Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, e também não escrevo visando lucro algum, a não ser um pouco de diversão.
Agradecendo muito às reviews:
- Lucrécia Bórgia, eu fico muito feliz por poder retratar uma Saori mais madura, e de certo modo, retratar também algo que estava em voga na época em que é retratada a fic (final da década de 80), na qual muitos países lutavam por democracia, povos lutavam por seus direitos, etc. Não é à toa que a Deusa da Sabedoria escolheria tal modelo para reger seu Santuário... e mais uma vez, obrigada pela força e incentivo em continuar com a fic!
- Nexus Polaris, fiquei muito feliz com sua review, agora que as amazonas começam a aparecer de verdade, espero que você goste... me conta sua opinião depois, hein?
- Jules Heartilly, eu sei que você acompanha muitas fics, e ter sua review é igualmente importante. Obrigada pelas colocações, espero que continue acompanhando!
- Stella de Aquário, eu adoro seus comentários, guria! De fato, a ideia é apresentar as amazonas aos poucos, e delinear as características de cada uma de forma a trazê-las à baila de forma natural. Continue acompanhando, que elas irão aparecer mais, sim! Quanto às idades, a fic se passa no final da década de 80, Saga e Kanon já teriam seus 32 aninhos, acho que com isso dá para você ter uma ideia dos outros...
- Isamu, sua linda, por ora, não haverá yaoi aqui... a não ser que eu mude de ideia em relação a algum personagem no meio do caminho! :P
Boa leitura!
CAPÍTULO 2 – A NEW SANCTUARY
Messina, Sicília
Ela chegou ao porto, ansiosa. Buscou com os olhos o navio que indicaram que deveria pegar ao sair de seu campo de treinamento, situado ali mesmo na ilha da Sicília; no cais, haviam navios de cruzeiro atolados de turistas, além de navios de carga. O porto de Messina era famoso, um importante entreposto na ilha, pela proximidade com a Itália continental. Ela suspirou; usava uma capa leve com capuz e carregava umas duas malas consigo, além da urna de sua armadura de Prata nas costas. Não portava máscara, portanto contava em manter seu rosto longe das atenções com seu capuz.
Assim que embarcasse, juntar-se-ia às outras amazonas, e talvez tivesse alguma chance de recolocar a máscara, não queria admitir para si mesma, mas acostumara-se com o objeto em contato constante com seu rosto, sentia-se nua sem ela. Pegou o papel com as instruções novamente e deu uma olhada:
- Deixe-me ver, o "Atenea" saiu da Grã-Bretanha, passou pela Espanha, França, para vir até aqui e seguir para a Grécia... conforme as instruções, hoje é o dia do meu embarque! Mas... dove è quella maledetta nave?
Andou mais um instante pelo cais, observando os navios menores, distantes dos luxuosos navios de cruzeiro, e então pôde ver o "Atenea" ancorado; correu o mais rápido que podia, e apresentou-se ao soldado que guardava a prancha de embarque, entregando sua autorização e demais documentos:
- Maia Bellini, signore. Athena solicitou minha presença nas terras do Santuário, como diz nesse documento. – completou a frase em um grego perfeito.
O soldado olhou para a moça com o rosto baixo, sabia que ela era uma amazona de Athena e não podia ver o seu rosto, portanto solicitou a presença de uma serva que estava recebendo as amazonas, para guiá-la até suas acomodações. Assim feito, Maia chamou a atenção da serva:
- Podemos andar normalmente de máscara por aqui, ou não? E onde estão minhas companheiras de armas?
- Pode cobrir o rosto se quiser, mas os únicos homens aqui são soldados que não ficarão perambulando pelo barco, o uso da máscara é obrigatório apenas quando chegar ao Santuário. E a maioria das amazonas está no convés, aproveitando a brisa fresca do mar. – sorriu a serva. – Se me permite, preciso continuar com a recepção, tenha uma boa viagem, senhorita!
- Obrigada. – sorriu Maia.
Ao voltar para sua cabine, retirou o capuz, revelando um rosto arredondado, grandes olhos de um castanho vivo, emoldurado por longos cílios; ela também tinha um nariz arrebitado, com perfil um pouco proeminente devido à sua ascendência. Sua pele era morena, e a boca pequena de lábios nem muito grossos, nem muito finos. Seu cabelo era cacheado, longo e castanho-escuro, e seu corpo era resistente como o de uma amazona.
Maia riu ao olhar-se no espelho; era muito baixinha, apenas 1,54m, mas mesmo assim conquistara, há alguns anos atrás, o direito de usar a Armadura de Prata de Plêiades. Sua resistência, agilidade e concentração em combate foram mais úteis que uma altura maior ou força bruta excessiva. Mas como toda siciliana, herdara quadris largos, e com o treinamento, formou-se um conjunto harmônico em sua silhueta.
Colocou a máscara prateada com uma estrela de oito pontas em púrpura no lado esquerdo do rosto, e dirigiu-se ao convés. Lá, recostou-se ao parapeito e ficou observando o porto enquanto o navio partia; era a primeira vez que deixava sua terra, e sentia-se um pouco perdida. Seu mestre estava doente, e a enviou como sua representante para saber das novidades que Athena estava estabelecendo nos treinamentos, e de um novo torneio que aconteceria pelas Sagradas Armaduras de Ouro.
"Ora, nem sei o que uma amazona de Prata como eu tem a ver com isso... talvez o mestre queira saber se há a possibilidade de sair mais um cavaleiro de ouro do campo de treinamento siciliano, como Máscara da Morte de Câncer..." – pensava a jovem.
Tão distraída estava, que mal reparou na moça loira que também admirava a paisagem, próxima de si. Foi quando o olhar das duas se cruzou, e a loira acenou discretamente para ela; Maia retribuiu o cumprimento, e a outra foi falar com ela:
- Olá – disse a moça – saberia me dizer se estamos muito longe da Grécia ainda?
- Hum, penso que não muito. Nunca saí da Sicília antes, nem para ir até Roma, ou Nápoles. Mas creio que não seja tão longe, depois da distância que cruzei para estar aqui...
- Mesmo? – outra moça, de cabelos castanho-escuros curtos e máscara prateada, que acabara de chegar, se manifestou. – Acho que não andou tanto quanto eu... – seu modo de falar era meio debochado.
- Ora, deixe as duas, Seren – dizia outra moça mascarada, com cabelos negros que iam até o meio das costas, bem lisos – e além do mais, acho que nenhuma de vocês veio de tão longe quanto eu! – ela riu, descontraída.
- Olha que isso pode ser verdade, você veio lá de onde Judas perdeu as botas. Hehehe! – riu Seren, debochando de sua amiga.
Maia e a outra amazona loira apenas olhavam para elas, quando a de cabelos longos se pronunciou:
- Nossa, nem me apresentei, eu sou Keelin, Amazona de Prata de Apus, e essa ao meu lado é...
- Seren, Amazona de Prata de Pyxis. – a morena de cabelos curtos interrompeu a outra. – Não vim para fazer amiguinhas, mas é melhor que morrer de tédio até chegar à Grécia.
Todas ficaram olhando para ela, confusas com o jeito de ser da moça.
- Ooooooiiii? É brincadeira, caramba! Vocês não têm nem um pouco de senso de humor mesmo... – disse Seren, aparentemente séria.
- E quem são vocês? – perguntou Keelin – Por acaso foram chamadas por Athena também?
- Eu sou Maia, Amazona de Prata de Plêiades, e acabei de embarcar, apesar de ter viajado quase o dia todo para vir dos arredores de Agrigento, onde estava em missão, para cá. Praticamente atravessei a ilha. – ela suspirou, cansada.
- Eu sou June, Amazona de Bronze de Camaleão, meu local de treinamento era a Ilha de Andrômeda...
- Uau! Aquela ilha que foi destruída por Milo de Escorpião e Afrodite de Peixes há alguns anos atrás? – perguntou Keelin.
- Sim – respondeu June, seca – meu mestre, Albion de Cefeu, foi morto pelo Cavaleiro de Ouro de Peixes.
- Nossa, desculpa aí – disse Keelin – foi um comentário infeliz... enfim, você veio da costa da Etiópia então...
June apenas confirmou com a cabeça. Keelin prosseguiu:
- Eu saí exatamente do local de partida do navio, na minha terra, a Irlanda. Nunca pensei que demorasse tanto viajar de navio, se soubesse teria ido à Grécia de avião!
- Bem, o Santuário quis que viéssemos assim... – disse June.
- Pois eu também iria de avião, embarquei lá na Espanha, e não vejo a hora de pisar em terra firme! – a Amazona de Pyxis parecia meio irritada.
- Enfim, seja lá o que esteja acontecendo no Santuário, é no mínimo curioso o motivo de tantas amazonas receberem suas convocações de uma vez! – observou Maia.
- Verdade. Deve ter alguma relação com as mudanças e reformas que Athena está fazendo no Santuário depois de todas as batalhas que ocorreram nesses últimos anos. Parece que até os Cavaleiros de Ouro foram ressuscitados de vez. – disse Keelin.
- Como é? – June arregalou os olhos, por baixo de sua máscara – Todos eles?
Já adivinhando o que a loira deveria estar pensando, a Amazona de Apus desconversou:
- Honestamente, não sei. Mas acho que vamos descobrir.
- Juntamente com o que a Deusa quer de nós... – completou Maia.
- Já sei! – exclamou Seren – Pode ser que, com a volta de seus preciosos Cavaleiros de Ouro, Athena queira abolir a formação de novas amazonas... ou mesmo a existência delas, em geral!
- Você está louca, Seren? Athena não ia querer isso não... – ralhou Keelin.
- Presta atenção, para que mais ela convocaria essa horda de amazonas até o Santuário, senão para falar de uma decisão que fez em relação às reformas? – pressionou a espanhola.
- Faz sentido. – manifestou-se June – Apesar de tal dispensa ser algo muito improvável!
- Talvez seja melhor parar com as especulações e nos preparar psicologicamente para tudo – disse Maia – mas não creio que Athena abandonaria suas guerreiras assim, sem mais nem menos.
- Espero que você esteja certa, irmãzinha. – disse Seren.
- Vamos dar uma volta pelo convés? – sugeriu June, ainda pensativa.
- De acordo. Vamos, Maia? – perguntou Keelin.
- Vamos.
"Eu também espero estar certa, senão, para onde eu vou? E por que acho que não voltarei tão cedo?" – pensou a Amazona de Plêiades ao se afastar do parapeito, avistando os últimos sinais de sua ilha natal no horizonte.
Santuário, Grécia
Oito cavaleiros, com suas respectivas armaduras, apresentavam-se à Athena neste momento, depois de subirem, juntos, as escadarias até o seu Templo; eram eles: Mu de Áries, Kanon de Dragão Marinho, Aiolos de Sagitário, Hyoga de Cisne, Seiya de Pegasus, Shun de Andrômeda, Ikki de Fênix e Shiryu de Dragão. Este último foi recebido alegremente:
- Shiryu, meu filho! Como está? – perguntou Dohko, abraçando seu pupilo.
- Mestre! Estou bem, mas o senhor parece bem melhor, hein? – brincou o Dragão.
- Ah, não se engane. Apesar de remoçado, a partir de agora, que não há mais espectros a combater e não há necessidade de vigiar a caverna nos Cinco Picos, os anos irão transcorrer naturalmente para mim, envelhecerei como uma pessoa normal.
- Mesmo assim, mestre! O senhor tem mais de 250 anos, e ainda o que lhe vier pela frente! Ainda há muito que viver!
- Assim espero, rapaz... – e voltando-se aos outros – Vamos, Athena os espera, meus filhos!
- Ele pode estar fisicamente jovem, mas sua cabeça continua a de um ancião! – comentou Kanon com Mu, em voz baixa.
- Kanon, mais respeito com os mais velhos! Além do mais, ele é o melhor amigo de meu mestre, Shion! – sussurrou Mu. – Ei, o que faz com a escama de Dragão Marinho?
- Saga é oficialmente o Cavaleiro de Ouro de Gêmeos, e como Grande Mestre precisa usá-la constantemente, já que o manto foi abolido... assim, voltei a usar minha escama, com a permissão de Athena.
- Compreendo... – disse o ariano.
- Senhores! Que bom que vieram! – recepcionou-os Saori, contente.
Todos fizeram reverências e os olhares dela e de Seiya se cruzaram em determinado momento, fazendo ambos corarem, o que foi percebido por Shun e Dohko. Saori se pronunciou:
- Bem, gostaria de fazer alguns comunicados. Como a maioria deve saber, faremos um torneio para definir os sucessores dos atuais Cavaleiros de Ouro em breve...
- Saori, isso é sério? – perguntou Seiya, surpreso.
- Sim, Seiya... preciso deles em outras funções, e para tal, esse torneio irá acontecer aqui no Santuário, mas para saber mais detalhes, eu e os atuais Grandes Mestres iremos à Star Hill, por tempo indeterminado, até que o céu nos mostre quem serão os aspirantes às 12 armaduras, e como se dará o treinamento aos mesmos, até a data do torneio.
- Star Hill? Com o Dohko e o Saga, por tempo indeterminado? – perguntou Shiryu.
- Sim, Shiryu, caso esta observação seja feita em relação ao Cavaleiro de Gêmeos, tenho grande confiança nele, e sei que não fará nada contra minha pessoa...
- Perdão, Athena, eu vejo que não foi isso que ele quis dizer – interveio o Cavaleiro de Áries – se vocês três irão à Star Hill nessas condições, quem ficará na liderança do Santuário?
- Muito bem, nesse ponto que queria chegar, Mu. Eu quero que você e Aiolos se encarreguem do Santuário em nossa ausência. Vocês são os mais qualificados, um por quase ter assumido esse posto por direito – apontou para Aiolos – e você, por ser o discípulo de Shion.
- Mas minha Deusa, – disse Aiolos – nós ficaríamos encarregados de tudo?
- Exatamente. Confio plenamente na competência de vocês. Claro que Saga, Dohko e eu os deixaremos a par de tudo antes de nossa partida hoje à noite.
- Saori – começou Seiya – não acha melhor que a acompanhemos também?
Todos olharam para ele, bestificados. Então ele não confiava em Saga? O Pegasus percebeu que havia algo errado, e logo se justificou:
- N-Não é isso que estão pensando, não estou desconfiando do Saga!
- Sei, Pegasus, sei... – Kanon mediu o outro de alto a baixo, com um olhar carregado de ironia. - Alguém já te disse que você é um péssimo mentiroso, Seiya?
- Olha... - Seiya engoliu em seco, já um tanto chateado pela sua boca grande, que sempre lhe metia em problemas. - Realmente não foi isso que eu quis dizer. Saga me provou isso há muitas batalhas atrás, e em seu ato final. Também sei de sua reabilitação, Kanon. Não tenho dúvida nenhuma em relação a vocês. Apenas disse isso para proteger aos três em conjunto, já que todos estarão trabalhando, Dohko e Saga poderiam se distrair.
- Impossível, meu jovem! – disse Dohko – Não se preocupe, filho, ficaremos bem, e a traremos de volta sã e salva.
Seiya e os outros sorriram para o ex-ancião, e o Cavaleiro de Pegasus sentiu um grande alívio ao ouvir aquelas palavras; encarou Saori docemente, e sentiu-se enrubescer ao sentir os olhos dela sobre si.
- Então, Saori, se não é essa razão de estarmos aqui, o que podemos fazer por nossa Deusa? – perguntou Shiryu.
- Isso me leva ao segundo comunicado; Aiolos e Mu cuidarão do Santuário – ela sorriu para os dois – e vocês os ajudarão na recepção e segurança das pessoas que irão morar no Santuário a partir de amanhã. Eu, Poseidon e Hilda de Polaris concordamos em criar embaixadas de nossos respectivos reinos; sendo assim, teremos aqui representantes de Asgard e do Reino dos Mares, e enviaremos nossos representantes para lá também.
- Interessante, mas como saber que não haverá alguma traição? – perguntou Aiolos.
- Tenho aqui os tratados de paz assinados por todos nós e reconhecidos pelo Conselho do Olimpo. Qualquer tipo de traição trará uma guerra entre todos os Deuses, portanto, é um acordo para manutenção total da paz entre nossos reinos. – Saori passou os tratados entre seus cavaleiros.
- Uma iniciativa maravilhosa, Athena! E quem enviaremos? – perguntou Mu.
- Como deve você saber, Mu, seu antigo mestre, Shion, já está em Asgard faz um tempo. Lá ele permanecerá, como nosso embaixador; e quem irá para o reino de Poseidon será... Kanon.
O geminiano apenas sorriu e concordou com a cabeça, sabia que tal tarefa seria delegada a ele, pois conhecia bem Poseidon, seus domínios, e seus Generais Marinas, pois fora um deles.
- Ele vai embora? – surpreendeu-se Aiolos.
- Na realidade, com a proximidade dos reinos, Kanon voltará para o Santuário quinzenalmente para reportar seu trabalho.
- Terão que me agüentar ainda. – Disse o gêmeo de Saga num muxoxo.
- Em seu lugar, virá Thetis de Sereia, e como representante de Asgard, virá a irmã de Hilda, Freya.
Nesse instante, Shun, Seiya, Ikki e Shiryu voltaram seus olhares para Hyoga, cujos olhos estavam arregalados.
- Sua amiga virá morar aqui, Hyoga! – comentou Shun, inocentemente.
- E justamente por isso que eu gostaria que você a recebesse amanhã, Hyoga. Já que não poderei vê-la até voltar de Star Hill, que ela possa ter a companhia de um amigo, para sentir-se melhor. O que acha?
Hyoga ainda estava surpreso, nunca pensara que poderia vê-la novamente, ainda mais morando no Santuário! Seria bom ter uma amiga por perto.
- Claro, Saori, pode contar comigo! Farei o possível para que ela se sinta em casa!
- Isso é fácil! – disse Seiya – Basta congelar o Templo em que ela vai viver!
Silêncio na sala. Hyoga parecia chocado, Shiryu queria dar um tapa no amigo, Ikki segurava o riso e Shun apenas olhava, quando uma suave risada surgiu no ambiente. Tratava-se da própria Deusa, rindo do que seu cavaleiro dissera de forma tão natural.
Logo todos riam também, e Seiya entendeu que dissera bobagem de novo, e desculpou-se. O que gerou mais risadas, e um Pegasus envergonhadíssimo.
- Enfim, era isso! Mu e Aiolos, hoje vocês acompanharão Saga e Dohko, e rapazes – ela apontou para os Cavaleiros de Bronze – amanhã um dos Mestres irá passar a agenda para recepção de Freya para vocês. Tudo certo?
- Sim! – todos concordaram.
- Muito obrigada pela sua presença, e espero que todos fiquem bem durante minha estada em Star Hill. Se precisarem de mim, estarei aqui até às dez da noite.
Com todos saindo, Seiya ficou para trás, e chegou mais perto dela:
- Tem certeza que é seguro? – ele segurou a mão dela com carinho.
- Absoluta, estarei com dois de meus melhores Cavaleiros, sei que eles me protegerão de qualquer coisa. Confio em vocês para cuidar do Santuário.
- Está certo, agora, porque tantos dias? – ele parecia meio chateado.
- Observaremos as estrelas e mapas astrais durante toda a madrugada até obter os nomes dos aspirantes às armaduras, e ver no futuro a melhor data para o torneio. Sabem-se lá quantas noites serão necessárias, e durante o dia, iremos dormir para compensar as madrugadas em claro. O Templo em Star Hill foi reformado também, há aposentos por lá agora.
- Muito bem, qualquer coisa, me chame pelo cosmo, e mesmo sendo proibido, eu irei até lá.
- Obrigada pela sua devoção, Seiya. – ela disse suavemente.
- Como eu já disse antes... minha vida é lutar por você. – beijou a mão dela delicadamente, fazendo com que a jovem Deusa se arrepiasse, no mais humano dos instintos.
Voltou de seu devaneio ao ver que ele havia ido embora, e Dohko voltava para junto dela, juntamente com Mu, para o resto das tarefas do dia.
Saori procurou concentrar-se. Tinha muito que resolver, e essa parte de sua vida, nem ela sabia se tinha solução ainda.
A noite caíra no Santuário, e ela descia, sem pressa, as escadarias das Doze Casas; acabara de sair do Salão do Grande Mestre, onde Athena e os atuais Mestres se despediram, não sem antes deixar recomendações, advertências e avisos antes de ir até Star Hill. A amazona e sua companheira foram chamadas para atentar aos treinos de todos, e ela especificamente deveria reforçar a guarda em todo o terreno do Santuário, com a chegada em massa de amazonas e cavaleiros vindos de várias partes do mundo, nos próximos dias.
"Tudo devido ao novo torneio... a maioria das pessoas nem sabe o que está para acontecer nesse Santuário..." – pensava Shina, enquanto observava o Relógio Zodiacal.
Já era tarde, mas resolvera não se preocupar com Marin; ao final da reunião com Athena, o irmão mais novo de um dos Mestres suplentes aparecera, e a amiga e o Cavaleiro de Leão retomaram mais um de seus intermináveis diálogos. Ela, por sua vez, decidira que a Amazona de Águia era bem crescidinha para voltar para casa em segurança, além do mais, sabia muito bem que Aiolia poderia oferecer-se para levá-la depois...
"Eu que não ia ficar de vela... e assim eles têm mais um tempinho também... ora, Shina, no que está pensando? Não é você que se diz contra essas coisas, mulher? Ainda mais depois de superar aquela bobagem com o Seiya?"
Decidida a mudar o foco de seus pensamentos, começou a elaborar novos esquemas de guarda, que passaria aos soldados, primeiramente, e depois aos cavaleiros e amazonas responsáveis pela segurança, assim como ela. Absorta em suas idéias, nem reparou quando ele surgiu em seu caminho:
- Boa noite, Mulher-Cavaleiro! Meio tarde para perambular pelas Doze Casas, não? – provocou o Cavaleiro de Escorpião, parado em frente à sua morada.
- Hunf! Pelo visto não está bem informado, Cavaleiro! – ela respondeu, seca.
- Espere, calma... – Milo foi se aproximando dela devagar, com um meio sorriso nos lábios, como era de seu feitio – Todos nós fomos avisados que a reunião com Athena poderia durar até tarde, não precisa ficar ofendida por tão pouco...
- Se é assim, creio que sua observação foi totalmente inútil... com licença, tenho mais o que fazer... – ela fez menção de se retirar, mas sentiu a mão dele segurar seu pulso.
- Como eu disse, está tarde. Conheço seu estilo e que é responsável pela segurança, mas não posso permitir que fique andando por aí dessa maneira.
Shina encarou o Escorpião, incrédula; então ele achava que ela estaria exposta a algum perigo, e queria defendê-la? Quem ele pensava que era?
- Escute, Escorpião, não preciso da sua proteção. Como você mesmo faz questão de ressaltar, luto tão bem quanto um cavaleiro, quem sabe até melhor que muitos deles. Não preciso da sua escolta. Agora, me solte. – o toque quente da mão dele em seu pulso começava a incomodá-la.
- Ótimo. – ele deu um pequeno sorriso misterioso – Então você me escolta até lá embaixo, que eu preciso ir até a casa do meu amigo Mu.
Com isso, Milo passou a descer as escadarias, enquanto ela não se mexia, surpresa com a atitude dele. Enfim, se não se pode vencer o inimigo, junte-se a ele... até poder derrotá-lo.
- O que pensa que está fazendo? – ela passou a andar ao lado dele.
- Eu já disse, estou aproveitando sua companhia para descer em segurança até a casa do Mu.
- Pensa que sou idiota? O Cavaleiro de Áries está no Salão do Grande Mestre, como suplente! Inclusive participou dessa última reunião! – uma veia saltava na testa dela, por baixo da máscara.
- Opa, é mesmo? Parece que terei que acompanhá-la até ele voltar então. – novo sorriso sarcástico do escorpiano.
Shina bufou de raiva. Mas pensou bem, por que estava irritada? Ele era apenas Milo de Escorpião, um cavaleiro arrogante, que se gabava de sua postura impecável sempre que podia - sua presença ao lado dela não deveria afetá-la tanto. Certo que andar ao lado dele pelo Santuário àquela hora despertaria a atenção de algumas pessoas, que poderiam ver a situação de outro modo; mas não era esse o caso... ou era?
De repente, ela passou a ficar muito consciente do cavaleiro ao seu lado, e começou a apressar os passos, não se importando com ele. Não foi surpresa ele alcançá-la, e prosseguir junto dela mesmo ao passarem pelo Templo de Áries.
- Vai continuar me seguindo? – ela começou a perder a paciência.
- Se não se importa, gostaria de te acompanhar até o Mu chegar. E sei que ele vai demorar. Qual o problema, Shina? – ele se divertia internamente com a teimosia dela.
Dividida entre o bem-estar de sua reputação e o risco de estar sendo totalmente paranóica, ela resolveu não revelar o que pensava, então assentiu:
- Certo, pode ir comigo, mas tenho que passar ordens aos soldados, checar as entradas e fronteiras do terreno, portanto, não me atrapalhe! – ela esperava que com isso, ele desistisse de seus intentos, fossem eles quais fossem.
- Certo, faz tempo que não faço esse tipo de serviço. Quero ajudá-la, é uma chance de conhecer você – súbito, ela olhou diretamente para ele – quer dizer, conhecer o seu trabalho melhor... tudo bem?
- Pois bem. Esperemos que ninguém necessite passar pela Oitava Casa na sua ausência, então. – a voz dela saía neutra.
- As Doze Casas estão seguras, isso é certo. Agora vamos lá! – ele disse, colocando o elmo de sua armadura.
- Não vá reclamar depois, Escorpião! Vamos! – e assim, dois se dirigiram a um dos postos de guarda do Santuário.
Nisso, outro cavaleiro, em trajes de treino, descia as mesmas escadarias, acompanhado de outra amazona. Eles passaram despreocupadamente por Touro, onde cumprimentaram Aldebaran, que viera há poucos segundos sentar-se à frente de sua Casa para tocar violão. Ouvindo as notas de uma bossa nova, Aiolia e Marin se dirigiam até Áries, de onde viram um vulto feminino saindo sorrateiramente...
- Espere, Aiolia, tem alguém ali, e eu conheço essa pessoa! Poderia, por favor, ocultar o seu cosmo? - disse ela, escondendo o seu próprio cosmo.
- Claro, Marin, mas... – o rapaz nem teve tempo de concluir sua frase.
- AH! – ouviu, antes de ver o vulto tentar acertar Marin sem sucesso, acabando imobilizado por ela.
- Mas quem... – Aiolia interferiu – Marin, é a sua discípula, a Ísis!
- Exatamente. O que a senhorita faz aqui nessa hora saindo de fininho do Templo de Áries? – questionou a japonesa.
- M-Mestra! – a garota estava petrificada nos braços de Marin – Não é o que está pensando, eu...
- Marin está certa, Ísis! Você deveria estar em sua casa na Vila das Amazonas agora. Aconteceu algo? Estava em busca de sua mestra? – perguntou o Cavaleiro de Leão.
- E-Eu... mestra, poderia me soltar, por favor? Assim posso me explicar melhor...
A Águia soltou sua aluna, e logo colocou as mãos na cintura, questionadora, acompanhada do Cavaleiro de Leão. A Amazona de Bronze de Cassiopéia massageou o pescoço, e passou a se justificar:
- Eu estava no Templo de Áries desde as nove horas. Desde que o senhor Mu subiu até o Salão do Grande Mestre para a reunião.
- Mas a reunião começou às nove e meia, e eu nem a vi por aqui, a não ser que... você estava na área privativa do Templo? – perguntou Marin.
Aiolia percebera a posição envergonhada da moça à sua frente; não podia ver seu rosto, mas podia sim identificar que Ísis não estava à vontade com o rumo da conversa.
- E-Eu... vim a pedido do Kiki, passar um tempo com ele. – disse a loira, abaixando a cabeça.
Marin surpreendeu-se. Ísis e Kiki, sozinhos até àquela hora na área privativa do Templo de Áries? Ela aprumou o corpo, mas antes que dissesse qualquer coisa, Aiolia interveio:
- Ísis... – disse o rapaz, abaixando-se um pouco para ficar no ângulo de visão dela – Você sabe que não tem problema em ser amiga do Kiki, mas tem consciência que não é bom que uma aspirante à amazona de Prata seja vista na casa de um cavaleiro à noite?
- Mas senhor Aiolia... – retrucou a egípcia – O senhor Mu me recebeu quando cheguei, só estou indo agora porque foi quando o Kiki finalmente dormiu... eu já estava cansada!
- Como? – disseram Marin e Aiolia, juntos.
- Sim, ele só tem doze anos, mas é insaciável! – disse ela, ajeitando sua trança – Deve ter algo a ver com os poderes mentais dele...
- Ísis! – Marin ruborizou, por baixo da máscara – Isso é coisa que se diga?
- Mas mestra, está tudo bem, no final nós dois ficamos satisfeitos... não é como se não praticássemos faz um tempinho! – a garota sorria por baixo da máscara.
- Vocês... praticam? – gemeu Marin, apoiando a testa com as mãos – Oh, pela Deusa, como isso foi acontecer? Ele viu seu rosto?
- Não, em nenhum momento! Mas por que a preocupação, mestra? – a Amazona de Cassiopéia não entendia nada.
Enquanto Marin pensava e se lamentava, Aiolia ajoelhou-se em frente da garota e apoiou a mão em seu ombro, em um gesto quase paternal:
- Você e o Kiki, como isso começou? Vocês estão se cuidando? Por Athena, mas vocês são muito novos para isso!
- Perdoe-me, senhor Aiolia, e mestra Marin, mas começou faz um tempinho, queríamos só experimentar, mas gostamos tanto que sempre que posso eu dou uma escapadinha da Vila para vir até aqui praticar com ele. O senhor Mu não se incomoda, apesar dele não saber que você não sabia, Mestra.
- Não se incomoda? Como assim ele não se incomoda? O Kiki tem doze anos, Aiolia, doze anos! Ah, não, não. Eu terei que enfrentar o Mu! Pela honra da Ísis, terei que enfrentá-lo! Como ele permite algo assim? O Kiki poderia ter visto o rosto dela! – Marin tentava manter a calma.
- Calma, Marin! Eu mesmo falarei com ele... olhe, ele vem vindo!
De fato, o Cavaleiro de Áries se aproximava de seu Templo, e ficou surpreso ao ver os três ali em frente; mas antes que pudesse saudá-los, um alterado Aiolia veio questioná-lo:
- Mu, que história é essa de deixar a Ísis freqüentar sua Casa, e deixá-la sozinha para que possa "praticar" com o Kiki?
- Ora, os dois são amigos, gostam da companhia um do outro e têm essa afinidade... eles são jovens, merecem se divertir um pouco também! – disse o ariano, inocentemente.
- Mu! Como você pôde? – disse Marin, chocada com a afirmação do cavaleiro. - O Kiki tem doze anos! Só doze anos, como você deixa uma coisa dessa acontecer debaixo do seu próprio teto?
- Ora, melhor permitir que façam isso em casa do que fora, não? – ele respondeu, confuso - Pelo menos era o que meu mestre sempre dizia...
- Mas o q... Mu! Francamente, não estou reconhecendo você! Como pode falar desse jeito do relacionamento entre seu discípulo e a pupila de Marin? – Aiolia estava furioso. - Aliás, como você deixa uma coisa dessa acontecer, pra começo de conversa? A Ísis é uma criança! E eu nem vou comentar sobre o Kiki!
- Ei, vocês dois, esperem! – começou Ísis, mas ninguém lhe deu ouvidos.
Mu encarou o amigo, depois a Amazona de Águia, que parecia indignada, e a menina que tentava chamar a atenção de todos. Ao sentir a aura deles, percebeu o engano que acontecera:
- Relacionamento? Mas... ei, espere, eu sei o que você está pensando e... – foi interrompido por Marin.
- Se sabe, não parece! Ou pelo menos não está atinando para a real gravidade da situação! - Marin, usualmente calma e controlada, estava agora tão absorta em sua indignação que dava um sermão no colega de armas. - O Kiki só tem doze anos! Claro que merece um belo corretivo por isso, mas quem deveria ganhar esse corretivo era você, sabia? Mas é um absurdo, mesmo... E a senhorita, Ísis de Cassiopéia, vai receber uma punição! Por um mês, terá que substituir uma das servas do Santuário em seu serviço!
- Marin, não... – Mu tentou intervir, sem sucesso.
- Mas mestra, eu não fiz nada demais! – a egípcia tentou continuar, mas sua mestra foi mais rápida.
- Ah não? Não fez nada demais? Tudo bem, dois meses então! – Marin não queria puni-la, mas esconder tal situação dela?
- Não é justo! Por quê? – Ísis perguntou.
- Você me escondeu tudo isso, saiu da Vila das Amazonas para ficar na casa de um cavaleiro e seu pupilo, e ainda não quer punição?
- Mas Marin, que mal tem em jogar videogame? – perguntou Mu, disposto a acabar com o mal-entendido.
- Como é? – exclamou um surpreso Aiolia – Videogame?
- É, gente... que mal tem neles jogarem videogame? - Mu replicou, calmamente.
- Quer dizer que... ela e o Kiki...
- Eu trouxe um Master System (1) de presente para meu discípulo, e a única pessoa que sabia usá-lo e se interessou pelos jogos além do Milo e do Shura, foi a sua discípula, Marin. Como ela sabia do rigor dos horários de treino, vinha entre a hora do jantar e a hora de dormir, e como não quis causar alarde, me pediu para não contar nada a você. Ela e Kiki se divertem muito com o videogame, pude vê-los competindo em várias oportunidades. Ela é até muito boa no joguinho que vem com ele, aquele do... do...
- Alex Kidd! - Disse a pupila de Marin, já mais animada.
- Quer dizer que tudo isso é por causa de um brinquedo, Ísis? – Marin perguntou, no que sua aluna assentiu com a cabeça – E por que não me contou antes?
- Pensei que você ia proibir, e eu... tá, eu confesso; eu meio que me viciei no videogame do Kiki! Deveria tentar jogar, mestra! Você também, senhor Aiolia! – ela dizia, empolgada.
- Bem, eu... entendo. Ah, Mu... er... desculpe por entender a coisa errada! – a Águia olhou para a pupila e para Mu.
- Ué, mas você tinha entendido o quê? – questionou a amazona mais nova, curiosa e confusa.
- N-Nada não! – disfarçou Aiolia – Já que está tudo explicado, vou levá-las até a Vila, que está tarde.
Mu percebeu que o leonino tentava dissolver a tensão e o embaraço que surgiram durante aquela pequena discussão. Mas como puderam desconfiar de uma moça tão jovem como a Amazona de Bronze de Cassiopéia? Ela tinha apenas dezesseis anos, e Kiki, então, com doze?
"Ou Aiolia e Marin estão tão ligados um no outro que enxergam a mesma tensão que os sufoca em outras situações..." – pensava o paranormal, sorrindo.
- Quer dizer que não haverá mais punição? – perguntou Ísis, animada.
- Não, quer dizer que a senhorita não vai mais esconder nada de mim, e vai cumprir sua punição por dois meses substituindo alguma serva no Santuário! – disse Marin.
- Mas mestra! Eu não fiz nada grave!
- Entenda, Ísis – a mestra apoiou sua mão levemente no ombro da garota – como minha aluna, você pode confiar em mim, e eu também tenho que ter certeza que posso confiar em você. De certo modo, você quebrou um pouco da minha confiança hoje. Não queria puni-la, mas nesse caso, não há outro jeito.
A moça ficou pensativa, parecia avaliar a situação. Por fim disse:
- Eu compreendo. E aceito minha punição. Mas não gostaria de perder meus treinos.
- Não perderá. Mas terá que administrar bem seus horários. Para compensar, está liberada para jogar com o Kiki, uma vez por semana, para não atrapalhar os afazeres de ambos! – disse a japonesa.
- Obrigada, mestra! – a jovem amazona abraçou Marin.
- Agora que está tudo certo, vamos? Amanhã temos muito que fazer, não? – disse Aiolia.
- Bem, já que foi tudo esclarecido, obrigada, Mu, e desculpe-me mais uma vez... – pediu Marin, antes de desejar boa noite e sair dali com Ísis e Aiolia.
- Tsc, tsc, toda essa confusão por um videogame... – o Cavaleiro de Áries adentrava sua Casa, rindo - Agora, pelos Deuses, ela só vai jogar com o Kiki uma vez por semana? Sinto que vou ter problemas...
Ela levantara cedo, muito cedo; na realidade, não conseguira dormir à noite com sua ansiedade típica, apenas cochilara um pouco, e agora os efeitos disso se manifestavam. Em seu íntimo, Maia dava graças aos Deuses por estar usando sua máscara, impedindo que vissem seu rosto cansado.
- Ah, ainda bem que estamos chegando! – dizia Keelin, animada.
- Eu não vejo a hora de chegar e ter uma boa refeição – reclamava Seren – aquela comida do barco não era exatamente das melhores...
- Está tudo bem, Maia? Você está tão quieta! – observou Keelin.
- Ahn? Ah, não é nada, estou pensando em como deve ser o Santuário, e que vai demorar muito até a hora de dormir... – suspirou a moça, resignada.
- Com certeza, escutei os soldados falando que ainda haverá uma reunião com todos os cavaleiros e amazonas recém-chegados... além disso, parece que haverão mais visitas ao Santuário! – contou June.
Elas seguiam com um grupo, escoltado por soldados mandados para garantir sua segurança no trajeto para o Santuário; foram instruídas a seguir por um caminho secreto até lá, além da Acrópole de Atenas, depois de deixarem o Porto de Pireus. Passaram por colinas íngremes e caminhos tortuosos, pelo vilarejo de Rodório, mas estavam todas igualmente emocionadas por estarem cada vez mais próximas do lendário Santuário de Athena.
- Eu nunca estive lá antes – comentou Keelin – e vocês?
- Nunca. – respondeu Maia – Mas meu mestre sempre contou as histórias de quando vivia aqui antes de voltar à Sicília, e as histórias envolvendo o Cavaleiro de Ouro de Câncer, que veio do mesmo campo de treinamento que eu.
- Seu caso é semelhante ao meu, - começou Seren – mas o exemplo a ser seguido é o Cavaleiro de Ouro de Capricórnio, Shura. Ele foi treinado por um grande amigo do meu mestre lá nos Pirineus, inclusive terei que procurá-lo para entregar alguns pacotes que lhe enviaram de casa. Onde já se viu, me fizeram de mensageira!
- E você, June? – perguntou Maia, percebendo que a Amazona de Camaleão não se manifestara.
- Eu nunca vim ao Santuário, mas em meu coração, já tenho vários motivos para não gostar dele. Vim apenas por obrigação. – a loira disse, com voz dura.
Percebendo que não deveriam prosseguir no assunto, ficaram quietas, até serem paradas por alguns soldados:
- Senhoritas, o Santuário está atrás deste monte. Chegando lá, serão recebidas por algum responsável. Por gentileza, nos sigam.
- E o que estivemos fazendo até agora? – disse Seren, brincando, quando os soldados se afastavam.
- Ai, Seren! Eles só quiseram ser gentis! – ralhou Keelin.
Maia apenas riu e June permaneceu quieta e atenta a tudo ao seu redor. Logo chegaria ao local que mais deveria amar, mas só conseguia desprezar; foram os Cavaleiros de Ouro do Santuário que mataram seu mestre, e acabaram com a Ilha de Andrômeda. Além disso, foi para salvar o Santuário que elea deixara, há alguns anos atrás, e nunca mais voltara. Agora, finalmente iria conhecer o lugar que secretamente odiava.
Mesmo assim, não pôde deixar de arregalar os olhos frente à beleza do local que se revelava às suas vistas; ali, de cima do monte onde estavam, tinham uma vista privilegiada do Santuário, com destaque para a enorme estátua de Athena que dominava o horizonte, para o Relógio Zodiacal e para a altura do monte Star Hill, disputando em grandeza com a figura da estátua. Inconscientemente, June de Camaleão desviou seu olhar para os doze Templos distribuídos em "Z" e as escadarias que os separavam e ligavam ao mesmo tempo. Sentiu seu coração apertar.
- Vamos, June, estamos quase chegando! – saiu de seu estado contemplativo ao ouvir a voz da Amazona de Apus.
O grupo seguiu em frente, e ao chegar à entrada do Santuário, as amazonas passaram entre os soldados, que as admiravam abertamente, e mantinham expressões respeitosas. Logo ouviram uma voz amigável:
- Bom dia! Meu nome é Marin, Amazona de Prata de Águia, e estou responsável por conduzi-las até o Coliseu, onde haverá alguns pronunciamentos. Gostaria de desejar-lhes boas-vindas, e comunicar que suas bagagens e pertences logo chegarão ao Santuário, e serão acomodados em suas respectivas acomodações. Por favor, sigam-me!
Maia estava simplesmente boquiaberta com a grandiosidade daquele lugar; sabia que o Santuário passara por reformas após as várias batalhas que aconteceram por ali; ela fora testemunha que os espectros de Hades tentaram atacar alguns dos campos de treinamento fora da Grécia, inclusive o seu, mas nada a se comparar com as perdas sofridas ali. No entanto, pairava uma atmosfera de alegria, e certa agitação no ar, certamente com a chegada de seu grupo.
Chegaram ao Coliseu, onde Marin foi recebida por uma moça loira, cujos cabelos estavam presos em uma longa trança; ela usava uma armadura de Bronze, com correntes circundando seus pulsos; o grupo parou, e as apresentações foram feitas:
- Esta é minha discípula, aspirante à Amazona de Prata, Ísis de Cassiopéia. Ela e mais duas amazonas as ajudarão a se instalar depois dos comunicados aqui no Coliseu. Por favor, sentem-se e acomodem-se.
E assim o fizeram, sob o olhar curioso dos cavaleiros, amazonas, soldados e servos que já viviam por ali.
- Sinto-me a atração do dia! Pelo visto não estão muito acostumados a receber visitas... – comentou Keelin, em voz alta.
- De certo modo não, geralmente somos visitados por inimigos. – respondeu um cavaleiro que estava próximo.
- Oh, não foi bem isso que quis dizer... – ela tentou consertar sua fala.
- Tudo bem. – ele disse, com um sorriso discreto – Como foram de viagem? Soube que foi um percurso bem longo para algumas de vocês.
- Certamente. E quem é você? – ela perguntou, risonha.
- Desculpe minha grosseria, sou Carlo, Cavaleiro de Prata de Auriga. E aqueles que estão chegando são meus amigos, Martin de Cérberus e Aspira de Perseu.
- Keelin, Amazona de Prata de Apus. Todos vocês são Cavaleiros de Prata?
Os dois rapazes que chegaram simplesmente confirmaram com a cabeça, e sentaram-se perto do amigo. Logo Seren, June e Maia também foram apresentadas, e o grupo firmou um diálogo ameno, até os soldados entrarem na arena, escoltando dois Cavaleiros de Ouro, os quais se situaram bem no meio da mesma. Um microfone foi entregue a um deles:
- Boa tarde! Meu nome é Aiolos, Cavaleiro de Ouro de Sagitário, e como Grande Mestre suplente, gostaria de fazer alguns comunicados!
O Coliseu todo voltou sua atenção para os dois homens na arena.
- Primeiramente, é do meu conhecimento que esta manhã recebemos cavaleiros e amazonas de diversas partes do mundo! Gostaria de lhes dar minhas sinceras boas-vindas ao Santuário de Athena, e peço a todos os residentes daqui que procurem ser atenciosos com nossos visitantes, ajudando-os no que for possível em sua adaptação. Desde já, obrigado por isso!
- Que bonitinho, mas ele não é muito jovem para ser Grande Mestre? – perguntou Maia, surpresa.
- Verdade! Mas ele fala de um jeito muito maduro para a idade que aparenta ter! – disse Keelin.
- Ele é o lendário Aiolos de Sagitário... – disse uma amazona que estava ali perto – Dizem que morreu por Athena duas vezes, e em uma delas foi considerado traidor pelo Santuário. Mas as coisas mudaram depois que descobriram a real história por trás da primeira morte dele. Ele é um verdadeiro herói aqui dentro.
Curiosas, as amazonas voltaram seus olhares para o jovem rapaz, que falava:
- Nossa Deusa Athena não poderá saudá-los no momento. – ouviu-se um burburinho pelo Coliseu – Ela e seus Grandes Mestres, os companheiros Dohko de Libra e Saga de Gêmeos, saíram para definir quem serão os aspirantes de um torneio que será realizado em breve por aqui. Todos vocês foram convocados porque são participantes em potencial. E quando digo isso, me refiro tanto aos cavaleiros, quanto às amazonas também!
- Como é que é? Ele falou isso mesmo? – Seren quase levantou de seu lugar, totalmente chocada.
- Sim, não parece, mas o senhor Aiolos é muito sério em seus pronunciamentos. – disse Martin de Cérberus, encarando a moça, por mais que a máscara o impedisse de ver o seu rosto.
- Portanto estejam preparados para quando Athena voltar, pois seus nomes podem ser indicados para combater no torneio que nos revelará os novos portadores das Sagradas Armaduras Douradas! – continuou Aiolos, provocando o furor da multidão.
- Como assim, Amazonas de Ouro? – disse Carlo de Auriga, indignado – O que Athena pensa que está fazendo?
- Pro seu governo, essa decisão foi apoiada pelos Cavaleiros de Ouro em pessoa! – bradou a amazona que estava ali por perto.
- Não começa, Luna! Isso quer dizer que cavaleiros e amazonas vão lutar entre si pelas armaduras! Não é justo com vocês! – disse um cavaleiro que ali chegava.
- Cala a boca, Kaito! – nisso ela partiu para cima do rapaz japonês, mas foi impedida por Maia e mais uma moça que desceu até ali para evitar a confusão:
- Calma, Luna, não vale a pena! E você, Kaito, pare de provocá-la! – a amazona que falava era magrinha, mas autoritária.
- Eu também não concordo com o que ele disse – Maia dirigiu-se à amazona chamada Luna – ,Mas concordo com a colega ali, não vale a pena. Você é superior a isso.
- Hunf! Tudo bem, meninas, já me acalmei... aliás, nem me apresentei! – ela voltou-se para as recém-chegadas – Meu nome é Luna, Amazona de Prata de Corvo. O idiota ali é o Kaito, Cavaleiro de Prata de Sagita.
- Olá, sou Maia, Amazona de Prata de Plêiades. Estas são Keelin, Amazona de Prata de Apus; Seren, Amazona de Prata de Pyxis; e esta é June, Amazona de Bronze de Camaleão.
- Prazer. Olhe, Adisa, você ganhará uma colega de treinos! – disse Luna, meio irônica, para a amazona que ajudara a segurá-la.
- Que bom! Mais uma amazona de Bronze para ajudar a derrotar o Pegasus e seus amigos nos treinos... eu sou Adisa de Corona Australis, muito prazer. – ela ajeitou o bracelete de sua armadura enquanto falava.
- De onde você é, Adisa? – perguntou June, curiosa.
- África do Sul. Por quê? – respondeu, desconfiada.
- Reconheci seu sotaque, eu venho da Etiópia, e geralmente identifico quem também veio da África.
- Interessante. Mais uma loira africana. Vê aquela amazona ali? – ela apontou para Ísis – Minha amiga, a Amazona de Bronze de Cassiopéia. Ela veio do Egito.
June sorriu, pelo visto faria muitos amigos por ali... seria uma compensação do destino pelas perdas que tivera? De qualquer modo, não estava interessada naquele torneio! Tornou a prestar atenção na arena:
- Bem, agora, passo a palavra ao meu amigo, Mu de Áries! – Aiolos terminou sua fala, sendo aplaudido por todos no Coliseu.
- Boa tarde, sou Mu, Cavaleiro de Ouro de Áries. Também lhes desejo as boas-vindas, e como Grande Mestre suplente, ocorrendo qualquer problema em sua estadia aqui, podem falar comigo. Espero que possamos todos confraternizar nesses dias! – ele falava serenamente.
- Oh, que gracinha! – disse Seren, encantada – Ele tem pontinhos no lugar das sobrancelhas!
Nisso os cavaleiros próximos começaram a rir, o que indignou a Amazona de Pyxis:
- Ora, respeitem-no! Ele é o Grande Mestre suplente! E ele quer que confraternizemos... eu com certeza vou querer confraternizar com ele! – o tom de voz da moça mudou do enlevado para o malicioso.
- Seren! – disse Maia – Você mesma pediu que o respeitassem, e vem com essa?
- Ah, nada de mais, maninha. E ele parece ser muito interessante... – ela tinha um sorriso bem malicioso por baixo da máscara, e falava pausadamente, prestando atenção em cada gesto do tibetano na arena.
- O senhor Mu é muito forte – comentou Aspira de Perseu – mas é uma pessoa muito pacata, muito serena. Creio que ele não estaria interessado no tipo de confraternização que você pensou.
- Bem, tudo se resolve, não é mesmo? – ela voltou ao tom enlevado de voz.
- Se você diz... – retrucou o loiro de olhos verdes e cabelos curtos, com um sorriso sarcástico.
Maia se divertia com a conversa dos dois, e logo compartilhou o sorriso sarcástico de Aspira. Pelo visto muita coisa ainda aconteceria! Voltou seus olhos para a arena:
- Caso necessitem de alguma ajuda com suas armaduras, podem procurar a mim e ao Kiki na Primeira Casa! Mas retomando o clima fraternal, peço que nos ajudem a receber os novos emissários que viverão no Santuário daqui em diante! As senhoritas Freya e Thetis de Sereia chegam esta tarde, e a cooperação de todos nessa missão de paz é bem-vinda! – dizia Mu, tranquilamente.
- Minha nossa, é por isso que o Santuário está em polvorosa, não é só por causa da nossa chegada! – disse Keelin – Vamos ver se podemos ajudar!
- Na verdade, podem, mas antes terão que se recolher. Eu e Adisa vamos levá-las às suas moradias mais tarde. Por falar nisso, Aspira, cadê o seu irmão? – disse Luna de Corvo.
- Deve estar por aí com os cavaleiros recém-chegados. Mas logo o Adrian aparece. – respondeu o rapaz, com semblante indiferente.
- Nada disso! Você deveria estar com ele agora, e não aqui! – retrucou Luna.
- Afff, está bem, vou até lá! Você deveria melhorar esse humor, Luna. Eu hein! – o moço se retirou.
- Ele tem um irmão? – perguntou Maia, interessada.
- Sim, chato desse jeito, tem um irmão gêmeo, o Adrian, Cavaleiro de Prata de Hércules. Um pouco mais gentil que o Aspira, mas na real ambos têm esse jeito "engraçadinho" de ser. – zombou a Amazona de Corvo.
- Sei... – respondeu a Amazona de Plêiades.
Na arena, o Cavaleiro de Áries terminava seu discurso:
- Agora, gostaria de apresentar-lhes os Cavaleiros de Ouro presentes! – foi chamando um a um, arrancando aplausos da platéia.
- Olhem, é o Máscara da Morte de Câncer! – disse Maia – Tenho que levar um recado para ele depois...
- O que você quer com o senhor Máscara? – perguntou Luna, de supetão.
- Meu mestre mandou um recado para ele, lá do campo de treinamento na Ilha de Sicília! E vou repassá-lo! – respondeu a moça, encarando a outra amazona em um desafio silencioso.
Todos ali encaravam as duas, até que Adisa se manifestou:
- Não terei que separar vocês duas, né? Se for preciso, eu o faço! – ela colocou as mãos na fina cintura.
- Ai, minha nossa, é o Cavaleiro de Ouro de Escorpião! Eu sou fã dele! – disse Keelin, ao ver Milo se apresentando na arena.
- Muitas outras também são "fãs" de carteirinha dele! – disse Carlo de Auriga – E olha que ele é o mais caxias do Santuário!
- O que você queria? – retrucou a moça – Ele é escorpiano!
Os demais cavaleiros foram apresentados, até que o último deles, o guardião da Décima Segunda Casa, foi chamado. June de Camaleão arregalou os olhos, e levantou-se bruscamente ao ver a figura de Afrodite de Peixes.
"Maldito! Como Athena pôde ressuscitar um infeliz desses? Mas agora que estou aqui, posso dar um jeito... infelizmente, irei embora logo, a não ser que..."
- Vocês sabem como funcionará esse esquema do torneio? – perguntou June, de repente.
- Para quem não parecia muito interessada, está bem curiosa! – disse Kaito, observador.
- Só quero saber se estou perdendo tempo aqui, é isso! Alguém pode me esclarecer? – ela insistiu.
- Bem, não sabemos quando Athena voltará de Star Hill com os nomes, mas quem for nomeado aspirante, seja cavaleiro ou amazona, terá que ficar no Santuário até completar o treinamento e lutar no torneio. O senhor Aiolos explicou tudo isso enquanto falava. – disse Luna, séria.
- Um treinamento bem puxado, por sinal – comentou Maia – talvez mais de um ano de treinamento intensivo. E com os próprios Cavaleiros de Ouro.
- O que é BEM interessante. – disse Seren, com o tom de voz malicioso.
"De fato, interessante até demais!" – pensava June, ainda fitando Afrodite na arena.
- Bem, acabou! Eu vou me juntar ao Aspira e ao Adrian na acomodação dos cavaleiros recém-chegados, até mais, meninas! – Kaito de Sagita despediu-se de todas.
- Até mais, japonês! – rosnou Luna, e se dirigindo às outras – Allons, mademoiselles! Eu, Adisa e Ísis as levaremos até suas acomodações!
Algumas horas mais tarde, um rapaz de cabelos esverdeados juntava-se ao amigo, que não conseguia disfarçar seu nervosismo ao fazer parte daquela comitiva de boas-vindas: Aiolos de Sagitário, Hyoga de Cisne e Shun de Andrômeda agora aguardavam em frente ao Templo de Athena, quando um clarão se fez no espaço-tempo, revelando uma carruagem coberta de gelo.
- Ah, até que enfim chegaram! Eu estava preocupado! – suspirou Aiolos, aproximando-se do veículo e abrindo a porta do mesmo.
Dele saíram as figuras de Hagen de Merak e Shido de Mizar, os quais arregalaram os olhos ao ver Shun e Hyoga; os quatro ficaram se encarando, sob a vigilância de Sagitário, enquanto este dava sua mão à moça que descia do coche.
- Ah, senhorita Freya! Seja bem-vinda ao Santuário de Athena, temos muita honra em recebê-la em sua nova morada! – ele fez uma reverência, acompanhado dos outros quatro.
A Deusa saiu do coche, amparada por Aiolos, e Hyoga ergueu um pouco a cabeça para vê-la; passaram-se muitos anos desde a última vez que se viram, e ele tinha certa curiosidade em ver como ela estava, se passava bem. Qual foi sua surpresa ao erguer os olhos e não mais ver uma menina, e sim uma mulher.
Ela continuava com os cabelos loiros e cacheados, mas estes desciam quase até os seus pés, e seu tom dourado e luminoso refletia como eram bem cuidados; usava um diadema em rosa na testa, e um vestido branco com mangas ¾, colado até a cintura, onde a saia se alargava e ganhava volume, esvoaçando quando a Deusa andava. A gola deixava os ombros levemente à mostra, assim como o colo, onde um colar prateado com um grande pingente em âmbar se destacava. O vestido possuía discretos detalhes em rosa na barra e na gola, e o conjunto todo deixava a moça deslumbrante.
- Por favor, fiquem à vontade. Aqui a visitante sou eu, portanto, confio-lhes minha segurança enquanto estiver entre vocês. – ela sorriu.
Todos se ergueram, e o Cavaleiro de Sagitário passou para as apresentações:
- Senhorita Freya, Hagen de Merak, Shido de Mizar, estes Cavaleiros de Bronze são Shun de Andrômeda e Hyoga de Cisne.
- Já nos conhecemos. – disse Hagen, sério.
- Oh, é mesmo? Eu desconhecia esse fato. Como se conheceram? – perguntou Aiolos.
- Eu e Hagen fomos derrotados por eles. – Shido apontou para os outros dois rapazes.
Um pequeno desconforto surgiu no ar; Sagitário tentou remediar a situação:
- Errrr... mil perdões, eu não sabia, fui ressuscitado há pouco tempo, mas caso se incomodem, posso dispensar os rapazes.
- Absolutamente. Isso ocorreu há muito tempo atrás, éramos praticamente crianças. Creio que agora estamos todos mais maduros para aceitar o que houve, e recomeçar em bases mais amistosas. Certo, Hagen? Shido? – a Deusa olhava para seus Guerreiros, séria.
- Sim, senhorita. – eles abaixaram a cabeça levemente.
- De qualquer modo – começou Shun – gostaria de pedir desculpas por qualquer coisa, e dizer que estamos felizes em ver que também foram ressuscitados, não é, Hyoga?
- De fato. Fico muito satisfeito com a vinda de vocês, e a permanência da senhorita Freya em nosso Santuário como Embaixatriz de Asgard.
Freya ficou feliz ao ouvir as palavras dele, e em ver que ele estava bem; durante todos esses anos que passaram, sempre pensara em Hyoga e no seu paradeiro. Sentiu-se satisfeita em tê-lo ali.
- Onde está Athena? – perguntou, notando a falta da Deusa protetora do Santuário.
- A senhorita Athena e os Grandes Mestres foram até Star Hill em busca dos nomes dos aspirantes a Cavaleiros e Amazonas de Ouro. – disse Aiolos, oferecendo seu braço a ela para guiá-la à sua morada.
- Ora, mas já irá se aposentar? – ela enlaçou o braço dele suavemente, fazendo o cavaleiro arrepiar-se – O senhor Shion comentou que vocês foram ressuscitados relativamente há pouco tempo... inclusive, devo levar uma mensagem dele ao Cavaleiro de Áries depois!
- Nossa Deusa quer que trabalhemos ao seu lado como um Conselho. Eu aprovo totalmente, se é pelo bem Dela e deste Santuário.
- Que bom que Athena tem pessoas tão nobres e leais ao seu lado. Posso dizer que também confio plenamente nos Guerreiros Deuses de Asgard – ela olhou levemente para trás, avistando Hagen e Shido – gostaria de sentir igual segurança por aqui.
- Não se preocupe, senhorita! Olhe, estamos chegando à sua nova casa!
O Cavaleiro de Sagitário guiara todos até uma parte nova do Santuário, onde haviam sido construídas as Embaixadas de Asgard e, mais à frente, formando uma roda zodiacal, os 12 Templos dos futuros Grandes Mestres, em um círculo perfeito. Estes ainda estavam em construção, mas o bom trabalho já era visível.
- Que belo lugar! E onde está a Embaixada do Reino dos Mares? – perguntou a Deusa.
- Próxima da praia. – completou o cavaleiro que veio recebê-los ali – A comunicação entre os locais é facilitada, assim.
- Mestre Camus! – disse Hyoga, surpreso – O senhor que estava encarregado de verificar as instalações?
- Justamente, Hyoga. Senhorita Freya, senhores – ele fez uma reverência educada – eu sou Camus, Cavaleiro de Ouro da Casa de Aquário, mestre de Hyoga.
- Muito prazer, senhor Camus, acredite quando digo que fez um ótimo trabalho com seu pupilo. – ela sorriu.
O Cisne fez o possível para manter sua pose séria e indiferente, mas no fundo estava feliz pelo comentário dela. Percebeu que Shun sorria discretamente ao seu lado, Shido mantinha-se inabalável, e Hagen lutava para não franzir a testa em reprovação. Camus mantinha a pose também, mas deu um leve sorriso para mostrar seu orgulho.
- Vamos entrar, vou mostrar suas acomodações, e apresentar-lhes aos seus servos e soldados! Caso quiser, também providenciaremos a escolta de cavaleiros ou amazonas para a senhorita! – completou o Cavaleiro de Aquário, guiando a todos.
Antes de entrarem, porém, Hyoga deu passagem à Freya, e seus olhares se cruzaram por um momento; ele percebeu que os olhos verde-água possuíam a mesma beleza e doçura de antigamente, mas havia algo mais ali, que denotava a maturidade dela. Sorriram um para o outro, o que não passou despercebido por Hagen:
- Espero que cuidem bem dela aqui, Cisne, ou não respondo por mim, entendido? – ele sussurrou para o rapaz, ao entrarem na nova Embaixada.
Hyoga devolveu o olhar friamente, no entanto, ao olhar para Freya, apenas conseguia pensar:
"Não se preocupe, Hagen, farei com que ela esteja sempre segura. Eu prometo."
Enquanto isso, na praia do Santuário...
Kanon já estava impaciente; já fazia algum tempo que ele, Mu, Shiryu e Seiya esperavam por Thetis de Sereia, mas nada desta aparecer. Inicialmente, seu sarcasmo inato fez com que pensasse que a dinamarquesa estivesse atrasada de propósito, devido ao passado de inimizade deles, mas com mais de meia hora de atraso, o geminiano realmente começou a se preocupar.
"Thetis pode ser muito insolente quando quer, mas seu senso de responsabilidade é incontestável. Mas se algo aconteceu, ela com certeza é bem capaz de se defender sozinha..." – pensava Kanon.
De repente, lembrou-se do rosto da loira, e de seus profundos olhos azul-claros. Ela tinha um gênio forte, era determinada e só demonstrava afeição por Poseidon. Kanon achava que ela nutria, secretamente, mais que admiração pelo soberano dos mares; e sim um intenso amor platônico... não correspondido.
Depois que Julian Solo amadurecera, a alma de Poseidon fora libertada para que reencarnasse no rapaz, como o destino pedia; lembrou-se de como o Deus dos mares e a própria Thetis ajudaram Athena e seus cavaleiros em algumas situações passadas. Tal pensamento fez com que colocasse o elmo de sua escama de Dragão Marinho e descesse do rochedo onde estava até a praia de areias claras adiante.
- Kanon, aonde você vai? – perguntou Seiya, já no encalço do gêmeo de Saga.
- Verificar se está tudo certo... Thetis não demoraria tanto assim para chegar aqui! – ele averiguava toda a superfície do oceano à sua frente.
- Acha que ela teve problemas no caminho? – perguntou Mu, juntando-se a eles.
- Espero que não. – E, sério, passou a andar em direção ao mar, adentrando-o e molhando sua capa. Preparava-se para concentrar seu cosmo e andar sobre a água, quando ouviu a voz de Shiryu:
- Kanon, espere! – o Cavaleiro de Dragão apontava para alguns recifes adiante.
Os olhares de todos se desviaram, e viram Thetis em sua escama, desacordada entre os recifes. Kanon e Seiya preparavam-se para ir até lá, quando uma figura encapuzada aproximou-se do corpo da emissária de Poseidon, e, com seu cosmo, afastou as águas, pegando a moça no colo e levando-a até terra firme, na velocidade da luz, diante dos cavaleiros presentes.
- Quem é você? Mostre-se! – bradou Seiya, encarando o estranho que se apresentava.
- Ora, tanto tempo longe daqui, e sou recebido dessa maneira? – a pessoa deixou seu capuz cair, revelando o perfil de um cavaleiro de Prata, vestido com a sua armadura.
- Aster! Há quanto tempo! – exclamou Mu, surpreso.
- Pois sim, finalmente retorno à minha casa, e já tenho surpresas! – sorriu Aster, ainda com a moça nos braços.
- O Cavaleiro de Prata de Altar! Faz muito tempo que está longe do Santuário! – comentou Shiryu.
- Exato. Quem é essa bela moça? Ela não me parece estranha, creio que já a vi antes... – ele observava bem o rosto de Thetis.
- Esta é Thetis de Sereia, a emissária de Poseidon, que irá morar no Santuário conosco! Que será que aconteceu com ela? – indagou Seiya, ao ver um filete de sangue escorrendo pela têmpora da loira.
- Creio que só saberemos o que houve quando ela acordar, nós vamos levá-la para a Embaixada! Mu, o que acha que aconteceu? – disse Kanon, procurando manter a calma.
- Não tenho como saber disso no momento, ela está inconsciente... não consigo sentir nada vindo dela. Mas primeiro vamos cuidar de Thetis! Aster, Shiryu, venham comigo! Kanon e Seiya, podem averiguar o perímetro? Não é possível que ela tenha sido atacada em pleno caminho ao Santuário! Temos que investigar! - respondeu o ariano.
- Tente curá-la... há uma outra alternativa a se considerar... a portadora da armadura de Cães de Caça pode ler pensamentos, como Asterion fazia antigamente. Ela pode ajudar. – lembrou Kanon.
Mu concordou com o amigo, e junto de Altar e Dragão, levou a desacordada Thetis até a Embaixada do Reino dos Mares; Seiya e Kanon separaram-se em direções opostas na baía, procurando por alguma pista. O geminiano não quis revelar, mas acreditava piamente que a dinamarquesa havia sido atacada deliberadamente enquanto se encaminhava ao Santuário.
"Mas quem faria isso, justamente com a representante de Poseidon? E por qual motivo?" – refletia, enquanto fazia sua ronda.
(1) Master System: Console de videogame lançado pela SEGA em 1986, no Japão, para rivalizar com o NES, da Nintendo. No entanto, teve mais sucesso na Europa e na América. Fabricado pela Tectoy no Brasil. (N/A: Saudades do meu! XD).
