.:.
Aoi
.:.
Vinte anos já tinham se passado, era engraçado como isto era imperceptível na maioria das vezes. Eu ainda me lembrava da sensação de compreender o que significava não ouvir mais o som do monitor cardíaco que por muito tempo foi o plano de fundo do quarto em que ela dormia. Minha mãe, hoje era o vigésimo aniversário de sua morte.
A parte mais difícil do ano já tinha passado. Era errado ter tanta inveja, mas aquele tinha sido o ano do nonagésimo aniversário da avó do meu melhor amigo, minha mãe tinha perdido o significado de vida com um terço desta idade, mais ou menos. Em momentos assim eu ainda achava aquilo algo tão injusto.
Eu sabia que o aniversário de morte da minha mãe era definitivamente um marco em minha vida. Com tudo o que eu me esforcei tanto para omitir vindo à tona de uma vez só sobre mim. Da noite para o dia todos souberam o quão infeliz e incompleto eu era.
O tempo jamais me faria esquecer de como foi difícil nos primeiros dias. Uruha não largava do meu pé achando que estar fisicamente perto fosse fazer algo a mais do que me irritar. Miyavi foi legal ao ser franco e dizer que não sabia muito bem como lidar com aquilo, mas sabia que mesmo a perda de uma pessoa que nunca tinha lhe amado havia sido dolorosa então ele podia compreender como me sentia; não, ele não compreendia. Kai nada disse, o moreno parecia crer que seus sorrisos eram mais confortáveis do que quaisquer palavras, e ele estava certo.
Ruki preferiu o silêncio total, o que resultou em uma trégua nas ofensas que ele costumava jogar levianamente sobre mim. Eu não me importava com elas, sabia que no fim nem mesmo ele dava tanta importância assim às coisas que dizia. Akira como um bom amigo, não mudou em nada seu tratamento comigo, ele sabia que o que eu precisava era preencher aquele espaço da minha cabeça com coisas positivas e não me deixou na mão quanto a isto.
Um dia enquanto estávamos sozinhos na loja ele disse, meio sem pensar, que Ruki havia dito que conseguia entender minhas atitudes de alguma forma depois que a boca de sacola do Uruha não conseguiu ficar sem contar tudo o que eu tinha lhe dito. Eu não queria que ninguém tivesse pena de mim, Ruki acima de qualquer um, mas não pude evitar de me sentir um pouco mais feliz ao perceber que o que Akira tentava aos poucos me dizer era que Takanori voltava a ter um pouco de simpatia por mim.
O que durou mais ou menos apenas até Uruha dividir a história sobre como ele havia encontrado uma forma de resolver sua história "insolucionável" comigo. Foi o dia que marcou o fim da "forma respeitosa de tratar alguém que está passando pelo luto" com relação ao Taka. Eu não levei outro olho roxo, mas isso não me salvou de um belo tapa na cara.
Poderia ter me ofendido se não fosse o Ruki ali, e aquele era ele enfim. Foi até a loja no meio da tarde e gritou coisas sobre como eu poderia pelo menos ter sido mais empático com Uruha e ter dito de uma vez que não queria nada físico (na verdade ele usou a palavra romântico) com ele.
Eu lhe disse que nem mesmo eu sabia que tinha aceitado qualquer coisa além de uma sessão de sexo naquele dia em especial, mas ele não pareceu acreditar em mim nem um pouco e eu torcia para que o culpado disso não fosse Akira. Reita vivia compartilhando seu desejo de que eu tentasse ter um relacionamento romântico com alguém, claro que no nosso mundo pequeno, o fato de eu ter percebido o quão maléficas eram as atitudes que eu vinha tendo para esquecer de todos os problemas em minha vida pessoal somente depois de ter ferido aquele jumento chamado Uruha, Akira queria, por todo fim, que eu descobrisse magicamente que amava aquele garoto de volta.
Nem a pau! Gostava da amizade do Uruha e não ia nem tentar dizer que não havia uma boa química entre nós, mas eu nunca vou me apaixonar por ninguém. E a minha teimosia em provar que isto é possível é muito maior do a teimosia de Reita ao dizer o contrário.
Não podia negar que o amigo barulhento de Ruki teve sim um efeito positivo em mim como ser humano. Mesmo que eu soubesse vinte anos atrás que usar aquilo como uma válvula de escape fosse algo errado, mas bem, ele nunca reclamou ou tampouco se afastou, certo, e nunca lhe foi omitido quem eu era/sou de verdade. Alguém que não vale a pena amar caso espere algo do mesmo aspecto em troca.
Mas com intrigas ou sem, eram apenas nossos dias e nossa rotina única. Não a minha rotina, mas a nossa; o grupo como um todo. Aquilo era o que sinalizava de vez que tudo havia voltado ao normal. E eu nunca havia me sentido tão bem e feliz em toda a minha vida.
Eu não tinha mais a minha mãe, mas isto me libertou para poder aprender o que significava ter uma família. Com amizade, afeto, mancadas, risadas e, de vez em quando, algumas brigas. Umas bem idiotas e outras nem tanto, mas que sempre terminavam com perdões ou risadas, jantares ou cervejas geladas.
A "intriga do bem" causada por um era sempre comprada por outro e ecoava pelo grupo em diferentes tons de risadas. Isto nunca mudaria, nós seis nos completávamos e aquilo que havia entre Uruha e eu era parte disto também, a coisa era que ninguém realmente entendia porque ele não me deixava ir e nem eu o afastava. Claro que tudo ficou muito pior depois que o mesmo passou a morar comigo.
Eu havia contato para Akira como eu havia me apegado à forma como minha mãe somente havia descansado depois que simbolicamente tinha lhe apresentado Uruha. Foi diferente, Joe e Reita sempre estavam ao meu lado, me apoiando, mas eu sabia que Uruha tinha sido apresentado como alguém especial. Fosse aquela a intensão, ou não.
Houve sim alguma emoção a mais ao levar Uruha até aquele quarto, talvez o fato de que eu, pela primeira vez, ouvi sua própria história. E a história dele era tão ruim quanto a minha, o futuro dele tão miserável quanto o meu. A diferença era que naquele tempo eu tinha acabado de receber as chaves para me livrar de todos os portões trancados daquela prisão requintada em que eu vivia, mas eu sabia que o outro não teria a mesma "sorte".
Minha mãe morreu, e eu definitivamente não queria ser encontrado ou incomodado por meu pai. Meu plano era simplesmente ser apagado do mapa para o meu genitor, e isto teria que ser bem feito uma vez que eu não queria ir para longe de Joe, Akira e os outros.
Joe me ajudou, a mansão foi vendida a uma imobiliária que há muito desejava aquela propriedade rara. O dinheiro da compra foi depositado em parte em uma conta de holding que havia sido criada por Joe, pois eu era menor de idade. Foi a holding que adquiriu o imóvel em que moro até hoje; um apartamento grande em uma área nobre encontrado também por intermédio de Joe.
Quando fiquei sozinho finalmente pude me mudar daquele mausoléu cheio de infelicidade. Na verdade, eu nem entrei mais na mansão depois do velório. Apenas paguei os empregados e os dispensei. Uma parte generosa e milionária da venda foi dada à baba que serviu à casa e a mim por todos aqueles anos, como gratidão. Ela sempre esteve lá, ainda mais no último ano. Ela voltou para sua cidade natal no Japão para aproveitar a aposentadoria.
Tão logo consegui me ajeitar no tal apartamento, além de Reita e Joe, Uruha foi a única pessoa que convidei para ir até lá. Claro que isso foi motivo para muitas piadas, mas eu soube contornar isto muito bem. Disse que tinha sido de tanto o outro insistir e para minha surpresa o mesmo concordou e ainda acrescentou que aquela visita não teve nenhuma intenção sexual; o que é claro rendeu ainda mais piadas.
Verdade fosse dita, Uruha tinha sido convidado a ir até ali por um motivo muito claro. Ele tinha dividido comigo suas expectavas quase nulas de felicidade no futuro e eu me sentia em dívida com ele em certo nível. Na minha cabeça, conhece-lo fez minha mãe finalmente descansar e ficar suficientemente em paz para partir sem me deixar para trás completamente sozinho.
Ele precisava de uma rota de fuga e eu precisava, desesperadamente, de mais vozes dentro do novo lar além do eco da TV. Mesmo que isto fosse algo que jamais admitiria.
Foi difícil oferecer a divisão com ele sem que ele romantizasse aquilo. A saída foi mentir que eu precisa de ajuda para dividir as contas, e ele de alguma forma acreditou naquilo; ou apenas fingiu acreditar. De qualquer forma não importava, daquele dia em diante foi apenas uma contagem regressiva até o loiro ser maior de idade. De fato ele havia ficado tão empolgado que mesmo sem se mudar hora ou outra ele aparecia sem avisar no apartamento com algum objeto de decoração que havia comprado.
Um dia Ruki estava lá com Akira e percebeu, então nossos amigos ficaram sabendo daquilo também. Ruki não segurou a língua me acusou de não precisar dividir custo nenhum com ninguém, e na maior cara de pau lhe respondi que mesmo quem tem dinheiro pode o perder se não souber como administrar seus custos. Não sei se alguém foi mesmo capaz de engolir aquela desculpa.
Sem travas na língua Takanori questionou se eu tinha alguma noção de como aquilo deveria estar soando aos ouvidos de Uruha, e eu menti que o amigo dele tinha entendido muito bem o significado de tudo aquilo. A verdade era que até Ruki descobrir as coisas que Uruha ia levando para dentro da minha casa, bom, nós tínhamos provavelmente transado em cada uma das vezes que ele tinha aparecido lá para deixar aquelas coisas. Mas isto não era da conta de ninguém, certo.
E bem no fim aquele assunto foi sendo aceito aos poucos uma vez que eu mesmo admiti para Takanori, na ausência de Uruha, que o mesmo era um amigo muito importante e meu dinheiro era suficiente para que ele me desse ao luxo de proporcionar à Kouyou uma oportunidade de ser uma pessoa mais satisfeita consigo mesma. Claro, sempre me esquivando da reposta quando Reita perguntava como eu lidaria com a insistência de Uruha em sempre querer algo mais de mim quando fossemos apenas os dois dividindo o mesmo espaço todos os dias.
Ao invés de responder para ele eu preferia deixar quieto e continuar tudo exatamente como estava. Era conveniente para mim e para Uruha. Um dia ele perceberia que nada daquilo iria além e pronto, até lá... sexo com Uruha é gostoso e ponto.
E sim, apesar de ter dinheiro de sobra, eu ainda trabalhava. Fazia parte da equipe familiar, tinha me tornado o representante jurídico de Joe e Emi – no começo, e Akira e Takanori até hoje. – . Acredite quem quiser.
Acabei me formando com louvor no curso que disse que jamais faria, por ser a mesma formação do meu pai. Mas percebi que era naquilo que eu melhor me encaixaria dentro daquela rotina que havíamos criado, aquele era o profissional que faltava para o negócio estar completo e bem no fim eu até que acabei gostando. Era um bom advogado; um bem observador.
Raramente meus conhecimentos eram precisos, mas como empresa, eu tinha o meu papel a representar ali nos bastidores e nas entrelinhas que formam a base de qualquer negócio. E logo percebi que era um nicho bom do mercado, toda empresa precisa de um advogado e acabei me se associando à uma boa quantidade delas, ganhava dez por cento de cada causa trabalhista de que livrava as empresas e uma mensalidade por trabalhos de direito tributário. E nas horas vagas sempre estava lá para dar suporte à casa de shows no que fosse preciso, mesmo que fosse para recepcionar adolescentes bem vestidas nas festas de Ruki.
A primeira vez que tinha feito isso, foi porque o modelo contratado por Ruki tinha ficado doente e não apareceu na festa. Ternos eram meu uniforme de trabalho e assim que um Ruki desesperado bateu o olho em mim deixando uma das salas internas do prédio, fui puxado para dentro do salão de festas. E com uma explicação simples demais sobre o que estava acontecendo ali o que ele de fato precisava fazer, aquilo que começou como um quebra-galho, fez a dupla Ruki e Uruha descobrirem que colocar a mim bem vestido na frente de jovens adolescente causava o mesmo efeito que contratar um modelo, mas era mais barato.
Uruha costumava dizer que aquilo saía quase de graça. Quase, porque segundo o mesmo a maior bonificação que eu teria era o volume do meu ego mega inflado pelos olhares e risinhos bobos de todas aquelas meninas, e de suas convidadas também. Ruki viu uma boa jogada para lucrar mais, Akira aprovou pela parte do lucrar mais e até se ofereceu para fazer algumas coisas que não fossem difíceis também, e Uruha aprovou simplesmente para ter mais um motivo para discutir comigo, creio eu, uma vez que este vinha se tornando seu passatempo preferido com o passar do tempo e se intensificando com o passar dos anos.
É. Isto sim tinha sido uma mudança radical trazida pelo tempo. Uruha e eu simplesmente não conseguíamos trabalhar juntos sem um quase querer matar o outro. No começo acabou sendo complicado, pois havia vezes em que ou eu, ou ele misturávamos as desavenças profissionais com nossa vida compartilhada sobre o mesmo teto.
Até que um dia a briga ficou séria mesmo e ele saiu de casa. Aquilo não teria me dado tanto problema se o loiro não tivesse esquecido o celular em casa no final do seu ataque de fúria, e se esse dia não coincidisse com o dia em que o único amigo de Uruha que conseguia me tirar do eixo estivesse precisando de ajuda, tão mentalmente desestabilizado quanto eu estava.
Saí de casa com a única intenção de ajudar Kai e de alguma forma acordei com o moreno chorando ao meu lado em uma cama de motel. Eu o entendi e nós dois nos sentimos culpados pelo mesmo motivo, eu fazendo um amigo trair o outro. Depois daquilo catei Uruha pelos cabelos e fiz ele prometer junto comigo que nunca mais traríamos coisas do trabalho para casa, e isto de alguma forma tem funcionado pelos últimos dezesseis ou dezessete anos.
– Tá viajando no que aí, Aoi? – Akira perguntou ao meu lado, eu deveria estar em silêncio bem mais tempo do que o normal.
– Em como vinte anos passam rápido. Acho que este ano ela vai florescer. – concluí procurando qualquer sinal disto na árvore velha.
– Você diz isso há vinte anos, toda vez que viemos aqui.
– Faz vinte anos desde a última vez que ela floresceu pela última vez, talvez este ano seja o ano.
– Hn.. – concordou.
– Eu queria poder remover esta árvore daqui e replantar ela no parque que tem na frente do apartamento.
– Eu não acho que isto seja possível, sinto muito.
– Kouyou plantou malvas nas floreiras da janela, mas não é a mesma coisa.
– É sim. Você quer levar consigo o que te faz lembrar dela, ele plantou para você as flores que ela mais gostava.
– O que isto quer dizer?
– Que ele te entende melhor do que você mesmo. – simplificou, mas eu continuei sem entender. – Que ela não vai voltar Aoi, mas ele está aqui.
– Ruki já ligou? – mudei de assunto, odiava quando Akira decidia colocar Uruha em uma conversa daquela forma e intensidade, sempre discutíamos.
– Não. – respondeu depois de um suspiro que deixava claro que ele havia notado a esquiva. – Ano Yuu-chan, você sabe que este encontro anual não vai ser como todos os outros, não é?
– O que quer dizer com isto?
– Miyavi e Kai podem deixar a noite muito diferente do que estamos acostumados.
– Não acredito que eles irão brigar ou algo do tipo.
– Ruki também não. Mas Miyavi vai vir com uma bagagem extra desta vez e se, por acaso, eles brigarem você sabe que em um momento de cabeça quente Kai pode fazer com que você se respingue no meio de tudo isto, não é.
– Eu acho que a última coisa que o Kai quer é contar para alguém sobre aquela noite Reita.
– Nunca se sabe quais atitudes um ego ferido pode tomar em um momento de cabeça quente. Eu preciso ouvir exatamente tudo de você antes conseguir me impor a seu favor caso isto seja mesmo necessário.
– Você já conhece a história. – dei de ombros.
– Não. Você só me contou os fatos, desta vez eu quero que nós dois cheguemos até a fonte de tudo.
– Que fonte Reita, em um momento eu estava atendendo ao telefone do Uruha e no momento seguinte acordei com Kai chorando na cama. Nós dois cientes apenas de que algo havia muito específico havia acontecido, de que jeito, como por que... são coisas que nenhum de nós lembra.
- Por que nenhum de vocês se lembra? – questionou.
- Ora sei lá Akira, ele já estava bêbado quando me ligou. Deve ter querido beber mais e eu bebi junto... – respondi sem paciência, falar sobre aquela noite em questão me deixava muito, muito, muito irritado mesmo.
- Se Kai ligou para que alguém buscasse ele, porque beberam mais quando você chegou lá?
- O que é isto? Entrevista cognitiva? Devo apenas fechar os olhos e responder ou você vai chamar um agente do FBI?
- Eu só quero ter certeza das coisas que você acha que não me contar irá fazer alguma diferença. Você saiu para buscar ele, mas ao chegar lá preferiu ficar. Por que?
- Porque eu estava irritado demais naquele dia, porque eu não queria voltar para casa. Eu queria passar a noite com qualquer pessoa menos o Uruha. Era isto que queria ouvir?
- Não consigo imaginar qual tipo de discussão você poderia ter com Uruha que te levasse para uma noite de bebedeira para esquecer.
- Fosse o que fosse, funcionou; em partes. Pelo menos eu não me lembro.
- É uma história horrível, mas válida afinal. Não é?
- Nada válida. Não foi intencional, Kai, Uruha e Ruki são como uma coisa só. Assim como eu e você somos quase uma coisa só, mas você e Ruki são a única coisa disso que realmente são uma coisa só. A merda que eu fiz, se voar no ventilador, acaba no fim separando vocês quatro de mim.
- Tsc... nem vinte anos de convivência foram capazes de te fazer entender, não é? – concluiu se levantando do tampo da velha mesa de pedra sob a paineira.
- Hum?
- Você sabe que eu não abandonaria você por algo assim. Sei que sabe disso com toda tua certeza. Isto apenas te separaria dele.
- Ah... – concluí entendendo o eterno ponto que só existia na cabeça de Akira. - Lá vem você de novo, o garoto, é uma conivência Akira. Sem sentimentos ou ressentimentos.
- Vou acreditar em você. – disse, mas eu sabia que era mentira – Que bom que é assim, quer dizer que se ele simplesmente desaparecer da sua vida de uma hora para outra, você não irá sofrer sua ausência. Isto é bom, ver você triste me deixa triste.
- Hã? Do que cê tá falando aí Reita? Quem vai desaparecer? Uruha vai embora? Você tá sabendo de alguma coisa que eu não sei? Ô... Suzuki, não me ignore depois de dizer coisas confusas...
