Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens são de Masami Kurumada, Toei e Shueisha!
Agradecimentos mil à minha beta-reader querida, Human Being!
Aproveito para avisar que a partir de agora, vou postar todos os capítulos restantes da fic, para completar a primeira parte dela! Espero que curtam a iniciativa!
Boa leitura!
CAPÍTULO 6 - HELPLESSNESS
Afrodite e Maia chegavam ao Décimo Terceiro Templo, andando e conversando calmamente sobre o fatídico treino no qual o mestre da Amazona de Plêiades lhe tirara todos os sentidos. No caminho, passaram pela Sexta Casa e Afrodite quase fizera menção de entrar, mas Maia se recusara. O Cavaleiro de Peixes começou a questioná-la sobre o assunto, e ela afirmou não ter nenhum rancor do mestre.
- Então, por que não fala com Shaka? Ele é uma pessoa difícil, mas quem sabe não precisa apenas de um pouco mais de compreensão? – disse ele.
- Sim, é possível. Mas como se aproximar de alguém que se defende tanto? – ela suspirou.
- Bem, vocês são mestre e discípula, devem ter pelo menos uma relação amigável. E acho que ele gosta de você, apenas é cabeça-dura demais para admitir que você é uma boa amazona.
- Eu não sei. De qualquer modo, por ora estou sob a tutela do mestre Saga. – ela disse, meio triste com a situação.
- Parece que ele está a esperando. – sorriu Afrodite, ao cumprimentar o Cavaleiro de Gêmeos, que se aproximava. – Está entregue, depois conversamos mais.
- Até mais, senhor Afrodite! – a amazona despediu-se, para depois saudar Saga.
- Tudo bem? Encontrou-se com Shaka no caminho? – ele foi direto.
- Não, parece que ele não sai da Casa de Virgem para nada. Estou preocupada, mestre Saga, não quero esse tipo de constrangimento entre eu e meu mestre.
Ele colocou a mão no ombro dela, compreendendo a situação. Estava prestes a dizer algo, quando percebeu a figura de Camus em frente à Décima Primeira Casa, observando os dois. Chamou Maia para dentro do Salão do Grande Mestre:
- Bem, hoje vamos treinar estratégia. O portador da Armadura de Gêmeos deve dominar ilusões com perfeição, mas também deve saber como usá-las... é aí que meu amigo Aster entra.
Na sala, além das mesas em que os Grandes Mestres trabalhavam, havia uma mesa com um tabuleiro de xadrez, e Aster de Altar estava em pé, parado junto da mesa. Ao ver que Maia chegara, cumprimentou-a e indicou uma das cadeiras para ela, que se sentou, cheia de expectativas.
- Maia, você e Aster vão jogar xadrez até eu achar que está bom. Quero que tentem as mais diversas estratégias, não é para facilitar um com o outro. Tudo bem? Qualquer coisa eu estarei ali, trabalhando com o Aiolos, mas de olho. – o geminiano riu, e deixou os dois jogando.
Enquanto isso...
Yuuki de Grou acabava de deixar a Casa de Libra, onde falara brevemente com Dohko - o qual estava ocupado montando um aposento para sua filha adotiva - e estava prestes a descer as escadarias, quando uma ideia formou-se em sua mente; graciosamente, e ocultando seu cosmo, passou pelo Templo de Escorpião, sabendo que seu dono deveria estar na área privativa do mesmo.
Não precisou se preocupar ao passar pela Nona Casa, pois ela sabia que seu proprietário estava no Salão do Grande Mestre substituindo o Cavaleiro de Libra em suas funções; assim sendo, arrumou seu rabo de cavalo alto, que fazia os longos cabelos rosados e ondulados balançarem ao vento.
A amazona caminhou confiante até a Casa de Capricórnio. Assim como sua antecessora, Yuzuriha, Yuuki tinha um belo corpo, sinuoso e voluptuoso. Além da Armadura de Grou, trajava uma curta saia-calça vermelha, um top rosado sem mangas por baixo da armadura, deixando sua barriga à mostra, e um leve e curto colete branco por cima.
Subiu as escadarias que levavam ao Décimo Templo, tomando cuidado para que seu cosmo não fosse percebido. Olhou o símbolo do signo de Capricórnio na fachada do local, juntamente com a figura da cabra Amaltéia, e sorriu por baixo da máscara. Redobrou sua atenção ao entrar, e rodeou a estátua que retratava Athena entregando a Excalibur ao primeiro Cavaleiro de Capricórnio; seus dedos finos tatearam a figura do homem trajado com sua armadura, a mesma que ele usava todos os dias...
Descobriu-se fechando os olhos e tateando o rosto esculpido do primeiro portador da armadura do décimo signo; tentou descobrir alguma diferença entre o rosto deste e o rosto de Shura, e sim, eles eram tão diferentes.
Não se surpreendeu ao perceber o cosmo dele perto de si; ele chegara perto o suficiente para sentir o cheiro dela, mas não ousaria tocá-la enquanto ela não olhasse para ele. Abriu os olhos lentamente, esticando o braço para trás sem se virar, e esbarrando no tronco dele. Subiu a mão devagar, deslizando os nós dos dedos no metal frio da armadura, até chegar ao rosto dele.
Sentiu quando ele capturou sua mão e lentamente, levou-a aos seus lábios, beijando os nós dos dedos, e virando-a para si em um impulso. A amazona o encarou: Shura era tudo o que ela queria em um homem; forte, justo, viril, educado e sedutor. Sua obstinação e determinação em vencer obstáculos e superar-se sempre eram um charme a mais, e ela nunca se enfadava da natureza incansável dele.
- No deberías estar aquí, niña. – ele sussurrou no ouvido dela – Es peligroso.
- Adoro quando você fala em sua língua natal, sabia? – ela disse, sua voz mesclando ternura e sedução.
- Sério? – ele fez uma cara divertida – Eu também gosto quando você fala japonês.
- Hum… deixe-me ver… watashi wa Shura-kun ga daisuki dakara… - ela sussurrou, enquanto ele beijava as pontas de seus dedos, sugando cada uma delas levemente.
- E o que isto significa, minha princesa? – ele se aproximou aos poucos, para tomá-la nos braços completamente.
Ela deu um pequeno sorriso, para então encostar sua testa na dele, enquanto ele a abraçava:
- Quem sabe um dia eu conte para você, itooshi. – disse, levando a mão até nuca dele e fazendo um carinho.
Com um movimento rápido e ágil, Shura pegou Yuuki pelas costas, erguendo-a até que a amazona prendesse suas pernas no tronco dele; encostou-a em uma das pilastras de seu templo, e, fechando os olhos, esperou que ela tirasse a máscara para beijá-lo. Coisa que a moça fez com gosto, encostando seus lábios nos dele apenas para ter seu beijo retribuído com igual intensidade; ele pressionava seu corpo contra ela, encostando-se todo no corpo esguio, agarrando-a com unhas e dentes. Shura gemeu ao senti-la morder seu lábio inferior, puxando-o e sugando-o lentamente; tornou a invadir a boca dela com voracidade, matando a saudade e a sede de amor que sentia em relação àquela menina. Já Yuuki queria que ele abrisse aqueles olhos negros maravilhosos, que sempre se fechavam quando ela tirava a máscara, e voltavam a se abrir somente quando ele tinha certeza absoluta que seu rosto estava oculto novamente.
Os dois estavam juntos nos últimos três meses, e ele nunca havia visto o rosto dela de fato, apenas conhecendo-o pela textura, pelos relevos e sensações que o tato permitia; a japonesa descobrira que as mãos e braços dele eram muito sensíveis, e que provavelmente ele sabia muito bem como ela era, mesmo respeitando o pacto que fizeram ao optarem por aquele relacionamento. Claro que o namoro dos dois era proibido, e ninguém sabia o que se passava entre a Amazona de Prata de Grou e o Cavaleiro de Ouro de Capricórnio; o que ultimamente irritava a garota. Separaram-se por falta de ar:
- Shura… bem que você poderia olhar para mim de vez em quando, amor. Você não sabe como é chato não poder ver os seus olhos quando estamos juntos desse jeito.
Ele a colocou no chão, acariciando os cabelos cor-de-rosa; riu, lembrando-se da vez em que perguntara o motivo pelo qual ela pintava os cabelos daquela cor, antes de começarem a namorar. Ele honestamente esperava uma resposta fútil, mas qual não foi sua surpresa ao ouvi-la falar de seu país, da saudade de casa, e das cerejeiras; Yuuki pintava os cabelos com o tom rosado das flores de sakura, e isso era uma forma de representar e honrar o seu local de origem. Foi a partir desse momento que ele começou a vê-la com outros olhos, e a reparar não somente na sua beleza exterior, que era óbvia, mas também no quão bonito era o seu caráter.
- Amor, você sabe muito bem porque eu não olho para o seu rosto. Segundo a Lei das Amazonas, eu a desonraria, e isso seria a pior coisa do mundo para mim... você sabe, não é?
- Eu sei. – ela fez um muxoxo – Bem que essa lei poderia mudar… se bem que eu não hesitaria em escolher amá-lo, pois já o faço.
- Sim, mas você teria que deixar de ser uma amazona. Você gostaria disso?
- Claro que não, eu me esforcei tanto para chegar onde estou agora. – ela deu um sorriso meio triste – Sei que as máscaras existem para que nós, mulheres, lutemos em pé de igualdade com vocês, homens. Mas é tão injusto… como é possível que nos amar faria mal ao Santuário?
- A questão não é essa, é a tradição. E também o foco. Dizem que essa lei também foi feita para que amazonas e cavaleiros não perdessem o real objetivo de suas vidas, ou seja, defender nossa Deusa.
- Mas se a defendemos todos juntos, isso parece irrelevante. Eu não deixaria de lutar por Athena para salvá-lo de algo, pois confio na sua força, meu amor. Eu lutaria ao seu lado, por ela, e por todos aqui.
Shura sorriu, quase abrindo seus olhos. Encostou o nariz de leve no dela, fazendo um carinho, para depois beijá-la profundamente; Yuuki se arqueou contra seu corpo, e entregou-se ao beijo. Quando o fôlego acabou, voltaram a se separar:
- Eu acredito nisso, princesa; por isso mesmo, vamos cumprir com as nossas obrigações, uma hora a compensação virá.
- Por falar nisso – ela começou – já faz um tempo que reparei que aquela irlandesa, a Amazona de Prata de Apus, não larga de você. O que está acontecendo, Shura?
O cavaleiro afastou-se ligeiramente. Não podia revelar à namorada que era o mestre de Keelin de Apus, e que estavam próximos devido aos treinos dos aspirantes às Armaduras de Ouro. Procurou desconversar:
- Isso é impressão sua, não há nada acontecendo entre Keelin e eu. – ele abaixou a cabeça.
- Já está tratando-a pelo nome, é? Shura, pense bem no que você vai fazer… - ela colocou a máscara, e ele abriu os olhos ao perceber isso.
- Como assim? O que você pretende fazer? – ele desafiou a libriana, que apenas ergueu o rosto e disse:
- Eu? Ora, nós estamos juntos há três meses e em todo esse tempo, você se recusa a ver o meu rosto. Além disso, ainda fica zanzando com outra amazona de um lado para o outro, sabendo que eu não posso fazer nada a respeito!
- Princesa, você está com ciúmes? – ele deu uma risadinha.
Aquilo irritou Yuuki profundamente; a amazona deu às costas a ele, e empinando o queixo, disse:
- Você ainda ousa zombar de mim, Shura de Capricórnio? Pois bem, ande com quantas amazonas você bem entender, agora quem quer um tempo sou eu! – e saiu andando, deixando o espanhol perplexo.
- Yuuki, não faça nada do que possa se arrepender! – ele avisou, antes que ela saísse pela porta de sua Casa.
- Não o farei, Shura – a voz dela estava contida – mas sabe, meu amor-próprio me impede de aceitar certas condições que me prejudicam. Desculpe-me itooshi, mas foi você quem procurou isso.
Assim, ela desceu as escadarias em passos rápidos e graciosos, sem notar os olhares cobiçosos de outros cavaleiros quando passava por eles. Shura não foi atrás dela, sabia que ela precisava se acalmar, a libriana era muito teimosa quando estava com os nervos à flor da pele.
- Princesa... se ao menos você soubesse... – ele suspirou, e voltou para a área privativa de seu templo.
Uma hora depois...
Aiolos e Saga se divertiam ao ver a interação de Maia e Aster jogando xadrez; geralmente os jogadores ficam quietos e compenetrados, mas no caso desses dois, sobrava discussão e palpites sobre as jogadas feitas. Pior que os argumentos de ambos eram tão bons que eles acabavam dando razão um ao outro, entrando em acordo, para depois de algum tempo, voltarem a discutir outra vez.
O Cavaleiro de Sagitário era o que mais se divertia. Comentou:
- Saga, já reparou em uma coisa interessante sobre esses dois?
- Hum? O quê? – o geminiano voltou-se para o amigo, curioso.
- O comportamento dos dois juntos é muito parecido com sua convivência com o Kanon, percebeu?
- Nem me fale uma coisa dessas! – disse Saga, espantado – Eu e Kanon vivemos em uma guerra fraternal velada!
- Sim, mas esse é o jeito de vocês demonstrarem seu afeto um pelo outro, depois que fomos ressuscitados. Sem brincadeira, o jeito desses dois é muito parecido.
Saga observou bem a Amazona de Plêiades e o Cavaleiro de Altar, discutindo novamente sobre um movimento que ele fizera no tabuleiro; além de falarem rápido e gesticularem muito, os dois ainda travavam uma guerra de polegares em cima da mesa e aquilo parecia tão natural que o Cavaleiro de Gêmeos acreditava que eles não haviam se dado conta do que faziam.
- Ahn... realmente, isso é bem estranho! – comentou Saga com o sagitariano – Me lembra um pouco você e o Aiolia também.
- Você quer dizer que eles parecem irmãos? – riu Aiolos – Pelo visto a empatia bateu forte com esses dois!
- De fato. – o Cavaleiro de Gêmeos sentiu-se meio enciumado, embora não soubesse o motivo. – Bem, vou até lá encerrar o jogo, e a discussão também, antes que eles se matem.
Aiolos deu um de seus sorrisos sinceros, enquanto observava aqueles três interagindo, e pensou:
"O mais curioso, é que os três são geminianos..." – e voltou aos seus afazeres.
No dia seguinte...
Cinco cavaleiros e três amazonas de Bronze treinavam com afinco, em duplas, na arena do Coliseu naquela manhã: Shiryu e Ikki testavam seus cosmos ao limite com seus respectivos golpes mais poderosos, Hyoga e Adisa treinavam suas técnicas de ataque e defesa simultânea com o cosmo.
Seiya tentava atacar June com seus golpes, enquanto ela desenvolvia métodos de prendê-lo com seu Chicote do Camaleão; enquanto isso Shun e Ísis duelavam com suas respectivas correntes, mantendo um combate equilibrado até o momento.
Pouco a pouco, alguns cavaleiros de Prata foram chegando, e sentando-se na arena para observá-los; Shiryu reconheceu as figuras de Tony de Lagarto, Adrian de Hércules e Aspira de Perseu por ali, mas logo voltou sua atenção para Ikki ao ouvi-lo comentar:
- E aí, entusiasmado com a chegada da sua namoradinha em breve? – o Cavaleiro de Fênix tinha um sorriso sarcástico.
- Ikki, cuidado com o que você fala – avisou o Dragão – não admitirei qualquer falta de respeito com a Shunrei, ouviu?
- Qual é, Shiryu! Eu estaria feliz no seu lugar, você tem sorte em ter a pessoa que ama por perto! – o tom de voz do rapaz saía ressentido.
O libriano compreendeu; o amigo utilizava-se do sarcasmo para disfarçar sua frustração em não poder ter quem amava por perto.
- Você ainda pensa na... Esmeralda, Ikki? – perguntou Shiryu.
Viu o olhar do leonino se tornar um pouco mais perturbado que o normal, para depois voltar a uma calma resignada, até que Ikki suspirou. Geralmente se fechava em relação ao assunto, mas se tinha alguém com quem falar sobre isso, era o amigo que estava diante de si:
- Sim, claro que penso. Sei que é passado, mas... – ele fez uma careta – foi muito cruel o jeito que ela morreu, assassinada pelo próprio pai! Ela foi a única mulher que eu amei na vida...
- Mas a sua vida não acabou ainda, você tem apenas dezoito anos, Ikki! Tem muito que viver e fazer pela frente!
- Eu sei, eu sei! Cara, com todo respeito, quando a Shunrei chegar, deixa de ser frouxo e aproveita a juventude e o amor de vocês... faça ela feliz... seja feliz... - as palavras dele saíam quase como um desabafo.
Shiryu estava mais vermelho que um pimentão. O amigo percebeu e arregalou os olhos:
- O quê? Vai me dizer que você é virgem, Dragão?
- Você não é? – perguntou Shiryu, de uma vez.
- Claro que não! – Ikki deu uma gargalhada gostosa – Nesse ponto, eu posso dizer que fiz a Esmeralda muito feliz...
- Poupe-me! Eu respeito muito a minha namorada, ela não é uma qualquer! – o libriano estava indignado.
- E quem disse que a Esmeralda era? – Fênix se colocou na defensiva – Isso faz parte do "amar" alguém, dragãozinho. Por mais pura e inocente que seja a sua garota, se ela realmente te amar, um dia irá querer consumar isso de outra maneira... pense nisso, e deixe de ser machista.
Ikki se afastou para beber uns goles d'água, deixando um Shiryu pensativo. Mas, teria ele coragem de tomar alguma iniciativa concreta com Shunrei? Resolveu esperar pela chegada dela e ver como as coisas aconteceriam; de certo modo, ficou feliz por saber que teria alguém com quem conversar sobre isso, e era a pessoa que ele menos esperava...
Hyoga e Adisa finalizaram sua série de exercícios e se cumprimentaram, satisfeitos; o Cavaleiro de Cisne perguntou:
- Adisa, quando será o torneio para sua ascensão à Amazona de Prata? Já sabe que armadura irá pleitear?
- Não, ainda não sei nem de um nem de outro. A mestra Shina anda atarefada demais, ela e Marin querem conversar comigo e a Ísis. Eu estou desconfiada que elas deixarão de nos treinar.
- Mesmo? – o loiro pensou nas nomeações – Não se preocupe, Marin e Shina são muito responsáveis, creio que não as abandonarão à própria sorte.
- Compreendo. De qualquer modo, eu e a loira saberemos o que acontecerá assim que esse horário de treino acabar. Vamos torcer pelo melhor, não é? – ela riu.
- Sim, com certeza. – ele deu um sorriso discreto. – Falando na Ísis, acho que ela está dando uma surra no Shun!
De fato, a Amazona de Cassiopéia não dava folga ao Cavaleiro de Andrômeda naquele momento, e os dois lutavam a sério; ambos tinham arranhões e marcas na pele, onde as correntes do outro os apertaram. Ela agora retrocedera com sua Corrente de Cassiopéia e fazia a pesada estrela de ferro na ponta da mesma balançar, cercando Shun. No entanto, ele resolveu surpreendê-la, e atacou-a diretamente:
- Onda Relâmpago! – com isso, a Corrente de Andrômeda dirigiu-se a ela em alta velocidade, em movimentos de ziguezague, para acertá-la de algum modo. Ísis desviou-se do primeiro ataque, saltou sobre o segundo, tomando distância e arremessando a sua corrente sobre a de Shun, com a estrela envolvendo a mesma em uma espiral.
- Túnel Congelante! – ela disse, e logo a espiral da Corrente de Cassiopéia prendeu a Corrente de Andrômeda, congelando-a no ato.
- Corrente de Andrômeda! – o virginiano disse, e a outra ponta da mesma atacou Ísis, que puxou sua corrente com tudo, enrolando-a rapidamente e fazendo com que entrasse na frente da ponta da corrente de Shun, neutralizando-a.
- Serpente de Gelo! – ela falou, fazendo a Corrente de Cassiopéia serpentear em volta de Shun como uma cobra, esbarrando nele e congelando-o nos pontos em que o atingia. O rapaz levou um golpe forte na mão, derrubando sua arma, o que foi percebido por sua oponente.
Ísis sorria por baixo da máscara, sentia o olhar de todos sobre ela e Shun, e fez com que sua corrente envolvesse o rapaz em toda a extensão de seu corpo. Disse:
- Prisão Glacial! – e com isso, seu cosmo congelante fluiu pela corrente, congelando Shun aos poucos. Ele começava a se debater e a tremer de frio, e estava prestes a pedir ajuda.
Percebendo isso, Seiya e June pararam o que faziam, e a Amazona de Camaleão já esperava que Andrômeda chamasse pelo irmão, quando ele balbuciou:
- Ju-June! Por favor, me ajude... – ele tinha os olhos fechados e sua tez estava arroxeada pelo gelo.
Todos ali olharam para ela, inclusive a Amazona de Cassiopéia, que verificou a intensidade de seu cosmo, será que tinha exagerado e por isso o rapaz estava delirando? Ikki observava a cena pasmo, assim como Seiya e Hyoga, que estava impressionado com a evolução dos poderes glaciais de Ísis. Shiryu apenas olhou para June, que entendeu o recado e se adiantou até os dois.
Estalou seu chicote no chão e utilizou-o para retirar a Corrente de Cassiopéia das mãos de sua portadora, interrompendo o fluxo de cosmo congelante. Ísis estava prestes a reclamar quando percebeu Adisa indicando a ela para que não o fizesse. June deu pequenas chicotadas na corrente que prendia Shun, e esta atendeu ao chamado de Ísis, que a enrolou nos pulsos novamente.
A etíope ajudou Shun a se levantar, e não estranhou quando ele se agarrou a ela em busca de calor, tremendo. Abraçou-o forte, dizendo:
- Não se preocupe, eu vou aquecer você, Shun. Vamos sair daqui. – e assim saiu com o Cavaleiro de Andrômeda apoiado em seus ombros.
Nisso, todos se prepararam para acompanhá-los e se dispersar, mas foram surpreendidos por Marin de Águia, Shina de Cobra, Dohko de Libra e Camus de Aquário.
- Esperem, queremos falar com vocês. – disse Shina – Todos vocês.
- Mas o Shun... – começou Seiya, mas foi interrompido por Dohko.
- Nós estávamos observando vocês, e viemos aqui justamente para conversar sobre esse treino. Poderiam nos acompanhar?
Afastaram-se um pouco da arena, que logo foi ocupada pelos cavaleiros de Prata; June e Shun já haviam saído agarrados um ao outro. Dohko tomou a palavra, encarando Adisa com um sorriso cúmplice, e Ísis com seriedade:
- Meninas, o que diremos aqui é de suma importância, e também é sigiloso, está bem? Posso contar com sua discrição?
Diante da confirmação das duas amazonas, o Cavaleiro de Libra continuou:
- Marin e Shina, assim como seus amigos de Bronze com quem treinaram hoje, são alguns dos aspirantes às Armaduras de Ouro. E por isso mesmo algumas coisas terão que ser reformuladas aqui.
As duas arregalaram os olhos sob suas máscaras, e parabenizaram suas mestras, mas Adisa tocou no assunto que temia:
- Elas não poderão mais nos treinar, não é? – abaixou a cabeça, decepcionada.
- Não exatamente. – manifestou-se Camus – Elas treinarão como aspirantes, mas estarão mais ocupadas com a segurança que com outras coisas. Por isso, Dohko e eu falamos com Athena, e resolvemos designar pessoas que poderão treinar com vocês de forma mais freqüente, e assisti-las melhor que Marin e Shina no presente momento.
- E quem seriam essas pessoas? – perguntou Ísis, afoita.
- Calma, Ísis. – disse Marin – Conversando com Dohko e Camus, resolvemos que seria melhor para vocês, que são nossas pupilas, treinar com os pupilos deles que são dos mesmos signos que vocês. Eles podem direcionar a prática de vocês de modo mais específico, para que vocês disputem as Armaduras de Prata.
As duas estavam mais que surpresas. Adisa tentou arrumar seus pensamentos:
- Isso quer dizer que você e Shina continuarão sendo nossas mestras, mas nossa prática ficará a cargo dos pupilos de Dohko e do senhor Camus?
- Sim. - confirmou Shina – A partir de hoje, você treinará com Shiryu de Dragão, mas se reportará a mim e a Dohko de Libra. E a Ísis treinará diretamente com Hyoga de Cisne, mas se reportará à Marin e a Camus de Aquário.
Ísis sorriu por dentro, tinha grande admiração pelo Cavaleiro de Aquário, agora poderia desenvolver mais seus poderes glaciais, e quem sabe utilizá-los para baixar a bola de certo loiro virginiano... mas por que estava pensando nele mesmo?
"Ah, deve ser por tudo que ele fez nesses últimos dias... mas eu vou fazê-lo sair do sério, ah se vou... hahahaha! Faltam só algumas horas, Shaka de Virgem, só algumas horas..."
Com seus pensamentos voltados para a Sexta Casa, e a euforia das novas notícias, juntou-se aos outros cavaleiros de Bronze, aos cavaleiros de Ouro e às amazonas de Prata ao deixar o Coliseu.
