Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, e sim a Masami Kurumada!

Novamente, agradeço muito à Human Being pela betagem dessa fic!

Boa leitura!


CAPÍTULO 8 - TO BE BETTER


Maia saíra do Salão do Grande Mestre após mais um treino de xadrez com Aster de Altar e agora se dirigia até a biblioteca do Santuário para continuar suas pesquisas. Adentrou o local e foi saudada por Danae, seguindo o caminho até o salão principal de leitura.

Qual não foi sua surpresa ao vê-lo ali, em uma das mesas, compenetrado no que lia. Pensou em passar direto, sentia que ele estava meio distante em relação a ela desde que lutaram na arena e ela entrara na mente dele, mesmo que somente para se defender. Pelo visto ele não gostara do ocorrido, pois desde então, mal se encontravam ou conversavam.

Subiu direto a escada que dava para um pequeno mezanino com mesas individuais de leitura, bem menores que as do andar de baixo. Sentou-se junto à mesa onde estavam todos os livros que usava no momento, e suas inúmeras anotações. Curiosamente, dali ela podia enxergar perfeitamente a figura do Cavaleiro de Ouro de Aquário, o qual aparentemente não se dera conta da presença dela na biblioteca.

"Afinal de contas, por que raios ele chama tanto minha atenção? E por que eu sinto uma vontade imensa de conversar com ele por horas, saber mais ao seu respeito, e eu me sinto esquisita desse jeito? Isso é ridículo! E ele é um Cavaleiro de Ouro! O futuro Grande Mestre de Aquário!" – ela se reprimia por dentro.

"Ele ainda é humano" – dizia Attargatis, em seu interior – "Feito de carne e osso. E que carne, hein? Hehehehehe!"

"Attargatis, deixe-a em paz! Não é para isso que viemos até aqui!" – ralhou Bella com sua companheira.

"Parem as duas, eu quero me concentrar!"- pensou a Amazona de Plêiades, ao abrir um livro e entregar-se às suas pesquisas.

Passou-se um tempo e volta e meia ela espiava o andar de baixo, reparando no perfil de Camus; descobriu que ele fazia um leve biquinho ao concentrar-se na leitura, suavizando um pouco o rosto geralmente inexpressivo. As sobrancelhas permaneciam arqueadas, e ela descobriu que achava isso um charme na figura masculina dele.

Balançou a cabeça em negativa, e passou a anotar algumas coisas, quando percebeu uma referência nova que precisava. Levantou-se e desceu a escada, passando pela mesa onde ele estava ao se dirigir às estantes de livros.

- Boa tarde, senhorita Maia. – a voz grave lhe atingiu os ouvidos.

- Boa tarde, senhor Camus. Mas pode me chamar somente de Maia, sinto-me mais à vontade assim.

- Maia. – ele disse, como se avaliasse o som do nome dela saindo de seus lábios – Como você está?

- Bem, obrigada, e o senhor?

- Muito bem, obrigado. O que você tanto pesquisa ali em cima? – ele apontou para a mesa onde ela estava minutos antes.

- Eu... estou pesquisando sobre as características da Armadura de Gêmeos, e o que preciso saber para me tornar... o senhor sabe... a futura portadora dela.

- Pois bem, acredita que pode aprender mais sobre isso aqui do que na arena? – o sorriso dele era discreto e desafiador.

- Não – ela tinha vontade de rir – mas para chegar à prática, devo analisar a teoria... e todas as minhas possibilidades também, não concorda?

- De certo modo você está certa. Mas deve voltar a praticar com Shaka, sabe disso, não?

- Eu sei. Mas o mestre Saga quer que ele me peça desculpas antes. – ela falou em tom desanimado.

Camus deu uma leve risada, e disse:

- Vai soar meio rude o que vou dizer – ele arqueou a sobrancelha – mas Shaka é orgulhoso demais para pedir desculpas a qualquer pessoa. E creio que Saga não é a pessoa mais indicada para treiná-la.

- Realmente? – ela se aproximou dele – E por que não?

Ele se remexeu na cadeira, um pouco incomodado, e a fitou diretamente:

- Sei que ele se redimiu de todos os seus erros e admiro muito seu comprometimento com Athena e o Santuário, mas não sei se ele tem a estabilidade necessária para assumir a tutela de uma amazona com os poderes cósmicos que você tem.

- O senhor se refere a entrar na mente alheia em combate, ou... da outra coisa?

- Falo da outra coisa. Saga teria muitos conselhos a lhe dar, mas não teria como prepará-la para lidar com isso apropriadamente. Ele mesmo passou por um treinamento específico com Shaka para sempre manter o controle sobre o outro lado dele... se é que você me entende.

- Compreendo, senhor Camus, e agradeço pela sua preocupação. Vou tentar encontrar alguma solução.

- Acredito que sim, Maia. – ele deu um meio sorriso – Agora, se me dá licença, preciso ir.

- Errrr... senhor Camus, o senhor está chateado pelo que aconteceu aquele dia? Sabe, eu ter entrado em sua mente...

Ele levantou-se e a encarou, o rosto inexpressivo. Parecia considerar a pergunta dela; Maia nunca ficara tão ansiosa em receber a resposta de uma pergunta.

- Claro que não, você estava apenas se defendendo. Mas são águas passadas, vamos deixar isso para lá, está bem?

Ela concordou e sorriu por baixo da máscara; o cavaleiro despediu-se, e ela foi atrás do livro que precisava, inexplicavelmente feliz.


Enquanto isso...

Nesse meio tempo, Saga despedia-se de Aiolos na entrada do Salão do Grande Mestre, e estava voltando para sua sala, quando ouviu uma voz bem conhecida atrás de si:

- Boa tarde!

- Boa tarde, Kanon. – o Grande Mestre voltou-se para encarar seu gêmeo – Só agora que você chegou ao Santuário?

- Não, claro que não. Cheguei faz um tempinho, mas passei no Templo de Gêmeos para deixar minhas coisas por lá, tomar um banho, você sabe.

- Sei. – disse Saga, com um sorriso sarcástico – Não minta para mim, alguns soldados me disseram que viram você chegando há algumas horas atrás...

Kanon bufou, e seguiu o irmão até o salão principal, onde Saga sentou-se em um dos degraus que levavam ao antigo trono de Grande Mestre; Kanon ficou em pé diante dele, e disse:

- Por que não se senta ali?

- Você sabe muito bem o motivo. Eu jurei nunca mais me sentar naquele trono. – disse Saga, contrariado.

- Não era você quem estava ali, mas sim o Ares. Você sabe bem disso. Quando finalmente irá se perdoar?

- Você já se perdoou, Kanon? – o semblante do primeiro Cavaleiro de Gêmeos era irônico.

- Sinceramente? Já. Passei pelo julgamento de Milo de Escorpião, e com isso ganhei o direito de usar esta armadura que está em seu corpo. E mais: se você ou eu não fôssemos dignos de usá-la, ela não teria aceitado nenhum dos dois. Sabe como as armaduras se negam a servir a portadores escusos.

- Tem razão. Mas sabe, nunca ser eu mesmo foi tão difícil. – o mais velho suspirou.

- Acho que você se preocupa muito por pouco; alguma vez ele voltou a se manifestar? – o semblante do mais novo era sério.

- Não, nunca mais, graças à Athena. E ao Shaka. Ele me guiou dentro da minha própria mente e me ajudou a aprisionar o que restava do Ares.

- Quando nos enfrentamos durante a Guerra Santa, e você, Camus, Shura, Afrodite e Máscara fizeram aquele teatrinho todo, você já tinha eliminado quase todos os vestígios do Ares em sua personalidade.

- Pois é, Kanon. Sei que após a queda do Muro das Lamentações, minha ressurreição e tratamento, tudo está bem. Mas ainda tenho um pouco de receio de mim mesmo.

- Esta acaba se tornando sua maior fraqueza, e uma brecha. E brechas servem para serem aproveitadas pelo inimigo. Se necessário, fale com Shaka. – Kanon colocou uma das mãos sobre o ombro do gêmeo.

- Agradeço a preocupação – Saga colocou a mão sobre a do irmão – mas no momento, eu e Shaka temos uma pequena... controvérsia.

- Saga, por acaso está falando de Maia, a Amazona de Prata de Plêiades? Fiquei sabendo da situação, e...

- E quem foi a sua fonte? Por acaso seria a senhorita Thetis de Sereia?

Kanon suspirou fundo. Às vezes, era meio difícil conversar com Saga, mas precisava ter paciência com o irmão gêmeo.

- Sim, foi a Thetis quem me disse, quando conversei com ela mais cedo.

- Hah – zombou Saga – algo me diz que vocês fizeram bem mais do que somente conversar...

- E se for isso mesmo, Saga, o que você tem a ver com isso? – Kanon encarou o irmão, sério.

- Você está louco, seu irresponsável? Além de ser a emissária do Deus dos mares, ela é uma garota de 18 anos, sendo você um homem de 31!

- Não vejo problema, irmão. - Kanon acentuou a ironia em sua voz na última palavra.

- Não vê? Como assim não vê? Ela é uma menina perto de você! Fora que isso pode causar uma crise diplomática!

- Ah, deixa de exagero.

- Exagero não! Aliás, agora me diga, para quê isso? O que é que você está tramando?

- E por que é que eu tenho que estar tramando alguma coisa para estar com ela? - Kanon colocou a mão na cintura, parecendo genuinamente irritado.

- Porque você é um homem, e ela é uma menina que pode não saber no que está se metendo!

- Saga, ela é madura o suficiente para saber o que está fazendo! Eu não a forcei a nada! O que é isso, então eu não posso estar com uma pessoa de quem eu goste?

O mais velho dos gêmeos arregalou os olhos, surpreso. Seguramente isso foi o mais próximo que já vira o irmão de admitir gostar de alguém sem outros interesses envolvidos - algo que ele não o julgava capaz.

- Escute aqui, eu não quero escândalos referentes a essa situação! A reputação do Santuário está em jogo, e não se esqueça que ainda temos que descobrir quem a atacou!

- Ah, mas não se preocupe. Nós vamos descobrir, todos estão trabalhando para isso! A propósito, sobre essa tal reputação, você deve estar mais queimado que eu!

- Como é? Do que está falando? – Saga parecia confuso.

- Todos estão falando do mal estar que você impôs entre Maia e Shaka, e que assumiu pessoalmente a tutela da garota, mesmo Athena a colocando sob os cuidados do nosso amigo indiano!

- E você acha certo o que ele fez? Shaka é um cavaleiro com poderes tão grandes quanto os meus; ele não precisava agir daquele modo! Ela estava lutando contra Camus, privada de todos os sentidos!

- Entendo sua indignação – Kanon suspirou fundo – ainda mais ela sendo uma das aspirantes à Armadura de Gêmeos. Mas isso faz com que você esteja treinando quatro discípulos, e ainda exercendo a função de Grande Mestre...

- Por acaso está insinuando que estou agindo somente pelo orgulho? – Saga olhou atravessado para o gêmeo mais novo.

- Não. Mas se acha que meu relacionamento com Thetis pode escandalizar o Santuário, saiba que o que andam falando de você e da Maia tem o mesmo potencial... se não maior.

- Pouco me importa o que digam. Apenas quero que Shaka aprenda alguns limites. E sobre a Amazona de Plêiades, confesso que simpatizei com ela sim; é divertida, inteligente, irônica, gostei dela.

- Ela tem apenas 18 anos, e você é um homem de 31. – Kanon riu, sarcástico. - Ela pode não saber no que está se metendo...

- Eu realmente não posso conversar nada íntimo com você, não? – reclamou Saga.

- Estou brincando, não resisti. E realmente não me importo, se você estiver gostando da garota de fato. Eu tive a chance de conhecê-la, é uma boa moça. Só não vá fazer besteira.

- Eu evito fazer esse tipo de coisa há muito tempo. - Saga fez um muxoxo. - Mas você está certo, devo parar de fazer penitência por pecados pelos quais já paguei.

Kanon sorriu e ajudou o irmão a se levantar; colocou a mão no ombro de Saga, o qual fez o mesmo com seu gêmeo, e ambos acenaram com a cabeça, um para o outro. Nisso, Camus de Aquário entrou no salão, carregando algumas pastas:

- Boa tarde. – ele cumprimentou os gêmeos - Saga, eu trouxe aqueles registros que me pediu para analisar mais cedo.

- Tudo bem, Camus. Depois continuamos essa conversa, Kanon! – o mais velho afastou-se, levando o Cavaleiro de Aquário consigo.

O gêmeo mais novo os observou ao longe, e apenas sorriu de lado ao pensar na situação toda.


Durante a noite, após o jantar, duas amazonas se dirigiram ao mirante na parte leste do Santuário. Uma delas era a Amazona de Prata de Cães de Caça, e a outra, a Amazona de Prata de Centauro.

- Ruby, você deveria largar de ser boba, sabia? – Keira chamava a atenção da amiga.

- Você não é a primeira pessoa a me dizer isso. Mas eu estou bem, de verdade, Keira. Vocês realmente deveriam parar de me perturbar com isso.

- Eu fico preocupada com essa sua paixonite pelo senhor Aiolos; sério, da última vez que saímos, você nem quis conversar com aquele rapaz que estava tentando chamar sua atenção!

- Justamente porque ele não conseguiu seu intento. Eu estou bem em relação a essas coisas, já me diverti demais! Deixe-me curtir em paz o que sinto pelo Aiolos! – a jovem aproveitou sua raiva no momento para liberar bolas de fogo pelas mãos, com o cosmo.

- Amiga, meu medo é que você deixe de gostar de alguém de verdade por essa ilusão. – a aquariana explicou.

- Não é uma ilusão, eu gosto mesmo dele. Por que é tão difícil acreditar nisso, Keira? Eu realmente gosto dele.

A irlandesa sorriu, sabia da sinceridade dos sentimentos da australiana pelo Cavaleiro de Ouro de Sagitário, mas tinha seu ceticismo quanto a isso. Resolveu provocar Ruby:

- Por exemplo, eu estou tentando dar um jeito no que sinto pelo Cavaleiro de Aquário; não quero mais ficar me prendendo ao que não serve para mim.

- Mas você sempre joga charme para ele quando pode! Sua falsa! – brincou a ariana, cutucando a amiga e tirando uma gargalhada dela.

- Ah... é inevitável... culpa daquele jeito sério dele! – Keira lutava para não rir ao falar.

- Você só quer brincar com o senhor Camus, né? – Ruby fez uma careta por baixo da máscara – Ele não parece homem para isso.

- Querida, ele ainda é um homem. Vou jogando meu charme... até ele cair, eu vou brincando com quem eu quiser. – a morena deu uma piscadela por baixo da máscara.

- Sei. Ih, já tem gente lá no mirante! – a australiana comentou.

- Ísis, que você está fazendo aí sozinha, menina? – perguntou Keira, afastando os cabelos cacheados do rosto.

- Nada, só pensando. – a egípcia parecia melancólica – Na verdade, eu já estava de saída...

- Não precisa sair só porque chegamos. – disse Ruby – Não queremos interromper suas reflexões, podemos ficar quietas em algum canto. Ou você quer conversar?

Ísis sorriu, Ruby de Centauro era uma pessoa muito solícita e muito simpática, mas ela não se sentia pronta para conversar com ninguém sobre o que quer que fosse; muito menos sobre o que a estava incomodando.

- Não, obrigada, Ruby. Na verdade, acho que eu já vou para casa, e...

- Ísis, será que você pode vir comigo um pouco? – Anya de Taça chegava, com uma postura cansada.

Keira percebeu o estado da amiga e foi ajudá-la; Anya pegou Ísis pela mão, e disse:

- Por favor, eu não sei mais o que fazer, acho que a única que pode me ajudar aqui é você.

- Está bem. Keira, pode deixar que eu levo a Anya. Vou cuidar dela, não se preocupe. – disse a Amazona de Cassiopéia.

- Certo, eu vou até a enfermaria pedir um leito para ela. Espere-me aqui, Ruby, eu já volto! – com isso, Keira de Cães de Caça saiu correndo.

- Vou com a Anya, até mais, Ruby! – disse Ísis, saindo dali com a Amazona de Taça apoiada em seu ombro.

"Mas é tanta confusão nesse Santuário... ai ai... eu ficarei observando as minhas estrelas... para relaxar a mente..." – ela pensava.

A Amazona de Centauro encostou-se em uma pilastra, sentando-se no chão em uma postura relaxada, e passou a observar o céu, brincando com o fogo que seu cosmo gerava em suas mãos. Estava bem distraída, quando ouviu:

- Dizem que é perigoso brincar com fogo. – disse Aiolos de Sagitário, entrando no pequeno templo do mirante e sentando-se ao lado dela no chão.

Ele tinha os cabelos castanhos úmidos, usava uma regata preta e calças jeans, além de munhequeiras e sua costumeira faixa vermelha na testa. Sorriu para ela, e disse:

- Eu gostaria de ter poderes cósmicos assim, que mexem com elementos da natureza. Dizem que o cosmo é espiritual, mas é muito interessante quando é possível manipulá-lo assim. – ele estendeu os dedos até a chama que se formava na palma da mão dela.

- Eu gosto dos poderes que tenho. – ela disse – Mas você tem um cosmo magnífico, vide os golpes que desenvolveu.

- Sim, tenho consciência disso. Mas a grama do vizinho é sempre mais verde, não é? – ele riu.

Ruby acompanhou a risada dele, e voltou a olhar para o céu. Surpreendeu-se quando ele aproximou-se mais, e passou a mostrar suas constelações preferidas para ela, contando os mitos por trás delas; ela entrou na conversa facilmente, pois era um assunto que apreciava. E assim com toda a naturalidade possível, os dois foram descobrindo, aos poucos, que gostavam muito da companhia um do outro.

Os dois estavam tão absortos em sua conversa e em si mesmos, que nem repararam no retorno de Keira, a qual apenas sorriu maliciosamente, e foi assobiando até a sua casa, pensando em seus afazeres, e em determinado aquariano.


Nesse meio tempo...

Ísis conduziu Anya até o lago em que a Amazona de Taça sempre treinava, a pedido da mesma; estava preocupada com o estado da amiga, ela parecia mais fatigada que no dia anterior. As duas sentaram-se na margem do mesmo, e Ísis perguntou:

- Anya, por que viemos até aqui? Sua islandesa maluca, nós deveríamos ir até a enfermaria! A Keira ficou de reservar um leito para você, e...

- Cassiopéia – ela ouviu a voz masculina – ou melhor, Ísis, eu pedi para ela lhe trazer até aqui.

Ísis deixou a ruiva deitada no chão, e foi em direção àquela voz. Qual não foi seu espanto ao ver Shaka de Virgem ali, sentado na grama, com o sári parcialmente desatado, os longos cabelos loiros espalhados, e um semblante profundamente abatido. Apesar do que fizera, abalou-se com o que viu, e foi até ele:

- Shaka, você está bem? – corou, ao ver o estado quase seminu dele.

- Eu estou um pouco esgotado. Meu corpo está meditando na Casa de Virgem, você está vendo a minha projeção astral. Quem está aqui falando com você é meu espírito. – ele disse, em tom de voz baixo.

- Eu não posso tocar em você? – ela experimentou fazê-lo, e sua mão passou através dele.

- Não. Escute, desculpe-me por isto, mas sabia que você não viria até o Templo de Virgem, por isso estou aqui. Estou muito fraco pelo jejum, então vim nessa forma.

- Compreendo – um bolo se formou na garganta dela – mas por que quer falar comigo?

- Sobre esta tarde... – ele começou – eu quero dizer que você está certa. Eu não quero continuar errando. Por isso, eu gostaria que você me ajudasse.

- Eu... – ela não sabia o que dizer – Eu não te odeio, Shaka. Só queria te ajudar. Você sabe disso, não é? Sei que você pode ler a minha alma.

- Sim, mas ando lendo muito pouco as pessoas como realmente são. Você estava certa. Por isso eu quero que você me ajude. – ele era enfático.

- Mas, ajudá-lo com o quê? – ela estava confusa e curiosa ao mesmo tempo.

- A ser uma pessoa melhor. – ele sorriu, com os olhos fechados. – Me ajude a entender meu lado humano, Ísis de Cassiopéia. Claro, se você assim o quiser.

A garota estava sem palavras. Ele, o Cavaleiro de Ouro de Virgem, pedindo a ajuda dela para ser uma pessoa melhor? Se ela mesma não estivesse presenciando isso, diria que era a maior mentira já inventada em todo o século.

- B-Bem – ela começou – eu... eu te ajudo, mas o que devo fazer?

- Primeiramente, volte à minha Casa amanhã. Aí poderemos conversar melhor sobre isso, está bem? – a voz dele era suave.

- S-Sim. E o que a Anya tem a ver com isso tudo? – ela perguntou, curiosa, apontando para a Amazona de Prata de Taça.

- Anya é sua amiga, uma boa pessoa, e pedi ajuda para ela. Apenas isso.

- Sei. – Ísis sentia que havia algo mais ali – Tudo bem, amanhã irei até a Sexta Casa após o meu treino.

- Obrigado. – ele disse – Agora preciso sair do estado contemplativo, meu corpo está muito cansado.

- E, Shaka... por favor, coma alguma coisa. – ela sorriu por baixo da máscara – Não tem como você querer ser uma pessoa melhor se estiver fraco demais para isso.

A figura do virginiano deu um leve sorriso, e despediu-se:

- Boa noite, Ísis. Por favor, tome conta de Anya para mim. – com isso sua projeção se desvaneceu.

A Amazona de Cassiopéia foi até a amiga e ajudou-a se levantar, e antes de seguir caminho até a enfermaria, sussurrou ao vento, em direção às Doze Casas:

- Boa noite, Shaka... até amanhã. – ela tinha um grande sorriso no rosto.

Chegando ao acesso às escadarias, as duas encontraram-se com Milo de Escorpião, que, assustado com o atual estado da amazona de Prata, perguntou:

- Ísis, o que está acontecendo com a Anya? Você tem alguma ideia do que seja?

- Eu não faço a mínima ideia, senhor Milo, mas a Keira de Cães de Caça ficou encarregada de conseguir um lugar para ela passar pelo menos essa noite na enfermaria! Pelo pouco que sei, ela anda cansada por não dormir à noite!

"Isso é muito estranho, será influência indireta de algum inimigo do Santuário?" – pensava Milo, intrigado.

- Bem, Ísis, eu mesmo vou levá-la até lá. – ele disse, pegando a islandesa no colo – Se quiser ir para casa, está liberada, a Shina está por aí fazendo a ronda também.

- Entendo. Boa noite, senhor Milo, tome conta dela, por favor! – com isso, Cassiopéia se dirigiu até sua casa, enquanto o Cavaleiro de Escorpião ia até a enfermaria do Santuário, na velocidade da luz.