O Visitante
Mais cedo ou mais tarde a temida visita iria se realizar, mas nem em seus piores pesadelos Kagome poderia supor que aconteceria tão depressa. Estava parada no alpendre na manhã seguinte, esperando Kouga preparar a carreta, quando avistou um homem a cavalo seguido por uma carruagem.
Não precisou se esforçar muito para saber quem era o visitante, pois a cavalo vinha Onigumo, o capanga de Narak. Kagome o reconheceria em qualquer lugar, com seu jeito, o criado ideal para seu primo.
Prendendo a respiração, observou o cavaleiro se aproximar da fazenda. Onigumo não parecia ter pressa, mas sua atitude displicente não deixou de assustá-la e sentindo que tremia, enfiou a mão nos bolsos da saia.
Seguindo Onigumo, vinha a carruagem negra e Kagome sabia muito bem quem estava lá dentro. Em pânico, perdeu segundos preciosos, imaginando se já sabiam que St. Taisho a escondia em Belle Chasse.
Engoliu em seco e examinou a figura de Onigumo. Emagrecera desde a última vez que o vira e seu rosto denotava uma palidez cadavérica. De repente ergueu a cabeça e Kagome deu um passo atrás, rezando para que não a tivesse visto, mas sabia que não tinha para onde correr.
- Kouga está pronto, Kagome.
Assustada virou-se para St. Taisho.
- Vá. Está tudo pronto para levá-la a Nova Orleans menina.
- Para a cidade?
- Sim, sua tola! Está livre, já que não se manifestou até agora sobre ser minha criada.
- Não – murmurou Kagome, afastando-se da escada no alpendre.
Não podia descer agora! A qualquer minuto o primo apearia da carruagem negra. O que fazer?
- O que está esperando? - insistiu St. Taisho.
O cérebro de Kagome parecia fumegar. Precisava descobrir um modo de não ir até a entrada e a única maneira seria recusando a viagem com Kouga.
- Mudei de ideia.
Sesshoumaru analisou-a e depois deu um passo adiante.
- Do que está falando?
- Não quero voltar para Nova Orleans. Ficarei aqui.
Olhou na direção da estrada da fazenda e como imaginou, o querido Narak apeava da carruagem nesse instante. Desesperada virou-se de costas, fitou St. Taisho e murmurou:
- Não quero deixar Belle Chasse. Não tenho outro lugar para ficar.
- É difícil de acreditar que tenha mudado de ideia tão depressa.
St. Taisho parecia muito desconfiado e Kagome não sabia como convencê-lo de sua sinceridade. Então teve uma inspiração e como último recurso, fechou os olhos e disse as palavras que talvez o convencessem.
- Nunca tive interesse em seduzir seu amigo, senhor. Meus pensamentos estão voltados para outro homem.
O ar pareceu ficar pesado e ouviu passos na escada do alpendre.
- O que está me dizendo? Que seu interesse é...por mim? - replicou Sesshoumaru com os olhos semicerrados.
- Gostaria de ficar. Posso ser uma boa empregada. Por favor deixe-me ficar!
Kagome sentia o coração pesado e um nó na garganta. O primo deveria estar quase ao seu lado nesse instante.
- Tem visitas, St. Taisho. - anunciou Kouga – Devo levar a moça para a acidade?
Kagome quase desmaiou de alívio. Fora Kouga quem subira.
- Visitas? - Sesshoumaru sorriu, erguendo o rosto para a entrada da casa.
Muito próxima, Kagome notou o brilho estranho nos olhos dourados, que de repente ficaram muito escuros. Era um clarão de desejo, mas não sexual; um desejo mais sombrio e carregado. Uma fome de vingança. Conhecia isso muito bem, pois já sentira o mesmo muitas vezes no último ano. Intrigada imaginou o que estaria acontecendo com St. Taisho, mas Kouga interrompeu seus pensamentos.
- Devo ir à cidade?
St. Taisho coçou o queixo e analisou Kagome de cima a baixo. Por fim, como se tivesse percebido que não tinha muito tempo para pensar, respondeu:
- Não, creio que Kagome ainda não ira embora. Acabou de me avisar que deseja trabalhar aqui. Diga a Narak e Onigumo para subirem e tomaremos uma bebida.
Sem conseguir no que ouvia, Kouga arregalou os olhos. Resmungando, lançou um olhar sombrio para Kagome e tratou de cumprir as ordens do patrão.
- Se quer começar seu trabalho, vá ate a cozinha e ajude Ayame a preparar uma refeição e trazer vinho.
- Sim, mas preciso pegar uma coisa em meu quarto antes. Posso?
- Seja rápida. - Aproximou-se da balaustrada para recepcionar os visitantes, que conversavam com Kouga. - Ah! E mais uma coisa, Kagome, se estivesse de fato procurando por uma criada, escolheria alguém mais capaz e menos…atraente. Entendeu o que quero dizer?
Kagome aquiesceu com um gesto de cabeça, mas mal prestou atenção no significado oculto daquelas palavras. Só pensava em se trancar no quarto e se esconder, antes que Narak subisse a escada.
- Então está bem. Fico feliz que tenha resolvido ficar. Creio que descobrirá que sou muito fácil de agradar.
Com um gesto seco, Sesshoumaru a dispensou. Kagome sorriu, deu meia volta e correu para o quarto. Quando se viu trancada lá dentro, caiu de joelhos e respirou de alívio.
Boa tardeeeeee!
To empenhada em continuar galera! Deixem recadinhos com suas opiniões!
Agradeço quem acompanha e está gostando!
kissus!
