Capítulo quarenta: Você e eu

Por Kami-chan

Hoje é sexta-feira, Uruha está tagarelando do meu lado em um monólogo interminável ao qual eu não estava conseguindo dar atenção. Juro que desta vez não era por maldade porque o nome do Aoi saía da boca dele a cada três palavras. Até porque eu queria mesmo saber o que tinha feito ele ficar de novo com aquele cara e ver as caretas de raiva do Uruha eram mesmo algo muito engraçado.

Simplesmente não estava dando. Eu estava quase caindo com a cara no tampo da mesa, morrendo de sono. Só não pedia para Emi para matar aula, porque isto seria inútil. Ela sabia que estava perto da semana de provas.

Ainda para ajudar, naquele dia até o Miyavi acordou bem disposto e surpreendeu a todos ao invadir a cozinha com um visual mais modesto e comportado. Isto fez ele virar alvo da minha mãe que ligou o fato à visita dele na noite passada à casa da sogra.

Na minha cabeça aquilo fazia sentido. Eu me lembro de quando ainda não sabíamos que Miyavi estava tão perto de nós e a foto do perfil esquecido dele no Skype era com um cabelo completamente colorido. Foi sobre isto uma de nossas primeiras conversas quando ele chegou aqui, disse que como teve que voltar para a casa da avó aquele cabelo não era adequado.

Então fazia sentido para mim que ele aderisse a um visual mais coberto por assim dizer, se a mãe do Kai tivesse dito alguma coisa para ele. Mesmo que até então ele só tenha dividido a reprovação ao excesso de tatuagens.

Até mesmo Kai conseguiu chegar mais cedo naquela manhã. Flutuando e radiantemente abobado, o mel excessivo entre os dois estava me deixando com mais sono ainda. Eles eram muito chatos quando estavam juntos falando bobeiras em vozes irritantemente finas entre beijinhos e bitoquinhas. Uma chatice irritante.

Tudo bem, o sono estava me deixando com menos paciência do que o normal. Mas fala sério.

Bocejei, talvez pela trigésima vez desde que tínhamos todos nos sentado em torno da mesma mesa de café da manhã. Apoiei meu roso em minha mão e fiquei olhando o café claro dentro da xícara por tempo demais.

– Credo Takanori, vai jogar uma água nessa cara. – Minha mãe reclamou.

– Não mesmo, teria que refazer a maquiagem. – Respondi.

– Se dormir, o rímel e o delineador irão te deixar como um panda. – Contrapôs.

– Eu não vou dormir, eu só... – Bocejei novamente. – Estou cansado.

Eu não devia ter ido até a casa de Aoi em uma noite de semana. Onde eu estava com a cabeça? É claro que ter saído de lá tarde não impediu minha mãe de me esperar e fazer com que eu conversasse com ela sobre o que tinha conversado com Aoi. E é claro que depois de conversar com ela eu fui para a cama com a cabeça cheia demais para dormir.

Isso me irritava. Irritava tanto que nem quero mais saber sobre Aoi e conversa e diabo a quatro. Foda-se aquele esquisito. E foda-se minha mãe perguntando no fim se tinha sido somente aquilo que Aoi tinha me contado.

Como assim, tinha mais por acaso? Não sei, porque é claro que Emi não me respondeu.

– Ah eu ia me esquecendo... – A voz dela me fez olhar para frente novamente. – Eu achei isto para você. – Concluiu levantando uma folha de desenho já meio amarelada e virando para mim.

– O que é isto? – Uruha se meteu, chamando a atenção até mesmo do casal de pombinhos de açúcar.

– Uma tartaruga, sua anta. – Respondi o óbvio.

– Eu guardo todos os seus trabalhinhos escolares. – Emi disse orgulhosa olhando o desenho ao mesmo tempo em que nos mostrava.

– Por que o fundo é roxo? – Uruha quem fez a pergunta mais uma vez.

– Por que ela está nadando em uma piscina de gelatina. – Kai respondeu como se estivesse indignado por Uruha não saber da resposta óbvia, só pude rir.

Eu era rodeado por malucos. Adoráveis malucos em uma insanidade sadia.

Se é que isto existe.

A onda de risadas me deixou um pouco mais acordado. Pelo menos acordado o bastante para ouvir com clareza e boa vontade a próxima pergunta de Uruha.

– Ah o Ruki gosta de tartarugas? – Ele perguntou idiotamente feliz.

– Hn. – Concordei lhe sorrindo.

– Então está explicado! – Disse completamente feliz batendo com a palma da mão na mesa, apenas fiquei lhe encarando a espera da explicação já que era óbvio que apenas ele tinha entendido o seu próprio raciocínio. – O motivo por você gostar do Reita. – Concluiu como que não entender aquilo fosse um ultraje.

Kai, Miyavi e Emi riram desesperadamente do comentário. Eu não consegui entender a graça.

Não, não havia insanidade sadia. Mas ainda assim a nossa insanidade me fazia feliz. Mesmo que muitas vezes sem entender e muitas vezes sem concordar com alguns dos malucos ao meu redor.

– Tá. Se já riram o bastante da minha cara, já devemos ir pra escola. Ou vamos nos atrasar. – Disse.

– Tá bom mamãe. – E acreditem, quem disse isso foi Emi.

Não, não há salvação. Somos todos loucos.

Na escola Kai e Miyavi deixaram claro que tinham regredido à estaca zero, aquela conversa com Miyavi sobre escola não ser o local adequado para se passar a lua de mel tinha sido totalmente e completamente esquecida. Tudo o que Miyavi disse era que fazia sentido quando a escola não podia de forma alguma ligar para a casa de Kai e falar com a mãe dele, mas agora ela já sabia.

Só pude suspirar. Uruha e eu queríamos tanto saber mais sobre como foi este primeiro encontro entre eles, mas quem disse que o diálogo era algo possível com aqueles dois.

Uruha comentou sobre a ira de Kai ao ser interrompido no dia anterior. E foi aí que me lembrei que Uruha tinha algo para me contar, quer dizer, eu queria saber direito o que exatamente tinha acontecido na tarde anterior para ter terminado com Uruha ficando com Aoi novamente.

Então deixamos o casal grude de lado sem cerimônias e ele me contou tudo sobre Kai e Miyavi terem literalmente o sequestrado para saber onde era o lugar em que Reita e eu tínhamos ido na tarde em que ficamos pela primeira vez. A coisa ficou séria, Kouyou disse que estava desconhecendo nossos amigos e em certos momentos até sentiu medo deles, mas encontraram Aoi no meio do caminho e toda a ira que recaía sobre si caiu no moreno.

– Eles acharam que por Aoi ser o melhor amigo do Reita, ele obrigatoriamente deveria saber que lugar era aquele. A minha sorte foi que o Aoi teve um bom raciocínio e chegou em algum lugar, eu não sei se foi lá que vocês ficaram mesmo ou se ele só teve algum tipo de raciocínio rápido e os levou para um lugar qualquer, não importa, Myv e Kai tiveram o que queriam. O problema foi que eles não nos deixaram ir embora.

E a partir dali seguiu a resposta. Eu riria do Uruha se ele tivesse me falado de algo assim dois ou três dias atrás, mas depois de ir ontem à tarde ao almoxarifado da loja de Joe com Reita, eu entendia cem por cento o que ele queria dizer quando disse que estar no mesmo ambiente em que Kai e Miyavi estavam sendo Kai e Miyavi com o cara por quem você é apaixonado não é uma tarefa fácil.

Eu diria na verdade que era uma grande tortura. Mesmo sendo Aoi e a história entre os dois não ser boa.

Se aproximando mais de mim, ao ponto de quase colar seus lábios em meu ouvido confessou que não sabia como algo tão bom poderia ser tão horrivelmente ruim. A forma como seus olhos se apertaram ao dizer a palavra ruim demonstrou bem como aquilo lhe feria.

– Eu amo aquele idiota. – Disse quase em um volume inaudível as palavras carregadas de um sentimento que parecia ser vergonhoso demais assumir.

E pela primeira vez não foi horrível ouvir ele falar no Yuu. Talvez porque pela primeira vez eu não estivesse ouvindo aquilo com Aoi em primeiro plano, e sim Kouyou. E sua narração de como era bom e ruim ao mesmo tempo estar com ele.

Como era bom sentir o calor do corpo dele próximo ao seu. Como era prazeroso o toque calmo de seu beijo. Como era fácil ceder à sensação de bem estar e se esquecer do que já tinham como um conflito no passado, como era fácil se entregar à ilusão de que aquele beijo mudaria tudo.

E como era difícil abrir os olhos e encontrar a mesma pessoa incapaz de corresponder àquelas sensações. O mesmo Yuu que tinha já o magoado uma vez, as mesmas palavras sem consideração ou sentimento. O quanto era ruim ser tirado daquela ilusão maravilhosa.

– Aoi disse que você tinha proposto algo como um "foda-se", mas que no fim quem tinha se ferrado era ele. – Comentei.

– Ah é... com Kai e Miyavi ali eu disse isso mesmo, ele me alertou bem antes e eu disse mesmo que era assim e que eu não sairia chorando depois. Mas quando eu percebi que sairia chorando depois, tipo depois em casa trancado no meu quarto, eu aproveitei para responder as grosserias de Shiroyama à altura também. – Deu de ombros.

– Serio? Entre tapas e beijos vocês dois agora? – Perguntei rindo.

– Somente tapas. Uma vez é engano, duas é recaída, mas três aí já é burrice né. Espera aí... você disse que Aoi tinha te dito alguma coisa? Desde de quando Aoi e você trocam informações assim no meio da semana?

– Ah história longa demais. – Disse e ele ia começar a reclamar, mas foi cortado pelo sinal da escola indicando o início da aula. – Aí ó nem deu pra eu procurar pelo Reita. – Disse emburrado procurando meu celular em algum dos bolsos para lhe mandar uma mensagem enquanto caminhávamos para a sala de aula.

– Ah você não vai fugir dessa. – Apontou o loiro em tom de ameaça.

– Outra hora Uruha, você ainda mora na frente da minha casa e temos tanto tempo para passar juntos que sobre tempo até pra brigar de vez em quando. – Resmunguei.

– E vamos ter mais tempo ainda agora que Miyavi e Kai são um casal livre. – Ele suspirou alto indicando o casal literalmente pendurado um no outro.

Apenas rimos e os deixamos para trás. Isso claro se cerca de dois ou três passos depois Uruha não estivesse batendo com força no meu ombro com intenção de me empurrar para o lado enquanto caminhávamos.

– Eu não brigo com você. Você que não sabe perder e fica nervosinho. – Reclamou.

– Ah tá! Você faz tudo que me irrita de propósito, Uruha. – Retruquei porque claro, é isto que fazem os amigos.

– Ai eu esqueci, não vai dar pra ir na tua casa hoje. É aniversário do meu pai. – Explicou. – Mas apareço lá amanhã. Posso dormir lá né?

– Na verdade amanhã eu vou dormir na casa do Reita. – Respondi, não ligando pro fato de que apenas dizer aquilo em voz alta me fazia sentir náuseas de nervosismo.

– Oi? – Ele perguntou apenas como uma expressão mista de surpresa e deboche.

Ah sim, eu tinha conseguido deixar o meu dia muito mais longo e embaraçoso do que talvez eu seja capaz de suportar. O sorriso no rosto de Takashima estava deixando isto muito, muito... muito óbvio.

.:.

– Isto está tão incomum que quase nem faz mais sentido. Merda. – Comentei sem olhar para o lado, e reclamado por ter me adiantado ao movimento no jogo e acabado de pular diretamente dentro do rio de lava.

– Como é que você ainda morre jogando Super Mario Word, Ruki? Tipo, o desafio disso já é diminuir os minutos que você leva para virar o jogo cada vez que zera ele de novo. – Kai comentou levantando os olhos da tela do pequeno computador que tinha sobre as pernas.

– Ah é isso mesmo. Impaciência. – Ri, era verdade eu costumava perder os jogos por não ter paciência de esperar a hora certa de pular, aquele jogo não era diferente só pelo fato de ser mais velho do que eu.

– É bom né? – Ouvi ele perguntar.

– Se não fosse eu não estaria jogando um jogo tão velho, né... – Comentei o obvio.

– Não. Só nós dois. – Respondeu tirando os olhos da tela mais uma vez rindo ao me ver pular certo rio em que havia morrido antes e cair no rio imediatamente seguinte.

– Ah é. É o que eu disse, isto está tão incomum que quase nem faz mais sentido. – Ri também, cair daquele jeito era tão irritante que só dava pra rir mesmo.

– Me dá aqui. – Disse colocando o computador de lado. – Me deixou com vontade de jogar isso.

– Você tem menos paciência que eu, Kai. – Resmunguei sem me opor a lhe passar o controle velho e encardido.

– Mas eu sou mais inteligente, ué.

Sim, foi isso que ele disse. Eu só fiquei em silêncio olhando para o boneco narigudo correndo na tela, assistindo em silêncio com a boca aberta pelo excesso de concentração. E finalmente morrendo de rir quando ele caiu no mesmo lugar que eu.

– Sério que você achou que ia se sair melhor do que eu nisso aí? – Perguntei estendendo a mão para ter o controle de volta.

– Tá, quem morre passa o controle. – Respondeu me devolvendo, apenas falando alto a lei básica de quem joga Mário com um player só.

– Você só quer saber mais de passar tempo com o Myv. Eu sinto falta na nossa vida simples. – Ri iniciando uma nova partida.

– É complicado. Se você pudesse passar mais tempo com o Reita, não passaria? – Ele perguntou.

– É que com vocês parece diferente, não sei. Mesmo quando estamos todos juntos, você e Miyavi parecem se concentrar apenas em seu universo paralelo particular.

– Não sinto vontade de soltá-lo. – Respondeu com sinceridade.

– Desse jeito fica parecendo que tem medo de que se soltar, ele vai fugir. – Respondi na mesma sinceridade.

– Eu olhava para ele todos os dias, sem conseguir falar com ele ou qualquer outra coisa.

– Eu sei, eu sei que ficou um bom tempo se remoendo por causa dele, mas não vem ao caso do mesmo jeito. Ele é oficialmente o seu namorado e não vai fugir. – Resmunguei quase em tom de deboche.

– Não vou tentar te explicar o que eu sei que você não vai entender. – Reclamou em um tom que eu sabia ser verdadeiramente de irritação.

– Não nascemos colados em ninguém. Mesmo que eu quisesse passar mais tempo com o Reita, existe um limite, sei lá.

– Aham. – Disse sem tirar os olhos da tela pequena. – Já disse que não vou discutir isto com você. É claro que você já tem uma opinião formada que eu não serei capaz de reverter.

– Sabe de uma coisa, se você fosse o meu namorado e agisse assim comigo, eu enjoaria muito rapidamente de você. – Disse na maior das sinceridades, e sim, eu percebi que tinha dito merda no momento seguinte.

– Miyavi disse isto à você? – Perguntou com urgência, colocando o computador de lado no chão.

– Não... – Tentei reverter, mas quem disse que ele escuta.

– Se ele está achando isso deve dizer à mim e não pra você! – Acusou brabo.

– Cara, para. Não. Eu estava falando de mim, eu mesmo, Ruki só o Ruki. Só quis fazer uma comparação. – Aumentei o timbre da voz.

– Mas você não poderia tirar isso do nada. O que foi que ele te disse Ruki? – Kai quase pulou em cima de mim, e sério, a cara dele era de dar medo.

– Nada Kai. Nem você e nem Miyavi, aliás se prestar atenção era mais ou menos sobre isto que esta discussão falava, você e Miyavi estão totalmente fora de acesso. Não existe quase mais espaço para as conversas com os amigos. Merda. – Reclamei, pois a discussão havia consumido minha atenção e um mago bobo do castelo havia feito o chão sob os pés do Mário sumir e morrer.

– Me da isso aqui. – Disse brabo puxando o controle das minhas mãos.

– Me desculpe porra, anda tão raro a gente passar tempo junto. Não era pra acabar em discussão.

– Bem perceptivo você. – Respondeu ainda meio emburrado, mas logo relaxou os ombros com um suspiro de desistência. – Ele não te falou nada mesmo? – Perguntou em um resmungo baixo, colocando o jogo no pause para não morrer.

– Não imbecil. Eu realmente só quis dizer, sem nenhuma influência vindo de algum lugar, que se o Reita fosse grudento como você eu já teria enjoado dele. Mas esquece isso, o Myv pelo jeito gosta disso porque quanto mais grudento você é mais ele lambe você.

– Você não sente falta do Reita? – Me perguntou fazendo uma careta estranha.

– Sinto. Durante a semana o momento em que a gente mais se vê é no intervalo da escola basicamente. Mas eu descobri recentemente que esta saudade deixa as vezes em que conseguimos ficar sozinhos mais... intensos.

– Mas Miyavi e eu quase só temos o horário da escola também. – Justificou-se.

– Kai, você vem pra cá todo dia pela manhã e vocês ficam grudados. O tempo antes do sinal inicial da aula tocar e no intervalo escolar, vocês estão grudados. E o trabalho do Miyavi termina em um horário normal e vocês se veem todos os dias depois que ele está liberado e ficam grudados. – Pontuei vendo o outro encolher os ombros novamente.

– Vocês dois também poderiam usar o horário na escola. – Tentou justificar.

– Só que a escola não é lugar para isto. Eu não me sinto bem com outras pessoas me olhando, assim como não me sinto bem olhando outras pessoas fazendo isso.

Kai pareceu parar para pensar e literalmente foi morto pelo copa daquele castelo. Abriu e fechou a boca para falar algo enquanto me passava o controle, mas a porta sendo aberta anulou tudo. E pelo olhar do moreno eu sabia que tinha anulado até mesmo o sentido daquela conversa toda até ali.

– Myv! – Quase gritou de felicidade.

– Já vou logo avisando que não sou o Uruha e não vou servir de castiçal pros dois.

– Não se preocupe com isto, Emi está chamando você. Me passa o controle. – Disse Miyavi com sua grande cara de pau se jogando em minha cama, que estava servindo de suporte para minhas costas e de Kai.

– Agora? – Perguntei mais por demonstrar minha falta de interesse de deixar o vídeo game de lado do que qualquer outra coisa.

– Não, pra daqui a pouco! – Miyavi respondeu com ironia, arrancando o controle das minhas mãos no meio do jogo mesmo.

– Baka! – Xinguei.

– Ué deixou a bola picando. – Deu de ombros rindo, jogando meu joguinho querido e me expulsando do meu próprio quarto; amigos.

Saí dali antes que ele literalmente me empurrasse porta a fora, gente sem noção. Tenho certeza que ainda desci as escadas resmungando e cheguei na sala com uma cara nada boa, só pela cara de quem está achando muita graça das coisas que a minha mãe estava fazendo.

– Expulso do próprio castelo? – Ela brincou.

– Você acha isso divertido?

– Pelo menos não vai servir de vela. – Concluiu.

– Ah você sabe que o Kai está lá também então. – Desdenhei, quer dizer, desde quando Emi faz complô contra mim?

– Suspeitei. Por que o Uruha não está aqui?

– Alguma coisa sobre ter sido aniversário do pai dele ontem e alguma tia de longe ter dormido ali e mãe dele não o deixar sair. E bla bla bla... – Disse gesticulando.

– Que coisa brega e chata. – Suspirou. – Enfim, to com vontade de ir ao cinema. O que acha?

– Vai deixar Myv e Kai sozinhos em casa? – Estranhei.

– Ah eu conversei bastante com Miyavi. O tipo de conversa bem franca e sem meios termos. – Disse em um suspiro cansado.

– Então você tipo liberou a estadia alienada daqueles dois sozinhos em casa?

– Não. Mas fiz tudo o que o podia com relação à Miyavi.

– Quer dizer que com base na conversa que vocês tiveram hoje, você acha mesmo que pode deixar eles sozinhos que eles não irão se trancar no quarto e transar? – Tive que rir, Emi não era ingênua a ponto de acreditar nisto.

– Não. Mas... eles não precisam saber disso. Vai ir comigo ao cinema ou ficar aqui queimando os dedos? – Perguntou completamente impaciente, fosse lá quais os temas conversados entre ela e Miyavi naquele dia, tinha sido desgastante para ela.

– Tá. Só não pode ser o daquele ator que morreu, eu já assisti a homenagem na internet e morri chorando. – Avisei, vendo Emi rir.

– Tá. Tem aquela sequência do filme de super heróis que também é legal e ninguém sai chorando da sala.

Saímos sem que eu voltasse até o quarto para avisar ao casal que não teria mais ninguém em casa junto com eles. Tinha sido uma ideia muito sábia ter deixado minha mochila pronta para dormir na casa do Reita e na sala mesmo Kai tendo rido da minha cara, dizendo que aquilo era pura ansiedade.

Nem retruquei, eu mesmo sabia que era ansiedade mesmo. Só não concordei com ele também, porque não queria ouvir mais piadinhas sobre como eu estava morrendo de medo de dormir na casa do meu namorado pela primeira vez.

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Quase quinze minutos havia se passado desde que Ruki e Emi tinham saído de casa. E somente agora o silêncio e a falta de movimentação começava a ser percebida no quarto de Ruki.

– Você não vai morrer, não? – Perguntou Kai entediado, Miyavi havia pegado o controle em mãos quando Ruki saiu e até agora seguia jogando.

– Ah você também está jogando? Achei que estava usando o computador. – Disse o mais alto sem nem desviar os olhos da tela da TV.

– O computador até já desligou por falta de bateria, Miyavi. – Resmungou o covinhas sem nenhum humor.

Ele já não estava mais mexendo no portátil quando Takamasa entrou no quarto. E sabia que o outro tinha percebido isso, e se fazendo para não lhe passar o controle.

– Sério? – Disse como se quisesse demonstrar que não tinha percebido, mas sem conseguir evitar rir e revelar a inverdade nos fatos.

Kai respirou fundo, estreitou os olhos e olhou da TV para Miyavi e de Miyavi para o controle do vídeo game. Sem nenhum aviso prévio e com sua melhor cara de tédio o moreno apenas bateu na mão do tatuado por baixo, fazendo o controle picar entre seus dedos e Miyavi perder o controle sobre os movimentos do Mário e morrer.

– Ops! Você morreu. – Disse em ironia, lhe presenteando com um dos seus melhores sorrisos. – Minha vez.

– Ah é assim? – Perguntou Miyavi em tom irônico de ameaça.

– Agora você vai ver quem é que manda nessa joça. – Gracejou o menor, feliz por ter conquistado o controle.

– Eu nem sabia que você jogava, sempre vejo só Ruki e Uruha jogando. – Disse apenas por dizer.

– Ah eu não gosto dos jogos que eles jogam, parecem que dão a vida naqueles jogos tensos. Mas jogos assim eu gosto. – Kai respondeu sem perceber o quanto a sua concentração no joguinho agradava Miyavi.

– Sei. Mário é legal e não é nenhum fim de mundo se morrer, não é? – Perguntou testando a concentração do outro, que nem percebeu que Ishihara "caminhava com os cotovelos" sobre o colchão mais para perto de si.

– Não é questão de fim de mundo. É questão de que ninguém morre neste jogo aqui, eventualmente se perde uma vida.

– Ah você morre se perder a concentração. – Disse, aproveitando-se da aproximação para sussurrar no ouvido do garoto sentado à sua frente.

– Etto... não começa com golpe baixo. – Sorriu colocando o jogo no pause para poder olhar diretamente para Miyavi.

Os olhares dos garotos se cruzaram e naquele segundo de contato seus sorrisos foram gêmeos. Os olhos de Kai desceram até os lábios de Miyavi, percebendo como era injusto que desde que o namorado tinha entrado no quarto tudo o que havia recebido de si foi um rápido selinho de cumprimento.

A cabeça de Yutaka continuou descendo até que o menino estivesse com ela completamente recostada na beirada do colchão da cama mais alta, com seu rosto para cima e o queixo apontado para frente. Os olhos pedintes do menor fez Miyavi rir por diversão, Kai quase sempre lhe comprava com facilidade com suas caretas de manha.

Mesmo em um momento como aquele, em que sabia que logo Ruki voltaria para o quarto e que Emi ainda não tinha os liberado para namoro fora dos cômodos públicos da casa, era muito difícil ignorar Kai completamente. Mas tinha acabado de voltar de uma sessão tensa e intensa com Emi, tinha prometido demonstrar mais maturidade para sua própria mãe via Skype com Emi ao seu lado.

Ainda assim não foi capaz de se impedir de pelo menos tocar os lábios do moreno com os seus. Sentindo seu dedo tocar no controle do vídeo game ao se movimentar ainda mais para perto do namorado. Pelo tato, achou o pequeno botão no centro do controle e o apertou 'sem querer' enquanto sentia Kai recebe-lo de bom grado.

Um beijo simples que teve seu término quando Miyavi riu por ouvir uma tartaruga tocando no Mário e o fazendo diminuir, causando um movimento rápido e cheio de fúria de Kai ao reconhecer o som característico. Mas mais rápido do que o moreno conseguiu se concentrar novamente, um Papai Noel voador mal humorado havia acertado um machado no pequeno encanador e o matado.

– Ah isso não valeu. Você fez de propósito. – Kai reclamou jogando a mão para trás a fim de bater de alguma forma em Miyavi. – Eu vou jogar de novo só pra você saber. – Resmungou.

– Hey você está quebrando as regras.

– Não estou, você roubou!

– Que calúnia!

– Não enche. – Resmungou, mas ao contrario do significado das palavras, Kai estava rindo.

– Vai bonsão, aproveita enquanto o Ruki ainda não está aqui. Porque quando ele voltar serão três fominhas brigando pelo controle. – O outro riu também.

Mas ao ouvir aquilo Kai parou. Novamente o jogo foi colocado no pause para que ele pudesse olhar para Miyavi, mas desta vez com alguma estranheza.

– Isto não é estranho? Ruki saiu daqui faz tempo, será que está tudo certo? – Perguntou ao namorado.

– Deve estar. Emi me levou para sair para termos uma conversa do tipo que abrange todas as coisas de um jeito muito intenso. Depois ela até ligou para minha mãe pelo Skype e nós três conversamos sobre várias coisas importantes. Ela deve estar fazendo quase a mesma coisa com o Ruki, sei lá.

– As duas te fizeram prometer ter juízo novamente? – Perguntou em tom irônico.

– Sim e não. Quer dizer, elas me fizeram entender o que é ter juízo e a importância disto.

– Ih... – Kai fez uma careta de desagrado. – O que elas querem impor desta vez?

– Relaxa. Pela primeira vez eu entendi que não se trata disso, impor, proibir ou permitir...

– E do que se trata então senhor filósofo. – Perguntou rindo.

Para si parecia mais era que Emi tinha batido na cabeça dele até ele começar a pensar na frequência em que ela queria que ele pensasse. Mas Miyavi apenas acompanhou o sorriso que preenchia seus olhos, sem se privar de leva a mão ao rosto delicado em um carinho que terminou com seu dedão se movimentando sobre as covinhas marcadas daquele lado do rosto de Kai.

– Eu amo você. – Disse. – Não e restam dúvidas quanto a isto.

Aquilo parecia inédito. Por um momento o mesmo pensamento atingiu os dois meninos por pura sinergia. A convergência de duas partes que mesmo totalmente separadas entre si faziam parte do mesmo pensamento.

Era difícil de explicar a não ser que você uma das partes atingidas. Uma energia quase mítica que era capaz de buscar no silêncio todas as palavras. O abalo do som de uma pequena e ingênua frase.

Naquele momento o mais alto não encontrou motivos para resistir às vontades do namorado, e sem demoras deu ao menor o que claramente ele desejava. Meio sem jeito pelas posições a mão que o acariciava a face trouxe Kai para si.

Era apenas um beijo, inocente como a frase à qual ele servia de resposta. Não era errado demonstrar carinho e amor ao seu namorado. De um jeito muito bobo, Miyavi achou que deveriam ser mais inocentes mais vezes.

Sem que nenhum dos dois garotos percebesse, o controle do vídeo game ficou esquecido em algum lugar pelo chão. A música tema de fundo da fase em que estavam prevalecia contra o silêncio de suas vozes, sendo vez ou outra interrompida pelo som úmido do ósculo.

Em tal ponto Kai já estava sentado sobre as coxas, de frente para a lateral da cama de Ruki onde Miyavi ainda estava deitado de barriga para baixo. O garoto maior estava com a coluna hiperflexionada, mantendo a face de Miyavi à frente entre as mãos de seu dedicado namorado.

– Kai... – Miyavi chamou baixinho em um tom leve e sem força e nem vontade alguma de persuasão.

– Só até o Ruki voltar. – Choramingou.

E lhe pareceu tão errado contradizê-lo. Mesmo que tivesse consciência de suas fraquezas em ir contra as vontades de Kai. E mesmo que soubesse que para o menor, dificilmente beijos inocentes fossem o bastante.

O único movimento que fez com intuito real de afastar o namorado foi quando suas costas começaram a doer demais e Kai foi afastado para que o mais alto conseguisse encontrar uma posição confortável. Com o tempo que ficou o peito elevado, este conforto veio apenas quando deitou com as costas devidamente acomodadas sobre o colchão.

Não foi nenhuma surpresa ver o moreno menor subir para lhe acompanhar sobre o móvel. Logo sentiu a mão dele sobre seu peito e o impulso que Kai tentou pagar para colocar-se sobre o seu corpo, e uma luz de emergência automaticamente se ascendeu em seus circuitos internos de consciência.

Deixar Kai no controle tinha terminado constrangedoramente com Emi lhe dando remédios para abaixar uma ereção dolorosamente teimosa. Não que não fosse bom, mas tinha acabado de ter mais uma conversa sobre responsabilidades com a dona da casa e sua palavra perderia completamente o valor se se contradissesse apenas minutos depois.

Mas a verdade era que todos colocavam sobre si a culpa por falta de responsabilidades. A verdade era que só perdia o controle de suas ações quando aquele garoto o corrompia. O verdadeiro culpado pelas broncas que levava diariamente; aquele maldito manipulador de sorriso falsamente meigo que amava.

– Ruki não vai ficar feliz com isso. – Disse ao sentir o corpo menor se acomodar sobre seu quadril sem nenhum tipo de ação sua para impedi-lo de colocar-se sentado sobre seu corpo com uma perna de cada lado de seu quadril.

– Quando ele chegar a gente para. – Kai lhe respondeu de pronto.

Sempre com uma resposta na ponta da língua. E mesmo que não confiasse nem um pouco na capacidade de Yutaka de parar, Miyavi apenas levou as duas mãos ao quadril do menor o auxiliando na condução de movimentos que ele não deveria fazer em uma troca ingênua de beijos.

Já tinham sido pegos naquele mesmo quarto daquela forma, indo de um beijo inocente a outro até que de inocência sobrasse apenas uma intenção longínqua, fraca demais para ter voz ativa sobre suas consciências. Mas tudo o que o prendia sua concentração naquele momento era o sorriso vitorioso que Kai escondeu com o inicio de um novo beijo.

Tinha dito que o amava. Sua teimosia e suas manhas faziam parte do que fazia aquele sentimento algo que tinha força.

Não era como se ele não soubesse aonde chegariam com Kai ditando o ritmo e intensidade daquela brincadeira séria. Nem por isto o tiraria de cima de si, ou o faria parar de se movimentar daquele jeito sacana contra seu baixo ventre enquanto uma de suas mãos apertava seu pescoço em uma força isenta de dor ou prejuízos para sua saúde física.

Prejudicava apenas sua capacidade de pensar com coerência. O beijo que trocavam parecia seguir o mesmo ritmo cadenciado de suas intimidades que incitavam uma a outra no choque quente que se arrastava a partir da fricção contra o tecido de suas próprias roupas pelo movimento.

Em algum momento os lábios dele se desgrudaram dos seus sem que Kai desse grande atenção ao fato. Sua concentração estava claramente nos movimentos que ele passou a conduzir de modo que pareceu lhe dar um prazer a mais, movimentando-se sobre o volume totalmente desperto do membro de Miyavi, buscando minuciosamente os movimentos que fazia com que seu pênis tocasse completamente o do namorado abaixo de si.

Os olhos fechados não viam como suas mãos unidas, resvalando entre o pescoço e a parte mais alta do peitoral de Miyavi, eram um conjunto de armas poderosas. Aliadas a falta de constrangimento do menor em buscar o que tanto queria, tornava a vontade de Takamasa de se manter focado em qualquer outra coisa que não os desejos de seu namorado, cada vez mais distante.

Passava a desejar que Ruki simplesmente não voltasse para o seu quarto tão cedo, tal como a ideia de uma conversa distante com Emi ou com a mãe não quase não passasse de um evento de propósitos difusos em sua compreensão. O fato de saber que Kai sempre dava um jeito de lhe convencer a fazer o que ele queria, já era quase uma simples lembrança remota.

A mesma já era quase substituída pelo pensamento de que os dois simplesmente já queriam a mesma coisa. A porta do quarto se abrindo os lembrou da realidade.

No mesmo instante Miyavi pulou na cama, jogando Kai para o seu lado. Os dois garotos olharam em pânico em direção a porta, mas a mesma não havia sido aberta mais do que uma fresta, e pela mesma um dos cachorros de Ruki passou abanando o rabo, os ignorou e foi se embolar em cima do tapete do quarto.

Os dois se mantiveram em alerta ainda por dois ou três segundos, mas nada e nem ninguém passou pela porta. Em um alívio estranho, Kai apenas se jogou na cama de barriga para cima ao lado do namorado.

– Tá achando graça? Poderíamos estar levando outra bronca agora. – Disse Miyavi em uma tentativa muito falha de represaria que apenas fez o outro rir.

– Mas não estamos, e nem o Ruki e nem a Emi deram sinal de vida. – Kai desdenhou da própria sorte.

Mais uma vez Yutaka se movimentou sobre a cama com intuito de se colocar na mesma posição em que estavam, mas o mais alto o impediu com a mão espalmada no peito. Para a si o cachorro tinha servido como um aviso e na próxima vez em que ela se abrisse eles poderiam não ter tanta sorte.

Aquele era um jogo de equilíbrio delicado. Não podia simplesmente fazer tudo o que Kai queria, ao mesmo tempo em que não queria dar tanta atenção assim para o seu bom senso.

Mais uma vez colocou em sua cabeça que seria apenas até Ruki voltar e com o mesmo impulso que afastou o namorado, colou-se sobre o mesmo. Talvez se fosse ele no controle seria mais fácil encontrar este meio termo cada vez mais nublado em sua visão.

– Com calma. Vamos parar assim que o Ruki voltar. – Advertiu enquanto se colocava entre as pernas do moreno.

– Aham. – Kai respondeu rapidamente.

Em contrapartida Yutaka levou as mãos até a barra da camiseta de Miyavi. A peça de roupa larga demais para o garoto alto e magro estava caindo entre os dois à frente do peito de Ishihara e cobrindo o rosto de Kai. Apenas por este motivo o menor se viu obrigado a remover a camiseta, e somente por este motivo Miyavi concordou. Apenas por este motivo.

Mas o que era para ser uma forma quase desesperada para o mais alto manter o controle da situação logo se voltaria contra o mesmo. Com seus braços servindo de apoio para o peso de seu corpo, ainda era Kai quem estava livre para agir com mais liberdade de ação.

Tudo parecia conter muita energia divertida para garoto abaixo de seu corpo, pois Kai simplesmente não parava de sorrir. Nem mesmo para a "abraçar" o corpo de Miyavi com as pernas ou cruzar seus braços atrás do pescoço do namorado antes de deliberadamente voltar a lhe invadir a boca.

Era quase como se o menor dos dois pudesse ler seus pensamentos com clareza, e lhe dissesse com toda ironia que aquilo logo voltaria se tornar um desafio. E que Takamasa o perderia, porque jamais vencia aquele tipo de jogo de resistência.

Com as mãos livres para brincar, Kai deixou que os braços cruzados atrás do pescoço de Miyavi caíssem com as mãos no alto dorso nu. O calor liberado pela pele exposta o divertia e em resposta imediata ao toque contra a pele quente e macia, seus joelhos se apertaram mais contra a cintura de Ishihara como um ponto de estabilidade para aproximar suas intimidades quase da mesma forma como fazia antes de serem interrompidos pelo cachorro.

Sentindo seu pênis se roçar mais contra a virilha de Miyavi do que qualquer outra coisa, Kai estava mais interessado em exibir-se excitado. Não tinha vergonha nenhuma do namorado.

Sem nenhum acordo, seus lábios se buscaram rapidamente. Os braços e pernas de Kai se apertaram ainda mais ao primeiro contato da língua quente que lhe trazia uma boa sensação a mais ao se juntar com todo o resto.

O toque úmido tão apreciado trazia consigo a extensão da intimidade dividida pelo casal, pois se conheciam em cada movimento. Entendiam-se de acordo com o jeito que o toque era dividido. Quase como se conversassem entre si em um idioma todo seu, sabiam entender o que cada um queira de acordo com o movimento, com a intensidade e a urgência. Como se discutissem prazerosamente entre si.

Convencido a apenas aproveitar um pouco mais daquela situação, Miyavi ergueu uma das mãos do colchão e a levou imediatamente até o interior de suas calças para ajeitar o membro teso de forma mais confortável antes de voltar a aproximar seu corpo do de Kai e movimentar-se contra o mesmo. Ao perceber a movimentação do namorado, Kai imitou a ação de Miyavi que lhe deu espaço para ajeitar-se também.

Mas o que Yutaka fez foi diferente. O moreno abriu sua calça e baixou o zíper sem cerimonia alguma, buscando com mais liberdade o pênis dentro da cueca. Expondo-o sem constrangimento entre os dois antes de levar suas mãos à calça de Miyavi com o mesmo intuito.

Já havia tocado o pênis de Miyavi à mão nua, mas vê-lo da perspectiva em que estava, podendo seguir o desenho dos músculos de seu peito e abdome nus e concluindo o desenho das linhas inclinadas que começavam em seu baixo ventre e normalmente se escondiam sob o tecido de suas calças, com aquela liberdade era completamente diferente do que conseguiam fazer nos pontos escondidos da cidade que descobriam para poder ter daquele tipo de contato sem o medo de represarias.

Descobrir aonde terminavam aquelas linhas não apenas com o toque, mas com a visão quase lhe causava estímulos fortes demais. Porque ver, tornava o sentir muito mais excitante. E o que via, descobrindo ser o corpo de seu namorado, podia deixar seus sentidos perigosamente misturados.

O membro inchado, duro, excitado preenchendo o espaço entre seus corpos e seus dedos livremente dispostos em torno do mesmo. Sem ligar para os choques que isto fazia percorrer por seu próprio membro.

– Droga! – Praguejou o mais alto, apenas como um descarregamento verbal do excesso de informações expressadas pelos olhos de Kai em puro deleite.

Miyavi encostou a cabeça ao lado da de Kai, escondendo sua face contra o ombro do menor. Talvez ainda houvesse alguma coisa importante em sua cabeça que o quarto em que estavam deveria o lembrar, mas preferia fechar os olhos e se concentrar no toque quente dos dedos de Kai em total liberdade em seu pênis.

Por um momento pareceu que o menino nunca tivesse encostado em si antes e isto se valeu por varrer qualquer outro pensamento, até mesmo aquele de que era facilmente manipulado pelas vontades do seu adorável chantagista. A única coisa que lhe parecia certa era o calor em seu corpo e vontade de sentir a pele macia dele contra a sua.

Começando pelo membro que Kai havia exposto sem sombra alguma de constrangimento. Seria bom senti-lo contra o seu, e no momento seguinte seus quadris estavam novamente em contato.

Uma mordida no alto do ombro de Kai expressou a prazer daquela nova descoberta. Com o movimento a mão do menor abandonou seu posto contra o membro de Miyavi, acomodando-se rapidamente uma de cada lado do quadril do maior com seus dedos incertos se poderiam ou não invadir o tecido folgado para tocar aquela região com a mesma liberdade.

E bastou que uma das mãos de Ishihara puxasse sua camiseta para cima, até mais ou menos o inicio das costelas para Kai se lembrar de que podia fazer o que quisesse com seu dedicado namorado. E logo trocou o toque sobre o tecido para se firmar contra a pele lisa de suas nádegas por dentro da calça aberta.

Com um movimento que pareceu ser apenas uma extensão dos movimentos que executavam Myv ergueu sua cabeça novamente, buscando algum contato visual com Kai. Com seu peito erguido, a mão bem posicionada na barriga de Yutaka pode se mexer para dar-lhe a experiência de sentir um pouco mais da textura daquele garoto em suas mãos.

Sua testa tocou o queixo do menino abaixo de si, podendo ver entre os dois corpos o movimento completo. Sentindo melhor o toque que deixava suas ereções em contato e os pontos na pele de Kai que assumia um tom mais branco com o aperto, voltando a cor normal segundos depois para então assumir um tom avermelhado que denunciava o excesso de força feito por seus dedos contra a pele. E a cintura realente esguia que se movia abaixo do ponto em que seus dedos tocavam para complementar o estímulo em suas intimidades.

Como uma criança curiosa, Miyavi não conseguiu ver sem tocar. E em um movimento continuo sua mão desceu da barriga lisa até o pênis de Kai para senti-lo contra os seus dedos.

Igual ao namorado, aquela não era a primeira vez que o tocava à mão nua. E igual ao namorado, não teve como evitar a sensação de que mesmo assim, aquela parecia ser a primeira vez pela liberdade de tudo o que seus olhos alcançavam no corpo alheio.

Mas diferente do namorado, aquilo não lhe parecia suficiente. Queria ver seus dedos subindo e descendo pelo membro inchado, movimentando a pele sensível com o arrastar de sua mão. O gemido que ouviu acima de sua cabeça diretamente relacionado ao movimento lento de seus dedos o massageando o fez sorrir.

Era aquilo que queria. Mais nada importava. Ou pelo menos, mais nada se passava pela sua cabeça ao sentir em seus dedos certa unidade que deixava também a glande de Kai melecada. Naquele momento já não havia nada que se sobressaísse mais em seu raciocínio do que o pensamento de querer mais.

Com o espaço limitado por estarem deitados do jeito errado na cama, Kai apenas sentiu a ausência dos dedos de Miyavi em seu pênis para que o contado de suas mãos fosse imediatamente sentido outra vez em sua cintura. Miyavi o empurrou para trás com rapidez para criar algum espaço extra entre os dois.

Sem maiores avisos a atenção de Kai foi tomada rapidamente pelo quarto de Ruki visto de ponta cabeça para ser trazida de volta até Miyavi ao sentir a textura diferenciada de seus lábios no membro que até então era massageado. A surpresa pela sensação até então desconhecida fez com que todos os músculos de suas coxas se contraíssem ao primeiro toque.

Permitindo-se relaxar aos poucos até finalmente se acostumar com aquela sensação completamente diferente que encobria seu membro por completo cada vez que Miyavi o colocava na boca, em contraste com o frio que tocava a pele úmida deixada para trás toda vez que se retirava. Uma carícia gostosa que apenas se tornava melhor com cada repetição do ritual.

Uma parte de si queria ver como era feito aquilo que sentia, mas apenas ficou onde estava. Só queria deixar Miyavi exatamente lá onde esteva, sem correr o risco de se mover e atrapalhar o namorado.

Ao longe a imagem na TV da tela preta com dizeres característicos permanecia do jeito que tinha sido deixada, com a música tema da fase em que tinham parado de jogar soando incansavelmente. A música típica do vídeo game dos anos oitenta de alguma forma o fez rir, trazendo de volta toda a graça que Kai achava daquele jogo; não o esquecido na tela da televisão.

Novamente os músculos de suas coxas e abdome voltaram a se contrair, mas não era mais pela surpresa. Suas mãos se uniram sobre o rosto, permitindo-se sentir cada detalhes da novidade, sem se importar com a respiração dificultada que de uma forma ou de outra sempre terminava com algum tipo de gemido.

Aqueles sim, mesmo que se quer sofressem alguma tentativa de serem reprimidos, eram tímidos. Uma timidez gostosa, divertida de vencer e que não diminuiu por nenhum momento o sorriso em seu rosto.

Uma de suas mãos acabou seguindo em direção à cabeça do namorado, não precisava já ter recebido aquele tipo de estímulo antes para saber que estava prestes a atingir seu limite. Obedecendo aos toques de Kai, o mais alto se afastou.

O desejo incontido o fez usar novamente da diferença de forças que tinham, e no momento seguinte ao abandono ao falo de Kai o menino já havia sido puxado de volta para perto do corpo de Miyavi. Quando deu por si Kai estava sobre o colo do namorado mais uma vez, com os joelhos apoiados no colchão e uma perna de cada lado das coxas de Myv.

Sua boca havia sido literalmente invadida pela língua do tatuado e seu membro era manipulado com velocidade. A velocidade da ação como um todo e o excesso de informação de estímulos tornava difícil acompanhar os movimentos de Miyavi.

– Myv... – Reclamou, desistindo de tentar acompanhar o beijo do namorado.

Já estava próximo ao seu limite antes, aquele excesso de velocidade não lhe favorecia em nada. Mas claramente, Kai foi ignorado, pois a masturbação forte em seu membro não regrediu ao seu resmungo.

– Goza. – Pediu o maior em um resmungo mais fraco do que o de Kai.

O pedido foi seguido de uma nova captura dos lábios de Yutaka que foram presos entre os dentes do maior por breves instantes antes do próprio Uke abrir a boca a pedido de mais contato. Suas mãos se sobrepuseram as de Miyavi para mantê-las firmes enquanto arremetia-se contra a união de seus dedos.

Sem se preocupar se pareceria bobo aos olhos do namorado pelo prazer que aquele gesto quase casto demais lhe proporcionava. E sem perceber que na verdade, Miyavi não precisava se conter ao extremo para apenas servir de expectador naquele momento, simplesmente porque era a primeira vez que faria seu querido namorado chegar ao orgasmo. Quase não importava a forma como aquilo aconteceria.

Cada gesto, cada gemido, cada maneira única de apertar cada vez mais os olhos fechados; os lábios mais abertos. Até que sua boca estivesse completamente aberta, mas ao invés do grito que o rosto contorcido ameaçava soltar, apenas um gemido que foi engolido ao invés de liberado. E literalmente tinha o prazer de Kai em suas mãos.

Mais uma vez, lá estava aquele sorriso. Simplesmente porque estava feliz.

E sua felicidade contagiava, levando ao rosto de Miyavi um sorriso gêmeo ao seu. Apenas por vê-lo sorrir daquela grande descoberta dentro de um universo pequeno em que existia apenas os dois.

Beijar aquele sorriso espontâneo foi apenas mais um reflexo de Miyavi. Mas o contato durou menos do que o mais alto desejava.

Rapidamente, os joelhos de Kai escorregaram para trás com o fim claro de aumentar a distância entre os dois. Sentado sobre as pernas de Miyavi, uma das mãos de Kai caiu rapidamente até tocar o mesmo completamente ereto do mais alto. Ignorado até então apesar de expressar visivelmente as necessidades de Ishihara, e sem ressalvas o menor se inclinou no mesmo lugar em que estava.

Tinha um frio estranho em sua barriga por não saber exatamente nada do que iria fazer. Mas não era nada que o fazia ter vontade de parar, tudo o que queria dar ao namorado as mesmas sensações que tinha recebido de Ishihara.

– Não. – Resmungou segurando a face do outro em meio caminho do objetivo de Kai. – Se você colocar seus lábios ali eu não vou ter o mesmo controle. E vai ser rápido.

De um jeito estranho o garoto ficou apenas o olhando, seus olhos grandes e curiosos tentando organizar a negativa do namorado em sua cabeça. Seus olhos pularam do rosto de Miyavi para o pênis do mesmo que liberava alguma lubrificação e então pulou para algum ponto inespecífico do quarto de Ruki e em um tempo que pareceu longo demais, voltou para os olhos de Miyavi.

Em seu silêncio Kai parecia concordar ou discordar de várias coisas que se passavam por sua cabeça. E àquela altura Miyavi só não queria que fosse mal interpretado, afinal não tinha dito não por não querê-lo, apenas conhecia os seus próprios limites.

E naquele momento, a boca de Kai em seu pênis o faria sim gozar em um tempo vergonhosamente rápido. Sem controle algum, fosse por capacidade ou vontade.

A boca dele se abriu, mas Kai não disse nada. Seus olhos grandes pareciam a de um gato assustado, e conhece-lo bem como Miyavi o conhecia era o que deixava aquele quadro de menino medroso fora de contexto.

Parecendo não encontrar a resposta que queria com palavras, Kai apenas se afastou um pouco mais. O suficiente para conseguir retirar o restante de suas calças sem que suas pernas batessem em Miyavi.

Nu da cintura para baixo, no limite da cama de Ruki, com as pernas recolhidas de forma que não dava para descrever se estava se encolhendo de vergonha ou se expondo sem perceber ao repuxar as pernas para o lado, o medo quase fazia sentido. O medo de ouvir outro não quase fazia sentido na cabeça de Miyavi.

Se não fosse o causo óbvio de o quanto era manipulável e induzível às vontades daquele garoto. Dizer-lhe não naquele momento era fora de cogitação. Não importava de nada mais todas as outras coisas que deveriam estar em sua cabeça. Deveriam, mas não estavam mais.

Não era como se houvesse outra opção que seu raciocínio pudesse se concentrar naquele momento. O que Kai queria seria sempre mais importante.

– Só um… – Apreçado o mais alto se ergueu ficando de pé sobre a cama saldando da mesma no segundo seguinte.

Sua frase havia sido esquecida dentro da própria boca, mas seu movimento era quase autoexplicativo. Afinal Miyavi ainda estava quase nu, sem camiseta e com as calças abertas. Seu pênis forçava o tecido macio da cueca para baixo o que quase auxiliava demais para que suas calças caíssem pelas coxas magras enquanto ele corria até a porta do quarto para trancá-la.

Em sua volta encontrou Kai sentado junto à beirada da cama, com os pés bem acomodados contra o chão. Estava apenas estudando seus movimentos e não teria nada de erótico em sua posição se não fossem aqueles olhos grandes e curiosos. Ansiosos. Não haveria nada de interessante naquela cena se não Kai ali, e o sorriso que aquele menino conseguia colocar em seu rosto até nos momentos mais improváveis.

Em meio caminho de volta para onde Kai estava, Miyavi forçou o tecido de suas calças e saírem do seu corpo com os pés. E antes de chegar ao seu destino suas mão trabalharam para dar o mesmo fim à sua cueca.

– Nós deveríamos ir para o seu quarto. – Ele disse enquanto via com atenção o retorno de Miyavi da porta até onde estava.

– O meu quarto não tem tranca. – Justificou-se.

O diálogo breve lhe fazendo lembrar de que muito provavelmente estariam encrencados depois daquilo. Mas pelo menos com a porta fechada teriam que bater e poderiam se recompor antes de qualquer consequência.

– A porta trancada não vai nos livrar das broncas. – Disse o menor, e se não fosse pelo sorriso arteiro, suas falsas boas intenções teriam sido compradas pelo namorado.

– Cavalo encilhado... – Deixou o dito incompleto ao se ajoelhar no chão entre as pernas do moreno. – Estou ferrado muito antes de toda a pressão da Emi. – Concluiu colocando cada uma de suas mãos sobre as coxas de Kai.

Os dedos longos desceram simultaneamente até os joelhos e se enroscaram na parte de trás de suas pernas, por onde seguiram até descer os tornozelos em uma carícia repleta de devoção.

– Você está ferrado? – Perguntou novamente, achando graça.

– Manipuladorzinho. – Resmungou em resposta, no mesmo timbre humorado de Kai que não ofereceu nenhum tipo de resistência quando Miyavi quis movimentar uma de suas pernas até o dorso de seu pé tocasse minimamente os lábios do mais velho. – Ah é, eu estou muito ferrado. – Riu.

Sem respostas e atento a cada movimento que Miyavi executava diante de seus olhos, Kai apenas relaxou suas coxas para que suas pernas ficassem ainda mais leves contra a manipulação de movimentos de Miyavi. Recolhidas e abertas ao limite enquanto os lábios do namorado subiam por sua perna.

Miyavi ainda estava sorrindo quando chegou à altura do joelho de Kai. O beijo que foi deixado ali foi lento, os lábios de Miyavi estavam concentrados na pele do menor enquanto seus olhos estavam muito mais interessados nos vestígios de sêmen espalhado pela face interna de suas coxas.

Sem receios, ele puxou Kai pelos joelhos para que o menino ficasse no limite extremo da cama de Ruki até que tivesse a visão de seu namorado por completo daquela região tão desejada. Yutaka deixou que suas costas se acomodassem melhor sobre o colchão e suas pernas ao controle de Ishihara.

Muito bem aconchegado sobre os próprios joelhos à frente das pernas abertas do namorado, seu ângulo de visão era perfeito para aquela região. Anus, períneo e escroto, um acima do outro e o abraço das faces mais sensíveis do alto de suas coxas. Seus olhos curiosos descobriam o mundo com a face repousada um pouco acima de um dos joelhos de Kai.

Seu próprio membro desesperado fisgou com a visão e a certeza de que nada mais o impediria de ter tudo de seu namorado pra si. E com a constatação veio um aperto gostoso no estomago, talvez, só talvez não estivesse tão confiante assim.

Ainda além, em outro plano e acima de tudo o que tinha acabado de dispor para si, estava o membro quase ereto novamente, deitando-se de forma esquecida contra a virilha de Kai. Lá no alto, quase longe demais, além da parte do corpo de Kai que a camiseta ainda escondia, a cabeça do menino pendeu para o lado de forma curiosa.

Mesmo distantes seus olhos se encontrar mais uma vez e Miyavi sorriu. Aqueles olhos mais abertos do que o normal lhe lembravam que não precisava saber de nada, nem estar certo de qualquer coisa naquele momento. Ele não tinha certeza de muita coisa e Kai obviamente também não, mas de um jeito totalmente contraditório a única confiança que tinham naquele momento era a que dividiam um com o outro.

E o que era mais maluco nisto tudo, era que era que esta era a única certeza que precisavam. Era apenas esta certeza que não poderiam perder.

E riu. Gostava de coisas malucas, coisas novas e diferentes. Gostava das borboletas no estômago e a ansiedade. E acima de tudo gostava daquele garoto que sorria para tudo, ainda mais quando estava nervoso.

No momento seguinte Miyavi endireitou a coluna e seus lábios abandonaram a pele macia da coxa logo acima do joelho de Kai. Suas mãos pegaram impulso e apoio no colchão a sua frente e sem grandes dificuldades devido ao seu tamanho, ergueu-se entre as pernas do namorado e "caminhou" com as mãos ao lado de seu corpo até conseguir alcançar e tomar novamente a boca de Kai para si.

O movimento sendo responsável, devido a posição do menor, em encaixar suas intimidades de forma que o pênis de Miyavi encostasse contra os seus testículos, descesse pelo períneo e sua glande tocasse de forma casta a entrada do anus antes de se esconder no espaço entre as nádegas de Kai. Com a ausência do suporte das mãos de Miyavi em suas pernas, o menor se viu usando o espaço entre o colchão e o contorno da cama de Ruki para espremer seus calcanhares e manter aquela posição.

Houve um suspiro baixo compartilhado pelo par de lábios quando seus corpos se tocaram daquela forma. As mãos de Kai cercaram o corpo acima do seu e as palmas de suas mãos se acomodaram contra a pele e músculos macios do bumbum de Miyavi, apertando do corpo do namorado fortemente contra o seu.

Queria tanto senti-lo contra si, tocar seu corpo e perceber nele as mesmas reações que denunciam aquelas sensações estranhas que deixavam para trás o desejo por mais, da forma como sempre queria quando estavam juntos. Sempre queria mais quando os beijos de Ishihara se tornavam mais consistentes para os seus sentidos do que o mundo de verdade que os cercava.

Pessoas, olhares, locais apropriados ou não. Geralmente não. Nada nunca foi importante o bastante para querer menos. Não conhecia esta sensação. Sempre queria mais, só mais.

A constatação de que hoje teria mais apenas servia para deixar esta vontade mais acelerada. O beijo já não continha mais muitos vestígios de paciência, mas estava acostumado com aquela característica de Miyavi.

Era apenas um delicioso sinal de que ele também queria mais. Satisfeito por isto Kai ergueu o quadril de forma sutil, apenas o suficiente para que seu pênis espremido contra a barriga de Miyavi fosse estimulado. O movimento acabando por fechar o espaço entre suas nádegas onde estava abrigada a glande de Miyavi que acabou sendo acariciada por consequência.

A reação completa do movimento não havia sido planejada, mas foi prontamente aprovada uma vez que os dois meninos se viram quebrando o beijo para liberar gemidos gêmeos. O mais alto prosseguiu dando continuidade ao movimento iniciado por Kai após deixar um selinho rápido sobre os lábios do menor, concentrando-se apenas na sensação de suas intimidades se chocando e na respiração e sons emitidos por Kai com aquilo.

Miyavi estendeu seu braço com intenção de alcançar a virilha do moreno. Com o braço mais comprido do que pôde calcular, sua mão tocou o alto da coxa de Kai. Seus dedos sentiram contra a pele delicada, a substância pegajosa que jazia ali gelada e esquecida. Indo além do teste inicial, Takamasa agarrou a região com a mão inteira, subindo pretenciosa em uma massagem firme até o membro de Kai.

O movimento de sua mão trouxe consigo o excesso do gozo espalhado por aquela região enquanto se arrastava na direção da virilha. Em diagonal para chegar o quanto antes no membro pressionado por sua barriga apenas para sentir a nova ereção em suas mãos e testar sua vaidade.

Suas mãos se melecaram por inteiro com o sêmen liberado antes e fizeram questão de espalhar o lambuzo por toda sua região íntima, pois sua imodéstia não era algo a passar despercebido. Espalhar o resultado de um prazer oferecido por si pelo maior perímetro de pele que conseguisse, era como uma assinatura.

Logo a boca de Kai foi novamente tomada com rapidez e urgência e rapidamente abandonada, pois da mesma forma que aumentava sua presunção, todo aquele ejaculado lhe causava também inveja. Tinha pressa e sua ansiedade crescia a cada expressão ou desabafo moderado de prazer de Yutaka.

As pernas de Kai ainda abertas ao extremo permitiu que Miyavi apenas prosseguisse descendo seus lábios em sua exploração rápida. Tinha pressa no mesmo impasse em que queria descobrir e provar completamente o corpo do amante.

Após abandonar a boca de Kai, seu corpo voltou a descer para sua posição inicial. Sentiu o rebordo de suas costelas contra os lábios, ignorando a camiseta dele que estava somente erguida até ali para logo em seguida sentir a textura da pele acima da região do seu estômago. Na sequência já pôde sentir os músculos da barriga de Kai se contraírem com um beijo em seu umbigo e repetiram a proeza quando o beijo foi em seu baixo ventre.

Logo em seguida Kai foi lembrado de como era bom o calor úmido daqueles lábios em seu pênis. Na sequencia a sensação de ter parte de seus testículos protegidos por este mesmo calor fez Kai gemer baixinho. Instintivamente tentando abrir mais suas pernas.

E novamente Miyavi estava de joelhos no chão, olhando para a bela cena de exposição. Se aproximou observando um belo "Y" formado pela base do escroto e o períneo. Achou interessante deixar seus lábios passearem por ali também, desenhando a linha curva abaixo das bolas com a ponta da língua e descendo pelo períneo da mesma forma.

Mas antes de chegar à pequena entradinha pela qual estava ansioso para experimentar, Miyavi parou ao sentir os músculos das duas coxas e do abdome de Kai se contraírem violentamente. Poderia achar que tinha machucado o menino se não fosse o tom completamente prazeroso do gemido que seus lábios liberaram.

– Myv... – Chamou logo em seguida.

Havia uma urgência erótica em sua voz. Tão erótica que o pedido causou uma forte fisgada em seu pênis, Kai não aparentava estar ligando muito para o seu estado de calamidade. Aquilo podia se tornar perigoso.

– Myv.. – Ele chamou de novo mostrando que de certa forma a necessidade não estava apenas no mais alto.

Sua mão escorregou entre seus corpos e os dedos finos tocaram a região em que o namorado tinha lambido por último em uma auto caricia. Bem diante dos seus olhos a pequena entrada rosada se contraiu rapidamente ao contato do toque de seu dedo e isto levou a mão de Miyavi até o local, dispensando a de Kai.

Tudo bem, os gemidos de Kai lhe indicavam que havia descoberto algo bom ali. A mão do moreno agora percorria o próprio membro em uma masturbação lenta apenas lhe tornava a informação mais concreta.

Massageou aquela região concentrado nas reações do namorado. Analisou seus movimentos em conjunto e se perguntou se não conseguiria estimular aquele mesmo ponto pelo lado de dentro. Na verdade 'aquela altura, Miyavi só conseguia pensar no lado de dentro. Culpa de Kai mesmo que não conseguia parar de contrair sua entrada, o anus do garoto parecia piscar e gritar por alguma atenção ali.

E sem aviso ou pedido testou como seria a reação do menor ao introduzir a ponta de seu dedo médio através do anel apertado. Não encontrou dificuldades uma vez que suas mãos ainda estavam úmidas com o sêmen do namorado. Colocou somente até metade para testar como era a estranha sensação de calor e alta compressão contra a falange fina.

Kai não reclamou. Surpreendeu-se brevemente pela ação inesperada, mas era diferente do que pensou que seria. Havia uma ideia formada em sua cabeça que rodava um filme de dor e lágrimas sobre o acesso àquela região, então esperava mais do que aquela pressão estranha e difícil de descrever na região da entrada apenas. Além dela, pelo menos com aquela forma de intrusão, não sentia nada ruim ou estranho.

Na verdade, bem na verdade, bem ali onde a ponta do dedo dele tocava era bom. Bom como a língua de língua de Miyavi em seu períneo, ou um beijo em seu pescoço, era bom como um toque malicioso em seus mamilos e ou a mão subindo e descendo sobre seu pênis. Era bom como o contato entre seus lábios e tinha como o efeito colateral o mesmo desejo por mais.

– Incomoda? – Perguntou antes de ocupar os lábios contra a pele macia dos testículos, sem aprofundar mais o dedo e nem parar de movimentá-lo lá dentro.

– Não. Quer dizer, a entrada incomoda, é como tentar puxar um elástico forte. Mas não dói nem é ruim, pelo menos com um. – Respondeu, achando mais difícil encontrar as palavras certas para descrever do que vergonha ou algo assim.

– E aqui – começou fazendo pressão com a ponta do dedo contra a parede interna superior – é parecido com aqui? – Concluiu descendo a língua pelo períneo de Kai novamente.

– É melhor. – Kai sorriu.

– Eu vou colocar mais um. – Avisou regredindo o dedo que estava escondido dentro do namorado.

Não precisou sair por completo, apenas o suficiente para conseguir manusear o indicador e fazê-lo acompanhar o médio lado a lado para além do limite exposto de sua entrada. Encontrando mais dificuldade em romper a força aplicada pelo esfíncter do que havia sido com um dedo apenas.

Achou que aquilo deveria doer de alguma forma. Ou se não doesse pelo menos não parecia ser tão fácil de lidar quanto antes. Pensando nisto seus lábios voltaram a percorrer o caminho dos testículos e pênis de Kai, concentrando-se em acomodar a glande e parte do corpo em sua boca em movimentos compatíveis com o movimento de seus dedos.

Yutaka relaxou com o calor oferecido pela boca de Miyavi em seu membro. Ainda não classificaria aquilo como dor, mas a pressão de ter sua entrada alargada incomodava. E incomodava bastante, ainda sentia o estímulo dos seus dedos do lado de dentro, mas a sensação de incômodo na entrada se destacava quase no mesmo nível do conforto encontrado ali.

Os lábios dele no vai e vem gostoso sobre sua glande era o que favorecia para aquilo ainda pesar mais para o prazer do que para o incomodo. Mas para si bastava, já tinha entendido como aquilo funcionava, não queria mais saber de dedos, sentia-se preparado para lidar com o sexo em si.

– Myv já está bom.

– E vou colocar o ter..

– Não. Já está bom, chega de dedos. – O menor lhe cortou, já tinha entendido que ia doer mais cada nova abertura.

– Eu não acho que o Ruki tenha lubrificante perdido por aqui, então quanto mais eu puder preparar você, melhor. – Explicou o mais velho.

Kai na verdade responderia que não importava a quantidade de dedos que Miyavi enfiasse para dentro de si, não faria diferença na hora de colocar algo de tamanho e consistência maior. Já tinha entendido como funcionava. Mas a fala de Miyavi lhe trouxe apenas uma lembrança quase completamente esquecida que consumiu sua resposta inicial.

– Ali – apontou para sua mochila jogada no chão próximo de onde estavam.

Havia comprado aquilo quando Miyavi havia lhe dito feliz que tinha feito uma cópia da chave de sua casa para que eles pudessem ir para lá sem que ninguém soubesse. Tinha lhe dado um trabalho enorme conseguir, pela internet demoraria e as lojas dentro da lei não queriam saber de vender lubrificante para menores de idade.

Ir até a farmácia comprar foi um de seus maiores atos de coragem, e até hoje não tinham usado o dito lubrificante. Deveria ter comprado pela internet, teria dado tempo.

Miyavi puxou a mochila de Kai pela alça sem sair do espaço entre as pernas do moreno e a jogou em cima da cama ao lado de Kai. Assistiu de forma curiosa o moreno simplesmente virar a mochila aberta sobre a cama e pegar o tubo que se destacou entre os artigos escolares.

Sem ligar para aposição de seus corpos Kai apenas sentou na cama. Seu quadril foi automaticamente para trás quando seus joelhos flexionaram para que ele conseguisse sentar completamente ereto sem fechar suas pernas. Sorriu ao tirar o lacre do tubo grande e colocar os olhos no corpo do namorado à sua espera.

Com alguma explicação rápida sobre de onde lubrificante tinha surgido o próprio moreno calou seus lábios ao pedir um beijo do namorado quando ainda permanecia ajoelhado no chão. Chegava a ser engraçado como a altura de Miyavi realmente o permitiria ficar ali de joelhos e ainda ser a altura certa para que sua intimidade ficasse na mesma altura de Kai quando o mesmo estava deitado.

Mesmo que o beijo tenha sido apressado, Kai não pode abrir mão da oportunidade de colocar suas mãos nos ombros de Miyavi e seguir dali uma exploração rápida pelo peitoral e abdome do namorado antes de voltar ao tubo e apertá-lo de modo a liberar lubrificante em excesso em suas mãos.

Seus lábios deixaram os de Miyavi e em silêncio seus olhos se conversaram mais uma vez. Enquanto Kai esfregou uma mão na outra para espalhar o produto por suas palmas, deixou sua boca trabalhasse de maneira desejosa contra a pele do pescoço de Takamasa.

Logo elas estavam sobre o pênis do namorado o lubrificando, espalhando o produto por toda a superfície de pele em um carinho casto e usando o excesso em sua própria entrada. As mãos do mais alto trabalharam novamente para puxar o quadril que tinha recuado, até o limite do colchão a sua disposição. Kai teve que usar uma de suas mãos para apoiar seu corpo em desequilíbrio e usar do corpo de Miyavi como apoio para a outra.

Ele ainda se distraía com o cheiro e os arrepios na pele do pescoço do namorado quando sentiu a glande úmida tocar sua entrada e achou aquela sensação de primeiro contato muito prazerosa. Até ele começar a se forçar para entrar é claro.

Era dor, mas não era. Uma dor incômoda, ou um incômodo dolorido. Era difícil classificar, mas não era nenhum fim de mundo. Não era pior do que bater o dedinho do pé no canto da mesa. E era quente acima de tudo, nem dava para sentir o lubrificante e não era ruim com certeza, ou seu membro não estaria tão duro.

A primeira reação de Kai ao sentir que Miyavi já estava todo dentro de si foi jogar a cabeça para trás, soltando o ar que a apreensão o tinha feito prender. A mesma coisa foi feita por Ishihara, mas ao invés de pender a cabeça para trás ele encostou seus lábios na parte da frente do pescoço de Kai.

– Quente. – Disseram os dois ao mesmo tempo.

– Incomoda? – Quis saber o mais alto sem se mover.

– É difícil de acostumar, parece que meus músculos querem te expulsar. É estranho.

– Eu sinto. – Ele disse de forma simples.

– O que?

– Seus músculos lutando para me tirar daqui, só que não é estranho é... Torna difícil ficar parado. – Disse por fim com um sorriso que terminava a frase por si.

A união de seus corpos pedia por mais contato, a ideia de que estavam finalmente juntos da forma como ambos queriam elevava no menor dos dois alguma coisa intangível e inexplicável e que ao mesmo não precisava da reversão destes dois adjetivos para ser vívida, clara e real.

Uma mistura de sentimentos e emoções que não estava limitada aos órgãos físicos de seus corpos que se uniam, aquilo tudo ia muito além e significava muito mais. Kai poderia estar prestes a descobrir um prazer maior, mas não via como o sentimento de felicidade poderia aumentar.

– Myv – chamou buscando mão do maior para entrelaçar na sua. – É isto. Enfim fizemos isto, hm.

– É isto. – Concordou o mais alto.

Descobriria depois os motivos para tantos sorrisos, por hora recriar cada um deles com um idêntico em sua face bastava. Bastava como cada resposta aos seus beijos era correspondida com a mesma empolgação que emergia de si e era absorvida por ele.

Um que seus olhos e sua mão tão bem unida à sua estavam lhe pedindo novamente. E finalizou com um indício de movimento do quadril do menor contra o seu, finalizou pela necessidade de Miyavi de ter os lábios livres para expressar um gemido profundamente baixo o prazer de se mover e sentir-se escorregando para fora do pequeno orifício e voltar antes que seu pênis saísse totalmente.

Kai apertou os olhos tentando se concentrar no calor do hálito do namorado contra sua pele. Havia demorado para se acostumar com a invasão e o inicio dos movimentos parecia reativar todas aquelas tentativas de expulsão toda vez que ele entrava.

Então sim, o incomodo pendia mais para a dor naquele momento. Mas nada que o fizesse querer desistir ou parar, ou reclamar. Não além do gemido indecifrável quando sentiu os lábios de Miyavi contra a pele de seu rosto com carinho, pois claro, ele sentia.

E parecia consciente da dor ao conduzir os movimentos de forma bastante lenta. O menor suspirou jogando a cabeça para trás como se assim pudesse conseguir mais ar e imediatamente os lábios de Miyavi encontrou um caminho para seguir, procurando por meios de fazer a dor ir embora. Gostando de a pele antes seus olhos se arrepiar pelos beijos e mordidas leves oferecidas ora em sua orelha, ora em seu pescoço.

Irremediavelmente seus movimentos não conseguiam seguir mais o mesmo ritmo lento do início, era algo que sobre o qual não tinha nenhum controle. Era mais, era sempre mais. Ainda assim não era algo julgado como rápido nem demais e nem de menos, apenas como um ritmo que só podia ser crescente e nada mais.

Algo que fez Yutaka reabrir os olhos ao perceber que seu corpo não tentava mais expulsar o invasor mesmo com a diferença na velocidade dos movimentos. Era como que se a entrada e saída e a fricção constante na região deixava seus músculos meio adormecidos. Não a ponto de não sentir mais nada, havia o calor, uma queimação que lhe lembrava que os músculos que formavam sua entrada iriam protestar aquele abuso, mas nada que machucasse.

Na verdade, o incomodo voltava a ser tão ameno que podia voltar a sentir e lembrar de um ponto bom que Miyavi havia tocado com o dedo e a dor havia o tornado fraco à percepção. E um gemido claramente de prazer foi deixado para trás, sendo muito bem recebido pelos ouvidos de Miyavi e os dentes do mesmo em sua clavícula.

Aquela mão que mantinha Yutaka meio sentado no colchão finalmente relaxou e o menino se deixou cair para trás, novamente deitado no colchão com os braços abertos de forma confortável. Sentindo uma adoração engraçada ao sentir seu corpo se mexer sobre a cama e seu corpo liberando gemidos baixos e instintivos toda vez que Miyavi se arremetia contra si.

Desta forma podia ver o prazer nas expressões de Miyavi e com ela vinha o desejo de que ele se movimentasse mais rapidamente entre suas pernas. Isto e a visão em primeira mão de todos os músculos daquele corpo trabalhando contra si de forma erótica. E não era como se não houvesse mais incomodo algum, ele só não tinha mais importância alguma.

Um de seus pés simplesmente saiu do conforto do apoio da cama para "abraçar" o corpo do corpo do namorado. Seu braço serviu de ferramenta para varrer todas as suas coisas de cima da cama em um único movimento antes do outro pé repetir o movimento do primeiro e isto servir gatilho para ver o corpo maior que o seu se aproximar.

Em um movimento rápido, facilitado pela posição alta de Miyavi, o garoto empurrou o corpo se Kai com o seu próprio conduzindo seu corpo pela cama com suas mãos em seu quadril até que estivessem ambos deitados sobre a mesma. O movimento quase tinha o feito sair completamente de dentro do corpo de Kai e isto foi usado apenas como movimento de continuidade depois que as coxas do menos foram ajeitadas de forma a não dificultar o acesso ali atrás.

O único desconforto com isto tudo para Kai foi perder o contato entre sua mão e a de Miyavi. Mas ele nem teve muito tempo para se focar neste pensamento.

O som da cama acompanhando os movimentos de Miyavi passaram a fazer companhia aos gemidos e uma camada fina de suor sobre seus corpos aos movimentos. O corpo de Miyavi era tão bonito daquela forma, com o brilho fraco do suor começando a se formar sobre a pele do corpo em movimento constante.

Os movimentos de seu corpo sendo tão excitante quando o membro que se arremetia contra si trazendo de volta a percepção daquela sensação prazerosa que acontecia ali dentro. Fazia uma sensação eletrizante passar por seu corpo, pedindo mais.

Mais toques, seu pênis passava a pedir por atenção esquecido entre seus corpos e a mesma rede de eletricidade que passava por ele parecia se estender até seus mamilos. Mais sensações, o tecido fino parecia pesado demais sobre seus mamilos fazendo com que o menor não conseguisse tirar seu pensamento da pequena região.

As mãos de Miyavi espalmadas no colchão para suporte ao próprio corpo lhe pareciam tão distantes agora. Queria-as em seu corpo agora intensificando todas as boas sensações ao invés de sua própria mão alisando entre beliscos sua barriga, indecisa sobre que caminho seguir. Subir, descer.. por que não os dois?

Sem perceber que era tão bem analisado por Miyavi, ou que sua notável indecisão havia deixado os movimentos do mais alto novamente mais rápidos até que um choque mais intenso percorreu toso deu corpo em resposta o fizesse perceber. E desejar e gemer pela forma como o aumento sutil da velocidade aumentava também o desejo.

Beliscando-se com mais força sem perceber, ao notar a língua Takamasa se pronunciando pra fora boca e lamber os próprios lábios de forma erótica após ouvir o gemido descarado. Uma das mãos de Miyavi saiu rapidamente do colchão para fazer companhia à mão indecisa de Kai. Agarrando-se a lateral da cintura do menor.

Sua mão descia e subia em um carinho quente pela palma que se esfregava contra a pele de Kai enquanto os dedos no final daquele aperto se afundavam de forma possessiva contra os músculos da região. Provocavam a ilusão de que era a mão de Miyavi que o fazia ir contra o corpo do mesmo cada vez que ele arremetia contra si.

– Ahh... – Kai gemeu alto o bastante para ativar todos os sistemas de admiração e deleite de Miyavi quando a mão do mesmo mudou de direção descuidadamente.

O polegar do mais alto havia ido parar em um ponto alto da virilha de Kai e tocado, sem querer, o membro até então negligenciado. Sentir aquele pedaço de carne tão duro e inchado o fez querer tê-lo em suas mãos, apenas se fechando contra o mesmo para comprovar que estava realmente tão duro que o tesão sentido por Kai tinha apenas aumentado até ali.

O fato da mão de Miyavi estar parada sobre seu pênis o fazia tremer. A região estava sensível demais ao toque tornando tudo mais intenso na mesma proporção em que exigia por ainda mais. Aquilo ainda não era o suficiente.

Aos olhos de Takamasa a visão encantadora do menino embaixo de si levando as mãos para encobrir os olhos já fechados enquanto não conseguia manter seus lábios fechados era deliciosamente encantadora. A pele pouco a pouco assumia o tom róseo que nada tinha a ver com algum sinal de vergonha sentida pelo moreninho, era apenas calor. Calor e desejo em meio a gemidos misturados com seu nome.

Estava ansioso para dar ao moreno das covinhas o que ele tanto desejava, mas lembrou-se da indecisão da mão confusa que beliscava a própria barriga ao tentar escolher um caminho a seguir. E estava louco para ouvir gemidos mais descontrolados do namorado, mas não se privaria de testar o outro caminho.

Mesmo que seu próprio corpo desse indícios de que não aguentaria muito mais com todos aqueles estímulos, não conduziria aquela maravilhosa experiência ao fim antes de testar o nível dos gemidos que ganharia de Kai ao seguir o caminho oposto. Dar aos mamilos encobertos a atenção que os mesmos pediam e que era evidente mesmo através do tecido da camiseta.

Sua mão abandonou ligeiramente o membro enrijecido para agarrar-se ao tecido, neste momento lhe pareceu bobamente amador por não ter se quer terminado de despir seu namorado. Tentou se lembrar de que tipo de precipitação teria para pular aquela etapa enquanto se aproveitava do fato de Kai estar com os dois braços erguidos, para erguer o tecido achando-se idiota por ter se privado até agora de uma visão do corpo completamente nu do outro.

O movimento dificultado, por ser com uma mão apenas, revelou aos poucos a pele clara com músculos tímidos que se desenhavam vagamente sobre a superfície, destacando-se quando o ar era puxado com mais força que o habitual quando Kai buscava por ar antes de ter o que suspirar junto com cada gemido. Ao sentir o tecido da camiseta ser movimentado o próprio moreno usou suas mãos para erguê-la e retirá-la.

Seu corpo estava quente e cheio de necessidades, sentir o peito nu lhe trouxe um bom conforto. Já estava tirando os braços de dentro das mangas para passar a camiseta pelo pescoço quando sentiu, com estranheza, os movimentos de Miyavi pararem dentro de si.

– Etto... – Tentou começar uma frase, baixando os braços à frente do corpo usando a camiseta como uma manta por instinto.

Entretanto seu movimento foi interrompido com brusquidão. Miyavi usou as duas mãos para erguer seus braços acima da cabeça o mais longe possível de seu corpo, deixando que o peso de seu corpo fosse todo colocado contra os punhos de Kai. Sobre si, o corpo do maior deixava a altura de suas cabeças no mesmo nível e o ponto fixo para onde o Miyavi direcionava sua visão foi o bastante para deixar Yutaka realmente constrangido.

O excesso de novas informações e sensações o havia feito esquecer daquilo. Um detalhe tão pequeno, um segredo tão bem escondido, silencioso e insensível ao tato que se tornou algo inócuo em seu corpo. Um pequeno número que havia tatuado em seu peito, sem saber o que realmente significava, apenas tinha os copiado dos dedos de um sujeito que nunca imaginou poder conhecer de verdade.

Claro, o sujeito que estava sobre seu corpo, apertando seus punhos contra o colchão acima de sua cabeça. Engolindo aqueles três números pequenos com os olhos como se fosse algo de outro planeta.

– O que... – O mais alto tentou iniciar uma pergunta que não conseguiu concretizar.

– Ah é que não tinha grandes ambições de um dia conseguir falar com vo...AH! – A frase do moreno foi cortada por um gemido resultado de um ato brusco.

Antes que conseguisse terminar de falar Miyavi tinha saído de dentro de si quase completamente, apenas a ponta da glande ficou abrindo sua entrada para que ele conseguisse voltar com força. E aquilo doeu na mesma proporção em que foi bom. Na mesma proporção em Kai tentou erguer mais o quadril e dar mais facilidade ao acesso de Miyavi.

– Fez isto antes de me conhecer. – Disse em tom afirmativo, não resistindo ao desejo de se retirar quase por inteiro do abrigo apertado e quente.

– Era só o que eu tinha. – Respondeu gemendo alto novamente com a força aplicada na investida.

– Droga Kai, assim eu não consigo... – Sua frase não foi terminada.

O final daquele significado ficou preso entre seus dentes que se fecharam contra o espaço de pele em que a tatuagem estava marcada. Após uma terceira investida completa Miyavi se viu perdido por aquela informação tão pequena cheia de grandes significados, passando a se arremeter contra o corpo do namorado de forma brusca com cada vez mais velocidade.

Todo o controle que tinha da ação até ali foi quebrado por três pequenos números escondidos sobre a pele do peito de Kai, seu nome em números. Uma declaração silenciosa e despretensiosa, não conseguiria mais aguentar muito depois daquilo.

Queria apenas o ápice e os gemidos altos ecoando pelo quarto. Uma voz muito distante lhe lembrou que os barulhos que a cama fazia agora com os movimentos forte e acelerados, mais os gemidos descarados de Kai seriam ouvidos pela casa. Mas não ligava, naquele momento não pararia nem mesmo se Emi arrombasse a porta.

Sua última ação em sanidade foi dar ouvidos ao pedido desesperado do namorado que pedia de forma desconexa entre as várias vezes que chamava por seu nome, algo que terminava com "lá embaixo". Obediente, uma de suas mãos desceu para dar a devida atenção ao membro necessitado que até então havia sido ignorado.

Não estava mais tão lúcido para ter certeza, mas tentou masturbar o namorado no mesmo ritmo em que se arremetia contra seu corpo. Perdendo-se apenas nas sensações, permitiu-se esquecer de todo o resto que não fosse todo o calor em volta de seu pênis e os gemidos que o embalavam.

Percebendo a realidade novamente apenas após se sentir liberar seu gozo no interior apertado, somente então percebendo o mesmo resultado de Kai em sua mão e em suas barrigas, além é claro do trilho róseo de dentes no peito do menor. Depois de todos os sons misturados houve apenas o silêncio estranho até que o sentido da audição voltasse ao normal.

As palavras foram trocadas pelo som das respirações altas tentando se normalizar. E o som clássico do vídeo game deixado para trás parecendo novamente alto e perceptível aos seus ouvidos.

Miyavi olhou na direção da TV quando isto aconteceu, logo em seguida se retirou de dentro do menor e os virou na cama. Com Kai em cima de si ele passou dos dedos pela mordida, que em seu ápice de prazer havia sido forte demais.

– Desculpe por isto. – Disse se referindo a marca de seus dentes. – Você devia ter me contado antes sobre isto, me fez perder o controle. – Disse com calma.

– Era complicado. Dizem que as pessoas não devem tatuar o nome de namorados, eu tatuei o seu e nem se quer te conhecia. É embaraçoso. – Disse rindo.

– É lindo. – Corrigiu.

– Emi vai nos matar! – Disse Kai em um suspiro.

– Se ela não matar, o Ruki mata. – Respondeu rindo alto, puxando Kai mais para cima de seu corpo sentindo vestígios do seu próprio gozo lhe tocar a pele a partir do contato com o corpo de Kai.

– É, porque não vai ter como eu sair daqui sem sujar o lençol dele. – Respondeu por responder baixando seu rosto no peito do maior.

– Espera... – Pediu Miyavi se estiando na direção do criado mudo ao lado da cama. – O Taka deve ter papel higiênico aqui. – Concluiu abrindo descaradamente a gaveta do mesmo.

– Não acho que o Ruki seja do tipo que tem papel higiênico na caveta de cabeceira para estes eventos de emergência.

– Olha! – Começou trazendo um rolo de papel de dentro da gaveta. – Uma prova de que até mesmo Takanori se rende aos métodos normais de conforto quando bate saudade do namorado de noite.

– Ok você me pegou, eu não sei mais no que acreditar. – Desdenhou o menor pegando o papel das mãos do namorado.

Notas: Eu brigava menos quando jogava só com o Mário, pq quando alguém jogava com o Luigi era tipo "liberei a fase que eu mais gosto de jogar e o outro cara vai jogar e passar ela" e com o Mário era até morrer para não ter o básico "Você perdeu as minhas penas e a minha tartaruga seu merda"

Eu odeio escrever a primeira transa de um adolescente, mas espero que tenham gostado. O fato do Kai ter feito uma conta no insta hoje não ajudou em nada.

Só pra vcs saberem, o insta do Kai veio bem no momento em que o Kai tava ali com as perninhas recolhidas sobre a cama, e o meu instinto quis fazer o Myv vestir ele de novo o tempo todo. Só não fiz pq ia ser muita malandragem, estamos no fim da fic e esse casal vem esperando todo este tempo para fazer sexo.

O Kai diz "é isto, nós fizemos" e eu penso é isto Myv, pode recolher o pintinho e se vestir /corre

Pra vocês que leram até o fim e ainda comentaram, eu amo vocês. Nem eu to aguentando escrever, vcs são maravilhosos.

Quem ainda lembrava que o Kai tinha um 382 tatuado no peitinho? Foi o Aoi que desvendou isto lá no início da fic, aha. Deixou o Myv up up up.