N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 15

Praia


22 de outubro de 2007


Hoje, em especial, eu terei que usar muito dos meus sorrisos forjados. Naruto e Rock Lee surgiram na minha sala há algumas horas e me arrastaram sem justificativa alguma até a praia próxima ao Aeroporto de Haneda . Dizendo o Uzumaki que tínhamos que aproveitar antes que a neve começasse a cair, mas eu sei perfeitamente bem que era apenas uma desculpa para comer ramem e chamar a Hyuuga para sair, pois aparentemente, eles não podem ter um relacionamento normal como qualquer outra pessoa. Os motivos? Ele não quis dizer. A questão é que agora eu estou aqui, sentada na areia, encarando esse céu nublado, enquanto Tenten, Rock Lee, Naruto e os Hyuugas, então há alguns metros de distância se divertindo, como se eu não soubesse por que exatamente eles nos deixaram aqui... A sós. Esqueci de citar que alguém não muito diferente de mim, está com sua imutável face inexpressível, sentado ao meu lado.

- Sabe, acho que você realmente deveria chamar a Matsuri para sair. – eu disse do nada. Gaara não esboçou qualquer expressão.

- Por quê?

- Assim eles parariam de achar que temos alguma coisa e que necessitamos de privacidade.

Ele ficou um momento em silêncio. Eu imagino que ele não tenha entendido minhas palavras.

- Eu disse que não poderia sair com ela.

Ok, isso me surpreendeu. Como Gaara não é a criatura mais expressível do mundo, eu não tinha qualquer suspeita da situação dele com a tampinha do primeiro ano.

- E por que você fez isso?

- Por que eu não gosto dela. – respondeu simples e sem emoção. Naquele momento, pude ver Hinata e Naruto de longe conversando e ele tinha aquele sorriso imenso tão típico em seu rosto. Será que o Uzumaki está gostando da Hyuuga? – Para dizer a verdade, eu nem ao menos a conhecia.

Eu não sabia o que pensar a respeito, afinal eu não esperava menos do Gaara sendo ele do jeito que é. Na realidade, era extremamente difícil imaginá-lo acompanhado de Matsuri ou qualquer outra garota; apesar de que, anteriormente, cogitá-los juntos me soava bastante possível...

Uma ventania gelada passou entre a gente, abracei os joelhos apoiando meu rosto sobre eles. Naquela posição podia ver perfeitamente o perfil inatingível do Gaara, e seus maxilares marcados, o pomo de adão e o pescoço branco como leite, me fizeram lembrar que eu tinha um cachecol para devolver...

- O Uzumaki e a Hyuuga estão saindo? – ele perguntou repentinamente, eu concordei com a cabeça. Ele, no entanto, não me viu e continuou a perguntar. – Estão? – dessa vez ele virou o rosto para me fitar, não respondi de imediato e ele ficou ali, me encarando, esperando uma resposta. Se eu continuasse desse jeito, sem responder, em total silêncio, ele continuaria atento a mim?

Sobressaltei-me com esse pensamento e levantei a cabeça rapidamente. Gaara levantou uma sobrancelha e depois voltou-se para frente.

- Sim, estão, aparentemente é segredo. Mas para você ter percebido, deve ser muito evidente.

Ele soltou um murmurinho com a boca como se estivesse consciente disso. Ficamos um momento em silêncio; há alguns metros de distância podíamos ver Neji , Rock Lee e Tenten rindo, ou pelo menos os dois últimos, pois o Hyuuga levou a mão até a boca escondendo provavelmente um sorriso. Isso me faz perceber a personalidade educada, discreta e contida dos Hyuugas.

- Você achou algo sobre os significados das flores? – Gaara perguntou repentinamente.

- Sim, mas são muitos significados, o único com algum consenso foi Jacinto que significa eterna saudade. Mas todas as outras têm diversos significados e não tem como procurar um padrão com disso.

- Eu imaginei.

- Mas de qualquer forma, o que você conversou com a Ino?

- Já lhe disse, nada demais. Quis me aproximar dela, pois ela parecia muito ansiosa, mas ela só disse um "desculpa" e deu as costas.

- Eu lhe disse que ela tinha algo a ver com tudo isso. – dei uma pausa – Primeiro o namorado dela falece, ela não demonstra nada no enterro, depois Asuma, pelo qual ela estava abraçada dias antes do seu assassinato e para piorar, tudo indica que era dela que o cara armado estava insinuando.

- Mas você acha mesmo que ela tinha condição de fazer isso? Ela só é uma estudante de ensino médio.

- Sim... Mas pense comigo. – insisti. – Jiraiya foi atraído por alguém, ela pode muito bem tê-lo seduzido. E Asuma também foi atraído por algum conhecido...

- Mas Shikamaru não é amigo dela? Por que ele nos diria algo a respeito?

- Porque ele pode estar vinculado a tudo isso, ou simplesmente não sabe de nada.

Ele pareceu pensar por um longo momento.

- O Nara? Impossível... Ele não aguenta nem uma discussão de três minutos com minha irmã.

Suspirei e ajeitei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Gaara voltou-se para mim e com a voz neutra continuou:

- E não precisa ficar estressada, estamos só conversando.

Não disse nada. Eu nem demonstrei que estava irritada... O que o sociopata funcional estava dizendo? Virei o rosto e ficamos em silêncio novamente. Escutei o som de umas andorinhas distantes, eu pensei que elas tinham sido extintas já que o aeroporto fica tão próximo...

- Não tem como ser ela. – Ele insistiu. Me virei em sua direção, o analisando por um momento. Por que ele queria tanto me convencer de que Ino Yamanaka não tinha nada a ver com tudo isso, sendo tão óbvio?

- Você tem algo com a Yamanaka? – perguntei direta. Ele levantou uma sobrancelha sem entender.

- Por que você acha isso?

- E por que eu não acharia isso? Você mesmo disse que tentou se aproximar dela para conseguir informações.

- Sim. – ele deu pausa e bagunçou os cabelos vermelhos de maneira que ficaram ainda mais bagunçados – Mas isso não quer dizer que ela seja uma assassina-serial matando caras por ai...

Ficamos nos encarando por um momento. Para mim parecia muito óbvio a participação da Ino naquela história toda.

- Tudo bem, vamos supor que ela não seja, mas ela tem algum coisa a ver com tudo isso.

- Sim, obviamente – ele concordou. Pelo menos isso.

- E temos que descobrir.

- Sim. – ele respondeu mecanicamente como se eu estivesse dizendo algo demasiado óbvio. Convencido.

- Então, a chame para sair. – declarei simples, usando meu melhor tom de "Logo você tem que fazer isso e pronto". Por incrível que pareça o sociopata funcional não demonstrou nada naquela cara de concreto dele. Apenas continuou lá, com seus olhos verdes, sem emoção, fitando o mar, as andorinhas e esse maldito céu nublado.

- Se for...

- Eu pensarei sobre isso. – ele me interrompeu sem me fitar. Não era exatamente a resposta que eu esperava ouvir... E se ele estiver de fato interessado pela a Yamanaka? Digo... Ele não deveria simplesmente ter dito sim ou não?

- De qualquer modo, ainda não descobrimos o que Hiromi tem a ver com tudo isso, principalmente o símbolo da nuvem. – ele deu uma pausa e virou em minha direção – acho que a Yamanaka é o que temos de menos importante nessa história toda. – seus olhos verdes estavam calmos e eu podia ver bem discretamente uma tentativa de conforto em sua expressão – Não fique tão ansiosa, vamos descobrir calmamente o que está acontecendo.

Ele estava certo. E é engraçado admitir isso para mim mesma. Suspirei e decidi ficar em silêncio para ver se aquela ansiedade toda podia se acalmar. Deixei-me apreciar o mar e até mesmo o céu nublado... Não o achei bonito, mas de qualquer modo seu tom cinzento fez com que eu finalmente me acalmasse.

- Você realmente trocou nossas carteiras? – Gaara perguntou repentinamente e eu não entendi. – No hospital, no dia do assassinato do Kiba.

- Você diz no dia seguinte, no hospital em que o corpo dele foi levado. – ele concordou com um murmurinho. – Sim, realmente tínhamos trocado de carteira.

Ele soltou um suspiro pelo nariz.

- Eu realmente estava fumando muito nessa época... – por alguma razão tive vontade de sorrir com aquele comentário, mas me contive. – De qualquer modo o que será que aquele cara estava fazendo lá, analisando os corpos?

- Ele parecia estar procurando por alguma coisa, vasculhou as fichas e não achou o que queria... Provavelmente estava procurando a ficha de Inuzuka Kiba. – conclui.

- Mas a ficha estava lá, eu mesmo vi. –não consegui entender o que ele queria dizer com aquilo. – Mas enfim... De qualquer modo, ele está vinculado com a nuvem vermelha que Hiromi citou, que também está tatuado no corpo de todos que foram assassinados.

- As flores também aparecem em todas as cenas do crime, sendo que elas mudam de rotação, e totalizam sete... Que pode ser o número de mortos, e sendo assim provavelmente Jacinto estava no topo da cabeça de Kiba...

- Tulipas Vermelhas em Jiraiya e Dália em Asuma. – ele me interrompeu.

- Pelo qual, com exceção de Jiraiya, a Yamanaka tem um vínculo. – insisti.

- Mas como fica o jovem que comprou as flores?

Um jovem que comprou as flores, com pele bem delicada e do nosso colégio... Talvez relacionado com Ino Yamanaka...

- Sai! – me virei bruscamente em sua direção segurando seu braço. – Pode muito bem ser o Sai, certo? – Sugeri empolgada, mas ele só tinha uma interrogação na face.

- Sai...?

- Sim, aquele aluno do terceiro ano, alto, com pele bem pálida. Ele estava procurando pela a Yamanaka naquele dia que pedi ajuda para identificar as flores – eu tinha um sorriso imenso no rosto e nem preocupei o quão extravagante eu poderia estar sendo. Gaara pensou por um momento, me analisando. Fechei o sorriso gradualmente. – Mas é uma suposição, muito válida.

Ele suspirou e bagunçou novamente os cabelos vermelhos. Eu sei que ele tem se esforçado muito para negar minhas teorias, mas ele simplesmente está sem argumento e é exatamente por isso que não contive novamente um sorriso.

- Tudo bem, Haruno... – abri ainda mais o meu sorriso, ele finalmente tinha engolido e sem poder argumentar absolutamente nada. – O que você sugere?

- Saia com a Yamanaka e tentamos descobrir algo a respeito. Eu posso me virar com o Sai.

- E como eu sairei com a Yamanaka? – ele perguntou indiferente. Estava de joelhos levantados e com os braços esticado para frente, usava um casaco grosso de flanela verde-escuro e calças pretas. Mantinha a inexpressão no rosto branco como leite. O que eu quero dizer é que... De alguma maneira, admito, Gaara era bastante bonito.

- O primeiro elemento você já tem.

- Como assim?

- Bom... Você deve ser atraente suficiente para a Yamanaka. – respondi e me senti estúpida logo depois – Digo, não é complicado fazer uma garota se interessar por você, caso você tenha os atributos físicos suficientes para atraí-la. – ele se virou em minha direção como uma de suas sobrancelhas ralas levantadas. Como eu iria explicar isso para ele? – Seja cuidadoso, sorria mais...

- Sakura-chan!

Suspirei mentalmente ao escutar minha salvadora me chamar. Há alguns metros de distância, próxima a água, estava minha querida amiga e a Hyuuga, acenando freneticamente para mim. Me levantei e segui em direção a elas. Naruto, Rock Lee e Neji vieram na minha direção, provavelmente para se juntar ao Gaara, nesse curto momento vi o Uzumaki e Rock Lee com sorrisos maliciosos de canto. Quase revirei os olhos, pois sabia que era apenas para me irritar. Quando me aproximei, Tenten colocou seu braço em torno de mim e, com o seu sorriso mais malicioso que tinha, perguntou:

- E ai, como vão com as coisas com o Sabaku?

Normalmente eu suspiraria e aquilo bastaria para servir de resposta. Mas eu tinha que aproveitar aquela oportunidade. Pela lógica, a Hyuuga deveria conhecer a Yamanaka, já que ambas participavam do mesmo grupo de Ikebana, logo...

- Larga de bobagem Tenten. – sorri – Gaara e eu somos só amigos e bom... Ficaram sabendo que ele rejeitou a Matsuri-san do primeiro ano?

- Nem sabia que ele tinha recebido uma confi...

- Pois então – a interrompi – Ele não a rejeitou por qualquer motivo.

- Como assim? – Hinata se pronunciou curiosa. Ótimo.

- Bom... Ele me explicou que estava interessado em outra garota. – fiz um leve suspense – Ino Yamanaka.

- Poxa, complicou para você Sakura-chan. Logo a Ino Yamanaka?

Senti vontade de bater em Tenten, mas me contive. A Hyuuga ao meu lado mordiscou o lábio inferior e eu não soube identificar o que significava .

- Você conhece a Yamanaka, Hinata-san? – perguntei.

- Me chame de Hinata-chan. – ela pediu gentilmente – Somos amigas porque estamos no mesmo grupo de Ikebana, mas não somos exatamente... Próximas.

Droga, eu pensei que a Hyuuga poderia me ajudar de alguma maneira...

- Mas acredito que seria interessante se o Sabaku-kun pedisse informações sobre o grupo para Ino-san, qualquer dia desses. – ela comentou com a voz baixa e sorrindo. Me surpreendi que ela fosse tão sugestiva, mas achei até divertido.

- Gaara-san repentinamente se tornará muito interessado na arte das flores então. – soltei uma risada baixa que foi compartilhada por Tenten. Hinata escondeu um sorriso com a mão. Agora o Sabaku só teria que fingir interesse pela a Yamanaka... Bem certo, que fingir, talvez, não seja a melhor palavra.


Gaara, Sala de Ikebana do colégio Kitagawa, às 15h58min três dias depois.

Sakura ontem à noite me enviou uma mensagem, dizendo para me encontrar com a Yamanaka casualmente na sala de Ikebana. A princípio, eu deveria apenas ser um bom amigo e puxar assunto, demonstrando estar interessado, mas não obcecado... Pelo menos foram as palavras da Haruno.

Não estou acostumado a tentar criar intimidade com pessoas, sejam elas garotos ou garotas, e talvez por isso, quando eu entrei naquela sala úmida, eu procurei ignorar qualquer conselho indireto da Haruno. Ino estava lá, de costas para mim, mexendo em um arranjo floral, sua expressão calma, neutra e ausente. Não precisei procurar sua atenção, pois momentos depois ela perguntou:

- Decidiu tomar iniciativa?

Não entendi o que ela queria dizer perguntando aquilo, então me mantive em silêncio. Ela voltou-se na minha direção, revelando um avental amarrado na cintura e seus olhos azuis me fitavam sérios.

- O que você realmente quer, Sabaku-san? – ela estava desconfiada e eu até entendia, apesar de obviamente ser tudo que eu não preciso no momento. Talvez eu realmente deva seguir os conselhos da Haruno.

Me aproximei calmamente, ela se encontrava sentada em um banco enquanto mexia em um arranjo floral recém iniciado. Eram flores vermelhas, amarelas e roxas, coloridas e intensas. Estavam repousadas sobre a mesa, enquanto o jarro, semelhante a um aquário, estava coberto por uma areia bem rala.

- Minha mãe uma vez me levou para um evento de Ikebana quando pequeno. – Eu descobri semana passada, enquanto comprava as flores com a Haruno, que mentir era uma arte para poucos, e uma habilidade que eu não possuía. Decidi que caso eu realmente quisesse me aproximar, eu deveria ser sincero, em certos níveis, com a Yamanaka,.

- E o que aconteceu?

- Eu chorei para ir para casa logo.

Ela esboçou um sorriso e voltou sua atenção ao arranjo, logo depois continuou:

- Sua mãe gosta de flores?

- Não sei, mas imagino que sim. Nunca conversei a respeito disso com meus irmãos.

- Mas você acha que ela gostaria?

- Acredito que sim, são realmente bonitas. – respondi. Peguei uma flor arroxeada sobre a mesa e analisei por um momento, mesmo sem o caule, ela exalava um cheiro que lhe dava aquilo que não possuía mais: vida. – Elas exalam vida, creio que por isso levamos flores ao seu túmulo.

- Eu lamento. – ela disse, mas não consegui ver qualquer emoção realmente sentida em sua frase, como se fosse ensaiada e mecânica.

Ficamos um momento em silêncio. Ino selecionava as flores ajeitando-as cuidadosamente sobre o jarro transparente; o local estava silencioso devido ao horário, apesar de que, vezes ou outra, escutávamos alguém passando pelo corredor. Olhei o relógio e já eram quatro e meia, Yamanaka se levantou indicando que havia terminado o arranjo floral. Até para um leigo insensível como eu, pude perceber o quão elegante e suave ele era apesar das cores tão intensas.

Ela pegou um lenço em sua bolsa limpando as mãos e logo depois passou um creme. E sem me fitar, com uma expressão neutra, ela perguntou:

- Está apaixonado por mim Sabaku?

Paixão? Não era minha intenção. E também não acho que eu consiguiria mentir sobre isso.

- Não ainda Yamanaka-san.

Aquela resposta pareceu surpreendê-la. Ela moveu-se recolhendo suas coisas. A cor alaranjada, que surgia dos raios solares invadindo a sala, estampou em seu rosto, deixando ainda mais óbvio sua confusão. Momentos depois sem dizer nada ela saiu da sala e eu a segui. No entanto, logo depois que saímos, enxergamos, há alguns metros de distância, a Haruno na companhia daquele que acredito ser o tal de Sai. Ambos sorriam, um para o outro. E ela não tinha covinhas no rosto, o que significava que era um sorriso verdadeiro.

Não que me incomode, mas não me recordo da Haruno sorrindo assim para ninguém, talvez para Tenten ou para Naruto... Mas suponho que isso seja natural já que eles são amigos. Sai também seria um amigo? Mas não era ele um dos suspeitos da própria Haruno?

- Eu posso lhe ajudar Gaara. – Ino interrompeu meus pensamentos. Não me fitava, tinha os olhos sobre as figuras dos dois. – Você também pode me ajudar... – Não estava entendendo, então ela voltou-se para mim, com um sorriso discreto, malicioso e diria até maldoso – Me chame para sair, o que achas?

Ela não me deu tempo para responder, mesmo por que eu não sabia como lhe responder. Saiu na minha frente murmurando algo como "eu entro em contato" e sumiu subindo a escadaria. Segundos depois Sakura se despediu de Sai e esse seguiu em direção à saída do colégio, logo após ela me viu e se aproximou.

- E ai, conseguiu conversar com a Yamanaka?

- Vamos sair. – respondi simples. Ela não parecia acreditar.

- Simples assim?

- Sim. – respondi seco. Não estava muito interessado em responder as perguntas retóricas da Haruno.

Naquele momento me dei conta que tinha esquecido minha bolsa na sala de Ikebana, entrei na sala logo ao lado ignorando a presença de Sakura, a achei em um canto e retornei para o corredor. Me deparei com a Haruno com os olhos fixados no mural de recados, ela não dizia nada e não movia qualquer músculo do corpo senão o lóbulo ocular.

- Gaara... – sua voz sussurrou e seu braço ergueu me chamando. Me aproximei, ela segurou fracamente o meu braço e sussurrou – Achei o significado das flores.

"Sei que pensará em dormir, pois quando partir sentirás saudades minhas.

Não somente você, mas as pessoas que também te amam, mesmo que de uma maneira pelo qual não entenda.

A cor das paredes, dos quadros e até mesmo do vento, serão roxas como a flor de Jacinto, que significa a eterna saudade.

Não sofras por isso.

Não se perca. No mundo há pessoas que entregam tulipas vermelhas

não sabendo que deveriam ser amarelas.

Mas nisso não há tristeza

Saiba sempre que não há, por mais que haja aquele incômodo no seu peito que nunca some.

Apenas ignore esse falso sentir e sinta o verdadeiro mundo e o compreenda, o perceba e não o negue...

Verás que desta Dália, surgirá

quem sabe, bem discretamente, a Lantana em sorrisos discretos, gestos pequenos,

e notarás que é exatamente isso que fará a diferença de um dia ruim, para um dia melhor.

Quem sabe, com isso, se reconhecerá no espaço, tão bela como uma orquídea, viva e intensa;

mas não aches que não surgirão problemas, e confusões em sua cabeça, haverá momentos que a vontade do ópio a consumirá e terá que implorar – apenas para você mesma – que retorne lentamente a si mesma,

ao seu próprio eu, sem se aventurar nas loucuras do mundo, no desejo da vida.

E talvez, depois de tudo isso, reconheceras que em cada passo, em cada aroma sentido, estava apenas buscando o amor, e o acharás só pelo o ato da busca.

E com calma, sem qualquer dor no peito, conseguirá dormir."

Ao certo era muita coincidência que em um a segunda-feira qualquer encontrássemos no mural de avisos do Grupo de Ikebana de Kitagawa , um poema, carta, ou o quer que fosse aquele conjunto de palavras, com a descrição metafórica de todas as flores que procurávamos. Mas estava ali, diante de nossos olhos, como se nos fosse oferecidos quase como um presente.

- Sakura ... – eu comecei a falar, mas quando fitei a Haruno, ela ainda tinha os olhos vibrados sobre o mural, e um sorriso sem covinhas, discreto, feliz. Não sei quantos segundo ela ficou naquele estado, mas não me importei. – O que...

Ela apertou mais forte o meu braço e me calei novamente. Instante depois ela se virou para mim, mas não puder ver sua expressão, pois ela tinha me abraçado. Seus braços entorno do meu pescoço, sua respiração próxima ao meu ouvido e provavelmente estava nas pontas dos pés devido a grande diferença de altura.

(...)

Não me lembro há quanto tempo eu não era abraçado. Ou pelo menos há quanto tempo eu não fazia questão de me lembrar de um abraço. Na realidade, contato humano sempre me incomodou mais do que provocou sensações agradáveis... No entanto, agora, eu percebia o quanto que era bom, o quanto era quente, e até me dava conta de como tinha cheiro de erva-doce... Apesar de provavelmente esse detalhe ser uma característica da Haruno e não de um abraço em si. Não demorou muito para o corpo dela relaxar e indicar que se afastaria, mas por algum razão, eu não deixei, a puxei discretamente pela cintura e ficamos assim por mais alguns segundos.

(...)

Até que eu percebesse o que estava fazendo. Ou mesmo, até que a própria Haruno percebesse quem estava abraçando. Nos afastamos no mesmo instante e nos fitamos por um milésimo de segundo, até que ela se interessou repentinamente por qualquer ponto aleatório da parede. Estava constrangida, até eu do jeito que sou, percebi isso.

- Quem você acha que colocou isso? – perguntei neutro. Ela meio atrapalhada perguntou do que eu me referia. Não sei, mas talvez ela esteja constrangida assim por causa do abraço, apesar da simplicidade do ato, pelo para ela, suponho... – No mural. – expliquei.

- Ah, claro. Não sei... E me pergunto se esteve sempre ai.

- Acredito que não, não está empoeirado e as pontas não estão amassadas ou dobradas. – comentei, ela concordou com a cabeça sem me fitar. Tirei do meu bolso o celular e tirei uma foto dos poemas, carta, ou seja lá o que fosse. – De qualquer modo, isso confirma que alguém do colégio está vinculado a tudo isso. – conclui e ela concordou com a cabeça.

- Me mande depois essa imagem. – ela pediu. – Estou indo Sabaku – disse de maneira quase mecânica e, sem esperar que eu também me despedisse, deu as costas seguindo em passos rápidos até a saída.

Não era a primeira vez que ela fazia isso, e gostaria de entender porque. De qualquer modo, parado ali, no meio daquele corredor deserto, sem qualquer vontade de me mover, eu ainda podia sentir o calor em meu pescoço e um cheiro muito discreto de erva doce.


Caramba, que capítulo difícil de ser escrito. O complicado mesmo foi a cena do abraço, pois por mais que eu tivesse uma clara visão de tudo... Eu ainda me perguntava, como afinal, o Gaara reagiria uma aproximação como essa... De qualquer modo isso irá render algumas cenas cômicas, já que o sociopata funcional ainda vai demorar um pouco para diferenciar "um abraço" de "o abraço".

Eu disse que essa seria a primeira parte na fic, mas na realidade é só mais uma síntese dos acontecimentos para começar uma nova onda de informações. E agora, como será esse relacionamento entre Ino e Gaara? E ainda mais o relacionamento entre Sakura e Sai? Algumas pessoas perguntaram a respeito da participação do Sai na história e vocês com certeza o verão com certa frequência. Assim, como Naruto e a Hinata. O Hidan, que anda meio sumidinho e eventualmente Lee e a Tenten, já que eu adoro eles haha'. Quanto a carta/poema/seja lá o que for, nos deixa três questões importante, por quem foi escrito, quem e por que o colocou ali.

Quantas as mudanças que eu fiz, pouca coisa mudou, o mais significativo foi a mudança de Trevo para Nuvem Vermelha, as datas, mas isso não foi tão significativo, a maneira como o Jiraiya morreu, que não foi com um tiro, assim como a posição dos corpos, que se tornou irrelevante e o uso de tablets já que a história é narrada em 2007 e a distraída aqui se esqueceu. Um trecho do capítulo cinco também foi mudado, Hiromi fala "- A lâmpada só tem valor quando é apagada, e nossa existência só é importante quando dormimos." E ah, quanto as sobrancelhas do Gaara que não existem ou as pupila da Ino, eu não mudei hauha'. Mas obrigada Bianca por me lembrar disso.

Ah, lembrando novamente que respondi os comentários por PM, de quem tem conta no FF. NET... Espero que tenha chegado.

D. F. Braine: Talvez ainda demore um pouquinhos até que eles fiquem juntos, por assim dizer, que bom que pelo menos alguém não ache os títulos tão sem criatividade como eu haha'

Raiza: Qual será o vinculo da Ino com o Jiraiya? Sendo ele um pervertido não duvido nada que ele tenha lançado algumas indiretas para a Yamanaka qualquer dia desses... ou não haha' Deixar a Haruno do jeito que ela está a princípio me deu certo receio, mas no final acho que a imperfeição dela foi o que agradou mesmo... O Gaara, bom, é o Gaara, o que mais a declarar? Haha' Obrigada, espero que continue acompanhando

Conny: Ah, que alivio, pensei que estava demasiada romântica... Mas essa ultima cena, não deixou muito meloso, deixou? Eu gosto de um ritmo mais lento, por que no clímax a coisa fica mais interessante... Tipo "Finalmente, seu lerdos!" haha , e fico ainda mais aliviada em saber que isso não deixa as pessoas naquela coisa de "Ah cara... Anda logo com isso", mas creio que pelo fato do mistério ser o foco, o romance tem mais espaço para se realizar de maneira mais lenta e elaborada.E você acertou, Sai terá uma participação importante em AUR, e eu também adoro ele, o cara é pintor (pintor!), só isso já o deixa irresistível haha'

Beijos de Tangerina

Oul K.Z