A verdade

Sentado no sofá da sala de Elizabeth Hale, Edward esperava noticias da sua esposa, enquanto conversava com a irmã.

Alice, com seu jeito sempre espevitado, estava lhe contando tudo o que havia acontecido naqueles dois últimos dias, detalhando cada conversa, cada reação de Bella, cada tentativa de fazê-la entender que ele não tinha lhe escondido a verdade por mal e sim por medo de vê-la sofrer.

Cada nova revelação feita por Alice, em vez de acalmá-lo, o deixava ainda mais apreensivo e nervoso, pois ele sabia muito bem do gênio forte de Bella e como seria difícil convencê-la de que as coisas não eram tão ruins como pareciam ser.

- Tenha paciência que tudo vai se resolver no tempo certo, Edward... – Alice apertou a mão do irmão, ao notar que ele estava tenso - Faça o seu melhor, mas se ela se mostrar aversa a qualquer tipo de aproximação, tenha em mente que Bella está se sentindo traída e que ela tem todo o direito de desconfiar de você.

- Eu sei disto baixinha... – ele sorriu triste – Fui eu quem procurou esta situação e agora tenho que saber lidar da melhor forma possível com isto...

- Você vai conseguir reverter esta situação, Edward... Eu tenho certeza disto! – Alice olhou para o corredor e viu o advogado se aproximando – Agora faça uma cara alegre porque esta vindo noticias da sua Bella.

Edward se virou e viu a cara satisfeita que o senhor trazia no rosto enquanto se sentava em frente a eles.

- Como foi a conversa com a minha esposa, Sr. Moore? – ele perguntou curioso em saber a decisão de Bella – Algum avanço?

- Correu tudo bem, Edward... – falou orgulhoso da sua ajuda – Tive uma conversa franca com ela, não como o advogado e sim como um amigo do pai dela, alguém que a viu crescer e que só quer o seu bem e finalmente consegui convencer Bella a voltar para casa.

- Ela vai voltar comigo hoje? – os olhos de Edward brilharam.- Minha Bella vai voltar para mim?

- Sim, ela vai... Mas seja cauteloso. – Moore alertou.

- E veja se agora você não faz nenhuma besteira... – Alice complementou a fala do advogado – Por que outro stress destes, ninguém merece!

- Eu não vou fazer mais besteiras, te prometo! – ele falou feliz e então se virou para o Moore -Onde está a minha esposa?

- Bella está tendo uma conversa com os familiares e me disse que já desce. – Moore respondeu – Edward aja com calma... Não force nenhuma situação constrangedora para Isabella, deixe-a pensar.

- Eu vou Sr. Moore... – Edward abriu um sorriso esperançoso – Eu faço o que for preciso!

Enquanto isto, no quarto de Rosalie, Bella se preparava para a importante conversa que teria com as pessoas mais importantes da sua vida: Seus adorados primos e amorosa tia.

Ela tinha que lhes comunicar da sua decisão de voltar para casa e enfrentar a sua dura realidade, assim como seus sentimentos por Edward.

Depois de pensar mais um pouco, ela tinha chegado a conclusão que o melhor a fazer naquele momento era ter uma conversa franca com o marido, deixar claro para ele toda a sua decepção com o segredo que ele tinha lhe escondido... Mostrar a ele como ele tinha lhe deixado decepcionada...

Ela não tinha nenhuma duvida que o amava, mas a confiança que existia entre eles foi quebrada e agora ele teria que se explicar.

- Tia... Rose... Jazz... – Bella olhou para cada rum deles demoradamente - Tenho que comunicar a vocês que decidi que vou voltar para casa e conversar com Edward como os dois adultos que somos… Todos os argumentos utilizados pelo Sr. Moore me deram a certeza que eu precisava de que Edward merece uma chance de, pelo menos, explicar toda esta história de acordo.

Assim que ela terminou de falar, os três rostos à sua frente exibiram diferentes sorrisos.

O de Elizabeth refletia a esperança de que a sobrinha resolveria todos os seus problemas e voltaria a ser feliz. O de Rosalie era a mais pura felicidade pela decisão sensata que a prima estava tomando, e o de Jasper era um misto de apreensão e alivio, pois tinha certeza que o novo desafio da sua adorada prima não seria fácil, mas mesmo assim ela decidiu enfrentá-lo.

- Isto é ótimo minha filha! – Elizabeth foi a primeira a se manifestar - Faça o que for melhor para você... O que for te fazer feliz, Bella... – seu sorriso cresceu ainda mais - Ouça o que Edward tem a te dizer e se você achar que tem que perdoá-lo, perdoe-o sem medo...

- Obrigada pelo apoio tia... – Bella abraçou a tia – Eu vou fazer o que for o melhor, pode ter certeza.

- Tenha calma prima... Seja sensata e lembre-se de todas as palavras que eu te disse... – Rose pulou para o lado de Bella e brincou, tocando seu nariz - Leve em conta como a sua relação com Edward mudou neste tempo que vocês tem de casados... Leve em conta o amor lindo que vocês construíram...

- Eu vou lembrar Rose...– ela piscou e deu um beijo na bochecha da prima - Não se preocupe...

Se aproximando de Jasper, que estava calado, apenas a observando, Bella murmurou.

- Jazz...

- Faça o que for melhor para você Bella... – ele lhe deu um abraço apertado - Seja feliz minha prima e se a sua felicidade estiver com o Cullen, perdoe-o... – ele sorriu – Mas se não estiver, saiba que sua família estará sempre aqui para apoiar qualquer decisão sua.

- Eu sei disto Jazz... Eu sei que eu posso contar com vocês. – Bella pegou seus parentes em um abraço apertado e falou emocionada – Eu sei que tenho a melhor família do mundo!

- Agora vá Bella – Beth se levantou da cama e pegou as bolsas da sobrinha – Volte para a sua casa e converse com o seu marido... E qualquer problema, saiba que eu e seus primos estaremos sempre prontos para te ajudar.

Bella pegou suas coisas e saiu do quarto, caminhando lentamente até a escada, enquanto era seguida de perto pela tia e primos.

- Força... – Elizabeth tocou o braço da sobrinha, fazendo com que Bella sorrisse de leve.

Todo o corpo de Bella estremeceu quando seus olhos deixaram os da tia e miraram a figura imponente do seu marido sentado no sofá da sala.

Sua grande vontade era correr para os braços de Edward e sentindo o seu cheiro acalentador, chorar até quando sentisse vontade, enquanto ele a acalmava e falava que tudo não passou de um grande mal entendido, mas ela não podia...

Ela tinha que ser forte e manter em mente que ele a enganou... Que ele podia facilmente enganá-la outra vez...

Que ele merecia ser punido... Que ela não podia perdoá-lo tão facilmente.

Com um suspiro resignado, ela desceu as escadas e parou perto da porta.

A hora da verdade tinha chegado.

Assim que viu a sua pequena, Edward se levantou do sofá e correu para abraçá-la, morto de saudade.

- Meu amor... – ele falou, apertando Bella o mais forte que pôde em seus braços - Me perdoe, por favor...

- Fique longe de mim Edward Cullen! – Bella afastou o marido com um empurrão – Não se esqueça de que só estou voltando pra casa por causa do maldito testamento que nós temos que cumprir... Afinal tem pessoas nesta família que merecem meu sacrifício.

Ela olhou para Jasper, Rose e a tia, que juntos com Alice e Bill Moore, assistiam a cena no canto da sala sem se manifestarem.

Além do amor que sentia pelo marido, mas que não podia admitir naquele momento, sua tia e seus primos eram a grande razão dela estar voltando para casa.

Eles eram o seu porto seguro e mereciam que ela lutasse até o fim por sua herança.

Mesmo que o seu relacionamento com Edward não voltasse a dar certo, ela tinha que se manter casada por Elizabeth, Rosalie e Jasper.

- Bella apenas me ouça, por favor... – ele tocou o braço da esposa de leve, fazendo com que ela se virasse com um olhar raivoso.

- Eu estou falando sério Edward! –tirou a mão dele do seu braço – Se mantenha longe de mim, senão eu desisto de voltar para casa agora! E além do mais, eu não quero ouvir nada do que você tem a dizer agora... A nossa conversar acontecerá no dia e na hora que eu quiser!

Bella saiu praticamente marchando em direção ao carro parado nos jardins da casa da sua tia, sem ao mesmo voltar a olhar para o marido.

Ela não queria nenhum tipo de contado com Edward, para não correr o risco de cair em tentação. Já seria muito difícil conviver com ele na mesma casa e se ele começasse a tocá-la daquela maneira que fazia todo seu corpo se arrepiar, a tarefa de ignorá-lo se tornaria quase impossível.

- Bella! – ele tentou segui-la, mas a mão forte do Moore o parou.

- Calma Edward... Mantenha a calma. – deu um tapinha no ombro do rapaz – Lembre-se do que eu te disse... Deixe que Isabella tenha tempo.

Voltaram para casa lado a lado no carro, mas sem trocar uma única palavra, enquanto Bella tinha os olhos fixos para as ruas movimentadas de Londres, Edward a observava atentamente.

Bella trazia no rosto de porcelana uma expressão cansada, com olheiras sob os olhos que denunciavam a falta de horas de sono e que fazia com que ele se sentisse mal por saber que era o único causador daquele sofrimento.

A sua vontade era tocá-la, pegá-la em seus braços e niná-la até que ela dormisse.

Ele queria apagar todas as besteiras que tinha feito e que tinham culminado naqueles dias incertos e infelizes que tinha passado longe da sua Bella...

Ele queria voltar no tempo e assim apagar o sofrimento de Bella...

Naquele momento o que mais lhe incomodava era ver o sofrimento da sua Bella. Ele não hesitaria em pagar o preço que fosse para que a sua pequena ficasse bem.

Subiram o elevador cada um em um canto, Bella mirando o chão, enquanto apertava sua bolsa entre os braços nervosa com o que viria ao chegarem em casa e Edward a observando, enquanto traçava planos para a terrível confissão que provavelmente teria que fazer em poucos minutos.

Agora que estaria sozinho com Bella em casa, sem interrupções, sem opiniões alheias, e principalmente, sem ajuda, Edward teria que agir com calma e assim, tentar amenizar a sua situação.

Ele teria que convencer Bella da verdade: Ele agora a amava mais do que qualquer coisa no mundo, mas o começo da linda história de amor, superação e confiança que tinham construído naqueles meses de casados, realmente não havia sido nada bonito e ele admitia isto.

Ele tinha que convencê-la que ele tinha mudado e ela foi a grande causadora desta mudança.

Assim que Edward abriu a porta do apartamento, Bella disparou em direção à escada tentando chegar a seu quarto o mais rápido possível.

Ela precisava se manter longe dele.

- Bella, por favor, deixe que eu me explique... – ele falou baixinho, fazendo com que a esposa parasse por um instante e o olhasse.

- Já que não vou poder fugir desta conversa por muito tempo, vamos logo esclarecer tudo. – suspirando audivelmente, ela jogou sua bolsa no sofá e parou em frente ao marido, com as mãos na cintura – Quem mais sabia desta aposta, Edward Cullen? Quem mais estava me enganado este tempo todo?

- Apenas seu pai, o Sr. Moore e eu sabíamos no começo... Ele deixou o advogado a par da situação, pois seria ele quem cuidaria de toda a transição da empresa quando do afastamento definitivo do seu pai – ele abaixou a cabeça envergonhado – No dia do nosso casamento, assim como já tinha te contado em partes, eu falei tudo a Alice... Além de falar do casamento arranjado pelo testamento deixado por seu pai, eu acabei contado sobre o acordo, pois não conseguia carregar sozinho a culpa de estar te enganando, de estar enganando a minha mãe... Alice sempre me dizia para que eu te contasse tudo, para que eu não escondesse este segredo, mas não tive coragem... Eu não fui homem o suficiente... Achei que podia esquecer este assunto, que ele nunca mais viria à tona, mas me enganei... – levantou a cabeça e olhou para ela - Bella me deixe te falar como tudo aconteceu, por favor...

- Fale então... – ela falou sem emoção - Você tem todo o direito de contar a sua versão dos fatos.

Falando em um tom pausado e controlado, para conter seu nervosismo, Edward passou a narrar para Bella todo o acordo que tinha feito com Charlie Swan.

Contou a ela detalhes daquela fatídica manhã, quando seu velho sócio o convocou até sua sala e o desafiou a conquistá-la em troca de uma das únicas coisas com que ele sonhava na medíocre vida que levava antes de conhecê-la: A presidência e o controle quase que total da Diamond Mineração.

Notando o olhar vidrado e sem emoção que Bella lhe lançava, Edward continuou a contar que ele aceitou aquela maluquice no calor do momento e sem pensar muito, pois sentia muita raiva de Charlie por causa das constantes humilhações que sofria e conquistar a única filha do seu odiado sócio lhe pareceu uma boa maneira de tanto se livrar como se vingar de Charlie.

Ele não queria esconder mais nada de Bella e mesmo sabendo que isto provavelmente estava lhe causando ainda mais sofrimento, só parou de falar quando o ultimo detalhe foi dito.

-Você achou que eu nunca descobriria isto tudo Edward? Você achou que eu era imbecil a este ponto? – Bella saiu do estado de topor que se encontrava e praticamente gritou incrédula com o que tinha acabado de ouvir - Você achava mesmo que um dia esta verdade não viria à tona, que ninguém mais poderia saber?

- Eu não achava que você era imbecil, meu amor... O imbecil nesta história toda sou eu... – Edward voltou a falar, mal contendo todo seu nervosismo – Aquele acordo foi o maior erro da minha vida Bella e você não sabe como eu me arrependo de ter aceitado daquele acordo... Eu ainda não te conhecia e fiz a loucura motivado apenas pela raiva que eu tinha de Charlie Swan, do homem que me humilhava... No começo só pensei em mim e no que eu poderia obter com certa facilidade... Eu não pensei em você, a filha de Charlie, uma menina que eu mal conhecia... Uma menina que todos diziam que era uma grande megera e que era uma das únicas pessoas que enfrentavam o poderoso Sr. Swan... Eu não pensei em seus sentimentos...

Ele olhou para a figura da sua esposa pálida, sem reação, ainda de braços cruzados sobre o peito e o olhar longe, parada em sua frente.

Tomando fôlego, ele continuou o seu relato.

- Mas depois que eu te conheci de verdade, vi que por detrás daquela pessoa mal humorada havia alguém que provavelmente tinha sofrido muito na vida... Quando eu soube mais de você, quando eu descobri que você era essa pessoa incrível, eu só pensava em não magoá-la, em tornar tudo mais fácil para você... Eu não pensava mais em mim e sim em nós dois... Em como te fazer feliz... – ele suspirou – Eu mudei Bella... Eu mudei por você, acredite em mim!

- Edward, eu te perguntei na nossa primeira conversa porque você estava atrás de mim, se tinha algo que eu não sabia, se tinha alguma outra intenção no seu súbito interesse por mim e você me disse que não! – ela esbravejou, os olhos cheios de lágrimas - Você mentiu para mim! Você me fez de boba!

Era muito sofrimento para ela ter que ouvir aquelas coisas... Estar ouvindo de Edward a confissão do seu crime...

Era terrível ter a certeza de que ela tinha sido realmente objeto de um acordo comercial, mas ela precisava saber disto tudo para que conseguisse formar uma opinião coerente e tomar suas decisões.

- Entenda minha pequena... Quando nos conhecemos eu fiquei com medo de que você não me aceitasse por causa do acordo e depois não te contei porque tinha muito medo de que você fugisse de mim... Eu tinha medo de estragar tudo o que construímos juntos, como acabei estragando mesmo sem te contar... – Edward balançou a cabeça - Eu fui um bobo e estou sofrendo as conseqüências dos meus atos...

- E o testamento? Você já sabia do testamento de meu pai antes daquela reunião... Antes de mim? - Bella fungou, segurando o choro que teimava em vir – Você me enganou nisto também? Você organizou isto tudo junto com meu pai para me enganar e ter a sua amada empresa só para você?

- Não Bella! – exclamou, arregalando os olhos - Eu fui tão vítima quanto você daquele testamento! Charlie me falou algumas coisas, pouco depois que ele saiu do hospital, como um documento redigido e como eu ter ainda que me casar com você caso ele morresse, mas eu pensei que com a sua morte esta loucura toda acabaria... Que esta condição de casamento seria esquecida, que o Moore conversaria com você e você venderia a parte de seu pai para mim e como teria a maioria absoluta das ações eu seria o presidente do conselho e a partir deste dia você viveria feliz com a sua herança e eu com a presidência da empresa...

Edward deu alguns passos em direção à esposa, mas ela levantou a mão, em alerta, fazendo-o parar.

– Eu senti muita raiva, pois não imaginava que seu pai tinha feito um testamento que limitava tanto a minha ação na minha empresa, quanto o seu acesso à sua herança... Eu o amaldiçoei muitas vezes por ter me colocado naquela situação... – ele continuou, os pensamentos longe - Eu não queria casar com você! Eu não queria estar preso a ninguém e acho que deixei isto transparecer da pior forma na nossa festa de casamento...– os olhos brilharam - Mas tudo mudou Bella... Tudo mudou com a nossa convivência... Com o carinho e depois o amor que eu passei a sentir por você...

Ele se atreveu a estreitar o espaço entre eles, mas desta vez Bella não o impediu, com os olhos vidrados no lindo homem à sua frente.

- E hoje, eu até posso dizer que agradeço a seu pai por ter nos obrigado a casar, pois se não fosse aquele testamento eu não teria descoberto o amor da minha vida... Eu não teria vivido os momentos mais felizes com você... Acredite em mim, tudo o que eu te disse no final de semana é a mais pura verdade... Eu te amo e nada neste mundo poderá mudar isto! Você foi a primeira mulher que me fez realmente feliz, Bella! Você tornou a minha vida muito melhor... Eu descobri um mundo maravilhoso ao seu lado e não quero mais voltar à minha antiga vida.

Bella, não aguentando mais o turbilhão de emoções, não conseguiu conter mais suas lágrimas e começou a chorar alto.

Ela queria acreditar que tudo o que ele estava lhe dizendo era verdade. Que ele a amava, que tinha mudado por ela, que tinha se arrependido dos seus erros.

Ela queria acreditar em cada palavra dita por Edward, dita por seus parentes, mas ela não podia...

E se ele estivesse mentindo mais uma vez?

- Não precisa mais mentir Edward... Agora é tarde demais para consertar seus erros...– soluçou baixinho - Como eu posso acreditar no que você me diz? Eu confiei em você como nunca confiei em ninguém, eu abri a minha vida para você... Eu me entreguei de corpo e alma e você me decepcionou Edward! Você traiu a minha confiança! – enxugou as lágrimas que corriam sem parar por seu rosto - Você sabe como foi difícil para mim me permitir viver o que vivi com você... e mesmo assim você me usou e me machucou... O que eu sentia por você se quebrou quando eu li aquele documento...

- Meu amor, eu não quis esconder a verdade... Será que você não entende isto? – Edward se ajoelhou aos pés da esposa, e segurando-a fez com que ela deslizasse até o chão – Me perdoa... Me perdoa, por favor Bella... Eu faço o que você quiser para você acreditar em mim... Eu te amo minha Bella e não vivo mais sem você... Eu faço o que for preciso para você voltar para mim e continuarmos o nosso casamento em paz...– ele sussurrou sem parar, os olhos cheios de lágrimas.

Se fosse preciso chorar para ela acreditar nas suas palavras, ele choraria.

Se fosse preciso rastejar a seus pés, ele rastejaria.

Qualquer que fosse o preço a pagar, ele pagaria.

Ele faria qualquer coisa para ter a sua Bella de volta.

- Não Edward, não entendo mesmo... – ela se soltou dele e levantou-se em um pulo. – E para de fazer cena porque eu não vou acreditar em nada disto... – ela falou firme, seus olhos queimando nos dele - Me esqueça Edward! Esqueça o que vivemos, o que dissemos! Vamos cumprir o que Charlie determinou e pronto... Daqui a um tempo poderemos viver do jeito que quisermos... Você vai se livrar de mim... Eu vou me livrar de você e poderemos ser felizes de verdade.

Ela tinha que ser forte e não se entregar a seus sentimentos.

Ela tinha que deixar bem claro que ela não seria enganada e magoada mais uma vez.

- Não é isto que eu quero... Eu não quero me separar de você, Bella... Quero viver para sempre com você... – ele se levantou do chão e voltou a andar até ela - Se você quiser, eu entrego o meu lugar no conselho da empresa a seu primo... Eu vendo as minhas ações e você nunca mais vai ouvir falar nesta empresa... Eu me desfaço de tudo, se você quiser Bella... Eu te amo, pequena... Te amo demais...

Ao ouvir mais este apelo, a raiva de Bella foi ao limite.

Ela não aguentava mais tantas mentiras.

Não aguenta mais ouvir as desculpas chorosas de Edward!

- Pare de mentir para mim! Você só ama a sua empresa Edward Cullen e me usou para consegui-la toda para você!

Bella gritou, o ódio impresso em seus olhos, e então, quase sem fôlego, partiu furiosa para cima do marido dando-lhe socos certeiros no peito, tentando assim acalmar a raiva crescente que havia dentro de si.

- Para com isto pequena! - Edward segurou-lhe os pulsos com força – Não faz isto meu amor... Assim você vai se machucar...

- Eu te odeio Edward! – ela tentou se soltar, empurrando o marido - Eu te odeio muito!

Ela o odiava por ele a atrair e a provocar...

Ela o odiava por ter sido tão mentiroso com ela...

Ela o odiava mais ainda por amá-lo tanto enquanto não deveria...

- Não é assim Bella... Eu não me importo com mais nada além de você minha pequena... Eu não preciso de mais nada além de você para ser feliz! – enquanto falava suave, ele consegui imobilizar a esposa, prendendo-a entre seus braços.

Ele tinha que provar a sua pequena que mais nada teria sentido, se ela não estivesse junto a ele, se ela não o aceitasse de volta, então prendendo uma das suas mãos na cintura e a outra na nuca da sua Bella, ele aproximou seu rosto do dela.

- Não... – ela praticamente gemeu, sentindo a respiração de Edward mesclada a dela.

- Eu te amo Isabella Cullen... Você pode não acreditar, mas eu te amo! – Edward voltou a falar com os olhos presos na imensidão azul dos de Bella e então, desesperado para fazer com que ela acreditasse nele, colou seus lábios nos dela.

No começo Bella ainda tentou resistir, mas ao sentir a pressão do corpo forte e musculoso do homem que amava contra o seu, desistiu de lutar contra ele e principalmente contra seus sentimentos.

Ela queria senti-lo mais uma vez. Ela precisava disto... Então começou a interagir, acariciando a nuca dele com a ponta dos dedos, retribuído o beijo timidamente e sentindo todo seu corpo se arrepiar.

Notando que Bella não oferecia resistência, Edward puxou-a para ainda mais perto e então, dando alguns passos com ela em seus braços, encostou-a contra a parede mais próxima, deixando a boca deslizar calmamente pelo rosto, pescoço e ombros da sua doce pequena, deliciado com o cheiro e sabor que ele tanto amava.

- Eu sinto tanto a sua falta, minha Bella... - ele murmurou pouco depois, segurando o rosto corado de Bella entre suas mãos – E eu preciso tanto de você...

Pela primeira vez naquele começo de noite, Bella se permitiu analisar seu marido. Ele continuava lindo, apesar de estar com a barba por fazer, os olhos cansados e uma expressão tão arrasada quanto a dela.

O olhar que Edward lhe direcionava expressava muito do seu sofrimento e um pouco da sua esperança.

Uma esperança que ela também tinha...

Então sem pensar muito, Bella agarrou o cabelo de Edward com força, seu corpo ardendo em chamas invisíveis, queimando por ele, desejando-o loucamente.

Ela também precisava dele... Precisava desesperadamente.

No segundo seguinte, eles estavam aos beijos intensos... Mãos em todos os lugares... Sem conversa... Só gemidos...

Os lábios se debatiam... Travavam uma luta insana.

As mãos passeavam pelos corpos, como se quisessem gravar cada pedacinho.

A incerteza deu lugar ao desejo.

Este era um caso perdido...

O amor que sentiam falava mais alto do que qualquer mágoa ou dúvida.

Eles pertenciam um ao outro.

Ofegantes, eles se separaram e depois de um momento de testas encostadas, olhos nos olhos e respirações descompassadas, em um gemido alto Edward pegou a sua Bella no colo e começou a andar em direção à escada.

- Edward... Aonde vamos? – ela perguntou desorientada com a intensidade das sensações que passavam pelo seu corpo e mente.

- Cama... – sussurrou simplesmente, enterrando seu rosto no pescoço macio e cheiroso, distribuindo beijinhos por lá.

Com um suspiro alto, Bella continuou a sua entrega, laçando o marido com as pernas e trabalhando freneticamente nos botões da camisa dele, enquanto Edward subia as escadas rapidamente e adentrava seu quarto.

Ela não podia resistir...

Naquele momento, ela não queria resistir.

Bella não protestou quando foi jogada no colchão macio da cama de Edward... Nem quando suas roupas voaram pelo quarto... Muito menos com os beijos e mordidinhas selvagens que ele distribuía por toda a sua pele.

Pelo contrario, ela gemia de prazer e se entregava ainda mais a cada novo ato do marido.

Edward também não protestou quando sentiu os arranhões que Bella dava em suas costas... Com os puxões que as pequenas mãos davam em seu cabelo... Nem quando ela tentava tirar a sua calça com as mãos habilidosas...

Ela o deixava louco, lhe tirava o juízo...

E ele queria ser somente dela e nada mais neste mundo...

Edward pairou por um momento sobre Bella e eles tremeram emocionados enquanto se olhavam, todos os problemas esquecidos.

Ele sentia a necessidade de olhar nos olhos da esposa e assim tentar falar através deles o quanto a adorava, o quanto ela o fazia bem.

O quanto precisava dela... O quanto era dependente da sua presença...

E assim o calor do momento só foi aumentando...

Os corpos se encaixaram perfeitamente... E eles se amaram... Se tocando... Com beijos passionais... Gemendo o nome um do outro... Deixando que eles se moldarem à sua maneira... Dançarem em um mesmo ritmo.

No ritmo da paixão.

Os corpos se moviam em sincronia, e faziam com que eles estremecessem e se abraçassem cada vez mais forte, em uma necessidade insana de sentir suas peles uma contra a outra, de sentirem o gosto, a textura, o calor de suas peles.

Era uma noite sem palavras... Não precisavam delas quando seus atos e a doce entrega falavam por eles.

Era a entrega ao inevitável...

A rendição ao amor que sentiam.

Cansados e ofegantes ao final do ato, eles se separaram, rolando na cama.

Momentos depois, Edward, tentando acalmar sua própria respiração, assistiu Bella suspirar cansada enquanto seu peito subia e descia rapidamente.

Seus olhos estavam fechados, suas bochechas coradas, os cabelos brilhantes esparramados pelo travesseiro e os lábios rubros entreabertos como se estivessem querendo serem beijados, além dela trazer a mais linda expressão de prazer estampada no rosto.

Ele, entorpecido com a visão da sua pequena, beijou a ponta do seu nariz enquanto sussurrava sem parar.

- Você é linda Bella Cullen... Linda... Linda... E eu te amo muito... Acredite em mim...

Em um estalo, Bella saiu de um transe em que se encontrava e olhando para o rosto perfeito à centímetros do seu, só consegui pensar em como ela era burra ao ceder assim à vontade louca que lhe consumia.

Afastando Edward de si, sentou-se o mais longe possível na cama bagunçada, abraçando as pernas.

- O que eu fiz? – murmurou para ela mesma. – Eu não devia...

- Bella, o que foi? – Edward se aproximou, segurando o braço dela – O que foi meu amor?

- Isso não devia ter acontecido Edward... – ela negou com a cabeça - O que fizemos foi tão errado...

- Não minha pequena! – ele acariciou os cabelos revoltos da esposa – Não foi errado... O que fizemos é o certo para duas pessoas que se amam... – a abraçou protetoramente – E nós nos amamos...

Confusa, Bella abaixou a cabeça.

Era incrível como Edward conseguia dominá-la, fazer com que ela perdesse sua vontade própria apenas com o mínimo toque, com a menor palavra...

Se ela queria se manter com a mente sã, precisava que sair de perto de Edward urgente!

- Apenas me deixe tomar meu banho... – ela voltou a falar, soltando-se dos braços que a seguravam e o olhando como se pedisse permissão – Me deixe ir, por favor... Me dê um tempo para pensar e tentar colocar a minha cabeça em ordem...

Edward não falou nada e a olhando intensamente, apenas concordou e assistiu Bella saltar da cama afoita e correr para fora do quarto.

Sozinho em sua enorme cama, Edward ainda sentia o doce cheiro da sua esposa impregnado nos lençóis enquanto a sua realidade o atingia.

Ter Bella de volta não seria nada fácil e era certeza de que ele teria que ter muita calma para reconquistá-la.

Desta fez seria muito mais difícil fazer com que Bella acreditasse nele, pois a confiança que haviam construído estava quebrada.

Ele era um cretino, um enganador...

Ele foi um covarde e feriu a sua linda Isabella

Ele merecia o seu desprezo, a sua indiferença.

Ele fez por merecer tudo o que estava passando, mas não desistiria tão fácil de ter a sua vida de volta.

Ele só se sentiria em paz quando conseguisse fazer a sua Bella feliz mais uma vez.

No chuveiro, Bella esfregava seu corpo freneticamente, tentando tirar qualquer vestígio da loucura que tinha acabado de acontecer.

Como ela pôde ter agido daquela maneira tão vergonhosa. Gemendo o nome dele, deixando com que Edward lhe tocasse, lhe beijasse como se nada tivesse acontecido? Como se ele não tivesse lhe magoado?

Como pôde permitir que ele tomasse posse do seu corpo e dos seus sentimentos daquela maneira tão passional, quando o certo a fazer era dar a ele o desprezo merecido?

Bella pensou, enterrando a cabeça entre as mãos, enquanto sentia a água quente escorrer pelo seu corpo, lavando a sua vergonha.

Mesmo sendo difícil admitir, era certo que ela se tornara incapaz de resistir aos encantos e as maneiras que seu lindo marido se utilizava para persuadi-la.

Todo seu corpo derretia quando Edward a tocava, toda a sua razão desaparecia quando ouvia a voz rouca e potente dele, mas, para o seu próprio bem, ela tinha que conseguir uma maneira de resistir a Edward.

Ela tinha que se manter firme no propósito de puni-lo pelo que ele tinha lhe feito.

Fechando os olhos com força, ela fez um voto silencioso de nunca mais se deixar seduzir pelo marido.

Ela fez uma jura a si mesma que não vai ceder aos seus caprichos, às suas vontades.

Ela não podia se deixar levar pela ardente paixão que a consumia.

Ela não tinha o direito de ser fraca.