A luz que brilha em teus olhos_21. Família
Por Kami-chan
Eu sei que tem um copo térmico com café ao meu lado, no espaço próprio para isso entre os dois bancos dianteiros do carro, só não seu se consigo pegar ele sem virar e sem tirar os olhos da rodovia. Uma olhada bem atenta para ter certeza que o carro atrás de mim não vai me ultrapassar, e pego o dito copinho para tomar um cole comprido do líquido quente e amargo.
Automaticamente a mão direita recoloca o copo no console. A mão que conduz a direção troca, e a mão esquerda corre para um ponto entra minhas coxas onde o saquinho de balas de goma se forma com a boca bem abeta. Um avião surge no horizonte em baixa altitude, denunciando a proximidade com o aeroporto que ficava nas margens da periferia da cidade, o local para onde eu estava me dirigindo neste momento em alta velocidade. Alta demais inclusive para a maior tolerância que há nas rodovias.
Havia cerca de dez minutos que tinha recebido a ligação do hospital, Mitori tinha falecido, infelizmente antes de sua filha chegar. E desde que tinha recebido a ligação eu estava correndo. Eu sabia que andar mais rápido não faria o avião de Hiroki chegar antes do previsto, mas eu tinha que estar lá.
Durante este tempo fiquei pensando o caminho inteiro. Como contar ao Miyavi, como pedir ao Takanori para ir junto à cerimônia de cremação para ficar perto do amigo, se deveria mesmo pedir isso, e tantas outras coisas mais. Como se conforta alguém que perdeu a mãe? Eu não sabia, não sabia de verdade nem mesmo se a minha mãe ainda estava viva.
Pelo canto do olho direito vi uma aeronave voando baixo, denunciando a proximidade do aeroporto, liguei o pisca para mudar de faixa e troquei de macha para acelerar ainda mais. Hiro-chan bem que podia ficar uns tempos aqui com o filho dela, Miyavi vai acabar sentindo a morte da avó mesmo ela nem merecendo isso. Seria bom que ele tivesse a mãe por perto por uns tempos só pra variar.
Tive que reduzir para sair da faixa quando avistei a entrada ampla do estacionamento do aeroporto, abri o vidro para pegar o tiket e corri logo o olho pelo local, à caça de uma vaga. Nem perto, nem longe da entrada do saguão, eu só queria um vaga sem exigências, e quando a avistei simplesmente larguei o carro nela. Nunca tive saco pra estacionar bonitinho. Antes de sair do carro, uma olhada rápida pelo relógio no console me dizia que não ia ter que esperar muito mais do que meia hora para a chegada do avião.
Não gosto de aeroportos, a quantidade extremamente grande de pessoas estranhas me deixa desconfiada de tudo e todos. Queria logo confirmar o número do voo da minha amiga e me sentar de frente para o portão de desembarque dela. Aproveitei o tempo para já ligar para a escola dos meninos e antecipar a situação para o diretor, assim não precisaria perder tempo quando fosse os buscar. Chato isso de ter que tirar Miyavi de aula logo no primeiro dia.
Torcendo que o avião não atrase, vamos chegar na escola lá pela metade da manhã. Hoje não vai ser um bom dia, mas pelo menos vou ter a Hiro-chan por perto de novo por uns tempos.
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Miyavi e eu caminhamos animadamente até a cantina da escola, falando somente besteiras até encontrar nosso lugar na ponta final da fila que já havia se formado. Só lá ele pareceu perceber que estávamos realmente sozinhos, sem a companhia de Kai e Uruha. Quando ele começou a parecer meio inquieto com algo, resolvi mudar dos assuntos corriqueiros e engraçados, para a situação real atual.
Mesmo achando uma merda ter acabado de me livrar desses papinhos dentro da sala de aula, e já ter que entrar neles de novo. Preferia muito mais o Miyavi piadista, mas enfim.
– Desculpe por não ter ido com você até a sua sala e essas coisas, mas é que você não estava muito comunicável pela manha. – Disse no tom acusativo, para que ele entendesse de verdade com quem ele não estava comunicável na verdade, se ia ter que chegar no assunto, melhor que fosse de uma vez.
– Tudo bem, eu acabei me encontrando com o Reita no caminho e tudo deu certo. Não era só eu que não estava comunicável. – Disse a segunda frase entre dentes, quase tão baixo que quase não deu para ouvir entre os gritos e risadas dos alunos em horário de intervalo que passavam o tempo todo por nós.
– Sério mesmo? – Disse rindo. Mesmo com palavras não ditas eu sabia que tinha entendido o motivo pelo qual eu estava rindo.
– Eu fiquei sem saber o que fazer tá bom? É estranho poxa. Alias... – Ele parou de falar para olhar em todas as direções mais uma vez, e voltou a falar assim que examinou todas as pessoas ao nosso redor. – Por que somente eu e você estamos aqui?
– É rotina do grupo, cada dia um vem comprar o lanche de todos. Hoje é o meu dia, e já vou logo avisando, amanhã é o seu. Também tem o fato de que eu saí correndo da sala porque não estava mais aguentando a conversa do Kai e do Uruha.
– Ué, mas vocês não são amigos? – Ele questionou realmente com uma cara de quem não tinha entendido.
– Somos, mas amigos também tem direito de se enjoar da conversa dos outros de vez em quando. Além do mais, a melação estava além da minha compreensão.
– Credo que cara de tédio que você fez aí, pelo visto não estava gostando mesmo. Não que seja novidade você não gostar de ser social nem com os amigos.
– É! – apontei acusativo. – E boa parte disso é culpa tua.
– Minha? O que eu fiz para piorar a comunicação do grupo, mesmo sem estar presente.
– Você beijou o meu melhor amigo, e não quis nem falar com ele hoje.
– Eu já disse Ruki, é estranho. Eu não sei o que fazer, eu nunca tinha ficado com alguém com quem eu realmente tenho interesse em continuar ficando depois. Assim tipo, por um longo tempo. – Disse usando as mãos para dar mais ênfase ainda ao seu "longo tempo". – Como é que eu vou saber se ele quer a mesma coisa, se eu posso me aproximar, ou se foi só isso e deu?
– Ta vendo. – Apontei. – É por isso que eu não saio por aí ficando com qualquer um que da na telha. Vocês podem tirar o quanto quiserem com a minha cara por isso, mas o dia que eu resolver ficar com alguém, essa pessoa vai saber que eu gosto dela de verdade. Também vai saber que se não vier falar comigo no dia seguinte vai levar uma surra. Vê se vira homem e vai la falar com o cara, pô.
– Ele te falou alguma coisa, tipo, se ele gostou ou coisa assim? – Me perguntou com olhos esperançosos de criança.
Minha reação quanto a isso foi ignorá-lo e dedicar minha atenção ao tio do bar, pedi o meu lanche, o de Kai e de Uruha, então fiquei encarando Miyavi para que ele dissesse o que queria comer. Dividimos os lanches, e sim, eu fiz questão de ficar com o meu e o do Uruha, e deixar o do Kai com ele.
Por quê? Porque eles são dois idiotas, pronto.
– Vocês dois conversaram tanto, e se deram tão bem logo de cara. Sério mesmo que não tem nada de todos esses momentos prévios que você possa usar como pista para o que ele sente pó você. – Disse enquanto caminhávamos para o local onde podíamos ver Kai, Uruha, Reita e Aoi.
– É difícil, porque eu fiquei radiante quando conheci ele e vi que era o carinha que ia todo dia lá no meu trabalho. Sabe, eu chegava a fantasiar que ele até ia lá só pra me ver e essas coisas.
– Por que você não conta isso para ele, já é um começo. Vai que ele só ia lá mesmo pra te ver e você nem sabe.
– Ahh você já teria me contado nee. – Nem respondi, só continuei andando quando ele parou. – Nee Ruki... – insistiu com uma corrida curta até me alcançar de novo.
– Você ia achar legal se eu ficasse repassando pra Kai tudo o que você me conta? – foi tudo o que me dignei a responder.
– Isso é jogo sujo Ruki, você tem jogar no meu time, pô.
– Ah tá, nem vem Miyavi. Só deixa de ser um covarde e vê se chama o Kai pra fazer alguma coisa.
– Ruki você tem que ser o meu aliado. – Choramingou.
– Ué você foi aliado de quem quando planejou aquele interrogatório bizarro lá na fazenda da avó do Kai, hem. – Respondi mostrando-lhe o dedo do meio, apesar de tudo, com muito humor, pois simplesmente não sabia discutir com Miyavi.
– Mas precisa ser tão vingativo, Ruki? – Ele perguntou em um tom bastante alto quando já tínhamos chegado ao local onde estava todo o grupo.
– Ah mas eu não sou nenhum pouco vingativo Myv, se eu fosse ia ter gente por aí sem os dentes já. Da uma licencinha aí, Aoi. – Pedi passagem com um tapinha no braço do moreno, bem sarcástico. Porque né, eu não resisto a nenhuma chance de poder pegar no pé dessa mala que eu estou tendo que carregar contra vontade.
– Hm...o que você fez para ele Aoi? – Perguntou Miyavi com humor, aproveitando que o foco estava em outra coisa para só entregar o lanche de Kai nas mãos do mesmo.
– O Aoi é o Yuu, Myv. – Expliquei, alcançando o lanche de Uruha.
Já que Miyavi era novo ali e tinha coisas que só ele sabia, mas era engraçado como ele nunca tinha conhecido meus amigos por causa do internato. De qualquer forma foi engraçado ver Aoi abrir a boca para responder a pergunta de Miyavi, mas não ter conseguido falar nada, porque eu me meti na frente dele.
– O Yuu de quando você era criança? – Ele perguntou mudando várias vezes o foco de seu olhar de mim para Aoi.
– Esse mesmo. – Respondi comendo mais uma porção do meu lanche.
– O que ele faz no mesmo ambiente que você? Achei que você o odiasse. – ele perguntou sério olhando firme para o moreno beiçudo.
– Mérito do Reita, é só por causa dele que o Aoi está aqui. – Disse dando de ombros como se estivéssemos sozinhos ali.
Mas então acabei percebendo que o clima tinha ficado levemente tenso, no fim todo mundo estava focado em nós dois e nas coisas que estavam sendo ditas. Aoi era o único que tinha um sorrisinho sacana no rosto, dando a mínima para o que estávamos falando ali.
Kai ainda estava em um estado desumano de vergonha de se pronunciar na frente de Miyavi, e Uruha estava nos olhando em um misto de indignação, ora por Miyavi saber daquela história que ele queria tanto saber, ora por estarmos falando de seu querido Aoi como se o mesmo nem estivesse ali. Reita também estava com uma careta estranha no rosto, algo que eu não soube decifrar. No fim presumi que tinha o deixado incomodado com o que tinha dito.
– Desculpe, eu quiser dizer que é mérito do Reita com o que diz ao meu respeito, porque eles são melhores amigos e uma coisa leva a outra. Uruha e Kai também gostam da companhia do Aoi, é só eu que a acho a presença dele desnecessária. Mas somos um grupo democrático afinal. – Terminei dando de ombros, me acomodando em uma parte do concreto ao lado de Kouyou.
– Porque vocês falam tanto nessa história se não pretendem compartilhar ela conosco? – Uruha acabou perguntando realmente indignado. Ri, no fim ele não se aguentaria de qualquer forma, ele era louco pra saber tudo o que envolvia o Aoi.
Assim todos voltamos a sorrir e falar coisas sem sentido. Miyavi acabou trazendo o assunto do show dos Abomináveis para a roda mais um dia. Todos nós gostávamos demais daquela banda e ninguém queria perder este show, mas desde que eles perceberam que não ia dar para se apresentar no anfiteatro da cidade o assunto do show ficou adormecido. Reita disse que estava acompanhando um blog muito bom que dizia que eles iriam mudar o show para uma cidade próxima, enquanto Kai batia na tecla de que eles simplesmente seguiriam em frente com a turnê, e esta pequena informação fez um debate surgir no grupo.
Parecia que todo mundo ali se amava e se odiava ao mesmo tempo, cada um tinha sua teoria e fonte de informação. Reita disse várias coisas sobre um dos contratantes do show ser amigo do Joe, e que pegava muitas conversas dos dois na loja e que por isso garantia que o show programado para nossa cidade ia ter que sair de qualquer forma.
Eu nunca tinha discutido com Reita, e também nunca tinha visto ele discutir com ninguém. Por isso era tão legal ver ele dizer que Kai estava montando uma teoria de conspiração sobre a banda com base em especulações. E Kai é claro, tentando mostrar com fatos e eventos que não seria possível haver este show sem o anfiteatro, e que a banda não ia se prejudicar no meio de uma turnê por um show em uma cidade que lhe daria cerca de seis ou no máximo sete mil pagantes.
Mais legal ainda era ver que Miyavi concordava com Reita. Na verdade Miyavi só parecia não aceitar o fato de que talvez não conseguiria ir naquele show, e foi justamente esta discordância que fez com que os dois voltassem a conversar como de costume novamente. Parecia que nem mesmo eles tinham percebido que tinham quebrado o gelo idiota que havia entre eles por causa da banda.
Eu tinha me virado para Uruha para fazer alguma piadinha com este fato, mas nem cheguei a terminar de falar. Quando Miyavi fez o silêncio reinar no grupo e abduzir completamente minha atenção.
– MÃE! – Ele disse em um quase grito de surpresa e felicidade.
Olhei imediatamente para onde ele sorria abertamente e vi minha mãe acompanhada da bela figura oriental, com seus cabelos negros e lisos presos em um coque frouxo demais, que acabou se soltando com a força com a qual Miyavi a abraçava. Minha mãe estava ao lado dela e sorria de forma atípica, parecia que a cena a agradava, mas ainda assim com algo errado.
Conduzi o restante do meu lanche para Uruha, em um pedido mudo para que segurasse aquilo para mim por um instante, e me aproximei daquelas figuras. Ao chegar mais perto, pude ver o que Miyavi não via provavelmente por causa da forma como abraçava a mãe, mas a Hiro-san não estava tão sorridente quanto o filho.
Ao me ver Emi se adiantou a frente da outra dupla, e em silêncio passou o braço sobre meu ombro, e me conduziu para longe dos outros dois. Eu não estava entendendo nada, e eu sei que ela percebeu isso somente com o olhar, mas esperou estarmos longe o bastante para falar o que tinha acontecido e porque elas estavam ali. Emi me pediu para levá-la até minha sala para pegarmos meus materiais, e depois fazer a mesma coisa na sala onde Miyavi tinha aula. Durante todo este tempo ela me disse mais algumas coisas e perguntou se eu poderia ir junto ao velório da mãe da Hiro-san, para ficar próximo de Miyavi.
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Eu não era nenhum grande explorador deste mundo, e nem tinha estado em tantos lugares diferentes assim, mas o lugar em que estamos agora com certeza entra no topo da lista de lugares estranhos e desconfortáveis que já estive. A sala de tamanho mediano, tentava ser sutilmente aconchegante e parecia na verdade um pequeno auditório.
De uma forma bizarra, pude compará-la com a salinha que temos para assistir filmes lá na escola, talvez pelo ar mórbido e sem utilidade. Mas diferente da sala em minha recordação, esta sala possuía uma requintada mobilha, que lha dava o ar de exclusividade e conforto. Não era para agrupar muitas pessoas, apesar de seu tamanho não havia mais do que oito cadeiras grandes e pesadas. Estar em uma daquelas significava que a sua presença ali era realmente querida.
No chão, o carpete de veludo escuro abafava o som de qualquer passo, o que contribuía muito para o silêncio absoluto reinar no local. A atmosfera ali era tão densa que eu até tentava respirar mais baixo para não correr o risco de causar um colapso de energia dentro da sala.
Aquele lugar sabia fazer uma pessoa se sentir descolada. Eu era um deslocado da sociedade e estava me sentindo mal dentro daquele ambiente. Talvez pela ausência gigante de sons ou atitudes, estávamos todos parados de pé, em um ponto a frente das cadeiras vazias, velando em silêncio a velha senhora que jazia sobre um tipo estranho de mesa móvel, decorada com rosas e jasmins.
O corpo sem vida levava junto com os traços da velhice, os traços da doença que a havia consumido a vida. Magra demais, realmente cadavérica, com cabelos brancos em um corte tradicional curto, e os dedos que descansavam sobre o colo afundado, eram finos demais.
Aquele definitivamente não era um quadro bonito, jamais seria. Independente de momento, apego ou situação. A velhice, a enfermidade e a morte.
Olhei para minha mãe e seu rosto impassível, a morte para ela era somente mais um dado para dar baixa no fim do dia. Fiquei me questionando quantas pessoas ela precisou ver morrer dentro do hospital em que trabalha até ficar assim.
Mirei o corpo sem vida mais uma vez e senti vontade de chorar, e devo dizer mesmo levemente envergonhado, que não foi por carisma ou simpatia pela velha senhora em nossa frente. Mas por Emi.
Até aquele momento nunca me ocorreu que um dia minha mãe poderia, e inevitavelmente estaria naquele lugar, velha, talvez enferma, e morta. Mais adiante a mãe de Miyavi lhe afagava os cabelos com ternura, ela o confortava, mas não apresentava tanta tristeza quanto ele. Ela não estava agindo da forma como eu pensei que seria, não era assim que eu me via se fosse a minha mãe ali. Provavelmente eu estaria morrendo junto.
Talvez fosse a idade, talvez fosse por causa de Miyavi.
Uma moça silenciosa entrou na sala e fez um gesto delicado com a cabeça, um movimento quase imperceptível. Minha mãe pegou na mãe de sua amiga e chamou seu nome com carinho, mas sem deixar de passar uma mensagem de aviso. Este foi o único momento em que vi a Hiroki-sam respirar de uma forma que a ajudava a segurar o choro, isso me comprovou que talvez ela somente estava sendo forte e escondendo a forma como se sentia de verdade.
Ela fez um sinal positivo com a cabeça, dando a resposta que a moça viera buscar. Ainda em um postura respeitosa, a mulher desconhecida acionou um mecanismo que fez a mesa onde jazia a avó de Miyavi, deslizar.
Uma única lágrima soltaria percorreu o rosto de Hiroki-san e me vi apegado demais àquela situação. Foi sem perceber que puxei minha mãe para perto de mim, com medo talvez que aquela esteira a levasse junto até a abertura bonita do forno metalizado. De repente tinha percebido o quão extensa era a dor de uma perda, mesmo sem ter perdido nada naquele momento.
Só, definitivamente, não queria perdê-la.
Emi se virou para mim com um sorriso pequeno e discreto o suficiente para não ser desrespeitoso. Tudo o que eu queria era abraçá-la e nunca mais soltar, nunca mais ir para longe dela. Nunca, jamais, a decepcionar.
E sem que eu precisasse parecer uma criancinha apavorada, foi exatamente isso que ela fez. Me abraçando sem soltar minha mão enquanto acompanhávamos a derradeira despedida de Mitori.
Depois dali, naquele dia só houve silêncio. Havia uma sms do Reita em meu telefone perguntado o que tinha acontecido para termos saído assim da escola, e eu a respondi. Joe foi lá em casa à noite, ele e minha mãe ficaram contando para Miyavi e para mim coisas do tempo de escola deles três juntos, para amenizar a situação.
Para facilitar o dia exaustivo, pedimos pizza. Silenciosamente, sem chamar atenção para mim, percebi que não importava o que acontecesse entre qualquer outra pessoa no mundo e eu, se eu tivesse que escolher entre minha mãe ou qualquer outra coisa, pessoa, momento ou situação... sempre escolheria Emi-san.
