Capítulo vinte e nove: Tonight
Por Kami-chan
O passar dos dias pareceram voar. Com o prazo para a casa de shows estar pronta se apertando, Joe deu horas extras para Reita trabalhar nos finais de semana. Bem como Emi arrastou Miyavi para a "brincadeira" também, agora os adultos contavam com a força extra dos três adolescentes para colocar o lugar em ordem. Às vezes, por do tempo livre reduzido de Miyavi, Kai também aparecia pelo local e "dar uma mão."
Com muito esforço o lugar estava começando a ficar bonito. Estavam quase na reta final. Os meninos realmente encararam aquilo como uma brincadeira agradável, Ruki e Miyavi se orgulharam muito por terem instalado sozinhos as três luminárias pendentes que dariam iluminação especial ao balcão de bebidas. Em contrapartida, Reita rebateu dizendo que tinha carregado todas as mesinhas e cadeiras para aquele mesmo local.
Com a ausência da bagunça, era possível definir bem o que era o que naquele espaço enorme. A casa de shows contava com três entradas, cada uma com um diferente propósito. A que dava acesso ao palco tinha como hall de entrada um elegante bar no estilo burlesco, que Ruki tinha ajudado a desenhar sem sequer saber direito o motivo de Emi tê-lo pedido aquele desenho estranho.
Mesmo com todo o toque experiente da projetista, Ruki podia reconhecer sua obra claramente ali. Aquilo o agradava. À direita do bar ficavam os sanitários. À esquerda do bar havia um longo e largo corredor que levaria os visitantes até o local do show. A expectativa e emoção que cada fã sentiria ao passar ali para ver seu artista preferido eram intensificadas pelo teto rebaixado, iluminação difusa e paredes que imitavam isolamento acústico.
Antes de chegar ao final deste, à direita havia o acesso que subia para os camarotes, a sala da Emi que tinha vista exclusiva para o palco e a sala de Joe que tinha uma ampla mesa de reuniões logo acima do palco, que ampla a percepção dos futuros clientes em quanto espaço tinha o local. E no fim à esquerda o acesso exclusivo para o amplo primeiro nível, onde não havia cadeiras. Enquanto que para a direita subia a rampa que dava acesso a cada um dos demais níveis.
Para o evento que Joe tinha acertado sem nem mesmo estar com casa pronta, o show dos Abomináveis, somente aquela parte seria concluída. Os outros dois acessos levavam a partes da casa de show que tinham propósitos diferentes que seriam concluídos depois com calma, tempo e mais dinheiro. Por este motivo, a perambulação do resto do prédio ainda em etapa de construção em algumas partes, era proibida para os meninos.
Mas naquela noite em especial, o excesso de trabalho e o show de uma banda querida não seria o foco principal. Nem as notas na escola ou relacionamentos amorosos;
Mesmo que Ruki ainda tivesse quente na memória o bufo irritado de Reita quando o menor bateu o pé que o lugar em que algumas das mesas do bar estavam não eram harmônicos o suficiente e fez o da faixa mudar o posicionamento das coisas. Irritado, Akira pediu que Ruki segurasse sua camiseta, para que a mesma não rasgasse, amassasse ou sujasse. Pois já estava pronto para ir embora, afinal era domingo.
Para Reita mesas eram mesas, não precisavam de harmonia. As pessoas iriam desorganizar tudo de qualquer forma. Mas perceber a forma como Ruki mais o observava sem camisa do que lhe orientava sobre onde queria as ditas mesas, amenizou a irritação.
No ponto de vista observador, Takanori achou que não era tão bom detalhista como pensou que era, pois se lembrava dos bíceps de Reita menores. Talvez o trabalho extra na casa de shows estivesse fazendo muito bem para o da faixa. Não só para o bíceps, pensou ao observar os movimentos dos músculos em suas costas quando ele aplicou força para levantar uma das mesas.
Mas logo Miyavi entrou no local para apressar Ruki. Tinha que lembrá-lo que aquele era a última noite de sua na cidade, e que iriam sair para jantar. E isso ajudou o menor a se lembrar de qual era o foco principal naquela noite; a despedida de Hiroki.
Mesmo que não fosse exatamente uma despedida, pois ela tinha garantido que iria resolver seus negócios todos na Coreia e iria voltar de vez para morar com Myv. Só que não dava para prever quanto tempo exatamente isso tudo ia demorar.
Por isso é claro, eles tinha saído para jantar fora com a família: Hiroki, Miyavi, Emi, Ruki, Joe e o filho agregado de Hiroki, Kai.
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Aquele sim era o grande dia. Uma realização dupla: a grande inauguração da casa de shows da cidade, e o show de uma banda que amavam.
A movimentação começou cedo para que todos os preparativos começassem o quanto antes. Joe estava envolvido desde ontem à noite com o acompanhamento da banda, foi buscá-los no aeroporto e os deixou no hotel que tinha sugerido e auxiliado o maneger a reservar. Voltou para a casa de shows e garantiu que todos auxiliares fossem atendidos para poderem montar os equipamentos que deveriam estar impecáveis para a passagem de som logo cedo da manhã do show.
Emi marcou uma reunião com todas as pessoas contratadas para tornarem aquele um evento organizado e sem tumultos. Ruki, Reita e Aoi faziam parte desta equipe e estavam diretamente envolvidos com a preparação pré e pós-show. Como membros da equipe, estavam uniformizados como todos os outros, calça preta, camiseta com o nome da banda na frente, suporte escrito atrás e crachá.
E como membros da equipe que deveriam ser respeitados e seguidos como exemplo, prestaram total atenção às orientações e ordens passadas Emi na reunião. Tinham tanto trabalho a fazer que Ruki nem teve tempo de reclamar da presença de Aoi no local. Também não encontrou motivos depois de ver como o moreno era organizado e ágil com suas tarefas. Logo as horas consumiram o dia e sem que eles quase nem percebessem, já estava quase na hora do show.
Uruha, Kai e Miyavi iriam se reunir na casa de Ruki para se arrumarem. Deixar Kai e Miyavi sozinhos em uma casa sem adultos não era uma ideia que agradava Emi cem por cento, ma o dia seria corrido demais para ela ter que ir a sua casa pegar Miyavi e Uruha e depois ir até a casa de Kai antes de voltar para a casa de shows.
Por este motivo Kai e Miyavi ganharam a confiança da morena por uma noite. Na cabeça de Emi os meninos estariam tão ocupados se arrumando e contando expectativas para o show que nem teriam tempo para deixar Uruha como peça da mobilha em algum outro lugar da casa. Mas isso era só que ela achava.
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Uruha entendeu completamente o aviso no olhar de Miyavi quando este invadiu o quarto de Ruki, local onde ele e Kai estavam se arrumando. O loiro estava terminando de conferir alguns acessórios e estava terminando de fechar um bracelete de couro no antebraço de Kai quando o tatuado entrou no local de forma tão brusca que fez os dois meninos olharem diretamente para o portal arrombado.
Milagrosamente eles tinham ficado prontos quarenta minutos antes do horário combinado com Emi. Feito garantido por Kai que não gostava de se atrasar e assumiu metade das tarefas de Uruha entre as suas próprias.
Algo como: enquanto Uruha decidia qual short lhe favorecia mais, Kai escovou todo o cabelo do loiro já vestindo a calça; Enquanto Uruha vestia finalmente a roupa, Kai se maquiou e deixou separado na frente de Uruha quais sombras ele devia usar antes que o loiro tivesse que escolher entre as cores; Enquanto Uruha preparava a pele para a maquiagem, Kai arrumou os cabelos e conseguiu terminar em tempo de ele mesmo fazer a sombra nas pálpebras de Uruha, antes que o amigo resolvesse tirar todas as sombras que Kai já tinha guardado só para ter certeza que o amigo tinha mesmo escolhido certo. E enquanto Uruha escolhia os acessórios para ambos, a camisa e se sentou na cama de frente para o outro.
– Eu vou descer e comer alguma coisa antes de a gente sair – Disse o garoto mais interessado em encontrar um motivo para sair do local do que comer.
Uruha não foi ouvido e nem percebido por nenhum de seus dois amigos durante o percurso da cama até a porta que fechou atrás de si. Miyavi estava atentamente focado e encantado com a produção de Kai. Sentado na cama, o moreninho apenas se deixou ser observado, incerto se deveria se sentir satisfeito ou estranho com a produção completa.
Aquela era a primeira vez que Ishihara via o namorado completamente maquiado e produzido, normalmente Kai era o mais discreto dos meninos e preferia apenas usar base no rosto como maquiagem diária. Vê-lo daquela forma fez o termo "bishounen" ascender e deixar uma impressão marcante em sua mente. Provavelmente jamais seria capaz de ver Kai com outros olhos.
Miyavi por outro lado, tinha tanto estilo que parecia que ia em pelo menos um show de rock por dia. Por isso não foi tão chocante ver o menino produzido, não que isso fosse algo capaz de abalar o encanto do mais novo sobre si.
A extensão do sorriso de Ishihara apenas aumentou de acordo como a distância entre eles foi diminuída. O arco carregado de felicidade não se desfez nem mesmo enquanto o mais alto disparava o elogio para o seu belo namorado:
– Lindo. – Disse de forma simples enquanto lhe estendia a mão em um pedido claro para que Kai levantasse.
– Não bagunce. – Pediu baixo em uma voz bastante fraca, sempre era constrangedor receber elogios de Miyavi.
– Como assim não bagunce? – O mais alto riu de forma calma, buscando os olhos de Kai.
– Levou tempo, esforço e paciência demais para você bagunçar meu visual antes de irmos para o show. – Reclamou sem deixar de aceitar e retribuir o gesto que acomodaria os braços tatuados em torno de sua cintura.
– Hum...é um argumento justificável. Só que não. – Brincou fazendo Kai sorrir.
– Só que é! – Respondeu humorado, usando a mesma expressão que tinha o feito sorrir na fala do namorado.
– Não acho que haja mais alguém neste mundo que devesse te ver lindo deste jeito. E também me acho no direito de bagunçar completamente todo o teu visual.
– Você pode fazer isso depois do show. – Kai continuou argumentando de propósito, era realmente divertido.
– Não. Não tem graça se o show bagunçar você; tem que ser mérito meu.
– E onde você vai estar durante o show? – O mais baixou perguntou de forma retória enquanto se colocava na ponta dos pés para poder alcançar a orelha de Miyavi.
– Outro bom argumento. Só que ainda não. – Respondeu Ishihara usando dos reflexos do moreninho para fazê-lo seguir o caminho até seus lábios.
Não era uma tarefa difícil, Kai sempre seguia de uma forma ou de outra o movimento de seus lábios. Em um passado não tão distante, foi este hábito que havia denunciado ao Ishihara o verdadeiro desejo do menino que ia ao seu local quase todos os dias e pedia sempre a mesma coisa.
Mesmo pedindo para Miyavi não estragar o trabalho feito com a maquiagem, Kai achou que um beijinho não iria interferir. Afinal, mesmo que um pouco da base saísse ele ainda se lembrava que tinha conseguido terminar o trabalho em si e em Uruha bem antes do tempo previsto, então daria tempo para concertar. Certo?
Apenas um beijo. Apenas um. Um beijo divertido e salpicado, exatamente no clima da conversa. Com os dedos de Miyavi lhe afagando a cintura por cima do tecido da blusa justa em um carinho leve. Só um beijinho assim nem estragaria nada na maquiagem, ele tinha certeza. Por isso permitiu que a língua que passou a serpentear seus lábios conseguisse entreabri-los para que suas línguas pudessem se acariciar.
Aquilo ainda seria apenas um beijo. Levemente úmido, mas ele ainda tinha tempo para concertar qualquer pequena alteração na textura da base. Não teria problema, mesmo que ele estivesse aprofundando ainda mais o beijo que já não era mais divertido e salpicado, mas ainda leve e carinhoso.
Poderia voltar a ser divertido se fosse aprofundado um pouco mais, só mais um pouco. Podia sentir o contorno dos lábios de Miyavi sobre os seus e queria mais. Não teria problema, ainda era só um beijo. Antes de aprofundá-lo, achou melhor tirar o casado. Estava ficando um pouco quente e não queria suar, suar sim estragaria a complexa produção.
Involuntariamente seus abraços se fecharam contra o pescoço do mais alto, trazendo-o tão para perto de seu corpo que seus braços passavam um por cima do outro atrás do pescoço de Miyavi, sua mão esquerda conseguindo acariciar mechas do lado direito dos cabelos dele. A plenitude do contado entre seus corpos por si só acabou por aprofundar o beijo ainda mais.
Kai puxou a cabeça para trás sem distanciar o restante de seus corpos, queria apenas uma pequena reposição de ar antes de prender mais seus dedos contras as mechas de Miyavi e retomar o beijo. Era retomar e não iniciar um nojo beijo, afinal, era só um beijo. Só um.
Quente e profundo. Talvez estragasse a base um pouquinho mais do que ele estava planejando, mas daria tempo de arrumar de qualquer forma. Seria mais rápido se usasse pó, podia aproveitar só mais um pouco seu namorado.
Mesmo que as mãos de Miyavi estivessem se tornado calorosamente inquietas, percorrendo por pontos de suas costas que o fazia relaxar e se entregar entre seus braços. A calça justa estava começando a incomodar quando Miyavi guiou ambas as mãos para seu quadril, passando além da carícia o desejo de puxar as pernas de Kai para circularem sua cintura. O movimento brusco o fez se desvencilhar do namorado por reflexo.
– Itai. – Reclamou baixinho. – Essa calça definitivamente não é para momentos assim. – Completou assim que estava com seus pés no chão novamente e costura do tecido rígido não o machucava mais.
– Vem cá. – Pediu o mais alto apenas para justificar a forma como estava o puxando pela barra da calça.
Miyavi andou com menor até que chegassem a uma das paredes do quarto e o próprio se colocou contra a parede gelada. As pernas ficaram abertas o suficiente não apenas para acomodar Kai, mas também para deixá-los com a mesma altura. Sem qualquer tipo de aviso, o mais alto embrenhou as mãos com habilidade pelas duas extremidades da calça jeans do outro e a abriu.
– Miya.. – Começou em tom de advertência, mas fora calado pelas atitudes do outro.
A calça aberta serviu como apoio para que seu corpo fosse puxado novamente para mais perto. As mãos confiantes invadiram o espaço aberto, trazendo para fora do aperto do jeans o conjunto de órgãos ainda escondidos pelo tecido mole da cueca, brincando de forma despreocupada com os contornos que marcavam os positivos sobre o tecido liso.
Yutaka retomou o contato contra os lábios do maior, colocando no ato a intensidade que não pediria para Miyavi aplicar na região em que seus dedos tocavam. Mesmo que desejasse.
A culpa fora da calça, não é. Se não tivesse se machucado com a costura o apertando em um local sensível demais, ainda seria só um beijo. Então não havia por que parar. Depois era só fechar a calça antes de se arrumar rapidinho. Cinco minutos podia dar, assim poderia aproveitar o namorado por uns minutinhos a mais.
Quente, intenso, úmido e ao embalo da mão de Miyavi que passou a tocar seu corpo em pele nua. A sensação prazerosa dos dois estímulos o levando ao desejo de mais. Largou os lábios de Miyavi quando um sussurro de prazer dominou seus sentidos e se sobressaiu entre seus lábios, após o gemido baixo seus lábios seguiram imediatamente para o pescoço de Ishihara. Depois de corrigir sua própria maquiagem teria que dar um jeito de cobrir algumas marcas na pele dele também, pois iria marcá-lo.
– Kai... – O outro o chamou, mas ouviu apenas um murmúrio que indicava a atenção do moreninho mesmo que o mesmo não parasse o que fazia. – Eu também. – Choramingou colocando um pouco mais de pressão no toque contra o pênis do mais novo dos dois.
Cintos, botões e zíperes não eram empecilhos incontornáveis. Aquela não era a primeira vez que seus carinhos tomavam aquele rumo, apenas tinha a recomendação feita pela mãe de Miyavi que os mantinha sob grossa vigia e os impedia de ir além. Mas os carinhos..
– Não suje minha roupa. – Cochichou Yutaka que tinha decido por fim que não retocaria maquiagem nenhuma, todo tempo a sós com Miyavi deveria ser melhor aproveitado do que com ele pensando em base para rosto e pó compacto.
– Pra eu não sujar tua roupa, só se for dentro gatinho.
– Myvi... – Reclamou não porque não quisesse ir além, mas porque tinha prometido à mãe dele e à Emi-san que manteria Miyavi na linha. Sem quebrar a ordem dada pela mãe.
Não tinha nenhum problema em admitir que aquilo era difícil. Queria aquilo tanto quanto o outro, mas sabia que se desobedecesse Emi o obrigaria a contar sobre o namoro para a mãe.
– A gente não pode. – Disse com esforço.
– Não tem ninguém aqui. Uruha não vai contar.
– A Emi-san está pra chegar.
– Todo mundo ficou pronto antes, tem tempo até ela chegar.
– Isso não vai dar certo. Só o fato dela ter um horário pra chegar aqui é indício de que vai dar merda.
– Não vai não. A gente sabe a hora que ela vem, vamos terminar antes.
– Myv...
– Por favor, gatinho.
– Droga. – Disse mais para si mesmo do que para o namorado.
Estariam enrascados. Com certeza estariam enrascados, muito enrascados. Mas isso parecia tão remotamente mundano se comparado à vontade de senti-lo ainda mais seu.
Antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, os lábios de Kai foram tomados mais uma vez. O corpo menor foi novamente acolhido entre os braços do maior e guiado pelo quarto de Ruki, desta vez para cama.
Ao sentir o contato com o móvel, Kai os ajudou a se acomodarem sobre o colchão. Não tinha motivos convincentes para se forçar a parar. Emi chegaria, mas tinham mesmo tempo. Buscou com os olhos algum relógio pelo quarto de Ruki, não encontrou. As mãos de Miyavi alcançando suas nádegas por dentro da calça jeans o puxando para mais pra cima na cama, fez a ideia de querer saber as horas sumir de sua cabeça.
As mãos do mais velho subiram de volta até emergirem a cima do tecido grosso, suas unhas aproveitaram para sentir melhor a textura da pele macia antes de voltar a descer, mas desta vez pelo lado de fora da calça. Seus dedos hábeis conseguindo descer o jeans e a cueca o suficiente para deixar todo o bumbum de Kai exposto.
A troca de carícia sobre a pele fina dos membros tesos voltou a ser trocada. Miyavi recuou apenas por um momento para tirar a própria camisa que era larga o suficiente para ser retirada como uma camiseta. Mas antes que pudesse se aproximar novamente do corpo sob si, sentiu-se atingido por algo que depois de ver identificou como um pé de sapato.
Pior. Sapato de Emi. Não tinha sido com este que ela tinha saído hoje de manhã?
– Ferrou. – Disse baixinho, fazendo Kai abrir os olhos de imediato.
– Takamasa se você ainda estiver em cima deste garoto quando eu contar cinco, vou trancar você aqui enquanto levo Kai pra casa dele. E vai ser sem show pra vocês. – Disse a mãe de Ruki de forma altiva.
Em resposta o mais velho se flexionou no colchão e depositou um selinho rápido sobre os lábios do namorado, junto com um pedido quase mudo de desculpas. Baixo para que Emi não ouvisse, e por este motivo, a irritando ainda mais.
– Cinco Miyavi! – Gritou.
– Saí. Saí. Saí. – Disse o menino aflito caminhando de joelhos no colchão, ainda de costas enquanto fechava a calça.
Kai ao se ver com as pernas livres, pulou da cama e correu para a suíte de Ruki tentando puxar suas calças apertadas no caminho. Sem sucesso é claro. Emi quis rir da cena do menino tentando correr desesperado com a bunda branca de fora, mas se manteve firme.
– Eu sei tudo o que você vai dizer. Não briga com ele, foi bem eu que o convenci a quebrar a dita da regra infernal. – Disse Miyavi assim que viu a porta do banheiro no quarto de Ruki ser batida com velocidade.
– Sabe por que deixei vocês sozinhos? – Ela perguntou sem lhe dar brecha. – Porque tinha confiança em vocês dois. Sabe o que vai acontecer depois de vocês terem a quebrado? O namoro de vocês vai ser restrito à sala.
– Mas Emi... – Choramingou.
– Sem mais Takamasa. Tua mãe de deixou uma ordem clara.
– Mas é uma ordem que não faz sentido, a gente namora e nós dois queremos. Não é como se eu estivesse o forçando ou coisa assim.
– Foi uma ordem dada a você pela sua mãe. Ponto.
– Eu juro que vou levar a sério a partir de agora, por favor, deixa a gente continuar namorando no quarto. – Choramingou.
– Tarde demais. Fique satisfeito poderia ser pior, e será se a partir de hoje eu chegar em casa e vocês não estiverem na sala. Agora desce e me espera no carro junto com Uruha.
– Espera.. não briga com ele, eu já disse que a culpa foi minha.
– Achei que você tinha dito que não estava o forçando...
– Não. Mas eu que o convenci a quebrar a regra.
– Então desce e me espera no carro com Uruha.
– Mas..
– Agora Miyavi.
Emi manteve o olhar sério que encorajou o menino a sair dali quieto. Quando se viu só no quarto, suavizou a expressão enquanto caminhava até a porta do banheiro.
– Kai – Chamou batendo na porta. – Eu tenho hora pra voltar pra casa de shows, trate de sair desse banheiro agora, ou vai ficar em casa. – Advertiu.
Cerca de dez hesitantes segundos o som da chave sendo girada foi ouvido, e porta foi aberta. No interior do banheiro um menino envergonhado olhava atentamente para o piso claro do chão. As maçãs do rosto e os olhos estavam vermelhos.
– Não chora, porque não vai dar tempo de refazer esta maquiagem. – Ela disse ao perceber o lábio inferior, inchado demais, tinha começado a tremer.
– M..Me desculpe Emi-san.
– Você me decepcionou, vai sofrer as consequências disso. Agora engole essa cara de choro, porque estamos atrasados. – Ela disse com calma.
– Eu devia ter sido mais forte. Não queria te decepcionar. – Disse o mais novo, fazendo Emi suspirar e se abaixar para olhá-lo nos olhos.
– Eu sei o que vocês dois estão sentindo Kai, eu e a Hiro-chan sabemos. Já tivemos a idade de vocês. Eu sei que é difícil, eu sei que da vontade e parece pouca coisa para tanta tentação. Sei que a regra imposta pela mãe do Myv parece sem sentido para vocês dois, mas foi uma regra e vocês dois vão ter que respeitar isso. Ela só quer ter certeza de que nenhum de vocês irá dar um passo errado, pois sofreu com o passo que ela deu errado.
– Eu sei. Mas a teoria e a prática nesse caso são completamente diferentes, perder o controle é fácil demais.
– E enquanto for fácil demais é um bom indicativo de que é cedo demais. De um jeito de manter o controle e conter a vontade até a Hiro voltar. As coisas que vocês dois fazem naquele quarto já devem ser o bastante. – Ela completou apontando para o teto, querendo indicar na verdade o quarto de Miyavi na casa.
– Etto.. – O mais novo começou com vergonha, tinha certeza de que eram discretos o bastante para Emi não desconfiar dos carinhos mais ousados que trocavam, e que segundo a mãe de Miyavi, também eram proibidos até Kai contar para mãe do namoro. Pois deveriam usar a casa do moreno para isso e não a de Emi.
– Não me vem "Etto..". Eu sei muito bem tudo o que acontece dentro de minha própria casa.
– Emi-san você acabou de nos tirar o direito de namorar no quarto. – Choramingou, mostrando que mesmo dentro do banheiro, estava bem atento à conversa do lado de fora.
– Esta regra pode ser temporária se você conseguir me convencer novamente de que pode conter aquele cabeça oca.
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– Onde é que você estava? – Joe gritou assim que Emi entrou no local com Kai, Miyavi e Uruha.
– Fui buscar os meninos ué. – Ela se defendeu com a resposta óbvia.
– Preciso de você aqui Emi, vamos logo! – Joe disse de forma apressada, quase desesperada.
– Tá. – Emi disse sem outra opção, olhou por cima para o local, satisfeita por avistar Ruki. – Ruki! – Gritou alto o suficiente para o filho ouvir.
– Ah você está aí. – Ele respondeu vindo na direção da mãe. – Faltam vinte minutos para o horário que combinamos abrir a casa ao público, isto está confirmado? Posso manter o combinado?
– Pode querido. Leve seus amigos para a minha sala, vocês vão assistir ao show de lá. Eu quero que você garanta que todos estejam exercendo sua função antes de liberar a entrada do público, e então suba com Aoi e Reita para minha sala também.
– Pode deixar mãe. – Disse e fez um gesto para Kai, Miyavi e Uruha o seguirem.
– Ruki está parecendo todo importante com uniforme, crachá e esse rádio no bolso. – Uruha comentou rindo.
– Pro inferno Uruha. – Xingou, mas logo voltou a sorrir. – Esta é a entrada para a área de shows. – Disse se referindo ao local onde estavam e em seguida apontou para uma parede que tornava privada as portas dos banheiros. – Lá são os banheiros, e por aqui fica o caminho para o palco. Vamos.
– A gente não vai passar nos camarins não? – Kai quis saber, interessado é claro em encontrar algum membro da banda.
– Podemos se vocês quiserem saber onde ficam, mas adianto que como esse show ficou todo emendado devido ao erro com o anfiteatro, eles optaram por virem prontos do hotel mesmo já que vão seguir viajem logo na sequencia do show. O atraso no show os atrapalhou muito.
– Ah que droga! Achei que ia os conhecer, estava tão esperançoso. – Uruha reclamou.
– Foi por isso que você veio com essa alegoria carnavalesca no lugar de short Uru? – Implicou Miyavi que recebeu um belo "dedo do meio" como resposta.
– Certo gente, por aqui fica a subida pros camarotes. Também dá acesso à sala da minha mãe, que é onde a gente vai ficar. Ela tem uma visão exclusiva do palco de lá.
– "Ruki o segurança está me pedindo autorização para abrir, você chegou a falar com a Emi-san?" – A voz de Aoi se sobressaiu no rádio que Ruki carregava.
– Pode liberar na hora marcada. – Takanori respondeu com os lábios quase encostados no walk talk.
– Olha, Ruki se comunicando com Aoi como uma pessoa normal. – Zombou Uruha.
– Emi e seus méritos. – Completou Miyavi.
– É. E é só pelo sucesso disso mesmo. – Disse Ruki envolvendo o local com as mãos. – É aqui. Fiquem aí, eu vou checar algumas últimas coisas e já volto com Reita e Aoi.
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A escolha de vir direto do hotel para o show rendeu um atraso anormal no início do show. Era comum em eventos assim atrasarem um pouco, mas o transito complicado na travessia normalmente calma já estava fazendo com que a espera dos fãs ultrapassasse a marca dos cinquenta minutos da hora marcada.
Este tempo representava algo muito mais extenso nos corações ansiosos que aguardavam pelo surgimento da banda e o início do show. Mas todo este sentimento fora transformado quando as luzes se ascenderam e a histeria formou a corrente que eletrizaria todos os presentes por toda a noite.
A sala de Emi era a mais longe de se chegar quando caminhavam pelo corredor, mas o efeito disso na visão que tinham imediatamente à esquerda e acima do palco compensava cada passo dado a mais pelo longo corredor. A parede no fundo da sala era completamente de vidro, da metade da parede para cima eles abriam e para os seis meninos ali dentro era como se flutuassem sobre a banda no palco.
Não foram poucas as vezes em que Reita teve que puxar Ruki pela roupa para o menor recuasse para dentro da sala, e não deixasse metade do corpo pendurado para fora. Gritando e pulando, pedindo quase desesperadamente para cair de toda aquela altura. O pequeno se empolgava e pulava para fora, era puxado por Reita e se continha por algum tempo, mas não muito já que de contrapartida Uruha o instigava ao fazer a mesma coisa.
O da faixa chegou a procurar Aoi com os olhos em um momento em que tanto Ruki quanto Uruha estavam com mais da metade do corpo pendurados para fora. Trazer Ruki já era uma tarefa difícil e Aoi estava mais perto de Uruha do que ele, que tinha Ruki os separando.
Mas deixou de lado quando viu pela primeira vez desde que conhecera Yuu no início do ano, ele feliz de verdade. Sem nenhum sinal de preocupação ou a frágil máscara que de garoto inconsequente que estava habituado a vestir. Sem os músculos de sua testa quase imperceptivelmente contraídos por seu uma pessoa que não se permitia parar de pensar o tempo todo. Aoi estava apenas sorrindo e cantando, interagindo com Kai e Miyavi que riam do péssimo inglês do amigo.
E isso não o abalava. Aoi não parava de cantar e nem de sorrir ou tentar se comunicar com a banda no palco, mesmo sabendo que seria impossível para eles os ouvirem durante as músicas apesar de serem as pessoas mais próximas. Daquele jeito ele não lembrava em nada o menino que se fazia de adulto para não fazer a mãe se sentir culpada, nem o rebelde sem causa que se fazia de inconsequente apenas para não deixar exposto o quão rápido teve que crescer.
Ainda assim, sempre alerta, ele pareceu ver com a visão periférica quando Reita puxou Ruki de volta, e se adiantou para fazer o mesmo com Uruha. Com um pouco mais de dificuldade já que a roupa do loiro era mais justa ao corpo. Reita riu quando o amigo apontou para o chão como se fizesse uma linha imaginária para mostrar ao loiro de onde ele não podia passar. Como se não soubessem que uma ou duas músicas depois eles estariam novamente pendurados vidro afora.
A diferença crucial foi que duas ou três músicas depois, a música tocada era a preferida de Ruki. Ouvir o início da introdução daquela música despertou uma série de reações no mais baixo dos seis, que atingiu seu nível máximo de energia.
– Ohhhh – Gritou colocando sua mão por instinto sobre o punho de Reita. – Ka...i – Quis chamar seu amigo de infância que sempre surtava junto consigo com aquela música em especial, mas ao olhar para o lado desistiu de chamá-lo.
Kai estava completamente escondido entre Miyavi e a parede lateral da sala, que era de concreto. De onde estava Ruki achou impossível o era corpo do Kai e o que era o corpo de Miyavi, pois o maior parecia de empurrar cada vez mais contra Yutaka, possivelmente os dois abririam um buraco na parece logo logo.
Não quis interromper. Apenas olhou pro lado oposto e apertou mais o punho de Reita contra seus dedos:
– Esta é minha música preferida! – Gritou, puxando o da faixa para pular e gritar consigo.
A energia por ter ouvido sua música preferida ao vivo durou ainda mais duas músicas além daquela, mas logo em seguida o pequeno começou a sentir o efeito do excesso em seu corpo. Estava morrendo de sede. Sua boca estava completamente seca.
Olhou novamente para Kai, mas ele estava completamente grudado em Miyavi. Tão grudados que Ruki chegou a se perguntar se estavam bem, mas em resposta viu a mão de Kai surgir de um local suspeito no corpo de Miyavi e grudar com força contra a bunda do mesmo o puxando com vontade contra seu corpo. Então decidiu que seria melhor tentar não entender, apesar de achar que a calça de Miyavi parecia mais folgada do que era olhando de trás, como se estivesse aberta.
Então procurou Uruha rapidamente para lhe acompanhar até o bar para pegar algo para beber, mas não o achou. Estranhou e olhou para trás para ver se ele estava mais pra lá, mas não achou. Então olhou novamente para o lado em que Uruha deveria estar, desta vez com um pouco mais de atenção, e nesta vez o achou.
Mas não da forma como esperava: Grudado em Aoi.
Aquilo não fazia o menor sentido. Não parecia certo, afinal...desde quando que esta possibilidade existia mesmo?
Uruha estava de costas para o palco, encostado na parede de vidro. Seus dedos pareciam congelados nos ombros de Aoi, que tinha as duas mãos muito bem recostadas uma de cada lado da cintura pequena. Nem mesmo suas cabeças pareciam se mover demais enquanto se beijavam de forma calma.
Ao perceber Ruki ficar quieto e parado de forma súbita, Reita também parou de prestar atenção no show para olhar o que Ruki olhava. Kai e Miyavi já tinham se despedido há muito tempo do lugar físico onde estavam, aquilo não o surpreendia. Mas ver Aoi e Uruha se beijando sim. Nunca tinham focado uma conversa em Uruha, mas tinha muitos pontos sobre Aoi que Reita conhecia e achava de verdade que não combinavam com aquele beijo.
De repente algo mais pesado recaiu sobre si, e ele percebeu serem os olhos de Ruki. Havia tanta coisa transparecendo naquele olhar sobre si que Reita achou confuso demais separar e descrever cada uma delas. Uma coisa era certa, estavam os seis sozinhos em uma sala e quatro se beijando. Apenas os dois se olhando. O clima que aquilo gerava era estranho demais até mesmo para ele.
– Tudo bem? – Perguntou ao mais baixo.
– Sede. – Disse em tom baixo sem olhar diretamente em seus olhos e saiu.
– Espera! Eu vou com você. – Gritou indo ligeiro atrás do pequeno.
Do lado de fora nos corredores principais havia sempre uma ou outra pessoa circulando, algumas com o mesmo objetivo que eles, outras com vontade de ir ao banheiro. O caminho até o bar foi feito em silêncio, mas somente o fato de ter saído de dentro da sala, tornava o clima mais brando.
No bar o movimento estava maior. Para evitar qualquer incidente no meio do aglomerado, ou se perder de Reita, Ruki não hesitou em buscar a mão do amigo para entrelaçar com a sua. Assim não foi preciso tentar se comunicar com reita no meio do zumbido alto das múltiplas conversas espalhadas pela local cheio com os acompanhantes legais dos menores de idade.
Emi tinha aberto o bar para dois acompanhantes a cada menor que estava no show. Segundo ela o consumo de bebidas compensaria muito, e dado pelo movimento no lugar, ela estava certa.
Ruki conduziu Reita até a abertura lateral do bar, e passou pelos trabalhadores tentando não atrapalhar até chegar à geladeira com porta de vidro. Estava com tanta sede que nem pensou em pegar outra bebida se não água. Perguntou para Reita o que ele queria, recebendo a resposta que fez pegar outra garrafinha igual a sua. E por fim achou melhor levar mais algumas caso os outros meninos na sala estivesse com sede quando saíssem de seus transes.
– Sabe...se você não quiser entrar aí, a gente pode dar mais uma volta. Olhar o resto do show em pé no meio da galera. – Reita disse no momento em que chegaram novamente à sala e Ruki tinha a mão parada sobre o trinque da porta de forma hesitante.
O pequeno sorriu, já tinha se convencido que Reita dava muito valor à forma como se sentia. Tanto que quase conseguia não se achar estupidamente patético quando ele falava este tipo de coisas em momentos como aquele.
Ruki tinha usado o silêncio do caminho de ida e volta para pensar. Sabia exatamente no que implicava entrar naquela sala com Reita, com o clima que ela estava emanando no momento. Tinha com certeza muitas coisas confusas em sua cabeça, mas ver Uruha com Aoi o fez ter vontade de pelo menos uma vez agir pelo desejo do presente e não pelas possibilidades do futuro.
– Tudo bem. – Sorriu. – Eu quero voltar para lá com você.
Disse e se virou para aplicar força contra a maçaneta e abrir a porta. Mas a mesma foi aberta antes, e por ela um Aoi pálido passou transtornado. Literalmente soando frio.
– Aoi! – Reita gritou, uma vez que o moreno sequer parecia tê-lo visto ali.
Shiroyama balbuciou alguma coisa para Reita que Ruki não conseguiu ouvir. Para o amigo, ele só conseguiu dizer palavras soltas indicando que tinham lhe ligado e que algo tinha acontecido com a mãe em casa. Reita quis acompanhar Aoi, pois o mesmo estava visivelmente transtornado, mas o que recebeu de volta foi uma negativa com um pedido para avisar Joe.
Akira o deixou ir com a garantia que assim que encontrasse Joe iria para a mansão Shiroyama com o mais velho. Em seguida se voltou para Ruki que os assistia sem entender nada, mas visivelmente assustado.
– O que foi que houve? Por que ele está... U..Uru? – O pequeno disse várias coisas e correu para dentro da sala.
Em sua cabeça a única coisa que fazia sentido era que Aoi tinha ouvido algum tipo de declaração de Uruha e corrido. Mas ao entrar na sala encontrou os três meninos dentro desta devidamente separados e com rostos preocupados.
– O que houve aqui? – Perguntou com medo da resposta.
– Aoi recebeu uma ligação e saiu correndo com aquela cara. – Respondeu Uruha. – Eu vou atrás dele! – O loiro pareceu decidir de forma instantânea, mas fora impedido de fazer o que queria por Reita que o segurou.
– Aoi teve um problema familiar e pessoal Uruha. Não o siga. – Reita disse de forma firme.
Sabia que Aoi não havia contava sobre a família sobre ninguém. Inúmeras vezes o moreno havia se queixado da forma como Uruha era espaçoso aparecendo em sua casa do nada. Aquele tipo de atitude o fazia temer a presença do loiro em sua residência. Acima de tudo Reita tinha certeza que independente da gravidade do que tinha acontecido com a mãe de Aoi, tudo o que Yuu não iria querer neste momento era a intromissão de um xereta.
– Eu vou procurar o Joe. Sem Joe, Aoi e eu aqui vocês todos vão ter que ajudar Emi depois do show, é assim que vocês ajudam neste momento.
Reita procurou por Ruki no canto da sala. O pequeno estava com uma cara estranha enquanto apertava a garrafinha de água com força com as duas mãos em frente ao corpo, talvez contrariado consigo mesmo por estar se sentindo preocupado. Se a situação não fosse grave, acharia divertida a forma como o pânico no rosto de Aoi conseguiu deixar até mesmo Ruki preocupado.
Caminhou até onde Takanori estava. Queria falar baixo, o que tinha para conversar com o pequeno não precisava ser ouvido por mais ninguém.
– Obrigado por ter dito sim Ruki. – Disse se referindo ao fato de que ambos sabiam o que aconteceria se tivessem conseguido entrar na sala antes de tudo mudar.
Sem temer ser ousado demais se permitiu encostar seus lábios nos lábios do menor. Um simples, rápido e delicado tímido selinho que fez ambos sorrirem de forma constrangida ao se separarem tão rápido quanto o contato durou.
– Da logo o fora daqui. – Reita foi enxotado pelo menor, sorrindo pelo o que percebeu ser mais um ato de constrangimento do que qualquer outra coisa.
– Vou te mandar uma mensagem quando sair da casa do Aoi. – Avisou antes de se virar e sair da sala. – Não deixe Uruha vir.
