N\A: Lembrando o primeiro e o segundo capítulo se tornaram apenas um, e que o segundo capítulo narra a ida deles até o hospital.
Capítulo 03
Perseguição
22 de setembro de 2007
Sakura – Cemitério, às 10h33min.
Hoje o dia está especialmente frio, e para completar estou em um cemitério esperando no meio de dezenas de pessoas a palavra do padre para o caixão ser levado até a sua sepultura. Kiba era cristão e julgando pela quantidade de pessoas que aqui existem, ou ele era muito amado, ou sua família é realmente grande. Descobri ontem, conversando com Tenten, que Inuzuka Kiba tinha sido meu colega de turma no ano passado, na hora ela foi tão específica que por um momento eu pensei que minha amiga era uma fofoqueira desocupada.
- Inuzuka Kiba? Qual é Sakura, lembra não? Estudamos com ele ano passado.
- Estudamos?
- Claro, era um moreno, líder de basquete, namorado da Yamanaka Ino.
- Ino... Claro, me lembrei. O que parecia um cachorro.
Tenten riu.
- Mas por que você pergunta? Ficou sabendo que ele morreu esses dias?
- Ele morreu? – fingi surpresa. Ela levantou uma sobrancelha estranhando, Tenten sempre tinha alguma intuição quando eu estava mentido.
- Sim, enfim, Ino ficou arrasada, algumas garotas disseram que quando ela ficou sabendo ela vomitou e tudo mais.
Tenten podia ter me livrado desse detalhe, mas enfim, o importante é que eu estou aqui, participando do enterro de alguém que eu nem me lembro direito de sua cara, a não ser de uma leve semelhança com cachorros. Ino está em um canto distante e para quem jogou todo seu suco gástrico no chão ela parece bem calma. Ela está parada, olhando para o nada com seus grandes olhos azuis. Talvez ela tivesse chorado tanto que agora não lhe restasse nenhuma lágrima... Mas acho estranho, até o cachorro dele parecia mais triste do que ela.
Eles pegaram o caixão e levaram até o local onde seria enterrado, uma fila de pessoas seguiram e eu fiquei para trás vislumbrando aquele ritual humano. Sempre achei enterros estranhos. O máximo que eu estive próxima disso tudo foi a simples cremação dos meus pais quando eu ainda uma garotinha chupando dedo. Sinceramente não me recordo se foi tão triste quanto hoje aparenta ser. Esse céu nublado, esses choros calados, esse sofrimento todo por um jovem que faleceu cedo... Poxa, isso será um bom discurso caso seja necessário que eu cite a respeito da morte do Inuzuka. Parece até que sou sensível.
Sinceramente não sei ao certo por que eu vim para o enterro... Como se olhando para o cachorro depressivo do Inuzuka fosse iluminar a minha mente. Talvez eu tivesse sido mais esperta caso eu soubesse em qual apartamento do subúrbio seu corpo tinha sido achado. É uma pena que eu tenha negado o convite de Ebisu para sair... Acho que eu aguentaria aquele coroa babão por alguma informação.
Andei até a saída, no caminho ainda podia ver o enterro e um grupo de pessoas com quimonos pretos entrando no templo que ficava exatamente ao lado. O cemitério era pequeno e ao lado havia um templo budista. Entrou no templo um carro realmente caro, mas minha atenção foi desviada, quando vi no lado de fora do cemitério um homem alto e extremamente familiar. Me escondi atrás de uma árvore para vê-lo melhor. Era o mesmo cara estranho de cabelos brancos que vi no necrotério do hospital.
Por algum motivo me sentia ansiosa, eu sei que é inexplicável, mas eu pressentia que aquele homem tinha alguma coisa a ver com tudo àquilo que eu procurava. Estava tão afoita com essa possibilidade, que sentia meu suco gástrico remexer na minha barriga... Será que era ele é o assassino? Não sei... Mas, mesmo que não seja, ele deve ter algum segredo para ter ido ao necrotério – e me nego a crer que ele era um médico – se comportando daquela maneira suspeita.
Do nada me senti sendo puxada e soltei um gritinho. Merda!
- Mas que mer...! – calei a boca quando encarei olhos verdes e irritados sobre mim. O reconheci pelo cabelo vermelho. – O que você está fazendo aqui?
Ele ainda segurava fortemente meu braço e no momento até tentei me livrar dele, mas ele era bem mais forte do que eu.
- Está me machucando, idiota.
Ele me soltou no mesmo momento, mas continuava me olhando sério com seus grandes olhos verdes. Calma ai... Ele usa lápis de olho?
- Se lembra de mim, não é?
- Sim, quem mais eu chamaria de idiota? – perguntei enquanto amaciava meu braço dolorido. Eu sei que a melhor estratégia era fingir que não me lembrava, fazer uma expressão de surpresa e pedir desculpas pelo ocorrido explicando que estava em um dia difícil... Mas poxa, o idiota é realmente um idiota e eu jamais pediria desculpa.
- O que você quer? Estou ocupada... – Foi quando me lembrei do meu suspeito; retornei a me esconder na árvore e voltei a olhar para saída. Ainda bem, ele continuava lá.
- O que você está fazendo?
- Se esconde, ele pode nos ver! – exigi depressa – Não peça explicação, só saiba que ele não é confiável. – Ele deu uma olhada sem mexer nenhum músculo do corpo. O idiota não se esconderia nem que eu pagasse por isso. – Sério, se você quer seus cigarros de volta tudo bem, mas não fique o encarando.
O ruivo voltou-se para mim inexpressível e aquela raiva que senti antes pareceu se instalar novamente no meu peito. Esse jeito dele realmente me irrita.
- O que você está fazendo aqui? – perguntei.
- Não é da sua conta.
- Era amigo do Inuzuka Kiba?
Ele olhou para mim intrigado e pela primeira vez na vida eu pude reconhecer alguma emoção naquele rosto. Ele sabia do que eu estava falando.
- Você o conhece, não é? – perguntei.
- Não, não conheço.
- Merda! – resmunguei baixinho quando vi o cara estranho começar a andar em direção oposta. Não pensei duas vezes, segui na direção que ele caminhava. Podia sentir que o ruivo estava atrás de mim, mas ele não falava nada como se entendesse a situação. Ele continuou andando até o final da ruela que interligava o cemitério e o templo a uma rua principal e onde normalmente os carros ficavam estacionados.
- Droga, ele vai entrar em um carro, como vou poder segui-lo? – perguntei para o ruivo que estava parado ao meu lado com as mãos no bolso olhando inexpressível para mim.
- Eu realmente quero meu cigarro de volta e não estou nem ai para quem você está perseguindo.
- Ótimo! – fui sarcástica com a situação o ignorando completamente – Nunca saberei quem matou o maldito do Inuzuka! – falei um pouco mais alto que o adequado... Merda, merda, merda, Sakura, sua idiota! Por que você sempre é tão idiota na frente desse retardado? Tinha que dizer exatamente isso, bem na frente dele? Agora o retardado vai achar que sou uma desequilibrada... O ruivo, no entanto, me olhava intrigado como se eu fosse a espécie de doente mental mais atraente da cidade.
- Esse cara tem alguma coisa a ver com isso?
Não entendi por que ele havia perguntado exatamente aquilo, mas se ele podia me ajudar, o que parecia estar sugerido, eu não me importei.
- Sim, digamos que sim.
Ele seguiu na minha frente, no mesmo momento o cara estranho entrou em um carro, em um modelo popular de cor branca. Segundos depois o ruivo doente estava me jogando um capacete e colocando a chave em uma motocicleta preta. Malditos filhinhos de papai.
- Não fique com frescura de me segurar. – ele adiantou, mas eu não tive nem oportunidade de me segurar decentemente nele quando ele saiu com a motocicleta e meu corpo voltou para trás. Droga! Me segurei rapidamente nele colocando meus braços em torno do seu corpo magricela... Ok, talvez não tão magricela assim. Seguimos o carro do cara estranho por uns quinze minutos, até que fomos parar em Shibuya em uma ruela realmente movimentada. Já disse o quanto Shibuya é ridiculamente cheia? Tivemos sorte que eram onze horas da manhã e não havia aquelas luzes cegantes na nossa cara...
O cara estranho estacionou e desceu do carro.
- Melhor irmos a pé. – O ruivo doente sugeriu.
Sério, idiota?
Descemos e continuamos seguindo-o a pé, ele andava despreocupado como um desses traficantes de doramas, e até que seu cabelo penteado para trás combinava perfeitamente com aquele estereótipo. Acabamos entrando em uma rua bastante movimentada e por pouco não me perdi deles, minutos depois paramos em uma rua de prostituição... Ou pelo menos nós, alunas de Kitagawa, somos severamente advertidas de não passamos por aqui. Ótimo Sakura.
Me senti sendo puxada, o ruivo doente segurava meu braço e andava na minha frente.
-Não se distraia. – ele falou inexpressível, e aquela pontinha de raiva voltou a instalar em mim. Idiota.
O seguimos por mais alguns minutos até que ele entrou em um beco, nesse momento aceleramos nossos passos, e então nos deparamos com um beco vazio e com duas portas nas laterais. Havíamos o perdido de vista.
- Ótimo – resmunguei e em um ato mecânico peguei minha carteira de cigarros. Nesse mesmo momento a senti sendo roubada de minhas mãos. O ruivo doente me encarava inexpressível.
- Se você a que de volta, me siga e me conte tudo.
Gaara – Shibuya, às 11h29min.
Ela não pareceu muito feliz com meu pedido. Suspirou, fechou os olhos e voltou a me encarar.
- Pela carona.
Sei perfeitamente bem que as possibilidades dela estar vinculada ao assassinato de Inuzuka Kiba eram mínimas, mas depois que perdi uma manhã inteira em um cemitério sem conseguir uma mísera informação decente, perseguir um desconhecido para mim já não podia ser uma completa perca de tempo. Na mesma rua havia um bar-café chamado Donatello – essas inspirações estrangeiras que não servem para nada – e ficava exatamente na frente do beco; a arrastei até lá enquanto ela falava qualquer coisa cujo eu não fiz questão de prestar atenção.
- Um expresso, por favor. – pedi enquanto sentávamo-nos à mesa mais próxima da porta. Se o perseguido (odeio chamá-lo assim, mas não tenho a menor noção de quem se trata) saísse, provavelmente o veríamos dali e se ele realmente estava vinculado com a morte de Inuzuka, eu não perderia a chance de pegá-lo. Tudo bem, eu não sairia por ai, o perseguindo e todas essas coisas heroicas do shonnens, mas pelo menos eu poderia ver como ele é e decorar sua fisionomia.
- Irá pedir também senhorita? – uma atendente gentil perguntou e a garota de cabelos estranhos negou com a cabeça sorrindo. As mesmas covinhas que tremiam apareceram. Também notei que seu braço alvo estava marcado com os meus dedos. Acho que fui rude.
- Ela vai querer um cappuccino. – ela abriu a boca para falar, mas fui mais rápido. – Eu pago. – ela me encarou desconfiada. – Pelo braço.
- Bastava dizer desculpas, e não precisava.
- Por quê? Não gosta de cappuccino, você parece gostar de cappuccino.
- Pareço?
- Não é doce, nem amargo, todo mundo gosta. – comentei e no mesmo momento meu expresso chegou. Tomei um gole; droga, mais fraco que o da minha irmã. – Não importa, por que você está perseguindo esse cara?
- Olha, eu já percebi, você veio por que eu falei o nome de Inuzuka Kiba, você é amigo dele?
- Você podia responder primeiramente minha pergunta.
- Ou não, quem quer informações aqui é você.
Ela disse em um tom quase divertido, como uma criança que sabe estar na vantagem, também sorria e dessa vez não apareceu as covinhas. Pensei que lidar com ela seria fácil, eu tinha sido educado, pagado o café e ainda tentei ser gentil. Tudo bem... Não exatamente gentil. O cappuccino dela havia chegado e vi que isso provocou um sorriso, ela notou que eu estava a observando e tentou disfarçar ficando séria.
- Você é amigo do Inuzuka, ou não é?
- Não, não sou. – repeti. Odeio repetir o que eu falo.
- Então por que tanto interesse? E você também estava no hospital, certo? E naquele momento pelo que eu saiba, ele estava em uma sala de necrotério, você não estaria lá o visitando...
- E como você sabe disso? Esteve lá por acaso?
Ela tentou um sorriso, mas não combinou muito com uma de suas sobrancelhas erguidas. Não era verdadeiro.
- Sim, estive.
Isso talvez explicasse muita coisa. Mas a chance de ela ser uma desocupada entediada como eu e que de um dia para o outro decidiu solucionar aquele caso do nada, era muito pequena. E eu, com certeza, não iria me expor daquela maneira.
- E por que você teria passado lá? Você não parece ser da família e muito menos que trabalha no hospital.
- É óbvio que não, olha, não tem importância. Peço desculpas por ontem, tive um mal dia. E eu já devolvi os seus cigarros, certo?
- Certo... Mas isso não tem nada a ver com o que eu quero – parei para pensar por um momento... O que exatamente eu queria arrastando aquela garota para cá? Ela não prestava atenção em mim. – Como você se chama pelo menos? – perguntei por hábito, mas ela não me respondeu.
- Não me diga que... – ela olhava ansiosa pela vidraçaria. O perseguidor estava no beco, conversando com uma estudante, pude ver que ele lhe entregava alguma coisa, algo semelhante a uma carta ou cartão. A primeira palavra que eu pensei no momento foi: Prostituição. E se tratando de Shibuya, não me surpreenderia se ele fosse um tipo de traficante pedófilo. – Você acha que... – ela se virou para mim esperando uma resposta, eu pensei em responder, mas ela não me deu tempo. Ela havia se levantado e pego sua bolsa. Deixei rapidamente uma nota sobre a mesa e fui atrás dela.
A garota que antes falava com o possível traficante pedófilo já havia saído do beco e caminhava nervosa pela rua movimentada. Seus passos eram curtos e rápidos e estava cabisbaixa. A garota de cabelos estranhos estava logo atrás dela e bem na minha frente.
- Ayane! Ayane! – ela gritava com um dos braços erguidos; quando eu menos percebi, ela havia corrido e agarrado o braço da garota. Elas ficaram se encarando por um momento. Logo depois eu já estava atrás dela e pude ver a expressão de espanto no rosto da outra. Não era exatamente bonita, tinha o rosto demasiado largo e olhos miúdos que nos encaravam atônicos.
- Ah me desculpe, havia me enganado.
As duas fizeram uma reverência e a menina continuou nos seus passos ainda mais rápidos e nervosos. Ficamos ali parados no meio da calçada, a ruiva ainda olhava para as costas da garota.
- Você a confundiu? – perguntei.
- Não, mas eu tinha que ver o rosto dela.
Entendi, tenho pelo menos que admitir que o seu raciocínio é rápido.
- Ela tinha uma carta semelhante à de um baralho qualquer, mas com um desenho de uma nuvem vermelha. – ela falou repentinamente.
- Nuvem Vermelha... E o que você acha que isso significa?
- Não sei. – notei um pouco de desapontamento. Ela mexeu alguma coisa na bolsa e depois se voltou para mim. – Obrigada pela carona e pelo cappuccino, mas tenho que ir.
Ela deu uma reverência desanimada e eu continuei a encarando sem dizer nada. Não havia sido uma manhã especialmente normal de sábado, e talvez ser ciente daquilo foi o meu maior impulso para acender um cigarro. Ela continuava na minha frente, como se esperasse que eu dissesse qualquer coisa.
- Você não vai perguntar nada?
- Como o quê?
- Deixa pra lá, aposto que foi apenas uma coincidência. Você nem deve ser amigo do Inuzuka e esse cara não deve passar de um cafetão. – ela disse tudo de uma vez e logo depois suspirou como se estivesse realmente decepcionada com tudo aquilo. Não me importei, senti uma leve tontura pelo cigarro e provavelmente pelo fato de eu não ter comido pela manhã.
O fato é que depois daquela correria toda eu já estava cansado de joguinhos de perguntas. E sinceramente, não acho que o interesse dela no Inuzuka seja o mesmo que o meu, e provavelmente a única coisa que tínhamos em comum é nosso gosto por cigarros.
- Possivelmente. – respondi.
Ela me encarou por um momento e pensei que ela diria qualquer coisa significativa, mas tudo que ela disse foi um simples...
- Tchau.
E deu as costas indo embora. Segui o meu caminho até a minha motocicleta, por um momento até tinha me esquecido dela, em seguida passei em frente a um restaurante e acho que com a fome que eu fiquei eu até aceitaria comer um lámen.
N/A: Estava me perguntando por que exatamente Sakura desgosta tanto do Gaara e de graça ainda, acho que o jeito inexpressivo dela realmente a irrita. Acho que pelo fato dele não reagir ao que fala também é uma justificativa, mas de qualquer forma eu realmente gosto desse inicio de relacionamento entre eles.
Esse capítulo foi rápido, e teve poucas informações, mas ainda muito importante. Na realidade, acredito, que poucos capítulos não terão informações realmente importantes. Bem é isso. O segundo capítulo não teve comentários e confesso que isso me desanimou bastante, mas pretendo continuar... Mesmo por isso não deixem de comentar, sério, isso realmente é importante para que o andamento da história continue.
Beijos de jabuticaba
Oul K.Z
