Tempo
Após uma noite cheia de pesadelos e incertezas, regada pelo cheiro e pelas lembranças da sua Bella ainda muito vivos e presentes em sua mente e corpo, Edward acordou assustado no começo da manhã, sentando-se na cama e colocando a cabeça entre as mãos.
Os momentos de entrega e paixão vividos na noite passada haviam sidos maravilhosos, mas ele tinha que estar consciente de que tanto ele como Bella tinham agido por impulso, por saudades... Por falta um do outro.
Eles apenas se entregaram aos seus desejos e nada mais do que isto...
Ele ainda não tinha o perdão da sua Bella... Ela ainda não havia o aceitado de volta.
A sua maior vontade era de ir ao quarto da esposa, e mais uma vez implorar pelo seu perdão, mas ele sabia que isto era impossível.
Bella tinha lhe pedido um tempo... Ela não queria vê-lo.
O que ele pôde fazer para amenizar a sua situação com a esposa estava feito. Toda a verdade estava contada. Ele havia se mostrado arrependido do acordo aceito. Ele reafirmou que a amava.
Ele foi o mais verdadeiro possível e agora era só esperar que o tempo fizesse o seu trabalho e que Bella pudesse enxergar que suas vidas estavam entrelaçadas para sempre e por esta razão eles não seriam mais felizes separados.
Cabisbaixo, seguiu até o banheiro e após uma rápida chuveirada e de colocar um terno qualquer, ele já se encontrava pronto para um dia atribulado na empresa.
Naquela manhã ele iria à mineradora, pois além de ter que resolver alguns assuntos pendentes, esta era a melhor maneira de ocupar a sua cabeça e assim conseguir deixar a esposa em paz, dando-lhe o tempo pedido.
Como o Moore e Elizabeth tinham lhe dito, ele precisava ter muita calma neste momento. Se ele queria reconquistar Bella, teria que ir no ritmo dela, sem forçar nenhuma situação, conseguindo o seu perdão e fazendo com que nenhuma mágoa ou dúvida assombrasse o novo relacionamento que seria construído.
Ele teria que agir com muita cautela.
Com a cabeça fervilhando, Edward desceu as escadas e se dirigiu à sala, encontrando a mesa de café da manhã posta e Berna o esperando.
- Vai sair sem comer mais uma vez, Seu Edward? – a governanta se aproximou dele, com uma expressão preocupada – Assim o senhor vai acabar ficando doente!
-Nem se preocupe Berna... – ele sorriu um pouco, dirigindo-se à mesa – Desta vez, vou comer alguma coisa antes de sair, mas para isto preciso da sua companhia – sentou-se e apontou para a cadeira ao seu lado – Tenho que conversar com você.
- O que aconteceu? – Berna sentou-se de uma vez – Algum problema?
- Bella voltou para casa... – falou simplesmente, fazendo com que a senhora fizesse uma cara espantada.
- Bella voltou para casa? – um sorriso brotou no rosto da senhora - Onde ela está?
- Ela está no antigo quarto dela... O senhor Moore conseguiu convencê-la a voltar e nós conversamos um pouco ontem... – falou, a desesperança em seu tom de voz - Ela está em casa, mas não me perdoou... E nem sei se vai me perdoar, Berna...
- O que vocês falaram ontem? – perguntou Berna – O que aconteceu?
Enquanto bebericava um pouco de café e comia das guloseimas preparadas pela sua adorada governanta, ele contou toda a conversa que teve com a esposa na noite anterior, falando da maneira magoada que ela reagiu e do pedido para que tivesse um tempo para pensar.
- Não fique triste assim – Berna tinha um tom maternal na voz - Apenas faça o que ela te pediu e deixe com que ela se acalme antes, assim tenho certeza que ela irá te perdoar, seu Edward...
- Assim eu espero, Berna... Assim espero... – Edward tomou um ultimo gole do café e levantou-se - Vou ter que trabalhar, pois tenho muito o que resolver na empresa e ficar em casa não adiantará nada...Tome conta de Bella para mim, não deixe que ela se sinta sozinha Berna...
- Eu vou tomar conta, não se preocupe... – a senhora sorriu e apertou as mãos do patrão entre as suas - Pode ir trabalhar em paz por que a sua esposa estará bem sob a minha responsabilidade... Daqui a pouco eu levo o café da manhã dela e aproveito para conversar um pouco e quem sabe ela não me ouve?
- Obrigada Berna... Obrigada por ser sempre tão leal a mim. – Edward agradeceu com um sorriso de esperança no rosto.
Ele confiava que Berna conseguiria com que Bella ouvisse o que ela tinha a dizer.
Sentada em sua cama, Bella estava perdida em pensamentos, enquanto rodava a aliança que havia recolocado no dedo a fim de manter as aparências de um casamento sem problemas.
Na noite anterior ela quase não dormiu, pois além do sentimento de culpa que carregava por não ter resistido à Edward, ele foi tomada por lembranças conflitantes onde todos os bons momentos vividos com o marido voltaram-lhe a cabeça, mesclados com os momentos de desilusão vivenciados nos últimos dias.
Seu coração mandava que ela perdoasse o marido e se entregasse a ele, mas sua razão mandava que ela resistisse aos seus impulsos até que tivesse absoluta certeza das intenções de Edward.
Ela queria acreditar em tudo o que o marido tinha lhe dito da noite passada, que ele a amava e tinha escondido toda a verdade para protegê-la... Ela queria lhe dar uma chance de tentar concertar os erros, mas seu lado racional dizia que não era para perdoá-lo tão cedo porque, mesmo que todas as palavras ditas fossem verdade, ainda assim ele havia agido errado com ela e deveria ser punido.
E se nada tivesse mudado para ele? E se ele não tivesse passado a amá-la?
Edward, com certeza, a faria sofrer muito mais do que estava sofrendo agora, então ela tinha que ser forte e não se deixar ser levada pelo coração.
Ela não podia perdoá-lo com tanta facilidade.
- Bella... Posso entrar?- Berna parou na porta do quarto, um pouco desconfiada e trazendo nas mãos uma bandeja – Trouxe seu café da manhã... E vim te ver um pouquinho, falar com você...
- Oi Berna... – um pouco surpresa com a visita, Bella virou-se para a porta e fitou a governanta - Pode entrar sim... Venha cá.
Entrando no quarto vagarosamente e colocando a bandeja na mesinha ao lado da cama, a senhora sentou-se na poltrona em frente à Bella.
- Se eu soubesse que aquela encomenda fosse causar tanto sofrimento para você e Seu Edward, eu teria colocado aquela mulher para correr e dado fim naquela caixa... – Bernadete olhou séria para a patroa - Eu me sinto culpada por ter te entregado aquilo!
- Nada do que aconteceu foi sua culpa Berna... – Bella falou com sinceridade, pois não queria que a sua amada governanta se sentisse culpada por algo que não estava ao alcance dela impedir – Um dia eu teria que saber de tudo o que Edward aprontou com meu pai... E se ele não teve coragem de me contar, tinha que ter consciência que um dia toda a verdade viria a tona... Alguém ia me contar, mesmo sem querer, eu poderia achar o documento por acaso, ou até uma louca me mandaria uma encomenda, como aconteceu!
- Sei que não é minha culpa, mas eu não gosto de vê-los sofrer tanto e queria ajudar... – ela olhou de soslaio - Eu não devia estar me intrometendo nos seus assuntos com o seu marido, mas gosto muito de vocês para apenas assistir a esta situação sem fazer nada... Então queria te dizer umas coisas, Bella...
- Pode falar Berna... – Bella deu um sorrisinho confiante - Não se preocupe que não vou achar que você está se intrometendo... Você tem liberdade para falar o que quiser comigo.
Ela estava disposta a ouvir o que Berna, uma das pessoas que Edward mais considerava e confiava, tinha a lhe dizer sobre os últimos acontecimentos da sua vida e a de seu marido e assim colher mais informações para que pudesse tomar a decisão certa quanto ao futuro do seu casamento.
- Bella, apenas me ouça e reflita o que vou te dizer... – ela pegou as mãos da patroa com carinho – Eu nunca tinha visto Seu Edward no estado que ele ficou nestes dias em você esteve fora... Ele estava em um estado de desespero que eu nunca pude imaginar que ele ficaria... Ele não se alimentava direito, não se preocupava com o trabalho, passava o dia inteiro à espera das ligações da menina Alice para saber noticias suas e por fim, aceitou até a ajuda do advogado da empresa para te trazer de volta para casa... Tenho certeza que se ele não te contou nada antes foi apenas para te proteger... Ele não queria te fazer sofrer Bella...
Bella sentia o coração palpitar, pois apesar de ter sido informada pela prima e cunhada e ter visto com seus próprios olhos no dia anterior um pouco do sofrimento de Edward, ela não imaginava que ele estivesse ficado naquele estado tão devastado!
Bella não falou nada e levantou o olhar para Berna
Ela ainda queria ouvir mais o que a senhora tinha a lhe dizer.
- Vocês fazem um casal tão lindo, ele gosta tanto de você, Bella... – Berna continuou, observando a expressão impassível de Bella - Eu fico triste com isto tudo acontecendo, vocês brigados... Não gosto de vê-los sofrer desta maneira. – ela sorriu um pouco - Eu vi este amor florescer em vocês... Mesmo que Seu Edward, no início, não tenha me contado nada sobre este casamento repentino, eu sabia que vocês não passavam de completos estranhos quando se casaram, mas com pouco tempo isto mudou e eu vi um milagre acontecer! – o sorriso cresceu - Eu assisti vocês se apaixonarem aos poucos... Eu vi vocês mudando por causa do amor que estava nascendo e isto foi muito real e poderoso! – Berna apertou a mão de Bella - Sei que é difícil para você, mas tente perdoar seu marido, faça um esforço... Faça com que eu veja o milagre acontecer outra vez...
Bella sorriu para a governanta e a abraçou carinhosamente. Era bom saber que poderia sempre contar com o valioso apoio da sua adorada e sempre sábia Berna.
- Obrigada por suas palavras Berna... – ela sussurrou grata - Quem sabe um dia tudo possa voltar a ser como antes para mim e para Edward? Quem sabe daqui a um tempo eu possa voltar a amá-lo como antes? Quem sabe? – desfez o abraço e olhou para a senhora - Mas entenda que agora eu preciso de um tempo, Berna... Eu preciso pensar em tudo o que aconteceu e decidir o que fazer...
No fundo, mesmo com raiva e magoada com o marido, Bella queria de volta a vida tranqüila e feliz que levava com ele.
OOOO
Uma semana se passou desde que, com muita ajuda, ele tinha conseguido levar Bella de volta para casa e o seu sofrimento e angustia em nada haviam diminuído, pois a sua esposa continuava irredutível em não querer nenhum tipo de conversa e contato com ele.
Edward não mais se arrumava com o capricho de antes para o trabalho, vestindo-se com desleixo, deixando a barba crescer e o cabelo, que outrora ela milimetricamente arrumado, agora se encontrava bagunçado. Ele agora se atrasava para os seus compromissos e por diversas vezes saiu mais tarde do que o habitual para trabalhar esperando que uma hora Bella desistisse de ignorá-lo e viesse conversar com ele.
Sua mãe havia telefonado no dia seguinte à volta da sua esposa e muito preocupada com ele, lhe contou que Alice e Rosalie haviam ligado para ela e contado tudo o que tinha acontecido entre ele e a esposa, alertando-a sobre as circunstancias do casamento, o motivo da briga e como eles dois estavam sofrendo com isto tudo.
Edward ficou apavorado com a reação da mãe às verdades do seu casamento, mas Esme, muito tranqüila, apenas lhe disse que não importava mais como a história deles tinha começado e o que era essencial agora era reaproximá-los e assim dá-los a chance de continuar a linda jornada de descobertas, aprendizado e amor que eles haviam iniciado, deixando Edward mais do que aliviado por não ter mais que esconder aquele segredo da sua mãe.
Depois de uma conversa franca com Jasper Hale, onde eles falaram abertamente sobre o fatídico acordo, conseguindo o valioso apoio do assessor na tentativa de reconquistar a sua esposa, Edward se sentiu à vontade para falar sobre os planos e assim comunicar que a partir daquele dia o jovem rapaz teria que se empenhar ainda mais nas suas funções e também passaria a assumir algumas novas atribuições, pois o executivo o estava preparando para que fosse capaz de substituí-lo em qualquer situação dentro da empresa.
O plano de Edward era fazer de Jasper seu substituto perfeito, para que pudesse trabalhar cada vez menos e dedicar mais tempo para a sua Bella.
Sempre observando o marido a uma distância segura e o vendo sofrer tanto quanto ela, Bella passava seus dias evitando estar no mesmo recinto que ele. Para ela era doloroso ter de resistir às caras arrasadas e aos resmungos baixinhos que Edward lhe lançava nas poucas vezes que se encontravam por acaso pela casa e mais ainda, era muito difícil ter que resistir a grande atração que ele exercia sobre ela.
Se eles continuassem a conviver como antigamente, não demoraria para que Bella sucumbisse às suas vontades e o reivindicasse de volta.
As famílias tentavam não interferir diretamente na situação do casal, mas a cada encontro de Bella com sua prima, com sua tia, sua cunhada e até com seu primo, a única coisa que ela ouvia eram pedidos para que ela reconsiderasse tudo o que havia ocorrido e desse uma nova chance ao marido.
Ela os ouvia atentamente, mas sempre respondia que ainda não era tempo de perdoar.
Para que eles tivessem a vida que ela sonhava para si era preciso confiar nele incondicionalmente mais uma vez.
Sentada em um dos sofás do seu ateliê e ouvindo música clássica, Bella se sentia cada dia mais sensível e chorosa toda vez que pensava na tortura que havia se tornado a sua vida naqueles últimos dias.
Será que ela nunca iria conseguir se livrar de Edward e dos seus sentimentos por ele?
Será que os seus relacionamentos amorosos estavam fadados a serem sempre mentirosos, enganadores e dolorosos?
Ela seria para sempre infeliz?
Edward... Seu coração palpitava apenas em ouvir o seu nome...
Ela amava Edward, disto tinha certeza, mas era muito difícil conviver ao mesmo tempo com este sentimento tão nobre e com a desconfiança.
Ela ainda precisava de tempo... Um tempo para fazer com que seu coração se acalmasse.
Um tempo para ela deliberar todos os acontecimentos e assim poder voltar a ser a Bella de Edward.
A Bella, livre, feliz e apaixonada que foi um dia.
Para ela, não bastava que ele reafirmasse que a amava a cada palavra. Ela precisava de uma prova concreta deste amor.
Ela precisava que Edward desse, em suas ações e gestos, uma nova prova de que ela pode confiar nele sem medo e assim fazer com que ela esquecesse todo o passado...
O testamento do seu pai... A exigência de um casamento por conveniência... Os maus momentos... O acordo... Sua infelicidade com isto...
Um dia eles poderiam recomeçar... Construir uma nova vida e assim serem mais felizes!
Concentrando-se na melodia que ecoava pela sala, Bella buscou tirar Edward dos seus pensamentos, mas o rosto arrasado dele voltava à sua mente a cada segundo... A todo tempo ela relembrava os apelos mudos daqueles olhos verdes e misteriosos
Ela estava quase enlouquecendo!
Edward estava lhe tirando o seu juízo!
Quando chegou em casa naquela noite, Edward resolveu passar um tempo na beira da piscina para pensar um pouco na vida e desestressar do dia atribulado que teve na empresa, mas ao subir ao ultimo andar do seu apartamento ouviu uma música suave vinda do ateliê da sua esposa.
Seria possível que ela ainda não estivesse trancafiada em seu quarto como o de costume nos últimos dias?
Ele estava cumprindo o que Bella havia lhe pedido... Estava dando o tempo que ela disse necessitar, ficando o mais distante possível e evitando confrontá-la, mas como Bella só vivia se escondendo dele, não podia perder esta oportunidade de estar junto a ela... De tentar fazer com que ela o ouvisse!
Entreabrindo a porta da sala, encontrou a esposa recostada no sofá com os olhos fechados, parecendo deleitada com a doce melodia que preenchia o recinto e esta era uma visão linda!
Sem tirar os olhos da sua Bella e ainda em silêncio, ele deu alguns passos e postou-se diante dela.
Ele queria tentar, mais uma vez, convencê-la das suas boas intenções.
- Edward, o que você faz aqui? – Bella perguntou ao abrir os olhos e ver o marido parado à sua frente, com uma expressão enigmática.
- Shiiii... Me deixe falar por favor Bella. – ele se aproximou, ajoelhando na frente dela - Eu estou te dando o tempo que você me pediu, mas preciso te dizer umas coisas... – deu um meio sorriso -Você me ouve só um pouquinho?
Impressionada com a imagem triste do marido, Bella piscou os olhos e assentiu, balançando a cabeça de leve.
Ela não tinha como negar aquele pedido.
- Eu sei que está sendo difícil para você passar por tudo isto. Eu sei que é complicado confiar em alguém que te escondeu coisas tão importantes, mas acredite em mim, meu amor... – ele continuou, fitando os olhos confusos da esposa com intensidade – Eu fiz isto pensando em seu bem... Eu não queria que você sofresse por causa de uma coisa que, para mim, não tinha mais importância e agora vejo como fui errado... Mesmo com todas as mudanças que ocorreram em nossas vidas desde a revelação daquele testamento, mesmo que nossos sentimentos tenham mudado e que o nosso casamento tenha se tornado algo bom e não o tormento que imaginávamos que seria, eu devia ter te contado sobre o acerto que eu fiz com seu pai... Eu não devia de certa forma, ter te enganado... Eu não podia ter permitido que você passasse por todo este sofrimento...
Edward passou os dedos pela bochecha da esposa, que entorpecida apenas fechou os olhos por um momento e aproveitou do carinho.
Mais uma vez, ela sentiu todo seu corpo se arrepiar ao toque dele.
- Bella, eu tenho consciência de que fui um canalha com você, mas preciso que você me dê mais um voto de confiança e uma chance de te mostrar o quanto eu te amo e te quero feliz... – ele sorriu leve ao vê-la relaxando - Eu não estou bem, você não está bem... Vamos tentar fazer diferente... Vamos voltar a viver em paz...
Ela também queria viver em paz. Queria ser feliz, mas ela não confiava mais em Edward.
E também não confiava nela mesma.
- Edward... Se você me ama mesmo, deixe que a ferida se cure e quem sabe assim nós possamos chegar a uma situação nova. – fez seu melhor tom de voz frio, apesar de estar fervilhando por dentro – Eu fiz o que você me pediu e ouvi o que você tinha a me dizer, mas ainda não posso te responder nada... Ainda está tudo muito recente e dói muito. – resolveu ser sincera - Agora você poderia voltar a me deixar sozinha?
Ela odiava ser fria com Edward... Odiava ter que agir racionalmente quando seu coração mandava que ela esquecesse tudo e o aceitasse de volta.
Ela odiava ver Edward naquele estado de tristeza, mas era preciso fazer isto.
Ele precisava provar do seu próprio veneno.
Cabisbaixo, Edward se levantou e caminhou até a porta.
Ele faria, mais uma vez, a vontade dela, mas antes precisava lhe dizer mais algumas palavras.
- Bella, saiba que eu não vou desistir de você tão fácil... Não sem lutar, não sem tentar... Eu vou lutar todos os dias e com toda a minha força para te ter de volta... Pra ter a nossa vida feliz de volta. - prometeu a ela e também a si mesmo.
Ele não desancaria enquanto não tivesse Bella de volta.
OOOO
Naquele meio de tarde Bella estava meio aérea na aula. Enquanto a professora de empreendedorismo discursava sobre algum assunto chato, ela não ouvia nada e apenas desenhava figuras aleatórias em seu caderno.
Duas semanas já havia se passado desde a sua volta para casa, e na manhã daquele dia Bill Moore havia lhe procurado para conversar sobre a possibilidade anteriormente levantada de existir uma maneira de que não fosse mais preciso que ela ficasse casada com Edward para poder ter direito à sua herança.
Apesar de temerosa em saber sobre o assunto, ela havia aceitado se encontrar com Bill Moore em um restaurante perto da faculdade e a conversa deles não durou mais do que meia hora, pois quando o advogado lhe contou sobre as possibilidades encontradas para anular o testamento e que também havia conversado com Edward naquela manhã e que o mesmo não lhe pareceu muito interessado no assunto, Bella, sentindo-se um pouco tonta e confusa, apenas disse ao simpático senhor que conversaria com o marido e a partir do que fosse decidido daria uma resposta a ele.
Se livrar de uma vez daquele casamento... Se separar de Edward...
Isto era o que ela mais queria no primeiro momento. Foi a coisa que ela mais desejou quando soube do testamento de seu pai e também a poucos dias atrás, quando soube do acordo, mas agora...
Agora ela não sabia mais o que queria...
Quanto mais ela pensava na possibilidade de se separar de Edward, mais odiava esta ideia.
A cada semana que se passava, as emoções e pensamentos dela se tornavam mais conflitantes. Cada vez mais, ela não imaginava a sua vida sem Edward, mas como viver em paz se a confiança estava quebrada?
Ela não sabia como conviver com isto!
Em vez de amá-lo desesperadamente como ela o amava, o certo era odiá-lo e desprezá-lo por ter jogado com a sua vida, com o seu destino...
Não era certo querer ficar com ele... Não era racional!
Como não era racional jogar a vida feliz que tinha construído para o alto por causa de um capricho, um mal entendido...
Aquela conversa ainda martelava em sua cabeça e tentando se distrair, Bella voltou a desenhar mais algumas figuras sem nexo no caderno.
Ela tinha que achar alguma solução para seus problemas.
- Bellinha, você vai na festa da Jane hoje, não vai? – Marie chamou atenção da amiga, assim que a professora dispensou a turma.
- É hoje o aniversário dela? – Bella fechou seu caderno e sorriu para a ruivinha, que apenas assentiu – Onde ela vai comemorar?
- Vamos sair depois da ultima aula... Estamos pensando em ir a um bar mexicano que inaugurou em Camden – Marie sorriu e sentou-se no braço da cadeira de Bella – Prometo que não demoramos muito... Só vamos comemorar e passar um tempo de qualidade com as amigas... Venha com a gente amiga!
Tentando esquecer seus problemas por umas horas, Bella resolveu aceitar o convite de Marie e sair para se divertir um pouco com as suas colegas de faculdade.
Ela estava precisando relaxar e esquecer um pouco dos seus problemas em casa e principalmente, seria muito bom passar mais algumas horas fora de casa, sem precisar se trancar no quarto sozinha para se esconder de Edward.
- Vou sim! – falou decidida - Preciso me distrair um pouco mesmo... E também ando em falta com vocês... Nunca mais pude participar das reuniões que vocês fazem.
- Oba! – Marie bateu palminhas animada pela concordância da amiga - Então só mais uma aulinha chata e depois a diversão!
Depois que o ultimo professor liberou a turma, Bella e suas amigas seguiram animadas para o mais novo bar da cidade, e sentando-se em uma mesinha discreta no canto, deram inicio à comemoração planejada para aquele começo de noite.
- Bella, hoje você não vai avisar em casa que vai chegar um pouco mais tarde?
Desde que Bella tinha se casado ela raramente ficava fora de casa até tarde e quando precisava chegar depois do marido por causa de algum trabalho da faculdade ou nas poucas reuniões de amigos que participava, ela sempre informava ao marido ou à governanta.
- Não... – Bella deu de ombros - Edward nunca chega cedo... E também não devo satisfação da minha vida a ele! – olhou desafiadora para a amiga.
- Amiga, o que está acontecendo com você e Edward? – perguntou preocupada com o comportamento estranho que a amiga estava tendo desde cedo - Vocês brigaram?
- Eu não quero falar sobre isto Marie... Hoje quero esquecer os meus problemas com Edward e apenas me divertir! – ela pegou uma dose de tequila e riu. –Vamos beber e comemorar esta noite linda! – levantou o copinho – Vamos brindar a nossa amiga Jane!
- Viva a Jane! – as amigas brindaram e viram os copinhos, bebendo todo o conteúdo.
Esta era a noite divertida que Bella estava precisando para acalmar seus pensamentos.
Enquanto Bella se esquecia do mundo e celebrava com as amigas, Edward seguia para casa, cansado. Seus dias tem sido exaustivos por conta da carga de responsabilidade na empresa e do clima tenso em casa. Ele não tem nem dormido e nem se alimentado bem, perdendo o sono e o apetite tamanho é o seu sofrimento por ter a sua Bella tão arredia e magoada com ele.
E como se não bastasse tudo isto, para completar o seu tormento, naquela manhã o Sr. Moore ainda havia lhe procurado para falar sobre alternativas de anular o testamento de Charlie e assim liberá-lo do casamento. A sua mente se manteve distante durante toda a conversa e ele só passou a prestar atenção na fala do Moore quando o nome de Bella foi mencionado. O advogado comunicou de que conversaria com Bella ainda naquela semana e que a partir da decisão dela, voltaria a contatá-lo para resolver as questões formais de um documento que precisaria ser redigido e assinado por eles.
Anular o testamento de Charlie... Algo que ele não desejava, mas que poderia ser a solução perfeita para que Bella pudesse se separar dele sem problemas.
Buscando encontrar a esposa e chamá-la para uma conversa franca sobre as alternativas apresentadas pelo advogado, Edward chegou em casa mais cedo e saiu por todo o apartamento procurando por ela, sem sucesso.
- Berna, você sabe onde está Bella? – ele encontrou a governanta na cozinha, dando as ultimas instruções para o jantar – Já procurei por toda a casa e não a encontro.
- Ela saiu na hora do almoço dizendo que ia a uma reunião importante e ainda não chegou... – Berna falou ao patrão fazendo uma careta – Ela não avisou onde está?
- Não Berna, ela não me avisou... Ela te disse com quem iria se encontrar?
- Com quem ela estava indo se encontrar não, mas me disse que tinha que ir até a faculdade e que não iria almoçar... – Berna tentou o acalmar – Vai ver que ela está fazendo alguns daqueles trabalhos complicados que ela sempre faz para a faculdade.
- Vou ligar para ela então.
Preocupado com o sumiço de Bella, Edward ligou para o celular dela, mas ela tinha desligado o aparelho, sendo a ligação direcionada para a caixa postal.
Milhões de pensamentos passaram pela cabeça do jovem e um em especial o fez temer.
E se Bella estiver conversando com Bill Moore?
E se ela já soubesse que tinha uma maneira de se livrar dele para sempre?
Edward desabou no sofá da sala, derrotado.
Ela não podia deixá-lo... Ela não podia fazer isto...
- Alguma noticia da Dona Bella? – Berna se aproximou do patrão que negou com a cabeça – O jantar está pronto... Se o senhor quiser eu o sirvo.
- Não Berna, vou esperar Bella chegar. – ele levantou a cabeça e mirou sua governanta - Deixe a mesa arrumada e se você quiser pode ir... Dispense os outros empregados também, por favor.
- Eu vou então, mas se o senhor precisar de alguma coisa não hesite em me ligar.
- Eu ligo sim Berna, pode ficar despreocupada – ele falou, fingindo um sorriso.
Assim que Berna saiu, ele foi até o bar e se servindo de uma dose de whisky, ligou o som baixo e começou a sua espera pela esposa.
- Onde Bella se meteu? – sussurrou para ele mesmo, cansado.
Depois de alguns minutos apreciando da musica e da bebida, impaciente, tirou o paletó, arrancou a gravata e descalçou os sapatos...
Oito horas da noite... Pelo visto, a sua espera seria longa.
Ele deitou com um braço descansando na testa e passou a pensar em Bella... Ele que já não sabia mais o que fazer para reconquistar sua pequena... Ele já tinha tentado de tudo, já tinha contado toda a verdade, já tinha deixado-a em paz, como era da sua vontade, já tinha tentado conversar e ela continuava irredutível!
A esta altura, seu maior medo é perde-la de vez.
Nove horas da noite... Ele se levantou e vou até a janela olhar o movimento da rua.
Será que Bella tinha ouvido a proposta do Moore?
Será que ela sabendo das alternativas, vai querer a separação?
Se ela quiser se separar, ele acatará a sua vontade, mas não desistirá dela...
Ele não vai desistir dela nunca e vai lutar sempre para tê-la de volta...
Cada vez mais desesperado ele começou a imaginar onde Bella está...
Será que neste exato momento Bella está comemorando a sua vitória sobre ele? Será que ela está se divertindo com algum carinha por aí?
As duvidas o atormentam, mas seu coração diz que ela não faria estas coisas... Bella não é este tipo de garota, mas mesmo assim imagens de Bella feliz ao lado de outro rapaz não saem da sua cabeça...
Dez horas da noite... O tempo está passando arrastado... Ele ligou de novo para o celular. Caixa postal. Andou pela sala, tentou ver TV, por fim sentou-se na penumbra, apenas com uma luminária acesa.
As horas passam, algumas doses de uísque a mais, várias tentativas frustradas de falar com ela ao celular.
Ele já estava desesperado, ele precisava tanto da sua Bella, a amava tanto...
Ele não iria suportar perder a sua esposa...
Bella se distraiu tanto com as amigas, contando historias, bebendo tequila e sendo apenas uma jovem sem muitas preocupações, que esqueceu do tempo e acabou perdendo a hora de voltar.
Alheia da presença do marido em casa, ela abriu a porta rindo e com o andar meio cambaleante, fazendo com que Edward ficasse de pé no meio da sala parcialmente escura.
- Edward? – falou com a voz embolada, típica de quem tinha bebido ao notar uma pessoa imóvel à sua frente. – Eu não esperava que você estivesse em casa...
Edward a fitou por um momento, com um olhar analítico, os braços cruzados e uma cara de poucos amigos.
Bella tinha bebido, isto ele tinha plena certeza.
- Posso saber onde você estava até uma hora dessas? E porque não atendeu o seu celular? –questionou em um tom de repreensão.
Pegando o aparelho na bolsa, Bella percebeu que não havia religado o celular depois que saiu da aula e mesmo que não atender o marido não tenha sido intencional, ela não se entregou.
Com a bebida, ela se sentia corajosa e além de não estar gostando do tom autoritário que ele está usando, ela também queria desafiá-lo e testá-lo mais uma vez.
- Isto não é da sua conta Edward Cullen! – gritou - A paz e confiança que nós construímos foram quebradas com aquela aposta ridícula – deu alguns para perto dele - Você pensou que eu não iria voltar? – fez uma cara sarcástica – Eu não vou fugir de casa Edward... Nem se preocupe...
- Não pensei que você fosse fugir, Bella... – tentou soar ameno para não brigar com ela naquele estado de embriaguês - Eu estava preocupado com você... Me diga onde você estava, por favor.
- Eu estava na festa de aniversário de uma colega com Marie – Bella revirou os olhos como forma de provocação. – Satisfeito?
Então Bella estava com as amigas e não com o Moore?
Edward estava feliz por ela não ter ouvido as perigosas propostas do advogado, mas apesar do alivio momentâneo, ele se sentiu aborrecido por ela tê-lo deixado tão preocupado.
- Em uma festa? – Edward praticamente rosnou - Eu aqui desesperado, louco de preocupação e você estava se divertindo com suas amigas, Isabella? - se aproximou mais dela – Você poderia ter avisado a mim ou a Berna que iria chegar tarde... Aliás, você deveria ter me chamado pra ir junto, afinal, para todos os efeitos, nós somos um casal.
- Até que se prove ao contrário, o nosso casamento é uma mera transação comercial com data marcada para terminar! – ela gritou. – Então nada de te levar para onde você não é bem vindo!
Era claro que desejava que Edward estivesse com ela em todos os momentos... Ele não lhe saía dos pensamentos e até nos momentos que tentava bloqueá-lo na sua mente, era nele, no lindo homem que era seu marido que ela lembrava... Mas ainda assim, mesmo desejando a sua presença mais do que tudo, ela continuou mentindo e provocando-o.
- E além do mais, a conversa com as minhas amigas estava tão boa que nem me lembrava da sua existência para que me importasse em te avisar a hora que chegaria em casa. – notando o olhar de Edward vidrado nela, completou com uma gargalhada.- Eu não me importo com você!
-Que dizer que você não se importa comigo e nem lembrava da minha existência, Isabela? – cheio de ciúmes, Edward a segurou pelos ombros - Pois eu vou te recordar de como eu estou presente em sua vida...
Em um movimento rápido, Edward imobilizou a esposa, colando seus lábios nos dela por um instante.
Ele tinha que fazer com que Bella lembrasse a todo o momento a quem ela pertencia!
- Me deixe em paz Edward! – Bella se desvencilhou dos braços fortes e correndo para longe dele, passou a mão por seus lábios - Você já não conseguiu o que você queria? Você já não é presidente da sua empresa que você ama tanto? Eu não represento o papel da esposinha perfeita para a sociedade? – irritada, mirou em seus olhos – Então deixe que eu viva a minha vida em paz!
Com um meio sorriso nos lábios, Edward se aproximou de Bella e segurando seu rosto, a beijou outra vez.
- Eu já te disse, sua teimosa... – ele passou os lábios para o ouvido dela e sussurrou pausadamente - Eu não quero a empresa, eu quero você!
- Você não vai arruinar ainda mais a minha vida! - após deferir-lhe um forte tapa no rosto, Bella saiu correndo escada a cima – Saia de perto de mim Edward, eu te odeio!
Olhando para Bella incrédulo e com a mão no rosto, a raiva de Edward cresceu e ele perdeu a cabeça.
Desejo. Paixão. Ciúmes. Desespero. Medo...
Eram muitos sentimentos juntos!
Ele não queria brigar, mas era impossível.
Isabella era impossível!
Aquela mulher o enlouquecia!
Mas isto não ia ficar assim, não mesmo...
Ela ia aprender a não desafiá-lo nunca mais!
- Volte aqui Isabella! – ele a alcançou no alto da escada e tomado pela raiva pegou-a pelo braço, com força - Agora você vai aprender a me tratar direito, sua...sua... sua megera mal educada!
- Me solte seu maluco, eu não te quero nunca mais! - ela puxou seu braço das mãos fortes de Edward e tentou se afastar, mas ele voltou a segurá-la.
- Repete Isabella... – passou as mãos para cintura e desesperado, pousou os lábios no pescoço macio e alvo da esposa – Repete que você não me quer... Minta para mim...
- Eu não te quero mais, Edward Cullen! – ela gritou, se debatendo nos braços dele – Me solte!
- Não lute contra mim simplesmente por lutar, Bella... - ele murmurou sensualmente, junto à sua boca - Não quando você me deseja tanto quanto eu te desejo.
E com um movimento rápido, levantou-a do chão e a jogou sobre seus ombros, fazendo com que as pernas balançassem enquanto, ela socava suas costas e gritava sem parar.
Tomado pelo ódio e sem pensar direito, Edward mal ouvia os protestos gritados e os tapas que a esposa lhe dava.
A única coisa que ele desejava era fechar o imenso vazio que sentia no peito... Um vazio que era causado pela falta que ele sentia daquela mulher que agora o agredia.
Ainda com Bella nos braços, ele chutou a porta do quarto e a jogou na cama, parando sobre o corpinho delicado e trêmulo.
- Agora você vai aprender a não me desprezar, Isabella – ela falou e feroz partiu para cima dela, beijando o seu pescoço, enquanto tentava desabotoar a camisa que ela vestia.
Enquanto se debatia e socava o peito de Edward sem parar, um flashback instantâneo da noite com James surge na mente de Bella. Seu subconsciente trouxe à tona todas as terríveis imagens do fatídico dia que visitou o primeiro namorado no quarto da faculdade e ele praticamente a estuprou.
Bella tinha consciência de que Edward não é um sórdido como o James, mas o trauma que ela trás em sua vida e a semelhança das situações, fez com que ela fique desesperada.
Ela não agüentaria passar por uma situação parecida... Não com Edward...
Não com a pessoa que aprendeu a amar tanto.
- Não faz isto, Edward... – Bella finalmente gritou, mas ele parecia não lhe dar ouvidos, pois com um puxão violento conseguiu arrancar-lhe a camisa e desceu em um caminho de beijos violentos por seu pescoço e ombros.
- Para Edward, por favor... – tentou outra vez, usando toda a sua força para afastá-lo, mas ele conseguiu imobilizar suas mãos acima da sua cabeça.
Aquele não é o Edward que ela conhecia... Ela não conseguia reconhecer nenhum traço do seu gentil marido naquele homem bruto que estava sobre seu corpo.
Edward estava fora de si e esta constatação fez com que o desespero de Bella crescesse.
- Me solta... – ela clamou uma ultima vez, com a voz engasgada pelo choro que não conseguia mais conter – Edward... Por favor...
Neste momento Edward finalmente despertou e olhando a cara desesperada da esposa, se deu conta da atrocidade que está cometendo.
Ele estava praticamente violentando a sua Bella!
- Me desculpa meu amor... Eu não queria fazer isto... – ele rolou para o lado, libertando Bella do seu peso - Eu perdi a cabeça... Me desculpa...
- Você é um monstro, Edward! – ela gritou - Um monstro insensível!
Olhando para o marido apavorada, Bella apenas recolheu a sua camisa e correndo sem parar saiu do quarto e desceu pelas escadas de incêndio do edifício, até alcançar a rua.
Ela precisava se livrar o mais rápido possível daquela pessoa horrível que Edward havia se transformado.
- Espera Bella! Me ouça por favor.. Eu te amo e só te quero de volta!
Edward se apressou para alcançá-la o quanto antes, disparando pelas escadas, mas a cena que ele viu a seguir fez com que ele parasse estático por um momento.
Sem que pudesse fazer nada para evitar a tragédia, ele assistiu a sua Bella atravessar a rua rapidamente e um carro, depois de uma tentativa de frenagem frustrada bater nela, a arremessando longe.
- Bella! – colocando as mãos na cabeça, desesperado - Meu Deus, o que foi que eu fiz?
Varias pessoas se aglomeram em volta de Bella, o motorista parou o carro, vizinhos do seu edifício apareceram nas janelas, mas Edward só tinha olhos para a sua esposa no chão.
- Bella! – gritou outra vez, correndo até o lugar onde ela estava caída e se agachando ao seu lado – Bella, meu amor você está bem?
- Ela se jogou na frente do carro... Não teve como parar antes... Me deixe ajudar, eu sou médico – o motorista tentou argumentar, olhando para o casal.
- Não! Eu cuido dela! – Edward gritou, afastando o rapaz com um pequeno empurrão - Só chama uma ambulância, por favor...
Sentando-se no chão, ele a amparou nos braços, fazendo com que ela lhe lançasse um olhar sofredor.
- Edward... – choramingou, levando a mão até a testa, onde tinha um corte aberto – Está doendo tudo...
- Vai passar pequena... Vai passar... – aceitando um lenço de uma das pessoas que os observava, ele estancou o sangramento – Fica quietinha que o socorro já vem...
- Dói muito... dói... – ela tinha voz cada vez mais fraca, as lágrimas escorrendo pelo rosto – Eu não agüento...
Olhando os outros ferimentos e a expressão de dor da sua pequena, Edward tentou aninhá-la um pouco mais em seu colo, mas ela apenas gemeu baixinho e fechou os olhos.
– Bella, abra os olhos... Olha para mim, minha pequena! – gritou desesperado, colocando uma das mãos no rosto cada vez mais pálido da sua esposa.
Ele não podia perdê-la... Não podia!
– Por favor, Bella... Fica comigo... Eu não queria fazer isto... – ele falava freneticamente enquanto alisava a bochecha dela– É tudo culpa minha! Me perdoa, meu amor... Eu te amo, minha Bella...
Ouvindo os apelos do marido, Bella abriu os olhos e o fitou, mas a cada segundo tudo se tornava mais sem forma para ela...
Era com se as mãos de Edward não estivessem a segurando mais... Como se a sua voz estivesse distante... Como se os seus carinhos estivessem cessados... Como se um buraco escuro estivesse sugando-a para um lugar escuro e frio... E antes que fosse levada para longe dele, ela precisava dizer que o perdoava para ele não se sentisse culpado caso algo de ruim lhe acontecesse.
Reunindo suas ultimas forças e com um sussurro, Bella verbalizou o que sentia.
- Edward, meu amor... Eu te perdoo...
E estas foram suas ultimas palavras, antes de desfalecer nos braços do marido e ser levada de vez pela escuridão.
