Cap 3 Perda

O dia foi longo e rduo. Para piorar a situa o Kagome n o podia retornar as docas. Depois do esc ndalo que armara com St. Taisho, todos estariam procurando pela meliante sanguin ria que o ferira no dedo. Ent o se postou perto dos alojamentos dos soldados, esperando que algum militar desdentado lhe desse chance de surrupiar um rel gio ou medalha de ouro.

Entretanto n o estava com muita sorte nesse dia. Desprezava os soldados que com seus chap us de tr s pontas e longos sobretudos azuis, pois gritavam obscenidades para qualquer mulher que vissem por ali. Fizeram tantos gestos mal-educados com as baionetas que por fim Kagome se sentiu enojada.

E a milicia francesa cada vez aumentava por ali. Desconheciam a jovem escocesa morena que vivia al m do cais. De modo ing nuo tentavam agarr -la pela cintura e s se convenciam que n o estava para brincadeiras quando mostrava o cabo de bano de sua adaga.

Ent o com os bolsos vazios e a noite come ando a cair Kagome soube que precisava desistir. A umidade da Louisiana invadia as constru es prec rias de tijolos que rei Lu s XV mandara construir ali e onde j surgiam as luzes de velas. Embora n o houvesse vento, Kagome estremeceu, sentindo-se muito s .

- Jeune fille! Mo a!

Voltou-se com um movimento brusco. Apesar de ter certeza que o primo n o falava franc s, temeu que fosse ele a cham -la. Quase riu de al vio quando viu um bando de soldados b bados berrando de uma janela dos alojamentos. R pida, saiu dali.

- Espero que o teto caia sobre suas cabe as! - resmungou.

Precisava voltar para a seguran a ao lado de Myouga. Em Nova Orleans ningu m gostava de mendigos e s se pensava em luxo, importando tudo da Fran a.

Evitando as docas, cruzou o cais, olhando para as muitas cabanas junto ao rio Mississipi. As paredes eram feitas de estacas bem fincadas no solo arenoso e a fuma a sa a dos telhados de muitas, prognosticando uma parca refei o.

Era uma vida dura junto ao rio. As casas resistiam at que o solo mido deixasse as estacas podres e ent o as pessoas precisavam se mudar para lugares mais altos. Era um processo constante de reconstru o e perda.

Que contraste com os chal s de pedras na Esc cia!

Pensou Kagome. Eram s lidos e pareciam existir desde o in cio dos tempos. Indestrut veis como as pr prias plan cies escocesas.

Kagome sorriu ao se lembrar de um chal em particular. Os Houshis, que viviam perto do castelo de Mhor, eram pastores de ovelhas. Ela e Kikyo sempre iam la no inverno levar roupas para os tr s meninos da fam lia.

Kagome imaginou o que teria acontecido com os tr s jovens. Ouvira falar da ltima batalha na Esc cia. Fora perto de Inverness e dizia-se que tudo mudara por l . Por m n o acreditava que a Esc cia poderia um dia mudar. Voltaria para seu lar, encontraria tudo igual, est vel e nobre, com os rios e os campos verdes.

Suspirando, retornou ao momento presente e tratou de voltar para o amalgamado de choupanas onde vivia.

Precisava fugir de Narak, mas para tanto era necess rio mais dinheiro. Praguejou em pensamentos contra St. Taisho e sua maldita esperteza e agilidade. Todos os seus problemas poderiam ter terminado nesse dia se tivesse conseguido ficar com a bolsa recheada que ele trazia na cintura. Nesse instante poderia estar velejando de volta para a Esc cia.

- N o tive sorte. - anunciou, assim que entrou na choupana.

Estava muito escuro l dentro, mas vislumbrou Myouga a um canto e quando ele n o respondeu continuou a falar, imaginando que o pobre coitado bebera demais e nem conseguia responder.

- Mas amanh ser diferente. Conseguirei uma bolsa. Pelo menos Narak n o faz ideia que estamos aqui.

Sentiu a suavidade de pelos ro ando em seus tornozelos e tomou o gatinho nos bra os.

- Est com fome?

Tateou no escuro e encontrou a mesa de pinho. Acendeu uma vela e olhou em torno.

Fitou Myouga esparramado a um canto, mas essa era uma vis o habitual quando o amigo bebia demais.

- N o temos peixe para o jantar?

Ent o ouviu um gorgolejar pavoroso e cravou os olhos azuis no companheiro.

- Kagome murmurou Myouga.

Apavorada viu o corte enorme no ventre do amigo.

- Meu Deus! Myouga! O que aconteceu? - gritou, abafando um solu o com a m o e correndo para junto do ferido.

- Foi Narak...

- N o pode ser!

Quase desmaiou ao ver a quantidade de sangue.

- J nos descobriu, Kagome...um pouco de gua...por favor, menina sussurrou Myouga.
Ainda segurando o gato com desespero, Kagome trouxe gua para Myouga e ajudou-o se sentar. Era evidente que o homem estava a beira da morte.

- N o deixe que enterrem aqui. Prometa Kagome!

- N o se mexa, Myouga. Est muito ferido.

- Salvei-a uma vez menina. N o se esque a disso. Quando n o tinha mais esperan as, deixei-a viver. - puxou-lhe a manga da blusa. - Talvez seja voc a dar fim em Narak...Kagome.

Fechou os olhos exausto e preparou-se para encontrar seu criador.

- Myouga! - gritou Kagome, sacudindo o corpo inerte. - N o me abandone! N o morra!

Assustado o gato tentou se desvencilhar, mas a dona n o o soltava. Afinal era tudo que lhe restava na vida. L grimas escorriam dos olhos azuis e Kagome desejou se deitar ao lado do amigo e n o se levantar mais, por m seu c rebro fervilhava.

Por fim se acalmou e analisou a terr vel situa o em que se encontrava. Os dois tinham sido tolos e ing nuos ao supor que Narak n o a reconhecera no cais essa manh , viera a sua procura e os encontrara.

Sentada, com o gato no colo, encostou-se na parede e limpou as l grimas do rosto.

- O que fa o agora? - murmurou consigo mesma.

- Quieta Kagome. N o se mova disse uma voz masculina, fria e muito conhecida. O tom macio fez seus cabelos se eri arem na nuca e dedos longos percorreram-lhe o pesco o. - Jogue a faca no ch o e deixarei que se vire.

De modo instintivo procurou a adaga na liga, mas seus movimentos ainda estavam entorpecidos pela dor por causa de Myouga e m os como garras a impediram de agir.

Bem, mais um cap, ainda falta muitooooooo, muita hist ria pela frente, mas dessa vez tentarei postar mais vezes.
A hist ria legal, espero que estejam gostando.