosalie o ajudaria no que fosse preciso.
Depois da pequena discussão, os três ficaram sentados e calados por um tempo, a espera de noticias, até que um dos médicos que atendeu Charlie saiu pela porta chamando por sua filha.
- Sou eu! – Bella levantou-se do sofá e puxando Rosalie correu até o homem
- Eu gostaria de conversar com a senhorita, por favor me siga. – o homem abriu a porta de uma sala e entrou, sendo seguido com Rose e Bella.
- Espere Isabella! – Edward falou também se levantando do sofá – Eu vou com vocês.
Bella virou-se para Edward e fez uma cara feia.
- Não Edward Cullen, você não vem conosco! – ela falou tentando fechar a porta, mas Edward colocou a mão – Agora o assunto é familiar e você não faz parte da família. Mas uma vez, obrigada por toda a ajuda, mas agora não te quero mais aqui. – ela empurrou a porta outra vez, sendo impedida por Edward.
- Eu posso ajudar com mais algumas informações – ele falou olhando para o médico que já se encontrava sentado à mesa. – Eu presenciei os outros episódios de mal estar de Charlie na empresa e posso ter informações valiosas.
- Se ele tem informações, acho melhor ele ficar – o médico falou – Deixe-o entrar Srta. Swan.
Bella revirou os olhos irritada e saiu da porta deixando que Edward entrasse na sala com um sorriso triunfante.
Porque todos estavam a favor de Edward Cullen e contra ela?
Assim que todos se sentaram em suas cadeiras, o médico começou a explicar a situação de Charlie e fez algumas perguntas a Bella e Edward sobre os hábitos dele e a carga de trabalho, sempre fazendo anotações do que era respondido.
- Como ele está doutor? - Bella já estava aflita pois o médico ainda não tinha falado sobre o estado de Charlie.
- Vou resumir para você – o médico olhou por cima dos óculos para as três figuras sentadas à sua frente – O Sr. Swan está bem por ora, mas desenvolveu um problema cardíaco grave e precisará, além de ficar uns dias em observação aqui no hospital, se cuidar diminuindo o ritmo de trabalho, tomando a medicação direitinho e fazendo uma dieta especial dentre outros cuidados e por isto conto com a colaboração de vocês em fiscalizá-lo e ajudá-lo neste desafio... Com tempo, eu converso direitinho com vocês e passo melhores orientações – o homem levantou-se da cadeira - Agora vamos vê-lo, mas por pouco tempo, pois ele precisa descansar.
Os três assentiram e o médico os levou para ver Charlie, que estava dormindo em um dos quartos do hospital.
Assim que adentrou o quarto, Bella correu para a cama do pai e segurou a sua mão.
- Que susto que o Senhor nos deu, hein Charlie Swan? – Bella passou a mão livre no cabelo do pai – Nunca mais faça isto!
Edward ficou encantado com o que estava vendo. Bella acariciava os cabelos do pai enquanto murmurava algumas coisas no ouvido.
Ela podia ser carinhosa. A megerinha podia ser carinhosa.
Ele continuou observando o seu objeto de conquista, até que foi interrompido por uma mão em seu ombro.
- O que o senhor quer com a minha prima? – Rose se aproximou de Edward ao notar o olhar bobo que ele lançava para Bella. – Não a faça sofrer mais, por favor Sr. Cullen... Só se aproxime de Bella se seus sentimentos forem verdadeiros.
Virando-se para a garota, ele lançou seu melhor sorriso.
Era preciso conquistar a simpatia de Rosalie para que ela pudesse ajudá-lo a se aproximar de Isabella.
- Não se preocupe senhorita. Eu não quero o mal da sua prima... Apenas quero conhecê-la melhor, se ela puder me dar esta oportunidade.
Foi o que ele pôde responder naquele momento
E isto era verdade.
Ele não queria o mal de Isabella Swan.
OOOOO
Os dias se passaram e Charlie continuou internado, em observação e fazendo uma bateria de exames.
O seu estado de saúde era estável, mas para que pudesse receber alta, antes precisaria de mais um tempo tomando soro e medicamentos, além de ter sua função cardíaca monitorada.
Quando saiu da sedação, Charlie admitiu para Bella que já estava se sentindo mal a algum tempo, mas achando que não era nada demais, não se preocupou, levando um sermão tanto dos médicos como da filha.
Bella ficou com o pai por todo o tempo em que ele esteve internado, sempre recebendo a ajuda da tia e dos primos, que se revezavam nos cuidados com o Sr. Swan.
Edward, toda vez que saia da empresa ia visitar o sócio para saber do seu estado de saúde e também para observar Isabella um pouco mais.
Bella estava sendo educada com ele, sempre o recebendo bem e o informando da evolução do quadro de Charlie, mas não dando a ele a chance de se aproximar mais dela, para a tristeza de Edward que queria conhecer um pouco mais da frágil garota.
Após alguns dias a mais de internamento, Charlie recebeu alta, cheio de recomendações e restrições e seguiu para casa com uma Bella preocupada e disposta a fazer de tudo para que ele seguisse o que foi imposto pelos médicos.
Ao chegar em casa, Bella sentiu o pai diferente. Ele que sempre viveu só para ele, agora estava falante e interagia no meio da casa, cumprimentando os empregados e conversando mais com ela.
Todo dia quando Bella voltava das aulas, Charlie, que voltou a trabalhar no escritório que ele mantinha em casa, a chamava para perguntar sobre o seu dia e se mostrava interessado em tudo o que ela contava e até a obedecia quando ela o levava os remédios, tomando-os sem reclamar.
Bella tinha certeza que o medo que o pai tinha de morrer e a descoberta da doença tinha mudado o seu comportamento.
Edward não apareceu mais para visitar o sócio após a sua alta do hospital, apenas sabendo noticias por telefone, já que o homem ordenou que ele ficasse responsável por tudo da empresa em sua ausência.
Tudo estava transcorrendo na maior normalidade com a recuperação de Charlie até que ele resolveu voltar para a empresa e a partir deste dia, os remédios deixaram de ser tomados na hora certa, já que Charlie quase sempre estava ocupado na hora que os comprimidos que lhe eram oferecidos e o ritmo de trabalho que teria que ser ameno, voltou a ser intenso.
Com a volta de Charlie para o trabalho, para a felicidade de Edward, Bella passou a freqüentar a empresa para levar os remédios e o almoço do pai, além de monitorar qualquer travessura que ele tivesse fazendo.
Esta era mais uma chance que ele teria de fazer com que ela confiasse mais nele.
E Edward, sabendo que ela estava fragilizada com todos os últimos acontecimentos preferiu não forçar nada a mais do que o que ela o permitisse.
Então, toda vez que eles se encontravam, seja nos corredores da empresa ou na sala de Charlie, além de olhares e sorrisinhos, eles também trocavam algumas palavras sobre o único assunto que tinham em comum: A recuperação de Charlie.
Com isto, Edward conseguiu chamar a atenção de Bella, que ficava cada vez mais confusa sobre ele e suas intenções com ela.
As únicas coisas que Bella sabe sobre Edward é que ele era sócio do seu pai e tinha fama de durão, sem emoção,que apreciava muito ir para festas e andar rodeado de mulheres. Pesquisando na internet, ela descobriu também que ele nunca foi casado.
Às vezes, enquanto ela esperava a hora de ver Charlie, conversava com Jules, tentando ver se descobria mais algumas coisas sobre o rapaz, mas nem a secretária do seu pai, que trabalhava a tanto tempo com Edward sabia muito sobre a sua vida.
Não se sabia se ele tem família, pai, mãe ou irmãos. A única coisa que Jules pôde informar é que, pelo menos em Londres, ele é sozinho.
Toda vez que Edward a observava sempre tão misterioso, Bella se punha a pensar no que ele queria com ela.
Por que Edward a escolheria, uma garota sem graça e sem experiências de vida, se ele pode ter a mulher que quiser?
Edward, por sua vez, começou a notar que a relação de Isabella com o pai poderia esconder alguns mistérios que seriam importantes e que ele deveria descobrir o mais rápido possível.
Os dias se passaram e Charlie reassumiu de vez seu lugar na empresa que ele tanto amava, convocando reuniões extraordinárias com alguns acionistas sempre após o expediente e que Edward nunca era convidado a participar, sob o pretexto de se tratarem de assuntos de fora da empresa o que o deixou muito desconfiado e intrigado.
Já nas reuniões em que todos participavam, sempre o assunto principal era Edward e sua maneira de gerir a sua carreira. Charlie fazia questão de, na frente dos acionistas e sob os sorrisinhos sarcásticos destes, dar broncas em Edward, dizendo que ele é esforçado mas ainda tem muito a aprender até se tornar um grande líder e executivo e que isso só se aprende focando no trabalho e esquecendo as farras.
Edward ficava irado com os comentários maldosos do sócio, que sempre fazia questão de deixá-lo desconcertados em frente dos outros acionistas e também com fama de incompetente.
No dia seguinte à ultima reunião do conselho onde todos os ataques contra a sua moral continuaram, Edward teve uma surpresa ao retornar à sua sala após o almoço.
Sentado em sua cadeira e remexendo em seus papeis distraidamente estava Charlie Swan.
- Boa tarde Sr. Swan – Edward fez uma careta – Ao que devo a ilustre visita?
Charlie levantou os olhos e deu um sorrisinho para o sócio.
- Não te vi o dia inteiro e como tinha um assunto urgente a tratar com você, resolvi vir te esperar na sua sala.
Edward puxou uma das cadeiras que ficam em frente à sua mesa e sentou-se.
- Estou aqui para ouvir. - ele colocou os cotovelos sobre a mesa e fez uma cara neutra.
- O assunto é importante, porém rápido.- Charlie se levantou da cadeira de Edward – Sei que deve estar preocupado com o nosso acordo, por causa dos últimos acontecimentos, então achei que eu tinha o dever de te avisar que nada mudou e caso eu morra, está tudo documentado e o meu advogado avisado. – Charlie abriu um sorriso enorme – É só cumprir a sua parte no trato, casando-se com Isabella, que a presidência da empresa será sua.
Edward, intrigado, fez uma careta e levantou-se, seguindo Charlie.
Será que o velho estava com alguma doença grave e sabia que não tinha muito tempo de vida?
Ao notar a cara confusa que o jovem sócio fazia, Charlie soltou uma gargalhada sonora.
- Antes que você pergunte Edward Cullen. Não, eu não estou com nenhuma doença grave e acho que vou morrer não cedo, mas como sou uma pessoa sempre prevenida, resolvi alertá-lo de como anda nosso acordo e das condições caso algo me aconteça.
- Então caso o senhor morra, a condição para que eu assuma a presidência da empresa continua a ser o meu casamento com Isabella? – a cabeça de Edward estava cada vez confusa.
Ele, definitivamente, não entendia o velho sócio que agora estava calado e o observando atentamente.
O casamento não seria para Charlie se livrar dele e de Isabella? Mas se ele morresse antes, qual seria o seu interesse?
Como Charlie não se pronunciou, Edward voltou a perguntar, tentando ver se conseguia alguma resposta que fizesse sentido.
- Por que o senhor quer que eu me case com Isabella?
- Um dia você irá entender...- Charlie riu – Só não deixe que ela saiba da aposta, para o seu bem... Você não vai querer ver Isabella irritada.
Edward ficou pensativo por um momento.
Ele tinha certeza que Charlie escondia deles o verdadeiro motivo para ele desejar aquela união.
- O senhor tem certeza que não está prestes a morrer? – Edward voltou a perguntar.
- Não Edward Cullen! – Charlie bufou – Que eu saiba, não irei morrer por agora, então a única maneira de você se livrar de mim é cumprindo o acordado e se casando com minha linda filha.
- Entendi... – Edward sorriu – Não se preocupe, Sr. Swan, irei cumprir o combinado.
- E eu irei sumir definitivamente da vida de vocês sem deixar rastro quando tudo se concretizar – Charlie se retirou da sala de Edward sem ao menos olhar para a cara atônita que o sócio fazia.
Naquela mesma tarde, quando Bella foi fazer uma visita ao pai para checar se ele estava seguindo as recomendações médicas, ele a chamou para uma conversar.
- Filha, tome um lanche comigo – Charlie a convidou indo em direção à sala de reuniões onde o pessoal da copa tinha colocado algumas frutas, sucos e lanchinhos – Queria conversar um pouco com você.
Bella, feliz pelo pai estar mais aberto e aparentemente mais feliz, o seguiu e depois de se servir de um pouco de suco, sentou-se em uma das cadeiras.
- Bellinha... – ele a chamou pelo apelido de infância depois de muitos anos – Sei que não fui o melhor pai do mundo para você, mas acredite que eu tive os meus motivos para isto. – ele se aproximou de Bella que já estava com os olhos cheios de lágrimas e pegou as suas mãos – Mesmo que pareça e que você não acredite, eu te amo muito e nunca deixaria que nada de mal te acontecesse e depois do que me aconteceu estive pensando em seu futuro, caso eu falte a você... – Charlie deu um sorriso e beijou a bochecha cheia de lágrimas da filha – Não se preocupe que você não ficará desamparada. Já resolvi tudo e Bill já sabe como proceder caso eu morra.
Bella pulou no colo do pai e chorou sem parar agarrada em seu terno, como fazia como era criança e algo a aborrecia.
- Pai... me diga a verdade... – ela balbuciou – Você está para morrer? Por favor não me esconda isto...
- Não Bella... - Charlie acarinhou as costas da sua pequena, passando verdade em suas palavras – Não estou para morrer, mas quero ser prevenido e não te deixar desamparada – ele repetiu as palavras que disse ao seu sócio.
Bella chorou ainda mais e se agarrou ainda mais no pai, voltando a se sentir a garotinha de 10 anos, amada e protegida que ela nunca mais foi.
- Se cuide pai, por favor... – Bella beijou a testa do pai – Por que eu te amo... Eu não quero te perder...
- Eu também filha... Eu também te amo– Charlie sorriu e beijou a bochecha da filha outra vez – Eu te amo muito...
E com estas palavras aparentemente doces, Charlie Swan deu seguimento ao plano traçado para o futuro da filha e do sócio.
OOOOO
As semanas se seguiram e Charlie ficou ainda mais misterioso na empresa, sendo visto diversas vezes na companhia do seu advogado em reuniões fechadas que nem Jules, que era a sua fiel secretária há anos sabia o motivo.
Nos corredores da empresa não se comentava outra coisa além de como Charlie Swan tinha mudado desde a sua doença.
Alguns apostavam que o velho ia morrer logo e que ele sabia disto por isto estava tentando se redimir de alguns dos seus pecados, enquanto outros acreditavam que ele só tinha ficado assustado com tudo que tinha acontecido a ele, mas era acordo comum que ele estava bem melhor e mais amável.
Edward estava a cada dia mais curioso com este comportamento incomum do sócio e a certeza de que Charlie estava tramando algo a mais do que ele tinha ciência crescia a cada nova ação, a cada nova conversa que surgia.
Em sua casa, Charlie estava cada vez mais próximo da filha e alegre, fazendo com que Bella lembrasse do Charlie de onze anos atrás.
Um Charlie animado, brincalhão e amoroso.
- Bellinha... – Charlie se aproximou da filha que estava no sofá da sala lendo um livro na manhã do seu primeiro dia de férias da faculdade – Queria te dizer umas coisas...
Empolgada com a disposição do pai em ficar com ela, Bella largou o livro na mesinha de centro.
- Pode falar pai! – ela lançou seu melhor sorriso.
- Filha, sei que nunca toquei neste assunto com você, mas queria que você soubesse que até hoje me sinto muito culpado pela morte da Renée e por ter destruído a nossa família da maneira que eu destruí. – Charlie abaixou a cabeça envergonhado. – Me desculpa minha filha por todos estes anos que te fiz sofrer fechado em meu mundo e não te dando a oportunidade de ter uma família feliz e um pai amoroso.
- Pai, o senhor não teve culpa. - Bella pulou no colo do pai e consolando-o passou as mãos por seu cabelo. – Foi uma fatalidade... E eu perdôo o senhor e entendo seus motivos.
- Obrigado Bellinha... – Charlie deu um beijo na filha e levantou-se do sofá – Não se esqueça nunca que eu te amo minha filha.
Charlie soltou um beijo no ar e seguiu para mais um dia de trabalho na empresa.
Na tarde daquele mesmo dia, em meio a uma reunião tensa, Charlie Swan teve um ataque do coração fulminante e desfaleceu nos braços de Edward que correu para socorrê-lo.
Bella logo foi avisada e correu para o hospital acompanhada de sua família, mas nada pôde ser feito e Charlie foi declarado morto meia hora após ter dado entrada no hospital.
Bella entrou em desespero ao receber a noticia, chorando e gritando sem parar.
- Logo agora que eu esta me dando bem com ele... – Bella abraçou Elizabeth – Logo agora... Isto é injusto...
- Vamos para casa Bella e não se preocupe que Jasper resolverá todas as pendências aqui. - Elizabeth, sem ter o que dizer à sobrinha para consolá-la, apenas a abraçou e a levou para fora da sala.
Edward, de longe, observou Bella sair da sala do médico amparada pela tia e por Rosalie, com um aperto no coração incomum.
Charlie tinha morrido e ele não sabia o que o esperava para o futuro, pois o sócio tinha feito questão de alertá-lo sobre um documento que fora redigido.
Um documento que ele tinha certeza que não seria nada bom para ele.
OOOOO
Após uma noite mal dormida, onde chorou sem parar até sucumbir ao sono e ao cansaço abraçada em Rosalie, Bella agora teria que enfrentar a cerimônia do sepultamento de Charlie.
- Vamos nos arrumar Bella – Rose estendeu uma roupa para a prima e Bella, desanimada foi se vestir para o ato final do seu último pesadelo.
Pouco depois Bella estava em pé em frente ao caixão do pai recebendo as condolências das mais diversas pessoas, sempre amparada por Rosalie, que não largou da prima um só minuto.
- Rose, eu preciso de ar... Eu não... Não me sinto muito bem– Bella sussurrou no ouvido da prima, que logo a levou para o lado de fora do salão.
- Rose, preciso ficar sozinha por um tempo, por favor... Preciso pensar um pouco – Bella pediu, se sentando em um banquinho fora do local do velório.
- Eu prefiro ficar com você... – Rose tentou argumentar - Não quero te deixar sozinha neste estado.
- Eu prometo que vou ficar bem... Só preciso pensar um pouquinho e logo volto.
- Qualquer coisa estou lá dentro então, é só nos chamar se precisar – Rose deu um beijo em sua testa e lhe afagou os cabelos – Fique bem.
Assim que Rose saiu, Bella começou a chorar sem parar, tentando assim dar um fim a toda a dor que ela tinha dentro do seu peito e se dando ao direito de expressar toda a sua revolta com as sua lágrimas.
Ela tinha certeza de que Charlie só se aproximou dela nos últimos dias para vê-la sofrer ainda mais com a sua morte.
Como ela pôde se iludir achando eu o pai queria o seu bem, quando na verdade ele só queria vê-la sofrer cada vez mais?
Bella abaixou a cabeça entre as mãos se sentindo a pior das criaturas por ter sido enganada daquela maneira.
Edward, ao ver Bella sozinha e tão triste, sem pensar muito no que estava fazendo, se aproximou dela e tocou seu ombro.
Ele queria apenas lhe dar um pouco de conforto.
- Edward! – Bella estremeceu com o toque quente e acolhedor do sócio de Charlie.
- Shiii... Não fale nada. – ele a abraçou com ternura.
Bella encostou o rosto no peito de Edward e naquele momento ele a via apenas como uma garota frágil, que tinha acabado de perder o pai e não como o seu objeto de conquista.
Edward afagou as costas de Bella e ela se permitiu abraçá-lo também, movendo seus braços para a cintura dele, aspirando o perfume que sua roupa exalava enquanto chorava sem parar, molhando o terno do rapaz com suas lágrimas sofridas.
- Tenha calma Isabella... – Edward murmurou em seu ouvido, fazendo-a estremecer – Tudo dará certo.
Bella ficou agarrada ao sócio do pai mais um pouco, aproveitando do calor do seu corpo, das suas mãos a afagando, estranhamente a trazendo a paz que precisava.
Ele estava sendo tão gentil com ela... Talvez ele não fosse a pessoa abominável e interesseira que ela pensava que ele era.
Eram muitas informações e ela estava quase louca!
- Me desculpa... – murmurou pouco depois, enxugando os olhos e se afastando de Edward envergonhada – Estraguei a sua roupa...
Edward deu um sorriso para ela, analisando o seu rosto.
Ele a tinha nas mãos naquele momento.
Frágil, vulnerável, desamparada...
Era só tratá-la bem e ela acreditaria em tudo que ele a dissesse.
Este era o momento perfeito para dar um passo a mais em seu plano.
Ele mirou os olhos dela e a realidade o atingiu.
Os olhos da garota expressavam todo o seu sofrimento.
Não era justo.
Ela estava muito fragilizada e ele não se aproveitaria daquele momento para conseguir nada dela e queria deixar isto bem claro.
Então seguindo o que seu coração mandava, Edward deu um beijo na mão da frágil garota e depois sorriu, afagando sua bochecha.
- Não se preocupe com isto Isabella... – ele a pegou pela mão – Venha comigo, vamos procurar sua família.
OOOO
Uma semana após a morte de Charlie Swan, o seu advogado e grande amigo, Bill Moore, convocou uma reunião com Edward e Isabella para discutir alguns pontos de um documento e do testamento deixados por Charlie antes que o conselho da empresa fosse convocado para o rearranjo dos cargos e eleição do novo presidente.
Bella chegou no começo da tarde à empresa, logo encontrando-se com Edward e o advogado, que já estavam a sua espera na sala de reuniões.
- Boa tarde senhores – Bella os cumprimentou e sentou-se em uma das cadeiras – Vamos logo ao assunto, pois quero seguir com a minha vida em paz – fez uma cara entediada.
- Isto é o que mais quero também – Edward resmungou em um tom baixo e virou-se para o senhor careca e barrigudo sentado próximo a ela – Então Sr. Moore, qual o assunto que o senhor tem a tratar conosco?
Bill se remexeu na cadeira e abrindo sua pasta, tirou alguns papeis de lá e os colocou sobre a mesa.
- O motivo de ter convocado esta reunião somente com os senhores é que Charlie me deixou a incumbência de revelar o conteúdo do seu testamento e de um documento no qual ele fala sobre as ações e presidência da empresa e este assunto diz respeito apenas a vocês dois, Isabella, sua única herdeira e Edward, seu sócio e segundo maior acionista na empresa.
Bella olhou confusa para Edward que revirou os olhos impaciente e também temeroso.
Ele tinha certeza que algo, no mínimo constrangedor o esperava.
- Então pode começar Sr. Moore, somos todos ouvidos. – Edward apoiou os cotovelos em cima da mesa.
- Bom, como já falei, Charlie deixou em minha posse dois documentos muito importantes: o seu testamento, onde diz o que será feito com a sua fortuna, e o documento que detalha as suas vontades e ordena que algumas coisas sejam cumpridas na empresa – o senhor começou a falar – Então preciso que vocês dois tomem ciência dos seus conteúdos antes que possam ser tomadas algumas providências. – ele pausou e entregou para cada um dos interessados cópias dos papeis – Acompanhem comigo as ultimas vontades de Charlie.
- Sr. Moore – Bella o interrompeu – Antes de o senhor começar preciso saber se meu pai sabia que iria morrer em pouco tempo, por que ele estava tão esquisito nestes últimos tempos que me deu esta impressão.
Edward olhou para Bella e sorriu.
Boa pergunta a dela.
Isto ele também queria muito saber.
O carrancudo senhor se remexeu na cadeira incomodado com os dois pares de olhos que o olhava, curiosos e depois de um longo suspiro começou a falar.
- Não Isabella. Ele não sabia, mas tinha ciência de que sua situação era bem delicada e então, para não deixar pendências nem dúvidas, ele resolveu documentar suas vontades. – ele pegou seus papeis e ajeitou os óculos – Se sua dúvida só era esta, vamos começar logo as leituras.
Edward e Bella balançaram suas cabeças e concordância e o Sr. Moore começou a ler os documentos.
- Estes documentos que vocês têm em mãos expressam a vontade de Charlie de que vocês dois se casem para que obtenham alguns benefícios e possam assumir os seus postos na mineradora.
- Casar com o Edward? – Bella deu um gritinho e olhou para a expressão serena do homem ao seu lado – Como isto?
Edward escondeu um sorrisinho, já que desta condição ele estava avisado.
- Isabella, por favor ouça o que tenho a te dizer antes de fazer perguntas – o Sr. Moore soou irritado olhando firme para o casal a sua frente – Mas continuando, Charlie deixou bem claro em seu testamento que o Sr. Edward Cullen não poderá comprar a sua parte na empresa caso ele morresse e que também estará impedido de assumir a presidência da empresa se não casar com Isabella.
Bella perdeu a cor e o sorriso presunçoso de Edward desapareceu na mesma hora.
Dando um sorrisinho no canto da boca, o homem continuou.
- O Sr. Cullen terá a opção de vender as suas ações para qualquer outra pessoa ou permanecer apenas como mais um acionista da empresa, sem direito a decisão, já que perderá o posto de segundo maior acionista caso a condição imposta não seja cumprida.
Edward revirou os olhos irritado.
Uma coisa era ele se casar para conseguir algo que ele queria, outra completamente diferente era ser ameaçado daquela maneira.
Ser obrigado a se casar para não perder o que ele já tinha conquistado, definitivamente não fazia parte dos seus planos de vida.
- Isto é uma brincadeira, não é? – Edward bateu na mesa nervoso. – Só pode ser!
O Sr. Moore balançou a cabeça negativamente.
- Não Edward. Isto não é uma brincadeira – o advogado deu um risinho sarcástico - Quanto a você Isabella, o testamento é bem claro. – o advogado voltou-se para Bella com o olhar incisivo – Para herdar o que lhe é de direito, a senhorita terá que se casar com Edward Cullen. Se não cumprir a vontade do seu pai a sua parte das ações serão doadas para os senhores Marcus Lexmann e para mim, e as únicas coisas que você terá direito é a casa onde mora, a casa de praia e seu automóvel. E quanto a você... – olhar do homem se voltou para Edward - Casando-se com Isabella, você terá o controle da parte dela na empresa, tendo que fornecer-lhe uma quantia mensal estipulada pelos lucros da empresa, além de cumprir com suas obrigações de marido de sustentá-la e prover a casa de vocês.
Edward e Bella estavam arrasados, sentados em suas cadeiras e ouvindo atentamente a sentença que Charlie tinha imposto a eles.
O advogado, após uma pausa, voltou a falar.
- Mas não se engane Edward o conselho administrativo da empresa estará de olho em todas as sua movimentações com a parte da empresa que cabe a Isabella e ela, se assim for da sua vontade, poderá nomear alguém para te fiscalizar diretamente.
- É apenas isto o que você tem a nos dizer? Mais algum absurdo?– Edward vociferou irritado para o advogado.
Esta história de juntá-lo a Isabella a qualquer custo estava indo longe demais.
- Como vocês podem ver, o prazo estipulado nos documentos, para se casarem é de 4 meses a contar de hoje – ele juntou seus papeis sem se importar com a tensão no ambiente e os colocou em uma pasta – Alguma dúvida por parte de vocês?
- Não. – Edward respondeu – Você tem alguma dúvida Isabella?
- Também não... - Bella balançou a cabeça desnorteada e com vontade de chorar.
- Então quando vocês tiverem uma resposta a me dar, me procurem para que possamos dar andamento no que for necessário e não se esqueçam que vocês não poderão burlar o previsto nos documentos, pois estarei de olho em vocês dois o tempo inteiro – o carrancudo senhor levantou-se da cadeira e pegando sua pasta se retirou da sala – Um bom dia para vocês.
Agora sozinhos na sala tudo começou a fazer sentido para eles.
Charlie tinha preparado uma cilada para seu odiado sócio e filha.
Ele os odiava tanto que os faria casar, por vingança.
Bella olhou desesperada para Edward, na esperança de que ele tivesse uma saída para aquela situação, mas Edward estava tão apavorado quanto ela com tudo o que estava ouvindo.
A experiência de Edward lhe dizia que Charlie tinha sido bastante cuidadoso em não deixar brechas ao redigir aqueles documentos e que para ele e Isabella não havia saída, a não ser cumprir o que estava escrito e determinado.
Nem após a sua morte, Charlie Swan deixava de atormentar a vida do sócio.
- Edward, você sabia deste testamento? – Bella perguntou – Você já sabia desta loucura? Por favor... Me fala a verdade...
Ainda muito perdido, Edward não respondeu, apenas balançando a cabeça em negativa.
Ao notar a cara desnorteada que Edward fazia, Bella se desesperou.
Será que ela teria que se sujeitar aos caprichos do pai?
Será que não havia outra saída?
Bella levantou-se da cadeira e caminhou até o meio da sala entorpecida.
Ela estava perdida!
- Eu não estou me sentindo bem... – Bella sussurrou e com sua visão escurecendo tombou seu corpo para o lado, desmaiando, mas antes que ela caísse, Edward amparou-a em seus braços e a sentou em uma das poltronas da sala.
- Isabella! – Edward colocou-a no colo e mirou em seu rosto sem cor - Bella, por favor, acorde!
Aos poucos Bella foi retomando a consciência e se deu conta do rosto atormentando que a observava.
O rosto do homem que, assim como ela, estava preso aos caprichos malucos do seu pai.
Ela soltou-se dos braços fortes de Edward e em um só movimento se pôs de pé.
- Estou perdida! – Bella correu para o outro lado da sala, se encostou na parede e chorando foi deslizando até sentar-se no chão – O que farei da minha vida? – ela levantou o olhar e encontrou os olhos verdes e misteriosos de Edward a mirando – O que eu irei responder? O que irei dizer ao Sr. Moore?
Vendo-a tão frágil e perdida, Edward resolveu abaixar a guarda e ser simpático com ela, afinal eles estavam juntos naquela enrascada e quem sabe, em um casamento arranjado.
Ele se aproximou da pequena garota que estava encolhida e com medo no canto da sala e lhe estendeu a mão.
- Não precisa ser hoje. Tome o tempo que precisar Isabella – Edward a pegou delicadamente e a conduziu para o sofá - Converse com sua família e com um advogado da sua confiança, faça todas as pesquisas que você achar necessárias, tire as suas duvidas, tente encontrar uma saída e daqui a uma semana nos reunimos outra vez e conversamos.
- Mas Edward... – Bella levantou o olhar e encarou os olhos verdes e misteriosos que estavam em sua frente.
- Não se preocupe, eu vou fazer o mesmo. – Edward esticou os braços até tocá-la de leve no ombro – Também irei visitar a minha família, conversar um pouco, pedir alguns conselhos e então quando voltarmos a nos reunir, teremos opinião formada sobre este assunto. – ele sorriu, passando serenidade – Combinado?
- Combinado então... – Bella esticou a mão e Edward a apertou com força, selando assim o acordo que poderia mudaria suas vidas.
De uma maneira irreversível.
Para sempre.
