Decisões

Depois do turbilhão de emoções daquela tarde, a primeira providência de Edward foi procurar alguns advogados conhecidos para ver se ele tinha alguma saída nesta enrascada que tinha se metido.

Após uma longa análise nos documentos, os advogados foram enfáticos me dizer que se ele quisesse manter seu lugar na empresa, teria que cumprir como determinado.

Não tinha jeito. Ou ele casava com Isabella, ou deixava que outras pessoas tomassem conta do que ele conquistou com tanto esforço.

Arrasado com a descoberta, Edward foi para casa e após um longo banho e poucas horas de sono, fez uma pequena sacola e se trocou, descendo para a garagem do edifício onde morava.

Edward pegou seu carro e saiu dirigindo em direção à Winchester enquanto pensava nos últimos acontecimentos.

Na noite anterior, enquanto tentava dormir depois de definitivamente saber qual seria a sua sentença, Edward resolveu que aceitaria o desafio de casar-se com Isabella Swan para manter tudo o eu era seu e ainda conquistar a sonhada presidência da empresa, mas ele faria as coisas ao seu modo.

A seu favor, ele tinha o fato de que Isabella não poderia fugir dele, se não quisesse ficar sem herança, fato que provavelmente mudaria a sua vida radicalmente, pois ela não teria como manter o seu padrão de vida apenas com a venda das duas casas que o seu pai tinha deixado para ela, então era bastante obvio que Isabella não ofereceria resistência em aceitar a casar-se com ele.

Ele tinha certeza que, com o que a megerinha teria que se sujeitar em um casamento arranjado e sem amor, ela seria facilmente domada. Além do mais, ela tinha mudado muito desde a doença de Charlie, tornando-se menos intolerante a sua presença e até aceitando a sua ajuda.

Isabella estava se tornando mais doce, ou apenas estava fragilizada?

Mas isto pouco preocupava Edward e a única coisa de que ele tinha certeza era que já que ele não tinha saída, ele tiraria o máximo de proveito deste casamento, usufruindo das maravilhas que o corpinho lindo de Isabella poderia lhe oferecer e também tornando-a o bibelô perfeito para ser exibido como seu nas reuniões e jantares de negócios.

Neste caso, amor era o que menos importava. Se eles conseguissem conviver civilizadamente tudo estaria bem para ambas às partes.

Era tudo muito errado, mas não havia outra saída, definitivamente um desafiozinho bobo, como casar-se com a linda megera, seria pouco para que ele conseguisse tudo o que sempre sonhou.

Aquela empresa não era amada somente por Charlie, mas por ele também.

Ele dedicou anos importantes da sua vida a Diamond Mineração e perdê-la por causa de mais um capricho de Charlie Swan não fazia parte dos seus planos.

Conseguindo sorri pela primeira vez desde que recebeu a notícia que mudaria a sua vida, Edward entrou na conhecida estradinha de terra que ia até o rancho da família.

Ele estava com muitas saudades da sua mãe, Esme e da sua única irmã, Alice. Já tinha um bom tempo que ele não as via, pois não tinha tempo para visitá-las por estar ocupado com os seus negócios e sua mãe não ia a Londres e não deixava Alice ir, por achar a cidade muito grande e violenta.

Ao chegar à porteira do rancho, todo o tempo que ele morou na pequena Winchester voltou a sua mente.

Edward lembrou-se do tempo em que seu pai era vivo e tinha uma pequena mercearia na rua principal da cidade e ele, todos os finais de semanas ou durante as férias, ia ajudá-lo a despachar os clientes e aprender um pouco com a vivência do pai.

Carlisle Cullen era um homem de poucos estudos, mas de muito conhecimento na área do comércio e sempre fez questão de compartilhar o que sabia com o filho, tanto que quando o pai morreu, Edward tinha 15 anos e Alice apenas 5, ele assumiu os negócios da família e os fez prosperar, tornando-se o responsável por prover sua mãe e irmã.

Com o trabalho duro e a visão empreendedora de Edward, a mercearia tornou-se em pouco tempo um mercadinho freqüentado por pessoas não só de Winchester, mas também por pessoas de cidades vizinhas, que vinham em busca da variedade de produtos oferecida, fazendo-o crescer mais e mais, sendo até hoje o melhor mercado da região.

Um dos grandes orgulhos da sua vida.

Edward trabalhou duro, até que aos 20 anos deixou a administração dos negócios nas mãos de sua mãe e sob supervisão de uma empresa especializada e foi tentar a vida em Londres.

Lá chegando, resolveu apostar na bolsa de valores todas suas economias e tanto ganhou, como perdeu muito dinheiro com isto.

Um tempo depois, já cansado desta vida agitada de perdas e ganhos e com um bom dinheiroacumulado, surgiu a oportunidade da sua vida: Uma grande mineradora estava em apuros financeiros e buscava novos acionista para ajudá-la a se reerguer.

E foi assim que Edward foi parar na Diamond Mineradora e se tornou um talentoso executivo e sócio de Charlie Swan.

- Edward? – Alice veio correndo ao encontro de Edward enquanto ele saia do seu carro, estacionado em frente a grande casa da sua família – Que surpresa boa você aqui meu irmão lindo!

- Minha baixinha! – Edward abraçou a irmã tirando seus pés do chão e girando-a no ar – Quanta saudade que estava de você!

- Também estava grandão - Alice grudou no irmão e o encheu de beijos enquanto entravam em casa, Edward carregando Alice.

- Onde está a mamãe? – Edward deu pela falta da mãe ao não encontrá-la, como de costume, pelo meio da casa dando ordens e limpado os móveis.

- Ela está na casa da Sra. Lopez, mas vou chamá-la rapidinho – Alice disparou para a garagem e pegou a scooter rosa bebê que Edward tinha lhe dado no seu ultimo aniversário e que agora era o seu principal meio de locomoção dentro do rancho e vizinhanças – Me espera quietinho aí!

Enquanto esperava Alice, Edward foi falar com os empregados do rancho que ficaram muito felizes com a sua presença, pois a maioria deles o conhecia desde que ele era apenas uma criança.

Ele sempre se sentia bem quando estava em Winchester e um dos seus planos para o futuro era voltar para morar na cidade que ele se sentia acolhido e feliz.

Um pouco depois, Alice chegou com Esme na garupa da moto e Edward correu para os braços da mãe.

- Meu filho, não acredito que você está aqui comigo... – Esme começou a chorar, abraçada no filho – Depois da sua ultima ligação falando da morte do seu sócio, pensei que você não poderia vir nos ver nem tão cedo...

- Realmente mãe, estou cheio de trabalho, mas tenho um assunto importante para conversar com vocês – Edward falou com um sorriso tenso no rosto.

Ele precisava contar a sua mãe e irmã que iria se casar com Isabella Swan, filha do seu odiado sócio e por isto precisava de uma história bem convincente, pois ele não tinha coragem de contar a terrível verdade a elas.

E uma historia estava formada em sua cabeça desde que aceitou a proposta e a aposta de Charlie.

- O que foi que aconteceu meu filho? – Esme fez uma cara preocupada – É alguma coisa ruim?

- Conta Edward! – Alice continuou, quase pulando no colo do irmão.

- Não é nada ruim não. – ele abriu um sorriso forçado - Muito pelo contrário, é coisa muito boa...

- Então conta logo, você sabe que eu sou curiosa! – Alice começou a pular feito uma louca na frente do irmão.

- Vamos entrar e nos sentar, pois a história é longa – Edward abraçou as duas e entrou em casa.

- Fale o que aconteceu de tão bom, meu filho – Esme sentou-se no sofá com Edward, enquanto Alice foi para a poltrona.

- Se tudo correr como imaginado, estarei me casando em pouco tempo. – Edward começou a sua mentira bem elaborada sobre o seu futuro casamento com Isabella Swan.

- Como? – as duas falavam ao mesmo tempo e se entreolhavam assustadas – Casar-se Edward? – Esme continuou com uma expressão de susto, levando a mão ao peito.

– Com quem? – Alice perguntou pulando para o colo do irmão – Conta!

- Calma Alice! – Edward riu da empolgação da irmã – Vou contar tudo, se você me deixar falar.

A baixinha sentou-se direito no sofá e passou um zíper imaginário na boca.

- Estou namorando Isabella Swan e é com ela que pretendo me casar – Edward disparou olhando para as duas pessoas mais importantes da sua vida.

Mentir para elas era péssimo, mas contar a verdade era ainda pior, pois sua mãe nunca aceitaria que ele se casasse por interesse como provavelmente ia acontecer.

- A filha do seu sócio? – Alice arregalou os olhos – Mas você o odiava, como pode estar namorando a filha dele? – ela continuou, estreitando os olhos para o irmão – Conte esta história direito Edward Cullen, por que eu te conheço e isto está bem estranho... Você nunca comentou desta garota conosco...

Este era o grande medo de Edward. Ao contrário da sua mãe que era desligada e nunca se atentava das coisas, Alice sempre foi bem perceptiva e como conhecia bem o irmão, sempre sabia quando tinha coisa errada ou quando ele estava enganando Esme.

Ele teria que ser bastante cuidado com as suas palavras.

- Não tem nada de estranho Alice – Edward revirou os olhos - Isabella é bem diferente do pai e eu já tinha um tempo a observando, então em uma das festas da empresa, começamos a conversar e depois de sairmos algumas vezes começamos a namorar a uns 3 meses... E posso te dizer que ela é maravilhosa, como nunca pensei que pudesse ser.

Alice deu um sorrisinho e não falou mais nada, ficando pensativa por um tempo.

- Mas filho, por que você não nos contou antes? – Esme perguntou chateada por não ter sabido antes – O que o pai dela achava deste namoro?

- Eu não contei antes porque a nossa situação era bem delicada... Charlie Swan não aprovou o nosso namoro, é claro, mas Bella foi bem firme com ele, então ele resolveu nos tolerar, não fazendo grandes objeções.

- E por que deste casamento tão rápido Edward? – Esme continuou preocupada.

- Por que como ela perdeu o pai e agora está sozinha, achei melhor oficializarmos a nossa união para podermos morar juntos e evitar especulações.

Esme abriu um sorriso enorme e puxou o filho para o seu colo.

Era tão bom Edward ter encontrado alguém que ele amasse, pois em todos estes anos que ele estava em Londres, nunca tinha apresentado ninguém a ela.

Edward deitou no colo da mãe, como fazia quando criança e queria cafuné.

- Isto é tão bom meu filho, você não sabe como eu estou feliz. Você sempre foi tão sozinho em Londres – Esme acarinhou os cabelos cor de cobre do filho que eram muito parecidos com os dela. – Mas agora você tem Isabella para te fazer companhia e para compartilhar os seus dias, o que me deixa mais tranqüila...

- Sim mãe... Agora tenho Isabella e não estou mais sozinho – Edward sussurrou, cheio de culpa por está a enganando.

- Quando nós vamos conhecer a sua namorada Edward? – Alice perguntou rindo. Provavelmente a explicação de Edward a tinha convencido – Tenho que ver se a aprovo antes do casamento, por que se eu não gostar dela não vai haver casamento algum, já que não vou entregar meu irmãozinho a qualquer uma.

- Você a conhecerá quando quiser Alice. É só você marcar comigo, que você irá a Londres conhecê-la – Edward levantou-se e pegou a baixinha em seu colo – E eu tenho certeza que vocês duas vão se dar muito bem.

Alice e Esme estavam tão eufóricas com a noticia que não deixaram Edward em paz por nenhum momento, enchendo-o de perguntas sobre a sua namorada.

A euforia delas tinha razão. A vida de Edward sempre foi pautada por relacionamentos superficiais e sem importância. Ele nunca tinha falado em uma namorada e muito menos apresentado alguém à sua família pois sempre teve medo de se envolver e sempre dispensava as pretendentes quando ele achava que ela só estava com ele por interesse no que ele tinha e não por gostar realmente dele.

Ele já havia pensado em se permitir a se envolver com alguém, pois achava que se tornaria mais respeitável aos olhos dos acionistas da empresa se tivesse uma família constituída, uma esposa por quem zelar.

E casando-se com Isabella, mais este problema seria resolvido.

OOOO

Ao sair da reunião com Edward e o Sr. Moore aos prantos e desorientada, Bella foi para o único lugar onde ela se sentia bem e acolhida: A casa da sua tia.

- Bella o que aconteceu com você? – Elizabeth correu e abraçou a sobrinha que chorava sem parar – Conte tudo a sua tia, minha princesa.

- Eu vou ter que me casar com Edward Cullen – falou de uma vez – Se eu quiser a minha herança, eu devo me casar com o sócio do meu pai.

- Como? – Elizabeth perguntou chocada – O que?

Bella se agarrou na tia e chorando mais ainda contou para ela as exigências absurdas que seu pai tinha feito para que ela pudesse tomar posse da herança deixada por ele.

Elizabeth apenas ouviu atentamente o que a sobrinha tinha a dizer, enquanto afagava as suas costas e falava palavras de conforto em seu ouvido.

Ela sabia que Charlie Swan era uma pessoa terrível e que não se importava com ninguém, mas não imaginava que a sua raiva iria atingir a única filha desta maneira tão cruel.

- Tia... Ele não me deixou opções... – Bella falou com uma dor que vinha do fundo do seu coração – Eu não tenho o que fazer – Bella escorregou até o chão bem devagar, trazendo Elizabeth com ela, enquanto balbuciava algumas palavras – Eu não tenho escolha...

- Bella, meu amor, se acalme... – Elizabeth acariciou os cabelos da sobrinha – Você já procurou se informa sobre isto? Procurou algum advogado? – Elizabeth aconchegou Bella em seus braços – Vamos procurar saber antes de tomarmos alguma decisão...

- Entenda, meu pai não faria um documento destes se não tivesse certeza absoluta que eu não podia escapar – Bella olhou firme para a tia – E foi Bill Moore, seu melhor amigo, quem o redigiu, então sem chances.

-Mas Bella, deve haver alguma saída... – Elizabeth murmurou cansada.

- Não tia, não há saídas para mim... Tenho certeza disto... – Bella abaixou a cabeça constrangida – Se eu quiser ter a minha herança para nos manter bem, terei que casar com Edward Cullen...

- Mas você não é obrigada a fazer isto... – Elizabeth se desesperou com o destino da sobrinha – Nós vamos dar um jeito... Eu arrumo umas costuras, cozinho para fora... Você e Rose arrumam alguma ocupação também... E ainda tem Jasper que está trabalhando e pode me ajudar nas despesas da casa... Vamos nos juntar e tudo dará certo, minha princesa, você vai ver... Não aceite uma coisa destas...

Estar no colo da sua tia deu a Bella a força que ela precisava.

Ela tinha que aceitar este desafio, não só por ela, mas também por sua tia e primos, pois eles dependiam dela financeiramente já que o falecido marido da tia tinha perdido todas as suas posses no jogo e a deixou sem quase nada quando morreu.

Ela tinha que fazer algo por sua tia, que sempre foi tão boa com ela.

O sacrifício valeria a pena, por sua tia e seus primos.

A única família que restou para ela.

- Eu vou aceitar sim... – Bella falou firme em um surto de coragem – Eu tenho que aceitar. Me casarei com Edward e se após o período estipulado no documento, nada der certo, peço a separação e vou viver a minha vida do meu jeito.

- Bella, não faça isto! – a tia voltou a falar – Você não pode estragar a sua vida desta maneira. Este homem não te ama minha princesa. Você não pode abrir mão de uma vida normal por um capricho do seu pai! Deve haver uma saída...

Com amor, ou sem amor, este era o certo a ser feito.

E era o que seria feito.

- Estou decidida tia, eu vou me casar com Edward. Precisamos disto para nos mantermos, para não nos faltar nada e também não quero parar de estudar– Bella deu um sorrisinho confiante – E além disto não vou abrir mão de tudo por causa de mais um capricho de meu pai... Se ele acha que irá me vencer, está muito enganado! Eu aceito o desafio e vou provar que ele estava errado a meu respeito!

Com os olhos cheios de lágrimas, Elizabeth abraçou a sobrinha com força, o que a fez voltar a chorar copiosamente.

Elizabeth achava Bella muito corajosa ao arriscar toda a sua felicidade para manter o que ela prometeu quando o marido da tia morreu: Não deixar nada faltar à tia e aos primos.

- Bella, você sabe que você tem outra opção... – Elizabeth sussurrou no ouvido da sobrinha – Sempre estarei aqui para te acolher...

- Eu sei tia... Nunca vou me esquecer disto, mas eu preciso tentar...

Por trás de toda aquela coragem, tinha a fragilidade de uma garota de apenas 21 anos que viu todo o seu mundo ruir de uma hora para a outra.

A fragilidade que Bella não gostava de demonstrar.

- O que está acontecendo aqui? – Jasper se assustou ao chegar em casa com Rose e encontrar a mãe e Bella sentadas no chão e chorando sem parar – O que foi Bellinha?

- Bellinha? – Rose correu para a prima, sentando-se ao lado dela e afagando seus cabelos – Fala comigo, o que foi?

- Meu pai aprontou outra comigo...- Bella levantou a cabeça e olhou para os primos- Mesmo depois de morto ele não deixa de atormentar a minha vida...

- O que aquele infeliz fez agora Bella? – Jasper gritou. – Me conte!

Nunca foi segredo que Jasper odiava Charlie Swan por ele fazer com que Bella sofresse tanto e este ódio era mútuo, tanto que Charlie não gostava da presença de Jasper em sua casa e muito menos gostava da paixão não correspondida do garoto por sua filha.

-Te contarei tudo... – Bella sussurrou e com a ajuda de Jasper levantou-se do chão.

Já sentados à mesa de jantar, onde sempre eram conversados os assuntos sérios da família Hale, Bella informou aos primos sobre os planos de Charlie, sobre a reunião com Edward e Bill Moore, sobre a impossibilidade de escapar deste compromisso e finalmente, sobre a sua decisão de casar-se com Edward.

Rosalie apenas abraçou a prima, mas Jasper deu um murro na mesa que a fez estremecer.

- Isto é um absurdo Bella! – Jasper gritou indignado com tudo o que tinha ouvido – Se este infeliz não estivesse morto, eu mesmo o mataria com as minhas próprias mãos. Você não pode fazer isto... Eu não vou deixar que você se case com aquele homem prepotente e arrogante, minha prima!

Bella apreciava a reação passional do primo, mas de nada adiantava, pois a sua decisão estava tomada e nada a faria mudar de idéia.

- Jasper... – Bella tocou o ombro do primo, surpreendentemente calma – Nada disto irá adiantar... Minha decisão está tomada. Por favor, apenas me apóie...

Jasper a olhou com uma expressão triste.

Bella estava escapando dele mais uma vez e desta vez seria definitivamente...

- Eu te apoio minha prima... Se é isto o que você quer, eu apoio, mas nunca vou aceitar... Nunca...– com um beijo na testa de Bella ele se despediu, subindo as escadas correndo.

- Tia, por favor, vá ver o Jasper – Bella sussurrou desolada, por ter magoado seu primo, mais uma vez.

- Eu irei minha princesa, Rose cuide dela! – Elizabeth saiu para procurar o filho.

- Eu não estava enganada quanto a Edward... – Bella chorou desconsolada – Eu tenho certeza que não estava... Ele está me enganando com este testamento... Eu tenho certeza de que ele já sabia de tudo... Rose, eu cai em uma cilada! Isto tudo é tão ruim... Eu me sinto tão perdida...

- Calma, Bella... Mantenha a calma... – Rose deu um beijo na bochecha da prima – Quanto ao Edward saber sobre o testamento, eu acho pouco provável, pois você mesma me disse que ele ficou tão surpreso e descontrolado com a noticia quanto você... Eu acho que o que você tem que fazer, já que está tão desconfiada é confrontá-lo, fazer todas as perguntas que você tiver... Faça com que ele fale o que sabe, mas aja com calma. Já que você me disse que tão tem outra saída a não ser casar com ele, com educação e tente fazer dele um aliado neste caso... Eu sei que isto é uma loucura, mas tenho certeza de que tudo dará certo e que se você se permitir, vocês dois vão se dar muito bem e vão ser felizes... Eu não o vejo como uma pessoa ruim... Acredite em mim... E depois do tempo estabelecido, se não estiver bom, você se separa dele e pronto.

- Será, Rose? – Bella murmurou – Será que tudo vai dar certo? Será que eu vou conseguir cumprir o que meu pai determinou?

- Tenho certeza que sim Bella.. Eu sei que você vai cumprir tudo direitinho e ainda tirar proveito desta situação. Acredite em mim.

Bella agarrou o pescoço de Rose com força e encheu a prima de beijos.

Como ela queria que estas palavras fossem verdadeiras...

Como ela queria que tudo desse certo para ela e para Edward...

- Eu sei Rose... É nisto que eu quero acreditar... – Bella sussurrou – É nisto que eu tenho que acreditar...

No fundo, Bella não achava ruim ter que se casar com Edward Cullen, pois sempre o achou bem bonitinho e charmoso e era meio que interessada nele. Nunca tinha tentado se aproximar dele, pois sabia do ódio quase mortal que ele e seu pai sentiam um do outro e por esta razão, provavelmente, ele não reagiria bem se soubesse que a jovem filha do seu sócio tinha uma paixão platônica por ele.

Mas agora era tudo diferente... E ela poderia tirar proveito desta situação.

Rose estava certa!

Ela iria fazer as coisas ao seu modo. De começo, não iria demonstrar a admiração que tinha por Edward e se faria de difícil para testar as reações dele, já que este seria um casamento arranjado, mas depois... Depois de um tempo tudo poderia mudar... Tudo poderia acontecer.

Ela iria se apegar5 às palavras doces de Rosalie de que ela teria um futuro bom e que Edward realmente gostava dela e assim, talvez, eles se permitissem entrar um no coração do outro e um amor forte e verdadeiro pudesse ser construído com a convivência, mesmo na condição adversa que eles se encontravam.

E ela tinha até fatos para relembrar e se encher de esperança... Edward foi tão doce e solidário com ela durante o enterro de Charlie e a reunião com o advogado. E ele poderia continuar a ser... Ele poderia ser até mais do eu isto.

Ela tinha a esperança de que eles poderiam aprender a se amar e fazer o casamento dar certo.

Eles poderiam ser feliz, mesmo na adversidade.

OOOO

Os dias se passavam com Bella tentando seguir com a sua rotina normal. Depois do final de semana na casa da tia, onde ela tentou de todo custo alegrar o desolado Jasper, traçou alguns planos com ajuda de Rose e contou com o carinho e o conforto da sua tia, Bella resolveu voltar para casa na segunda-feira e enfrentar a sua realidade de aulas na faculdade, ordens em casa e das caras feias de Consuelo para ela.

Quando ela tomasse posse do que era dela, com certeza a sua primeira ação seria dispensar a terrível governanta.

Com a ajuda de Rosalie, Bella resolveu remexer em alguns pertences de Charlie para ver se encontrava algum documento que falasse sobre qualquer tipo de acordo entre Edward e seu pai, pois não lhe saía da cabeça de que toda aquela situação estranha de Edward, que nunca a notou, fosse atrás dela tempos antes da morte de Charlie e também a sua relativa calma no dia da reunião com Bill Moore, tinha origem em algum tipo de acordo deles dois.

Depois de muito remexeram, nada foi encontrado, mas a duvida permaneceu na cabeça de Bella que decidiu perguntar diretamente a Edward sobre este assunto e ver qual seria a reação dele.

No dia anterior à reunião de Bella com Edward, Jasper chegou cedo para fazer uma visita à prima e acertar os últimos detalhes da administração da parte dela na mineradora.

Bella já tinha avisado ao primo que, como ela não sabia nada sobre a empresa do pai e também não tinha nenhum interesse em aprender, ele seria a pessoa que supervisionaria todas as ações de Edward com a sua parte da Diamond Mineração.

Naquela manhã Bella entregou ao primo a pasta de trabalho de Charlie, que continha algumas informações sobre a empresa que seriam necessárias para que Jasper começasse o seu trabalho, recebendo do primo a promessa de que faria de tudo para que seus interesses fossem bem representados.

- Bellinha, se você quiser eu vou com você à esta reunião com Edward Cullen – Jasper abraçou a prima com ternura. – Eu não confio nele...

- Não precisa Jazz... – Bella de um sorrisinho fraco – Prefiro ir sozinha... Tenho que ir sozinha... Este é um momento que tenho que enfrentar sozinha...

Bella não queria que ninguém participasse do momento mais constrangedor da sua vida e muito menos iria submeter Jasper à tortura de vê-la aceitar outro em casamento.

– Te entendo... – ele suspirou frustrado – Mas você sabe que sempre estarei pronto para te ajudar quando você precisar.

- Eu sei que posso contar com você sempre Jazz – Bella deu um beijo na bochecha do primo e sorriu – Você sempre foi o meu porto seguro... E sempre será...

O momento agora era de decisão e esta decisão só cabia a ela.

Era o momento de ser corajosa e enfrentar os problemas de cabeça erguida.

No dia seguinte, Bella chegou cedo à empresa para a fatídica reunião com Edward Cullen.

Seu coração estava apertado, pois sabia que a sua vida mudaria radicalmente depois desta conversa e ela ainda não sabia se era para melhor ou para pior.

- Oi Bella, ao que devo a honra da sua visita? – Jules, a secretária do seu pai, a cumprimentou com um sorriso no rosto.

- Vim falar com o Sr. Cullen, mas não marquei horário.– Bella sorriu sem graça. – Preciso resolver uns assuntos,,. Ele está?

- Ele está em uma reunião, mas pelo horário, já deve estar acabando... – Jules sorriu – Sente-se Bella, assim que a reunião terminar eu anuncio a sua presença.

- Obrigada Jules – Bella agradeceu, sentando-se em uma poltrona e pegando seu celular.

Enquanto esperava Edward, Bella resolveu remexer em algumas fotos que ela tinha tirado com Rose e sorriu relembrando aqueles momentos felizes.

Ela era grata a prima por fazer a sua vida um pouco mais feliz e conseguir animá-la com seus conselhos até nos momentos tensos como este que ela estava vivendo.

Quando Edward abriu a porta da sala de reuniões da mineradora e encontrou Isabella sentada em uma das poltronas, ele e a admirou por um minuto e concluiu que ela estava diferente da garota carrancuda e atormentada dos últimos tempos.

Hoje ele ostentava um sorriso leve no rosto, parecendo estar feliz com alguma coisa, enquanto balançava as pernas despreocupada, ao mesmo tempo que remexia em seu celular, além de estar vestida com roupas totalmente diferentes dos habituais vestidinhos e sapatilhas que ela sempre usava.

Desta vez ela parecia mais mulher do que menina, em uma saia na altura do joelho, camisa branca e sapatos de salto.

Linda!

- Bom dia Isabella, a que devo a sua visita – Edward finalmente falou com seu sorriso torto, tirando Bella de seus devaneios.

Bella desviou os olhos do celular e mirou fixamente o lindo homem vestido em seu terno sóbrio.

- Vim te dar aquela resposta que você está esperando – ela olhou para Jules e deu um sorriso meigo – Podemos conversar em particular?

- Claro que sim... – ele falou enquanto vinha ao seu encontro, estendendo a mão para ela – Vamos até a minha sala?

- Vamos sim... – ela pegou a mão de Edward e o seguei até a grande sala, sentando-se à sua frente.

- Então você pensou na proposta do Sr. Moore? – Edward foi direto ao assunto, não querendo prolongar aquele momento.

- Pensei sim... – Bella murmurou, abaixando o olhar constrangida com a situação que foi imposta à ela – Já tomei minha decisão.

- E o que você decidiu? – Edward falou suave, tentando passar tranqüilidade e firmeza para a frágil garota à sua frente – Por que se você aceitar, eu também aceito.

Bella mirou os olhos verdes de Edward tentando decifrar o que se passava em seu coração, mas não encontrou nada mais do que a frieza de um homem de negócios experiente.

– Eu aceito me casar com você Edward Cullen – Bella disparou de vez, antes que perdesse a coragem. – Mas tenho algumas perguntas a te fazer.

- Faça quantas quiser – ele continuou com a mesma expressão serena no rosto, mesmo que por dentro queimasse de curiosidade do que ela tinha a perguntá-lo.

- Você me disse que não sabia do testamento e eu estou preferindo acreditar em você... Mas tem uma coisa que está me intrigando...

- O que Isabella?

- Você tinha algum tipo de acordo com o meu pai? – estreitou o olhar, fazendo uma cara curiosa. – Eu estava pensando... No começo da conversa com o Sr. Moore, você estava muito tranquilo, só ficando nervoso um pouco depois, quando ele foi se aprofundando nos detalhes. Você estava ciente de alguma coisa que eu não sabia?

Edward deu um sorriso sem graça para ela, pois não imaginava que esta era a pergunta que Isabella tinha para ele.

Perspicaz a garota!

Ele teria que tomar bastante cuidado, pois ao contrário do que ele imaginava, a megerinha era bem observadora e inteligente.

E definitivamente, não era o tipo de mulher que era facilmente enganada e manipulada.

- Não! – ele fez uma cara ofendida – De jeito algum Isabella! O que te fez pensar que eu teria um acordo com seu pai? Que eu sabia alguma coisa a mais.

Bella deu um sorrisinho sarcástico para ele.

- Por que, além do que já te disse a pouco, você já que você me conhecia a bastante tempo e só nos últimos tempos demonstrou um interesse exagerado por mim, comparecendo em minha festa de aniversário e me cercando de todas as foras possíveis e isto me deixou bastante desconfiada.

Edward balançou a cabeça negando. Era bom ele arrumar uma boa desculpa, pois a garota não era nem um pouco boba.

- Isabella, eu sempre te achei interessante, mas além de bem mais nova do que eu, você era a filha do meu sócio que todos sabiam que me odiava, mas não vou mentir para você – ele aproximou a poltrona da dela – Seu pai me convidou para o seu aniversário e como você estava fazendo 21 anos e já é uma mulher, resolvi investir no meu interesse por você.

Bella abriu um sorriso.

Então Rose tinha razão em suas teorias?

- Então você estava mesmo interessado em mim? – ela perguntou meio emocionada com aquela possibilidade.

Edward voltou a rir sem graça. Não queria dar esperanças à garota de que ele seria seu príncipe encantado, pois ele bem que já tinha notado nas festas da empresa que Isabella o observava pelos cantos, que por baixo da sua aparente frieza e indiferença à ele, existia uma paixonite quase infantil.

Por mais que ela não quisesse demonstrar, seus olhos brilhavam ao vê-lo.

- Não vou negar que estava um pouco interessado sim... Eu te achava bastante intrigante e muito bonita...– Edward começou a falar, mirando nos olhos azuis e brilhantes de Bella - Mas tudo mudou depois daquele maldito testamento deixado pelo seu pai, pois não gosto de ser pressionado a fazer as coisas e muito menos gosto de compromissos e de chantagens. O que eu queria com você era conhecê-la melhor e depois, quem saber vir a te namorar, mas ser forçado a me casar é algo que eu não admito, então esqueça o meu interesse inicial Isabella. Agora estamos em pé de igualdade, pois teremos que nos casar obrigados e sem nos amar – Edward discursou destruindo as esperanças de um casamento feliz e deixando o clima tenso.

A carinha de decepção que fez Bella era inegável. Ela por um minuto teve a esperança de que tudo seria mais fácil para eles.

- Não se preocupe Edward, também não estou apaixonada por você e nem vou ficar. Apenas vamos cumprir o imposto, está certo? – Bella falou firme, resolvendo ser fria e não querendo demonstrar sua decepção.

Edward acenou com a cabeça e voltou a falar, quebrando a tensão e restabelecendo o clima ameno.

- Apesar de não nos amarmos, vamos fazer de tudo para vivermos em paz e nos respeitarmos já que teremos que conviver por um bom tempo? – ele perguntou.

- Tem a minha palavra de que me esforçarei para isto – Bella deu um sorrisinho sarcástico.

- Bom, se é assim, vamos logo resolver as burocracias e depois, com o tempo, pensamos nas nossas condições extra-oficiais de casamento. – ele se levantou da poltrona e se dirigiu para a mesa de reuniões – Sente-se comigo Isabella, para que eu te mostre alguns documentos.

Bella levantou-se e o seguiu, sentando-se ao seu lado.

- Acho que como a nova acionista da empresa, você precisa estar ciente de algumas coisas – ele colocou alguns papeis sobre a mesa – E a primeira delas é as suas atribuições no conselho administrativo.

Bella fez uma careta ao ver o monte de papeis que Edward colocava na mesa.

Nada daquilo seria preciso e ele precisava saber.

- Edward, por favor... – Bella o interrompeu, colocando suas mãos sobre a dele – Não precisa de nada disto!

Edward olhou para Isabella assustado com a reação dela.

Ela não queria saber sobre a sua empresa?

- Me ouça, por favor – ela voltou a falar – Não tenho nenhum interesse em assumir o lugar de meu pai na empresa, então como ele já tinha determinado, você será o meu representante na empresa, supervisionado pelo meu primo Jasper Hale. É só você aceitar.

Edward estava atônito com a decisão de Isabella Swan. Ela mal o conhecia para confiar sua parte da empresa a ele.

- Isabella, tem certeza de que você quer deixar as suas decisões em minhas mãos? – ele perguntou ainda sem acreditar. – Você confia em mim para gerir a sua parte da empresa?

Bella balançou a cabeça afirmando.

- Confio sim. Pelo que sei você sempre cuidou muito bem de seus negócios e assim sendo, cuidará dos meus também, afinal agora você será o meu marido e esposas devem confiar nos maridos – ela disse em tom claro de ameaça – E além do mais você terá o Jasper e os outros acionistas te vigiando o tempo inteiro, então sua chance de fazer algo errado com a minha parte da empresa é quase nula. – concluiu.

- Então posso chamar o Sr. Moore para acertarmos isto? – ele percebeu o tom de ameaça, mas a provocou, tentando ver se ela mudava de idéia.

- Sim – Bella falou firme – Chame-o para acabarmos logo com este tormento.

Edward pegou o telefone e ligou para Jules, solicitando a presença do advogado na sala de reuniões com certa urgência.

Assim como Isabella, ele queria acabar logo com o tormento que estava sendo tomar estas decisões que tanto iriam mexer com a sua vida.

- Vocês dois decidiram o que vão querer da vida? – Bill Moore entrou na sala com um sorriso presunçoso no rosto e sentou-se em frente a Bella e Edward.

- Decidimos sim Sr. Moore – Edward falou firme e olhou para Bella– Como é da vontade de Charlie Swan, vamos nos casar, não é Isabella?

- É sim, Edward – Bella fez uma cara sem emoção para o futuro marido e depois virou-se para o amigo do pai – Decidimos nos casar, então por favor Sr. Moore, agilize toda a documentação da empresa e para o casamento, pois temos pressa.

- Muito boa escolha – o carrancudo senhor se permitiu sorrir – Irei cuidar de todos os detalhes burocráticos do casamento para vocês e para isto preciso que vocês me entreguem a documentação relacionada neste papel amanhã sem falta– ele estendeu uma folha de papel para cada um dos interessados.

- E quanto à documentação da empresa? – Edward perguntou – Isabella precisa expressar a sua escolha em me ter como seu representante legal e também tem a documentação que me nomeia como o novo presidente do conselho.

- Amanhã na reunião do conselho resolveremos isto Edward – O advogado sorriu – Estejam vocês dois lá sem falta.

E assim Bill Moore saiu da sala rindo baixinho.

O plano de Charlie estava dando muito certo.

OOOO

No dia seguinte, Edward chegou cedo à empresa para se preparar para a reunião que selaria o seu destino na empresa definitivamente.

Ele estava conseguindo tudo o que queria e ainda levaria como brinde uma esposa linda, educada e muito desejável.

Ele não dormiu direito na noite anterior, pensando nas conseqüências das escolhas feitas por ele e por Isabella.

Como prometido, ele faria de tudo para tornar a vida deles fácil, evitando problemas e discussões até que o período de casamento imposto por Charlie acabasse e eles pudessem se ver livres um do outro e seguirem as suas vidas.

E esta convivência começaria a ser definida nesta tarde.

Bella também não dormiu naquela noite, sendo atormentada com sonhos onde a personagem principal era Edward Cullen, o seu futuro marido.

Ela tentava se convencer que tudo daria certo para ela e que Edward a trataria com cortesia, apesar de ter afirmado que não a amava e nem pretendia amá-la.

Ele tinha consciência de que não seria fácil conviver com um homem tão imprevisível, mas faria a parte dela para que a vida de casados seja pacífica.

Respirando fundo, Bella entrou pela porta principal da empresa e deu de cara com Edward parado bem em sua frente.

- Bom dia meu amor – ele, naturalmente deu um beijo na bochecha de Bella e a pegou na mão sorrindo largo – Já estava a sua espera.

Ao sentir os lábios quentes em sua bochecha, Bella o olhou assustada, por não entender o que Edward pretendia com esta intimidade forçada.

Ele estava louco?

- O que foi? – Edward perguntou a notar a careta que a futura noiva fazia, saindo do campo de visão das pessoas que esperavam na recepção da empresa.

-Nada de mais – ela falou indignada com a petulância dele - Só me assustei com a sua recepção meio que calorosa demais. Por que você fez isto?

Edward abriu um sorriso luminoso.

A partir do momento em que, no dia anterior, eles dois aceitaram a condição do casamento, tinham firmado um compromisso muito sério e já não importava se o casamento seria forçado ou não.

Um era parte da vida do outro e, além disto, um pouco de intimidade com uma garota tão bonita como Isabella Swan não o faria mal algum devido a todas as circunstâncias que estão por vir.

- Bella... – ele falou suavemente - Temos que fazer com que as pessoas acreditem que estamos apaixonados – alisou a bochecha dela e sorriu - Então pode ir se acostumando com demonstrações de carinho, beijos, mãos dadas e principalmente a ser chamada de Bella e de meu amor quando estivermos em público. Isto faz parte do nosso plano...

Bella revirou os olhos. Ela não estava nem um pouco satisfeita com este tipo de intimidade, mas Edward tinha razão.

Era necessário que demonstrassem entrosamento se pretendiam convencer as pessoas de que o noivado e posteriormente, o casamento deles era de verdade e não mais uma das armações do seu pai.

E para isto dar certo, eles tinham que confiar um no outro e deixar, por um tempo, as diferenças de lado.

- Edward... – ela sussurrou, abaixando a guarda e corando em um vermelho vivo – Você vai ter que me ajudar com isto... – abaixou os olhos e encontrou a sua mão entre as de Edward, seguras em um aperto forte – Não sei se serei capaz de fingir tal coisa...

Ela sempre foi boa em fingir ser a filha perfeita e adorada nas festas promovidas por seu pai, mas não sabia se conseguiria fingir um relacionamento com Edward Cullen, pois a cada encontro deles ela se sentia mais confusa quanto aos seus sentimentos pelo lindo homem que segurava a sua mão, tão despreocupado.

- Te ajudarei sim, no que for preciso – ele sorriu ao notá-la tão sem jeito e deu mais um beijo na bochecha corada de Bella– Agora vamos enfrentar as feras!

Entraram na sala juntos e sentaram-se lado a lado, ainda de mãos dadas, sob os olhares atônitos dos presentes na reunião.

Bella estava apavorada por ter que participar da sua primeira reunião de conselho e mais cedo, em um ataque de pânico, pensou em aceitar a oferta de Jasper para acompanhá-la na reunião, mas desistiu logo depois, por que não queria parecer uma menininha mimada que não sabia resolver seus problemas.

- Confie em mim – Edward sussurrou no ouvido dela, ao notá-la tensa – Deixe que eu comande as nossas explicações.

- Ok... – Bella respondeu aliviada pela ajuda de Edward.

Desta vez ela iria se deixar levar por Edward Cullen, só interferindo se achasse necessário ou caso ele se tornasse absurdo.

Então ela relaxou, sentada em uma das confortáveis poltronas da sala de reuniões da mineradora, com a mão macia e quente de Edward junto a sua lhe dando o conforto necessário para que ela continuasse com uma forçada expressão serena no rosto.

Pouco depois, Bill Moore adentrou a sala com mais dois advogados e após distribuir alguns papeis, começou a falar.

- Estamos aqui para informar aos senhores e documentar as ultimas vontades de Charlie Swan quanto a esta empresa que ele amava tanto, alem de apresentá-los formalmente a Senhorita Isabella Swan, herdeira de Charlie e nova acionista.

Todos balançaram a cabeça enquanto o Sr. Moore olhou e sorriu para Bella e Edward.

- Gostaria que todos vocês olhassem o documento que eu os entreguei e ao final o assinasse, pois nele está contida a nova formação acionária da empresa e a designação do novo presidente do conselho, como da vontade do meu grande amigo.

Todos, prontamente começaram a ler o documento e alguns suspiros e resmungos irritados começaram a ser ouvidos.

- Que palhaçada é esta de Edward Cullen ser o novo presidente do conselho administrativo e ainda ser responsável pela parte que cabe a Isabella, sendo o seu representante legal? – Marcus Lexmann, o terceiro maior acionista da empresa protestou alto, sendo seguidos por muitos outros que o apoiavam, falando que era um absurdo isto ter sido decidido sem o consentimento deles.

- Senhores, vamos ter calma – Bill Moore voltou a falar, apontando para um documento no projetor – Nada aqui está contra o previsto em ata, pois Charlie, com o consentimento dos senhores, colocou na assembléia da empresa que ele teria o pleno poder de escolher o presidente que o sucederia e Isabella, por livre e espontânea vontade, escolheu o Sr. Cullen como o seu representante, então como os senhores podem observar, nada pode ser feito para mudar esta decisão.

- Como Charlie pode ter escolhido logo Edward Cullen para seu substituto se era notório que eles não se gostavam? – outro acionista gritou – Isto é um complô!

Gritos indignados e insultos à Edward e Isabella se seguiram, mas após a mais algumas explicações dos advogados, os documentos foram assinados, mesmo sob protesto.

Ninguém poderia contestar a indicação de Charlie Swan. Não tinha mais jeito: Edward era o novo presidente da Diamond Mineração.

Edward estava pasmo com a perspicácia do sócio e como ele não deixou passar nenhum detalhe quando redigiu os seus documentos.

Com um sorriso nos lábios, passou o olhar por todos os rostos da sala, parando na carinha apavorada de Isabella.

Ele sabia que ela não estava nem um pouco segura em enfrentar o bando de homens de negócios experientes e vividos e por esta razão não soltou sua mão por nenhum minuto durante a reunião e neste momento sussurrava no ouvido dela palavras de conforto.

E ele bem que estava gostando deste contato mais próximo. Era algo com o que ele podia se acostumar facilmente.

- Isabella, foi da sua vontade que Edward Cullen assumisse as suas ações ou foi mais uma imposição do seu pai? – o Sr. Lexmann se virou inquisitivo para Bella.

Antes que ela conseguisse falar algo, Edward tomou a palavra.

- Foi da vontade dela sim. – levantou-se da cadeira e após ajudar Bella a se levantar, caminhou com as mãos na cintura da garota até Bill Moore, que se encontrava em pé em frente à mesa de reuniões – Ninguém foi forçado a nada, mas se os senhores querem saber, eu e Isabella estamos namorando a algum tempo e apesar de Charlie não apoiar o nosso namoro, ele disse que não iria interferir apenas pedindo para que fossemos discretos.

Ele olhou para cada expressão de surpresa que surgia nos rostos dos seus colegas de conselho e parou na careta que Bella fazia, alisando sua bochecha.

Ela não acreditava que Edward estava fazendo um discurso daqueles, tão cheio de convicção que até parecia ser de verdade.

Ele provavelmente era um executivo tão experiente e perigoso quanto o seu pai.

– Mas agora com a morte do Sr. Swan, resolvemos que não podemos mais deixar o nosso amor privado – Edward continuou a mentir como tinha feito anteriormente com sua mãe e irmã - E para evitar especulações e comentários maldosos como os que surgiram aqui nesta tarde, estaremos noivando em pouco tempo e os senhores serão convidados à assistir este momento.

Terminado o seu discurso, Edward puxou Isabella para os seus braços e deu-lhe um demorado beijo na testa.

Bella não reagiu, apenas aproveitando do calor aconchegante e do cheirinho gostoso que o futuro marido exalava. Ela não sabia por que, mas se sentia muito segura quando estava nos braços de Edward Cullen.

Sem que Bella percebesse, Edward sorria apreciando o momento, seu cheiro, suas pequenas curvas moldando-se ao corpo dele com perfeição e pensando que tê-la como esposa, definitivamente não seria nada ruim.