Chegou o dia de descobrir como tudo aconteceu...

Boa leitura!


7. Casamento

Um cavalo Pampa preto e branco corria a toda velocidade com um soldado em cima dele com as feições sérias. Estava apressado e olhava para o céu preocupado com a chegada da noite. Diminuiu a velocidade quando avistou os muros do castelo de Sank suas feições abrandaram. Então, mais tranqüilo voltou a acelerar o passo.

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- Hadja, que vestido lindo! – Relena sorria observando atenta os detalhes do vestido rosa bebê com bordado com pérolas, dado pela amiga.

- Que bom que gostou... Irá usá-lo amanhã, certo? – Perguntou Hadja animada.

- Claro que sim... Obrigada. – Relena então, voltou a olhar a amiga.

- Mas, não poderá deixar de usar o meu presente também... – Cléo se levantou e entregou uma caixa a loira. Relena aceitou sorridente e abriu o pacote. Seus olhos brilharam e seu sorriso voltou a alargar.

- Cléo... Que lindo esse brincos. – Relena ficou admirada com os brincos de ouro com pedra fluorita rosada. – São perfeitos e combinam com o vestido.

- Eu sei... A Had me avisou qual seria a cor e por isso pedi que fizessem esses brincos com essas pedras. – Explicou à ruiva e Relena a abraçou agradecendo.

- Agora é minha vez. E exijo que também use o meu presente. – Teyuki se levantou e entregou uma caixa pequena para a amiga e Relena abriu, voltando a ficar deslumbrada com o conteúdo.

- Vocês irão me deixar mal acostumada dessa forma. – Ela analisava com atenção o enfeite de cabelo feito de ouro e pérolas. – É lindo Tey... Obrigada.

- Que bom que gostou... E preparada para a grande festa de amanhã? – Perguntou Teyuki.

- Sim... A rainha disse que não iria deixar passar o meu aniversário. Eu não queria festa... Mas, ela insistiu. – Falou Relena se lembrando de Amanda com carinho. De repente Zechs chegou por trás da irmã e apresentou-lhe um buque lindo de flores silvestre.

- Feliz aniversário irmãzinha. – O capitão da guarda sorria amplamente.

- Milliardo... Adorei. – Relena pegou o buquê sentiu o perfume das flores e depois deu um forte abraço no irmão como agradecimento.

- Ora, ora... Se hoje não é o aniversário da bela Relena... – Disse Lúcius se aproximando galantemente e estendendo uma caixinha pequena em direção a moça. – Meu presente.

- Ora, alteza... Não era necessário. – A loira pegou a pequena caixa sorrindo e quando abriu se surpreendeu, deixando o sorriso diminuir no rosto ao entender o significado do presente. Era um anel feito de ouro e prata trançado com uma pedra de diamante no meio. – Isso é...

- O símbolo do meu amor. – Falou Lúcius sinceramente.

Relena e todos os que estavam presentes olharam para o presente e entenderam o pedido de casamento implícito ali no anel. Zechs fechou a fisionomia e encarou o príncipe friamente. Cléo, Hadja e Teyuki se entreolharam incomodadas com a cena e Relena fechou delicadamente a caixa e pensando ser falta de educação devolve-la, apenas agradeceu com um sorriso tímido.

- É uma linda jóia, alteza. A guardarei para que não se perca. – Falou a loira educadamente.

- Preferiria que a usasse... Mas, quem sabe um dia... Minha bela Relena. – Lúcius beijou a mão dela e das demais moças depois saiu sem nada a dizer. Zechs esperou ele sair para então falar.

- Relena... Você vai aceitar esse anel? – Perguntou incrédulo.

- Eu não posso devolver o presente assim... Seria uma falta de educação. – Respondeu ela.

- Porém, aceita-lo é o mesmo que dizer sim. – Concluiu Hadja e as demais concordaram.

- Então o que me sugerem? – A aniversariante perguntou.

- Vá depois e devolva a ele com um pedido de desculpas... – Cléo solucionou.

- Ou então, coloque de uma vez no dedo e se case com o príncipe. – Falou Teyuki despreocupada e marota. As três moças olharam para elas incrédulas e Zechs a encarou irritado. – Calma... Eu só estou brincando!

Sem nada a dizer, Zechs se retirou nervoso. Hadja olhou para Teyuki a repreendendo da brincadeira, afinal a moça sabia que o capitão detestava pensar em ver Lúcius perto de Relena. A morena pediu desculpas, sem graça pela confusão, afinal a sua idéia era apenas brincar. Nenhuma das moças gostaria de ver a amiga casada com o príncipe, afinal ele não tinha atitudes muito boas e elas achavam que Relena merecia alguém melhor. A loira mudou de assunto e elas voltaram a falar da festa que a rainha estava organizando no dia seguinte em comemoração ao aniversário dela.

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Lúcius caminhava tranquilamente pelos corredores e viu o guarda que ficava de sentinela na porta do escritório do rei entrar e sair dele com uma carta em mão e se distanciar de seu posto. Curioso ele foi em direção ao escritório e abriu um pouco a porta, mas, ao ouvir que seus pais conversavam resolveu não entrar. Porém, como ninguém se deu conta da porta estar entreaberta, começou a ouvir a conversa quando percebeu que falavam de Heero.

- Meu rei... Acha que Heero virá? – Perguntou Amanda.

- Já faz um mês desde que estivemos lá e eu pedi que ele voltasse dentro deste prazo. – Dante falava sentado em sua habitual poltrona com o queixo apoiado sobre as mãos. Amanda sentada a sua frente prestava atenção.

- O que escreveu naquela carta? – Ela perguntou de novo.

- Pedi que ele voltasse... Já que ele não respondeu ao convite do aniversário de Relena... – Dante falava calmamente. Lúcius então estremeceu ao ouvir o nome de sua amada.

- Mas, será que ele não aparecerá por aqui amanhã? – A rainha estava preocupada.

- Gostaria de afirmar que sim... Porém, tenho a sensação de que isso não acontecerá. Se bem que a ocasião seria perfeita para eles finalmente se conhecerem. – Quem visse Lúcius nesse momento, teria perguntado se ele estava bem. O príncipe estava branco como papel e seu coração apertado.

- Sim... Seria perfeito mesmo. – Amanda falou e depois sorriu. – Ah, não vejo a hora de começar a preparar o casamento de Heero e Relena.

Lúcius então deixou o braço cair e sem fazer nenhum barulho e nem se preocupar em fechar a porta deixou o corpo cambalear para trás e só parou quando sentiu suas costas encostarem-se à parede. Seus olhos estavam arregalados, sua boca entreaberta, a cor de seu rosto havia sumido deixando-o branco. Levou a mão direita até o coração e sentiu ele disparado. A dor era tamanha que não pode controlar a lágrima que desceu por seu rosto. Sentiu o ar faltar e nesse instante desejou estar morto. Ao ouvir os passos do guarda que voltava para ocupar novamente seu posto, cambaleante e segurando na parede, andou o mais rápido possível para sair dali.

Entrou em seu quarto, de forma que nem ao menos ele sabia como conseguiu chegar ali. Olhou para a cômoda cheia de livros e em um ataque de raiva jogou todos para o chão. Deixou sair um grito de ódio e tremendo caiu de joelhos. As lágrimas desciam sem convite e sentia o desespero aumentar em seu âmago.

- Ela é minha... Só minha... Não... Ela não... - Gritava entre dentes. – Por quê? Porque vocês tinham que dar ela para ele? Por quê?

Uma das servas entrou no quarto dele correndo, alarmada pelo grito que ouviu, ao vê-lo de joelhos no chão tentou se aproximar, mas ele a enxotou dali com ódio no olhar. A mulher com medo saiu correndo e fechou a porta novamente. O príncipe deixou o corpo cair para o lado e abraçou a pernas. O choro se intensificava juntamente com o ódio.

- Ela é minha... Ela é minha... Nunca... Nunca te darei ela, Heero... Nunca... Relena, nunca será sua! – Ele ficou repetindo isso até suas forças diminuírem... Continuou chorando e fechou os olhos até adormecer!

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Zechs caminhava apressadamente pelo corredor do palácio acompanhado de um soldado recém chegado ao reino. O homem de barba negra e rugas nos olhos tinha as feições sérias ao lado do capitão da guarda. Ao chegar a porta do escritório Zechs bateu e após receber a permissão para entrar, abriu a porta e eles adentraram sem se importarem em fechá-la.

- Majestade... – Disse o recém chegado se curvando e levantando em seguida para entregar uma carta ao rei. – Cavalguei incessantemente noite e dia para chegar até o senhor.

- O que aconteceu? – Perguntou Dante se levantando e pegando a carta.

- Está tudo detalhado na carta, meu rei. – O homem concluiu fazendo com que Dante prestasse atenção ao papel.

- Zechs... Dê-lhe comida, água e um lugar para que descanse. Também alimente e cuide do cavalo dele. – Zechs assentiu e junto com o homem se retirou.

Dante abriu a carta e seu conteúdo nada lhe agradou. Ali dizia que o duque do norte estava morrendo de tuberculose e os homens ali estavam se opondo a liderança do primogênito do duque. Graças a isso havia brigas incessantes entre os soldados e com isso, necessitavam da presença dele com urgência.

- Era só o que me faltava... – Dante falou para si e logo gritou. – Guarda...

- Sim majestade... – Falou o homem abrindo a porta em resposta ao chamado do rei.

- Busque a rainha para mim. – O homem assentiu e saiu à procura da rainha.

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Heero e Treize estavam no escritório analisando as necessidades do reino quando o loiro olha para o convite da festa de aniversário que estava em cima da mesa e pergunta.

- Você não irá ao aniversário da senhorita... Como ela se chama mesmo? – Parou e tentou lembrar.

- Relena. – O rei respondeu sem desviar os olhos dos documentos. – Não. Não irei.

- Hum... Mas, ela não é irmã do seu amigo Zechs? Seria uma falta de educação não ir. – Treize insistia.

- É o que diz o convite. Mesmo assim, não irei. O reino precisa de mim. – E encerrou o assunto. Treize voltou a olhar a carta, pensativo.

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- Meu rei... Mandou me chamar? – Disse Amanda ao entrar no escritório.

- Sim... Peça desculpa a Relena e cancele a festa de amanhã. Depois prepare nossa bagagem e mande Zechs e o conde fazerem o mesmo. Viajaremos pela manhã ao norte... Precisam de mim lá com urgência! – Dante falava arrumando os documentos e Amando olhava o marido, preocupada.

- Mas... O que está havendo? E se vamos todos... Com quem ficará o reino? – Ela o questionava. Dante então parou e analisou a ultima pergunta de sua esposa, ignorando a primeira.

- Está na hora daquele garoto inútil mostrar que serve para alguma coisa...

Amanda encarou o marido, incrédula. Ele ia deixar o reino aos cuidados de Lúcius? Mesmo que fosse por pouco tempo, isso realmente era inédito. Sabendo que naquele momento o rei não iria contar-lhe o motivo da pressa, a rainha saiu e foi cumprir as ordens do marido. Começou por Relena que entendeu perfeitamente e também ficou preocupada com o que poderia estar causando tanto alvoroço. Amanda pediu ajuda a Relena e as meninas para escreverem cartas cancelando a festa e deixando-as encarregadas disso, foi avisar Zechs e o conde das novas ordens. Após tudo pronto seguiu para o quarto a preparar a bagagem dela e do rei. Após tudo organizado, a rainha achou melhor falar com o filho.

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Lúcius acordou e sentou olhando tudo a seu redor, depois se pôs de pé e começou a organizar todas as coisas que derrubou. Tentava não pensar em nada até que ouviu baterem na porta e sem esperarem a permissão a porta se abriu. Amanda entrou e vendo ainda alguns livros no chão questionou o que havia ocorrido ali e Lúcius respondeu perguntando o que ela desejava. Ao ver que o filho não ia contar o que aconteceu, a rainha continuou com seu objetivo.

- Seu pai, o conde, o capitão da guarda e eu, partiremos para o norte pela manhã, bem cedo... Parece que tiveram problemas por lá... – Falou a rainha ainda intrigada com o que ocorreu e com o que Lúcius tinha, pois o tempo todo ele não a olhou e continuou a organizar as coisas.

- E o que tenho haver com isso? – Perguntou sem olhar para mãe, que suspirou.

- Você ficará no comando até voltarmos... – Ela anunciou.

- Porque eu? – Ele continuava seco e ela começava a perder a paciência.

- Bem. Por que você é o príncipe e o único com posição para ser o responsável na ausência do rei. – Ela respondeu ríspida.

- Por que não manda chamar o herdeiro ao trono? – Seu tom seco não mudou.

- Eu vou perder meu tempo discutindo com você essa infantilidade sua. Informo-lhe que o reino está em suas mãos por alguns dias e é bom que tudo esteja em perfeito estado quando voltarmos. – Amanda o informou. – Agora se me da licença, irei dar as ordens para que tudo saia bem em minha ausência. – A rainha saiu e Lúcius ficou parado um tempo olhando para a porta, pensativo.

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Zechs havia preparado toda sua bagagem e um pequeno, porém muito eficiente exército para acompanhá-los na viagem, ele já havia falado com o rei e se informado sobre os problemas que estavam se passando pelo norte e achou melhor se preparar caso precisasse interferir com a força. Deixou Otto como líder em sua ausência e tudo já estava devidamente organizado. Mas, algo o incomodava, como se não fosse uma boa hora de se distanciar dali.

Decidiu ignorar aquele sentimento estranho e foi ver se seu pai já tinha tudo organizado ou precisava de sua ajuda. Quando saiu do quarto viu Relena e suas amigas cheias de cartas nas mãos entregando-as a um mensageiro. Aproximou-se e foi falar com a irmã.

- O que é tudo isso irmã? – Perguntou curioso.

- Ah, é o cancelamento da festa. A rainha pediu que as enviássemos... – Respondeu ela sorrindo.

- Sinto muito por sua festa... – Falou ele passando a mão no rosto dela.

- Ah, não se preocupe... A rainha disse que depois remarcamos. Não ligo para isso... O importante é resolver os assuntos do reino. – E ela agora, sem nenhuma carta na mão abraçou o irmão que voltou a sentir aquele sentimento estranho.

- Irmã... Você ficará bem não é? – Ele falou se afastando do abraço para encará-la dentro dos olhos.

- Claro Milliardo... Por que isso agora? Você já viajou em missões tantas vezes... Por que essa preocupação repentina? – Disse ela estranhada, mas sorrindo. Ele parou e pensou no que ela disse antes de continuar.

- Não sei... Talvez pelo fato de que nem o pai ficará aqui. – E deu uma desculpa da qual ele mesmo não sabia se acreditava.

- Entendo... Mas, não se preocupe... Ficarei bem. – Ela o abraçou novamente e ele retribuiu o abraço.

- Sim Zechs... Vá tranqüilo. Nós estaremos aqui para tudo que ela precisar. – Falou Hadja sorrindo e tentando tranqüilizar o capitão da guarda. Zechs assentiu e pediu licença indo em direção ao quarto do pai.

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Lúcius estava sentado em sua cama pensativo quando ouviu baterem na porta e por reflexo ele deu permissão para entrarem. Então adentraram dois soldados de fisionomias não muito amigáveis e sorrindo.

- Boa noite alteza... Viemos chamá-lo para irmos ao bordel. – Falou o soldado encostado a porta.

- Não irei hoje... – O príncipe nem ao menos se limitou a encará-los. – E vocês não irão se por em marcha com a tropa rumo ao norte? – Perguntou simplesmente.

- Não. – Um deles falou somente, mas o outro continuou.

- O capitão Zechs não confia em nós para no mandar em missões assim... – E o segundo informou com verdadeiro descaso. Lúcius, então olhou para eles e ficou intrigado com a informação.

- E isso não lhes incomoda? – Questionou interessado.

- Não... Tudo o que eu quero já tenho. Não preciso de missões como essa para me desgastar. – Falou o segundo e o primeiro concordou.

- Então tudo o que desejam vocês tem? – O príncipe realmente se interessou. – Como conseguiram.

- Algumas coisas com esforço... Outras a força. – E os dois soldados sorriram maliciosamente.

- A força... – Lúcius então, repetiu para si. Pensando nisso, começou a ter idéias e de um salto se pôs de pé. – Vocês dois gostam de dinheiro, certo? – O príncipe os encarou e ambos com sorriso assentiram. – Pois dinheiro eu tenho e posso dar-lhes uma boa quantia se me ajudarem em uma missão. – Os soldados se encararam e como resposta, assentiram sorrindo. O príncipe, satisfeito sorriu também.

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Todos estavam à mesa para jantar, menos as três amigas de Relena que foram pra casa por terem alguns assuntos para resolverem. O príncipe foi o ultimo a chegar e sentar. Dante o encarou mortalmente. Uma das coisas que mais o irritava era o filho sempre chegar atrasado para o jantar.

- Você sabe que terá que cuidar dos assuntos do reino em minha ausência por alguns dias... Não é? – Perguntou Dante em sua habitual frieza e falta de paciência para com o filho.

- Já fui informado, meu rei... – E Lúcius respondeu sem se importar parecer petulante.

- O visconde estará aqui para lhe ajudar... Não estrague tudo. – Falou Dante em tom ameaçador. Lúcius não respondeu e simplesmente assentiu.

O jantar ocorreu na maior parte do tempo em silêncio. As poucas conversas que se ouviram foram entre Amanda e Relena, onde a rainha passava algumas instruções para a moça fazer em sua ausência. Entre Zechs, Dante e o conde sobre como deveriam agir no norte. Lúcius manteve seu silêncio enquanto observava a forma como a mãe transformava Relena numa princesa brilhante.

Faz tanto tempo que vejo minha mãe educando Relena como uma princesa e só hoje percebi o real motivo... – Lúcius pensava enquanto assistia a cena. – Mas, seus esforços serão bem utilizados, mãe... – Seus pensamentos eram maliciosos. Voltou a prestar atenção na conversa dos homens e logo que terminou de jantar, pediu licença e foi o primeiro a se retirar.

Todos se deitaram cedo. Alguns para poderem estar descansados na viagem, Relena para acordar a tempo de se despedir de todos. E Lúcius porque tinha um plano a ser posto em marcha, sendo assim queria acordar cedo.

Antes mesmo do sol aparecer, todos estavam de pé e a carruagem já estava sendo preparada e as bagagens devidamente organizadas nela. Relena abraçava a rainha, depois o pai, se despedia do rei com uma reverencia e de Zechs ela se despediu com um abraço apertado e demorado. Lúcius ganhou um beijo da mãe, se curvou perante o pai e um aperto de mão foi o suficiente para se despedir do conde. Ele e Zechs se entreolharam e pouco deram importância um ao outro.

Zechs montou o Tallgeese e a tropa que ele escolheu a dedo se organizou para a escolta. O cocheiro ajudou o rei, a rainha e o conde a entrarem na carruagem e depois fechou a porta. Todos preparados se puseram em marcha, com Zechs ao comando como sempre. Levaram mantimentos para o caminho, mas antes todos haviam comido o café da manhã. E quando o sol apareceu, eles já estavam no caminho.

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O home agonizava estirado no chão. O sangue jorrava sem pausa e a vida se esvaia do homem caído. O que estava de pé esperou até ter a certeza de que já não possuía mais vida no corpo em sua frente, para então, abrir o armário do quarto onde estavam que antes pertenceu ao morto, e pegou uma batina. Lavou o rosto, penteou o cabelo calmamente e depois de haver se posto devidamente apresentável, vestiu a batina, pegou um livro da igreja, colocou embaixo do braço e no outro colocou uma sacola cheia de objetos de ouro roubados assim como o dinheiro que encontrou em posso do padre morto.

Saiu do quarto passando pó dentro da igreja e a trancou por fora com um cadeado. Agora, passando-se por um sacerdote, o homem de cabelos pretos como a noite e olhos cinza andava calmamente pela margem da estrada a espera que alguma carruagem passasse. Caminhava em direção ao povoado mais próximo, parte do território de Sank.

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O dia já era avançado. Relena passou o tempo todo cuidando das obrigações que pertenciam à rainha e que haviam lhe sido encarregadas, sempre acompanhada de suas melhores amigas que nunca a perdiam de vista e a ajudavam com as obrigações. Lúcius passou o dia preso no escritório na companhia do visconde ouvindo sobre as necessidades do reino. Mas, sua mente estava mais focada em outras idéias. Evitava a todo custo falar com Relena, não queria encontrá-la por isso mandou que lhe servissem o almoço no escritório. Quem visse, jurava que o príncipe estava se empenhando com os assuntos do reino.

Relena achava estranho o fato de Lúcius não sair de lá para nada e ainda nem sequer falar com ela. Desde cedo, desde que acordou, ele não olhou para ela e nem a cumprimentou. Relena tentou algumas vezes ir até o escritório para ver como o amigo estava, porém, ele sempre mandava dizer que não poderia atendê-la.

Já estava perto da hora do jantar quando Hadja, Cléo e Teyuki se despediram da amiga. Relena foi ver como estava o andamento do jantar e foi informada de que jantaria sozinha, pois Lúcius deu ordens de que levassem para ele o jantar no escritório. Inconformada foi procurar pelo príncipe, mas foi barrada na entrada pelo guarda, que pedindo desculpas avisou que ele disse que não era para permitir ela entrar. Inconformada, Relena se retirou de volta a sala de jantar e comeu sozinha.

Lúcius estava no escritório acompanhado dos soldados que agora faziam parte de seu plano. A serva veio lhe entregar o jantar, mas logo saiu. O visconde já havia se retirado para jantar e descansar.

- Então, conseguiram o que eu pedi? – Perguntou Lúcius, altivo, sentado na poltrona do rei.

- Alteza, o que nos pediu é algo complicado de conseguir... Ainda não encontramos ninguém que concorde. – Falou o primeiro soldado.

- Isso é um absurdo. Suba a oferta... – Lúcius falou se levantando da cadeira, inquieto. – Preciso disso para amanhã. O rei já deve ter chego ao Norte... E as coisas já devem estar se resolvendo. No mais tardar depois de amanhã devem estar voltando. Isso tem que ser feito amanhã à noite.

- Mas, o senhor acha que dará certo? – Perguntou o segundo soldado.

- Sim... Dará! – E Lúcius olhou apático para o céu escuro da noite sem lua.

- Faremos tudo o que estiver em nosso alcance, alteza. Amanhã à noite, após todos haverem se retirado traremos o que o senhor nos pediu. Custe o que custar. – Falou o primeiro soldado e junto com seu companheiro, ambos saíram.

Lúcius sorriu maliciosamente e depois de organizar todos os documentos que revisou com descaso, jantou e foi dormir. No caminho para seu quarto certificou-se de não encontrar Relena no caminho. A moça também foi para a cama cedo. Sentia-se impotente e triste pelo que estava acontecendo entre ela e o amigo. Ela sempre deixou claro que sentia por Lúcius uma amizade pura e vê-lo evitá-la a magoava.

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Dante estava sentado no trono conversando com o primogênito do duque. Os soldados que causavam a discórdia, quiseram enfrentar a tropa real por estarem em maior número, acharam que conseguiriam. Zechs e sua tropa muito bem selecionada acabaram com eles em pouquíssimo tempo. Agora, por ordem do capitão da guarda os cavalheiros da discórdia estavam amarrados a troncos jogados ao relento como exemplo para futuros desordeiros.

A ordem era que eles passariam a noite toda ali, sem água ou comida e pela manhã seriam jogados em suas selas até a hora do julgamento. Enquanto os homens de Zechs se encarregavam de fazer a ronda, o capitão da guarda ficou de guarda ao lado do rei, enquanto Dante conversava com os nobres e se informava de tudo o que estava ocorrendo. O conde ajudava a encontrar uma solução o mais pacifista possível para o caso e Amanda ajudava a esposa do duque com os assuntos da casa e às vezes com os cuidados com o marido.

Os homens foram dormir tarde nesse dia, pois os assuntos eram delicados e necessitavam de atenção urgente. Como o caos já havia sido controlado, Dante acreditava que após o dia seguinte poderiam voltar ao reino. As coisas no norte o preocupavam, porém, deixar Lúcius a frente dos assuntos do reino o deixava até sem sono. Com as coisas mais ou menos decididas, foram descansar, pois o dia seguinte seria longo.

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Lúcius acordou cedo. Seu humor era bom, pois era o dia de por seu plano em prática. Começou com o mesmo ritmo do dia anterior, ignorando a Relena e dando ordens para não deixá-la, em hipótese alguma entrar no escritório. Tomou seu café da manhã lá fingindo trabalhar, enquanto fingia prestar a atenção no que o visconde lhe informava da situação do reino.

Relena acordou uma hora depois que o príncipe e foi tomar café, descobrindo então, que Lúcius já havia levantado comido e estava trabalhando. As atitudes dele á intrigavam. Após tomar seu desjejum foi tentar ver o amigo, porém foi novamente barrada. Sentiu-se aflita com a situação e passou o dia trabalhando para ver se conseguia esquecer. Mas, nem ao menos a companhia de suas amigas a fizeram relaxar.

O dia passou como o anterior. Ela não viu o príncipe o dia todo e até jantaram separadamente de novo. Depois de se despedir de suas amigas, decidiu que não passaria mais um dia sem falar com Lúcius e tirar satisfação do porque esta sendo ignorada e excluída. Esperou que os serventes fossem dormir e ficou de tocaia a espera do príncipe sair do escritório. Um dos soldados cúmplice do príncipe a viu se escondendo e entendeu que ela iria falar com o príncipe de qualquer forma.

Ele passou por ela fingindo não a ter visto e entrou no escritório. Depois de pouco tempo ele saiu e dispensou o guarda, tomando o lugar dele como sentinela na porta. Meia hora depois, Relena já estava desistindo de ficar ali em pé, escondida pra falar com Lúcius, quando ele sai e escoltado pelo guarda entra em seu quarto. O soldado fica de guarda por alguns minutos e depois vai embora.

Aproveitando a deixa, Relena bate na porta e após receber a permissão para entrar, assim o faz irritada. Entra e bate a porta atrás de si, olhando nervosa e indignada para Lúcius que a encara com uma surpresa fingida, porém ela não percebeu ser uma atuação.

- Alteza... Posso saber o motivo de haver me ignorado todo esse tempo? – Ela questionou, asperamente.

- Boa noite, Relena. Como está? – Lúcius fingia que nada estava acontecendo.

- Boa noite? – Ela estava inconformada. – Porque me excluiu esses dois dias?

- Bem... Decidi que deveria te esquecer... Então, a melhor forma foi me distanciar de você... – Ele fez uma cara triste, o que fez a ira dela diminuir.

- Lúcius... – Disse ela magoada.

- Sim, Relena... Eu não quero mais te incomodar com esse sentimento que sei que nunca será correspondido... – Ele falou sentando-se a cama.

- Ora, Lúcius... Eu sinto muito... Quisera poder retribuir-lhe este amor, mas... O que sinto por você é a mais pura amizade. – Ela falava tristonha.

- Esqueça isso... – Ele levantou e colocou uma carta sobre a cômoda. Carta que ela não pode ler a quem estava endereçada. – Sabe... Lembra do anel que te dei? – Ele a encarou e ela assentiu. – Era um pedido de casamento. Que visivelmente você negou.

- Eu... Sinto muito. – Ela olhou para baixo e apertou as mãos sem saber o que dizer.

- Busque-o. – Falou Lúcius chamando a atenção dela.

- Como? – Ela estranhou.

- Quero olhar para o anel de novo... – Ela não respondeu e saiu do quarto. O príncipe rapidamente deixou à carta a vista e pegando uma faca saiu. Vestindo um de seus melhores casacos.

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Os dois soldados, cúmplices do príncipe, entraram em uma taverna no povoado e sentaram a mesa onde o padre que seguiram estava. O homem olhava compenetrado para o vinho em sua taça.

- Padre... Padre? – O primeiro soldado chamou-o duas vezes para que o homem acordasse de seu transe. Então, o sacerdote de cabelos pretos como a noite e olhos cinza, encarou os soldados.

- Em que lhes posso ser útil cavalheiros? – Perguntou gentilmente.

- Como se chama padre? – O segundo soldado perguntou.

- Sou Davhand... Em que posso lhes ser útil meus filhos? – O homem sorria gentilmente.

- Precisamos que o senhor nos acompanhe... – O segundo voltou a falar. O padre, em baixo da mesa puxou um punhal até a metade para fora da bainha e perguntou.

- Por quê? Algo errado?

- Não senhor... Temos um casal apaixonado que precisa de sua benção. – E o primeiro concluiu. O homem voltou a guardar o punhal e o escondeu embaixo da roupa.

- Está bem... Vamos. – O padre, escoltado pelos soldados saiu da taverna, rumo ao castelo.

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Relena voltou ao quarto do príncipe, bateu algumas vezes e não obtendo resposta, entrou. O quarto estava vazio e a carta em cima da cama com o nome dela, chamou-lhe a atenção. Ela abriu e ao ler o conteúdo seus olhos se arregalaram e ela saiu correndo pelos corredores, deixando a carta caída ao chão. A moça correu o Maximo que pode e quando entrou na capela do castelo viu o príncipe enfiando lentamente uma adaga em sua barriga. Ela gritou e ele parou ao ouvi-la.

- Não faça isso... Por favor, Lúcius não faça isso. – Ela se jogou tentando tampar o sangue que saia com o furo feito pela ponta da adaga. Não era nada mortal, o corte era superficial, mas ela não sabia e sentiu-se apavorada.

- Relena... Meu amor... Como? Não era para você estar aqui. – Ele a olhava com uma falsa tristeza e ela não percebia nada.

- Por favor... Não se mate... Eu... Eu faço o que você quiser... – As lágrimas desciam incessantes pelo rosto dela. E Lúcius estava satisfeito com o rumo que as coisas tomaram.

- Relena... Você não entende... Viver sem você... Prefiro a morte. – Ele falou segurando o rosto dela entre as mãos.

- Não. Lúcius pense em seus pais... – Ela tentava controlar a voz em meio ao choro.

- Meus pais têm o meu irmão... Não ligam para mim. Minha única razão de vida, sempre foi você... – Ele dizia tristemente.

- Não é verdade... Seus pais te... – Ele a calou como dedo indicador.

- Relena... A única forma de eu não me matar, seria casando com você. Como isso, não vai acontecer, por favor... Deixe-me. – Ele fez pressão para empurrá-la e pegar de volta o punhal. Quando ela sem prensar gritou.

- Eu caso com você! – Relena em meio ao desespero e sem parar para pensar no que dizia, com medo de ver o amigo e príncipe se suicidar, falou exatamente o que ele queria ouvir. A pressão psicológica que ela sentia naquele momento, tirou dela todo o tipo de raciocínio e Lúcius controlou um sorriso que quis se formar em seu rosto.

- Não... Não posso fazer isso. Você não me ama e não quero que sofra a meu lado. Deixe-me cumprir com meu objetivo. – Ele continuou com sua cena e seu rosto era melancólico.

- Nunca... Estou falando sério... Caso-me com você. – Ela o segurava.

- Agora? – Ele então, ousou perguntar.

Relena então, se deu conta do que falava. Parou para pensar no que iria dizer, quando pela porta da capela entraram dois soldados e um padre. Os homens sabendo da armação começaram.

- Alteza? Não sabíamos que estava aqui... Esse é um sacerdote viajante, que pediu um local para dormir por essa noite. Pensamos em trazê-lo aqui... – Falaram o mais natural possível.

- Está bem... Chegou em boa hora padre. – O homem via a cena e nada compreendia, mas, já tinha sido informado pelos soldados no caminho, que não era para abrir a boca que assim que fosse ministrado o casamento, ele receberia uma alta quantia em dinheiro como doação.

- Padre? – Relena não entendia mais nada e sentia-se acuada. Desejou que Zechs estivesse ali, ou suas amigas para socorrê-la. Mas, sabia que nada disso seria possível.

- Então Relena... Aproveitamos essa oportunidade? Ou cumpro com meu dever... – O príncipe sussurrou no ouvido da moça, que em lágrimas assentiu.

Lúcius se pôs de pé, escondendo o ferimento. Chamou o padre e pediu que ele os casasse. Afirmou ao sacerdote que eles eram amantes e se amavam, porém, suas famílias não queriam o casamento e a melhor forma de aceitarem era casando-se às escondidas. Relena continuava sentada ao chão em estado de choque. As lágrimas não a abandonavam de forma alguma. Sentia-se fraca e impotente.

Lúcius então continuou com seu teatro armado, do qual a moça em sua total inocência, nada percebeu. O príncipe pediu que os soldados fossem as testemunhas e eles prontamente aceitaram. Lúcius viu a caixa com o anel dado por ele a Relena e o pegou para logo colocar no dedo dela.

Caminhou até a moça e o padre foi para trás do púlpito e se preparou para começar a cerimônia. Relena estava desesperada, não sabia mais o que fazer, sentia-se abandonada. Implorava em pensamente por alguém que entrasse pela capela e a salvasse. Não, tinha como correr daquela situação e pensava que se falasse não, Lúcius daria cabo da própria vida. Não podia parar de pensar que se ele fizesse aquilo à rainha a culparia, por não tê-lo impedido.

Não conseguia prestar a atenção em nada que era dito pelo homem vestindo a batina e nem sequer conseguia olhar para Lúcius. Fixou-se a olhar para a boca do padre que abria e fechava, soltando palavras que ela não escutava. Pensava que casando com o príncipe estava fazendo o bem pelo reino e pelo rei e a rainha. Mesmo que com isso se sacrificasse. Foi tirada do transe quando ouviu seu nome ser pronunciado com veemência.

- Relena? – Ela olhou para Lúcius que apontou para o padre. Ela então encarou o homem a sua frente e ele repetiu a pergunta.

- Relena Merquise de Peacecraft, você aceita Lúcius St-Pier Yuy como seu legitimo esposo, para amar e respeitar na saúde a na doença até que a morte os separe? – A pergunta do sacerdote ecoava em sua mente. Ela ainda estava dopada com a velocidade que tudo se passou. Apertou o tecido da saia em suas mãos. E vacilou.

- Eu... – Ela olhou novamente para Lúcius que a encarava penetrantemente com o aspecto sério e sóbrio, porém com resquício de tristeza em seu interior.

- Então senhorita... – O padre voltou a chamá-la. – Você aceita casar-se com ele?

- Eu... – Ela olhou ao redor, para o rosto de todos que ali estavam e pensando na rainha, a quem queria como mãe, que sofreria ao ver o filho morto, respondeu. – Sim... Eu aceito!

...Continua...


Legal, agora é aquele momento que eu imploro por minha vida? Ou dessa vez vcs serão mega gentis comigo?

Taí, como Lúcius fez para casar com a Lena...

O que acharam? O que acham que irá acontecer agora?

Alguém arrisca um palpite? Como vcs fariam no lugar dela?

Bom... Espero ansiosa pelas opniões de vcs...

E comigo, todos juntos: REVIEWS, REVIEWS... Ebaaaa!

Beijos e amo vcs!