Disclaimer: Saint Seiya é do Kurumada, e essa fic não possui fins lucrativos!
Avisos: Eu estou postando os capítulos restantes da fic, portanto, agradeço desde já pelas reviews que vierem. O presente capítulo possui hentai, portanto, atenção para o rating da fic!
Agradecimentos à Human Being pela betagem!
Boa leitura!
CAPÍTULO 7 - REVELATIONS
Na Embaixada do Reino dos Mares, Thetis de Sereia preparava-se para seu treino diário de nado e mergulho livre na praia do Santuário; adiantara boa parte de seu trabalho na noite anterior, mantendo comunicação constante com a equipe de soldados que a assessorava nas buscas de pistas sobre o ataque que sofrera.
A dinamarquesa ainda não se conformava com o que ocorrera, e pedira ajuda a Mu para vasculhar em sua mente algo que pudesse levar à identidade de seu agressor. No entanto, somente o vulto negro se revelara, e ela passara a buscar mais evidências físicas nos arredores da praia que ladeava o Santuário.
Também estava aproveitando seus contatos e influência como assessora de Poseidon e Embaixatriz do Reino dos Mares para verificar o paradeiro de grupos de cavaleiros renegados, e confirmar se algum dos Deuses estaria envolvido na presente situação. Ela estava obstinada, e queria logo chegar à raiz do problema para extirpá-lo de vez.
"Mas agora, vou me dedicar um pouco ao meu treinamento! E aproveitar para relaxar a mente também, senão nada funcionará direito..." – pensou ela, terminando de arrumar-se para nadar.
Mal terminou de amarrar seu robe no corpo, deparou-se com Kanon adentrando sua sala, escoltado por dois soldados. Estes evitaram olhar para a moça, entretanto, o geminiano mostrou-se bem interessado no atual estado da comandante marina de Sereia.
- Bom dia, Thetis, como vai? Acabou de acordar? – ele perguntou, com um sorriso maroto no rosto.
- Bom dia, Kanon. – ela colocou as mãos na cintura – Embora isso não lhe diga respeito, estou acordada já faz um bom tempo, estava prestes a treinar lá na praia.
- Quer companhia? – ele ajeitou seu elmo embaixo do braço – Não é bom que se arrisque sozinha por aí.
A loira deu risada, para depois sorrir ironicamente para ele.
- Trouxe notícias de sua casa. E de seu senhor. – ele disse a última sentença com enfado.
- Ora, é mesmo? E como estão as coisas no Reino dos Mares? – ela se interessou, recostando-se à sua mesa de trabalho displicentemente.
- Poseidon assumiu que sente sua falta – ele começou, e viu um brilho nos olhos dela – nunca teve tanto trabalho em colocar sua burocracia em ordem. Os outros Generais Marinas sentem sua falta também, mas admitiram que podem respirar um pouco mais livremente sem sua constante implicância.
Ela olhou para o rosto sério dele, para depois ver um leve sorriso se formar na boca de linhas retas. Deu um tapa no ombro dele, sentando-se sobre o tampo da mesa e o repreendendo-o:
- Pelos Deuses, Kanon, e eu o levando a sério! Você ao menos chegou a conversar sobre o principal assunto da sua ida até lá?
- Claro! Conversamos sobre o ataque dirigido a você, e sobre as investigações. – ele sentou-se em uma poltrona próxima à Thetis – As coisas já estão acontecendo, discretamente, em sigilo. O Senhor dos Mares disse para não se preocupar, e que sendo necessário, ele mandará alguém de lá para ficar aqui com você permanentemente.
- Hum. – ela pendeu a cabeça para o lado – Quer dizer que ele não confia na sua pessoa para cuidar de mim?
- Não acredito que seja isso – ele deixou o elmo no chão – aliás, ele pediu expressamente para me certificar de sua segurança e proteção. Saga cuidou disso enquanto estive fora?
- Sim. Seu irmão gêmeo é uma pessoa muito atenciosa e eficiente, Kanon. Gostei dele. – ela provocou-o.
- Não duvido – ele sorriu – afinal, ele é idêntico a mim.
Thetis deu uma boa gargalhada, era realmente incrível como ele conseguia atravessar todas as defesas dela com aquele humor irônico e ácido. No início, não ia muito com a cara do rapaz, mas aprendeu a admirá-lo ao longo de sua trajetória; e quando soube que ele foi ressuscitado, prontamente perguntara a seu senhor, Poseidon, se reivindicaria a presença do geminiano como General Marina novamente ou se permitiria que ele fosse exclusivo do Santuário de Athena. Poseidon permitira que Kanon ficasse junto ao irmão, mas logo o Deus dos mares e Athena perceberam que podiam beneficiar-se da astúcia, inteligência e diplomacia do rapaz para reforçar sua condição de aliados. Assim, ele foi escolhido para representar o Santuário em missões de cooperação com o Reino dos Mares, e Thetis seria sua contrapartida, passando a viver nas terras da Deusa da sabedoria. E apesar de sua rivalidade inicial, os dois se tornaram bons amigos que viviam se provocando, um implicando com o outro, o que acabara por gerar uma relação interessante entre ambos.
Ele olhava para as pernas bem-feitas da garota à sua frente; por Athena, será que ela sabia o quão atraente e sensual era? Pensando nisso, Kanon distraiu-se, e não reparou que ela agora o olhava atentamente, descobrindo que seu corpo era alvo do olhar do geminiano.
- A vista está boa aí embaixo? – ela sorriu, cutucando-o.
- Sinceramente? – ele começou – Está razoável. Poderia ser melhor, você sabe...
- Kanon! – ela se fez de ofendida – Não é assim que se trata uma dama, pensei que tinha aprendido alguns modos depois da última vez que nos vimos...
Ele se levantou, aproximando-se de Thetis e colocando-se em pé entre as pernas dela:
- Oh, eu me recordo bem da última vez que nos vimos... – ele deslizou as mãos pelos braços desnudos da moça – Se não me engano, foi na reunião anterior à minha convocação como emissário do Santuário, não?
- Exatamente. – ela pousou as mãos delicadamente sobre os ombros dele – Você foi até o Reino dos Mares para os últimos acertos de sua nomeação como representante de Athena. E houve um jantar de comemoração...
- Nós bebemos demais... – ele soltou o longo cabelo dela, que estava preso em um coque – E acabamos fazendo amor no seu quarto...
- A noite toda... – ela sentiu suas madeixas caindo sobre suas costas – Mas aquilo foi um lapso, um impulso, um erro!
- Sim, um grande erro! – ele passou a mão pelo rosto dela.
Em um impulso, os lábios se uniram, fazendo com que os dois suspirassem alto. Nunca em sua vida Kanon admitiria, mas aquela mulher mexia consigo apesar de ser bem mais nova que ele. Não se passara um dia após a "loucura" dos dois que ele não pensasse na bela portadora da escama de Sereia, negando até a morte que se deixara envolver por ela. Por aqueles beijos perigosos. Por aquele corpo sedutor. Pelo calor, perfume e atitude únicos dela...
Thetis agarrou-se às costas largas do rapaz. A escorpiana lembrou-se de que, quando vira Saga após acordar na Embaixada do Reino dos Mares, em nenhum momento considerou a possibilidade de confundi-lo com Kanon. Podiam ser irmãos gêmeos, mas eram tão diferentes em postura e atitude... Saga era mais sério, preocupado demais, aparentando mais os 31 anos que possuía. Já Kanon possuía mais leveza no espírito, e aquele humor que ela odiava e ao mesmo tempo, adorava...
Em pouco tempo, ela o ajudou a se desfazer da escama de Dragão Marinho, que se montou sozinha em um canto da sala. O rapaz usava calças justas e uma túnica por baixo de sua escama, e a dinamarquesa sorriu ao passar as unhas vagarosamente pelas laterais do corpo dele, vendo como Kanon se arrepiava. Perceber quão rendido ele ficava sob suas mãos já a deixava extremamente excitada, e pensando no que gostaria de fazer com ele em seguida.
Kanon agarrou as coxas da loira à sua frente, massageando-as devagar, com movimentos vigorosos; ergueu um pouco o tecido do robe que ela usava ao fazer isso, puxando-a para si e a beijando apaixonadamente. A garota respondeu à altura, colocando suas mãos por baixo da túnica dele e descendo as unhas devagar ao longo das costas. Sabia que ele gostava disso; não sabia explicar, mas seu desejo só aumentava ao perceber o prazer tomando conta do corpo dele aos poucos.
Retirou a blusa dele com cuidado, logo alisando seu tronco definido, sentindo gominho por gominho sob seu toque. Languidamente, alcançou os ombros largos e em seguida acariciou o pescoço dele com uma das mãos, enquanto a outra alisava os longos cabelos, azulados de tão escuros.
O geminiano apreciou o ato, os afagos dela eram carinhosos e ao mesmo tempo, muito sensuais. Segurou a demarcada cintura, alisando dali até os quadris e voltando em seguida. Aproximou-se devagar e a beijou profundamente, alternando com beijos mais leves e suaves mordidas nos lábios. Nisso, passou a desatar o nó que prendia o robe, abrindo o mesmo e percebendo que ela estava usando uma roupa de banho.
- Parece que vai perder seu treino matinal... – ele sussurrou, fitando o maiô "tomara que caia" rosa escuro que ela usava.
- Não tem problema... – ela falava baixo, como quem diz um segredo – Podemos compensar com outro tipo de exercício...
- Tem certeza? – ele mordeu o lóbulo da orelha dela – Se quiser, podemos dar um mergulho noturno mais tarde.
Thetis o encarou e riu, seus olhos de gata observando-o de cima a baixo, percebendo a já evidente excitação do rapaz; encostou seu nariz no tórax dele, passando a ponta do mesmo pela espádua larga, arrancando um suspiro e um gemido baixo dele, que acariciava seus cabelos e suas costas.
Ela o lambeu dos ombros até o pescoço para depois morder a orelha levemente, torturando-o aos poucos. Ele já a agarrava pelos quadris, descobrindo o laço que abria o maiô e o desfazendo sem cerimônia alguma. Thetis tremeu ao sentir a mão dele sobre seu seio, fazendo movimentos precisos e suaves na aréola que a deixavam completamente louca.
A escorpiana afastou-se um pouco dele e terminou ela mesma de despir seu traje de banho, revelando seu belo corpo aos olhos azuis escuros de Kanon; este traçou o contorno de sua cintura com as pontas dos dedos, devagar, sentindo os pêlos loiros da pele macia arrepiarem. Ele ajoelhou-se na frente dela, que estava sentada na mesa, e devido à sua grande estatura, nessa posição seu rosto ficava exatamente na altura que queria para começar a amá-la.
O grego fechou os olhos ao sentir a textura de um dos mamilos dela na boca, pressionando sua língua contra ele e chupando devagar, sua imaginação à toda ao visualizar o semblante de prazer de Thetis naquele momento; os gemidos dela vieram aos poucos, enchendo o ambiente e fazendo com que ele regozijasse de alegria ao lhe dar prazer. Deu a mesma atenção ao outro seio, contornando o umbigo da moça com um dos polegares, enquanto com o outro, alcançava seu ponto feminino mais secreto. Ela estremeceu sob o toque dele, agarrando seus cabelos e enlaçando o tronco do rapaz com as pernas; pelos mares, como era possível que ele a deixasse em tal estado de entrega? Logo ele, a pessoa mais improvável que poderia imaginar. Lembrou-se de como ele a provocara na primeira noite dos dois, trazendo à tona sua paixão não correspondida por Poseidon; riu internamente:
"Como é tolo... mal sabe ele que, desde aquela noite, meu corpo desejou apenas o toque dele, e minha mente só conseguia voltar àquela madrugada que passamos juntos..."
Thetis levantou o queixo do rapaz, encarando seus olhos azuis, turvos de prazer e de desejo, o que a fez gemer involuntariamente, puxando-o para cima novamente e retirando o que sobrava das roupas dele com urgência. Assim que terminou sua tarefa, admirou o corpo masculino em sua plenitude, e mordeu o lábio inferior.
"Pelos mares, como eu o quero! Preciso tê-lo, senti-lo, apertá-lo dentro de mim... ah!" – pensou ela, deixando a paixão tomar conta de si.
- Kanon... – gemeu – Me beije...
- A senhorita é quem manda... – ele tomou o queixo dela com suavidade, e a beijou.
Os lábios e línguas se movimentavam por vontade própria, e os dois se perderam no calor e no corpo um do outro, acariciando-se e provocando-se mutuamente com os dedos, com as mãos, e com a boca. Ambos gemiam e diziam palavras desconexas, rindo baixinho ao curtirem a cumplicidade que sentiam ao estar juntos.
Súbito, ele a pegou no colo e sentou-se na poltrona onde estava previamente, deixando que ela se acomodasse ao sentar sobre ele; levou uma mão à nuca da moça, trazendo-a para mais um beijo, antes de perguntar:
- Você está se cuidando? – foi direto ao assunto.
- Mas é claro. – ela respondeu. – Você está se precavendo?
Kanon apenas deu um sorriso maroto e ambíguo; desde que se deitara com a mulher sobre si, nunca mais tocara o corpo de nenhuma outra pessoa, mas ela não precisava saber disso. Confirmou com um aceno de cabeça, e cumpriu sua obrigação em proteger-se. Trouxe-a novamente para si, e sussurrou:
- Você é tão linda... minha sereia... – os olhos dele brilhavam.
Thetis não resistiu e o beijou, encaixando os corpos no processo; ambos gemeram alto, agarrando-se mutuamente, e começando a movimentar-se, lânguida e profundamente. Kanon apertava a cintura dela, guiando o balanço do corpo feminino que ele tanto desejava; ele também erguia o corpo, chocando-se contra ela, alternando movimentos mais curtos e rápidos com outros mais longos e lentos.
A dinamarquesa o agarrava pelo pescoço e costas, arranhando-o, mordendo-o, prendendo o tronco dele com suas pernas e apertando-o; intensificou seus movimentos contra ele, apertando sua musculatura e fazendo-o gemer. Ambas as respirações eram ofegantes e intensas, e ele passou a dizer o que sentia no momento no ouvido dela, fazendo-a corar e excitar-se ainda mais. Ela passou a ondular sobre ele, aumentando a profundidade de suas investidas, enquanto o beijava até perder o fôlego; Kanon já estava ficando mais do que louco, sentia que perderia o controle a qualquer momento, por isso resolveu inverter a situação a seu favor. Fez com que Thetis parasse o que estava fazendo, e a colocou de costas para ele, sentada em seu colo.
A moça ficou confusa, mas logo era invadida por ele novamente, e ele ia bem devagar, mordendo sua orelha e apoiando o queixo em seu ombro; ela sentiu quando ele alcançou a junção entre suas pernas com os dedos, acariciando o botão mais sensível de sua intimidade.
- AH! Kanon! Isso é covardia! – ela derreteu-se, enquanto ele começava a se mover mais rápido, ao mesmo tempo em que a tocava.
- Não, minha sereia... – a voz dele era suave e sensual – Isso é o paraíso...
E assim recomeçava a tortura verbal do rapaz sobre a loira em seu colo. Ele gemia, lambia e mordia a orelha dela enquanto sussurrava palavras de encorajamento aos movimentos que ela fazia sobre si, além de elogiar sua beleza e feminilidade, e enfatizar o quão louco ele ficava ao fazer amor com ela. Expressava suas fantasias, suas vontades, e a incentivava a ir mais fundo, mais rápido, enquanto sua mão ainda trabalhava no ponto sensível da garota, rápida e freneticamente.
Ambos gemiam, gritavam e se afundavam nas crescentes ondas de prazer que se formavam. Thetis beijou a boca dele sobre seu ombro, apoiou as mãos nos braços da poltrona e aumentou a profundidade e velocidade de suas investidas; ele segurou os quadris dela com força, ajudando-a nos movimentos, cada vez mais fluidos, espontâneos e profundos, até que ambos foram dominados por um prazer imenso, que os arrastou a uma queda gradual de consciência, ao mesmo tempo ampliando-a e intensificando os espasmos que tomavam seus corpos de assalto.
Ela gritava o nome dele a plenos pulmões, arranhando os braços e ombros de Kanon como podia; ele sentia-se contrair e relaxar, derramando a semente de seu prazer com um rouco gemido de alívio, o qual consistia no nome dela. Abraçou-a, respirando fundo e cobrindo o pescoço dela de beijos. Thetis tinha a respiração pesada, estava esgotada, mas muito feliz e satisfeita.
Ela o espiou sobre seu ombro, e riu ao ver a cara de fascínio e satisfação do rapaz; encostou-se no tórax dele e fechou os olhos, deixando que o ritmo acelerado dos corações de ambos se unificasse, acalentando-os e embalando-os depois daquele ato. Estava quase dormindo, quando o ouviu chamá-la:
- Minha sereia, que acha de sairmos daqui? Você precisa descansar. – a voz dele era carinhosa.
- Somente eu? – ela riu, baixinho – Está bem, vamos até o meu quarto...
- Vamos deixar a sala desse jeito? – ele perguntou, incrédulo, enquanto ela se levantava do colo dele.
- Ué, qual o problema? Ou o grande Kanon de Dragão Marinho, também conhecido como o Segundo Cavaleiro de Gêmeos, tem medo de ser descoberto? – ela brincou.
- Certamente não. – ele ficou sério ao se ajeitar e recompor – Na realidade, não quero vir a prejudicá-la.
Thetis sorriu para ele, e pegou sua mão, fazendo um carinho nela. O encarou profundamente, e disse, confiante:
- Eu não tenho vergonha de você, da nossa diferença de idade ou do que fazemos juntos. Isso não diz respeito a mais ninguém. Ainda mais porque não sou uma das amazonas de Athena. Tudo bem assim?
Kanon estava sem palavras. Mais uma vez, ela o surpreendera; balançou a cabeça enquanto ela o levava até seu quarto, ambos andando nus pela casa. Nesse momento, o cavaleiro teve certeza que aquela mulher tinha muito potencial para ser sua companheira ideal.
Shaka de Virgem encontrava-se na área privativa de sua Casa, meditando e jejuando. Seu cosmo se expandia à medida que aumentava sua concentração, mas logo sua atenção era perturbada por seus pensamentos, o que se tornara recorrente desde a discussão que tivera com Saga de Gêmeos há uns dias atrás.
Ele não sabia quanto tempo havia se passado; continuava cuidando de seus outros discípulos, mas ao notar que Maia nunca mais voltara a falar com ele desde o treino na arena do Coliseu, sentiu-se estranhamente sentido: Sua razão e lógica diziam que fizera o certo ao forçá-la a mostrar seus alter egos. Afinal, como esperavam que ajudasse a aspirante à Armadura de Gêmeos a reconhecer suas fraquezas mentais e espirituais, impedindo que fosse corrompida por alguma parte maligna de sua mente?
"Saga, aquele hipócrita, ele mesmo sofreu com o resultado de sua dupla personalidade... e Maia não tem um, mas DOIS alteregos! Era minha obrigação saber o que eles são capazes de fazer e como podem influenciá-la!" – pensava o virginiano, tenso.
As memórias daquela manhã de treino passaram por sua mente, e focaram-se na atuação da Amazona de Plêiades durante a luta com Camus; Shaka notou que ela não queria machucar o aquariano, apenas revelando suas verdadeiras habilidades quando se sentiu encurralada pelos poderes glaciais do francês, e pela privação de sentidos à qual ele mesmo a submetera.
"Pelo menos ficou claro que ela não tem obsessão pelo poder, e também não é arbitrária; ela estava na mente do homem mais reservado do Santuário e não teve intenção de desvendar o inconsciente dele! O que de certo modo, é muito bom, ela respeita as pessoas." – Shaka montava um quebra-cabeça interno.
De repente deu uma risada breve e irônica, relaxando e diminuindo seu cosmo; desistiu de meditar, sua alma e mente estavam perturbadas e nem o jejum de dois dias o estava ajudando a manter o foco. Passou a mão pelo rosto, enxugando o suor que se acumulara na testa ao forçar sua concentração, e demorou-se um pouco nas pálpebras fechadas, massageando-as. A voz de Saga veio à sua mente:
"Para o homem mais próximo de Deus, você precisa aprender a respeitar os seres humanos que deveria defender. Você me decepcionou, Shaka."
Sim, ele deveria aprender a ler melhor as pessoas não apenas em batalha, mas em seu cotidiano; evitando problemas, constrangimentos e situações como a que ele mesmo criara. Afastou-se de tudo e de todos desde aquele dia, não por receio das consequências de seus atos ou da reação dos outros, mas porque de certo modo tinha vergonha de como agira, e precisava repensar tudo o que havia acontecido.
Despertou de seus pensamentos ao ouvir passos na entrada do Templo de Virgem; espantou-se ao ver a figura da Amazona de Cassiopéia se aproximando, com passos decididos e fortes. Admirou a persistência da garota; ele a testara e fizera de tudo para mostrar um de seus piores lados para ela – o crítico – e mesmo assim ela não desistira de cumprir seu castigo ao cuidar do Jardim das Árvores Gêmeas.
O indiano deu um leve sorriso. Fazia pouco tempo que ela frequentava seu templo, quatro vezes por semana, mas o jardim adaptara-se à alma dela quase que instantaneamente. Não gostara de vê-la se balançando nas árvores sagradas, mas a pureza de intenção e pensamento dela no momento nutrira as mesmas tão profundamente que quando meditara embaixo delas depois, ele pôde sentir toda a paz, segurança e liberdade que ela mesma sentira naqueles poucos minutos em que ficara ali. Uma sensação mágica; e todos os dias que ela vinha, cumpria o trato de cuidar bem do jardim, falando com as plantas, com as árvores, regando-as, lendo histórias de livros e poesias, contando suas lembranças, experiências. Muitas vezes, ouvira a risada clara e limpa dela enquanto meditava no Templo com uma de suas pupilas; e isso trazia à Sexta Casa uma vibração diferente, como se ali realmente pudesse haver algo mais que somente calma.
Para Shaka, aquilo era totalmente surreal, tanto ou mais que as ilusões que criava para confundir aqueles que pudessem invadir seu templo. Curiosamente, desde que voltara à vida não retirara mais as ilusões da área comum, onde qualquer pessoa que ali entrasse pudesse ser surpreendida por elas.
"Eu mantive meus próprios aliados afastados o tempo todo... não estamos em guerra, então por que eu continuo fazendo isso?" – ele ponderou, enquanto levantava-se e caminhava ao encontro de Ísis.
Parou em frente a ela no corredor principal, que levava à área privativa, mas devido à máscara não percebeu que ela estava distraída. Ísis repassava seu plano em sua mente: primeiro cumpriria suas obrigações, depois se divertiria; estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu o loiro à sua frente, parando de andar apenas ao esbarrar com um peitoral forte e semicoberto pelo sári que ele usava.
A garota encarou o tórax do loiro, que para evitar que a mesma caísse a segurou pelas costas junto a si; Ísis sentiu-se corar, até que ouviu a voz dele:
- Você está bem, Cassiopéia? – a voz mostrava certa preocupação.
- S-Sim, senhor Shaka. E por favor, me chame de Ísis, sinto-me uma estranha quando não me chamam pelo meu nome. – ela se recompôs.
- Certo, Ísis. – ele a ajudou a estabilizar o corpo – Vamos até o jardim? As árvores sagradas estão sentindo sua falta.
"Somente elas?" – a garota pensou, logo balançando a cabeça em negativa – "Mas que porcaria de pensamento foi esse?"
Logo entravam no Jardim das Árvores Gêmeas, e ela deixou a pequena bolsa que carregava na grama, retirando um livro dela e sentando-se embaixo das árvores. Ele a fitava de olhos fechados, o que fez com que a amazona perguntasse:
- Hum... está tudo bem, senhor Shaka?
- Ah, sim! – ele parecia sair de um transe – Voltarei para minha meditação, se precisar de algo, basta me chamar pelo cosmo.
Com isso ele saiu, e ela pôde refletir melhor:
"Ele parecia meio abatido... será que devo prosseguir com meus planos? Eu não sei... vou esperar mais um pouco e conforme for, eu colocarei minhas ideias em prática!"
Ao voltar para o corredor principal, Shaka passou a refletir na aura da Amazona de Cassiopéia: ela parecia um pouco tensa, como se houvesse um conflito acontecendo em seu interior; conversaria com ela sobre isso depois, quem sabe não poderia ajudá-la? Nisso, o Cavaleiro de Virgem percebeu que alguém entrava em sua Casa; sorriu ao ver a conhecida figura de Afrodite de Peixes:
- Ora, não esperava sua visita, Afrodite! Como vai? – o virginiano foi até o seu amigo.
- Eu estou bem, Shaka, mas estou preocupado com você, simplesmente não saiu mais desse templo! O que está havendo? – o pisciano colocou uma mão sobre o ombro do outro.
- Não é nada, apenas estou tentando retomar a concentração – ele disse, um pouco desconfiado – não precisa se preocupar comigo.
- Mesmo? Soube que Saga veio até aqui e foi bem duro com você. Tudo por causa da Maia, não é?
Shaka não soube bem o que responder, mas sabia que tinha que ser cuidadoso ao conversar com o Cavaleiro de Peixes. Afrodite não tocaria nesse assunto à toa, e por mais consternado que ele parecesse, o indiano sentia que havia algo estranho ali.
- Acredito que sim, mas isso não vem ao caso. Eu fiz o que era necessário em relação à Amazona de Plêiades. E ela é minha discípula, ele não tinha o direito de simplesmente tomar a tutela dela de mim, considerando que a própria Athena me designou para ser mestre dela.
- Entendo. Por que não vai falar com ela então? A moça está chateada pela atual condição da situação entre vocês, acredite.
Shaka pareceu ponderar a situação. Mas o que Afrodite tinha a ver com isso? Que interesse ele poderia ter nessa história? Resolveu questionar:
- Pode ser, mas por que você está me contando isso, Afrodite? – foi direto.
O sueco deu um meio sorriso, para então dizer:
- Só gostaria que essa situação constrangedora acabasse. E algo me diz que Saga de Gêmeos está mais envolvido por aquela moça do que quer aparentar.
- Como assim? Está dizendo que... – o indiano relutou.
- Não tenho certeza, mas da minha Casa, sempre vejo quando ele vai recebê-la pessoalmente na entrada do Décimo Terceiro Templo, ou quando a escolta até ali para vê-la ir embora.
Shaka fez uma cara de desgosto, se esses eram os reais motivos de Saga para afastá-lo de sua discípula então ele deveria fazer alguma coisa; mas isso implicaria em pedir desculpas a ela e voltar atrás em suas resoluções.
- Bem, não posso fazer nada no momento, Afrodite. Mesmo se eu quisesse. – falou, com ar superior.
- Uma pena, meu caro amigo. Bem, vou voltar aos meus afazeres, com licença.
Com isso, o sueco foi embora, e Shaka voltou à sua meditação. Respirou fundo e concentrou-se, estava finalmente começando a elevar seu cosmo, quando foi interrompido pelo som de uma música muito alta. O virginiano levantou-se, surpreso; na realidade a música estava altíssima, e parecia que vinha de seu próprio templo.
"Mas isso é impossível, a não ser que..." – apressou-se até o Jardim das Árvores Gêmeas.
Lá chegando, quase abriu os olhos ao ver Ísis de Cassiopéia dançando animadamente na grama, bem embaixo das árvores sagradas, e cantando a plenos pulmões:
- 'Cause everybody is living in a material world, and I, I'm a material girl! You know that we are living in a material world, and I, I'M A MATERIAL GIRL! (1) - a jovem ria ao final do refrão.
Shaka sentiu seu coração faltar uma batida; a moça usava um macacão jeans estilo jardineira curto, e toda vez que ela se mexia, o short do mesmo parecia subir. Ela estava claramente se divertindo, mas aquela música alta, e com aquele refrão totalmente conivente com o materialismo do mundo atual, tiravam a toda a harmonia de seu sagrado jardim.
Andou a passos largos até onde ela estava, abriu o pequeno toca-fitas portátil que ela levara até ali, e retirou a fita cassete (2). Ísis parou de dançar e cantar imediatamente, e disse, fingindo indignação:
- Ah, por que você tirou a música? Saiba que estava divertido!
- Mocinha, como você pensou que ao trazer as músicas dessa tal de Madonna – ele leu o nome da cantora na fita – para este jardim poderia ajudar a manter a harmonia daqui? Diga-me, o que você tem na cabeça?
- Ah, esqueci que você não gosta de se divertir. Que prefere se isolar do mundo e se fazer de vítima ao invés de admitir que errou feio com alguém, mesmo essa pessoa sendo a sua própria discípula! – ela o acusou diretamente.
Shaka abriu os olhos em um ímpeto, e com isso liberou seu cosmo; antes que pudesse evitar, a amazona a sua frente foi empurrada até uma das árvores com a força da energia liberada. Ele foi até ela, abaixando-se ao seu lado para ver se ela estava bem. Mas antes que tocasse na garota, ela segurou sua mão, dizendo:
- Será que você não consegue perceber? Essa sua teimosia, orgulho e criticismo só atrapalham a você mesmo... não se trata da Maia, de mim ou de qualquer pessoa... mas de você mesmo...
- Por que está me dizendo isso? – ele a encarava de perto – Do que você sabe?
- E-Eu – ela sentiu-se intimidada pelo poder que via nos olhos dele – ouvi sua discussão com o senhor Saga, e sua conversa com o senhor Afrodite. Não foi por mal, mas...
- Ah – ele a interrompeu – agora se tornou uma garota bisbilhoteira, senhorita Ísis?
- Não, Shaka. – ela fez questão de chamá-lo apenas pelo nome – Na realidade, eu estou tentando te ajudar, mas se você é tão tirano que não consegue perceber o mal que faz a si mesmo e aos outros, eu vou embora agora mesmo, e não piso mais aqui.
- Não faria isso, você tem um castigo a cumprir! Aliás, é esse comportamento que faz com que você seja punida! – ele disse, indignado.
- Não, é esse comportamento que me faz ser eu mesma. Pense nisso, ou prefere se prender em seus próprios erros para sempre? – ela colocou a bolsa no ombro, e fez menção de sair.
- Você não sabe nada a meu respeito! Não me conhece direito! – ele disse.
- Você nunca me deu oportunidade para isso. – havia certa tristeza na voz dela – Adeus, não irei importuná-lo mais.
Com isso, a Amazona de Cassiopéia saiu correndo da Sexta Casa, mas ao invés do orgulho que pensou que sentiria ao dar uma lição no poderoso Shaka de Virgem, seu coração doía, e ela sentia vontade de chorar. Mas nem ela mesma sabia o motivo disso.
Notas:
(1) Trechinho de "Material Girl" da Madonna, que a Ísis cantou em um local tão espiritual, só para provocar o Shaka.
(2) Fita cassete, sim, pois esta fic se passa nos anos 80, portanto, nada de CDs na época.
