A Proposta
Estava entre a cruz e a espada, se fizesse um movimento impensado seria devorada, ou pelo primo ou pelo homem enigmático a sua frente.
Kagome estava parada no salão, fitando o rosto de St. Taisho. Tinha lhe dado um vestido azul-índigo e seus cabelos estavam lavados e brilhantes, nesse instante estava com aparência de um ano atrás e as mechas negras caíam-lhe pelos ombros, como seda. Após despertar do estado de dormência, causado pelo veneno da cobra, esperara mais um dia inteiro trancada no quarto, até ser chamada.
E as circunstâncias dessa primeira conversa om o dono da casa haviam se revelado bastante estranhas. Kagome só tinha certeza de uma coisa: estava tão apavorada como no dia que fugira de Mhor.
— Então se sente melhor? - perguntara St. Taisho.
Kagome aquiescera com um gesto lento de cabeça. Engolira em seco e tentara ficar em alerta, embora ainda sentisse uma forte dor de cabeça e muita fraqueza, devido a febre. Cruzara os braços sobre o peito e fitara os olhos dourados.
— Gostaria de… partir. - murmurara.
— E partirá. Mas primeiro quero um favor seu, em troca do trabalho que me deu nos últimos dias. - St. Taisho acenara com a mão da cicatriz, fazendo-a lembrar também da confusão no cais e depois se levantara da poltrona, encostando-se na quina da mesa. - Kagome o que me diria se lhe contasse que resolvi não entregá-la as autoridades por ter me atacado nas docas e que pretendo lhe dar uma bolsa com ouro e deixá-la partir livre como um pássaro?
— Pensaria que é louco. - replicara com franqueza.
Os olhos de St. Taisho pareciam sorrir, mas seus lábios continuaram cerrados. O dono da casa a deixava inquieta e sabia disso. "o que teria em mente?" Perguntou-se Kagome.
— Quero que faça companhia para um amigo meu.
Um rubor intenso coloriu as faces de Kagome. Será que entendera bem o que o homem dissera?
— Fazer… companhia? - repetiu.
— Tenho certeza que achara meu amigo muito simpático. Toma banho todos os dias, embora dadas as condições em que a conheci. Não creio que isso seja muito importante para você.
— Não me importa se o senhor toma banho ou não!
St. Taisho balançou a cabeça em negativa.
— Não estou falando de mim. - replicou em tom de zombaria, deixando-a furiosa.
Como isso podia estar acontecendo? O homem propunha que ela se deitasse com um de seus camaradas, concluiu Kagome horrorizada.
Vendo sua expressão, St. Taisho explicou.
— Esse meu amigo é muito quieto e solitário. O que desejo é arrancar-lhe algumas informações, deve compreender que isso é algo delicado e tenho palpite que revelaria coisas a uma bela moça que nunca diria para mim.
— Bem…não estou no ramo de…
— Não precisa ir para a cama com ele. - interrompeu St. Taisho de modo casual. - Tudo que peço é que descubra se meu amigo guarda algumas joias que me prometeu. - sorriu de modo sedutor. - Entende meu dilema? Não posso dizer a ele que duvido de sua honestidade. E é aí que você entra. Apenas quero que faça companhia para um cavalheiro, por uma noite, descubra o que me interssa e depois poderá partir.
— Se eu recusar o que vai acontecer?
Os olhos dourados, frios, a fitaram.
— O pior para você. - franziu o cenho e coçou o queixo. - Vamos lá minha cara, por certo fez coisas muito piores por algumas moedas de ouro.
— Não me lembro de nada no momento. - dardejou Kagome indignada.
Sua frustração era enorme, pois não sabia como sair daquela situação. Precisava raciocinar depressa e descobrir um meio de fugir da fazenda, antes de arrumar problemas maiores.
— Irá gostar do cavalheiro. É escocês também e tem um castelo perto de Inverness…conhece Inverness?
De súbito o sangue deixou o rosto de Kagome.
— Conheço muito bem.
Olhava para St. Taisho sem nada ver. Por certo não estava se referindo a Narak, porque seria uma ironia cruel do destino.
— Ótimo! - exclamou Sesshoumaru. - Terão algo em comum sobre o que conversar. Sei que gostará de Narak. Ouvi dizer que as mulheres o consideram muito atraente e prometo-lhe uma generosa recompensa caso, de modo discreto, obtenha as informações que desejo.
Kagome se sentia tão fraca que poderia cair no chão ao mais leve sopro. "como isso podia estar acontecendo? Preferia voltar a Nova Orleans onde por certo era procurada pela polícia, pela morte de Miuga."
Será que fazia ideia do que estava lhe pedindo? Chocada fitou St. Taisho.
— Disse que lhe daria uma boa recompensa Kagome. O que me responde?
— Não é necessário – replicou em voz rouca.
— Quê?!
— Não precisará me dar nenhuma recompensa, porque não farei o que me pede.
Foi a vez de St. Taisho ficar chocado. Enrijeceu o corpo e estreitou os olhos.
— Está recusando?
— Não farei o que me pede.
Como se a recusa fosse estapafúrdica como neve no verão. St. Taisho ficou sem fala. Começou a andar de um lado para o outro na sala. Analisando a expressão de Kagome.
— Vamos lá. - disse por fim – Prometo lhe dar um lindo vestido para a ocasião e mais ouro do que jamais verá em um ano, pode recusar tal oferta pequena golpista?
— Posso. - replicou Kagome com um gesto nervoso.
Não conseguia tirar os olhos de St. Taisho, que como fera irritada circulava ao seu redor.
— Que tal se eu ampliar a minha oferta e comprar para você um chalé? Melhor ainda uma loja em Nova Orleans? Não gostaria?
Kagome fechou os olhos reunindo coragem.
— Não farei o que me pede por nada nesse mundo! - repetiu com convicção.
— Ninguém me desafia, sua escocesa da ralé! Sabia disso?
Kagome abriu os olhos com brusquidão. St. Taisho falara como um homem muito mais importante que um simples fazendeiro. Assumira a voz de alguém que não costumava ser contrariado, nunca. Alguém muito poderoso, um nobre.
— Pois eu o desafio senhor! Não sou um fantoche em suas mãos! Recuso-me a ser usada para sua satisfação.
— Como é orgulhosa menina! Fico pensando se continuará com esse ar de desafio quando subir ao cadafalso.
— Se assim tiver que ser, será.
Fez-se uma pausa, em quanto Sesshoumaru pensava em outro tipo de abordagem.
— Como foi parar no pântano menina? Estava fugindo de alguém? Quem a perseguia? Um homem que roubou também?
— Não sei.
— Sabe muito bem! - rosnou St. Taisho, mas logo voltou ao tom conciliador. - Não precisa ter medo de mim, pode ficar aqui e descansar o quanto quiser. Comprarei roupas decentes para usar e lhe darei boa comida para encher sua barriga.
Isso sim Kagome gostaria de aceitar! Como seria bom não ser caçada como um bicho selvagem, não ter medo de comer bem, possuir uma cama macia para dormir e roupas limpas e a vida maravilhosa que tivera um dia. Se ao menos a oferta de St. Taisho n envolvesse o Narak.
— O que mais pretende enfiar em minha barriga? - perguntou por fim, lembrando-se da adaga que era sua salvação e que desaparecera no pântano.
Interpretando mal as palavras, St. Taisho sorriu.
— Fique tranquila, não ficará grávida. Não estou pedindo que durma com tal cavalheiro. Deixarei esse assunto para resolva sozinha. - aproximou-se e ergueu-lhe o queixo, fitando-a. - Seus prazeres não me dizem respeito.
— Meu maior prazer será a liberdade.
— Então fara o que peço?
Kagome balançou a cabeça com força e serrou os dentes em negativa.
— Devo tomar medidas mais drásticas para convencê-la? - murmurou St. Taisho com voz fria.
— Não será preciso, porque nunca me convencerá a ajudá-lo nisso!
Era óbvio que poucas vezes na vida o homem havia sido contrariado. Um brilho feroz surgiu nos olhos dourados e então chamou seu criado.
— Kouga!
Logo o homem surgiu na porta, sem tirar os olhos dela.
Então gente! Consegui postar mais um Cap, desculpem a demora, fiquei um tempo sem computador, porque o outro quebrou, espero que estejam gostando, em breve postarei mais um cap, e prometo que será um pouco mais emocionante.
Agora resposta a alguns leitores:
Jlia: o inu só apareceu no ínicio msm, ele não fará mais parte dessa história, sinto! Mas dependendo eu invento um final para ele quando acabar a história.
Jess: Voltei,estava sem pc e realmente ando bem enrolada, mas não desisti da fic.
Obrigadaaaaa a todos que estão acompanhando!
