N/A: Espero que gostem suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 04
Delegacia
30 de setembro de 2007
Gaara, Centro de Tóquio às 10h33min.
Domingo, apesar da metade da humanidade detestar esse dia da semana, eu, com certeza preferia que a semana tivesse três segundas-feiras do que um domingo. Domingo é o dia da semana que provavelmente eu não estarei sozinho em casa; Temari hoje, no entanto, está viajando e meu pai como sempre está trabalhando. Até parece que sou um desses adolescentes frustrado e fumantes que sofrem com a ausência do pai pelo qual só pensa no trabalho... Isso é tão entediante, que me nego a acreditar que minha atual situação se resume a isso. E, além disso, confesso que ter um pai ausente é bastante útil, principalmente quando ele trabalha para a 1º delegacia de Tóquio e ainda mais quando seu filho inventou de solucionar por conta própria um caso de homicídio Isso me recorda que descobri recentemente que Inuzuka Kiba estudava em meu colégio.
Considerando que meu irmão está dormindo, estou sozinho em casa. O escritório de meu pai está trancado, mas não faz diferença já que eu fiz uma cópia da chave, tanto da porta quando da gaveta da escrivaninha. Meu pai não costuma carregar seu notebook por ai, já que o risco de ser roubado pode resultar no vazamento de algumas informações, apesar de que, querendo ou não, eu realmente não sei o conteúdo daqueles HD's já que eu nunca tentei descobrir sua senha... Nunca imaginei que um dia eu precisaria dela.
E agora eu preciso tentar a sorte.
Me sentei, liguei o computador. Ele não é exatamente familiar e acho improvável que ele use qualquer data como senha, mas mesmo assim, quando cansei de tentar as senhas mais prováveis, tentei todos os aniversários que me recordava. E nada. Me senti frustrado. Depois de precisar repetir o que eu falo, perder tempo é a coisa que mais me irrita. Apesar de que isso só tem importância para mim, já que dificilmente eu consigo me expressar e raramente as pessoas percebem meu mau humor.
Vi sobre a escrivaninha o mesmo jornal sensacionalista, nunca tive o hábito de ler esse tipo de jornal – muito menos o meu pai, eu imagino – e por isso julguei estranho. Hoje não havia nada, mas percebi que faltava algo, uma seção estava incompleta e verificando as páginas notei que faltava uma folha. Provavelmente meu pai havia guardado essa página com ele, e sei que pode ser bastante impetuoso da minha parte concluir isso, mas provavelmente deve estar vinculado com algum crime em que ele esteja solucionando.
Fui à banca e comprei um jornal verificando a página que estava faltando.
"Ontem a noite foi presa a possível assassina do corpo encontrado no subúrbio de Tóquio. Delegados afirmam que o crime foi de caráter religioso, apesar de não especificarem a fé da jovem mulher."
Acho que estou com sorte, meu pai possivelmente estava investigando o assassinato de Inuzuka Kiba e isso pode ser muito útil para mim. Mas ignorando isso, percebi que não sentia vontade de fumar como eu sempre sentia quando passava na banca para comprar meus cigarros, só conseguia pensar o quanto tendenciosa aquela notícia podia ser. Tinha que confirmar o que estava acontecendo.
Voltei para o escritório do meu pai, antes verificando se Kankurou ainda estava dormindo. Não gostaria que ele soubesse que eu tinha sobre meu controle a chave do meu pai. Abri a gaveta da escrivaninha e consegui o documento que eu precisava. Não sei porque meu pai carregava aqueles tipos de documentos com ele, mas não me importava. Falsifiquei sua assinatura, pelo qual, de tanto eu praticar, já era quase minha.
A reportagem informava onde a jovem mulher estava sendo mantida antes do seu julgamento, me desagradou saber que era exatamente na delegacia onde meu pai trabalhava, apesar de que ele não passava tanto tempo por lá e vê-lo seria um pouco improvável.
Peguei o metrô, estava cansado de usar minha motocicleta. Achei estranho, pois não havia mais a plaquinha dizendo que era proibido fumar e por um momento eu até pensei em acender um cigarro só para ver se a ausência da placa podia justificar o meu ato de vandalismo... Acho que estou começando a ficar entediado e esse caso de homicídio não está me ajudando muito.
Sinceramente não confiei muito na informação do jornal, afinal a ideia de uma jovem mulher cometer tal assassinato por motivos religiosos era um pouco ridícula para mim. Tudo bem que estamos em Tóquio e aqui se mata por muito menos e de maneira bem pior, mas eu gostaria de saber mais, pois a simples ideia que se tratava apenas de um assassinato ridículo como aquele não justificava o tempo que perdi tentando solucioná-lo.
A delegacia ficava um pouco longe da estação de metrô, em uma parte bem menos movimentada e isolada da avenida principal. Não havia olheiros ou jornalista atrás de informação, isso eu já esperava, afinal, um assassinato justificado de maneira bizarra não era nenhuma novidade para a sociedade japonesa, bastava ver qualquer anime de violência gratuita para você chegar à conclusão que crimes como aqueles eram vistos como inevitáveis e normais. E somente um jornal sensacionalista e pequeno como aquele faria disso uma notícia... E claro... Para chamar a atenção de um desocupado como eu.
E talvez eu não seja o único.
Percebi, a alguns metros de distância da delegacia, a garota de cabelos estranhos; estava parada com o mesmo jornal sensacionalista em mãos e observando atentamente a entrada do local. A chance de ela ser uma desocupada entediada como eu, e que de um dia para o outro decidiu solucionar aquele caso do nada, era pequena. Mas novamente ela estava no mesmo lugar que eu. E situações como essa devem ser consideradas.
Aproximei-me; não sou de perder tempo e se ela estava vinculada com aquele assassinato eu descobriria isso hoje. Ela não havia notado que eu me aproximava, assim como no cemitério e dessa vez eu tratei de não surpreendê-la.
- O que você está fazendo aqui?
A princípio apenas me olhou, por um momento ela pareceu surpresa, mas logo depois soltou um sorriso sarcástico.
- Está me perseguindo por acaso?
Não respondi a pergunta estúpida, só continuei a encarando esperando que ela dissesse qualquer coisa. O sorriso sumiu de sua cara e ela olhou para o céu e depois voltou a me encarar.
- Não sei porque eu tenho que responder suas perguntas, pelo que eu saiba eu tenho o direito de ir e vir quando eu bem quiser.
Ignorei o que ela dizia, estava mais interessado no jornal em suas mãos dobrado exatamente na notícia que eu havia lido antes. Apesar de ser improvável, não é impossível que exista em Tóquio outra pessoa tão desocupada ao ponto de investigar um caso aleatório de homicídio de um jornal sensacionalista. Ou talvez ela estivesse simplesmente vinculada com o assassino, ou fosse uma perseguidora apaixonada e frustrada do Inuzuka. Qualquer uma dessas opções me parecia improváveis... Mas pelos menos eram melhores do que acreditar que se tratava apenas de uma casualidade.
- Venha. – falei e segurando pelo braço e arrastando para a lateral da delegacia. Era muito suspeito que continuássemos ali. – Por que está procurando informações sobre Inuzuka Kiba?
- Não é da sua conta. – ela disse na defensiva.
E de fato não era, principalmente por que eu não tinha nenhuma razão para lhe perguntar isso. Mesmo que ela estivesse perseguindo aquele assassinato... O que ela poderia me oferecer naquele caso? Sim, é uma pergunta retórica.
- Já percebi que você não é idiota. E você sabe que estamos procurando a mesma coisa. – eu disse e ela estreitou os olhos, desconfiada. – Não precisa ficar desconfiada, só não saia por ai me atrapalhando.
Ela pareceu realmente ofendida, seus olhos verdes se arregalaram e ela chegou a abrir a boca para dizer qualquer coisa, mas som algum saiu. Ela relaxou e não disse nada. Saiu da minha frente e seguiu em direção à delegacia. Fiz o mesmo e quando virei à esquina, vi meu pai entrando no local. Droga. Não sei por que, mas a puxei no mesmo momento.
Sakura, Delegacia as 13h07min.
Mas que droga, esse garoto não consegue pelo menos ser um pouco mais educado? É a terceira vez que ele me puxa dessa maneira.
- O que foi dessa vez? – eu perguntei mais alto que o normal e ele colocou sua mão direita sobre minha boca. Pude ver seus olhos verdes levemente arregalados na minha direção, apesar de que de alguma maneira não combinava em nada com o restante da sua face que estava estática. Me afastei rapidamente e ele piscou várias vezes antes de perguntar:
- Como você pretende entrar?
- Como assim?
- Na delegacia, você pretendia entrar para conseguir qualquer informação sobre o assassinato de Inuzuka Kiba, por mais que eu não consiga entender porque.
Não era uma pergunta e aquilo me surpreendeu. Ele não estava blefando. Ele provavelmente estava ali pelas mesmas razões que as minhas. Apenas concordei com a cabeça.
- E você nem ao menos sabe como entrar na delegacia e como conseguir essas informações.
Era outra afirmação... Muito correta por sinal. Eu não sei como funciona a estrutura de uma delegacia e sem dizer que quando li a notícia pela manhã eu não pensei muito a respeito de como conseguiria aquelas informações.
- Tudo bem. – ele disse, novamente sem emoção alguma. Pergunto-me como ele consegue converter com imensa facilidade a expressão Tudo Bem, para a expressão Tanto faz. Talvez ele não tenha sentimentos, ou no mínimo é um sociopata funcional. – Vamos fazer uma troca. Eu te coloco lá dentro, mas depois me relata tudo que conseguiu.
- Como assim? Por que você mesmo não entra?
- Por que eu não posso.
- E por quê?
- Não importa.
O encarei séria. Ele não achava mesmo que eu entraria ali sem saber por que. Ele mexeu em alguma coisa no seu bolso, pegou um papel cuidadosamente dobrado.
- Sou filho do chefe do departamento de crimes hediondos.
Ah! Isso talvez explique por ele era daquele jeito... Com um pai que lida com aqueles tipos de pessoas, se tornar um deles era algo como seu destino.
- E não posso entrar lá, pois provavelmente ele me reconheceria.
- Sim, entendi. Mas o que é isso?
- É uma autorização para falar com algum suspeito em custódia da delegacia. Diga que é parente da presa, irmã, por exemplo, e que conseguiu autorização com o chefe do departamento.
- Eles não vão desconfiar... Digo... Não é meio estranho?
- Sim, é. Mas você só precisa mostrar a declaração e evitar homens engravatados e falar somente com os guardas de farda azul.
- Mas por quê?
- Por que eles são de baixo escalão, são programados para ler, abrir a porta e não questionar nada a respeito. – ele disse e depois pareceu se lembrar de alguma coisa – Você tem carteira de identidade falsa? Você não parece ter maioridade.
- Sim, tenho. – já tive que usá-las em ocasiões especiais... Como comprar cigarro.
- Isso é bom.
Naquele momento o ruivo doente parecia realmente confiável. E apesar de sua expressão continuar sem emoção alguma, e seu corpo não se mover enquanto falava, ele aparentava saber exatamente o que estava dizendo. E como eu não tinha chances algumas de entrar senão com a ajuda dele, não era como se eu tivesse um leque de opções.
- Acho que eles não vão desconfiar de nada e você está vestida parecendo do subúrbio também. Vão te associar facilmente como irmã dela.
Talvez por que eu sou subúrbio idiota? E qual é o seu problema com minhas calças jeans de loja de departamento e casaco de lã?
- Só tire essa boina. – ele pegou minha boina e guardou rapidamente no bolso. – E me entregue seus cigarros, quero que você esteja limpa em todos os aspectos.
- Você quer é roubar os meus cigarros.
Ele me encarou sem emoção como se eu tivesse dito a coisa mais idiota do mundo. Não me importei, ele tentou uma vez, por que não tentaria uma segunda?
- Tudo bem. – disse e entreguei minha carteira que estava no meu bolso de trás. – Deixe-me ver. – contei o número de cigarros, seis, e voltei e encará-lo desconfiado. – Enfim, como eu faço?
- Entre pela a entrada principal, não fale com os guardas da entrada. Siga direto para os elevadores a sua esquerda e vá até o segundo subsolo. Continue na direita... Evite os caras de paletó que vão estar nas salas ao lado e fale com um guarda na primeira portaria que você ver, só mostre a autorização e não diga nada, não demonstre preocupação. – ele dizia em um ritmo calmo e eu pude memorizar tudo aos poucos. – Logo depois haverá outro guarda no segundo corredor a esquerda, mostre a autorização novamente, deixe suas coisas e ele te levará até onde queremos ir.
Tudo bem, confesso que não memorizei tudo. Pedi para ele repetir. Ele piscou algumas vezes e ficou sério, parecia irritado, mas mesmo assim repetiu tudo. Eu falei mais uma vez tudo que ele havia me dito e conferimos se eu havia decorado. Antes de ir eu perguntei.
- Qual é o seu nome?
- Sabaku no Gaara.
Decidi brincar.
- Desculpa, como?
Ele piscou novamente parecendo irritado. Disfarcei um riso. Ele, apesar de tudo, se irritava por uma bobagem como aquela.
- Tudo bem Gaara. – não contive um sorriso. – Me chamo Haruno Sakura. – Falei e segui meu caminho até a entrada da delegacia. Agora era manter a calma.
Fiz exatamente tudo que ele havia dito. Quando entrei no elevador coloquei as mãos no bolso e fingi observar as horas no celular tentando transparecer naturalidade diante dos dois homens engravatados que entraram junto comigo. Admito que eu fiquei ansiosa e até pensei em ir embora quando fitei rapidamente suas expressões sérias e vazias. Chegando ao primeiro guarda, eu não disse nada, só mostrei a autorização, coloquei todos meus pertences em uma caixa e enfiei rapidamente as mãos no bolso para que ele não percebesse que minhas mãos tremiam levemente. Estava indo tudo bem... Até que cheguei ao segundo guarda. Logo após ele verificar se eu não carregava nada e demorar minutos analisando a autorização, ele me deixou passar. Dei dois passos quando fui parada por ele.
- Garota.
Senti meu suco gástrico remexer na minha barriga, minhas mãos agora tremiam em seco antes de me virar em sua direção.
- Sim?
Pareceu uma eternidade até ele me responder. Imaginei todas as punições possíveis por causa daquela autorização falsificada.
- Fique calma, eu sei que o que sua irmã fez foi horrível, mas vai ficar tudo bem. – ele disse e sorriu gentilmente para mim. – é só você esperar na segunda sala a direita.
Não vou dizer quantas vezes e de quantas maneiras possíveis eu torturei aquele guarda por ter me dado um susto maldito como aquele. Agradeci com uma reverência e continuei meus passos, mesmo que eu não pudesse sentir com total certeza minhas pernas.
Fui parar em uma sala com uma mesa e duas únicas cadeiras. Suas paredes eram de concreto e não havia janela ou espelhos como eu imaginei que teria, havia apenas um portão que deslizava em um canto a esquerda e atrás dele um guarda muito bem armado, mal humorado e inexpressivo.
Agora que cheguei ali foi que me dei conta de que não sabia exatamente onde o Sabaku havia me orientado a ir. Minha única preocupação até aquele momento era chegar até o local onde ele havia me direcionado sem ser pega pelos homens engravatados. Droga... Me senti ainda mais ansiosa por causa disso. Percebi que minhas mãos começaram a tremer ainda mais e que estava começando a ter dificuldade de respirar. Onde exatamente eu estava? Sakura, você é tão idiota... Por que você não perguntou isso para o retardado do ruivo doente?
Não pude mais ofendê-lo mentalmente por que meu coração havia parado. O portão havia deslizado e dele havia surgido uma jovem mulher, com roupas brancas e longos cabelos negros. Tinha um aspecto acabado e em sua face só pude ver os lábios pálidos e ressecados, olhos grandes de um marrom bem claro podendo ver claramente a pupila negra brilhando. Me lembrei vagamente de alguém, mas não tive tempo de me lembrar quem era, ela já estava sentada em uma das cadeiras e com a voz fraca, quase inaudível, perguntou;
- Quem é você?
Não era possível. O maldito ruivo doente havia me colocado frente a frente com a possível assassina?
N/A: Eu realmente gosto dessa Sakura, até o momento ela não está nenhum pouco semelhante ao anime e o mangá, mas de qualquer forma ainda não conhecemos muito a superfície dela. Sinceramente não tenho muito o que comentar em relação a esse capítulo, mas eu realmente gostei da cena em que eles trocam nomes pela primeira vez.
O capítulo três recebeu alguns comentários e realmente fiquei muito feliz por isso. Ah, não deixem de comentar suas teorias em relação ao enredo, creio que realmente será divertido ler isso.
MamaKing: Acho que a questão mesmo é que muitas longs fics que exigem tempo para se desenvolver são abandonadas com o tempo... Hoje em dia o leitor não tem muita paciência, principalmente o leitor de fanfic, e os que ainda tem paciência não comentam ou acabam abandonando a história. Mas acho que são osso ofícios né? Fico feliz que tenha gostado e ainda mais do envolvimento do Gaara com a Sakura ;)
Conny: Seu comentário realmente me animou, fiquei feliz em saber que esse ritmo lento, mas que apesar de tudo tem muita informação, tenha sido agradável. E concordo cm vc, a variedade de casal em Naruto tem caído bastante... o que realmente é uma pena, por que vc fica escrava de leitores viciados em certos casais para conseguir pelo menos um publico mínimo. Ah!, comentários longos serão sempre muito bem vindos ;)
B. Lilac: Gosto de relacionamentos que começam exatamente por não ter a menor previsão de ser um relacionamento... Eu pelo menos me divirto com o inusitado. E o jeito inexpressivo de Gaara realmente a irrita, pois realmente complicado adivinha o que se passa pela cabeça dele e isso realmente a deixa imobilizada para agir. Me sinto tão estranha chegando a essa conclusão a respeito da Sakura. E fico feliz que vc tenha gostado da cena do café, eu pelo menos adorei escrevê-la e Gaara é, não adianta, um perfeito cavaleiro – pelo menos na minha idealização do personagem XD - , mesmo que ele não perceba isso e ainda mais não perceba o quanto isso o torna atraente para o sexo oposto. Obrigada por comentar e acompanhar; e capuccino é sempre bem vindo =)
Beijos de Morango e até a próxima.
Oul K.Z
