Capítulo dezessete: Jardim do sol
Por Kami-chan
A vida é assim companheiro, você cresce amando algumas pessoas como se fossem uma parte muito especial de você, e um dia de uma hora para outra, estas mesmas pessoas se viram contra você. Tá, eu to sendo mais dramático do que a situação necessita ser.
Mas porra, eu só deixei os dois sozinhos pelos cinco minutos em que fui escovar os dentes e quando volto pro quarto sou capturado por dois pares de braços, uma fronha foi colocada em minha cabeça para me desorientar. Não vi mais nada, só sentia braços me empurrando para todos os lados até eu quase esquecer quem eu sou.
Mãe, eu te amo. Gostaria de poder ter me despedido e ter dito mais uma vez que a amo demais, mas a fazenda da avó do Kai foi invadida por membros do movimento dos sem terra e agora eu provavelmente serei sequestrado e torturado. Só que não.
Dez minutos depois eu fui jogado em uma cadeira, e alguém tirou a fronha da minha cabeça. O que me desorientou anda mais, pois antes que meus olhos se adaptassem ao local onde eu estava o foco de uma lanterna foi mirado em minha linda carinha. Eu tentei proteger minha visão com os braços, mas estes estavam de alguma forma amarrados na cadeira.
– Mas que merda! – Reclamei. – Tira essa bosta da minha cara e me solta daqui.
– Eu disse que ele ficar invocado. – Disse alguém, mas com certeza não era para mim já que era em tom de aviso.
– Também não precisava ter amarrado os braços dele nee Myvs. – Outra pessoa.
É. Essas mesmas que vocês pensaram aí, Miyavi e Kai, aquelas pessoas que eu disse que amava desde sempre. Será que só eu tenho amigos assim?
Com a discussão Miyavi perdeu o foco da lanterna, que saiu da minha cara. Apesar de não fazer tanta diferença no momento já que minha visão estava completamente escurecida por conta do foco de luz muito forte que tinha recebido antes. Queria coçar meus olhos, mas claro, minhas mãos estavam amarradas.
Quando tudo voltou ao normal consegui definir meus dois melhores amigos na minha frente. Ambos tinham lenços amarrados ao rosto e vestiam roupas que deveriam ter o ar aterrorizante, mas não. Sério, aquela calça larga e aquele coturno não tinham nada de aterrorizantes, ainda mais pelo fato de ambos estarem com as mangas das camisetas completamente dobradas até se parecerem com regatas.
Se eles fossem fortes eu até poderia temer seus braços à mostra, mas eles eram apenas dois magrelas. Tá, eu confesso o Kai até que tinha os músculos bem desenhados pelo menos, mas o Myvs sério, eu comecei a rir da cena.
Pude entender o motivo do Aoi ter dado em cima do Kai no nosso jantar, pois aquele estilo caía bem até que nele. Ele até que ficou sexy, mas o Miyavi mais parecia um espantalho velho depois de um temporal.
Mas ao me ver rindo da forma como estava, Kai veio em minha direção com passos rápidos e se inclinou na minha direção, deixando um de seus pés repousar ao lado de uma das minhas coxas no acento da cadeira. Como um cão domado, Miyavi veio no encalço do mesmo com sua maldita lanterna. Mas desta vez ela não foi ligada contra meus olhos e sim abaixo do queixo de Kai, fazendo a luz de baixo para cima o deixar com o olhar realmente ameaçador.
Merda. Eu tinha esquecido da mente demoníaca do meu lindo e fofo amigo de covinhas. Sem falar que olhando os dois assim tão de perto, o entendimento me tomou em cheio. Aquelas roupas não carregavam em nada o estilo de Miyavi e Kai, aquilo era uma forma tosca de imitar o estilo que Reita gostava de se vestir. Isso me fez rir ainda mais, porque depois desta compreensão súbita, achei Takamasa mais engraçado ainda.
– Tá achando graça Takanori? – Kai rugiu, se mantendo naquele teatrinho besta.
– Do espantalho velho, sim – Falei rindo olhando para Miyavi.
– Vai rindo, vai. Você não vai achar isso tão engraçado daqui alguns minutos. – Disse Ishihara mais emburrado do que em tom agressivo.
– Tá bom caras, chega. Já me pegaram, conseguiram me amarrar e tudo mais, mas agora chega.
– Chega quando a gente disser que chega Ruki. E no caso, só vai chegar quando colocarmos todos os pingos nos "is". – Disse Kai, e não, ele não estava mais usando a voz ameaçadora...mas também estava falando em sério.
– Pingo no i?
– É. Por exemplo, eu fiquei sabendo que você teve uma noite muito agradável ontem. Será que não vai dividir com a gente?
– Ahh sempre a mesma coisa? – Revirei os olhos, sério, em algum momento muito próximo eu ia me cansar de verdade dessa ladainha. – Por que vocês dois não se preocupam mais um com o outro do que comigo hem? Até onde eu sei vocês tem bem mais coisas pra perguntar um pro outro do que pra mim. – Reclamei, satisfeito por perceber que Kai ficou com vergonha do que eu disse, causando um leve abalo em sua postura de mafioso frio e calculista.
– Não muda de assunto não Ruki, o foco agora é você. – Miyavi disparou em sequencia. – Agora você vai ficar aí até admitir de uma vez por todas que está apaixonado por aquela boneca punk.
– Você se olha no espelho com frequência? Não tem autoridade de chamar ninguém de boneca punk Miyavi. – rebati. – Que tipo de amizade é essa? Me soltem daqui!
– Você vai fugir se te soltarmos Ruki. Seria bem mais fácil se você entendesse que a gente só quer te ajudar.
– Isso vai ter volta Kai. – Crispei irritado.
E pode ter certeza amigo, eu sou um animal muito vingativo. Onde já se viu me amarrar desta forma? Eu já sabia que ia ter que passar por interrogatórios, mas porra, to me sentindo um procurado pela Interpol.
– Ruki é serio, nós te amamos. Só que você está se machucando com essa história com o Reita. – Disse Miyavi.
Como me odeio por ter sido sincero com ele ontem sobre sentir coisas pelo Akira.
– E sabe o que mais, eu estou convencido de que você está se machucando a toa. Vai nos dizer como foi sua noite com Reita, ou não.
– Não teve "noite com Reita" Kai. – Choraminguei. – Ele só dormiu lá em casa, como todos vocês fazem, mas aí porque vocês se apegaram a ideia de que tem que haver alguma coisa entre nós dois, não existe nada que eu e Reita façamos juntos que não gere este tipo de interrogatório.
– Eu nunca dormi de conchinha com você. – Disse Kai em tom de acusação, com um riso bem sacana naquela boca furada de covinhas.
– Ahh eu já, mas não conta porque não era bem opção, simplesmente mandavam a gente dormir e só tinha uma cama. – Disse Miyavi fazendo a atenção ser voltada para ele, sendo que tanto eu quanto Kai tínhamos um grande ponto de interrogação na cabeça.
Mas enfim...tirando a interrupção do Mys, eu me assustei agora. Tipo, eu não tinha falado pra ninguém que tinha dormido de conchinha com Reita, então como eles sabiam? Será que o Miyavi invadiu meu quarto à noite?
– Como vocês sabem que eu dormi com Reita? – Perguntei mantendo meu olhar de Miyavi para Kai, de Kai para Miyavi.
– Quem faz as perguntas aqui somos nós Ruki. – Disse Kai com um lindo sorriso de vitória na cara. – Então como foi que acabaram dormindo de conchinha? Reita te falou alguma coisa?
– Baka! Não é nada do que vocês idiotas pervertidos estão pensando. Ele dormiu lá em casa, nós ficamos até tarde conversando, o assunto ficou tenso e.. – suspirei. – Ele começou a fazer um monte de perguntas difíceis de responder eu acabei me excedendo, paguei o mico de chorar na frente dele e antes que eu pudesse perceber ele tinha me puxado para deitar com ele. Só isso...
– Que tipo de assunto tenso? – Quis saber Kai.
– Esse tipo de assunto tenso. – Revirei os olhos indicando a situação em que me encontrava. – Apesar de que diferente de vocês, ele não me forçou a nada.
– Claro que não, o interesse do Reita passa longe de te deixar irritado. – Disse Miyavi.
– Ta querendo dizer o que com isso. Vocês que são chatos além da conta.
– Não imbecil, você que tão tapado que não percebeu que enquanto você fica de mimimi e nhenhenhe o cara está tão afim de você quanto você é dele. – Disse Kai, e Miyavi concordou.
Ok. Eles tinham bebido com certeza.
– Escuta. Já é ridículo admitir que eu passei mal chorando ontem à noite conversando com o cara, o fato dele ter sido legal e me acalmado não quer dizer nada. Vocês não podem tentar ver coisas onde não há. – Acabei me exaltando novamente.
– Não Ruki baka-sama, você é que não está conseguindo ver que ele só tem essa paciência toda com você porque gosta de você! – Kai tentou dizer com uma paciência forçadamente irônica.
– Hunf... – Bufei perdendo minha paciência, no fim ia acabar sem um amigo, não sabia se seria Kai ou Reita.
– Me escuta. Uruha e eu percebemos que você não parava de olhar para o Reita nos intervalos e começamos a pegar no seu pé, mas será que você não percebeu que o Aoi mexeu com coisas que ele sabe que você adora na tua frente de propósito? Quer dizer, você e Reita começaram a conversar porque Aoi mostrou que ele tinha um cd que você quer desde de sempre. O Uruha me disse que viu Reita agradecendo o Aoi antes dele sair da sala aquele dia, será que é tão difícil perceber que ele estava tentando encontrar um motivo pra vir falar com você da mesma forma como essa sua cabecinha fazia de forma muda. O Ás dele é que o Aoi te conhece.
Tá, eles não beberam, comeram uns cogumelos aí pelo campo mesmo. Só o que me falta o Kai começar a achar que Reita e Aoi estavam planejando uma aproximação entre nós. Isso é muita informação. Kai surtou, agora deixei de ficar irritado com ele, estou com pena. Kai surtou.
– Você surtou. – Disse em voz alta.
– Não é Ruki, desde aquele dia que eu joguei com você para você ir acompanhar o Reita no banho eu já tinha sacado isso. Ele gosta de você, só você não percebe isso, e o pior, está se machucando com essa negação besta.
– Vou me repetir: você surtou. Por que não vão cuidar um do outro e quebrar o gelinho entre vocês ao invés de ficar imaginando planos de aproximação planejados por Aoi, entre Reita e eu?
– Você viu o Reita tomar banho? Isso você não me contou. – Disse Miyavi enciumado.
– Você conversou com o Reita com ele e não falou nada pra mim? – Atirou Kai, se possível, mais enciumado ainda. – Bufei.
Pronto. Meus dois melhores amigos, que se desejam ardentemente, tinham ciúme da relação do outro comigo? Sacaram como a minha vida é difícil.
– Ele disse pra mim que gosta do Reita. – Contou Miyavi, espera... – Mas que não vai ficar com ele por causa que não quer magoar a Emi-sama.
– Deve ter sido mais ou menos isso que você disse pro Reita, não é? Só eu que não sabia nee? Pra que contar pro amigo de infância o que se passa no seu coração..imagina.. – Cruzou os braços em frente ao corpo com a expressão emburrada.
– É sério, algum gnomo mijou nos cogumelos que vocês colheram pra comer. Kai para de tomar os hormônios do Uruha, por favor, tá parecendo uma garota surtada.
– Mas que idiota Ruki, te superou! Eu ficava pensando o quão estúpidas poderiam ser suas desculpas para estar se magoando com este assunto, mas cara... você tem noção da mãe que você tem?
– Sim Kai, eu é que tenho noção de quem é Emi. Sou eu quem sempre vê ela sozinha, eu que escuta ela chorar e finge não estar em casa porque sei que na minha frente ela sempre vai dizer que está tudo bem, eu que sei todos os sacrifícios que ela faz. E sou eu a única família que ela tem, a única chance dela de emudecer esse eco de tristeza que existe na vida dela, então não interessa o que vocês acham, a única coisa que importa para mim é não decepcionar aquela mulher.
Disse. Disse mesmo, foi meio que sem pensar, as palavras apenas saindo como bem entendiam. E foi muito melhor do que quando disse pro Reita palavras parecidas, depois de ter dito isso eu realmente me senti mais leve, tão mais leve que suspirei e senti meus ombros relaxarem. Eu nem tinha notado que eles estavam tão tensos.
O abraço que veio depois também foi muito bom, eu não sabia que alguém podia precisar tanto assim de um abraço até sentir os braços de Kai em torno do meu corpo. Às vezes, só às vezes os meus amigos sabiam ser os melhores amigos do mundo também.
Senti de verdade que pelo menos Kai e Miyavi não iriam mais pegar no meu pé com o assunto "Reita". E eu pude entender realmente que a única coisa que eles queriam com aquela cena idiota de interrogatório era que parasse de me machucar. É, eu percebi também que estou mesmo me machucando com essa história.
Talvez eu devesse parar de pensar nisso e apenas deixar as coisas acontecerem, certamente da forma como Reita e eu éramos amigos, essa fixação até passe com o tempo. É questão de tempo, principalmente porque Kai estava vendo coisas onde não existia quando disse que Aoi e Reita tinham planejado um meio de nos aproximar. Se ele soubesse do passado entre Aoi e eu, saberia que era simplesmente impossível o Aoi fazer algo em pró da minha pessoa.
– Nee Ruki, me promete apenas que vai conversar com a Emi sobre isso, por favor. Não precisa falar do Reita, só...conversar, mesmo você a amando pode ter uma opinião equivocada sobre ela Ruu-chan.
Eu não respondi nada, apenas balancei a cabeça afirmativamente. Se eu ver que a coisa com o Reita não vai passar de jeito nenhum, Kai tem razão e vou sim fazer o que estou afirmando para ele que vou fazer.
– Me solta daqui Kai... – Pedi com calma, e logo senti o abraço ser desfeito para que ele me soltasse.
Me levantei daquela porcaria de cadeira dura assim que me vi livre. Minha bunda doía, meus punhos estavam doloridos, e como eu sou uma pessoa tão boa quanto meus amigos sem vergonhas, é claro que eu precisava me vingar daquilo.
– Ahh Kai, só pra você saber.. a cama na qual Reita e eu dormimos era a sua tá. – disse com ar de deboche enquanto massageava meus punhos.
– Como é que é? – Vi ele se virar no mesmo lugar para me encarar, só pude sorrir, sorrir muito daquela cara dele.
Dois minutos de absorção dos fatos na mente frágil do Kai e vi ele voar de onde estava e cair em cima de mim. Enfurecido como que se eu tivesse usado a escova de dente dele pra escovar os dentes dos cachorros. Mas foi engraçado, só me defendi como pode tentando agarrar os braços dele com nós dois rolando no chão. Eu quase tendo um troço de tanto rir.
– Hey Ruki, tire as mãos do Kai-chan porra! – Ouvi o ciumento, e logo em seguida ele estava rolando junto no chão.
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O domingo foi mais um dia frio e cinza, avisei Kai sobre a tarefa que eu tinha que terminar para minha mãe e garanti que em menos de duas ou três horas terminaria o desenho. Então deixei ele e Miyavi ainda no quarto quente e fui sozinho para o celeiro.
Eu gostava daquele canto cheio de feno desde que era criança. Um mezanino rústico de madeira para estocar o feno compactado, o acesso era somente por uma escada alta encostada em um dos cantos extremos do mesmo. Bem no centro da parede havia uma janela sem vidro, apenas uma dobradiça permitia que a janela de pau a pico abrisse e fechasse.
Abrir a janela foi a primeira coisa que fiz quando cheguei ali, sentindo a brisa fria da manha no rosto. Logo juntei alguns fardos de feno para fazer um encosto no chão para minhas costas. Me sentei ao lado da janela aberta, abri meu caderno de desenho, o apoiei sobre minhas pernas e comecei a terminá-lo.
Eu ainda não sabia o que minha mãe queria com aquilo, apesar dela ter deixado bem claro o quanto aquilo era sério. E que ela queria um desenho profissional, o que era mais confuso ainda, pois eu estava desenhando um bar burlesco para minha mãe e ela queria isso com uma visão profissional. Mesmo assim, dei o melhor de mim. De alguma forma senti como que se ela não tinha me falado mais, era porque naquele momento eu não precisava saber de mais.
Analisei o desenho como um todo para ter certeza do que estava fazendo, reconhecer o que estava faltando. Eu estava gostando do que estava vendo, conseguia praticamente visualizar aquilo tudo diante dos meus olhos, e logo me pus a desenhar os detalhes que faltavam.
Aquilo era prazeroso, um momento sozinho sem pensar em nada, apenas desenhando. Um traço, um sombreado, uma nova ideia, o som do grafite na folha e o som dos cavalos ao longe, até o barulho sufocado de vibração invadiu minha audição. Tinha recebido uma mensagem de Reita indicada na tela do meu telefone, e então o som do teclado digital também passou a se fazer presente.
Ele estava conversando comigo como se estivesse ao meu lado, falando de coisas simples e leves. Sempre acabávamos falando de música por um longo período de tempo, eu desenhava mais feliz do que quando comecei naquela manha, sorriam enquanto preenchia os traços e parava o trabalho toda vez que o telefone vibrava.
Brincando, terminei o sombreado no desenho finalizado e suspirei, o dia continuava cinza lá fora, mas sem nenhum sinal de chuva. Apenas um lindo dia de inverno. Reita enviou uma última mensagem dizendo que estava chegando à um encontro com Joe, e que eles iriam conversar sobre coisas da loja, e assim, se despediu.
Olhei no visor do telefone a hora e me assustei, como sempre, o tempo passava rápido demais quando estava com Reita. Ou neste caso, falando com Reita. Eu tinha levado bem mais tempo do que tinha dito para os meninos que levaria para terminar aquilo.
Como que por extinto, procurei pela figura deles pela parte do sítio que podia ver pela janela. Estavam empoleirados no cercado dos cavalos, Kai fazia carinho em seu puro sangue e dava para vê-lo sorrir ao falar algo para Miyavi. O mais alto riu do que fora dito por Kai e de forma claramente hesitante aproximou a mão da cara do animal que estava diante deles. Eu sabia o que ia acontecer ali, e decido que era uma boa ideia deixá-los a sós por mais um tempo.
E não foi nenhuma surpresa que a última coisa que vi, antes de me jogar de costas no feno para desenhar ou escrever alguma coisa, foi a imagem em perfil dos rostos se aproximando. E em uma visão bem romântica, achei o beijo que trocaram um quadro muito bonito, dentro da moldura montada pela janela através da qual eu os assistia.
Daqui um tempo eu mandaria uma sms para o Kai para dizer onde estava. Mas só depois.
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– Reita, você está me ouvindo garoto?
– Claro Joe. – respondeu o mais novo antes de levar a latinha de refrigerante aos lábios.
– Porque não para de olhar esse celular?
– Desculpe-me, é que era importante. Mas eu estou ouvindo, pode continuar com o que estávamos falando. – disse largando o telefone sobre a mesa que dividiam, sobre a tela ainda acesa a luz azul clara ainda mostrava a mensagem recém recebida de Aoi.
"Kai respondeu. Já falaram com ele. Falamos mais à noite."
