A Fraqueza

A voz masculina soou às suas costas, profunda e grave. Parecendo pertencer a um homem da nobreza. Kagome percebeu que já ouvira antes, então um súbito tremor percorreu-lhe o corpo. Virou a cabeça e quando o viu, seu coração pareceu congelar.

Já vira aquele homem antes, estivera nas docas no outro dia, era terrível demais para ser verdade, de pé entre as portas que davam para o alpendre, encontrava-se o amigo de Narak, St. Taisho.

Kagome o fitou apavorada, pensando se estaria equivocada, mas era verdade. Tratava-se do mesmo homem de olhos dourados e frios. Tinha o rosto tão belo, que até a prostituta mais empedernida pensaria em romance ao seu lado. Os cabelos com fios prateados estavam atados em sua nuca com uma fita de couro. Continuava parado a sua frente, a expressão no rosto uma máscara de desaprovação, que a deixava aterrorizada.

— O senhor! — murmurou com um fio de voz.

— Então se lembra de mim. - replicou St. Taisho com voz fria, aproximando-se. — Sem dúvida eu me lembro de você. Aliás, cada vez que olho para minha mão ferida, sinto tanta saudade sua que tenho vontade de chorar.

Sorriu de modo irônico.

— Lamento por…sua mão, senhor.

Kagome relanceou um olhar para a sacada, esperando ver Narak a qualquer momento, mas nada aconteceu.

— Porque lamenta? Tenho certeza que atacou outras pessoas antes. – St. Taisho deteve-se a poucos centímetros de seu rosto. - não é verdade?

— Meu primo… onde está? — perguntou Kagome, incapaz de se conter por mais tempo.

— Seu primo?! – o dono da casa parecia surpreso com a pergunta. — E quem é ele?

Kagome ficou quieta. O homem parecia não saber quem ela era. Então compreendeu que permanecera viva porque St. Taisho desconhecia seu relacionamento com Narak. O alívio a deixou ainda mais zonza e apoiou-se na porta do armário para não cair.

Como se percebesse sua fraqueza naquele instante, St. Taisho estendeu a mão para ajudá-la, mas Kagome se desviou.

— Fique longe de mim! – Exclamou com voz abafada.

Não desejava que a tocasse. Recusava-se a se aproximar de qualquer um que fosse amigo de seu primo.

— Sugiro que volte para a cama, menina. Tenho muito a fazer e não posso ficar te vigiando para ver se não desmaia.

Cruzando os braços musculosos sobre o peito amplo, esperou que Kagome obedecesse.

— Só desejo as minhas roupas de volta e irei embora, senhor.

— Não precisa delas para voltar para a cama.

Assim dizendo deu um passo a frente.

— Não! Por favor, gostaria de partir agora.

Tentou passar por ele, porém as mãos fortes a detiveram com delicadeza e segurança, Ele a fez se apoiar de novo na parte do armário.

— Pare com essa tolice. Tenho trabalho a fazer, já disse. Poderemos conversar mais tarde. Volte para cama Kagome.

Ela o fitou com incredulidade. O homem só poderia ter descoberto seu nome conversando com Narak ou Myoga e seu amigo morrera.

Se libertou das mãos de St. Taisho, mas só conseguiu dar dois passos e foi amparada antes que caísse. Uma forte dor de cabeça a fez pressionar as têmporas, quase indo de quina com uma mesa. Mas não chegou a desabar, pois os braços de St. Taisho voltaram a ampará-la.

— Sua tola! — ouviu-o rosnar.

Então St. Taisho a tomou nos braços e a levou de volta para o quarto.

— Por favor, deixe-me ir…

— De novo a palavra "por favor" - disse St. Taisho em tom de brincadeira, olhando para seu rosto. — Onde aprendeu a ser educada Kagome?

— Meu nome é Kestrel! —gritou, tentando se desvencilhar do aperto em seu braço.

Por fim, muito fraca e confusa, só conseguiu fitá-lo. Armou-se de coragem e perguntou:

— Quem lhe disse que sou Kagome?

— Você, delirou por causa do veneno e falou seu nome. Fique deitada, gata selvagem, até que lhe dê permissão para sair da cama!

— Só quero ir embora daqui, por favor, deixe-me ir!

— Não está em condições de partir no momento. Esta é uma fazenda e só existem pântanos ao redor.

Satisfeito com a explicação, que decerto iria deixá-la quieta, fez menção de ir embora.

— Deixe-me ir de qualquer jeito! — exclamou Kagome, segurando a manga de sua camisa.

Fez-se um longo silêncio, enquanto St. Taisho a observava com atenção. Então os olhos de Kagome repousaram nos laços desfeitos da camisa de cambraia que alguém lhe emprestara. Envergonhada, tentou se cobrir, enquanto a expressão no rosto do dono da casa parecia se tornar mais branda.

— Sabe muito bem que não irá me convencer menina.

Sorriu, mostrando os dentes muito brancos e desvencilhou-se das mãos pequenas que o retinham. E o único som que Kagome ouviu foi do ferrolho da porta sendo fechada.

"O que seria dela?" Pensou. Estava em uma fazenda desconhecida, prisioneira de um homem que deveria ser amigo de Narak. Quanto tempo lhe restava, antes que o primo a descobrisse ali? Kagome gemeu aterrorizada.

Quem seria afinal esse St. Taisho, mas era difícil raciocinar com mil martelos batendo dentro de sua cabeça. Fez uma careta de dor e tratou de se acalmar. Morreria se ficasse na fazenda. Mais dia, menos dia, Narak a encontraria ali e toda a força que fizera para fugir, seria em vão.

Olhou para a porta, mas a tontura a dominou. Assustada reclinou a cabeça nos travesseiros. "Como isso fora acontecer?", pensou. Myoga morrera a poucos dias e já havia outro homem para controlar sua vida.


Ai gente, mais um cap, quero fazer um agradecimento especial a Jess Taisho, que me incentivou muito a continuar com essa fic.

Gente é que eu tenho dois filhos pequenos, mas como já cresceram mais um pouquinho estou conseguindo voltar a postar.

Quem quiser curtir minha página no face é Pink Popcsicle.

kisussssss