O casamento
Às sete horas de uma linda noite de primavera em Londres as portas da Catedral de Saint Paul se abriram, revelando a jovem noiva, que nervosa agarrava, com força, no braço de Jasper.
- Está na hora Bella – ele anunciou e deu um carinhoso beijo no topo da cabeça da prima.
Bella correu os olhos pelo local que estava ricamente decorado com arranjos de rosas brancas e vermelhas arrematados por longas fitas, velas e um longo tapete vermelho. Esta era a decoração que ela sempre sonhou para o seu casamento, com o homem que ela escolhesse e que a amasse, mas este sonho estava se despedaçando em um casamento de conveniência.
O seu casamento com Edward Cullen.
- Vamos então... – Bella tomou fôlego e adentrou a igreja com passos firmes.
Ela estava encantadora em seu vestido de noiva escolhido com tanto cuidado e capricho.
Clássico, mas com um toque de modernidade, o vestido era todo bordado com delicadas flores, tendo o corpete justo, que revelava-lhe as curvas suaves do corpo, e abrindo em um 'A' na altura das coxas, formando uma imponente cauda.
O cabelo de Bella estava preso em um coque bem arrumado, de onde saía um longo véu e que destacava seu rosto angelical. Os olhos azuis profundos estavam acentuados por uma sombra esfumada em tons de rosa e dourado, um toque de máscara ressaltava seus longos cílios. Os lábios cheios e delicados estavam cobertos por um gloss perolado e a pele branca, colorida por um blush claro. E finalmente, nas mãos ela trazia um imponente buquê de rosas e orquídeas.
Bella mais parecia uma princesa saída dos contos de fada e arrancava olhares e sorrisos dos muitos convidados que lotavam a imponente catedral, entre eles colegas de faculdade da noiva, amigos de seu pai, funcionários e acionistas da empresa, alguns familiares dos noivos e, é claro, muitos jornalistas ávidos pelas melhores fotos e relatos sobre o casamento mais comentado do ano.
No altar, Edward apenas fitava a linda noiva com um olhar indecifrável, enquanto ela caminhava até ele pela igreja.
Milhões de pensamentos se passaram por sua cabeça, mas ele só conseguia se concentrar no que ele estava preste a fazer.
Casar-se forçado e por dinheiro, status e poder.
Algo que nunca se passou em sua mente.
Algo para que não foi educado a fazer e que machucaria muito a sua mãe e irmã quando elas descobrissem.
Por que um dia elas iriam descobrir, assim como Bella iria descobrir que havia muito mais do que um capricho do seu pai neste casamento.
Havia uma aposta. Uma aposta que ele estava ciente e que foi incapaz de contar a ela.
Ele se mexeu incomodado e passou um lenço em sua testa suada.
Onde ele estava com a cabeça ao aceitar esta loucura toda?
Bella mirou na figura alta e extremamente elegante que a esperava no altar e sentiu seu coração bater mais forte ao parar em frente a ele.
- Não se esqueça que estamos de olho em você, Edward Cullen. – Jasper falou baixo e entregou a mão da prima a ele – Cuide bem do nosso tesouro...
Entorpecido, Edward apenas balançou a cabeça minimamente e segurando as mãos da noiva, aproximou-se e lhe deu um beijo na testa.
Caminhando pelo altar ao lado de Edward, Bella sentia o pânico ir crescendo dentro dela.
Era somente agora, diante do padre e ao lado do homem que dentro de alguns minutos seria seu marido, que se dava conta de que aquele misto de sonho e pesadelo estava apenas começando.
Ainda era tempo de desistir, pois se sentia culpada por tudo que estava prestes a jurar diante do padre e de Deus, mas acovardar-se seria o certo a fazer?
Pelo menos ela não estaria mentindo por completo, pois, apesar de tudo, ela nutria um sentimento por Edward e o respeitaria como marido, sendo fiel e uma boa esposa enquanto estivesse casada.
Mas era tudo tão errado...
O padre começou o seu sermão e ela suspirou alto, olhando de soslaio para Edward que tinha uma expressão muito séria no rosto, piorando o seu pânico.
No mesmo momento ele se virou para a noiva, notando a sua tensão. Era preciso fazer algo para acalmá-la, então sem pensar muito, segurou a mão dela.
Aquele gesto lhe deu força e confiança. Iria se casar com Edward, cumprindo o combinado e quem sabe com a convivência ele aprendesse a amá-la e eles pudessem ser felizes.
Com um sorriso tímido, se entreolharam e entrelaçaram as mãos em um aperto forte.
Tentando não chorar, Bella continuou a ouvir o sermão do padre, meio aérea, enquanto ainda tinha a mão forte e quente de Edward nas suas.
Todos os momentos da sua vida passavam por sua cabeça. Os dias felizes da infância junto com a sua mãe, as brincadeiras com o pai, as viagens, suas férias na casa de praia junto a Rose e Jasper... Momentos felizes que ela sabia que não voltariam, e que pertenceriam apenas a sua lembrança.
Edward apertou a sua mão de Bella com mais força, tirando-a de seus pensamentos e fazendo com que ela olhasse para o noivo.
- Eu aceito – ele falou com a voz firme, olhando fixamente para Bella.
- Isabella Marie Swan, você aceita Edward Anthony Cullen como seu legitimo esposo?
Bella piscou os olhos algumas vezes e Edward voltou a aperta a sua mão.
- Eu... Eu aceito... – ela falou baixinho.
Ainda muito sério, Edward deslizou a aliança no dedo de esposa e ela fez o mesmo, lembrando-se do Edward brincalhão e sorridente da tarde que estas alianças foram compradas.
Um Edward muito diferente deste homem sério que estava em sua frente.
Bella olhou para o seu dedo, que assim como no de Edward, agora reluzia a grossa aliança dourada.
Isabella Cullen. Sim, agora era a Sra. Edward Cullen e ainda não sabia se isto era ruim ou bom.
O padre falou mais algumas palavras sobre felicidade e fidelidade e anunciou que a cerimônia estava encerrada e que os noivos podiam se beijar.
Meio hesitante, Edward se aproximou de Bella fazendo com que seus olhares se cruzam, deixando-a arrepiada com o que ela viu nos olhos de Edward.
Confusão, medo?
Ela não sabia, mas era algo que ela nunca tinha visto nestes poucos, mas intensos meses de convivência.
Pegando a esposa pelo queixo, Edward inclinou a cabeça e a beijou de leve, se dando conta que, pelo menos, esta parte do seu tormento estava acabando.
Ele estava casado, mesmo que em circunstâncias nunca imaginadas.
- Está feito... – Edward murmurou para si mesmo, virando-se junto com Bella para seus convidados que os aplaudiam efusivamente.
Saíram da igreja de mãos dadas, acenando e com sorrisinhos forçados no rosto e entraram na limusine branca que os levaria para a festa em uma mansão em Kensington.
Edward se sentou bem longe de Bella se ajeitando no carro. Pela primeira vez desde que tinha aceitado aquela aposta louca com Charlie Swan, ele se sentia verdadeiramente culpado por toda a confusão que se tornou a sua vida.
Foi por causa das suas ações impensadas, que agora ele estava preso a um casamento que nunca desejou e ainda tinha que esconder este grande segredo de sua mãe e irmã, além de ser obrigado a conviver com Isabella Swan, uma garota que para ele ainda era uma caixinha de surpresas.
- Pronto, estamos livres de uma parte... – Edward falou olhando para Bella, mal podendo esconder a sua irritação – Não agüentava mais fingir uma felicidade que não sentia...
De cabeça baixa e pensativa, Bella ficava a cada momento mais triste com este casamento, eu não era o que ela sonhava.
Ela estava muito abalada e definitivamente, o comportamento frio e distante de Edward em toda a cerimônia já reforçava o que ela já sabia: Tinha feito uma grande besteira ao aceitar se casar com ele.
Ao ouvir um suspiro irritado, Bella levantou os olhos marejados pelas lágrimas que teimavam em se libertar e encontrou o olhar gélido de Edward nela.
- Por que você está com esta cara Isabella?– Edward perguntou ao notar a cara de choro que a esposa fazia.
- Só estou triste com toda esta situação... – ela resolveu ser sincera – Não queria um casamento assim... Queria me casar com alguém que me amasse, que me fizesse feliz.
Edward soltou uma gargalhada com a ingenuidade da sua esposinha.
Quem hoje em dia se casava puramente por amor?
Ninguém!
- Você é patética! – Edward falou rindo - Casamento por amor? Isto não existe Isabella! Saiba que no mundo real todos têm interesses quando se casam, inclusive você que se casou comigo por causa da herança do seu pai.
Edward, de certa forma, tinha razão no que disse, mas ela não iria aceitar nenhum tipo de insulto vindo dele, pois o seu motivo para este casamento era ainda menos nobre do que o dela que perderia tudo o que tinha se não aceitasse.
- Patético é você Edward Cullen! – Bella gritou furiosa e algumas lágrimas começaram a correr por seu rosto – Só aceitei este casamento por que não tive escolha, você mesmo sabe e assim como você não estou feliz com isto!
Edward se aproximou um pouco dela e fez uma cara ainda mais raivosa.
- Fale baixo Isabella, pois não sou surdo! – falou irritadíssimo com a resposta certeira dela - Posso não estar feliz com este casamento, mas não deixo de imaginar o que posso ganhar com ele... - Edward a mirou dos pés a cabeça com uma risadinha nos lábios e decidiu provocá-la um pouco - E que até poderei desfrutar um dia, quem sabe... Acho que além do controle sobre a nossa empresa, este poderia ser outro beneficio deste casamento, não acha?
Bella corou imediatamente. Ele iria voltar com este assunto constrangedor?
- Você tem um trato comigo... – ela se afastou, ficando na defensiva – Nada de intimidades, não se lembra?
Ele balançou a cabeça, fazendo uma cara sarcástica.
- Estou apenas levantando uma possibilidade, mas é claro que me lembro do nosso trato e irei cumpri-lo. Não tocarei em você até que você me peça
- O que não vai acontecer! – Bella falou meio exaltada. – Serei firme na minha decisão.
Apesar de ter afirmado ao marido que nunca pediria que ele a tocasse, Bella não tinha muita certeza da sua decisão, pois aquele homem sabia como a tirar do sério, em todos os sentidos, fazendo com que ela falasse e agisse como nunca imaginou que faria.
Mas ela tinha que ser forte e não podia facilitar as coisas para ele.
- Está certo Isabella... – ele riu sem humor - Minha esposa, mas não minha mulher...
- Vou tentar não ser um estorvo em sua vida - Bella falou sinceridade, mirando nos olhos dele. - Eu lhe prometo que...
- Não me prometa nada. – ele a interrompeu irritado - Mulheres são mestres em quebrar promessas e você não pode ser diferente!
Bella estava chocada com a declaração que Edward tinha acabado de fazer.
Será que alguma mulher tinha feito algo a ele que o fez ficar tão amargo e descrente do amor e da sinceridade das pessoas?
Bella voltou a se aproximar, mas ele a olhou ainda mais irado.
- Edward... – ela tentou falar, mas ele lhe lançou um olhar furioso.
- Não negue Isabella, por que não irei acreditar em você... –falou em um tom cansado.
Este era um assunto que o irritava profundamente e além do mais, Bella não poderia ser diferente das muitas mulheres que já tentaram conquistá-lo com promessas que se provaram infundadas e pior, que o fizeram sofrer.
E ela era só mais uma mulher em sua vida...
A mulher que agora era a sua esposa e com quem ele teria que conviver, querendo ou sem querer.
- Então, só o tempo vai poder lhe mostrar que me intrometerei em sua vida o menos possível.
- Basta deste assunto Isabella! – Edward, extremamente irritado, falou ríspido e se virou para a janela, olhando o movimento da rua enquanto tentava pensar um pouco.
Seguiram o resto do caminho calados e de costas um para o outro.
As lagrimas voltaram a inundar os olhos de Bella ao constatar que Edward não iria mesmo dar uma chance ao casamento e ela seria infeliz, pois mesmo sendo formal com ela a maior parte do tempo, ele nunca tinha tratado ela desta maneira tão rude.
- Vamos lá Isabella, ainda temos que interpretar mais um pouquinho o papel de casal apaixonado. – Edward saiu do carro e esticou a mão para ajudá-la, assim que o carro parou na porta da mansão escolhida para a festa.
Bella segurou na mão dele, soltando do carro com a cabeça baixa e subindo as escadas até o local reservado para que eles descansassem um pouco antes de seguirem para a festa.
A angustia com o comportamento do marido cresceu e Bella não agüentou mais segurar toda a sua tristeza, começando a chorar copiosamente.
Ela não tinha mais forças para lutar contra seus sentimentos.
- Meu Deus! O que foi agora? – Edward olhou incrédulo para Bella - Por que está chorando? – ele falou desesperado por não saber lidar com mulheres chorando.
- Me deixe Edward! – envergonhada, Bella tentou esconder seu rosto.
Não queria que ele a visse naquele estado de nervos. Não queria parecer mais frágil do que ela já tinha sido naquela noite.
- Assim não poderemos entrar na festa. Tente se acalmar Bella... – ele tentou pegar a mão da esposa, mas ela se esquivou, ficando de costas para ele.
Era preciso fazer alguma coisa para acalmá-la, pois nervosa da maneira que ela estava podia colocar tudo a perder.
- Bella, olhe para mim, por favor! – Edward segurou-a pelo ombro, mas ela se desvencilhou e saiu correndo até o quarto separado para ela.
- Bella! – Edward tentou segui-la, mas ela bateu a porta gritando que queria ficar sozinha.
Neste mesmo momento Rosalie adentrou o cômodo e ao ver a prima passar correndo e gritando, segurou Edward pelo paletó.
- O que você fez com a minha prima, Edward Cullen? – ela fez uma cara furiosa e o puxou para um canto afastado – Fale logo!
- Calma Rosalie! – ele soltou as mãos firmes de sua roupa - Eu não fiz nada, te juro! Ela só deve estar nervosa, emocionada, sei lá...
Rosalie ia se manifestar, mas Alice chegou e fez uma careta.
- O que está acontecendo aqui Edward e Rosalie?
- Nada demais Alice... Bella só está um pouco emocionada e nervosa e foi descansar um pouco antes de descemos para a festa. – ele falou calmamente.
As meninas fizeram uma cara desconfiada para ele.
- Se é assim, queremos falar com ela agora. – Rose estreitou os olhos para ele.
- Isto mesmo Rose – Alice complementou – Queremos falar com ela para ver se podemos fazer algo.
- Por favor, deixem que eu converse com ela sozinho antes... – Edward pediu - Depois prometo que chamo vocês...
As meninas se olharam e deram de ombros.
- Está certo, mas estaremos aqui na porta esperando – Rose olhou ameaçadoramente e puxou Alice até umas poltronas próximas ao quarto.
Edward abriu a porta bem devagar e encontrou Bella encolhida no sofá, com a maquiagem escorrendo pelo rosto banhado de lágrimas e tremendo como uma criança assustada.
Sentindo-se extremamente culpado por ter sido o responsável por deixar Bella naquele estado lamentável, ele se aproximou do sofá e sentou-se ao lado da esposa.
- Bella, me desculpa por ter sido tão rude com você... – ele se aproximou dela e passou os braços por sua cintura, trazendo-a para mais perto - Mas estou tão nervoso quanto você com este casamento e minha cabeça está a mil...
Ao sentir o abraço quente e acolhedor, Bella levantou a cabeça bem devagar e o olhou ainda chorando, fazendo com que Edward pudesse ver toda a dor no fundo dos olhos azuis da esposa.
Neste momento, Edward decidiu que não faria mal nenhum em deixar Bella um pouco feliz, então iria deixar de lado as suas frustrações e voltar a ser ele mesmo. O Edward, que a provocava e com isto conseguia arrancar sorrisos daquele rostinho sofrido.
Ele seria paciente e educado, pois no fundo, ele até gostaria que este casamento desse certo e que eles não se separassem no final do período estipulado, assim evitando alguns problemas e deixando a sua mãe feliz.
Em um ato instintivo ele a aconchegou em seus braços, tirando do rosto dela uma mecha de cabelo que tinha se soltado de seu coque.
- Bella, não fique assim... Não queria me sujeitar e muito menos te sujeitar a esta situação... – Edward estendeu um lenço para que ela limpasse seu rosto. - Eu gosto de você e não quero o seu mal de jeito nenhum – falou com a maior sinceridade possível.
Bella passou o lenço no rosto tentando tirar todos os vestígios do seu choro infeliz e sofrido.
Ela não tinha forças para brigar.
Ela não tinha forças para gritar.
Ela não tinha forças para afastá-lo, pois o que ela mais necessitava era de um abraço acalentador e Edward estava oferecendo isto.
- E por que você me destratou no carro? – ela perguntou com a voz tremendo – Você mesmo não disse que era para convivermos em paz?
- Eu disse e é isto o que mais quero... – Edward sussurrou, decidindo abrir seu coração – Me perdoe... Estava irritado demais com as circunstâncias do nosso casamento para que conseguisse me controlar. Eu não queria estar nesta situação, eu não queria que você estivesse nesta situação... Eu sei que errei, mas agora estou aqui, arrependido e implorando que você me perdoe Bella...
A jovem noiva olhou para ele e abriu um sorrisinho tímido.
- Edward... – ela murmurou e ele lhe deu um beijo na bochecha.
- Me perdoa Bella... Eu prometo que vou me controlar e este absurdo que ocorreu mais cedo naquele carro não vai mais acontecer... Vamos viver em paz, mas preciso que você também me ajude e tente deixar as nossas diferenças de lado. Você me ajuda?
Sentindo que havia, pelo menos, um pouco de verdade nas palavras de Edward, Bella assentiu.
- Te prometo sim... Vou fazer de tudo para termos uma convivência pacifica. – ela deixou que algumas lágrimas escorressem pelo seu rosto.
- Pare de chorar então... – ele passou a mão pela bochecha da esposa, delicadamente - Você estava tão bonita na cerimônia, não vai querer estragar isto, não é?
Bella levantou a cabeça e deu um sorrisinho sofrido.
Ela tinha que colocar em sua mente que ele estava sendo agradável com ela apenas por causa do acordo que tinham que cumprir.
Ele não a achava bonita... Ele não a queria...
Ele não a amava...
Não haviam esperanças neste casamento.
- Não minta para mim Edward... Não precisa fazer isto... – murmurou, sentindo suas forças se esvaecerem.
- Não estou mentindo – ele deu um sorriso e pegou as mãos dela entre as suas - Você é linda e está linda neste vestido...
E isto era verdade. Bella era a noiva mais linda que ele já tinha visto e tinha acertado em cheio ao dizer que ele gostaria do seu vestido.
Ela estava estonteante, deslumbrante...
Ao mesmo tempo sexy e inocente.
Uma mistura de tirar o fôlego e que o deixava desconcertado.
- Obrigado então... - Bella olhou para ele e dando um sorriso tímido, corou.
- Me desculpa mesmo? – ele voltou a afagar-lhe a bochecha.
Bella balançou a cabeça ainda sorrindo e Edward deu um beijinho em sua mão.
- Vou sair e deixá-la à vontade para conversar com a sua família e se arrumar – ele levantou-se do sofá e caminhou até a porta – Mas estarei lá fora te esperando para descemos juntos...
Assim que Edward saiu do quarto, Rosalie e Elizabeth entraram correndo e encontraram Bella, sentada no sofá com um sorrisinho tímido.
- Bella, está tudo bem com você? – Rose se sentou ao lado da prima, sendo seguida pela mãe.
- Está tudo bem sim... – ela acalmou a prima, que a olhava aflita – Tive um pequeno desentendimento com Edward, mas já conversamos e resolvemos tudo.
- Minha princesa, não tenha medo de nos contar as coisas... – Elizabeth segurou as mão da sobrinha – Saiba que a sua família sempre te apoiará, qualquer que seja a sua decisão.
- Eu sei tia... Obrigada. – ela sorriu – Foi só isto mesmo...
- Podemos entrar? – Alice abriu a porta e colocou a cabeça para dentro do quarto.
- Podem sim, Alice – Bella se levantou e foi em direção a cunhada.
- Está melhor? – a baixinha perguntou, abraçando Bella com ternura – Edward me disse que você estava um pouco nervosa...
- Estou sim... Foi só a emoção do casamento, já passou...
- Ainda bem... – Alice riu – Minha mãe queria conhecer a nora, mas meu irmão mal educado não a apresentou, então eu mesma faço este trabalho. – ela chamou Esme, que encarava Bella com uma expressão maravilhada no rosto – Mãe, esta é Isabella, a esposa do seu filho desnaturado.
- Como você é linda Isabella... – os olhos de Esme Cullen se encheram de lágrimas ao abraçar a nora com ternura – Saiba que eu sinto muito orgulho em tê-la agora em minha família.
- Obrigada Sra. Cullen... – Bella se sentiu confortável com o abraço sincero da sua sogra – Seu filho é muito parecido com a senhora.
Edward tinha o mesmo tom acobreado de cabelos da mãe e também tinha algo no olhar dela que era bem familiar.
- Me chame de Esme – ela sorriu simpática – Edward já me disse que você prefere ser chamada de Bella, é verdade?
- Sim – Bella sorriu – Isabella é muito formal.
Bella ficou por mais alguns momentos observando a jovem senhora que agora era a sua sogra, sentindo uma instantânea simpatia.
Bella tinha certeza de que elas se dariam muito bem.
Logo as assistentes vieram ajudar a noiva a soltar seu cabelo, tirar o véu e retocar toda a maquiagem para que ela voltasse a ser a noiva linda que a todos encantou na cerimônia de casamento.
Elizabeth, fazendo o papel de uma verdadeira mãe, ficou ao lado da sobrinha por todo o tempo, dando-lhe forças e a acalentando, enquanto as assistentes faziam o seu trabalho.
Ao se olhar no espelho, Bella abriu um sorriso luminoso, pois gostava do que via.
Seus cabelos, agora presos apenas por duas mechas laterais tinha movimento e a maquiagem refeita conseguia esconder perfeitamente que ela tinha chorado, além de ressaltar o que ela mais gostava em si mesma: Seus olhos azuis e expressivos.
Ela se achava muito bonita.
- Já podemos chamar o seu marido para ele ver como você está ainda mais linda agora, Bella? – Alice começou a saltitar na frente de Bella sem parar fazendo com que todas rissem da sua empolgação.
- Pode sim Alice... – Bella revirou os olhos para a cunhada rindo.
Apesar de conhecer Alice a pouquíssimo tempo, Bella já tinha feito uma grande amizade com ela, tanto que após a conversa delas na empresa, dois dias antes do casamento, Alice decidiu que ficaria hospedada na casa de Bella, onde Rosalie já estava.
- Vamos Rosalie! Vamos chamar Edward e depois descemos para a festa e procuramos uns gatinhos para nós duas.
- Ainda precisa de mim Bellinha? – Rose perguntou tentando conter a saltitante Alice, que a puxava pelo braço.
- Não Rose... Pode ir com Alice – Bella sorriu.
- Então beijos cunhada, te vejo na festa! – Alice puxou Rosalie para fora do quarto.
- Seja forte, minha princesa... – Elizabeth deu um beijo em Bella – Estou descendo para a festa...
- Serei sim... – ela retribuiu com um carinho no rosto da tia, que saiu do quarto no exato momento que Edward entrava.
- Cuide dela Edward... Ela é o meu tesouro – Elizabeth deu um abraço apertado nele.
- Cuidarei sim... – ele falou entorpecido ao mirar Bella, ainda mais linda, ao lado da mãe dele.
- Está linda, Bella... – ele se aproximou e abraçou a esposa com ternura – Oi mãe, já conheceu a minha Bella?
- Já sim filho – Esme abriu um sorrisão – Não podia ter escolhido uma esposa mais bonita e nem mais doce, a sua Bella é perfeita!
- Sua mãe também é muito doce Edward – Bella falou com sinceridade – Não podia ter sogra melhor.
Edward ficou um pouco emocionado ao notar o olhar encantado que Esme lançava para Bella e também a maneira extremamente doce com que Bella estava tratando sua mãe e irmã.
- Filho, vou descer e dar um pouco de privacidade a vocês. Adorei te conhecer Bella! – Esme soltou um beijo no ar e fechou a porta.
Sozinho com Bella no quarto, Edward lhe deu um beijo na testa e a abraçou.
- Já podemos curtir a festa linda que você preparou para nós dois?
- Estou com medo de todos estes convidados, Edward... – Bella fez uma carinha aflita – E se me fizeram muitas perguntas? E se os jornalistas me acuarem como no noivado?
- Isto não vai acontecer, pois não vou te deixar sozinha - Edward pegou a mão de Bella – Confie em mim... Estamos juntos nisto. – ele a conduziu até a escada, onde eles puderam ver o magnífico salão de baile, repleto de convidados.
Assim que os dois aparecem no topo da escada, o DJ anunciou o casal e todos os presentes os aplaudiram.
- Vamos dançar, Bella... – Edward a conduziu para a pista de dança, pousando as duas mãos na base da coluna da pequena esposa. – Me acompanhe.
Dando um suspiro resignado, recostou-se ao corpo de Edward e envolveu-lhe o pescoço com as mãos, dando passos tímidos.
- Se deixe levar Bella... Saia da defensiva... – Edward encostou a boca em seu ouvido e sussurrou sensualmente.
- Vou tentar... – ela sussurrou fechando os olhos, se aproximando mais um pouco.
Já que teria que estar com Edward, ela aproveitaria o máximo desta situação.
- Vamos aproveitar a noite... Venha comigo sem medo... – ele voltou a sussurrar ao sentir Bella tensa e ela sentiu todos seus pelos de arrepiarem com o tom de voz que ele usou.
Baixo, devagar, sedutor.
Com um riso leve nos lábios, ela se permitiu relaxar, moldando seu corpo no dele e enterrando o rosto em seu peito.
Aproveitando do calor que o corpo pequeno e macio da esposa emanava, Edward ditou o ritmo da dança, hipnotizado com a beleza e graça de Bella, ainda mais evidente nesta noite.
Ele não a amava, mas a queria muito, mesmo que tentasse negar.
Sem se importar com os muitos olhares focados neles e cada vez mais fascinado pela esposa arranjada, Edward pegou seu rosto de Bella entre as duas mãos e beijou-a nos lábios apaixonadamente, sentindo-se transportado para um lugar onde não haviam problemas.
Surpresa, mas sem forças para protestar, Bella cedeu ao beijo profundo e explorador, saboreando o calor e o modo sensual como ele se movia em sua boca. Aos poucos, foi se deixando dominar pela emoção e se permitiu a acariciar o pescoço do marido, deixando-se envolver de vez pelo seu perfume doce e inebriante, e em um gesto quase suplicante, puxou-o para mais perto de si, ficando como que hipnotizada e sem saber se ele realmente desejava aquele beijo tanto quanto ela ou se apenas estava interpretando um papel.
Ela estava se deixando ser guiada por suas emoções, e naquele momento não queria o controle dados seus pensamentos e desejos de volta.
Ela queria apensa aproveitar e fantasiar um pouco que ele a amava e a desejava.
Neste momento Edward se deu conta de que estava quebrando o acordo feito de não tocá-la sem permissão, e com um gesto suave recuou, roçando de leve os lábios nos dela.
- Desculpa Bella... –deu-lhe um beijo na testa e a abraçou mais forte - Vamos parar por aqui...
Com a face corada, Bella abriu os olhos, vendo a expressão de espanto estampada no rosto do marido que não esperava ter o beijo retribuído com tanto afinco.
Mesmo que ela não tivesse o afastado, o que estavam fazendo era muito errado e ele não podia brincar com a sorte e colocar tudo a perder.
Ele não precisava que Bella ficasse brava ou magoada com ele outra vez.
Eles ainda permaneceram alguns instantes dançando ao som da música lenta, com as testa recostada, respirando com dificuldade e tentando recobrar suas consciências, até que Bella quebrou o incômodo silêncio.
- Por que você parou? –sussurrou ainda meio entorpecida pelo beijo recebido, tirando Edward dos seus devaneios.
– Por que eu te prometi te respeitar... Porque você é a minha esposa e não a minha mulher, então não posso me empolgar... – lembrou-a deste importante detalhe.
- Você não vai esquecer disto mesmo, não? – Bella deu um sorriso triste e culpado. – Sua esposa, não sua mulher... Você sabe por que...
- Sim, eu sei... E nunca vou esquecer. – ele replicou e Bella soltou um suspiro.
Ele tinha razão ao dizer que ela não deixa que ele esquecesse o trato que tinham feito.
Este era um casamento de aparências, entre dois estranhos e sem nenhum tipo de intimidade.
Continuaram a dançar calados, até que a musica acabou e os convidados os aplaudiram efusivamente, quebrando ainda mais o encanto do momento e fazendo com que eles se afastassem um pouco olhando os rostos empolgados ao redor deles.
Quando as palmas cessaram e o DJ anunciou que a pista de dança estava oficialmente tocando outra música lenta, eles voltaram a se olhar e estava estampado na expressão que faziam que eles ainda não queria se afastar um do outro.
- Vamos dançar mais esta? – os olhos de Edward brilharam.
- Vamos sim... – Bella voltou a segurá-lo pelo pescoço e começou a se mover no ritmo de Edward.
Enquanto rodopiava pelo salão, Bella pensava em como se manter firme em não se deixar envolver tendo aquele homem extremamente tentador tão perto dela o tempo inteiro. Já Edward estava preocupado com as reações que Bella vinha despertado nele. Ela conseguia mexer com ele de uma maneira que ele desconhecia e isto era aterrorizante.
Com seu jeitinho meio inocente, Isabella Swan o fascinava, o tirava do sério.
Como não tinham como fugir da situação imposta, ambos se permitiram tentar curtir o resto da noite sem preocupações, esquecendo-se um pouco dos muitos problemas e desafios que ainda iriam enfrentar com esta união.
Ao final da música, Jasper, que dançava com uma das convidadas, se aproximou do casal com um sorriso no rosto.
- Posso dançar um pouco com Bella, Edward? – ele pediu, tentando soar simpático ao marido da prima.
Edward olhou feio para Jasper, mas ao sentir o aperto das mãos de Bella em seu braço, deu um sorriso sem graça e se afastou deles indo procurar Alice para acompanhá-lo na próxima dança.
- Rose me disse que você estava chorando... – Jasper abraçou a prima protetoramente e lhe deu um beijo na testa - O que foi que aconteceu?
- Eu só estava um pouco nervosa com o casamento, mas já passou... – Bella falou, escondendo o verdadeiro motivo da sua crise de choro de Jasper.
Ela não queria que ele tivesse uma impressão ainda pior de Edward do que a que ele já tinha.
- Tem certeza que só foi isto? – ele estreitou os olhos, bastante desconfiado.
- Tenho primo... – Bella acariciou a bochecha de Jasper – Obrigado por ser tão maravilhoso comigo...
- Então fico mais tranqüilo, por que se este seu marido te fizer alguma coisa... – ameaçou olhando para Edward que acabava de voltar para a pista em companhia de Alice.
- Ele não vai fazer nada Jasper... Nem se preocupe. – Bella falou girando para mais longe.
Depois de encontra a irmã conversando animadamente com Rosalie perto de uma das mesas de doces, Edward a convidou para uma dança e retornou à pista logo procurando por Bella e Jasper e os mantendo sob seu olhar atento.
- Edward Cullen você está me escondendo algo! – Alice afirmou relembrando os acontecimentos de mais cedo – Você vai me dizer o que há de errado entre você e Bella ou eu vou ser obrigada a te torturar para saber a verdade?
- Não tem nada de errado Alice – ele falou irritado com a mania de querer saber tudo de Alice – Já te disse que Bella só estava estressada e nervosa e que agora está tudo bem.
Alice deu uma risadinha e deu um tapinha no ombro do irmão.
- Tenho certeza que não foi só isto e vou descobrir o que está acontecendo mais cedo ou mais tarde, pode esperar...
Edward revirou os olhos. Alice sempre foi muito teimosa quando queria algo e isto estava o deixando temeroso.
Se Alice quisesse descobrir o que estava acontecendo, ela iria descobrir, então o melhor a fazer, se ela continuasse a insistir no assunto, era contar tudo antes que a verdade fosse descoberta da pior forma possível.
- Alice por favor...
- Tem alguma coisa errada, não tem? – Alice perguntou, olhando nos fundos dos olhos verdes.
Acuado, Edward assentiu, balançando a cabeça com uma expressão triste no rosto.
- Pode confiar em mim meu irmão... – a baixinha afagou o braço de Edward.
- Aqui no meio da festa não é o lugar mais indicado para esta conversa – ele murmurou.
Precisava desabafar todos seus sentimentos contraditórios e sufocantes com alguém e Alice era a conselheira perfeita!
- Mais tarde então?
- Assim que tiver uma oportunidade... – ele beijou a testa da irmã.
- Está certo... – Alice sapecou um beijinho na bochecha de Edward - Vá dançar com a sua Bella, pois já vi que você não tira os olhos dela.
Alice soltou Edward e foi até Bella e Jasper.
- Cunhada, me empresta o seu primo para dançar comigo?
Bella olhou para Jasper, que deu de ombros e segurou Alice pela mão na mesma hora que Edward se aproximou.
- Até que não foi muito ruim te ver dançando com o seu primo... – ele pegou Bella pela cintura - Ele se comportou direitinho...
- Você estava me observando? – Bella arregalou os olhos.
- É claro que estava... – ele riu - Uma esposa tão formosa não se pode deixar solta por aí...
Totalmente relaxada nos braços do marido, pela primeira vez naquela noite, Bella soltou uma risadinha.
- Não comece, por favor...
- Não vou começar nada, Bella. – Edward tocou no nariz dela e deu um beijo em sua bochecha.
- Acho bom mesmo, senão vamos voltar a brigar – Bella brincou, fazendo bico e olhou para o lado vendo a pista cada fez mais cheia.
- Você me perdoa mesmo pelo que aconteceu mais cedo? – a abraçou mais forte.
- Claro que sim...
Depois de dançarem mais duas musicas bem descontraídos, Edward e Bella se retiraram da pista de dança.
Circulando pela festa, o casal recebeu muitos abraços, cumprimentos e felicitações dos seus muitos convidados, enquanto, em um clima de sedução, trocavam palavras ao pé do ouvido e olhares intensos e observadores.
Após um tempo, cortam o bolo e tomam champanhe em meio ao mundo de flashs que pipocavam das câmeras dos fotógrafos contratados para registrar o casamento e dos jornalistas.
Edward aproveitava do bom humor da noiva para se aproximar cada vez mais dela, dando-lhe beijinhos e abraços carinhosos.
Eles não se desgrudaram um só momento, fazendo com que Bella se sentisse no céu com o carinho e atenção do marido, mesmo sabendo que não eram muito verdadeiros.
- Você quer parar de se aproveitar de mim? – ela sussurrou no ouvido do marido assim que saíram de perto da mesa onde estavam os acionistas da empresa.
- Por que parar se eu sei que você está gostando da nossa proximidade tanto quanto eu? – ele a provocou, puxando-a pelo queixo e lhe dando um selinho.
Bella não respondeu, apenas revirou os olhos e deu um sorrisinho, chegando a conclusão que ele estava certo. Ela estava adorando aquilo tudo.
Ela estava adorando aquele fingimento.
Seguindo o roteiro do cerimonial, Edward e Bella pousaram para algumas fotos com a família e com alguns convidados, assim como fizeram algumas fotos para estamparem a próxima capa de algumas revistas e jornais que enviaram representante para a festa.
Como ultimo ritual antes de serem liberados para aproveitar da sua festa sem interrupções, Bella e Edward subiram no pequeno palco montado no jardim para fazerem um breve agradecimento aos presentes e para Bella jogar o buquê, que caiu diretamente nas mãos de Rosalie.
Ao desceram do palco, pousaram para mais algumas fotos e depois foram aproveitar a noite, ouvindo as musicas tocadas pela banda contratada para animar os convidados.
Com um clima tão ameno entre eles, Edward chegou a conclusão que este era o melhor momento para contar a Bella sobre uma surpresa que ele tinha para ela.
Puxando-a para dentro do salão, Edward a chamou.
- Bella... Tenho uma surpresa para você...
- Uma surpresa? – os olhinhos azuis de Bella brilharam com os de uma criança – Que surpresa?
- Vamos viajar para um resort nas Ilhas Canárias hoje à noite ainda... – ele sorriu – Vamos passar um tempo fora,
- Viajar com você, por quê? – ela se espantou.
- Por que tenho uma reunião com alguns clientes que não pude adiar e como minha esposa, agora você tem que me acompanhar onde eu for, está esquecida?
- Mas Edward... – Bella começou a falar, mas ele a interrompeu.
- E além do mais, casais apaixonados saem em lua de mel... Então para que oportunidade melhor para fingirmos que estamos em uma?
Bella já ia voltar protestar quando ouviu a poderosa voz do Sr. Moore perto deles.
- Ora, ora, se não é o meu casalzinho... – o Sr. Moore se aproximou e sorriu sarcástico – Meus parabéns pelo casamento, Sr e Sra. Cullen.
- Nós agradecemos pelas felicitações, Sr. Moore. – Edward abraçou Bella ainda mais forte e lhe deu um beijo no topo da cabeça. – Está gostando da nossa festa?
- Sim, estou... – o senhor deu uma longa olhada para o casal – Está tudo de muito bom gosto e noto que vocês estão muito entrosados, aparentemente... Mas o motivo da minha presença nesta festa não é este.
- E qual seria? – Edward perguntou curioso, já que o que foi imposto nos documentos deixados por Charlie Swan tinha sido cumprido com a cerimônia de casamento.
- Vim avisar a vocês dois que estarei de olho em todos os seus passos – ele estreitou os olhos – Não tentem me enganar, pois se eu descobrir algo irregular neste casamento de vocês, aplicarei as penas previstas, estamos entendidos?
- Não precisa se preocupar, Sr. Moore – Bella falou pela primeira vez, olhando firme para ele – Vamos cumprir todo o previsto direitinho, agora o senhor dê licença temos uma festa para aproveitar.
- Bom, o meu recado está dado então vou indo... - Bill Moore deu um aperto de mãos do casal e se retirou da festa.
- Boa resposta minha esposa... – Edward brincou – Até eu fiquei com medo de você agora.
- Não fiz mais do que a minha obrigação - Bella deu um riso largo e neste mesmo momento, Rosalie se aproximou deles.
- Desculpa Edward, mas está na hora de levar sua esposa – Rose segurou a mão da prima e piscou o olho para ele. – Você sabe... Se trocar para a viagem...
- Mas já? – ele olhou para seu relógio de pulso e deu um sorrisinho – Vá com sua prima Bella, pois nosso vôo sai daqui a um pouco menos de duas horas.
- Edward, Não posso viajar só com a roupa do corpo! E as minhas coisas? Não posso ir! – Bella protestou, agarrando no braço do homem e querendo respostas para as suas dúvidas.
- Vá com Rosalie que ela vai te explicar tudinho... Também vou me trocar e daqui a um tempo, nos encontramos – ele deu um beijo em sua bochecha e subiu as escadas.
- O que você está sabendo, Rose? – estreitou os olhos para a prima – Vamos contando logo...
- Lá em cima eu te conto, Bella... Vamos logo! – Rose a puxou pelas escadas até adentrarem o quarto reservado para a noiva.
- Agora desembucha Rosalie. – Bella fez uma careta e colocou as mãos na cintura – Você já sabia desta viagem a quanto tempo?
Rose soltou uma gargalhada ao notar a cara irritada da prima.
- Calma Bellinha... Edward me ligou ontem avisando que teria que viajar hoje depois da festa e como estava com receoso da sua reação, pediu para que eu arrumasse a sua mala e mandasse para a casa dele, pois depois ele resolveria como te contar e foi isto o que eu fiz.
- Boa prima que você é... Me atirando às feras. – Bella fez bico.
- Não estou te atirando às feras, Bellinha... – Rose soriu - Você sabe que tudo o que faço é para o seu bem – alisou as mãos frias da prima – Bella, tente não ser geniosa com Edward... Dê uma chance para ele se aproximar de você. Tente descobrir a parte boa que ele tem... Se dê a chance de ser feliz...
- Isto é difícil Rose... – Bella sorriu tímida – Você mesma sabe que o meu temperamento difícil é a única arma que tenho para manter oculto o que sinto por ele... E sei que vai ser muito difícil resistir a ele estando tão próxima...
- Então não resista Bella... – Rose piscou o olhe e abriu um sorriso – Vá com calma, seja simpática... Vá conquistando a confiança dele. Aproveite daquilo que o destino te arrumou. Tente fazer este casamento dar certo, faça com que Edward se apaixone por você... Se entregue aos seus sentimentos e tudo dará certo.
- Rosalie Hale! – Bella arregalou os olhos e deu um tapinha na prima – Isto é conselho que você me dê. Me entregar a Edward Cullen, um homem que não nutre nenhum tipo de sentimento por mim a não ser ódio e necessidade de poder?
- Bellinha, Bellinha, você quem pensa que ele te odeia assim... O sucesso deste casamento está em suas mãos, só te digo isto. – Rose pegou o vestido que Bella iria usar e a entregou - Agora se troque e fique bem bonita por que o seu marido irresistível já deve está te esperando para a viagem de vocês.
Bella revirou os olhos e seguiu para o banheiro da suíte tentando achar alguma verdade nas palavras de Rosalie.
No quarto ao lado, Edward, que já tinha trocado seu smoking por uma calça e camisa de botões mais casuais, conversava seriamente com a sua irmã, desabafando todos os seus problemas e tentando obter dela a ajuda e conselhos necessários para que ele prosseguisse com a sua farsa, cada vez mais complicada.
Depois de suspirar longamente algumas vezes e de receber um afago acalentador de Alice, Edward tomou coragem e contou à irmã toda a verdade.
Começou falando sobre o documento que Charlie Swan tinha deixado e que obrigava ele e Bella a se casarem para que ela recebesse a sua herança e para que ele não perdesse a sua parte e ainda pudesse se tornar presidente da empresa. Depois contou da proposta e da aposta que Charlie tinha feito anteriormente e ele, sem pensar nas conseqüências, tinha aceitado e por fim,contou toda a sua tentativa de conquistar Bella, de fazê-la se sentir bem comigo e como ele se sentia totalmente confuso as reações extremas que a esposa conseguia provocar nele, inclusive contando o verdadeiro motivo do choro de Bella mais cedo e como se sentia arrependido de ter sido rude com ela.
- Alice, eu me sinto tão perdido com esta situação... Tudo o que eu tinha planejado não está dando certo... – ele murmurou não conseguindo encarar a irmã - Eu me sinto tão errado nesta história toda... Eu não quero o mal de Bella... Eu não quero que ela fique infeliz.
A cada nova informação que ele a fornecia, Alice arregalava cada vez mais os olhos.
- Como você pôde se meter em uma situação destas, meu irmão? – ela perguntou chocada – Sabia que tinha algo errado, mas não imaginava a gravidade da situação... Isto tudo o que você está me contando me parece tão surreal... Tão louco... Eu não sei nem o que pensar.
- Eu juro a você, Alice, que não ia prosseguir com esta aposta até o final... – Edward se desesperou - Só aceitei esta loucura, na época, por causa de um sentimento estúpido de vingança contra Charlie... Por ele ter me humilhado tanto, ter me desafiado tanto, ter feito eu me sentir insignificante... Mas agora eu me sinto ainda pior... Eu sou um canalha em estar sujeitando Bella, uma pessoa inocente, a esta situação... Eu não valho nada!
Edward abaixou a cabeça e pode sentir as lágrimas inundarem seus olhos.
Ele estava com Alice e se permitiria chorar e desabafar toda a sua angustia.
- Você pode se redimir com toda esta situação, meu irmão... – Alice deixou que Edward pousasse a cabeça em seu colo e acariciou os cabelos dele, fazendo com que ele fechasse os olhos e chorasse ainda mais - Tenha paciência com Bella, trate-a bem – deu um beijinho na testa dele - Deixe as coisas entre vocês acontecerem naturalmente, conquiste a confiança dela...Tenho certeza de que Bella gosta de você de uma maneira que você não imagina apesar de tudo. Então seja gentil e não a faça sofrer... E confie em mim, pois tenho certeza que no final vocês não serão as vítimas desta situação e sim os vencedores.
Edward abriu os olhos e sorriu.
- Obrigada por suas palavras, minha baixinha linda – murmurou – Eu te amo muito...
- Eu sei disto... - Alice deu outro beijo na testa de irmão.- Conte comigo para o que precisar. Você e Bella não estão sozinhos nesta situação
- Só te peço uma coisa... Tenta fazer com que a mamãe nunca desconfie de nada – ele falou baixinho, se sentando no sofá e abraçando a irmã - Ela não iria agüentar a verdade...
- Claro Edward... Deixa comigo.
Edward deu mais um abraço apertado na irmã, tomando uma importante decisão:
Seguiria os conselhos de Alice e deixaria a sua nova vida tomar o rumo que o destino decidisse.
