N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 13
Flores
14 de outubro de 2007
Gaara, próximo ao colégio Kitagawa às 10h49min.
Estava curioso quanto à nova franquia do Donatello que foi inaugurado na semana passada. O mais complicado foi convencer a Haruno de ir, ela ficou metade do caminho reclamando que era muito próximo do nosso colégio, e que não gostaria de esbarrar com nenhum aluno no seu precioso final de semana. Aposto que ela só estava demasiada ansiosa para ver as fotos, e se dependesse dela sentaríamos em qualquer parquinho de criança para vê-las.
Mas sinceramente eu preciso de cafeína. Tudo bem, eu sei que eu acabei de tomar um expresso em casa, e confesso também que poderíamos ir a qualquer loja de conveniência... Mas eu realmente estava curioso quanto a esse local. Isso me faz perceber que desde que conheço a Haruno, ou melhor, persigo esses assassinatos, minha vida tem se tornado agitada o suficiente para me provocar a coragem e força de vontade para sair de casa em um final de semana e seguir até um bar café há vários bairros de distância...
Meu expresso chegou logo depois que a Haruno se levantou para ir até o banheiro. Um jovem homem, provavelmente vivendo seus 25 anos, me serviu. Tinha um sorriso afável, marcas debaixo dos olhos e o cabelo preso em um alto rabo de cavalo. Ficamos nos fitando por alguns segundos e me perguntei se ele esperava que eu agradecesse ou algo do gênero.
- Veio conhecer o Donatello? – ele perguntou sorrindo.
- Sim, fica próximo do meu colégio.
- Ah, você é estudante do Kitagawa. – ele pareceu refletir por um momento. – Muito estudantes vêm aqui, mas você é o primeiro a pedir café.
Isso me faz pensar que a Haruno provavelmente vai pedir um cappuccino... Apesar de que já tomamos café suficiente por hoje... Ou não. Enfim, melhor pedir logo.
- E um cappuccino, também.
Ele concordou com um sorriso afável e de olhos fechados. Logo depois saiu. Minutos depois, o amigo da Haruno, Uzumaki, surgiu entrando pelo bar-café; tinha um sorriso imenso e se dirigia até o balcão sem se dá conta da minha presença. Acompanhei com olhos ele mudando de direção até a Haruno que acabava de sair do banheiro; a essa distância eu não podia escutar nada, apenas imaginar o que eles conversavam entre tantos sorrisos.
Isso me faz pensar que não é somente com Rock Lee que a Haruno é tão sociável. O cappuccino chegou momentos depois, desta vez, servido por uma garota (...). Percebi que o outro atendente estava conversando agora com o Uzumaki e a Haruno.
- O senhor deseja mais alguma coisa? – a garota perguntou com um sorriso estranho no rosto.
Neguei com a cabeça e voltei minha atenção para a Haruno alguns metros de distância, ela nos observava séria, e quando nossos olhos se cruzaram ela se voltou para o Uzumaki. A menina que me servia continuava em pé e supus que ela não tivesse entendido minha negativa.
- Não, obrigada. – disse em um tom neutro e ela fez uma reverência se retirando. Quando levei meu expresso até a boca, a Haruno se sentou a minha frente.
- Isso ainda nos fará mal. – ela comentou se servindo do seu cappuccino.
- Isso o quê?
- Tanto café, o que mais?
Não respondi, nem disse nada. Notei que o Uzumaki tinha sumido de vista e retirei da minha bolsa o Tablet. Se ele suspeitava de algo, como a próprio Haruno já havia comentado, eu queria evitar ao máximo aumentar essas suspeitas.
- Sabaku. – levantei os olhos até a Haruno, que me fitava neutra. – Você ganha alguma mesada-salário?
- Mesada-salário?
- É. Tablet, uma moto, só come fora.
- Não, não ganho. – voltei minha atenção ao Tablet conectando o pen-drive com as fotos.
- Quem paga a conta do seu cartão?
- Meu pai. – respondi simples.
- Você é um playboyzinho, né?
Levantei a cabeça a fitando por um momento. Ela tinha o rosto apoiado no dorso da mão e me encarava séria. Só levantei uma sobrancelha em resposta, e ela voltou sua mirada para a janela suspirando alto. Não entendo essa Haruno. Há 5 minutos estava toda sorridente com o Uzumaki, e agora está mal-humorada – novamente – por que o meu pai paga a minha conta de cartão. Ótimo. Sim, estou sendo sarcástico.
- Sente aqui. – pedi e ela demorou a entender. – Para você ver melhor. – Ampliei uma das fotos, e ela logo depois estava sentada ao meu lado sem nenhum rastro de mal humor. Podia até ver pelo canto dos olhos que ela tinha um sorrisinho de canto. Melhor eu voltar minha atenção às fotos.
A primeira para minha grande decepção não era de Kiba Inuzuka. Na pressa de pegar o pen-drive acabei não podendo selecionar todas as fotos e provavelmente só estávamos com as últimas fotografias em mãos. Era do escritor Jiraiya, encontrava-se morto sobre a grama, com os braços e pernas esticadas; em seu peito, como tinha visto no necrotério, tinha uma nuvem "cravada" coberto de sangue, como uma ferida recém-feita por algum objeto cortante. Mas o mais peculiar, além da poça de sangue debaixo de sua cabeça – indicando uma batida ou quem sabe um tiro na lateral – eram as flores, caídas no chão, entorno de seu corpo, exatamente sete, todas diferentes, de cores vivas e bem cuidadas.
- Então os "xis" marcados no chão eram flores. – Haruno comentou, percebi que dessa vez ela não conseguia sorrir, provavelmente por estar diante de um cadáver – E como a Hiromi-san comentou, eram flores que pareciam dar vida aos mortos.
Me voltei em sua direção, seus olhos verdes pareciam brilhar não de empolgação ou da mesma maneira pelo qual refletiam no apartamento de Hiromi, mas de uma maneira aflita, emotiva, como se estivesse diante de algo intrigante, curioso, mas perturbador. Não sabia se isso era bom ou ruim, mas parei de pensar a respeito quando ela voltou-se em direção ao tablet e me pediu para seguir até a próxima foto.
As fotos seguintes do corpo de Jiraiya não se diferenciaram, senão por alguns detalhes capazes de nos dá conclusões de que já sabíamos, como a ponte Arakawa, ou uma possível pancada na cabeça. A grande questão mesmo foi Asuma. Como imaginávamos, ele realmente tinha sido morto pelo mesmo assassino de Kiba e Jiraiya, alem da certeza disso, ver o corpo de nosso professor, inerte, sobre uma cama em um provável hotel de subúrbio, não foi exatamente agradável.
Sakura não conseguiu terminar seu cappuccino, nem ficar muito tempo olhando para a foto ampliada do corpo de Asuma. Mas assim como no de Jiraiya, eu pude ver a mesma nuvem tatuado no peito, as mesmas flores entorno do corpo, com a única diferença que não havia qualquer rastro de sangue no ambiente do assassinato. O que era estranho.
- Então estamos procurando por um serial-killer? – ela perguntou com a voz baixa e sem me fitar.
- Provavelmente sim.
- Então ele tem que ter uma assinatura, certo?
- Não necessariamente.
- Vamos supor que sim...
- Odeio suposi...
- Vamos supor que sim Gaara. – ela me interrompeu e me fitou intensamente. É a primeira vez que a Haruno me chama pelo primeiro nome. Acho que isso significa que eu devo ficar em silêncio e apenas esperar que ela continue a falar sem interrompê-la. – A assinatura dele, provavelmente, são as flores, logo a escolha do alvo está vinculada a isso. – ela continuou sem me fitar, logo depois pegou o tablet sobre a mesa e ampliou a foto do Asuma em direção ao topo de sua cabeça. – Veja, a ordem das flores está diferente. – ela passou para uma foto do escritor e mostrou que a flor no topo de suas cabeças divergia, mas que mantinha um ciclo, como se seguisse um sentido horário.
- Então temos uma ordem dos assassinatos...
- E o número de mortos.
Ela estava certa. Se cada flor simbolizava um alvo, logo...
- Mais quatro pessoas irão ser assassinadas por ele.
- Sim. Isso se a suposição – ela enfatizou – estiver correta.
- Se sua suposição estiver correta, os alvos carregam o significado das flores, certo? – ela concordou comigo, tinha um sorriso discreto e convencido nos lábios e por alguma razão isso me deu vontade de sorrir também, mas os músculos do meu rosto paralisaram.
Acho que gosto do sorriso sem convinhas da Haruno.
(...)
- Mas não conheço nenhuma dessas flores... E é complicado reconhecer também só por essas fotografias. – Ela comentou mordendo os lábios. – Essa aqui eu sei que é um Rosa...
Ela ficou tentando adivinhar quais eram as flores, enquanto isso eu tomei um pouco do meu expresso, mas já estava demasiado frio e acabei cuspindo de volta. Com isso ela soltou uma risada pelo nariz.
- Você parece uma criança de vez em quando. – ela comentou – comendo Cookies principalmente.
Ela voltou-se para mim sorrindo, não era o mesmo sorriso direcionado ao Uzumaki, era mais suave e sem as covinhas. Isso de alguma maneira, realmente, me agrada.
Sakura, colégio Kitagawa, dois dias depois às 16h20min.
O grupo de Ikebana no colégio Kitagawa era um típico grupo de colégio que alcançou certa popularidade e foi perdendo até cair quase que completamente no esquecimento. Apesar disso, muitas garotas o frequentava, principalmente as jovens riquinhas que necessitavam seguir a tradição da família... E se eu quisesse alguma informação sobre aquelas flores, imagino que ali seria um ótimo começo.
A sala de Ikebana ficava no primeiro andar, em um corredor com diversas salas destinadas a artes orientais, era uma sala grande, idêntica a qualquer outra no colégio, com o único diferencial que havia tatame e várias flores no fundo da sala. Tinha um cheiro insuportavelmente doce que me lembrou muito o apartamento de Hiromi.
Mas enfim, não havia absolutamente ninguém ali, e como as aulas já tinham acabado, só restava o barulho discreto de alunos descendo as escadarias a alguns metros de distância. Me lembrei que naquele mesmo local, Asuma e Ino se abraçavam. Em pensar que uma semana depois ele estaria morto.
Decidi que entraria na sala e esperaria pelo menos até às 17 horas na esperança de que alguém chegasse. A última coisa que eu quero são os olhos caídos do sociopata funcional, me dizendo "sua incompetente". Saco, no mínimo ele deveria estar aqui me fazendo companhia.
Passou cinco minutos até que ouvi a porta sendo arrastada. Hyuuga Hinata surgia na companhia do mesmo garoto pálido que estava com Naruto no dia que foi anunciado a morte do Asuma. Eles me encararam a princípio surpresos, mas logo o garoto sorriu para mim simpaticamente.
- O que deseja?
Sorri, o meu sorriso mais simpático.
- Estava em busca de uma ajuda. Queria conversar com algum membro do grupo de Ikebana, mas parece que hoje está vazio.
- Estamos sem material durante um tempo, mas provavelmente nas próximas semanas... - Hinata começou a falar, mas sua voz gradualmente foi abaixando e suas bochechas adquirindo uma coloração rubra. - Retornaremos com as aulas...
- Ah entendo, mas vocês não poderiam me indicar alguém? - perguntei olhando para o garoto pálido, que, se não me engano, se chamava Sai ou algo próximo disso. E, só comentando por alto, ele parece essas pinturas antigas.
- Não sou do grupo de Ikebana, estava apenas procurando a Yamanaka, mas pelo jeito ela não está aqui. - ele disse dando uma olhada no ambiente, levando um dedo até os lábios como se estivesse pensando seriamente sobre aquilo. - Mas de qualquer forma, acredito que a Hyuuga-san poderá lhe ajudar.
Olhei para a Hyuuga que me fitava ainda com as bochechas vermelhas. Senti que ela não negaria ajuda apesar de se sentir incomodada com minha presença. Concordei com a cabeça e sorrindo disse:
- Isso seria ótimo.
Sai fez uma reverência e se despediu. Ficamos sozinhas em silêncio por alguns segundos, até que ela se direcionou até uma ampla mesa no fundo da sala e colocou sua bolsa sobre ela. Hinata não me fitava e parecia se esforçar muito para estar ali.
- Como posso ajudá-la?
Queria identificar umas flores. Mas além do meu nome, não conheço mais nenhuma. - Soltei uma risada baixa fingindo que ria da minha própria ignorância. Percebi que ela relaxou um pouco e que sorria discretamente entre os longos fios negros.
- Você deveria se juntar ao grupo de Ikebana então, estamos com poucos membros.
Adoraria se eu tivesse tempo, mas tenho estudando muito para entrar na universidade.
- Entendo. - ela tentou um sorriso, mas ele não se sustentou por muito tempo. Repentinamente parecia um pouco melancólica. Talvez seja maldade, mas não perderia aquela oportunidade.
- Você tem visto o Naruto? - Ela arregalou os olhos e suas bochechas ficaram discretamente vermelhas. Eu reconhecia aquela expressão, não era constrangimento por se tratar do garoto que ela gostava, mas algo muito próximo de um incômodo contido. Algo como ciúmes. - Hyuuga-san? - a chamei gentilmente. Ela levantou o olhar em minha direção e continuei. - Você sabe que eu e o Naruto não temos nada, certo?
Ficou cabisbaixa, e vi que se esforçava para esconder um sorriso bem discreto. Então era realmente isso. A Hyuuga tinha ciúmes de mim com o Uzumaki. Sorri. Por algum motivo achei isso particularmente fofo da parte dela. (...) Me lembrei da Matsuri entregando a cartinha de amor para o Gaara. Me pergunto se ele já a respondeu...
- Mas de que maneira eu poderia identificá-las para você? - Hinata perguntou cortando meus pensamentos. Sorri percebendo que havia conquistado a sua simpatia.
Peguei da minha bolsa as imagens ampliadas que Gaara tinha entregado. Não tinha como ver nada além das flores e por isso dificilmente alguém reconheceria como ambiente de um assassinato. A entreguei, ela deu uma rápida olhada, e no segundo seguinte a porta se abriu.
- Hinata-chan?
Naruto havia aberto a porta com um sorriso quilométrico que se desmanchou nos segundos seguintes ao se dá conta da minha presença.
- Ah, olá Sakura-chan. - ele disse com um sorriso mais discreto, e depois com a voz neutra continuou - Hyuuga-san está ocupada?
Estreitei os olhos. Primeiro "Hinata-chan", depois "Hyuuga-san". Era muito óbvio e talvez por isso me sentisse incomodada, pois Naruto deveria me achar muito retardada para supor que eu não havia suspeitado de nada.
- Ela só está reconhecendo umas flores para mim. Não é Hinata-san?
- Sim. - ela demorou a continuar. - Mas eu peço desculpas em não podê-la ajudar, não consigo vê-las direito para reconhecê-las - ela parecia realmente sentida em não poder dizer mais nada que eu já não soubesse. Ótimo, Gaara vai adorar saber da minha incompetência.
Agradeci e depois direcionei meu olhar para Naruto com o meu melhor sorriso sarcástico. Ele mordeu os lábios, baixou o olhar e depois sorriu. Sabia que ele me pedia silenciosamente para eu manter aquilo em segredo, apesar de não saber exatamente o que significava "aquilo". Despedi-me dos dois e antes de sair da sala, me dei conta do quanto a Hyuuga tinha sofrido de ciúmes depois de apreciar aquela cena. Por algum motivo acho engraçado isso... Imagine se eu e o Naruto teríamos algo... Calma aí, esse é o Gaara e a garota baixinha do primeiro ano?
O sociopata funcional acabava de descer as escadarias, ele, sua cara sonolenta, e sua típica postura de eu não me importo com ninguém. Ao seu lado estava Matsuri com um sorriso gigante nos lábios, o fitando como uma idiota apaixonada. Eu me pergunto se ele aceitou sair com ela.
- Gaara-san? O que você acha... - Matsuri parou de falar, pois ele voltou-se em minha direção a ignorando. A princípio eu não disse nada. Até pensei em andar reto e deixá-los ali, mas meus passos simplesmente se moveram até eles e quando me dei conta eu estava sorrindo para a baixinha do primeiro ano.
- Desculpa interrompê-los, mas eu estava procurando exatamente você Gaara-san. - disse e fingi uma expressão de "Eu realmente peço desculpa, mas é mais importante."... Ou algo próximo disso.
- Ah tudo bem! - ela exclamou sorrindo. Um sorriso forçado, claro. Gaara não disse nada, continuava com a mesma inexpressão de sempre. - Nos encontramos depois então Gaara-san, até mais!
Ela saiu. Nem se despediu de mim. Como se fizesse alguma diferença. Quando ela sumiu no corredor ele voltou-se para mim perguntando.
- O que você quer falar comigo?
(…)
Sobre o que eu queria falar com ele...? Digo... Eu não sei. Nem sei por que eu disse isso. Droga.
- Bom... Não consegui descobrir o restante das flores... - minha voz travou, ele continuava me fitando esperando que eu falasse qualquer coisa. - E... - morreu novamente, mordisquei o lábio inferior.
- Era só isso?
- Sim... E parece que o clube de Ikebana irá fechar por um tempo...
- Por falta de material. Conversei com a professora.
Antes que eu pudesse perguntar como, ele moveu-se em direção a escadaria. Ficamos entre os dois primeiros andares. Como é final da tarde a cor alaranjada transportava pela a enorme janela de vidro, deixando os cabelos de Gaara da mesma cor e sua pele sempre tão pálida e doente, rubra e quente. De alguma maneira essa imagem me incomoda. Um incômodo que não sei dizer se é realmente desagradável.
Ela é a professora de artes clássicas, a encontrei na sala dos professores, também a vimos no enterro do professor. - comentou neutro. Ele depois se curvou para pegar algo em sua bolsa carteira, e por algum motivo tive a leve sensação que Gaara estava sorrindo. Não com a boca... Com os olhos, que pareciam luzir.
- Veja. - ele me entregou as imagens das flores ampliadas, uma por uma dizendo com a voz rouca e baixa como se dissesse algum segredo. - Essa é Jacinto, que estava no topo, e suponho que seja a que estava no topo do corpo do Inuzuka, depois Tulipa Vermelha, Dália, Lantana, Orquídeas, Papoula e Rosa Vermelha.
- Algumas dessas flores eu nunca ouvi falar.
- Elas são raras aqui no Japão. - ele disse e senti uma empolgação que nunca havia sentido em sua voz. - A professora afirmou que Dália e Jacinto só se vendem em uma loja aqui em Tóquio, pois não é facilmente cultivada senão em estufa.
Acho que estou entendendo o motivo de tanta empolgação do Sabaku. Era óbvio demais.
- Podemos ir até lá e descobrir quem as comprou. - creio que falei alto demais e que estou com um sorriso enorme na minha cara. Mas não importei, por que estava surpresa demais pelo simples detalhe de que eu não era a única que sorria ali... Não, claro que Gaara não sorriria escandalosamente, mas havia um puxão de boca bem discreto que era até capaz de provocar uma covinha no canto dos lábios.
Ele deveria sorrir mais. Sabe, ele fica bem sorrindo.
Ok. Hora de voltar à realidade, Haruno. Ajeitei-me e continuei:
- Depois da aula?
- Hoje já está tarde, mas amanhã podemos ir. - ele ainda sorria discretamente, e repentinamente senti que aquilo também me incomodava. Me pergunto por que o Sabaku está tão bem humorado... Será que é pela Matsuri?
- Podemos ir amanhã então.
- Certo. Era só isso que você queria conversar comigo? – ele perguntou.
- Er... Sim. - ele moveu uma sobrancelha e eu entendi o que aquele movimento significava. - Desculpa se eu o retirei da companhia da Matsuri por algo como isso.
Ele me olhou confuso. Droga. O que eu estava falando? Era obvio que eu... Não. Não e Não. Dei-lhe as costas e subi o restante das escadas. Sinto que minhas bochechas estão vermelhas e que acabei de viver umas das cenas mais constrangedoras da minha vida. E não é por que se tratava da Matsuri, ou melhor, por que não se tratava da Matsuri, mas por que eu, por um milésimo de segundo, havia sentido e demonstrado...
Parei. Isso é loucura.
- Haruno? - me voltei do alto da escadaria. Gaara estava lá, me chamando, não sorria mais, nem com os olhos, e eu me lembrei de que o Sabaku não tinha qualquer discernimento social. E de alguma maneira isso me acalmou. - Amanhã, na saída.
Concordei com a cabeça e continuei meu caminho. Tenho certeza que o Sabaku não está entendendo nada, e pela primeira vez na minha vida eu fiquei satisfeita em saber que o ruivo doente era um sociopata funcional.
Eu prometi que a Sakura em algum momento iria parar de chamá-lo de sociopata funcional, mas agora já virou apelido carinhoso então creio que nem ela, nem eu gostaríamos de parar de chamá-lo assim haha . E, bom, antes que eu me esqueça, o Gaara sonolento, de moletom, e comendo biscoito fez muito sucesso e creio que se não fosse por isso eu não teria recebido tantos comentários hauha' Obrigada, Gaara, você será meu novo garoto propaganda haha
Quanto ao mistério, bom, agora sabemos quais as flores vinculadas aos assassinatos e como ele deixa o corpo depois da morte. Creio que não dá para concluir muita coisa dai, mas a ida até floricultura no próximo capítulo nos dará algumas dicas.
Alguns comentários eu respondi por PM, não sei se todos receberam, caso não tenham recebido, me avisem.
D. F. Braine : Por alguma razão eu acredito que o Gaara tenha muitas características do pai, acho que todo mundo adquire algumas características da família, mas do jeito que o Gaara é, meio socialmente alienado, ele não chegou a pensar seriamente sobre isso... E bom, depois do Rock Lee, acredito que a Temari seja a pessoa mais próxima do nosso Sabaku, e provavelmente a que o conhece melhor. E sim! Sakura é realmente dissimulada haha, dizem que na liderança o teatro é fundamental e ela manja super bem disso haha. OBS: Você não é a única que não desgostaria de vê-lo só de moletom, sonolento e com um cookie na boca haha
Conny: Acho que esse capítulo ficou bem clara os habilidades sociais da Sakura e principalmente o pensamento acelerado dela em relação a esse assunto. Enfim, fico feliz que esse jeitinho manipulador dela agrade, a princípio eu não achei que cairia muito bem com ela... Mas é que se ela não for assim, a história simplesmente não anda, principalmente pela falta de habilidade social do nosso Sabaku haha'
Nana-chaan: Uma nova leitora! Fico feliz, principalmente por causa do Naruto, que por mais que não esteja tão tapado assim como no anime, tenha agradado muita gente. E bom... Como você viu nesse capítulo, não é que ele não havia percebido o interesse da Hinata, como a Sakura já desconfiava, mas simplesmente era por que ele não queria deixar isso evidente... A questão é saber a razão disso. Bom, isso será esclarecido lá pela frente. Espero que continue acompanhando ;)
Cahalmeidaf: Acho impressionante o quanto que as pessoas ficam fascinadas por história de serial killer – somos algumas delas haha. Eu confesso que também não sou muito fã de primeira pessoa, na realidade, acho que essa é a minha primeira tentativa séria a respeito... E bom, estou surpresa com os resultados, por que , por mais que se perca um pouco da descrição, como vc disse, temos contato direto com as percepções do narrador, e isso facilita bastante em uma narrativa de mistério. E caramba, consegui desvirtualizar uma fã de Sasuke e Sakura ? Estou me achando um máximo haha', brincadeira, mas confesso para você que não desgosto de Sasuke e Sakura... Mas eu não tenho paciência para lidar com o Uchiha, e como sigo a filosofia de que mulher tem que se envolver por aquele que é digno dela, não consigo digerir muito bem os dois. Sobre o assassino, bom, não é que eu não possa lhe responder, mas é que é mais complicado do que se imagina para simplesmente dizer se ele por casualidade já apareceu ou não. Desculpa por isso, mas você vai ver que aos poucos o mistério será resolvido e nem precisará das minhas dicas =)
Beijos de maçã (já experimentaram chá de maçã feita da casca da própria fruta? É uma delícia! Experimentem, vale a pena.) e até a próxima.
Oul K.Z
