Capítulo quarenta e um: De um jeito só nosso
Por Kami-chan
– Ano... Eu não sei se deveria dizer isso, mas você está branco. Eu estou com medo de que você vá desmaiar. – Disse Reita à medida em que subíamos as escadas do prédio onde ele morava.
– Eu acho que pela primeira vez eu estou realmente com medo da sua avó. – Disse.
Na verdade, eu estava com medo era dele. Estaria mais tranquilo se a mãe dele estivesse em casa, com certeza. Mas desde que ele disse que a mãe chegaria somente pela madrugada do trabalho e que apenas avó dele estaria em casa com eles, uma placa luminosa e piscante de perigo se ascendeu em minha cabeça.
E nem e eu nem ela éramos burros para não saber que este medo estava muito bem estampado na minha cara. Eu devia estar pálido na mesma proporção em que ele estava agindo como um bobo, querendo mostrar em cada pequeno gesto o quanto estava feliz por eu estar ali.
Era essa constatação de que nem eu e nem ele estávamos nos apegando tanto em como estávamos agindo, fosse eu quase tendo um troço e ele mais idiota do que de costume, que me deixava com medo da avó dele. Quer dizer, nós dois seríamos um prato cheio para senhora sabidamente sem papas na língua ou limites na imaginação.
– Ah... tente apenas ignorar ela. Ou então de um jeito de calar aquela boca desaforada. – Disse com humor tentando, só tentando, me deixar mais confortável.
– Se eu não sair correndo antes. – Ri.
– Ah não, desta parte eu me encarrego. Te garanto que não vou te deixar fugir. – Disse rindo, como se estivesse me dizendo algo realmente reconfortante.
O que sua fala não era nem de longe. Eu ainda não tinha conseguido definir o que Reita esperava de mim naquela noite, nem como deveria me comportar na casa dele naquela situação.
De uma forma muito torturante, a única coisa que eu conseguia ligar à situação de passar a noite toda com Reita, era aquela tarde no almoxarifado. Que tinha sido ao mesmo tempo constrangedora e gostosa. Só que não tinha como desviar a ligação de nós dois em uma situação semelhante àquela só que sozinhos no quarto e na cama dele, a noite toda. Isto me fazia pensar imediatamente em Kai e Miyavi, e isto era esquisito demais para o meu nível.
Eu ainda tinha medo, ainda não sabia de muita coisa. Mas qualquer boco com nível de consciência mais evoluída do que a de um peixe sabia o que seu namorado queria quando armava pra você dormir na casa dele depois que a última vez que vocês ficaram juntos foi uma sessão muito tensa de mão aqui e mão lá.
E bom, com isso em mente posso garantir que não queremos a mesma coisa. Não ainda. Mas ao mesmo tempo, não queria dizer 'não' e chatear Akira. É, meu rosto já deve ter passado do branco ao verde a uma altura dessas. Saco.
– Tadaima! – O anúncio alto de Akira me fez voltar a prestar atenção no mundo ao nosso redor.
Eu havia perdido os detalhes do trajeto até o interior de seu apartamento, essa coisa de transportar minhacabeça para um universo paralelo ainda ia se tornar uma coisa perigosa. Em algum momento entre o tempo que levamos desde a última conversa até aqui, ele conseguiu segurar minha mão contra a sua.
Com firmeza e força suficientes para me deixar confuso se aquele ato era para passar coragem ou se era um aviso de que eu não iria conseguir fugir. Na verdade, parecia ser as duas coisas ao mesmo tempo.
– Okaeri! – A voz atingida pela idade se fez ouvida segundos antes da animada senhora colocar a cabeça para fira da única porta que ficava à esquerda de quem entrava na residência; a cozinha.
Eu ainda não tinha reparado em como aquele apartamento ficava bonito com todas as luzes acesas, com as luzes de destaque amareladas criando um efeito muito bonito e acolhedor. Também havia vapor e umidade nas janelas enormes de vidro que combinavam muito bem com o aroma delicioso de comida dentro do ambiente.
Eu me senti sendo recebido. Um convidado esperado.
Desta forma não me senti tão amedrontado quando Akira simplesmente me levou consigo para a cozinha quando a face de sua avó desapareceu da porta. A TV estava ligada para a sala vazia, o volume extremamente alto deixava a claro que a novela no canal sintonizado servia de distração para a idosa na cozinha mesmo que ela apenas ouvisse os diálogos da trama.
No interior da cozinha compacta a agilidade da senhora se locomovendo lateralmente entre o fogão e a bancada da pia parecia mais uma dança animada do que eu poderia descrever como uma avó cozinhando para o seu netinho. Em um giro rápido ela largou a xícara da qual bebia um chá quente sobre uma mesa pequena atrás de si, e logo voltou com as duas mãos disponíveis para a panela grande sobre o queimador do fogão.
A tampa clara da panela de ferro parecia pesada e a fumaça que saía de dento da panela preta e curvada fazia com que ela parecesse estar lidando em caldeirão desses de bruxas de ficção. Até mesmo o barulho borbulhante do molho que passou a mexer dava esta impressão.
Se não fosse pelo aroma é claro. Delicioso. Se fosse trama de ficção de fantasia aquele caldeirão de bruxa estaria preparando uma poção poderosa para seduzir os sentidos do meu paladar, isto sim. Achei aquele aroma de comida quente e deliciosa super compatível com a noite fria.
Mais do que isto, era compatível com uma noite divertida em família e não o caminho sem volta para a jaula de um namorado faminto.
– Oi vovó. – Reita se adiantou para abraçar carinhosamente a senhora que lhe retribuiu o carinho com um beijo no alto de sua cabeça.
– Taka-chan! – Ela disse feliz voltando a fechar a panela e deixando a colher de lado para me receber.
– Oi.. – Respondi retribuindo ao abraço apertado dos braços frágeis.
Tudo muito aconchegante e familiar. Até é claro me lembrarem do fato de que aquela não era minha família e nem minha casa segura.
– Está cheiroso, vó. – Reita disse abrindo espaço para a senhora passar por nós dois até chagar na geladeira e tirar de lá um molho de temperos.
– Claro, devo aquecer e alimentar Takanori antes de você o trancar em seu quarto, caso contrario a mãe dele não o deixará vir mais aqui, pois tenho certeza que você vai consumir todas as calorias e energia deste garoto assim que se trancar no quarto com ele.
– Quando você fala assim parece que eu sou um monstro que vai comer ele todo e ainda limpar os dentes com os ossos que sobraram. – Akira reclamou, e sim, eu tive que ouvir isto.
– É só mudar a linguem no "comer" que dá no mesmo Akira. – Ela deu de ombros já terminando de lavar os temperos e se preparando para picá-los.
– O seu propósito com a comida cheirosa é me engordar para a bruxa comer? – Perguntei meio confuso entre os dois.
Quer dizer, aquela panela de ferro borbulhando já parecia um caldeirão. Aquilo tinha virado o que? João e Maria?
– Ah não – ela jogou a mão no ar em um gesto bobo, querendo dizer que eu estava muito enganado. – A única coisa que eu não quero é o Akira me acordando de madrugada porque você desmaiou por falta de energia.
– Vó já chega. Ele já está achando que você está falando sério. – Akira riu.
No momento seguinte sua avó se virou para trás achando graça, aparente, da minha cara.
– Eu sei! – Ela disse. – Mas não deixa de haver verdade nisto tudo. Vão aproveitar o tempo que os dois tem juntos para namorar, a comida ainda vai levar alguns minutos para ficar pronta. – Terminou nos expulsando da cozinha.
– Vem aqui. – Disse Reita rindo. – Reita disse me puxando pela mão para fora da cozinha.
– Eu nunca sei quando sua avó fala sério ou não. – Resmunguei enquanto atravessávamos a sala para chegar á sacada.
– Ela sempre fala sério, mas sempre faz isso brincando. Só que as brincadeiras dela são um pouco exageradas, tem que filtrar.
– Nossa como isso aqui é grande! – Comentei olhando para todo aquele espaço.
Nunca tinha ido ali com Reita. Era óbvio mesmo sem entrar ali que a sacada era completamente fechada com vidro escuro, primeiro porque esta era a fachada do prédio e segundo porque dava para ver da sala, mas nunca diria que aquele espaço tinha todo aquele tamanho.
Dava para dizer com tranquilidade que aquela peça quase dobrava o tamanho do apartamento. Arredondada e com vários tamanhos diferentes em toda a extensão, lembrando cem por cento a frente do prédio.
Tinha uma sala completa mais para o canto com móveis de bambu, uma mesa redonda de madeira escura mais para centro com quatro cadeiras em volta, colchonetes e a bola de exercícios da avó dele mais para o outro canto, uma mesinha quadrada no estilo bar com duas cadeiras mais além e mais para o fim varais e baldes e vassouras. Tudo muito harmonioso e bem decorado, com muito espaço entre cada um dos ambientes.
A vista também parecia ser legal, mas não seria desta vez que eu descobriria esta parte. Reita estava me levando claramente para o sofá maior de bambu com grandes almofadas amarelas.
– Não tinha trazido você aqui ainda? – Ele perguntou se sentando com as pernas para cima do móvel e me induzindo a sentar propositadamente perto demais de si.
– Não. Você prefere sugar minhas energias no seu quarto. – Disse com humor, ainda com as coisas ditas pela avó dele em minha cabeça.
– Não liga para as brincadeiras dela. – Ele riu. – Ela é tão minha mãe quanto a minha mãe, só tem um jeito diferente de dizer que presta atenção e cuida do que nós fazemos.
– Nós não fazemos as coisas do jeito que ela fala. – Disse.
Bom, era verdade. Todas as vezes em que eu tinha conversado com ela, Hanabi demonstrava ver a minha relação com o Reita muito mais avançada do que realmente era.
– Ela sabe que esta é a primeira vez que eu venho aqui como seu namorado mesmo? – Questionei, fazendo ele rir ainda mais.
– Sabe, sabe sim. Eu falo sério, não se preocupe pequeno, ela sabe exatamente de tudo. Ela brincou com você desta forma quando sabia que eu estava trazendo o amigo de eu gostava para dentro de casa, brincou com você por eu finalmente estar trazendo o meu namorado para casa e vai brincar com você até o fim dos dias, porque é assim que ela é.
Eu achava engraçada a forma como a maioria das coisas que Reita me dizia me deixava ainda mais curioso sobre ele. Poderia encher ele de perguntas sobre a curta declaração, elas iriam desde como a avó dele sabia que ele gostava de mim até o que ele queria dizer com fim dos dias.
Mas preferi apenas me acomodar melhor entre seus braços, identificando nos olhos fechados e na cabeça escorada no encosto do sofá o quanto ele estava cansado. Claro, para ele aquele tinha sido um dia normal de trabalho.
Do jeito em que estávamos sentados ficava fácil para mim apenas virar a cabeça para me acomodar contra a pele de seu pescoço e sentir o seu cheiro a partir da tez morna e quase escondida. Puxei o ar com um pouco mais de força ali a fim de encontrar o "cheiro de Reita", sem muito alarde para não ter minha intenção super secreta descoberta.
O que não deu muito certo, já que no momento seguinte ele estava sorrindo com a pele levemente arrepiada. Sua cabeça se endireitou e senti a ponta de seus dedos empurrando meu queixo para cima em um movimento que terminou com seus lábios contra os meus e um beijo calmo dividido sem pressa alguma.
Daqueles beijos que eu gostava. Beijos que mostravam o quanto éramos diferentes de todo o resto do mundo, repleto de sentimentos que ia muito além de um simples casal de namorados. Aqueles beijos me mostravam que nós éramos um super casal de namorados, com amizade, confidência, intimidade e confiança.
Beijos que iam muito além de todo o carinho e ainda assim não chegavam nem perto daquele incêndio recém-descoberto. Era a essência do sentimento puro sem as necessidades físicas que este sentimento desencadeava.
Combinava cem por cento com aquele ambiente envolvente de noite fria. Não havia medo algum naqueles beijos inocentes e envolventes de um jeito diferente; de um jeito que eu sentia que era só nosso.
Só curtir. Pelo menos até a avó dele passar pela porta de vidro anunciando que o jantar estava na mesa. Lá eu tive que lidar com mais brincadeiras da avó dele, principalmente quando ela me forçou a repetir o terceiro prato alegando que os dois primeiros serviriam para sobreviver sem desmaiar, e o terceiro era para ter força para reagir. Pelo menos eu pude dizer que o vermelho na minha cara era fruto da mistura quente daquele prato com carne e mandioca derretida.
Depois de quase morrer comendo a avó dele nos mandou sair de sua vista. Reita me deixou em seu quarto com o vídeo game enquanto ia tomar o seu banho. Preferi usar este momento para trocar minha roupa pelo pijama antes de me sentar no chão e me entreter com seu console enquanto o esperava. Eu estava satisfeito, até ali estava sendo uma noite deliciosamente normal.
Ouvi o barulho de uma porta do corredor sendo destrancada, mas preferi fingir que não tinha. Preferi apenas seguir concentrado no jogo, dando mais importância máscara que a rasposinha vestia para ficar invensível por alguns segundos. Fiz o mesmo quando a porta do quarto se abriu e fechou minutos após.
Pelo menos até a cama que servia de apoio para minha costas balançar, indicando que Reita havia se jogado na mesma. Dois segundos depois sua face surgiu ao lado da minha. O cheiro de sabonete e pele morna preencheu todo o pequeno cômodo.
Quando dei por mim já estava com a cabeça encostada contra o colchão, com o queixo totalmente apontado para cima apenas para admirar o rosto bonito emoldurado pelos fios de cabelo molhados. Pareciam mais longos desta forma, quase incomodando sua visão, ou quase escondendo o rosto sem faixa.
Foda-se o tamanho do meu ego. Sabe esse cara gostoso aqui do lado. Pois é, ele é meu namorado.
Não importava quantos dias e meses se passassem, eu sempre acharia incrível ser a única pessoa que o vê assim. E foi com o intuito de poder vê-lo melhor que levei minha mão até seus cabelos e misturei meus dedos com a raiz daqueles fios que caiam sobre seu rosto, os jogando para trás e para os lados. Qualquer lugar, mesmo que ficasse bagunçado, que não a frente de seu rosto.
Akira estava deitado de barriga para baixo com os cotovelos apoiados sobre o colchão. Estava sem camisa, vestia a apenas uma calça folgada de pijama. Eu deveria lembra-lo de que estava frio, mas Reita mais costas de fora mais bíceps expostos... é o quarto estava suficientemente quente para ele ficar daquele jeito.
Então me pareceu muito injusto apenas ficar olhando. Reita pareceu entender isto ao se movimentar na cama de forma que seu rosto não ficasse ao lado do meu, mas sim acima. E de um jeito engraçado, como nossas cabeças apontando em direções opostas, ele me beijou.
Minha cabeça se tornou leve contra o peso de sua língua buscando pela minha. Naquele primeiro contato já era possível perceber que aquele beijo seria diferente; não seria como aquele que dividimos na sacada enquanto esperávamos pelo jantar.
Mesmo que seu gosto fosse o mesmo, mesmo que a forma como ele conduzia seus movimentos não fosse uma sequência diferente daquela, era absolutamente claro que aquele beijo seria diferente. Havia algo que resultava do toque entre nossas línguas. Não tinha nada a ver com movimento ou força, era a sensação do toque da língua dele contra a minha que me dizia que aquele seria um beijo odiferente.
Talvez fosse efeito apenas da posição, ficar com a cabeça daquele jeito olhando para cima era o que devia estar fazendo com que eu sentisse como se ela estivesse girando. Como um parafuso sendo tirado de seu eixo, eu não sentia mais o meu corpo, sentia apenas o rodopiar leviano que podia ser sentido mesmo com os olhos fechados.
Ainda assim, não havia tontura que me fizesse querer me afastar ou parar aquele beijo. Este beijo era bom também, era bom de um jeito diferente. Era bom de um jeito que não me fazia querer parar. E ia ficando mais gostoso com uma de suas mãos em meu queixo, e minhas mãos em seus ombros.
Então aí sim, a sensação gostosa não era mais apenas fruto do toque úmido. O beijo que até então era quase lento assumiu um ar mais intenso, com velocidade e profundidade.
Mesmo que a respiração ficasse dificultada, prestar atenção nela era quase em vão; era muito mais fácil respirar mais fundo do que querer afastar minha língua da sua.
Eu conhecia este beijo. O julguei como fruto da saudade quando ele aconteceu dentro do almoxarifado de Joe e percebi que estava entrando em no terreno no qual não estava confiante para entrar quando o outro braço de Akira passou pelo meu peito e me apertou contra si.
Ainda assim, perceber o caminho que estávamos tomando não tornava "parar" uma opção de escolha clara. Porque bem na verdade, eu não sentia vontade de parar, apenas não sabia exatamente até onde queria ir.
E de um jeito muito idiota, a minha resposta imediata ao seu aperto foi escorregar minhas mãos de seus ombros até a parte de trás de seu pescoço. Meus dedos se cruzaram na região quase o puxando ainda mais para mim, deixando para trás um recado simbólico de que eu não o soltaria tão cedo.
Já estava até curtindo aquela tontura gostosa. E já não achava mais que ela era apenas fruto da posição.
Havia tantas emoções envolvidas naquele beijo que eu nem mesmo percebi em que momento os braços de Akira se fecharam contra o meu peito e me puxaram para cima da cama. As posições dos dois corpos tornava o que ele queria fazer, impossível.
Nossas bocas acabaram se separando enquanto eu subia para cima da cama para que ficássemos mais confortavelmente próximos. Ficamos sentados lado a lado, de frente um para o outro. Eu sentado com as pernas cruzadas como "índio", ele com uma perna passando por baixo da outra que estava flexionada com o joelho servindo de apoio para um de seus braços.
Isto foi tudo o que vi antes que a aproximação do rosto e dos lábios dele me fizesse fechar os olhos novamente. Havia pressa, isto também vinha com aquele tipo de beijo. Era uma urgência muito parecida com dependência.
E vinha com efeitos colaterais que eu só senti quando a outra mão de Reita descansou sobre uma de minhas coxas. O toque simples se refletindo imediatamente em outro lugar.
E aquele era um momento de escolhas difíceis novamente, sem querer parar e nem avançar. Concentrado demais no dedão que se movia de forma tão carinhosa quanto audaciosa, de um lado para outro no ponto mais alto da minha coxa. Às vezes apertando a região.
Era bom. Qualquer tipo de contato com Reita era bom, principalmente porque quase nunca tínhamos oportunidade para ficar tão à vontade. Pareceu realmente algo corriqueiro quando seus lábios simplesmente se desgrudaram dos meus, eu sabia que de alguma forma que eles iriam para o meu pescoço e com um movimento simultâneo ao seu, eu ergui meu rosto para expor o local e literalmente oferece-lo a ele.
Não sei se o que saiu dos meus lábios no momento em que seus dentes puxaram de leve a pele sensível poderia ser considerado um gemido, mas pareceu agradar os ouvidos de Akira. No momento seguinte seus dentes e lábios pareciam repetir o feito em vários pontos da pequena região; não tenho como saber se ele percebeu como isso deixa minha pele arrepiada.
A força dos movimentos dele acabou me forçando a descruzar as pernas e estender pelo menos um braço para apoiar a mão no colchão, caso contrario cairia para trás. Havia uma agonia estranha naqueles chupões e mordidas, e se não fosse por esta agonia talvez eu tivesse a coragem que tive em usar a mão livre para afastar sua face de meu pescoço pelos cabelos e voltar a direcionar seus lábios na direção dos meus.
Mantendo meus dedos firmes contra os fios loiros enquanto sentia sua língua indo fundo em minha boca. Eu sentia agora que a pressa dele era maior, sua boca se movia contra a minha de forma contínua enquanto sua língua deslizava de um jeito quase obsceno sobre a minha. A intimidando e desfiando a lhe acompanhar naqueles movimentos de, literalmente, tirar o fôlego.
Exigiu tanto de mim que a única coisa que fiz ao sentir seu braço se enroscando em minha cintura foi cruzar meus braços atrás do seu pescoço em um abraço que eu simplesmente adorava. Era aquele abraço que me fazia sentir os limites de seu rosto contra a face interna dos meus braços enquanto os antebraços caiam por suas costas e seu toque em minha cintura me fazia sentir como algo precioso, principalmente com nossos peitos colados quase brigando pelo espaço para conseguir respirar.
Aquele abraço sempre me fazia sentir como se fosse parte dele, tanto que só senti que meu corpo havia sido deitado quando senti o colchão em minhas costas. O fato de que aquele abraço estreito ainda estava sendo mantido me dava a certeza de que o corpo de Akira estava sobre o meu.
E o problema não era eu estar excitado com aquilo tudo, nem saber em que situação me encontrava. O problema era ele saber que eu estava excitado. E daquele jeito ele não apenas saberia, mas sentiria o quanto eu estava duro.
E para mim parecia óbvio que se ele sentisse o final daquilo seria óbvio. Era o que eu não queria, mas não tinha coragem para dizer, ou até queria, porque era bom, mas não tinha coragem para fazer; não ainda. E não sabia como dizer, mas me parecia injusto deixar que ele fosse adiante e perceber na hora "H" que eu simplesmente não ia deixar que ele fosse até o fim.
Instintivamente me senti recuando, quase parecia que eu estava tentando enfiar meu quadril para dentro do colchão. Eu só não queria que ele sentisse. Era tão vergonhoso. Eu só percebi que provavelmente estava estragando aquele clima quando Reita finalizou o beijo com um selinho.
Ele não saiu de cima de mim e ali, dividindo minhas capacidades entre olhar para os seus olhos e respirar normalmente eu percebi que aquilo era um incêndio; um dos grandes. Eu não estava errado, ficar sozinho com Akira em seu quarto seria igual àquela tarde na loja do Joe com o toque extra da privacidade.
Naquele momento eu não via meios daquilo terminar bem. Ou eu faria algo que não queria verdadeiramente, ou daria um banho de água fria em Reita. A escolha era difícil, principalmente por ter certeza que ele estava sentindo o quanto eu estava excitado. Eu sentia claramente o membro duro dele contra a minha coxa e ele com certeza estava sentindo o meu.
Aquilo era muito, muito desconfortável. E de um jeito bem contraditório, fez com que eu me sentisse ainda pior quando Reita simplesmente parou.
– Nós podemos parar se você não estiver gostando, pequeno. – Ele disse, mas é claro que eram apenas palavras que ele estava se forçando dizer.
– Mas é bom, eu não quero parar. Só... – Parei na tentativa de descobrir o jeito certo de falar aquilo.
– Não temos a obrigação de fazer sexo só porque estamos com os paus duros. – Ele disse de um jeito muito mais simplificado do que eu seria capaz, reunindo todo o problema que eu tinha criado na minha cabeça.
– Mas é o que se espera, não é? – Questionei.
Sei lá, era o que tinha aprendido com Myv e Kai. Aoi também já tinha feito sexo mais vezes do que do que eu era capaz de pressupor, até o Uruha já tinha entrado nesta perspectiva.
Eu era o cara que até pouco tempo atrás se quer tinha beijado alguém, e sabe do que mais, até o início deste ano eu se quer dava importância para estas coisas. Bem na verdade, eu não sabia nem se o meu próprio namorado já tinha feito sexo alguma vez na vida ou não.
– A única coisa que eu espero de verdade é ter você do meu lado. Gosto disso. – Disse passando a mão sobre a protuberância evidente no tecido fino do pijama, me fazendo contrair o corpo pelo toque inesperado e desapegado dos seus dedos sobre meu pênis. – Gosto de saber que sou capaz de te fazer sentir assim. É como uma constatação gostosa de que você se sente da mesma forma que eu.
– Mas sem que eu consiga ir além, você não vai ficar... sei lá, com vontades? – Perguntei, me sentindo imediatamente constrangido.
– Eu vou ficar com você pelo resto da vida, é tempo bastante para aproveitar bem todas as partes. – Ele disse dando de ombros, como se fosse a coisa mais naturalmente óbvia deste mundo.
Foi impossível não sorrir com aquilo. Somente o Reita era capaz de fazer este tipo de observação tão romanticamente elaborada e não perceber o quão profundas eram aquelas palavras. Com certeza uma declaração que ficaria tão gravada na minha cabeça que em algum momento passaria a fazer parte do meu DNA.
Não era como se eu pudesse responder àquilo de algum jeito diferente de sorrindo e voltando a beijá-lo. Era engraçado ver que talvez eu estivesse pensando mais sobre sexo do que ele.
– Vem cá. – Reita disse se afastando de mim após finalizar o beijo com um selinho.
Observei ele se arrastar para trás na cama até se acomodar na mesma na posição correta, deitado de barriga para cima com a cabeça apoiada contra o travesseiro. No segundo seguinte ele flexionou os joelhos com as pernas abertas, um de seus braços se estendeu por entre elas para que seus dedos se movimentasse em um sinal universal enquanto ele repetia o chamado.
Eu só fui. Queria apenas voltar a ficar perto de Reita e voltar a beijá-lo. Só percebi no que estava me colocando quando já estava perto o suficiente para que as mãos dele me puxassem com velocidade para o meio de suas pernas.
De um segundo para outro nós estávamos novamente em uma posição constrangedora. Desta vez eram as pernas de Akira que envolviam meu corpo, quase me prendendo entre elas, colado em seu corpo. O contato em cheio com as duas intimidades não pode ser evitado desta vez, e mesmo que ele estivesse claramente se colocando à mercê das minhas vontades, aquela posição não tornava as coisas mais fáceis.
Não era nada fácil estar por cima e não ter escolha a não ser olhar para seus olhos. Estar naquela posição exigia que fosse eu que buscasse por seus lábios se quisesse um beijo, e eu não conseguiria fazer isto sem deslizar sobre seu corpo e fazer com que aquela parte lá em baixo literalmente se esfregasse nele.
O problema maior era que esta ideia me parecia muito tentadora, mas eu ainda não tinha entendido direito o que ele queria com aquilo. Parecendo entender as mãos de Akira logo foram sentidas sobe cada uma de minhas nádegas e não, não era muito fácil ficar olhando para ele enquanto isso.
– É você que está no controle, Ruki. – Disse para justificar a forma como as mãos dele começaram a movimentar meu quadril sobre o seu.
– O que você quer que eu faça? – Perguntei, vai que ele ainda não tivesse entendido a parte em que eu realmente não sei o que fazer.
E antes de fazer tudo errado, eu queria que fosse ele a estar ali. Estar em baixo não me parecia mais algo tão vergonhoso, pelo menos podia esconder meu rosto com o travesseiro se quisesse. Ali não, a pessoa que ficava em cima tinha que confiança no que estava fazendo.
A de baixo só precisava de coragem. E digamos que a sensação o pênis dele deslizando sobre o meu, mesmo com todas as roupas, era uma sensação muito encorajadora.
– O que você quiser fazer. – Respondeu tirando suas mãos do meu bumbum e as cruzando atrás de sua nuca de forma despreocupada.
A imagem dos braços dele se movendo até que parte deles se escondessem atrás de sua nuca foi uma imagem que eu vou com certeza vou guardar para sempre junto com a cena da espuma de shampoo escorrendo entre suas escapulas. Os músculos do seu peitoral se movimentaram, quase empinando seu peito de forma orgulhosa e também fazendo destacar o traço delimitava o espaço do bíceps com o tríceps em seus braços.
Eu achava muito engraçado como a imagem do corpo dele me deixava aceso de uma forma que até certo tempo atrás eu desconhecia. Olhá-lo de cima agora estava se mostrando muito vantajoso, eu não conseguia nada que pudesse desejar mudar no corpo de Reita.
– Ano Ruki, o que você quer fazer com meu corpo? Faça.
– Eu não sei fazer estas coisas Akira. – Disse, porque era verdade e era bom ele não ter expectativas muito altas sobre aquilo.
– Eu sei, é para descobrir mesmo. Faça o que quiser, eu só não posso prometer que vou aguentar até o fim com as mãos paradas.
Havia uma criatura excitada e de pernas abertas abaixo do meu corpo, sem camisa e com seus melhores músculos ao alcance dos meus olhos. Ele estava me pedindo para fazer o que quiser com seu corpo, literalmente.
Muito convenientemente esta criatura é o meu namorado, digo que era conveniente porque mesmo que eu não saiba direito o que fazer, aquela ideia estava deixando o quarto abafado e meu corpo quente demais. E eu sou meio lesado e podia muito bem estar errado, mas acreditava que este calor não tinha muito a ver com a minha timidez.
Aquilo queria dizer que eu podia fazer todas as coisas que achasse gostoso fazer, com a certeza de que não havia nenhuma expectativa além. Era sair da zona de conforto, mas de um jeito seguro. Experimentar coisas sérias em forma de brincadeira.
Até mesmo um mané como eu sabia que o sexo era inevitável. Era óbvio que em algum momento o desejo pelo contato mais íntimo que pudéssemos ter iria se tornar uma parte muito exigente de nós dois. O que Reita estava fazendo era me dar a oportunidade de estudar o caminho antes de percorrê-lo. E fez sentido na minha cabeça, aquilo me dava um ar novo de confiança.
Morrendo de vergonha, é claro. Mas entendendo que havia uma diferença tênue e muito constantemente confundida entre o que era fruto da timidez e o quer era fruto da insegurança. Não tinha nenhum problema em eu ter vergonha com Reita, mas não havia necessidade alguma de eu não me sentir seguro com ele.
– Você não pode rir de mim. – Disse apontando 'ameaçadoramente' para si enquanto me forçava para trás para sentar momentaneamente sobre minhas pernas.
– Eu não estou em posição de dar risada. – Respondeu levando a mão até o próprio membro, destacando o volume abaixo do tecido.
– Tá. – Disse reunindo o dobro de minha coragem para levar as mãos até a barra da minha camiseta de dormir e levantar para tirar.
– Eu com certeza não vou aguentar muito tempo com as mãos paradas. – Afirmou.
A forma como Akira olhava para o meu corpo era constrangedora, mas nesta parte minha vaidade conseguia dar um jeito de se fazer mais forte. Era gostoso ver que ele também gostava do meu corpo, fazia com que eu me sentisse poderoso. É, poder era uma coisa boa. Eu sentia que poderia deixar Akira em maus lençóis se ele habituasse a me fazer sentir poderoso. Mas este era apenas um pensamento leviano de minha cabeça, é claro.
– Eu entendi a brincadeira, Akira. Não quero que suas mãos fiquem paradas. – Disse.
É claro que depois de dizer algo assim em voz alta eu precisava de alguma coisa que escondesse meu rosto. Melhor ainda se além de esconder meu rosto impedisse ele de dizer qualquer coisa sobre a minha "enorme" ousadia, casualmente ele tinha já tinha me ensinado algo que fazia as duas coisas ao mesmo tempo além de ser prazeroso.
Então voltar a me posicionar sobre o corpo dele e roubar seus lábios não foi uma tarefa difícil. Mesmo que a posição fosse íntima demais, o beijo iniciado nela voltou a me trazer a sensação habitual que ele sempre me dava; naturalmente como parte de nossa confidencialidade fluidamente fácil.
Naturalmente como meu maior centro de paz, meu ponto fixo de equilíbrio no universo. Uma conversa importante discutida com de um jeito simples e um acordo complicado difundido em uma brincadeira e eu já não tinha mais caraminholas na cabeça.
Obviamente também foi impossível deixar de perceber o calor compartilhado entre nossos corpos, as peles nuas do peito e abdome se tocando de uma forma totalmente nova. As pernas de Reita voltaram a cercar meu corpo e como um gatilho, seu movimento me fez voltar a movimentar meu corpo sobre o seu.
Seus braços deixaram de servir de apoio para sua cabeça e saíram de trás do seu pescoço para se cruzarem atrás do meu. Sem que fosse algo que estivesse totalmente sob meu controle meu corpo parecia se mover de formas que fizessem com que eu pudesse sentir mais e melhor o corpo dele.
E não foi estranho perceber que de uma hora para outra minha mão estava em uma de suas coxas chagando o mais próximo que a posição nos permita de sua nádega. Também não foi estranho notar que meus dedos souberam encontrar muito rapidamente um caminho entre o tecido folgado do calça que ele estava usando e sua perna para poder repetir aquele toque diretamente contra sua pele; foi apenas surpreendente.
Tão surpreendente quanto a forma como ele aprofundou o beijo quando minha mão voltou da parte mais alta de sua coxa até o fim dela no joelho raspando minhas unhas contra sua pele durante o movimento. Naquela altura eu já não estava ligando, era a língua dele contra a minha, o peito dele contra o meu e nossas intimidades massageando-se deliberadamente em busca de sensações que eu teria dificuldade em tentar descrever caso fosse necessário.
Era bom e insuficiente ao mesmo tempo. Eu sentia meu membro mais duro e o dele também, podia criar uma imagem mental dos dois se movimentando um sobre o outro apenas por tão bem que os podia sentir. E mesmo que o tecido leve de roupara dormir fosse fino, sua presença enchia o saco.
Havia uma parte muito grande do meu cérebro que queria sugerir que tirássemos pelo menos mais as calças, mas a forma como o pênis dele parecia muito mais maleável do que o meu me fez pensar que talvez Akira estivesse usando apenas o calça sem nenhuma cueca. Talvez eu ainda não estivesse confiante o bastante para ficar inteiramente nu com ele.
A falta de ar nos obrigou a encerrar o beijo. O movimento fez o lábio inferior de Reita passar perto demais dos meus dentes e em um movimento impulsivo, eu os fechei contra o lábio fino, puxando-o no final do ósculo. E o grunhido dele apenas serviu para aumentar o meu ódio repentino pelo limite imposto pelas roupas no contato.
E o contato entre nossos olhos me mostrou que a situação dele não estava nada melhor do que a minha. Akira estava quase vermelho e não era nem um pouco por vergonha. Manter sua proposta de me manter no comendo estava exigindo bastante de si, era evidente que ele estava se contendo.
Aquilo foi o que me fez querer tentar algo diferente. Forcei meu corpo para cima para soltar seus braços e pernas e inverti a posição de nossas pernas. E com uma troca simples eu ainda tinha poder, mas de um jeito diferente. Com uma perna de cada lado de seu corpo e sentado sobre seu quadril, sentindo sua intimidade totalmente encostada em mim.
Era diferente, assim aquela sensação gostosa que existia no contato entre as ereções podia se espalhar pelo resto do meu corpo. E talvez eu estivesse sentindo vergonha por estar literalmente rebolando no colo de Akira se ele não estivesse com os olhos cerrados, grunhindo coisas que não tinham sentido entre as inspirações de sua respiração.
– É o meu limite Ruki, eu preciso... – Ele mesmo interrompeu o estimulo.
No momento seguinte vi sua mão sumir dentro da calça folgada, os movimentos traduziam o que ele não tinha terminado de falar. Obvio que aquele esfrega esfrega teria que terminar com algum tipo de alívio, termos deixado claro que não haveria sexo ali não mudaria isto.
Mas...
É sério que para ele estava tudo bem se masturbar na minha frente? Assim, sem nenhum receio ou vergonha, ou algum sinal de que ele ainda percebia a minha presença ali. Honestamente falando, fazer isto pensando em Akira já tinha se tornado um hábito; um hábito mantido no segredo da noite quando eu tinha certeza que todo mundo já estava dormindo e com a porta trancada e conferida.
– Você não vai? – Reita perguntou quando abriu os olhos para baixar um pouco o elástico da calça, o suficiente para expor o membro e a mão em movimento.
– Na sua frente?
– Se você não estivesse aqui eu estaria pensando em você, então não vejo muita diferença. Na verdade fica melhor, estou assim porque você me deixou assim e não por conta de uma fantasia.
Eu deveria tentar me inspirar mais na simplicidade da honestidade de Akira. Parecia tão fácil para ele ser assim. Vê-lo se masturbar na minha frente estava causando fisgadas no meu próprio membro, eu admito que estava difícil resistir e fazer a mesma coisa que Reita.
Mas eu logo descobriria que existia algo a mais por trás da honestidade transparente de Akira comigo:
– Você fantasia muito comigo, Akira? – Perguntei, me assustando comigo mesmo, mas o fato era que o magnetismo exercido pelos dedos subindo e descendo de forma lenta pelo pênis úmido –para o qual eu não conseguia deixar de olhar– estava me deixando meio fora de mim.
– O tempo todo. – Respondeu em tom estranho de gemido.
– Pervertido. – Acusei em tom leve e surpreendentemente a resposta dele foi fechar os olhos e gemer. – Pervertido. – Repeti, desta vez já atento às suas reações começando a entender que o diálogo tinha duplo objetivo ali.
Mais uma vez ele gemeu, seu quadril se movimentou quase como se fosse possível apontar seu membro ainda mais para frente enquanto ele mudava consideravelmente o ritmo de seus próprios movimentos. Aquilo sim era uma descoberta.
E era algo que eu não achava difícil fazer, era como mandar. A euforia por ter descoberto uma coisa nova tão íntima de Reita trouxe novamente aquela sensação de poder. Merda, eu realmente gostava desta sensação e ele parecia não ter interesse nenhum pela posse deste poder.
Era uma onda nova e diferente de excitação. Fez com que eu levasse minha mão até meu próprio pênis quase sem perceber, iniciando os movimentos lentos sem tirar meus olhos de seu rosto.
– O que você imagina quando fantasia comigo, Akira? – Perguntei, tentando não ligar para o estranho fato de que minha voz nunca tivesse soado tão firme de minha boca antes.
– Na maioria das vezes você está nesta posição. – Ele respondeu obedientemente, sua mão livre se prendeu com força contra minha bunda.
– Você gosta de mim por cima. – Afirmei, mesmo que de verdade, eu nem soubesse direito o que estava afirmando.
– Ah Ruki... – Gemeu.
– Akira eu estou por cima de você. – Continuei.
Meu estoque de 'formas sujas de falar' não era muito variado. Foi uma descoberta muito prazerosa de fazer, mas meu vocabulário teria que ser melhorado para o futuro. Sinceramente, aquele já era o meu limite. Mesmo sem dar muita atenção visual para a minha própria masturbação era claro que eu logo terminaria, a euforia por dizer aquelas coisas era algo a mais contra mim; estava superestimado.
Se não bastasse, a última fala fez Reita reabrir os olhos. Naquela altura eu já não estava mais consciente o bastante para me sentir com vergonha, mas bastou Akira colocar seus olhos na minha situação para que ele tirasse minha mão de meu pênis e o manipulasse para mim com a mão que ele tinha tirado de meu bumbum.
Foi como se o tivesse tirado de algum tipo de transe. Eu confesso que pensei em fazer a mesma coisa, mas ele tinha planos diferentes. Sem falar que com a mão dele ali era muito mais gostoso e difícil de pensar em outra coisa que não "mais".
– Vem cá. – Disse erguendo a cabeça do travesseiro claramente para um beijo.
E é claro que só apoiei minhas mãos ao lado de seu rosto e lhe correspondi. Foi o beijo mais difícil que já trocamos, entre gemidos e uma dificuldade tremenda de concentração e respiração. Ah e foi muito mais gostoso do que sozinho em casa, apenas pensando nele. Eu tinha entendido tudo o que Reita quis dizer.
Mas isto não fez a minha vergonha ir embora, na verdade eu me lembrei dela assim que cheguei em meu orgasmo particular. Eu acredito de verdade que jamais conseguirei deixar cem por cento de ser uma pessoa tímida, mas ele tinha feito com que ela fosse muito bem camuflada durante aqueles momentos de excitação. Era o suficiente então.
Akira parou de me beijar quando atingiu o seu momento individual de prazer maior. Eu não quis olhar para baixo, não quis olhar para a sujeira e ele estava sorrindo, não tinha nenhum motivo para olhar para outra coisa que não aquele sorriso. E nem outra ação senão corresponde-lo.
Meus braços estavam cansados e Reita pareceu perceber isto ao nos manipular na cama, se colocando de lado e deixando de barriga para cima. Aproveitei a movimentação para ajeitar minha calça e preferi continuar sem olhar para baixo para ver se ele tinha ajeitado a dele.
Aquele era um momento em que o silêncio era a melhor opção. Repensar em tudo o que tínhamos feito, inevitavelmente eu acabei procurando o rosto de Akira na cama. Era confortável ver que ele também parecia estar revivendo aquelas coisas e também ficou com um ar de constrangimento quando nossos olhos se concentraram um no outro por tempo demais.
Eu queria conseguir pensar em alguma coisa para conversar com ele, mas estava exausto. Ele pareceu compreender isto ao se ajeitar contra o meu corpo e esticar seu braço até o interruptor de luz para apaga-la.
– Não deveríamos fazer isto. – Eu disse, de forma nada convincente, quando seus braços se uniram sobre minha barriga e seu queixo se acomodou contra o meu ombro.
– Eu me nego à ideia de ter você aqui em casa, na minha cama e não dormir agarrado em você. – Respondeu de forma humorada.
– Sua mãe pode entrar no quarto no meio da noite.
– Eu vou passar o resto da minha vida com você, acho que em algum momento ela vai perceber. Quanto antes, menos indolor será. – Concluiu.
E aquela tinha a sido a segunda vez na mesma noite que ele dizia aquilo. E mesmo que eu achasse que "para sempre" fosse tempo demais, senti vontade de dizer que o amava. Mas não o fiz, identificar com certeza o amor era muito parecido com acreditar no "para sempre".
Gostava mais de apenas apertar mais seus braços contra o meu corpo e sentir o calor de sua proteção. Sorrindo por perceber que mais uma vez Akira não tinha se ligado que aquela frase era uma declaração muito séria para um casal novo e recente de namorados.
Queria ter nascido como todas as pessoas normais, com esta parte do cérebro desligada. Queria acreditar no para sempre e me derreter por ouvir aquele tipo de coisas vindo dele, mas eu não era assim. Mas eu com certeza iria pensar nisto até apagar, repetidamente como uma música no replay. Ia pensar tanto que iria ter sonhos bons em que ele me convenceria de que para sempre existia.
.:.
– Cheguei. – A voz cansada chegou aos ouvidos de Hanabi, fazendo-a erguer os olhos do interessante livro que lia.
– Okaeri. – A mais velha respondeu como se o retorno da filha tivesse sido anunciado de forma tradicoinal.
A resposta leve fez a filha relaxar minimamente e sorrir. Trabalhava tanto e passava tanto tempo em meio a pessoas com cultura tão diferente que em dias cansativos como aqueles nem se lembrava de expressões ou mínimas palavras em seu idoima natal.
– Tadaima! – Disse por fim, mesmo que o ritual tivesse sido feito às avessas. – Akira está dormindo já? – Questionou com estranheza, afinal era sábado, tirando a bolsa e largando a mesma de qualquer jeito sobre o sofá.
– Hn. – Concordou a mais velha. – Ele está com um amigo.
– Ah claro. Acho legal que ele traga amigos, Akira dificilmente fala em seus amigos. Será que já estão dormindo mesmo, não é tão tarde para adolescentes. – Comentou se pronunciando na direção do corredor.
– Creio que pelo silêncio estejam. – Comentou a mais velha segurando de certa forma o riso, seu aparelho auditivo era melhor do que cogitava. – Você não deveria correr o risco de acordá-los. – Alertou finalmente fechando o livro que tinha em mãos para movimentar-se no sofá e conseguir seguir a filha com os ohos por dentro de casa.
– Mamãe, quantas vezes já assisti Akira dormindo? – Respondeu a mais nova achando graça dos receios bobos de sua mãe.
– Ah mas isto foi em tempos em que Akira não era um adolescente acompanhado.
– Ora não disse que estava com um amigo? – A mulher de corpo esguio voltou a aparecer na ponta do corredor para buscar os olhos da mãe.
Sua mãe havia desenvolvido um senso liberal demais com a idade. Um senso absolutamente oposto à disciplina rígida que havia aplicado à sua criação. Por muito tempo aquilo tinha lhe sido imcompreensível e inexplicável, parecia injusto que a mesma mulher que mimava seu filho fosse aquela que batia em suas mãos toda vez que não se comportava como "uma mocinha deve ser".
Era mais injusto quando tentava aplicar o mesmo ensinamento que conhcia em Akira e ela mesma passava a mão nos cabelos do neto, lhe olhando feio por chingar o menino que como um homem "não deveria chorar". Segundo as novas doutrinas de sua mãe, Akira não era um homem apenas uma criança.
Discutiram severamente enquanto debatiam a forma como ela educava seu filho e as inúmeras reportagens que a mãe já aposentada lia. Ela já tinha se munido de um linguajar mais despojado àquela altura e lhe impôs que o único dever de uma criança era ser uma criança e brincar.
E brincadeiras de crianças não incluiam e nem era determinadas por suas genitais. Aliás, uma brincadeira que houvesse a necessidade de envolver as genitais de uma criança para determinar as regras, simplesmente não era uma brincadeira apropriada para uma criança.
Demorou muito até que a mais nova entendesse que sua mãe tinha seu jeito próprio de dizer que estava errada, e tentava passar para o seu amado neto o que gostaria de poder corrigir na educação de deu para a filha. Ao mesmo tempo em que não podia simplesmente esperar que sua filha agisse de forma diferente àquela que lhe foi tão severamente passada.
Às vezes ainda era difícil a comunicação em linguas que divergiam não pelo idioma, mas pela natureza. Ainda assim, o menino quase adulto e sua conduta dócil acabava tornando até mesmo a relação entre as duas mulheres mais fácil.
– Talvez Takanori seja um pouco mais que um amigo. – Disse a mais velha encolhendo-se contra o sofá como uma criança pega no flagra.
Com o passar do tempo, a ajuda de sua mãe na educação de Akira deixou de ser apenas algo necessário para que pudesse trabalhar para se tornar algo de imenso prazer para os três. Ainda assim, havia coisas que uma mãe não devia ser privada. E aquela era uma dessas coisas.
– Que? – A mulher voltou-se completamente para a mãe com uma mão de cada lado da cintura e uma careta de desaprovação, literalmente como se fosse uma mãe dando um sermão à filha e não filha exigindo uma explicação da mãe.
– Takanori, o amigo especial do Aki-chan. – Disse Hanabi sem saber direito que tipo de coisa responder.
O silêncio que se seguiu pareceu ser eterno diante dos olhos das duas mulheres. Hanabi por não saber ao certo como a filha iria reagir e a mesma olhando para sua mãe tentando compreender exatamente a extensão de suas palavras e a relação das mesmas com seu único e pequeno filho.
Por fim a mãe de Reita concluiu que aquilo não era algo que apenas palavras poderiam explicar. Aquilo era algo que tinha que ver com seus próprios olhos, e sem palavra alguma apenas se virou novamente no pequeno corredor com sua mão chegando mais rapidamente à maçaneta da porta do quarto do filho do que seus olhos à folha de madeira.
– Ah Matsuri, não abra esta porta se não estiver pronta para ver o que há do lado de dentro. – A mais velha disse finalmente se levantando e dando a volta no pequeno sofá de dois lugares com uma agilidade invejável para sua idade avançada.
– É o meu filho! – Disse a mais nova com certa fúria.
– Sim é. Só estou te pedindo para não tomar nenhuma atitude precipitada. É o seu filho e o mundo lá fora não é um lugar justo com quem tem coragem de nadar contra a corrente, mas pode ser um lugar tolerável se esta base for um bom lar. – Concluiu usando as mãos para indicar as paredes em torno das duas, com um significado claro que nada tinha a ver com cimento e concreto.
Sem soltar do trinco, a fala da anciã foi finalizada com o estralido característico da maçaneta sendo abaixada formando a alavanca necessária para abrir a porta. O olhar de desafio da mais nova foi a última coisa que deixou Hanabi para trás.
Do lado de dentro, um quarto escuro sendo revelado aos poucos pela casta luz que a fresta aberta revelava. Mostrando um embrulho sem forma definida sobre o local em que se sabia ser a cama, de pouco em pouco a luz fraca mostrou o garoto pequeno que ela já tinha conhecido como Takanori encolhido contra o do corpo de seu filho de um jeito estranho.
O menino parecia sentir frio mesmo que Akira estivesse deitado de lado e com os braços em torno do corpo claramente menor que o seu. Um menino estranho que dormia de barriga para cima com as pernas e a boca abertas, mas ainda assim estranhamente adorável. O rosto de Akira estava parcialmente escondido entre os cabelos loiros daquela criatura, mas era possível ver no rosto adormecido a ligeira expressão de calma, conforto e felicidade.
Havia algo naquela cena mais forte do que qualquer pensamento ou pré julgamento sobre a qualidade do futuro que Akira estava escolhendo para si, talvez o sorriso singelo no rosto de seu filho. Algo ali a fazia ver que eram apenas dois meninos genuinamente felizes por estarem dormindo sobre o mesmo colchão.
Havia algo nas respirações sincronizadas que a fez entender que não havia tantas coisas importantes em regras ultrapassadas que poderiam prevalecer sobre a paz que aquelas duas auras ingênuas emanavam. Sua mãe tinha razão, o mundo era mesmo um lugar cheio de regras ultrapassadas que não faziam o menor sentido, mas a sua base podia sim ser mais forte do que isto. Afinal era pela felicidade do seu único e amado filho.
– Eles não são a coisa mais fofa deste mundo juntos? – Hanabi perguntou com a voz cheia de felicidade ao ver sua filha fechar novamente a porta tentando fazer o mínimo de barulho possível.
– Boa noite, okaa-san. – Respondeu de cara amarrada, bufando, a fofura daqueles dois não seria o bastante para omitir o fato de que sua mãe estava acobertando coisas sob o seu teto... coisas que nem desconfiava.
Notas: Poxa, hoje eu descobri que o prédio em que Reita e Ruki ficaram juntos pela primeira vez foi demolido de vez. :v
Isso me fez lembrar também que o apartamento em que o Reita mora foi vendido no início deste ano. Ahh e de verdade a parte de entrada, sala de jante e cozinha deste apartamento tb é usado em E tão difícil dizer eu te amo como apartamento do kai.
O prato que a avó do reita fez se chama vaca atolada, mas como o nome é feio deixei pra lá. É uma delícia.
Eu não gosto de escrever a expressão "sentado como índio". Na minha cabeça fica parecendo que um índio não sabe sentar de outro jeito, mas assim todo mundo entende sem que eu tenha que usar cinco linhas para descrever a forma como Ruki estava sentado.
Ruki foi uma puritana tímida e fresca durante a fic toda e será até o fim, sim.
Aoiha. O que vocês chamam de Aoiha, não é compatível com o que eu chamo de Aoiha.
Sintam-se à vontade de chamar isto do jeito que quiserem, porque sim, próximo chap será lemon do casal Aoiha. Eu vou dizer até o fim que eles não são um casal... mas enfim...
A mãe do Reita é legal, ela é meio passiva demais assim porque a autora quer terminar esta fic de uma vez. Mas ela vai amar o Ruki, porque sim. Ficou estranho pq eu achei que ia caber essa parte Reituki no final do chap anterior... então a mãe do Reita seria apenas um desfecho do capítulo.
