A VERSÃO DE CHARLIE SWAN DA APOSTA

A decisão

Charlie Swan

- Charlie, as notícias que tenho a te dar não são nada boas... – Dr. Meyer, meu médico a muitos anos, me olhou com uma expressão preocupada no rosto, enquanto lia os resultados dos meus últimos exames.

- Eu estou doente? – perguntei preocupado pois uma vez ao ano fazia um check-up completo e estes exames nunca apontaram nada de preocupante.

- Está sim... – ele tomou fôlego – Você desenvolveu um problema cardíaco sério e precisará de muitos cuidados daqui para frente.

- Problema cardíaco? - eu o olhei com uma expressão descrente pois estava me sentindo muito bem disposto. A não ser por alguns episódios de tontura, eu poderia dizer que nunca me senti tão bem.

- Problemas cardíacos sim... E pela experiência que tenho, posso te dizer que se você não começar a se cuidar imediatamente, terá pouco tempo de vida.

Notando a expressão de espanto que eu fazia, o médico tentou me tranqüilizar, falando que, se eu seguisse todas as recomendações, dieta e tomasse a minha medicação conforme prescrito o meu tempo de vida seria muito maior.

Com a cabeça cheia de pensamentos, sai do consultório médico e fui direto para a minha empresa tentando me acalmar.

- Não quero ser incomodando nesta tarde. –parei em frente à mesa de Jules, minha secretária a muitos anos, com cara de poucos amigos.

- Mas, Sr. Swan... O senhor tem varias reuniões... – ela começou a falar olhando a agenda à sua frente.

- Não importa Jules! – falei mais alto e a secretária tremeu com o meu tom de voz – Desmarque-as e avise a todos que quero ficar sozinho.

Andando rapidamente, entrei em minha sala e depois de bater a porta, me joguei em minha poltrona arrasado com o meu prognóstico.

Nunca pensei em que eu me sentiria assim tão abalado com a possibilidade da minha morte iminente, mas eu ainda tinha uma missão a cumprir.

Eu não podia morrer antes que a minha Bella conseguisse se virar sozinha na vida.

Por mais que as pessoas próximas a mim achassem que eu não amava a minha filha por causa da maneira pouco carinhosa que eu a tratava, eu a amava demais.

Se duvidar, mais do que a mim mesmo... Mais do que eu amei Renée um dia.

E foi por amá-la demais que me tornei uma pessoa fria e distante com a minha bonequinha... O único pedacinho de felicidade que me restou.

Eu sempre me senti o culpado por ter acabado com a minha família, por matar a minha esposa e o meu filho, por tornar a minha sorridente garotinha uma criança infeliz, pois era eu quem dirigia o carro na fatídica noite.

Foi por sentir tanta culpa que me afastei de Bella, me enterrei no trabalho e me tornei a pessoa carrancuda que sou, pois não conseguia lidar com os fantasmas que rondavam a minha cabeça e muito menos com a infelicidade da filha.

Me afastei para o seu próprio bem... Para o meu próprio bem.

Bella sempre foi a minha bonequinha, mas, por mais que eu tentasse ser o mesmo pai amoroso de antes do acidente para ela, não conseguia demonstrar tudo o que eu sentia pela pessoa mais valiosa do meu mundo.

Incapaz de amá-la da maneira que ela merecia, passei a enchê-la de presentes, contratei a melhor governanta para cuidar dela, paguei todos os cursos de artes, línguas e dança que ela quis e anualmente fazia lindas festas de aniversário, como a que eu pretendia para comemorar sua maioridade daqui a um pouco tempo.

Eu tentava suprir materialmente, o que não conseguia emocionalmente.

Eu sempre quis o melhor para a minha filha e me alegrava tê-la por perto, tanto que quando a minha cunhada me propôs cuidar de Bella, logo após a morte de Renée, eu recusei pois achava que o lugar da minha bonequinha era ao meu lado, comigo zelando por ela.

Nestes anos, é claro que me arrependi de muitas coisas que fiz Bella passar, mas tinha consciência de que tudo o que fiz foi pensando em seu bem estar.

Me arrependo, principalmente, por não tê-la apoiado da maneira correta em momentos difíceis de sua vida, apesar de sempre, de maneira bem discreta e quase anônima, ter tomado as minhas providências para manter o seu bem estar, como agora que tenho que achar um modo de deixá-la segura, achar alguém que cuide dela com a minha possível morte.

Sabia que Bella não estaria sozinha na vida, pois ela tinha a irmã da minha esposa para zelar por ela quando eu faltasse, mas eu não queria que ela fosse dependente da tia.

Não que Elizabeth Hale não fosse uma boa pessoa, ela era uma das melhores pessoas que já conheci, mas por causa dos seus cuidados e mimos excessivos não conseguiria fazer de Bella a mulher forte e decidida que eu esperava que ela fosse.

Alem disto, eu tinha certeza que com a minha morte, Elizabeth faria de tudo para juntar a minha Bella com seu filho Jasper, que sempre foi apaixonado pela minha filha, mas nunca correspondido, pois a minha bonequinha só o via como um primo muito querido e nada mais. Ter a minha preciosidade casada e infeliz com Jasper, apenas por influência da família, não era o que eu queria, definitivamente.

Queria deixá-la segura e amparada por alguém que fizesse a minha Bella crescer, desabrochar, ser livre e realizada.

Por alguém que além de fazê-la uma grande mulher, ainda fosse capaz de administrar a minha empresa e fazê-la prosperar.

Queria deixá-la sob responsabilidade de alguém que ela, no mínimo admirasse. Alguém com quem ela quisesse estar.

Enquanto sentado à minha mesa e olhando fixamente uma fotografia da minha Bella, uma importante idéia passou por minha cabeça.

Eu sabia quem tinha todos os requisitos necessários para cuidar da minha filha na minha ausência.

A partir de agora teria eu traçar um plano para juntá-la com a única pessoa que eu tinha certeza que, além de cuidar dos interesses da minha bonequinha na empresa, ainda faria dela uma pessoa muito feliz.

E esta pessoa era o meu sócio Edward Cullen.