Espionando

Passaram-se vários minutos ate Kagome colocar a cabeça no lugar e decidir o que fazer. Ouviu várias vozes na casa, dirigiu-se às portas que davam para a galeria sobre o salão e espreitou pelas venezianas semicerradas, já que precisava se esconder, pensou, era melhor descobrir o tipo de amizade que Narak e St. Taisho mantinham e se por acaso trariam seu nome à baila.

Caso descobrisse que os dois tramavam a seu respeito era melhor ficar fora do quarto, poruq eali seria o primeiro lugar onde Narak a procuraria.

Assim raciocinando, aproximou-se das venezianas para ouvir melhor.

- Está interessado? - disse Sesshoumaru la embaixo.

Kagome viu que oferecia conhaque a Narak e Onigumo. O primo bebeu em pequenos goles, mas o comparsa tomou tudo de uma vez, limpando a boca com as costas da mão a seguir.

- Bem, estou interessado, sim, mas não quero cometer nenhum engano. Andei investigando a seu respeito, Sesshoumaru. Sei tudo sobre sua fazenda, na Colônia na Geórgia.

Narak encarou St. Taisho, que não desviou o olhar. Por fim o dono da casa sorriu.

- E…? - encorajou.

- Acho que sabe o que está fazendo. - replicou Narak – Porém preciso examinar as sementes. Conheço as de boa qualidade e não tomarei nenhuma decisão até estar convencido de que será um negócio lucrativo.

- Vou lhe mostrar as sementes.

Com gesto rápido, St. Taisho afastou algumas poltronas e exibiu um grande baú de couro escuro junto à parede. Usando uma chave de latão ergueu a tampa, revelando muitos sacos de papel arroz.

- Abra-os. - comandou Narak para Onigumo.

Obediente o homem se acocorou e abriu um dos sacos e depois outro.

Da galeria Kagome esticou o pescoço. Aquilo bem podia ser pólvora, pois eram sementes de um cinza muito escuro.

- Muito bem. - disse Narak, após examinar os sacos. Virou-se para St. Taisho. - São da melhor qualidade. Devem ter custado uma fortuna. Como pagou por elas?

- Não paguei. São um crédito. Por isso preciso de sua resposta logo.

- E se lhe disser que não aceito?

St. Taisho deixou cair a tampa do baú com estrndo.

- Então lamento, mas não teremos mais nada para conversar e encontrarei outro parceiro para o negócio.

- Tem ouro guardado? - questionou Narak. - Afinal minha parte mal cobrirá o custo das sementes.

Sem nada a dizer, St. Taisho dirigiu-se até uma cômoda e de la retirou várias bolsas de seda, que atirou para Onigumo. Ansioso o homem as abriu.

- Mantêm todo esse ouro aqui na fazenda? - perguntou Narak, vendo Onigumo quase babar em cima das bolsas. Ouro puro era raro e mais útil que joias ou papel-moeda. - É algum tolo homem? Esqueceu que estamos em uma terra primitiva? Alguém cortar seu pescoço para ter uma só dessas moedas, quanto mais milhares delas!

- Sim temos problemas com ladrões até aqui em Belle Chasse – replicou Sesshoumaru sorrindo consigo mesmo. - Mas creio que nós dois poderemos lidar com qualquer situação que surja.

Lá em cima Kagome imaginou que estivesse falando de si mesmo e Narak ao dizer "nós dois", mas nesse instante Kouga entrou na sala e Narak fitou o emaciado Onigumo, balançou a cabeça e deu a entender que compreendera. St. Taisho só confiava de fato no seu empregado.

- Entendo o que quer dizer. - murmurou.

- Bom! - St. Taisho voltou a guardar as bolsas com ouro na cômoda e retornou aos negócios.

- Agora que já me investigou Narak, gostaria de fazer o mesmo a seu respeito. Resolvi que preciso de investidores para o meu negócio, porém tenho que me assegurar que farei a escolha certa. Não gosto de cometer enganos.

- Descobri que sua fazenda não produz o suficiente para manter Belle Chasse que é muito maior. Estou surpreso. - replicou Narak na defensiva. - De qualquer modo não tomarei nenhuma resolução apressada.

- E se eu não quiser esperar?

Percebendo o nervosismo do patrão Onigumo levantou-se do chão e adotou uma postura belicosa.

- Belle Chasse é grande o suficiente para dar muito lucro. Nem o rei Luis XV resistiria a tal oportunidade. Já calculei as cifras que poderei atingir com o lucro e são cifras bem elevadas. - St. Taisho arqueou as sobrancelhas. - Mas, se você prefere esperar.

Kagome viu-o segurar o espaldar de uma cadeira, os dedos inquietos, mas, fora isso mantinha uma calma surpreendente. Seria amigo ou adversário de Narak? Não sabia. Mas o fato era que St. Taisho desejava se associar ao primo, não podia ser confiável, concluiu consigo mesma.

Como desejava ir embora dali! Não havia barras detendo-a, entretanto era uma prisioneira das circunstâncias. Seu único consolo no momento era saber que seu nome não entrara na conversa dos dois.

Com um suspiro, voltou-se para o quarto e no mesmo instante ficou paralisada de terror. Um homem enorme estava parado do outro lado da galeria, observando-a. A desaprovação em seu semblante era total.

- Kouga…- murmurou Kagome, afastando-se das venezianas.

Fora pega espionando e isso por certo traria consequências ruins.

Forçou-se a andar, mas não conseguia mover as pernas. Kouga aproximou-se e segurou-a pelo pescoço. Kagome queria gritar, mas sabia que isso atrairia a atenção dos homens no salão.

Sem palavras forçou-a a voltar para o quarto, enquanto Kagome continuava a ouvir vozes abafadas no salão. St. Taisho e Narak ainda conversavam, portanto deviam ignorar que o homem a pegara em flagrante refletiu.

Kouga a fez sentar em uma poltrona e amarrou seus pulsos nos braços do móvel com cadarços de suas botas, evitando fitar o rosto suplicante de Kagome. Sorriu, satisfeito com seu trabalho e saiu para a galeria, fechando a porta. Kagome ouviu seus passos cada vez mais fracos e o som das botas descendo a escada.

Então deixou para que St. Taisho tomasse as providências, pensou. Um grande alívio a possuiu, mas logo outro pensamento aterrador surgiu em seu cérebro.

"…Ou me deixou para Narak!"

Relanceou um olhar de pânico para a porta trancada.


Boa noiteeeee

Mais um cap! obrigada por acompanharem! deixem suas opiniões!

beijossss