Bom pessoal... Mais uma atualização dessa fic.

To rápida né? Bom... Acho que não tenho nada a dizer...

Mas, vou confessar. Eu chorei enquanto escrevia esse capitulo.

Espero que gostem, ok? Boa leitura!


6. Nasce um rei.

Já haviam se passado dois dias desde que Heero recebeu a carta do conde e voltou para Wing. O rei Dante já tinha sido avisado e estava para chegar a qualquer momento ao reino. Todos voltaram com o príncipe, até mesmo Lady Une que não quis ficar de forma alguma em Oz, com medo, a moça implorou para ser levada junto e mesmo com dor, ela se forçou a viajar. Antes de partir, o príncipe deixou uma tropa do exército dele com um líder de confiança, cuidando das coisas na sua ausência. E tendo ordens de avisá-lo em qualquer problema mais sério.

Arturo esteve inconsciente todo esse tempo, tinha relances de lucidez onde nessas horas as servas aproveitavam para alimentá-lo com alguma coisa liquida, mas logo ele voltava a desmaiar. O médico receitou algumas ervas para que ele não sentisse dores e assim o fazia dormir mais tranqüilo, porém ele ainda não tinha acordado realmente de seu transe em nenhum momento.

Noin se voluntariou a cuidar do rei, então ela passava a maior parte de seu tempo zelando por Arturo enquanto Heero se ocupava dos assuntos do reino, porém, sem que ninguém soubesse, todas as noites o jovem príncipe passava ao lado do tio, atento para ver se ele reagia. Durante o dia, apesar de sempre estar muito ocupado mantinha-se pendente de todas as necessidades com respeito ao rei.

A carruagem real de Sank atravessou a ponte para entrar no reino de Wing e Heero foi receber os pais na entrada do castelo, acompanhado de seus amigos, até Noin foi chamada para conhecer o rei Dante e sua esposa. A escolta real parou em frente à entrada e o capitão da guarda, usando sua famosa armadura branca com o brasão em relevo vermelho, nas costas, retirou seu elmo e desceu do cavalo indo em direção da porta da carruagem e deu a mão para a rainha descer.

Heero observou o homem de longo cabelo platinado, descer do cavalo com a sensação de conhecê-lo de algum lugar. Noin também observava com atenção o capitão da guarda, mas, no caso dela era uma sensação nostálgica, por ver o homem que a salvou, quem ela pensou nunca mais ver, estava ali na sua frente. Sentiu o coração acelerar ao ver a beleza do homem que reconheceu. Zechs olhou de canto para Heero que o encarava analítico e decidiu que logo lembraria o amigo de quem era, mas ainda não havia se dado conta da presença da moça que salvou. A rainha desceu da carruagem e correu até o filho para abraçá-lo.

- Heero meu querido, como você está? – Perguntou Amanda abraçada ao príncipe.

- Estou bem minha mãe. – Respondeu Heero de forma monótona, mas devolvendo o abraço.

- Heero... – Dante apareceu logo atrás da rainha e encarava o filho.

Fazia dezessete anos que pai e filho não se viam. Dante agora tinha o rosto mais marcado com rugas de preocupação, o cabelo ruivo agora se misturava com vários fios brancos e os olhos mostravam o cansaço que adquiriu a longos anos de trabalho estressante e sem descanso. Heero se sentiu estranho ao ver o pai, que antes lembrava ser um homem tão forte, visto pelos olhos de uma criança, agora, visto pelos olhos de um jovem adulto, seu pai parecia alguém tão frágil, que sentiu uma estranha necessidade de proteger sua família.

- Meu rei... – Heero então se separou do abraço da mãe e ajoelhou em reverencia ao pai. Toda a equipe Gundam que o acompanhava reverenciou o rei e a rainha, que pela primeira vez conheciam.

- Faz muitos anos... – E Dante completou se aproximando e colocando a mão no ombro direito de Heero. – Levante-se... – E assim o príncipe obedeceu.

Dante ficou encarando o filho por algum tempo e com um olhar cúmplice para o filho, nada disse e entrou no castelo. Heero também não falou nada. Entendia o pai sem ouvir as palavras. Anos atrás pensou que nunca compreenderia Dante, mas agora, parece que sempre o entendeu e sabia o que o rei quis dizer naquele olhar. Sentiu um vazio ser preenchido no peito, como se houvesse encontrado mais uma peça do quebra cabeça, Heero Yuy.

A rainha sorriu para o filho e seguiu o marido. Ela sabia que não adiantaria tentar decifrar um rosto que não mostrava nenhuma expressão igual ao do marido. A maior prova de que eram pai e filho, não era nem a aparência física, mas o olhar frio que ambos possuíam e que se tornava uma característica única deles. Mas, Amanda também sentia que aquele reencontro foi muito mais significativo para os dois que qualquer pessoa pudesse imaginar. Quando o herdeiro estava prestes a seguir os pais, alguém o chamou.

- É um prazer revê-lo... Alteza. – Disse Zechs com um sorriso no rosto para o amigo. Heero se virou e ficou analisando a face do homem, até que enfim reconheceu.

- Zechs? – Disse ainda meio dúbio.

- A seu dispor majestade. – E o loiro fez uma reverencia. Heero esboçou um sorriso de canto.

- Faz realmente muito tempo! – Foi até o amigo e colocou a mão direita sobre o ombro dele, Zechs fez o mesmo.

- Com certeza... Achei que não se lembraria de mim. – Zechs falou divertindo-se.

- Desculpe a demora... Mas, você esqueceu-se de cortar o cabelo. – Heero concluiu e Zechs riu animadamente.

- Sério? As piadas não combinam com você... – O capitão completou.

- Acho que está certo... Venha, Vamos entrar, mandarei prepararem um quarto para você no castelo... – E Heero finalizou.

- Primeiramente... Eu sinto muito por seu tio... – Falou Zechs recobrando a seriedade e sendo sincero. Heero apenas assentiu.

- Venha... Deixe-me lhe apresentar minha equipe...

O príncipe levou o velho amigo e começaram as apresentações, Treize foi o primeiro, seguido de Duo, Trowa, Quatre e Wufei. Zechs cumprimentou amigavelmente a todos ali presentes... Até que chegou a vez de Heero apresentar a Noin. Foi então, que Zechs reconheceu a linda moça que salvou. Agora ela estava vestindo um lindo vestido azul royal com detalhes em prata que deixavam parte de seus ombros de fora, completava o conjunto o par de brincos prata que ela usava. Zechs a admirou por alguns segundos antes de cavalheirescamente pegar a mão dela e dar um beijo sem desviar os olhos do dela. Ele a encarava penetrantemente e aquilo fazia o coração dela disparar.

- É um grande prazer conhecê-la... – Falou Zechs.

- O prazer é todo meu... – Respondeu Noin sentindo as bochechas esquentarem.

Os demais que estavam ali podiam sentir o clima que se formou.

-/-/-

Dante estava sentado em uma poltrona ao lado da cama de Arturo com as mãos unidas na frente do corpo com o queixo apoiado sobre elas, observando o irmão que agora dormia tranquilamente devido a ervas medicinais receitadas pelo médico real. Sua fisionomia era da habitual monotonia, mas por dentro seu coração estava apertado. Sempre respeitou demais ao irmão mais velho e o admirava.

Dante sabia que um dia ele teria que enterrar o irmão mais velho, afinal, de acordo com a idade seria o mais lógico que poderia acontecer. Mas, sempre desejou que fosse o contrario. Lembrou-se de quando eram jovens, e Arturo se apaixonou perdidamente pela garota mais linda do reino, Amanda St-Pier. Dante então se levantou da poltrona e foi até a janela encarando parte do reino ainda pensativo. O que ele nunca contou era que se sentia culpado por ter se apaixonado pela mesma mulher que Arturo. Mas, estava disposto a abrir mão da moça por seu irmão, porém Amanda o escolheu.

Quase esboçou um sorriso ao recordar de como Arturo deu sua benção ao casamento deles com um largo sorriso no rosto e como foi entregue pelo irmão o maior presente de casamento de todos. Dante sempre considerou o irmão como um mentor. Um sábio que sempre tinha as palavras certas a dizer e as melhores idéias. – Você sempre foi melhor rei que eu. – Sussurrou olhando, agora para Arturo que continuava dormindo.

- Estava aqui? – Disse Amanda quando entrou no quarto e ganhou a atenção do rei.

- Não a vi entrar... – Disse Dante quando voltou à realidade.

- Como está Arturo? – Perguntou a rainha e Dante nada respondeu. Apenas voltou a olhar para o irmão ali deitado.

- Você... – Começou Dante e Amanda olhou para ele. – Você se arrepende de haver me escolhido com marido... Ao invés dele?

Amanda se surpreende ao ouvir a pergunta do marido. Aquilo não fazia sentido e estranhou Dante. Era como se por alguns segundos ela tivesse outro homem em sua frente. Como se fosse à aparência de Dante, porém outra personalidade. Quando foi responder se deu conta de que não estavam mais sozinhos. Amanda e Dante se viraram e encontraram Heero de pé, segurando a maçaneta da porta, encarando os pais. O príncipe havia ouvido a pergunta do pai e por mais que sua fisionomia continuasse neutra, aquilo o surpreendeu.

- Heero? – Falou Amanda. Dante continuou monótono e calado.

- Vim ver se estava tudo bem... – E o herdeiro apenas disse.

- Ele não acordou. – Dante informou e Heero assentiu.

- Por que... – Heero achou melhor não tocar no assunto que ouviu. – Lúcius não veio?

- Bem... – Amanda foi responder, mas Dante a interrompeu.

- Aquele rapaz... – O tom de Dante era irritado e se diferenciava do seu olhar. – Nem merece ser um príncipe. – Então, o rei passou pela esposa e o filho e se foi do quarto.

- O houve? – Heero estranhou o comentário e a atitude do pai e resolveu questionar a mãe. – Porque o rei falou assim sobre Lúcius?

- Bem... – Amanda então olhou para Arturo e deu sinal para que Heero saísse e ela o seguiu. – Não devemos incomodar mais a Arturo. Ele necessita descansar. – E disse ela enquanto fechava a porta do quarto.

- Responda minha pergunta, por favor. – E Heero continuava firme em querer saber a verdade.

- Lúcius... É meu filho assim como você e o amo tanto quanto, mas... – Amanda passou a mão pelo rosto de Heero, que não reagiu. – Ele tem um temperamento um tanto rebelde demais.

- Explique... – Heero estava curioso.

- Bem... Ele não se interessa pelos assuntos do reino e muito menos pelo povo. Passa as noites bebendo, jogando e fornicando com mulheres da vida. Acorda tarde e sempre se esforça para provocar seu pai... – A rainha falava com pesar. – É assim que seu irmão age. – Heero ficou inconformado com o que ouviu.

- Mas... Porque ele age assim? – O herdeiro tentava compreender.

- Ele não é você! – E a rainha concluiu.

Heero nada disse e com uma pequena reverencia se retirou. As palavras de sua mãe martelaram sua mente. Era estranhou imaginar o irmão, que sempre pensou ser o protegido do pai, agora ser um rebelde que incomoda o rei.

-/-/-

Dante estava no escritório estudando os assuntos de Wing e Zechs em pé ao lado da porta pendente caso fosse útil, Heero entrou e pediu ao amigo que os deixasse a sós. O capitão da guarda assentiu e saiu.

- Porque deixou Lúcius em Sank? – O príncipe começou.

- Aquele rapaz nem ao menos se importa com o estado de seu tio. Porque deveria trazê-lo? – Dante falava olhando para os documentos do reino.

- E não tomou nenhuma atitude? Digo... Apenas lavou suas mãos? – Heero ainda falava inconformado. E Dante soltou os papéis.

- Ele agora tem dezenove anos... A única solução que vejo é matá-lo... Mas, acho que a rainha não permitiria. – E o rei voltou a olhar os documentos. – Os documentos estão em dia...

- O rei deixou tudo organizado... Só estou mantendo. – Falou Heero sem dar importância.

Heero pensava sobre tudo o que ouviu sobre Lúcius enquanto Dante continuava a examinar os documentos do reino, quando batem na porta e antes de ouvir a permissão para prosseguir, Treize entrou.

- Perdoe-me... Não sabia que o rei estava aqui. – Disse o recém chegado, fazendo uma reverencia. Dante levantou a cabeça e achou petulante da parte do loiro entrar sem ser convidado, mas nada falou.

- O que foi? – Perguntou o príncipe ao amigo.

- Ele acordou! – Falou Treize. Heero estreitou os olhos e segurou um sorriso de canto que quis se formar em seu rosto. Dante se perguntou a quem se referiam, mas não obteve resposta.

- Meu rei, com sua licença, retiro-me.

Sem esperar a resposta de Dante, Heero saiu acompanhado de Treize. Dante seguiu ambos até a porta e chamou Zechs que se encontrava do lado de fora e pediu que seguisse o filho, para descobrir aonde iam. O capitão da guarda assentiu e assim o fez, enquanto Dante voltou para dentro do escritório fechando a porta e sentando na poltrona, apoiando a cabeça nas mãos, voltando a pensar em Arturo.

-/-/-

Heero acompanhado de Treize e Trowa desceu as escadas que dava acesso ao calabouço. Os três aceleraram o passo e Zechs os seguia. Chegaram a uma porta de ferro, de onde se ouvia vozes e entraram. Quando Heero abriu a porta viu uma cena que lhe agradou muito. Wufei e Duo já estavam no local e o segundo jogava água fria no homem que estava pendurado amarrado pelas mãos e o corpo inteiro cortado. O homem estava a ponto de chorar e implorava pela vida.

- Demorou Heero. – Disse Duo colocando o balde de canto.

- Estava ocupado... Novidades? – Heero falava sem desviar seu olhar gélido do homem que estava sendo torturado.

- Ainda não... Wufei exagerou de novo... – Respondeu Duo, ignorando o olhar mortal que o citado lhe lançou.

- Wufei... Vá com calma. Não queremos matá-lo... Ainda. – Trowa estava escorado na parede e falava calmamente.

- Não tenho culpa se ele é tão fraco. Chega a ser frustrante. – E Wufei falou com descaso.

- Mas, o que ainda estamos tentando arrancar dele? – Questionou Treize intrigado. – Já sabemos que foi Dekim quem deu a ordem... – Todos olharam para o príncipe.

- Na realidade... Nada em especial... Só quero que ele sofra. – Heero se aproximou até ficar cara a cara com o preso. – Quero vê-lo rastejar implorando perdão pelo que fez ao rei.

- Eu faço o que quiser... Rastejo, imploro... Mas, por favor... Solte-me. – Falou o homem deixando as lágrimas descerem.

- Wufei... – Falou Heero em sua pronuncia monótona e o amigo soltou a corda que segurava o homem, fazendo com que este caísse e se machucasse com o impacto.

Heero se afastou e o homem chorando implorava pela vida. Falava que apenas seguiu as ordens que lhe foram dadas, e que se arrependia amargamente pelo que fez. Trowa perguntou por curiosidade, onde haviam arrumado aquele veneno e o rapaz falou que quem o preparou foi o conde.

- Está disposto a negar seu rei e jurar obediência ao príncipe Heero Yuy? – Perguntou Treize com um olhar malicioso.

- Sim... Sim... Sim... Estou! Faço qualquer coisa... Ponho-me a disposição de vossa alteza. – O homem não possuía mais forças para se ajoelhar, e deitado olhava de canto para o herdeiro.

- Patético! – Foi à palavra usada por Heero e os quatro ali presentes riram. – Acha mesmo que aceitaria ter em meu reino o verme que envenenou o rei? – O príncipe então, se virou para sair. – Duo, Wufei... Acabem com ele. Temos mais dois convidados para dar atenção.

Os amigos cujos nomes foram citados assentiram com um sorriso no rosto. Heero, seguido por Trowa e Treize saiu e voltou ao castelo. Zechs então saiu do esconderijo em que estava e com satisfação, deu uma ultima olhada para o calabouço de tortura e ouviu os gritos do homem antes de seguir de volta ao castelo.

Heero e seus amigos mal haviam chego à entrada que dava acesso ao castelo quando vêem Quatre correndo em direção a eles. – Heero, o rei acordou. – Após completar a frase o príncipe e os amigos correram em direção ao quarto do rei, enquanto Quatre desce as escadas para chamar Duo e Wufei. No caminho cruza com Zechs, mas pouco se importa. Informa ao capitão a boa nova e segue seu caminho.

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Heero entra no quarto seguido pelos demais e ali encontra Dante sentado na poltrona ao lado da cama, a rainha sentada na cama, ao lado de Arturo e Noin em pé ao pé da cama, pendente para o que fosse necessário. O príncipe entra e Arturo sorri para aquele que considera um filho. O herdeiro não diz nada, mas sua expressão é branda e nota-se uma preocupação bem no fundo de seu olhar.

- Como se sente? – Perguntou Heero.

- Com pouco tempo de vida... – Respondeu Arturo com um sorriso fraco.

- O que posso... Fazer? – A voz de Heero era nítida, mas ele sentia o coração apertado.

- Sorrir... – Disse Arturo, como se aquilo fosse um último desejo. Heero se surpreendeu com o pedido e não respondeu, continuou encarando o tio que lhe sorria. Arturo, então se voltou para Dante. – Você é um grande rei e um homem honrado. Aprenda a expressar seus sentimentos...

- Eu não os tenho! – Disse Dante encarando o irmão mais velho.

- Você é meu irmão... O único que tenho. Aquele que passei minha vida zelando. – Dizia Arturo. – Ai dentro tem muito amor para com os seus! Eu tenho certeza! – Completou apontando para o coração de Dante. – Não seja tão duro... E quando eu for, queime meu corpo como de costume e deixe o ar levar minhas cinzas, para que seu seja livre. – O olhar de Dante era leve e ele apenas assentiu.

- Amanda... – Arturo então olhou para a rainha e seus olhos brilharam. – Minha doce Amanda... – As palavras do tio chamaram atenção do príncipe. Amanda chorava e segurava a mão do cunhado. Dante baixou a cabeça, levantou e colocou a mão no ombro do irmão como despedida depois saiu do quarto. Heero observou calado e Duo, Treize, Trowa, Quatre e Zechs entraram em silencio. – Continua linda como da primeira vez que te vi.

- Arturo... Meu caro amigo! – As lágrimas escorriam pelo rosto dela e pelos de Noin, que assistia a cena calada e agora observada por Zechs.

- Não... Não chore... Adoro seu sorriso. – O rei, apesar da voz trêmula, continuava. – Obrigado...

- Pelo que? – Dizia ela tentando sorrir para ele.

- Por ter me dado a honra de conhecê-la. E por mais que não tenha me escolhido... Proporcionou-me a oportunidade de me sentir pai... Com Heero. – Arturo lançou um olhar para o príncipe que continuava atento a conversa. – Continue sendo essa mulher forte e amável... E tenha paciência e cuide de meu irmão e de meus sobrinhos... – Amanda assentiu, tentando segurar o choro que aumentava a intensidade.

- Equipe Gundam... – E todos se moveram para ficar a vista do rei. – Vocês são um orgulho para seus pais, um orgulho para o reino e o maior orgulho de seu rei. – Quatre e Duo deixaram uma lágrima solitária escorrer, Noin chorava sem conseguir se conter, mas sem perder sua base, Treize e Trowa tinham os olhos umedecidos, mas nenhuma lágrima, e Wufei tinha a postura inabalada, mas com um nó na garganta. – Foi uma honra conhecê-los... Que seus nomes sejam escritos na história... Zelem pelo novo rei. – E Arturo olhou para Noin. – Bela Lucrezia... Não chore. Nunca consegui acreditar que uma moça tão linda de aparência tão frágil fosse tão forte. Continue assim... – Então, Arturo olhou para Zechs, que encarava a Noin. – E você quem é?

- Milliardo Merquise de Peacecraft, capitão da guarda no reino de Sank, filho do conde Merquise de Peacecraft... A seu dispor majestade. – Zechs se curvou em uma reverencia.

- Já ouvi falar a seu respeito jovem... – Falou Arturo. – É uma pena não havermos nos encontrado antes. – Arturo então deu um último relance para Noin e sorriu para Zechs. – Sua escolha não poderia ter sido melhor. – Zechs sorriu para o rei entendendo o que ele lhe disse e com uma reverencia e tristeza no olhar se despediu daquele que acabara de conhecer. – Mande lembranças a seu pai por mim... Ele é um grande homem. – Então, finalmente o rei olhou para o herdeiro. – Aproxime-se príncipe.

E Heero sentou na poltrona que antes o pai ocupava. Todos que ali estavam se entre olharam e em comum acordo saíram. Arturo esperou que a porta se fechasse e os dois ficassem a sós para começar.

- Meu filho... Meu único filho. – Heero estava calado e prestava atenção. – Não sou seu pai verdadeiro, apenas seu tio... Mas, para mim, você é meu filho. E há você entrego tudo o que tenho.

- O senhor tem que se curar... – Heero então se manifestou pela primeira vez. E o rei sorriu.

- Sabemos que isso não acontecerá... – Arturo estava cada vez mais fraco. – Preste... Muita atenção... No que direi... – Heero assentiu. – Eu sempre... Fui apaixonado por sua mãe. – Heero arregalou os olhos ao ouvir a confissão do tio. – E morrerei sendo. – Arturo ficou nostálgico. – Amei sua tia... Mas, esse amor nunca se comparou ao que sinto por Amanda...

- Por que está me falando isso? – Perguntou Heero confuso.

- Quero que me prometa algo... – Arturo esperou Heero concordar para continuar. – Eu me declarei para Amanda e Dante também o fez. Mas, ela o escolheu e eu aceitei. Não se deve obrigar uma mulher que não ama alguém a viver ao lado dessa pessoa. Nunca! – Heero estava atento. – Por isso... Ouça com atenção... Se amar alguém que ama outra pessoa, deixe-a ir. Ver o sorriso no rosto da pessoa amada é o maior presente que podemos receber... Mas, se você for correspondido... – Arturo então ficou sério. – Lute por ela... Não importa as circunstancias e nem contra quem será a luta... Lute e conquiste sua felicidade. Não permita, que nada e nem ninguém separe seu amor de você. Entendeu? – Falou Arturo e o príncipe assentiu. – prometa! – Arturo foi o mais enérgico que sua condição permitia.

- Eu prometo! – Heero falou com firmeza.

- Ótimo... – As lágrimas escorriam sem permissão pelo rosto de Arturo. – Vá chamar meus amigos... Por favor, meu filho.

Heero se levantou e foi até a porta, colocou a mão na maçaneta e antes de abrir olhou para o tio que ainda o encarava e falou. – Obrigado... Por ser meu pai! – O príncipe abriu um largo sorriso para o tio. Aquele tão desejado sorriso que Arturo esperou anos para ver. E pela primeira vez na vida. Heero pronunciou a palavra pai e foi para a pessoa que mais merecia. O herdeiro então, se recompôs e saiu.

Passou o recado para os amigos do rei e estes entraram no quarto do rei e fecharam a porta. Heero, sua equipe, seus pais e Zechs permaneceram no corredor. Ninguém falou nada. Todos estavam compenetrados em seus pensamentos, memórias e nas palavras que ouviram daquele sábio rei em seus últimos momentos de vida.

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Relena estava ensinando a arte da pintura para as crianças das quais ela se responsabilizou em cuidar para que, a rainha pudesse viajar para Sank junto com o rei a fim de ver seu cunhado que se encontrava em um estado critico de saúde. Lúcius chegou sem fazer barulho e abraçou a amiga por trás, surpreendendo-a.

- Lúcius, por favor! – A moça falou indignada se desvencilhando do abraço do príncipe. As crianças estavam tão compenetradas em seus desenhos que nem perceberam o ocorrido.

- Boa Tarde minha cara... – Disse ele com o olhar malicioso para a moça.

- Como se atreve? – Ela olhou irritada para o amigo.

- Como? Ah... Talvez por eu te amar. – Disse ele buliçoso.

- Lúcius... Por favor, entenda que só te vejo como um grande amigo. – Falou ela se dando por vencida.

- Nunca. – Ele então a encarou. – Nunca me conformarei com isso... E um dia, você será minha. Não importa como!

Ditas essas palavras, o príncipe saiu da sala deixando a amiga inconformada com as palavras dele. A loira não sabia mais o que pensar e tinha medo que Lúcius não quisesse entender e se machucasse criando esperanças com respeito a ela.

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Já haviam se passado trinta minutos que os amigos do rei estavam dentro do quarto e aqueles que se encontravam do lado de fora, não haviam movido sequer um músculo para saírem dali. Continuavam calados e pensativos. Noin e Amanda choravam sem parar.

De repente a porta se abre bruscamente e o conde aparece com os olhos embaçados, encara a todos os que ali estavam e fixando-se em Heero, dá a noticia. – O rei acaba de falecer... Eu sinto muito. – Heero e Dante nada disseram. Noin e Amanda começam a soluçar e chorar incessantemente. Treize, Trowa deixam uma lágrima escorrer. Duo e Quatre também permitiram que as lágrimas viessem, mas, Wufei e Zechs continuavam com os rostos secos. O primeiro porque não aceitava chorar e o segundo, devido ao pouco contato que teve com o rei falecido, só conseguiu se sentir triste.

Heero saiu e Dante entrou no quarto e vendo o irmão deitado inerte na cama de olhos fechados e as mãos juntas sobre o peito, se aproximou e o cobriu completamente com o lençol.

- Mande prepararem o velório... Que todos venham se despedir de seu rei. E ao amanhecer, cremaremos o corpo. – O rei deu as ordens sem tirar os olhos do irmão.

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Heero desceu as escadas que davam acesso ao calabouço quase correndo, seguiu reto pelo longo corredor e parou em frente à última cela, dando ordens para que abrissem a grade e não o interrompessem. O jovem príncipe soltou as algemas do antigo rei de Oz e desferiu nele uma seqüência de socos. O homem caiu no chão e começou a rir.

- O que foi príncipe? O rei morreu? – Falou Dekim irônico.

Heero ignorou o comentário mal-intencionado do homem a sua frente e levantando-o pelo colarinho continuou a bater nele. Os golpes alimentavam a intensidade de acordo com que aumentava a ira do príncipe. O antigo rei agora, já não sorria e muito menos fazia piadas maldosas. O homem caído no chão cuspia sangue e gritava de dor devido aos chutes e socos que o herdeiro desferia sobre ele. Heero só parou de bater quando viu o homem desmaiar de dor. Foi quando o jovem se levantou, pegou um lenço e saiu limpando a mão que sujou no sangue do homem.

- Nada de comida para ele e nem água... – Deu a ordem. – O rei faleceu... Venham velá-lo. – Então ele informou o carcereiro que ficou incrédulo com a má noticia e saiu.

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Todo o reino estava em luto, às mulheres se debulhavam em lágrimas e muitos homens também choravam. Arturo foi o melhor rei de todos para eles. Era um homem integro. Respeitado e amado por seu povo que o admirava.

Todos vieram para o velório e todo o reino passou a noite em claro velando o corpo de seu querido rei. Muitos diziam que nunca haverá um rei como ele e outros falavam que o príncipe Heero era um presente deixado por Arturo.

Era quase manhã quando todos já haviam dito seu adeus ao tão querido Arturo. O corpo agora frio do rei estava sobre uma mesa no meio do salão real e sobre os olhos fechados do rei, duas moedas. Dante sentado no trono nada dizia. Ficou calado apenas observando as pessoas e dando sua despedida silenciosa ao irmão. Dante se levantou e disse um apenas – Vá em paz... Meu irmão! – Como últimas palavras para Arturo e então chegou à vez de Heero.

- Um rei exemplar, um homem bom e justo... Um pai! É esse o tipo de homem que esse reino infelizmente, perde hoje. Mas, eu me encarregarei de fazer com que seu legado nunca se perca!

Esse foi o adeus do príncipe. As pessoas se emocionaram com as palavras do príncipe e os amigos viram pela primeira vez, Heero demonstrar sentimento. Mas, logo ele voltou a ficar frio e calado.

Os soldados buscaram o corpo do rei e o levaram para fora do castelo e colocando-o em uma cama de palha, deram ao príncipe uma tocha e assim Heero ateou fogo na palha e na madeira, para que o corpo de Arturo se reduzisse a pó. Ele e Dante ficaram até o fim observando a chama consumir tudo.

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Uma semana se passou desde o funeral do rei Arturo e a pedido do mesmo, antes de morrer, Heero estava sendo consagrado a rei. O príncipe agora passava pelo corredor formado por cavaleiros com suas espadas erguidas e cruzadas a cima da cabeça do príncipe. A equipe Gundam e Zechs fazia parte do corredor. Amanda e Dante olhavam com orgulho o filho, porem somente ela o demonstrava.

Ao chegar ao fim do corredor e posicionando em frente ao trono, Dante Leu o juramento para o filho, no lugar que era para ser ocupado por Arturo.

- Você jura solenemente ser justo e honrado para com o povo? – Falava o rei. – Jura colocar os interesses do reino por cima de tudo e pensar somente no bem estar do povo?

- Eu juro! – E Heero respondia.

- Então, em nome do reino Wing damos as boas vindas a Heero St-Pier Yuy. Rei de Wing! – E Dante deu o veredicto final.

A coroa foi posta sobre a cabeça de Heero e ele se sentou ao trono que agora lhe era correspondido. Todos ali se curvaram para ele e Dante o encarou satisfeito.

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No dia seguinte a coroação, Heero estava em seu escritório revisando alguns papeis quando seu pai entra. O agora rei se levanta e reverencia o pai.

- Estou voltando para Sank... – Falou Dante.

- Sim... A rainha já havia me informado que partiriam hoje... – Falou Heero monotonamente.

- O que fará com Dekim e o ex-conde? – Perguntou Dante.

- Eles têm recebido tratamento especial... – Heero deu um sorriso de canto, malicioso. – E amanhã serão enforcados em público.

- Muito bem. Ótima decisão. – Dante consentiu. E Heero agradeceu com um gesto de cabeça. – Volte para Sank comigo... – E por fim Dante falou.

- Sank? – Heero estranhou.

- Você ainda é meu filho e meu herdeiro... Se quiser, vá dentro de um mês... Mas volte para casa... – Dante fez seu pedido e Heero o encarou pensativo.

O que o pai falou era uma verdade. Ainda era herdeiro de Sank e por isso precisava saber o que faria. Heero não falou nada e Dante decidiu que deixaria o filho digerir tudo o que aconteceu em tão pouco tempo. Resolveu então que era hora de partir. Heero o seguiu até a carruagem com apenas uma despedida por uma troca de olhares, Dante subiu na carruagem. Amanda abraçou o filho e seguiu o marido. Zechs Colocou a mão no ombro de Heero que fez o mesmo com o amigo como despedida.

Depois o capitão despediu-se dos novos amigos, deixando Noin por último. Ele foi até a moça com seu jeito galanteador e pegou a mão dela, depositando um beijo sem desviar os olhos dos dela. Noin enrubesceu com a mirada dele, sentindo seu coração disparar. Nada disseram. Zechs montou o Tallgeese e ordenou a guarda real que se pusessem em marcha. Heero observou eles partirem pensativo.

...Continua...


Bom pessoal, oq acharam?

Gostaram sim ou não? Não poupem os comentário, por favor!

Uma informação é a presença do sobrenome St-Pier para o Heero, o que acontece é que esse é o sobrenome da Amanda e achei necessario colocar na hora da coroação, entenderam?

Mas, no decorrer da fic só verão o sobrenome Yuy aparecendo. St-Pier é só em casos muito importantes que será citado, não estranhem, mas nessa época era muito falado os nomes completos... Ok?

Bom... É isso, Beijos e por favor... Me mandem muitas revierws e bem grandes, me inspiram as opiniões de vcs! ^.^