Capítulo vinte e sete: Não é mania de perseguição
Por Kami-chan
Os dias tinham se tornado cada vez mais corridos para os seis meninos. Além dos motivos pessoais que mantinham cada um mais focado em si próprio, os meses tinham alcançado já o final do primeiro semestre das aulas, e consigo as temidas provas semestrais.
Entre o tempo dividido com estudo, Miyavi queria aproveitar aquela que seria a última semana de sua mãe consigo aqui. Hiroki havia dado sua palavra de que estava indo embora pela última vez. Ela antecipou sua ida em uma semana, mas garantiu que assim que conseguisse concluir a venda de suas ações na empresa coreana para qual trabalhava por um valor justo, estaria de volta.
Os dois tinham feito uma venda de garagem de todas as coisas que eram da avó. Venderam bem, os móveis clássicos eram clamados por uma geração que ansiava pelos ares do passado da cultura que sua avó trouxera consigo do Japão. Os moveis novos já tinham sido todos comprados, poucos ainda não haviam chegado.
As paredes foram pintadas, os cômodos reorganizados e redecorados. A cozinha tinha sido planejada sobre medida e não chegaria a tempo para que Hiroki acompanhasse a instalação. Por isso esta tarefa ficou como responsabilidade de Emi, bem como as chaves da casa que Miyavi queria que ficassem consigo a todo custo.
As duas amigas entenderam muito bem o motivo que levava Takamasa desejar tanto a posse das chaves de casa: Kai.
E foi este um dos motivos para a mãe não deixar as chaves com o menor. Ele também se manteria morando cm Emi até que ela voltasse para que ambos pudessem se mudar juntos para a casa nova. A mãe de Ruki era sua madrinha e era sua responsável legal na ausência de Hiroki, tinha autoridade para educar o garoto da mesma forma como educava Ruki. Sempre foi assim e assim sempre seria.
Seus filhos teriam que aprender que mesmo os amando e adorando os meninos pelos quais tinham se apaixonado, iriam ser orientados a seguir com este tipo de situação com responsabilidade e maturidade. De acordo com as palavras de Hiroki para o filho, sua casa e a de Emi não eram "teto pra foda grátis, e ponto."
Bem como o namoro com Kai deveria evoluir o suficiente para que escolhas não fossem tomadas por impulso ou tesão adolescente, e passos não fossem pulados no relacionamento. Da mesma forma como ela se deixou levar por um sentimento que vinha com ares de eternidade, mas que não havia resistido ao anuncio de uma gravidez acidental.
Mesmo que nem ele e nem Kai fossem correr risco semelhante, a lição era a mesma. Miyavi teria que aprender à duras penas que aquele era um passo que tinha hora certa para ser dado, e não simplesmente porque os dois estavam duros e com vontade.
Mesmo que seu querido namorado não facilitasse nesta parte para ele. Kai estava se mostrando uma linda criatura de duas caras, aquele menino doce se transformava quando estavam a sós. Ele bem que tentou explicar isto para a mãe, mas com Hiroki não tinha negócio; a teimosia da mãe era muito mais qualificada que a do filho.
No mais Hiroki não impôs tantas regras ao namoro de Miyavi, deixou claro que entendia como um quarto ficava quente quando dois adolescentes estavam sozinhos dentro dele. Mas pediu encarecidamente para que não usassem a casa de Emi para aquilo. E com isso ela quis dizer é claro, que a mãe de Kai deveria saber daquele namoro, pois como a madrinha teria posse da chave de sua casa, restaria a casa de Uke para "amassos mais quentes".
E claro, ela o lembrou do mais importante. O jantar que tinha intimado o filho a convidar Kai para que se conhecessem melhor de verdade. Como Takamasa estava se esquivando, ela mesma marcou data e hora para os meninos aparecerem em sua casa para conversarem os três.
Na escola Ruki riu muito do primo quando o mesmo contou para ele e Kai sobre tudo que a mãe tinha lhe falado com relação ao namoro. Mas a brincadeira acabou quando Miyavi perguntou se Takanori achava que Emi faria alguma coisa diferente. Isso fez Ruki parar de rir na mesma hora, foi a vez de Miyavi e Kai rirem.
Do outro lado do pátio Uruha vinha sorrindo ao lado de Aoi e Reita. Eles dois tinham entrado para o rodízio de quem compra o lanche, Aoi e Reita estavam sempre juntos independente de quem era a vez de ficar na fila. Uruha é que não se importava de se mostrar um sem noção e passava a maior parte do tempo seguindo a dupla por causa do moreno.
Aqueles dois falam de festas em que tinham ido todos os dias. Miyavi, Kai e Ruki nunca entendiam como eles tinham lugares para ir todos os dias. Após alguma pressão chantagista, Reita contou para Ruki que era um grupo do "facebook" que promovia encontros para descompromissados.
As pessoas que iam tinham um único interesse em comum: Ficarem sem compromisso, preconceito ou apego emocional.
Takanori achou aquilo horrível, Aoi estava levando Uruha para os buracos que ele frequentava. E Ruki sabia que Uruha só ia para não perder o moreno de vista, iludido por sua louca obsessão em fazer Yuu "mudar".
Perguntou para Reita se ele fazia parte deste grupo com uma aura quase assassina, e ainda ficou com o pé atrás quando o outro disse que não. Mas Reita explicou mais uma vez que Aoi era o seu melhor amigo, e como tal, sempre ouvia tudo o que Shiroyama tinha para compartilhar consigo.
Nada mais foi dito. Mas Reita gostou da demonstração de ciúmes.
No penúltimo dia daquele mês Hiroki e Miyavi esperaram por Kai em sua casa, vinte horas em ponto o menino tocou a campainha. Como a cozinha ainda não tinha sido instalada os três resolveram fazer um piquenique noturno no pátio dos fundos da casa.
Para quebrar o gelo e diminuir o pânico dos meninos, Hiroki disse que sempre quis fazer aquilo quando era nova, mas a mãe achava besteira e nunca permitiu. Conseguiu a descontração que queria quando contou que para compensar, Emi e ela comiam seus sanduíches no telhado sem sua mãe saber enquanto imaginavam que estavam acampando.
Conseguiu trazer o genro para o seu lado com maestria. Conversaram sobre todos os tipos de coisas, riram incontáveis vezes de coisas sem sentido até sentir dor na barriga. Ela pediu o número do telefone dele, e o dela fora salvo como "Okaa-Ishihara-san" no dele. Mas antes do fim da noite falaram também de coisas importantes.
Hiroki repetiu para Kai todas as regras do namoro que tinha imposto à Miyavi ignorando as reclamações em protesto do filho. Como um bom menino Kai concordou com quase todas elas, mas não queria contar para sua mãe sobre o namoro. Pelo menos não ainda.
A mãe de Miyavi não gostou e tentou convencê-lo a mudar de ideia. Mas fora manipulada pelo genro a esquecer do assunto quando o mesmo lhe deu trufas que ele mesmo tinha feito, o assunto chato foi trocado por uma longa explicação sobre como fazer trufas. Os três ficaram satisfeitos de alguma forma.
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O dia estava anormalmente quente e Aoi e Uruha estavam passando um tempo juntos na casa do moreno. Era sábado e Shiroyama só começava a trabalhar mais tarde.
Yuu ainda não aceitava com total tranquilidade a presença de Uruha em sua casa. Temia o tempo todo que o loiro desse vazão à sua falta de noção e resolvesse explorar cômodo a cômodo sua casa. Por isso mantinha a mais nova presença inseparável de seus dias trancado em seu quarto enquanto estavam no local.
Ainda assim não podia negar que aquele garoto era divertido, e a falta de senso de realidade faziam dele uma pessoa muito engraçada. Até compensava o medo de Uruha ver um pouco da sua vida miserável.
Uruha estava se defendendo de uma enxurrada de piadas referente à sua falta de jeito na hora de dançar, segundo ele a altura o deixava desengonçado. Declarou com orgulho que fazia um bom trabalho dançando nas festas enquanto que quase todos os caras que dançavam com ele eram no mínimo quinze centímetros mais baixos. E ainda rebateu dizendo que Aoi rebolava mais do que as garotas com quem dançava.
O que era um exagero, uma vez que as meninas pareciam que iam quebrar de tanto se esfregarem no moreno. Uruha bem que se esforçava, mas não conseguia fazer com que parasse de ficar com pelo menos uma menina por noite de festa. Mas estava diminuindo, e ele achava que era o tempo e o convívio fazendo efeito.
Uma noite desafiou o amigo a ficar com outro garoto. Aoi não tinha nenhum problema em assumir que não tinha nenhuma preferência por um gênero sexual em especial, apenas escolhia meninas por conveniência. Após alguns meses de amizade com Aoi, podendo observar o amado de perto, Uruha achava na verdade que o moreno tinha sim uma preferência e a evitava por conveniência.
A noite em que Aoi aceitou o desafio e ficou com outro garoto foi a mais curta festa que eles foram; e a mais cruel também. Diferente de quando ficava com garotas, Aoi quis ir embora logo após o "tempo da ficada" ter acabado. Entretanto ver o moreno com outro garoto doeu mais do que todas as garotas que ele já tinha visto com Yuu juntas.
Afinal se ele podia expressar tanto prazer estando com um cara, Kouyou não entendia por que este cara não podia ser ele. Ainda assim o admirou como em todas as noites, e concluiu que ele nunca tinha ficado tão quente ao expressar prazer.
Naquela noite Aoi se sentiu no direito de desafiar Uruha também, questionando por que o amigo nunca ia "até o fim" com ninguém nas festas. Uruha lhe respondeu apenas que era diferente dele, não ficava confortável com todos em volta o olhando ao invés de dizer que nunca tinha tido aquele tipo de experiência. Via como Aoi viva implicando com Ruki, e temeu ser julgado se dissesse que queria muito uma oportunidade de "ir até o fim" com alguém, mas não com um desconhecido em uma festa de almas libertinas.
Sendo assim, ele não se forçou a dar ouvidos ao desafio imposto pelo Shiroyama. Bem como Yuu não foi desafiado a ficar com mais garotos em sua frente. Kouyou estava achando que já estava se machucando bastante, era difícil de suportar aquilo sempre, mesmo que a frequência com a qual iam nestes lugares estivessem diminuindo gradativamente.
– Você não precisa abrir a boca para aplicar o rímel. – Uruha implicou com ele.
– Você também abre! – Ele acusou irritado.
– Abro o cacete. O que é, vai riscar a testa se fechar a boca? – Riu.
– Faz você quero ver. – O moreno se emburrou.
– Dá essa coisa aqui. Vê se aprende com o mestre.
– Você está parecendo uma garota. – Yuu disse com deboche.
– Você também! Não era esse o objetivo? – Reclamou aplicando o rímel nos cílios apertando os dentes para conter a mania estranha de abrir a boca. – Vê se aprende. – Disse se referindo à maquiagem.
– Não! Tá andrógeno, mas da pra ver de longe que eu so homem. Você não, você parece uma garota.
– Minha altura é super compatível com garotas. – Riu. – Mas passo por um travesti bonito e de bom gosto.
– É o objetivo? – Ele perguntou meio confuso.
– Que tom é esse de confusão? – Perguntou humorado. – Quer comprar minha lebre? Ela mia.
– É que quando você fica com os garotos nas festas, mesmo sem que você faça sexo com algum deles, é evidente que você é o ativo na atividade. Mas em todos os outros momentos do dia, principalmente quando se maquia, da ares de ser passivo. – Ele deu de ombros.
– Hum...presta tanto atenção em mim ficando com outros caras pra perceber nos beijos quem é passivo e ativo na brincadeira? – Inticou Takashima.
– Não tem como não. Toda vez que você escolhe um cara, o ar de decepção das meninas é tão grande que muda a energia do ambiente. – Yuu disse fazendo Uruha sorrir. – É sério, meu "face" está cheio de mensagens de meninas pedindo o teu, porque querem te conhecer.
– Sério? Eu não recebo muitas solicitações de amizade de pessoas estranhas.
– É porque todas elas te conhecem apenas por Uruha, nenhuma delas sabe teu nome. Eu também não dou, digo que não sou menino de recados e ignoro estas meninas por um tempo.
– Ah... posso ver estas mensagens? – Perguntou Kouyou astuto, sua mente ia muito mais além das palavras ditas.
Aoi ter dito que o observava com outras pessoas, que mantinha conversas que o incluíam, a negação em divulgar como encontrar seu perfil na rede social e uma vontade nata de ter acesso à caixa de mensagens do moreno formavam muitos pensamentos sujos em sua cabeça. Se bobiar, Aoi ainda é capaz de deixá-lo sozinho no quarto com seu perfil "logado". Seria o paraíso ler tudo o que apenas Aoi podia visualizar em sua própria vida online, nada era capaz de dizer mais sobre a personalidade de uma pessoa do que as coisas que ela faz de forma privada em redes sociais.
– Tá. – Disse o moreno sem resistência. – Vai cogitar sair com alguma delas? – Ele perguntou realmente curioso; o que fez o sorriso de Uruha se alargar mais.
– Não. Mas preciso saber quem são e o que elas dizem. – Soltou uma justificativa aceitável.
Como esperado o dono da casa pegou seu telefone e sentou na lateral da cama procurando pelo ícone do aplicativo, sendo seguido e imitado na atitude de sentar pelo loiro. A caixa de mensagens era extensa, a maioria eram pessoas que Uruha conhecia de vista daquelas festas. Na verdade, só Akira lhe parecia familiar na longa lista.
Leram várias mensagens, Uruha ficou surpreso com a quantidade de meninas que tinham intenções sonhadoras consigo. Aoi brincou que o loiro tinha mais fans do que ele, porque além de muito bonito, era carne nova.
– Tenho um novo desafio pra você. – Disse Uruha após pegar de relance finais de conversas e frases parciais que eram visíveis nas conversas que Aoi não abria.
– Diga.
– Não ficar com ninguém. – Ele disse e Aoi riu.
– Mas este é o propósito da festa.
– E daí?
– Tudo bem. – Ele disse fácil. – Elas estão ficando chatas mesmo.
– Elas as festas ou elas as garotas? – Quis saber o loiro.
– As duas coisas. – Respondeu com humor. – Era pra ser encontros aleatórios e sem compromisso, mas aí o foco vem mudando. Elas só querem saber de pedir para que eu as namora, eu digo não. Elas resolvem então fazer mais festas durante a semana do que lançamento de anime.
– E por que você vai em todas então? – Quis saber o loiro com uma nova ponta de esperança, seria ótimo se Aoi se cansasse de vez desta vida.
– Porque se não ir você é excluído do grupo. E eu gosto da proposta dele, gosto de saber onde tem pessoas com o mesmo objetivo que eu. Quando surge uma garota nova no grupo vale a pena.
– Que coisa sem sentido. Mas enfim, você tem que ir nee, não precisa obrigatoriamente ficar com alguém. – Tentou argumentar.
– É. Mas aí você começou a ir comigo e você sempre acaba ficando com alguém, eu não posso simplesmente ficar para trás. Elas já estão divididas nas opiniões sobre qual de nós dois é o mais bonito.
– O que? – Uruha quase gritou atônito.
– É! Tipo... – Ele começou, mas foi cortado pelos movimentos dos braços de Uruha que gesticulavam ideias que ele tentava organizar na cabeça.
– Você quer dizer que está ficando com todas estas garotas porque eu fico com pessoas quando vou lá?
– É...mais ou menos. Você era pra ser meu imã de garotas, mas todo mundo só quer saber de você, então eu meio que tenho que defender meu território. – Justificou-se meio sem entender a forma como Uruha parecia indignado.
– Não! – O loiro gritou. – Pare com isso. O desafio mudou, nem eu e nem você vamos ficar com ninguém naquela porcaria de festa. – Ordenou apontando para o moreno, havia tanta raiva que a ponta de seu dedo empurrava levemente o peito de Aoi. – Baka! Eu não sou um tipo de rival que você tem que superar.
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Na semana seguinte o professor de basquete da escola sofreu um acidente enquanto tentava recuperar uma das bolas que um aluno havia mandado para o telhado da escola. Nada muito sério considerando a altura que o homem havia caído, mas não daria aulas até a perna quebrada ficasse bem. Como resultado os alunos que praticavam esta modalidade foram divididos entre os demais esportes; um deles era Aoi que preferiu ir para o futebol junto com seus amigos.
Uruha era o mais feliz por isso, afinal cada minuto a mais para contagiar Aoi com sua presença era precioso para si. E também porque as aulas de educação física era uma das poucas em que Reita podia se divertir com Ruki, e Aoi não o atrapalharia por nada.
Com o aumento significativo do grupo, o professor avisou que enquanto o professor de licença não voltasse, as aulas seriam apenas jogos. Pequenos times foram formados e o minitorneio estava lançado, um prêmio seria oferecido ao time que tivesse mais vitórias durante o período de turma mista.
Ruki e Kai estavam com seus coletes vermelhos do lado de fora da quadra, assistindo o time Miyavi jogar com colete amarelo, contra o time de Reita com colete azul. Mais rindo e brincando do que prestando atenção em passes e gols. Logo Uruha e Aoi chegaram com seus coletes verdes e se sentaram ali com eles, um degrau abaixo na arquibancada.
Logo Uruha sacou o celular e passou amostrar fotos para Aoi. Do banco de trás dava para ver que se tratava de fotos dos dois juntos, evidentemente em uma festa. Parecia que Aoi ainda não tinha as visto, pois ria e comentava como se cada imagem lhe mostrasse fragmentos de uma lembrança muito engraçada, talvez por isso os meninos no banco de baixo estivessem dividindo gargalhadas altas.
Em uma delas os dois estavam realmente próximos, brincando com a câmera frontal do aparelho em uma sessão de caretas bizarras. Havia pessoas se beijando atrás deles como plano de fundo.
Em algum momento Aoi se levantou da arquibancada e começou a gritar asneiras para Reita em quadra, reunindo a atenção de todos os alunos que estavam fora de quadra que riram de suas palhaçadas. Especialmente quando o moreno ergueu a camiseta e gritou em alto e bom tom: "Suzuki, faz um gol pras tuas nega". Kai garantiu que até mesmo o professor riu.
Ruki aproveitou-se deste momento para enviar uma mensagem pro celular de Uruha. O mesmo estava com o aparelho em mãos e visualizou a frase imediatamente, ignorando o significado da frase quando leu a acusação de estar ficando igual ao Shiroyama.
O loiro não olhou para o amigo que estava imediatamente atrás de si, apenas visualizou a mensagem, bloqueou o telefone e o guardou no bolso do uniforme. A amizade entre os dois não era mais a mesma, Takanori jurava que não era mania de perseguição, estava tentando de verdade evitar maldizer Aoi. Mas era difícil quando via claramente os passos para cada vez mais longe que seu amigo dava.
Após uma leve advertência do professor, Aoi voltou a se sentar. No movimento, largou seu braço direito sobre a perna esquerda de Uruha com o antebraço pendendo ao lado do joelho do loiro como estivesse se escorando em uma grade de proteção e não em uma pessoa.
Não era mania de perseguição. Não era mania de perseguição. Aoi estava conseguindo corromper Uruha, seu amigo não era mais o mesmo. Era uma versão rastejante do playboy da escola, aquele que ia atrás e não ao lado.
Não era mania de perseguição. Era o medo e a falta de confiança que sempre vinha junto com a presença de Aoi. Não era mania de perseguição, mesmo que Uruha dissesse o contrario. Amigos andam lado a lado, e mesmo que em sua história não houvesse o amor cego e utópico de Uruha, ele próprio já tinha caminhado atrás de Aoi.
Amigos andam ao lado. Não era uma mania sua de perseguição.
