Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens não pertencem a mim, e sim a Masami Kurumada!
Agradecimentos especiais a Rodrigo e pelas reviews por acompanharem essa saga, desculpem a demora, mas a partir de agora, passarei a postar com mais agilidade! Ainda há muito o que acontecer! Obrigada a quem favoritou a estória também, e não se avexem para comentar! :)
Agradeço também à minha querida beta-reader, Human Being, por toda a paciência!
Boa leitura!
CAPITULO 5 - DELUSIONAL
Dois dias depois dos acontecimentos na Arena...
Saga estava pensativo, trabalhando no Salão do Grande Mestre, tentando adiantar algo com a ajuda de Aiolos e Aster – já que Dohko estava, no momento, preparando-se para encontrar a Amazona de Corona Australis. Os dois trabalhavam juntos contra o tempo na montagem dos aposentos de Shunrei, que chegaria dentro de alguns dias.
Um servo chegou e anunciou a chegada da amazona, que educadamente cumprimentou a todos na sala. Saga resolveu avisar o amigo libriano da presença dela, enquanto Aiolos acompanhou o geminiano para pegar alguns papéis, deixando Aster de Altar e Adisa sozinhos ali.
Adisa suspirou e tentou acalmar-se, não era sempre que tinha a chance de ficar sozinha no mesmo lugar que o Cavaleiro de Altar; já havia um tempo que a sul-africana alimentava certos pensamentos e sentimentos em relação ao rapaz, e quando ele saíra do Santuário para sua missão secreta e pessoal, ela resolveu que assim que pudesse expressaria seus sentimentos a ele.
Avaliou bem o perfil do rapaz enquanto trabalhava: o corpo forte e esguio, os olhos castanho-escuros profundos e vivos, a pele morena e os cabelos curtos, castanho-escuros e cheios de cachos. Ele tinha estatura mediana, o que era perfeito para ela, mas seu principal atrativo – em sua visão – era a personalidade expansiva, irônica, meio arrogante e engraçada. Convivera um pouco com ele quando ela era apenas uma aprendiza, antes de se tornar uma amazona de Bronze, quando ele mesmo ainda treinava para conseguir a Armadura de Altar.
Adisa tinha boas memórias desses tempos, e mesmo quando ambos conseguiram suas armaduras e seguiram caminhos diferentes ela continuou a admirá-lo e a observar seus passos mesmo de longe. Ela demorara em assumir o que sentia por ele, mas agora queria poder se abrir.
"Quem sabe essa não é a minha chance?" – pensou a garota, enquanto se aproximava discretamente dele.
- Precisa de algo, Adisa? – Aster sorriu para ela.
- Na verdade, Aster, tem algo que eu preciso falar contigo... está muito ocupado?
- Não, pode falar. – ele deixou os papéis na mesa e dirigiu toda sua atenção para ela.
- Aster, nós nos conhecemos faz um tempo – ela não sabia como começar – e eu sempre admirei a sua pessoa, sempre gostei muito da sua amizade... você sabe disso, não?
Diante do sorriso e aceno de cabeça dele confirmando o que dissera, ela continuou:
- Pois então, eu... quando você esteve fora durante esses meses, eu pensei muito em você. Em nós. O que eu quero dizer – ela suspirou, nervosa – é que eu realmente gosto de você, e acho que poderíamos... nos aproximar mais...
- Oh, acho que entendi o que você quer dizer. – Aster arregalou levemente os olhos.
- Mesmo? Porque eu não sei como dizer e... – ela estava constrangida.
- Tudo bem, Adisa, tudo bem mesmo. Eu entendi, e lamento muito pelo que vou dizer, mas...
Ao ouvir isso, a garota fechou os olhos e tensionou os ombros e braços ao longo do corpo.
- Eu sempre te vi como uma grande e boa amiga, Adisa. Não me entenda mal, mas minhas obrigações sempre me impediram de ver alguém com outros olhos, principalmente aqui dentro do Santuário.
- Eu sei, sempre soube que você ia paquerar fora daqui. – ela riu, envergonhada – Você sempre fez isso porque não quer nada sério com ninguém, né?
- Exatamente. – ele olhou bem nos olhos dela, transmitindo sinceridade. – Eu adoraria poder retribuir aos seus sentimentos, mas a verdade é que não estou pronto para sentir isso por ninguém.
- Compreendo... – ela sussurrou.
- Além do mais, você é uma amazona de Athena, não gostaria de obrigar ninguém a escolher entre me matar e me amar, e no caso da segunda opção, ver a pessoa que amo deixar seu ofício por minha causa. – o olhar dele era de consternação.
Ela ficou quieta um tempo, considerando as palavras dele; depois ergueu a cabeça e disse:
- Tudo bem, obrigada pela honestidade. Essa é a característica que eu mais gosto em você.
O Cavaleiro de Altar sorriu, e ia dizer alguma coisa, mas Dohko, Saga e Aiolos retornaram à sala, e logo o libriano despedia-se de todos, levando Adisa consigo para fora dali. Ela seguia quieta ao lado dele, que delicadamente segurou sua mão, surpreendendo-a ao levá-la para o lado oposto à entrada do Salão do Grande Mestre.
- Dohko, para onde vamos? – ela perguntou, enquanto ele a guiava.
- Já estamos chegando, não vamos muito longe, não se preocupe. – ele sorriu ao olhar para ela sobre seu ombro.
Assim, seguiram até ao acesso para o Templo de Athena, a morada da Deusa, e entraram em seu jardim privativo, que começava na parte de trás do Salão do Grande Mestre e ia até a entrada da casa de Saori. Adisa olhava para o jardim, maravilhada, nunca estivera por ali antes; sentia seu corpo leve, cheio de luz, amenizando a tristeza que tomara seu coração ao não ser correspondida por Aster.
Dohko a guiou entre as flores, que se espalhavam em quantidade e variedade de cores e espécies; a brisa batia calmamente entre elas dissipando os vários e deliciosos aromas, e ao escolher um ponto específico sentou-se na grama, trazendo a menina consigo.
- Gostou? – o Cavaleiro de Libra sorriu, ainda segurando a mão dela.
- Claro! É um jardim lindo! Mas... é o jardim de nossa Deusa, não é? – ela falou baixo.
- Sim, mas creio que a senhorita Athena não se importará de passarmos alguns minutos aqui. Ela é muito compreensiva, e quer o bem de seus cavaleiros e amazonas.
- Sim, eu sei disso... – a moça abaixou a cabeça – mas se é assim, porque existe a Lei das Amazonas?
- Essa lei é uma tradição, mas não a culpe pelo fato de Aster não retribuir aos seus sentimentos... – ele disse, compreensivo.
- Como? Dohko, você OUVIU a minha conversa com ele? – Adisa soltou sua mão da dele, indignada.
- Foi sem querer. – ele abaixou a voz – Quando vi sua reação ao chegar à sala, concluí que você não estava bem, por isso a trouxe aqui antes de cumprirmos nossas obrigações.
- Eu – ela não sabia o que dizer – eu estou bem, não se preocupe. Foi até bom ele ser tão direto; agora eu posso esquecê-lo e, como você disse, cuidar só das minhas obrigações...
Dohko percebeu que a voz dela estava ficando embargada, e que ela começaria a chorar; em um reflexo, abraçou a garota, trazendo-a bem junto ao seu corpo. Adisa piscou, sentia as lágrimas abandonarem seus olhos, e sentia a força e carinho que vinham do cavaleiro de Ouro que a abraçava. Retribuiu o abraço e sentiu toda a tristeza ir embora. A brisa e Dohko a acalentavam em meio às flores, e ela sentia-se segura e protegida. Aninhou seu queixo no ombro do cavaleiro, e nem a armadura dourada dele a incomodou.
O libriano sentia o cheiro do cabelo e do perfume dela, afundou seu rosto no pescoço dela ao sentir que ela se aninhava em seus braços, e roçou seu nariz de leve atrás da orelha da menina. Nisso, Adisa assustou-se, e ao separar-se dele de supetão, sua máscara enroscou-se na Armadura de Libra, caindo na grama, entre eles.
Ambos olhavam-se intensamente, os grandes olhos negros dela estavam arregalados e assustados, suas bochechas pintadas com um blush rosado estavam marcadas por lágrimas, e a boca pequena e carmim estava entreaberta. Dohko a olhava admirado, e sentiu seu coração bater mais forte naquele momento. A amazona adiantou-se para pegar sua máscara, mas ele colocou sua mão sobre a dela, trazendo-a para si e depositando um suave beijo na palma; Adisa olhava para ele como se estivesse hipnotizada, sentindo um frio na barriga e borboletas no estômago. Dohko se aproximou dela devagar, e passou os dedos sobre as marcas das lágrimas, enxugando o rosto dela.
- Não chore, pessoa alguma merece que você chore. Aster foi honesto com você, não se aproveitou de seus sentimentos, e se você quiser... – o cavaleiro abaixou os olhos, não se atrevendo a falar mais.
- Se eu quiser...? – ela aproximou-se mais dele.
- Eu... – Dohko não sabia o que dizer, mas ao erguer novamente a cabeça, cometeu um grande erro, ao olhar diretamente nos olhos de Adisa.
No próximo instante, tudo o que fez foi pedir permissão a ela com seus olhos verde-escuros, e vendo que ela não se manifestava, chegou mais perto, encostando levemente seus lábios aos dela. Adisa pulou ao sentir o contato, mas não saiu dali; não sabia o motivo de permitir o que acontecia no momento, mas precisava daquilo. Portanto, deixou rolar. Dohko pressionou mais seus lábios contra os dela, pedindo passagem suavemente com a língua. Ela deixou que ele invadisse sua boca, e que o beijo se aprofundasse; os corações de ambos batiam acelerados, e os dois estavam confusos, mas decididamente, estavam gostando daquela demonstração de carinho. Afastaram-se por falta de ar, e encararam-se envergonhados, para depois sorrirem e começarem a rir baixinho. Adisa resolveu falar:
- Desculpe-me, eu realmente não esperava por isso... foi o meu primeiro beijo... – ela segurava sua máscara com nervosismo.
- Mesmo? Oras, eu que lhe devo desculpas então! – ele estava surpreso.
- Não! Eu... eu gostei, foi melhor do que eu imaginava... em um jardim tão bonito, com... um cavaleiro de Ouro, uma pessoa tão importante... – ela não sabia o que dizer.
- Mas não com a pessoa que você gostaria, não é? – ele colocou a mão no ombro dela, apertando levemente.
- Não diga isso – ela começou – quem sabe o que houve não serviu para mostrar que, quando as coisas não acontecem como imaginamos, é porque podem ser melhores do que isso?
- Tudo bem com você então? Não quero que pense que eu quis me aproveitar da situação. Eu apenas... não consegui resistir.
Adisa riu, fazendo um carinho no rosto dele para assegurar que estava bem.
- Você é uma boa pessoa e um ótimo cavaleiro. Nunca poderia pensar dessa maneira a seu respeito.
- Que bom. Você está melhor? Ou quer ficar aqui mais um pouco? – ele sorria.
- Não, vamos embora. – ela colocou a máscara, e se lembrou – Mas, e a Lei das Amazonas? Você viu meu rosto, e me beijou... eu devo matá-lo ou amá-lo?
Percebendo a confusão na voz dela, ele apenas disse:
- O que você, Adisa de Corona Australis, quer fazer? Diga sua sentença, e eu a aceitarei de bom grado.
Ela sorriu, ele era mesmo um homem muito honrado; ela fez um suspense, e disse:
- No momento, não sei bem o que fazer... eu prefiro deixar esse fato em hiatus e pensar nisso depois, bem depois. – ela sorriu por baixo da máscara – E você?
- Eu acatarei o que quer que a senhorita escolha. Se quer pensar nisso mais tarde, que assim seja.
- Vamos terminar de arrumar os aposentos da Shunrei? – ela perguntou, levantando-se e já agarrando a mão do cavaleiro, para que a acompanhasse.
- Por mim está ótimo! – ele deixou-se conduzir por ela.
Enquanto a Amazona de Bronze de Corona Australis e o Cavaleiro de Ouro de Libra deixavam o jardim do Templo de Athena, despreocupadamente, não perceberam um par de olhos sobre si, que havia presenciado tudo o que ocorrera com eles nos últimos minutos.
Neste momento, um grupo de jovens estava na frente da Casa de Áries: Kiki, Ísis, Seren, Yuuki, Anya e Kaito conversavam enquanto esperavam para ser atendidos por Mu. A ombreira da Armadura de Sagita estava quebrada, e pediram a Kiki para conseguir um horário com seu atarefado mestre.
- O Kaito se distraiu feio nos treinos – comentou Yuuki de Grou, fitando seu conterrâneo – aí acabaram quebrando a armadura dele. Hunf!
- Mas para quebrar uma Armadura de Prata, é necessário ser muito forte! Só um cavaleiro de Ouro poderia fazer isso! – comentou Ísis, por cima.
- Ahn... vamos mudar de assunto, gente? Esse papo sobre treinos está me deixando meio zonza. – disse Anya, sentando-se em um dos degraus da Primeira Casa, sendo seguida pelos amigos.
- Você está assim já faz alguns dias, pensa que eu não percebi, Anya? – disse Yuuki – O que houve, está doente?
- Não... – ela passava a mão pelos cabelos excessivamente vermelhos – Apenas cansada, não dormi muito bem essa noite.
- Sei. Trate de se recompor, ou eu mesmo vou arrastá-la até a enfermaria, está bem? – a japonesa retificou.
- Por falar em enfermaria – disse Kiki – alguém sabe da Maia de Plêiades?
- Que tem ela? – perguntou Kaito, curioso.
- Deixa de ser fofoqueiro, Kiki, você não tem nada com isso! – Ísis ralhou com o amigo.
- Bah, ela está bem, depois daquele treino. – disse Seren – Voltou à ativa no dia seguinte, mas parece que Saga de Gêmeos em pessoa vai cuidar dela daqui em diante.
- Como é? Como a gente perdeu isso? – disse Kaito, surpreso.
Kiki e Seren se entreolharam. Nenhum dos outros ali sabia de sua convocação para aspirantes às Armaduras de Ouro, e nem poderiam ficar sabendo pois havia a possibilidade de vazamento de informação para seus oponentes; o ariano e a canceriana entraram em acordo mentalmente sobre o assunto – graças aos poderes de Kiki – e resolveram disfarçar.
- Fomos bisbilhotar os Cavaleiros de Ouro em um treino deles, e sugeriram que medíssemos nossas forças. Maia acabou tendo problemas no processo. – disse Kiki, sério.
Ísis encarou o amigo, sabia que ele estava mentindo. No dia anterior, ao cuidar do jardim da Casa de Virgem, escutara uma discussão entre um dos Grandes Mestres, Saga de Gêmeos, e o dono da Sexta Casa, Shaka de Virgem. Os ânimos estavam altos, e ela não teve como não escutar o que se passava.
O grego acusava o amigo de passar dos limites durante o treino da Amazona de Plêiades, ela era aspirante à Sagrada Armadura de Ouro de Gêmeos – o que surpreendera a egípcia – e tivera seus sentidos retirados pelo Cavaleiro de Virgem, para depois ser submetida a uma luta com Camus de Aquário. Quanto mais prestava atenção à história, mais incrédula Ísis ficara, a ponto de dar razão ao Cavaleiro de Gêmeos e ir embora sem sequer despedir-se de Shaka ao fim daquela tarde.
A Amazona de Cassiopéia também ouvira Saga dizer ao indiano que até ele repensar o acontecido e desculpar-se com Maia, ele mesmo se responsabilizaria por ela, tornando-a sua protegida, o que fora visto pelo virginiano como um favoritismo arbitrário. O geminiano então não falou nada, apenas foi embora, dizendo que Shaka poderia ser "o homem mais próximo de Deus", mas que definitivamente não entendia nada dos seres humanos a quem deveria ajudar a defender.
Por isso ela sabia que Kiki não estava sendo sincero, mas que deveria haver uma boa razão para tal, já que ele era sempre tão espontâneo e verdadeiro. Ela também reparou que a Amazona de Prata de Pyxis ajudava a contornar o assunto, voltando a falar da condição de saúde de Anya de Taça:
- Se não está dormindo bem, deveria mesmo procurar ajuda médica. Quem sabe o senhor Mu não pode ajudá-la? – cogitou Seren.
- Não! – Anya quase gritou – Quer dizer, não quero ninguém fuçando minha mente. Simplesmente me recuso.
- Você achou que era o cheiro forte das rosas do senhor Afrodite que estava te afetando – disse Yuuki – mas você as jogou fora, não foi?
- Bem, eu... – Anya começou, mas não teve tempo de terminar sua frase.
- Eu escutei bem, você jogou minhas belíssimas rosas fora? – disse Afrodite de Peixes, que acabara de chegar, vindo do Coliseu.
Anya sentiu-se arrepiar, embora não soubesse exatamente a razão; todos os outros cumprimentaram o cavaleiro de Ouro, que continuava olhando para a Amazona de Taça.
- Senhor Afrodite, eu tive que fazê-lo, elas já estavam murchas, e o cheiro estava atrapalhando meu sono. – ela respondeu, com voz baixa.
- Entendo. Então você já está dormindo melhor, não? – ele perguntou, com um meio sorriso.
A islandesa confirmou com a cabeça, embora a verdade fosse bem outra: desde que tivera o primeiro sonho de natureza duvidosa, jogara as flores fora, sem nem murcharem. Mas tal atitude não resultara em nada, pois ela continuava sonhando com o homem sem rosto a torturá-la de prazer durante todas as noites sem exceção.
O resultado disso era uma amazona sonolenta, distraída, cansada e frustrada, afinal, o teor altamente erótico daqueles sonhos fazia com que ela se lembrasse deles na maioria do tempo, prolongando a tortura pelas outras horas do dia. Anya cogitara pedir ajuda, mas à medida que seus sonhos ficavam mais quentes, ela passou a evitar recorrer a qualquer pessoa por simples e pura vergonha.
Afrodite sorriu satisfeito. Seu sorriso se alargou ao ver que Maia de Plêiades se aproximava; a amazona cumprimentou a todos ali, comunicando que estava dirigindo-se ao Salão do Grande Mestre, e o Cavaleiro de Peixes ofereceu-se para acompanhá-la. Ele e Maia se despediram, e passaram a subir as escadarias das Doze Casas.
- O senhor Afrodite é tão simpático, não? – comentou Ísis, ao ver os dois se afastando.
- Muito... – comentou Anya, de forma irônica. – Ísis, você ainda está cuidando do jardim da Casa de Virgem?
- Sim, quatro vezes por semana, embora eu ache que não só eu deveria ter recebido um castigo – ela fuzilou Kiki com os olhos, por baixo da máscara – mas por quê?
- Por nada. Apenas tome cuidado, está bem? – Anya falava de forma enfática.
- Do que você sabe, Anya? Cuidado com o quê? – Cassiopéia ficou curiosa.
- Cuidado com o que as pessoas podem te dizer, ou tentar fazer com você. Eu não sei de nada, é apenas uma impressão.
- As impressões da Anya realmente têm fundamento, Ísis. Vai por mim. – disse Yuuki, dando um tapinha cordial nas costas da amiga.
- Tudo bem, amanhã eu vou até lá, e serei cuidadosa. – ela falou com certa ironia na voz.
A verdade é que Ísis de Cassiopéia tinha um plano em mente, e por isso dirigiu-se à Amazona de Grou:
- Yuuki, eu posso passar mais tarde na sua casa para gravar aquela fita?
- Claro, é só tomar cuidado com a vitrola e o gravador de cassete, que tudo dá certo! – riu a japonesa.
- Certo, vou lá separar o LP, até mais, meninas! – e saiu, tomando o caminho para a Vila das Amazonas.
Nisso, Seren ajeitou a postura e o cabelo, pois Mu saía de seu templo falando com mais duas pessoas cujas vozes ela não reconhecia no momento. Kiki sorriu ao ver seu mestre, e logo cumprimentou os dois cavaleiros de Bronze que estavam com ele:
- Olá Ikki, olá Hyoga, como vão? – o ruivo levantou os pontinhos que lhe serviam de sobrancelhas.
- Estava tudo muito bem, mas vejo que o ar aqui fora está carregado. – comentou Ikki, ao olhar para Seren, que fingiu não escutá-lo.
- Fênix, não provoca! – alertou Hyoga. – Tudo bem, gente?
Todos responderam ao cumprimento do loiro, e logo Kaito e Mu voltaram para dentro do Templo de Áries. Seren os acompanhou, sob o olhar atento de Kiki, Hyoga e Ikki. Reparou bem no interior da casa de Mu e viu que ele estava sozinho, esperando Kaito retirar sua armadura em uma sala contígua.
"Essa é minha chance!" – pensou ela, aproximando-se do ariano sorrateiramente.
- Sua chance para o quê exatamente, senhorita Seren? – perguntou o tibetano, olhando fixamente para ela.
- Você leu o meu pensamento? – ela questionou, ao chegar mais perto.
- Não exatamente, eu intuí o que você pensava. Na verdade, nas poucas vezes em que nos vimos, eu consegui perceber claramente a mensagem que você quis me passar.
- Mesmo? – o tom de voz dela era malicioso – Tem certeza?
- Sim, Seren. E devo dizer que eu estou lisonjeado, você é uma amazona muito atraente.
- Mas...? – ela terminou por ele.
Mu riu, será que aquela era a famigerada "intuição feminina"? Ele percebera os olhares e insinuações de Seren de Pyxis para si na nomeação, nos treinos, e em quaisquer outras oportunidades que eles tiveram de estar no mesmo local. Sentira-se envaidecido com aquilo, via que ela era uma moça muito bonita mesmo sem ver seu rosto, mas sabia que ela não estava pronta para alguém como ele.
- Seren, eu realmente gostaria de conhecê-la melhor, e me sinto atraído por você, mas creio que não posso dar o que você quer.
- Como assim? – ela estava confusa.
O Cavaleiro de Áries suspirou; entre seus desejos mais profundos e a coisa certa, sempre acabava escolhendo a coisa certa. Resolveu ser direto, pois ela não era mais nenhuma menina, ele sentia isso na aura dela.
- Não posso lhe oferecer apenas sexo... Pode não parecer, mas sou um homem das antigas. Quero alguém por quem eu possa me apaixonar de fato, e sei que com você não seria assim, pois você não iria deixar que isso acontecesse.
- Como tem tanta certeza? – ela tomou uma postura defensiva.
- Você emana desejo pelos poros; sei que um dia quer se apaixonar, eu sinto isso, mas acredite, o que você sente por mim é apenas isso. Desejo, e nada mais.
A Amazona de Pyxis arregalou os olhos. Percebeu que ele falara sério, será que ele era tão bom assim em perceber os outros?
- Não precisa ficar assustada, nem chateada. – ele disse, com um sorriso compreensivo – Meus poderes telepáticos e telecinéticos permitem que eu sinta tudo isso. Não se sinta mal, por favor, é natural sentir tais ímpetos quando se é tão nova. Não se esqueça que eu sou ariano, a minha passividade é só exterior.
Seren o amaldiçoou internamente, será que ele não percebia que esse tipo de fala só atiçava fogo nas veias dela? Chegou ao lado dele e colou seu corpo no do cavaleiro, passando a mão por seu cabelo longo e lilás. Ele fechou os olhos verdes, e pôde sentir toda a excitação que vinha dela.
- Sério, amazona, se você continuar a emanar esses sentimentos, é capaz de eu perder o controle. – ele abriu os olhos e ela pôde ver todo o poder que vinha dele.
Pela primeira vez em sua vida, Seren sentiu-se fraquejar. Perguntou:
- E isso seria ruim?
- Sim, porque você é minha companheira de armas, uma aspirante à Amazona de Ouro, amiga de meu discípulo, e eu não gostaria de desonrá-la segundo a Lei das Amazonas. – Mu falou perigosamente baixo.
- Regras. Elas são boas apenas quando são convenientes. – ela passou a mão pelo cabelo dele de novo.
- Realmente pensa desse modo? – ele deu um sorriso malicioso.
- Já pensei. – suspirou e afastou-se do tibetano – Você está certo. Eu sou uma amazona de Athena. Devo honrar o meu ofício.
Ele apenas sorriu, sabia que ela também escolheria o correto. O Cavaleiro de Áries não era santo, mas tinha muita consideração por suas companheiras de serviço, as amazonas. Não seria capaz de ter relações com uma, sabendo que não poderia assumi-la depois devido à Lei.
Seren afastou-se mais ao perceber que o Cavaleiro de Sagita voltava à sala, vestindo roupas normais, uma camiseta simples e calças jeans; nas mãos, sua armadura montada, formando um braço que segurava uma seta.
- Eis minha armadura, senhor Mu, acha que tem conserto? – perguntou o rapaz, aflito.
Antes que o ariano respondesse à questão, Seren de Pyxis despediu-se dos dois cavaleiros e saiu do Templo de Áries, encontrando Kiki no caminho e se despedindo do mesmo. Lá fora, viu que apenas Hyoga de Cisne a esperava, encostado em um pilar.
- Ainda está aí? – ela perguntou ao loiro – Por favor, me diga que seu amigo não vai voltar...
O aquariano deu risada, e aproximou-se dela:
- O Ikki foi até a Casa de Touro falar com o mestre dele; eu fiquei aqui para te dar um toque.
- Sobre...? – Seren estava curiosa.
- Primeiro: não dê confiança a ele que logo ele se esquecerá da picuinha que se formou entre vocês dois; segundo: não mexa com o Shun que tudo dará certo.
- Terceiro...? – ela deu uma risadinha, estava se divertindo com os conselhos do russo.
- Você não leva nada nem ninguém a sério, né? – ele falou em tom blasé, e fez menção de ir embora. Teve seu braço seguro pela garota.
- Poxa, você é a segunda pessoa que vem com esse papo para cima de mim hoje! Quem disse que eu não levo as coisas a sério? Você não sabe nada sobre mim! – a voz dela soava sentida.
Hyoga olhou para ela e ponderou sobre a situação. Concluiu que ela estava certa:
- De fato, desculpe. Gostaria de me conhecer melhor então? – foi direto, encarando os olhos dela, que estavam arregalados sob a máscara.
- Sabe que será uma boa ideia, Hyoga de Cisne? – ela sorriu, acompanhando o cavaleiro de Bronze em uma gostosa e irônica risada.
