Cap 5 – St. Taisho
A casa estava feericamente iluminada por centenas de velas. Construída no estilo moderno Luís XV, era um pouco provinciana em relação aos castelos do Vale do Loire. Entretanto para Nova Orleans tratava-se de um palácio, comparável apenas ao Convento das Ursulinas em tamanho e estilo. Sem dúvida que o arquiteto, De Pauger, sentiria orgulho de sua obra. A propriedade fora erguida havia quase trinta anos e não apodrecera como muitas na região, por causa do solo úmido, devido aos alicerces firmes.
Nessa noite uma festa abrilhantava e alegrava a bela construção.
- De onde veio St. Sesshoumaru Taisho? Kagura me contou que pegou o navio em Londres, com Narak. - Questionou o conde Cassell, levando o copo com champanhe aos lábios.
- Sim, estava em Londres, vendendo o algodão de minhas plantações, mas meu lar é na Geórgia, ao Norte. - respondeu St. Taisho, examinando o salão como se estivesse a procura de alguém.
- Ora, homem! Não se parece com um...camponês. Por certo vem de um lugar mais civilizado.
Assim dizendo, o conde analisou com admiração o corte do paletó cinza do visitante e soube que fora feito em Londres.
A luz das velas tornava os olhos de St. Taisho de um dourado muito claro e enfatizava os fios prateados de seus cabelos. Entretanto, em vez de parecer formal e empertigado como outros homens ficariam vestindo tais roupas, St. Taisho parecia muito a vontade. Mas o astuto Cassell parecia dar mais valor a inteligência que via brilhar na expressão do convidado que a sua aparência física.
Notando a análise de suas roupas, St. Taisho comentou:
- O algodão da Geórgia vende muito bem na Inglaterra...milorde.
Enfatizou a última palavra com uma certa ironia e e seguida endereçou-lhe um sorriso sarcástico, o que deixou Cassell visivelmente perturbado.
- Continue, por favor! Gosto de conhecer minhas visitas. - Sob o olhar perscrutador de St. Taisho, retirou um lenço de rendas da manga do paletó de cetim e enxugou a testa. - Sempre viveu na Geórgia?
- Sim, sempre.
O conde ergueu uma sobrancelha.
- Mas um homem com a sua posição...
- Savannah é uma linda cidade. Nunca tive motivos para deixá-la.
- Porém veio para cá. - comentou o conde.
- Pretendo ser um proprietário fantasma quando resolver meus negócios em Nova Orleans. A Geórgia sempre será o meu lar. - Mudando de assunto de maneira abrupta, perguntou. - Viu Narak? Disse que viria a festa, mas ainda não o localizei.
- Pelo que soube, você e Narak ficaram amigos durante o percurso do Bonaventure. Imagino que se possa aprender muito sobre outra pessoa convivendo com ele durante vários dias em um navio.
- Tem razão. - replicou St. Taisho de modo displicente, tornando a olhar em volta. - Diga-me uma coisa, milorde, o sr. Narak parece ter bons relacionamentos em Nova Orleans, entretanto me disse que é a primeira vez que vem aqui. Como é possível?
- Narak e eu temos um acordo comercial há muito tempo. Ouço Narak porque o considero astuto e inteligente...o tipo de homem com quem me agrada negociar. Mas, infelizmente, nossos negócios estão diminuindo por falta de oportunidade. - Cassel sorriu de maneira contrafeita – Narak me contou algumas coisas sobre você, mas gostaria de ouvir de sua própria boca. Que negócios o trazem a nossa primitiva e encantadora cidade?
- Comprei uma fazenda a oeste de Nova Orleans. Chama-se Belle Chasse. Já ouviu falar?
- Belle Chasse! Non! As colheitas fracassaram ali. Diz-se que o ex proprietário, Jaken se matou após perder todo o seu dinheiro. Ouvi dizer que tiveram que cortar a corda com que se suicidou, pendurado no próprio quarto. E a casa! Ora! Nunca foi terminada. - O conde soltou uma risada irônica. - Lamento, mas creio que foi enganado. Espero que pelo menos tenha comprado a fazenda por um preço irrisório.
- Ao contrário, adquirir Belle Chasse e seus escravos me custaram uma pequena fortuna. - com toda calma, St. Taisho tomou um gole de sua bebida. - E tenho certeza que farei o dinheiro gasto com a compra se multiplicar por dez. Quando visitei Paris, soube pelo advogado de Jaken que Belle Chasse o deixara um homem rico. Creio que se suicidou por ser solitário, pois não tinha família, mas com certeza não foi por falta de recursos.
- Não acredito! Ora! Eu mesmo teria comprado a fazenda se não fossem os rumores...
- Então me tornarei um homem muito rico. - prosseguiu St. Taisho, interrompendo Cassel – Já planejei uma colheita fabulosa. No momento procuro alguns homens abastados para parceiros comerciais e prometi que os farei ainda mais ricos até o final do ano.
- E que plantação fabulosa será essa? Estou muito interessado em ouvir.
- Papoulas.
- Quê?!
- Sim, as papoulas são muito rentáveis, como ouvi dizer. - tomou mais um gole. - ?Narak está muito interessado. Conversamos a respeito no Bonaventure.
- Que coincidência! Também fiquei muito interessado. Estou sempre disposto a investir meu ouro em negócios rendosos – os olhos verdes do conde adquiriram um brilho de cobiça. - Sabe é claro que Narak e eu somos grandes amigos. Posso persuadi-lo a me fazer seu parceiro comercial também? Para dizer a verdade, Sesshoumaru, já lidei com láudano antes. Esse medicamento calmante a base de ópio é muito requisitado, além de ser aprovado pelos médicos. Se pretende plantar papoulas, terá de fato uma colheita muito especial.
- É verdade. - St. Taisho sorriu. - Mas reluto em incluí-lo na parceria milorde. Talvez com o tempo compreenda porquê.
- Tolice! Irei persuadi-lo. Falarei com Narak esta noite. Se todos concordarmos, creio que irá me considerar um parceiro importante.
- Sem querer ofendê-lo, darei minha opinião depois que ouvir Narak a respeito.
- Ótimo! No meio tempo, insisto que aceite a hospitalidade de minha casa, durante sua estada em Nova Orleans.
- Agradeço, milorde, mas partirei para Belle Chasse ainda hoje.
- Oh! Kagura ficará tão desapontada!
O conde relanceou um olhar para a filha, sentada em meio a vários admiradores. Percebendo o olhar do pai, Kagura se levantou e aproximou-se .
Era uma linda visão, com seu vestido amarelo canário, com a saia balouçante, devido a uma grande quantidade de anáguas. Entretanto St. Taisho pareceu não notar, preocupado em olhar em volta do salão.
- Procurando por alguém?
Sesshoumaru voltou-se surpreso e ficou frente a frente com Narak, que entrara por uma porta lateral. Ambos cumprimentaram lady Kagura.
- Mon Cher St. Taisho, que tal nossa pequena ilha civilizada em meio aos sauvages?
Kagura sorriu orgulhosa, fazendo um gesto que abrangia o magnífico salão, ornado com tapeçarias, poltronas de veludo e obras de arte.
Mas seu sorriso murchou, ao ver a indiferença de St. Taisho.
- Concordo com a parte da ilha, mas quanto aos selvagens...- examinou a aparência de Narak que não era das melhores, com botas enlameadas e manchas escuras no paletó. - Conheci uma hoje, embora não fosse índia.
Recordou os olhos azuis da escocesa que causara tanto tumulto naquela manhã no cais.
- Sim, a pequena batedora de carteiras era uma selvagem, admito. - disse Narak com calma, servindo-se de champanhe. - O povo que mora junto ao rio é escória. Quase todos foram deportados de seus próprios países de origem. São a ralé da Irlanda e da Escócia. Pelo menos pode se consolar pensando que a pequena vadia terá um fim prematuro, Sesshoumaru.
- Poucas vezes vi alguém tão andrajoso. Nem mesmo em Londres. É triste deparar com alguém que vive um destino tão cruel. - os olhos de St. Taisho brilharam de revolta. Mudando de assunto voltou-se para Narak. - Trabalhou até tarde?
- Sim. Como sabe? - rebateu Narak, semicerrando os olhos.
- Um palpite. O que mais poderia atrasá-lo para uma festa na residência do conde de Cassell?
Assim dizendo, St. Taisho fez um gesto amplo abrangendo o salão que apresentava um arco íris de sedas coloridas e joias resplandecentes. Nos cantos as damas sussurravam por trás dos leques e os homens soltavam sonoras gargalhadas. Era um cenário de opulência, enfatizado pelo contraste das ruas pobres que se descortinavam das janelas.
- Foi inevitável. - respondeu Narak, retirando uma caixinha de prata do bolso do colete e aspirando um pouco de rapé. - As vezes um homem precisa se privar do prazer em nome de seus objetivos. Não concorda?
- Sem dúvida. - St. Taisho sorriu de modo sardônico. - Porém seu atraso parece ter-lhe feito bem, porque está mais jovial do que durante a viagem no navio.
- Estava ansioso para chegar ao porto. O mar nunca me agradou.
Uma mão feminina pousou no braço de St. Taisho e antes que pudesse continuar a conversa com Narak, uma voz quente sussurrou-lhe ao ouvido:
- Venha, deixe-me mostrar a minha bela casa. Não existe outra mais linda na Louisiana.
Flertando, lady Kagura delineou a safira no peitilho de Sesshoumaru, com uma longa e brilhante unha.
- lamento, mas não será possível, milady. Kouga e eu precisamos partir para a fazenda ainda esta noite. Peço desculpas.
Ignorando o muxoxo mimado nos lábios da anfitriã, despediu-se de todos de maneira breve.
- Quando poderemos visitar Belle Chasse? - perguntou Narak. - Estou ansioso, diante da conversa que tivemos no Bonaventure.
Ergueu a mão para se despedir, mas St. Taisho mostrou-lhe os dedos enfaixados por causa do golpe de Kagome.
- Em breve, espero. Sempre será bem-vindo lá, seja para se divertir ou a negócios. - St. Taisho hesitou um instante, olhando para o chão de tábuas luzidias e depois se voltou para Cassell. - Milorde, pense com calma a respeito do que deseja. - disse de modo enigmático.
- Você é ambicioso, St. Taisho! - exclamou o conde, dando uma risada e um tapinha nas costas do visitante. - Mas creio que irei convencê-lo a me deixar entrar no negócio, poruqe também sou muito ambicioso.
- Que assim seja. - murmurou St. Taisho, deixando as palavras pesarem no ar.
- Sim, insisto que comecemos a tratar de negócios logo. - O conde endereçou-se a Narak. - Acha que convenceremos St. Taisho a me deixar participar de seu empreendimento?
- Pelo preço justo, milorde, qualquer homem pode ser comprado. - replicou Narak com seu sorriso encantador.
St. Taihso franziu o cenho.
- Ou vendido. - acrescentou com um cumprimento de cabeça e um riso disfarçado. - Boa noite a todos.
- Aquele conde dos infernos está querendo Belle Chasse. - disse St. Taisho para Kouga.
Antes de partirem de Nova Orleans para a longa jornada até a fazenda, trocara as roupas elegantes por uma calça de couro de corça e botas cano alto. Deixara os trajes mais finos para serem enviados depois à fazenda.
No momento os dois homens dirigiam-se pela estrada estreita através dos pântanos que bordejavam o Mississipi. Iam devagar e avançavam apenas porque a luz do luar os favorecia, iluminando o caminho difícil.
- Ora, que transtorno! O que foi que fez? Incentivar Cassel a ser seu sócio!
A voz profunda de Kouga com forte sotaque soou em meio ao silêncio. Fustigou o cavalo que começou a trotar sem se importar com a lama que salpicava suas botas.
Alcançando-o com sua montaria que não estava tão pesada St. Taisho respondeu.
- Precisava pacificar o homem. O que podia fazer? Recusá-lo de imediato e deixar Narak com suspeitas? Ainda não confia em mim.
- Não, mas esse plano vai ser complicado a toda hora.
- Sei disso.
- Porém não importa, meu amigo. Os meios justificam os fins e você o pegará, tenho certeza. É o grande duque do Norte e se não conseguir, quem conseguirá?
- Sim, se o poder dos Taisho não assombrar Narak Onigumo, nada assombrará.
- E no final será bom, não?
- Sim, muito bom. Narak está mordendo a isca. Durante um certo tempo no Bonaventure pareceu relutar. Porém desde que deixou a Escócia praticamente só com a roupa do corpo, está ansioso para ganhar dinheiro. Talvez com a ansiedade do conde de Cassell, baixe a guarda.
- Irá apanhá-lo, meu amigo. Pouco a pouco o cerco se fechará. Então talvez, quando tiver tudo que Narak ambiciona, isso o deixará mais contente do que cortar a garganta do patife.
- Será? - murmurou St. Taisho com amargura.
- Fez o que a maioria dos homens não faria. São raros os que se submetem a tanto trabalho e sacrifício para fazer justiça.
- E o que mais me restava a fazer? Ficar sentado na mansão em Scion olhando pela mesma janela onde Rin Aguardava seu " verdadeiro amor"? Ficar fitando o espaço vazio como ela, sempre pensando sobre o que poderia ter feito para mudar o que aconteceu, até que o sofrimento me enlouquecesse?
St. Taisho fechou os olhos como se uma dor aguda o possuísse. Quando os reabriu, sua expressão era fria e destituída de emoção, ao murmurar:
- Poderia ter ficado ao lado de Rin. Jamis deveria ter partido para a Geórgia, deixando-a desamparada.
- Não podia prever o que iria acontecer, meu amigo.
- Talvez não. De qualquer modo, Narak é um proscrito em sua própria terra. Dilapidou a fortuna da própria família e os britânicos cancelaram seu comércio de láudano. É hora de enfrentar as consequências de seus atos, não apenas pelo que ocorreu com Rin, nem pelas safiras que me roubou. Aproveitou-se de sua própria gente, vendendo láudano aos derrotados escoceses, quantidade para matar um exército. Deve ser extirpado como um câncer. - St. Taisho respirou fundo, tentando conter a raiva na voz. - E serei eu a fazer isso. Como o demônio se alimenta do pecado, Narak se nutre de ouro e da fraqueza humana. Uma coisa que sei sobre ele é que sua cobiça é insaciável.
Um longo silêncio se estabeleceu entre os viajantes, que só foi interrompido por uma pergunta de St. Taisho.
- O que é esse barulho estranho?
- Um fantasma dos pântanos talvez. - brincou Kouga. - Porém parece mais um miado. Mas...um gato por aqui? - passou a mão pela cabeça. - Quem sabe é só nossa imaginação.
Entretanto algo passou correndo na frente dos cavalos, fazendo St. Taisho puxar com força as rédeas do animal.
- Alto! O que foi isso?
- Um gato preto. Pode acreditar? Mau sinal! - disse Kouga.
- Sem dúvida a fazenda abandonada está infestada de ratos.
- Sim, um gato seria útil.
- Então vamos pegá-lo.
Apearam e amarraram os cavalos em um cipreste. Caminharam até uma clareira, atentos ao miado que continuava. St. Taisho alcançou um atalho de murtas e parou.
- Esta vendo o gato? - murmurou Kouga.
- Deus é uma moça! - exclamou St. Taisho, notando a criatura deitada sobre as murtas.
Bem gente é isso, digitei bastante hoje.
O que será que aconteceu com a Kagome?
Rsrsrsrrs
Quero agradecer a Faena por estar acompanhando a fic.
Gente este livro é de banca de jornal, como estou me mudando, tenho muitos livros e inclusive esses de romance, irei me desfazer deles, mas antes adaptarei as historias aqui, mas doarei para alguém os livros.
Bjuxxx boa noite!
