Beijos e fuga
A adega da fazenda era equivalente a uma prisão. Quando Kagome acostumou os olhos ao escuro, percebeu tudo ao redor. Empilhados junto a uma parede estavam oito barris de perfumado vinho do porto. No lado oposto, havia prateleiras e mais prateleiras de garrafas vazias esperando para serem enchidas outra vez. Na terceira parede, uma mesa grande servia para o engarrafamento e na quarta só se via barras de ferro e uma porta também de ferro, bem trancada, para evitar que os criados roubassem as bebidas do patrão… e a mantivesse prisioneira.
Estava fresco e essa era a única coisa boa na prisão improvisada. Passou várias horas caminhando de um lado para o outro, volta e meia sacudindo a porta em vão, como se quisesse ter certeza que estava trancada.
Por fim, exausta, sentou-se no chão e apoiou a cabeça nos joelhos. Desanimada, perguntou-se quanto ainda lhe restava de forças para lutar.
Um barulho a fez erguer a cabeça. A porta estava sendo aberta e um facho de luz a atingiu, fazendo-a fechar os olhos.
St. Taisho entrou, lançando uma sombra sobre a figura acordada de Kagome. Fitou-a por muito tempo e depois arrastou um banquinho, sentando-se com as pernas esticadas.
– Pensou na minha oferta? Ou prefere passar a noite aqui dentro?
– Já tomei minha decisão.
– Ah! Mas não deve ser a certa.
– É, para mim.
Assim dizendo, Kagome se levantou e dirigiu-se para o lado escuro da adega, junto as prateleiras e garrafas.
– Mas que mal pode fazer um pequeno flerte, Kagome? Por certo sabe flertar, não?
Sorriu e os dentes perfeitos brilharam. Protegida pela escuridão, Kagome analisou St. Taisho. Não se barbeara, mas a barba cerrada acentuava a beleza. A camisa branca era fina e elegante. Com certeza não se tratava de um camponês.
– Já tomei minha decisão. - disse por fim, esforçando-se para romper a fascinação. - Portanto pode ir embora daqui.
– Mas vim fazê-la compreender que o que peço é muito simples e fácil.
– Não é! O que me pede é impossível!
Então, sem despregar os olhos da silhueta delicada nas sombras, St. Taisho se levantou, aproximando-se.
– Impossível? - repetiu em um murmúrio.
O aroma de vinho e o hálito quente a invadiram, deixando-a tonta. De modo lento St. Taisho inclinou a cabeça e voltou a beijá-la, dessa vez sem a menor pressa. Sem conseguir se conter Kagome gemeu. Sentia as pernas bambas e imaginou se St. Taisho seria uma espécie de bruxo, que a deixava encantada todas as vezes em que a fitava ou tocava. Que poder seria esse? Refletiu, sentindo-se trêmula.
Queria se afastar, mas não conseguia. Como se percebesse sua intenção, St. Taisho a segurou pela nuca forçando-a a ficar quieta e retribuir o beijo. Por fim afastando-se um pouco, murmurou:
– Viu como é fácil?
Kagome abriu os olhos. O beijo terminara? Levou a mão aos lábios, como se quisesse se certificar de que de fato aquilo acontecera. Sentiu a boca úmida e quente e fitou-o de modo confuso.
– O que é fácil?
– A sedução. Muitos sucumbem e se escravizam. Tome cuidado para nunca se deixar seduzir.
– Não tem efeito sobre mim!
St. Taisho sorriu.
– Bem, então isso é tranquilizante e me faz pensar que é a companhia ideal para meu amigo Narak. Poderá seduzi-lo e continuar distante. - fez uma pausa. - Como acabou de acontecer entre nós, só que fui eu quem ficou impassível.
– Como pode afirmar que não fiquei no comando? - Replicou Kagome em tom de desafio.
– Não tenho certeza. - disse St. Taisho em tom sincero – Vamos tentar de novo para tirar a dúvida?
– Não será necessário!
Apressada, Kagome se afastou. Precisava fugir de seu encanto, pois fora o primeiro homem a beijá-la.
– Vejo que é muito obstinada. O que mais posso fazer para convencê-la? Afinal, estou pedindo uma coisa tão simples…
– Quem é o senhor para se julgar o dono do mundo? Pela última vez direi que não farei o que me pede!
Observou o olhar zangado de St. Taisho.
– Então passará a noite aqui e veremos como reage pela manhã.
– Nada mudará.
– Muito bem, faça como quiser. Farei o papel de carcereiro por alguns dias. Até que raciocine direito.
Assim dizendo, St. Taisho deu meia volta e desapareceu trancando a porta da adega.
Várias horas se passaram e a escuridão e o silêncio mortal começaram a exacerbar a fantasia de Kagome. Será que existiam cobras ali? Imaginou-as enroladas nas garrafas e teve que fazer força para não gritar e implorar pela liberdade. Com medo de se sentar no chão ou de caminhar, permaneceu encostada na parede, mal respirando.
Então, com um suspiro de alívio, notou que a porta da adega voltava a se abrir. Mas dessa vez não era St. Taisho e sim Ayame, caminhava com seu passo leve e apressado, trazendo comida.
Kagome viu que era arroz e feijão, fumegante e saboroso. Sentiu o estômago roncar, mas não conseguiria comer, pois nesse momento percebeu que havia uma chance e escapar. Não poderia enganar St. Taisho ou Kouga, porém Ayame era outra história.
Nervosa, viu Ayame colocar a comida no chão e voltar para fechar a porta.
– Pode colocá-la sobre a mesa? - pediu Kagome. - Estou com o braço dolorido.
Ayame obedeceu, mas antes trancou a orta com o ferrolho. Abaixou-se e pegou a comida e quando virou-se para colocá-la na mesa Kagome correu como um raio para a porta. Destrancou-a e saiu.
A pobre Ayame virou-se com os olhos arregalados.
– Não faça isso! Por favor!
– Desculpe, mas é preciso.
Lançou um último olhar para apavorada Ayame tratou de fugir.
Ai vai mais um Cap, to tentando recuperar tudo que atrasei!
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