Capítulo onze: Começo de uma nova rotina

Por Kami-chan

Caos! Era isso que se passava na minha cabeça agora. Porque o meu despertador, o de Kai e o de Uruha tocaram exatamente ao mesmo tempo, cada um deles com uma música diferente e de bandas diferentes, mas todas eram em um rock pesado e mistura das três estava fazendo todo mundo grunhir em desagrado na cama improvisada no chão.

Merda de dia, por que tinha que chegar? A noite ainda não tinha sido suficiente para eu poder levantar da cama com o mínimo de humor necessário para aturar aquela galera toda no meu quarto.

Bati minha testa com força no travesseiro e suspirei, estava deitado de bruços, então foi menos difícil de levantar e olhar para o olhar pro lado. Kai estava choramingando e esfregando os olhos em uma tentativa não muito convincente de acordar. Miyavi cobriu a cabeça, destampando seus pés, diga-se de passagem. E Uruha fez de conta que não ouviu, desligou o despertador, virou pro lado e dormiu de novo. Eu não queria levantar, mas tinha que.

Dois minutos depois Emi entrou no quarto ligando a luz e falando animadamente para todos levantarmos, ela tinha feito wafes e torradas. Sério, eu tinha que descobrir onde trocava a pilha daquela mulher, ou será que ela era recarregada na energia elétrica? Mano, ela com certeza tinha dormido depois de mim e já estava ligada no duzentos e vinte.

– Todo mundo de pé ou vão tomar café frio! – Disse num tom birrento fazendo um a um de nós sair da cama.

– Eu não acordo, não tenho aula e trabalho só de tarde. – Miyavi choramingou em um tom abafado por estar com a cabeça encoberta.

– É mesmo, mas você tem uma avó que vai ao médico daqui um pouco e depois do hospital você vai me ajudar em um monte de coisas. E quanto ao emprego, nós passamos lá de tarde pra você pedir as contas. – Ela disse em um tom de quem não aceitaria discussões, que fez Miyavi se sentar na cama ao mesmo tempo, com cara de quem ia discutir.

– Mas Emi... – Ele começou.

– Mais nada Myv, levanta daí agora ou eu vou ter incluir falta de educação na lista de coisas que eu tenho pra debater com a tua mãe. – Disse se adiantando para onde Kou ainda dormia como uma pedra.

– Licença Emi-san, eu vou garantir minha vaga no banheiro antes que o Ruki o monopolize. – Disse Kai pedindo passagem, ao qual acreditem, minha mãe deu.

– Mãe! – Ralhei. – Se você não sair em dez minutos Kai eu vou dar suas baquetas pro Koron roer.

– Emi-san será que eu posso usar o seu banheiro novamente? – Perguntou Miyavi todo cheio de educação.

– Claro meu querido! – Ela disse já voltando a se abaixar próximo de onde Uruha dormia. Ahhh não essa eu não perder.

– Tá mãe, deixa que a boneca eu acordo.Já que perdi todas as oportunidades de tomar um banho. – Disse já me jogando em cima do corpo desacordado de Uruha, ouvindo um gemido de dor do maior abafado pelo peso do meu corpo.

– Quanto drama! – Ela suspirou se levantando e se colocando mais para perto da porta, começando a dobrar a roupa de cama em excesso que usamos.

– Imbecil! – Uruha me xingou ainda com a voz abafada.

– Acorda loira! – Gritei.

– Vai pro inferno Ruki! – Xingou sem ânimo. E sai de cima, eu preciso mijar. – Disse Uruha tentando me atingir com ombradas.

– Idiota. – Disse saindo de cima, sem deixar de "tocá-lo delicadamente nas costelas com a ponta do meu pé". Qual é, aquele loiro ainda estava me devendo uma por ter entrado naquele jogo estúpido ontem á noite.

– Por que você não se veste e se arruma no lavabo lá de baixo? – Minha mãe perguntou jogando um travesseiro em cima da pilha de roupa de cama que ela estava tirando do chão.

– Muita mão. – Sim, sou preguiçoso e isso não é exclusividade de quando eu acordo. – Sem falar que a minha maquiagem toda está dentro do...banheiro. KAIIII – Corri para esmurrar a porta.

Sabe, a mãe do Kai podia até não perceber que a pele do filho dela não era aveludada naturalmente e aquilo tudo era efeito de base, corretivo e pó, mas já era hábito o moreno se adonar do meu delineador no meio da aula para se maquiar, mesmo que superficialmente. Eu sabia também que ele limpava os olhos antes de voltar pra casa. Mas bastava ele dormir aqui e não ter que passar pela mãe dele antes de sair que o menino carregava na porção de sombra naqueles olhos miúdos.

– KAI abre essa porta agora mesmo ou eu não respondo por mim! – Porque, sabe como é né, eu não me importo de emprestar minhas coisas, mas tem produtos que se ele encostar a mão está morto.

– Eu desisto de vocês. – Ouvi minha mãe dizer com humor antes de parar com o que estava fazendo e murmurar algo como "vou pra cozinha onde não tem ninguém de TPM". Que porra seria TPM? – Ô manhê...

– Ahh me esqueci Taka, a única coisa que eu quero saber é de todos vocês arrumados e tomando café da manhã em no máximo vinte minutos. – Me cortou com ainda mais humor. Eu não conseguia ver a mesma graça que ela na situação. Vai entender essa doida.

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– Inveja de você Miyavi! – Disse Uruha se pendurando no encosto do banco do motorista, eu diria que era o Myv que tava com inveja do Uruha pela forma como nós três estávamos espremidos no bando de trás do carro, Kai quase jogado no colo do Uruha.

– Não sinta. – Myv respondeu. – Sinta raiva. – Disse pegando o telefone e começando a tirar fotos da nossa infelicidade.

– Isso não está certo, o cara não precisa ir pra aula e ainda viaja folgadão aí no banco da frente. – Ralhei, pro inferno se era obvio o motivo por ele estar lá, Myv era gigante.

– Não! De gente grande aqui já basta o Uruha. – Disse Kai em desespero, sendo esmagado por mim de um lado e por Uruha de outro.

– Mãe quando que o Miyavi vai pra escola de novo? – Perguntei.

– O quanto antes, na verdade, essa é umas das coisas que eu tenho que fazer hoje, ligar para o colégio antigo para pedir o histórico e falar com o diretor da escola de vocês. Taka você pode fazer um favor pra mim?

– Hm?

– Marca um horário pra eu conversar com o diretor da escola hoje tipo...uns quarenta minutos antes do horário do fim da aula de vocês.

– Marco qualquer coisa que faça você me dar uma carona pra casa.

– Eu vou esperar também – Disse Uruha, anunciando que ia pegar carona.

– É foda não ser vizinho ou morar no caminho. – Disse Kai em tom exagerado de desanimo.

– Se ligar para a sua mãe e avisar, eu levo você em casa Kai. – Disse minha mãe olhando para o meu melhor amigo pelo espelho retrovisor no centro do carro.

– Yes! Eu te amo Emi-san! – O covinhas comemorou estendendo os braços em sinal de vitória.

– Ai Kai, te aquieta aí. Na volta eu quem vou no banco da frente, também sou grande po! – Reclamou Uruha.

– Nem ferrando que vai! – Avisei. Hm.. até parece que eu vou ficar me espremendo assim duas vezes no mesmo dia no carro da minha própria mãe.

– Slash me socorre! Vocês estão indo e já estão brigando pela volta? Vou fazer todo mundo voltar a pé. – E não teve com não rir da careta que ela fez.

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– Bom dia Sabrina. – Cumprimentei a menina que tinha olheiras e um ar cansado ao abrir a porta.

– Bom dia senhora Emi! Como passou a noite? – Recepcionou-me com educação.

– Melhor que você que aparentemente não conseguiu descansar? Espero que ela não tenha lhe dito tantas coisas desagradáveis de se ouvir.

– Oh..sem problemas. De fato tive que monitorar todo seu sono regado de dor, mas ela não conversou comigo, apenas resmungos no idioma desconhecido para mim. –Ela sorriu, para mim era muito bom Mitori se queixar em Japonês, muito bom mesmo.

– Muito obrigada pela noite Sabrina, foi realmente uma situação de urgência. – Disse já tirando o valor que ela cobrava do bolso traseiro do Jens.

– Obrigada Emi, pode me ligar sempre que precisar. – Disse recolhendo o dinheiro. – Quer ajuda para colocá-la no carro?

– Não querida, obrigada. Eu solicitei uma das ambulâncias para nos buscar aqui. Você pode ir pra casa descansar, sei que tem plantão hoje ainda. – Ela não disse mais nada, apenas sorriu, se despediu e foi.

– Man, eu nunca andei de ambulância antes. Deve ser muito legal. – Ouvi a voz de Miyavi, o que me fez lembrar da presença do menino ali. Eu tinha me esquecido de dizer para ele que ele não iria junto.

– Err.. Myv eu preciso que você faça uma coisa muito importante enquanto eu vou cuidar das coisas da sua avó?

– Diga!– Sorriu amplo, eu era muito má por enganar um menino como ele.

– Eu quero que você pegue literalmente tudo o que e seu e leve para o carro. Depois vai fazer a mesma coisa com os alimentos da cozinha, tirar todos os lixos e fechar bem toda a casa. Acha que pode fazer isso meu querido?

– Então você acha mesmo que ela vai ter que ficar no hospital? – Perguntou-me desanimado.

– Sim meu filho, ela vai. – Ele suspirou de uma forma que foi difícil para mim decifrar.

– Mesmo ela sendo má para mim, eu não gostaria que ela estivesse sofrendo assim. Eu estou errado por me sentir assim, Emi-san?

– Não meu amor, você não está errado. – Disse o abraçando. – Agora vamos agilizar as coisas, ou não vou conseguir deixar sua avó pronta antes da ambulância chegar. – Deixei um beijo em seus cabelos e o soltei.

– Você não vai deixar eu ir junto no hospital nee.. – Afirmou, não perguntou. Eu sabia que ele era um menino esperto.

– Confie em mim, não é a melhor opção neste momento Myv. Até mesmo porque em muitos dos lugares que a sua avó vai você não poderá entrar.

– Então é porque ela vai morrer, e você não quer me dizer o que ela tem. – Reclamou em um tom baixo.

– Pessoas idosas ficam doentes com mais frequência Taka, e dependendo da intensidade da doença é mesmo mais comum idosos morrerem. Seus corpos estão cansados. Não estou dizendo que sua avó está morrendo, mas não vou mentir para você e esconder que esta chance existe, porque ela existe. Entendeu? – Ele fez que sim com a cabeça, era ruim mentir assim pro menino, era evidente que Mitori já estava morrendo, mas eu podia muito bem fazê-lo digerir a informação aos poucos, odiaria que Miyavi se sentisse culpado por não perceber o nível da doença da avó e ainda se culpar pela morte daquela megera.

– O que ela tem? – Insistiu, eu podia ter dito "câncer" mas não quis.

O mundo ainda pouco compreende a doença e na maioria das vezes a imagem que Mitori estava apresentando era o que a maioria das pessoas pensava quando simplesmente ouvia a palavra "câncer". Eu não queria que esta fosse a imagem passada a ele, eu não queria que ele fosse mais um a temer uma palavra sem conhecer a doença.

– Eu juro para você que assim que eu conversar com o médico vou voltar para cá com todas as respostas que você vai ma questionar. Mas por hora, – Olhei no relógio já estava quase na hora que eu marquei com o motorista de uma das ambulâncias. – Temos que fazer o que está ao nosso alcance.

– Certo Emi-san. – Concordou subindo as escadas rapidamente seguindo o rumo de seu quarto.

E eu segui o meu. Agradeci aos céus quando percebi que Sabrina tinha deixado Mitori de banho tomado e vestindo um pijama leve. Eu só tinha que fazer sua mala e arrecadar todos os remédios que ela estava tomando para mostrar ao oncologista.

Por algum motivo Mitori estava mesmo reclamando apenas em japonês, algumas coisas eu entendia, outras não dava por se tratar de um dialeto. Entre várias palavras ela reclamava do Akuma que desgraçou sua Hiroki-chan, eu sabia que era eu. Ela sempre me chamou de akuma, e o seu ódio ficou ainda maior depois que a Hiro-chan apareceu grávida, tsc.. eu que a engravidei de certo.

Não demorou muito até que a ambulância chegasse, os meninos me ajudaram a levar Mitori até o automóvel. Avisei Miya-chan que estava partindo e que ligaria quando estivesse voltando, no caminho liguei para o oncologista e avisei que estávamos chegando, eu já tinha adiantado algumas coisas sobre a situação da velha para ele e ele me passou a indicação de um quarto reservado já para ela, onde seria atendida por ele e passar o tempo que precisasse.

Como a entrada da ambulância era pela emergência, no pronto socorro, o médico já deixou pronto alguns pedidos de exames para que não tivéssemos mais que mover Mitori. Revivi alguns dos meus momentos mais nostálgicos ao ter que realizar alguns exames eu mesma, pois Mitori parecia não ser mais capaz de se esforçar o suficiente para entender nosso idioma e tive que conversar com ela em japonês.

O médico já estava nos esperando quando chegamos ao quarto e conversamos por longos minutos enquanto técnicas em enfermagem acomodavam Mitori, colhendo algum sangue e já obtendo veia para acesso de medicamentos. O oncologista não disse muita coisa além do que eu já esperava, ele não deu nenhuma alternativa de recuperação para a mãe de Hiroki e estimou um prazo médio de vida, a idade dela nem era o mais importante, o que realmente a condenou foi negligenciar os sintomas da doença.

Ele iria cuidar dela agora, cuidando principalmente para que Mitori-san não sofra com dor até o momento de sua morte. Isso podia ser em três dias, uma semana, um mês, três no máximo. E eu precisava ligar para Hiroki vir para Ca o quanto antes, isso não ia ser nada fácil. Agradeci ao médico por ter liberado uma técnica para monitorar Mitori em tempo integral, a situação dela exigia monitoramento intensivo, mas o estágio de seu câncer não ajudava para que conseguisse um leito na unidade de terapia intensiva, simplesmente porque colocar ela lá não significava nenhuma chance de melhora, ao mesmo tempo em que era um leito concorrido que estaria sendo ocupado por uma pessoa que estava lá somente para esperar pela hora da morte.

O sistema podia ser doloroso para familiares, mas eu era da casa. Normalmente era eu quem recebia o aval médico com este tipo de explicação para um leito de UTI negado, e era eu quem tinha que explicar isso para os familiares. O maior problema era que eu compreendia isso da maneira mais racional que aquele ambiente me ensinou a ser, e concordava com o fato. Eu ficava louca quando alguém que precisava de leito não conseguia chegar à UTI a tempo porque não tinha leitos suficientes e entre os ocupados estava alguém que só estava lá por ter conseguido uma autorização judicial para tal, ocupando leito, aparelhos e tempo sem nenhuma chance de recuperação.

Liguei novamente para Sabrina, perguntei se ela queria fazer alguns turnos com Mitori, para trocar com a menina que tinha ficado lá. Apenas uma pessoa não ia dar conta. Depois fui até a cafeteria e pedi um café e algo para comer, se ia falar com Hiroki tinha que estar em minha melhor forma. O problema era, se eu falasse para ela que a mãe estava morrendo, Miyavi estava fora da escola e trabalhando na mesma ligação, tinha certeza de que ela ia pirar.

E quando levei o fone ao ouvido ainda não tinha a menor ideia do que falar. Já é difícil dar más noticias quando a pessoa estava perto, imagina ela estando na coreia. Vai que essa mulher ganha um troço.

– Hm.. Emi... vai se ferrar olha a hora cachorra, não estamos no mesmo fuso, sabia? – ouvi a voz embargada de sono no outro lado da linha, não teve como não sorrir, eu morro de saudade dessa vaca.

– Quem mandou a biscate ficar na farra a noite toda.. – Disse rindo, foda-se as pessoas que se viraram em suas mesas para me olhar de cara feia.

– Uuu eu, meu note e meu café juntos a noite toda, rola muita pegação. – Continuou brincando.

– Não é fácil ser uma alta executiva nesse reino machista.

– Gata eu já comprei 43% da porra desta empresa, e estou quase conseguindo comprar os 25% de um idiota tapado que quer se aposentar. Eu vou transformar isso aqui no meu império particular.

– Opa vou abrir uma filial aqui e descansar na tua sombra. – Ri.

– Ahh cafetina de merda, quer me explorar. – Também riu.

– Hiro-chan eu quero o seu corpo nu. – Rimos por mais um tempo.

– Ai Emi-chan fazia tanto tempo que eu não ria assim, porque você quase não me liga? – Disse de forma manhosa.

– Porque você mora na Coreia, só por isso. – Fui obrigada a rir depois de ouvir a risada que ela deu.

– E qual evento de altíssimo nível vai acontecer para você ligar, então. – Então, puxei o ar e percebi que ainda não sabia como falar nada.

– Bom... – Comecei, mas parei.

– Está tudo bem com Takamasa? Ele aprontou alguma coisa? Emi faz três dias que este menino não me responde e-mails, por favor me diga que está tudo bem com meu filho! – Disse de forma afoita e séria.

– Fique calma, está tudo bem com o Taka. Ele é um garoto ótimo, mas eu sei que você já sabe disso.

– Você tem ido ao internato Emi? Tem certeza de que ele está bem? – No fundo eu me sentia mais como mãe dele do que ela, mas eu sabia que ninguém no mundo amava mais aquele garoto do que a Hiro-chan.

– Eu já disse para se acalmar Hiro, eu te garanto que o Taka está muito bem. Aliás, Miyavi. – Disse tentando usar um tom mais descontraído.

– É.. eu to sabendo. – Ela sorriu. – Ele me contou do seu apelido.

– Hiro-chan..você tem falado com a sua mãe? – Questionei.

– Eu tentei ligar umas duas vezes nestes últimos meses, porque eu não recebi o mail da escola do Taka. Eles sempre mandam o recibo de pagamento via online. Mas ela não falou comigo, quando ouvia minha voz desligava o fone. – Pra mim era compreensível se Myv atendesse se passando pela avó e não falasse nada, caso contrario se denunciaria estando em um lugar em que não deveria estar.

– Bom eu posso te responder o motivo disso, err.. é que a Mitori-san está adoentada.

– O que a dama de ferro enferrujou? O que ela tem Emi? É sério?

– Pode ser, eu a trouxe para o hospital hoje. Foi por este motivo que eu liguei para você, Hiro, a sua mãe estava doente já algum tempo, mas não falou nada para ninguém. Então hoje ela teve que ser internada. Eu posso cuidar dela temporariamente, mas eu preciso de você aqui, ela não tem nenhum parentesco comigo para que eu possa me responsabilizar.

– Claro Emi, eu entendo. Eu vou arrumar tudo aqui para conseguir viajar até amanha no máximo. Como você soube do estado dela? Ela foi até o hospital fazer algum exame ou algo assim.

– Algo assim...na verdade. Bom Hiro, eu vou ter que te contar isso agora ou quando você chegar aqui. Então prefiro que você já saiba de tudo antes.

– O que houve Emi? – Eu podia ouvir o medo na voz dela.

– Mitori estava tomando uns remédios caros nestes últimos meses, caros demais até mesmo para o bolso dela. Então ela começou a usar o dinheiro do Myv para comprar seus remédios, por isso você não recebeu a confirmação da escola.

– ELA ROUBOU DINHEIRO DO MEU FILHO? – Ela gritou do outro lado da linha, a resposta era sim, mas eu não quis responder. – Aquela mulher que me menosprezou quando eu mais precisei, que passou a vida inteira ofendendo você e meu filho, roubou o dinheiro dele Emi, é isso que você está me dizendo?

– Por favor Hiro, eu entendo o que você está sentindo, foi tão difícil para mim passar por cima de tudo o que ela fez para poder fazer alguma coisa por ela quanto será para você. Mas você vai ter que passar por cima disso por único motivo, Miyavi. Os últimos meses tem sido difíceis para ele, claro que como o menino esperto que é ele deu seu jeito nas coisas, mas ele está sofrendo ao ver a avó neste estado.

– Como assim difíceis, você me garantiu que ele estava bem.. Emi.. o que você está escondendo de mim?

– Ele está bem Hiro, está morando comigo desde ontem. Ele não estava na escola, estava cuidando da velha em casa já que a mensalidade deixou de ser paga.

– Ai mas que vontade de grrr.. é bom que ela esteja morrendo, porque se não tiver, eu mesma mato aquela mulher! – Esbravejou.

– Calma, você está falando besteiras em um momento de estresse. Fique tranquila, Miyavi está morando comigo e eu vou tentar transferir ele para a escola do Takanori, se você permitir é claro.

– Sim Emi, você sabe que tem autoridade para resolver o que quiser. Por favor avise a escola antiga que eu estou voltando ao país para quitar a dívida. Não vai ficar pesado para você ter mais um adolescente morando em sua casa?

– De forma alguma, Takanori e eu estamos muito felizes em ter o Myv por perto novamente, você sabe que eles fazem a minha felicidade.

– Posso falar com meu filho?

– Eu não trouxe ele junto para o hospital, ele ficou arrumando umas coisas pra mim na casa da sua mãe. Pode ligar para lá. Mas pega leve com ele.

– Pode deixar. No fim você não disse o que minha mãe tem.

– Câncer Hiro-chan, ela está em estágio terminal. Então por favor, venha logo.

– Takamasa sabe disso?

– Não.

– Entendi. Obrigada por segurar as pontas aí Emi, eu estou chegando.