8. Notícia

Duas crianças corriam e brincavam alegremente pelo jardim do castelo. O jovem príncipe de cabelo ruivo tentava alcançar a jovenzinha de cabelo loiro, que ria alegremente enquanto fugia do amigo, correndo em volta da fonte. A brincadeira acabou quando Relena ouviu seu nome ser chamado pelo irmão que acabara de chegar. Ela correu até ele e o abraçou fortemente, mas antes de partir acompanhada dele, voltou até o príncipe, que ficou cabisbaixo ao ver que ela já ia embora e depositou-lhe um beijo na bochecha para depois correr de volta ao irmão e partir de mãos dadas com ele.

Relena com onze anos se encontrava encolhida ao pé de uma árvore chorando com as palmas das mãos escondendo seu rosto. Lúcius se aproximou e sentou ao lado dela, sem dizer nada ele a abraçou com carinho e compreensão, ficou ali demonstrando que estaria sempre ao lado dela, passava a mão no cabelo dela, enquanto a menina encostava a cabeça no peito dele e soluçava. Para alegrá-la o jovem príncipe lhe deu uma flor, que quando ela viu, começou a enxugar as lágrimas e pegando a flor com delicadeza, forçou um sorriso em agradecimento.

Pegando a mão dela, ambos foram até o jardim de árvores frutíferas e o príncipe subiu em uma macieira e escolhendo a maçã mais vermelha e mais bonita da árvore, ele a colheu e jogou para Relena que abriu um amplo sorriso em resposta. Lúcius, então desceu da árvore e foi até ela que deu a primeira mordida na fruta.

- Seremos sempre amigos... Certo? – Perguntou ele a observando. Ela engoliu e respondeu.

- Sim... Para sempre!

Após essas palavras o tempo fechou, o céu escureceu e o vento enfureceu. Ela olhou para os lados, apreensiva pela mudança agressiva do clima e quando voltou a olhar para Lúcius arregalou os olhos, ele agora estava com dezenove anos e sua expressão era séria fixada em algo a sua frente, ela virou para ver o que ele observava e viu um padre com a boca mexendo, mas, ela não ouvia as palavras. Sentiu algo segurar sua mão e baixou o olhar, se deparando com a mão do príncipe segurando a sua, levantou a cabeça de novo a olhar pra ele se encontrando com seu olhar penetrante fixados nela e a voz do padre finalmente foi ouvida e chamou a atenção dela, fazendo-a se voltar novamente pra o sacerdote quando escutou as seguintes palavras – E eu os declaro marido e mulher até que a morte os separe!

Relena abriu os olhos bruscamente e se encontrou deitada em sua cama. Sentou na cama com o coração disparado. Passou a mão pelo cabelo lembrando-se do sonho que teve. Eram lembranças... Lembranças de uma época feliz e divertida, que bruscamente se tornaram em seu atual pesadelo. – Lúcius... Como chegamos a isso? – Ousou fazer a pergunta que não saia de sua cabeça, em voz alta.

A moça olhou para mão e se focou na pequena jóia que encontrou sua nova moradia encerrada nela. As lágrimas desciam sem permissão, ouviu uma forte trovoada e olhou pela janela contemplando a chuva. Fazia frio e nada a acalentava. Sentiu como se seu calor tivesse desaparecido e deixado algo frio e sem vida. – Chuva... Leve meu pesar embora... – E voltou a sussurrar.

Era dia e precisava parar de se lamentar e se ocupar dos afazeres aos qual a rainha lhe confiou. Não tinha vontade de sair do quarto, não queria ver e falar com ninguém e muito menos encontrar aquele que agora, deveria chamar de marido. Levantou e espantou de sua mente as lembranças que queriam se formar do dia anterior. Não queria lembrar-se de como foi dolorido demais pronunciar a palavra sim.

Depois do tão lamentável sim, ela voltou para seu quarto, escoltada pelo marido, que apenas pediu que ela descansasse e que conversariam sobre como tudo seria no dia seguinte. Ele abaixou para dar-lhe um beijo e ela desviou o rosto. Na hora do casamento ela também não o beijou após o padre haver declarado-os marido e mulher. Não conseguiu, deu a desculpa de estar sem graça perante o sacerdote e se negou a beijar o príncipe. Lúcius não gostou, mas, decidiu não forçá-la.

- O que farei se o ver? – Perguntou a si mesma. O medo lhe subia pela espinha e ela desejava que tudo não passasse de um pesadelo. Mas, aquele brilhante anel, fazia questão de lhe provar que era tudo real e agora ela estava casada com um homem que não amava. Sem muito ânimo, mas sabendo ser necessário, Relena se levantou e chamou uma das servas para ajudá-la a se vestir.

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A chuva estava forte demais e a carruagem tinha dificuldades para avançar devido a lama que se formou na estrada. Graças ao descuido momentâneo do cocheiro uma das rodas atolou e o homem não conseguia tira-la de onde fincou. Zechs deu ordens para que encontrassem algo que pudesse ser feito de plataforma e assim deslizar a roda para fora da lama e suas ordens foram seguidas. O capitão e seus soldados estavam todos embaixo de forte chuva, Dante começava a ficar impaciente dentro da carruagem.

- Milliardo... Há algum problema? Porque ainda estamos atolados? – Perguntou Dante impaciente. Amanda e o conde eram os mais tranqüilos e confiantes na capacidade de Zechs.

- Perdoe-me majestade... É que os homens que saíram em busca de algo plano e firme, ainda não retornaram... Por favor, peço-lhe um pouco mais de paciência. – Dante apenas assentiu e fechou a cortina da janela novamente.

- Vocês dois... Vão procurar o grupo que saiu já faz um tempo. Certifiquem-se de que estão bem. – E a ordem dada foi cumprida.

Depois de meia hora, Zechs já estava impaciente e pensava ir a buscar os soldados que saíram pessoalmente, quando estes chegam com uma longa tabua. Mais aliviado em ver que todos estavam bem, o capitão olha para o céu e vê que a chuva estava bem longe de cessar. Colocaram a tabua em frente à roda atolada e o cocheiro tocou os cavalos. Devido ao peso, a carruagem não se moveu. Estava com a roda muito fincada. Zechs e mais alguns dos soldados mais fortes começaram a empurrar a carruagem para ajudar a desatolar.

Dante não agüentou mais e desceu da carruagem Para ver em que poderia ser útil. Zechs largou o que estava fazendo e começou a pedir que o rei saísse da chuva ou poderia ficar doente. Dante ignorou o pedido insistente do chefe da guarda e em poucos minutos já estava totalmente molhado, pela forte chuva que não tinha pressa nenhuma em cessar.

O rei pediu que o cocheiro descesse e ele subiu no lugar do homem, e sabendo muito bem manejar o cavalo, Zechs firmando a tabua e alguns soldados ajudando a empurrar a carruagem, a roda ficou livre e puderam finalmente retomar a viagem. O rei mandou o cocheiro ser mais cuidadoso e todos se preparam para marchar. A tabua foi guardada para caso houvesse outra necessidade. O rei voltou para a carruagem e a rainha ficou preocupada, pois não tinha nada além de um leve manto para aquecê-lo. Estava muito frio devido à chuva.

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Relena já havia começado a se ocupar com os assuntos do castelo, tinha se esquecido de tomar o café da manhã, pois não tinha fome. Toda hora parava e olhava para a mão e pensava no que havia feito. Não sabia o que deveria fazer, pensava seriamente em falar com o príncipe e pedir que ele anulasse o casamento, mas tinha medo das conseqüências. Estava tecendo alguns fios, tão pensativa que nem ao menos prestava atenção no que fazia?

- Senhorita... – Uma serva a chamou, tirando-a de seus pensamentos.

- Sim... – Ela respondeu dando o máximo de atenção que podia à mulher naquele momento.

- A senhorita não quer descansar? Não parece estar atenta... – Disse a mulher com pesar e olhando para a roca de Relena que já estava parada há algum tempo e a moça na mesma posição sem fazer nada.

- Como? – Então, Relena olhou para ver a que a moça se referia e viu o quão patético era a sua situação. Ela estava com as mãos erguidas, o fio preso na agulha e a roca parada. Respirou fundo e baixou os braços, riu com vontade de chorar. Deixou de lado o fio e pedindo licença saiu. Precisava espairecer, precisava de um tempo dela, um tempo onde pudesse por a mente no lugar.

Andou pelos corredores, sua intenção era de ir para o jardim, mas um mensageiro a interceptou no caminho. Possuía em mãos uma carta e pediu que ela a entregasse ao rei Dante assim que ele voltasse de viagem. Questionou ao homem o porquê dele entregar a ela a carta e não obteve resposta. Apressadamente ele se despediu com uma reverencia e saiu. Ela olhou para a carta e viu pelo marca que era de Wing. Resolveu que deveria entregar a Lúcius por estar no comando e seguiu para o escritório.

Ao chegar à porta, não viu o guarda que sempre ficava ali, bateu três vezes e não teve resposta, então decidiu abrir, viu que não havia ninguém, pensou que talvez devesse deixar a carta sobre a escrivaninha, entrou e encostou a porta. Olhou para o cômodo, estava tudo igual desde que entrara ali pela primeira vez e sentiu nostalgia de seu tempo de infância. Foi até a mesa e vacilou, ficou com medo de que a carta se perdesse.

Começou a procurar um lugar melhor para guardá-la e acabou mexendo em alguns papeis que estavam ali, até que um em especial lhe chamou a atenção, ela olhou para a porta, pensando que não deveria estar ali e muito menos mexendo em algo que não era de sua incumbência, mas sua curiosidade foi maior, puxou o papel para ver melhor e viu um retrato. Era um homem lindo, jovem e de olhos frios. Sua expressão nada dizia, porém, nem o desenho conseguiu ocultar a majestoso que ele era. Ficou enfeitiçada com aquele homem e sentiu seu coração bater mais forte.

- Quem é você?

Perguntou em um sussurro. Aquele homem de feições sérias, mas cativantes a deixou inquieta. Seus olhos apesar de não expressarem nada pareciam quentes e ela desejou ardentemente conhecê-lo. Os olhos dela analisaram cada detalhe daquele rosto como se o estivesse memorizando. Depois olhou nos cantos do papel a procura de algum nome ou algo que pudessem identificar-lhe aquela pessoa, mas nada encontrou. Lembrou-se que tinha que sair dali e por mais que sentisse vontade de levar com ela o desenho, decidiu devolver para o lugar de onde tirou. No fim, saiu do escritório levando com ela a carta, achando melhor guardá-la e entregar pessoalmente ao rei.

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Lúcius desceu do cavalo ao chegar à porta do castelo. Estava com dor de cabeça de tanto beber durante a noite. Sentia vontade de dormir. Na noite anterior foi para a taverna beber com seus cúmplices após Relena se recusar a beijá-lo. Entrou no castelo e caminhando pelo corredor em direção ao quarto se encontrou com ela saindo do dela.

- Bom dia Relena... – Sorriu ao vê-la.

- Bom dia alteza. – Ela respondeu com uma reverencia.

- Alteza? Não precisa mais chamar assim ao seu marido. – Falou incomodado pelo tratamento dela com ele.

- Lúcius... Por favor... Vamos anular esse casamento. – E sem pensar em nada ela apenas pediu com os olhos cheios de lágrimas.

Aquilo enfureceu o príncipe que se vendo acuado com o pedido dela, colocou-se de vitima novamente e fazendo cara de triste, respondeu. – Relena... Pensei que ao menos você tentaria ficar comigo... – Deixou uma lagrima escorrer. – Porque me impediu? Porque veio e não deixou que eu acabasse com meu sofrimento?

- Lúcius... – Ela começou a sentir o coração apertar e se arrepender do pedido.

- É justo... Pedirei que anulem esse casamento e desaparecerei essa noite. – Ele fez menção de ir embora, mas o coração tolo dela sentiu-se culpado. A loira o segurou pelo braço e o impediu.

- Está bem... Vamos tentar. Eu me esforçarei para te amar... – As palavras dela saíram entrecortadas e as lágrimas escorriam, enquanto ela falava de cabeça baixa, sentindo que não tinha mais salvação. Ele sorriu satisfeito e voltando sua face triste levantou o rosto dela segundo pelo queixo.

- Tem certeza disso? Meu amor... Você tem certeza? – Ela apenas assentiu em resposta. – Não imagina o quanto isso me deixa feliz... Farei de você a mulher mais feliz do mundo. – As lágrimas escorreram mais ainda, pois ela sabia que nunca seria feliz.

- Só peço uma coisa...

- Diga meu amor.

- Não me force...

- Como? – E ele ficou perplexo com o pedido dela.

- Espere que eu me acostume... Por favor. – E entendendo o pedido dela ele ficou muito irritado, mas não demonstrou. Sabia que se a forçasse a consumar o casamento contra a vontade dela ela poderia pedir socorro a Zechs e isso seria um grande problema para ele. Mesmo incomodado, ele assentiu e se forçou a sorrir. Ela agradeceu e se retirou. Lúcius agora sentiu sua dor de cabeça piorar e foi para o quarto se deitar e pensar em como lidaria com o assunto.

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A chuva tinha parado e já era perto das seis da tarde. Lúcius passou o dia dormindo e nem sequer apareceu para dar uma satisfação ao Visconde sobre como resolveriam os assuntos do reino e Relena se prontificou a ajudar o Visconde no que lhe era possível. Um soldado veio correndo avisar que a carruagem do rei tinha acabado de cruzar a ponte. Relena saiu correndo, pediu a uma serva que fosse acordar o príncipe e ela foi esperar a todos na porta.

A tropa e a carruagem pararam em frente à grande porta do castelo e todos desceram. Relena notou que os homens estavam todos encharcados e se preocupou pela saúde dos mesmos. Zechs lançou-lhe uma piscada de olho que a fez sorrir amplamente, depois o capitão abriu a porta da carruagem e ajudou os que estavam dentro, descerem. O conde foi o primeiro, seguido pela rainha e por último o rei.

Amanda correu para abraçar Relena que devolveu o abraço com todo o carinho que tinha pela rainha. Depois abraçou seu pai com força e fez uma reverencia sorrindo para o rei. Dante assentiu como resposta a moça e esboçou um imperceptível sorriso para ela. Depois que eles entraram e o rei e a rainha foram em direção ao quarto para ele tomar um banho quente e trocar a roupa molhada, Zechs veio dar um abraço na irmã que se jogou em cima dele e ficou pendurada no pescoço do irmão como se fosse uma criança.

- Também senti sua falta... – Ele expressou com palavras o que aquele abraço significava.

Relena acompanhou o irmão até o quarto depois que ele ajudou a descarregar a bagagem, pediu que os servos colocassem tudo nos devidos quartos e dispensou os soldados para que fossem descansar e se trocarem logo. Relena pediu que preparassem um banho quente para Zechs e enquanto ele se banhava ela escolheu uma veste quente para ele por.

Lúcius saiu do quarto e foi perguntar pelos pais, uma serva avisou que eles estavam em seu quarto e o príncipe resolveu se preparar para o jantar. Relena saiu do quarto do irmão e foi para o dela, cruzou com Lúcius no caminho e nada falaram. Ela se preparou para o jantar e pegou a carta que deveria ser entregue ao rei.

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Depois de jantarem e Relena passar o relatório das funções que exerceu para a rainha, o rei, chamou todos para uma reunião no escritório, menos Relena que não era necessária naquele momento. Então a moça entregou ao rei a carta e foi ler um pouco em seu quarto. Ninguém havia notado o anel no dedo dela e isso a deixou mais calma.

Dante entrou primeiro com a carta na mão e sentou em sua poltrona habitual, em seguida entrou Amanda e sentou em uma das cadeiras, seguida pelo conde que sentou na outra, o visconde em uma terceira poltrona que ficava no canto da sala e ele puxou para mais perto, enquanto Zechs e Lúcius ocupavam o ambiente em pé.

O rei abriu a carta e constatou que era de Heero, leu e nada expressou em sua face. Guardou a carta na gaveta e pediu que o visconde lhe passasse o relatório dos dias que esteve fora. Lúcius gelou ao lembrar que faltou aos afazeres do dia e com certeza o visconde não ia deixar passar. O visconde se levantou e entregou ao rei uma pasta cheia de documentos. Dante e o conde iriam ler cada um daqueles papeis com calma, mas no momento o rei apenas folhou para ver se todos haviam sido assinados. Sem nenhuma surpresa, Dante encontrou vários documentos sem assinatura.

- Esses não foram assinados por que não estão corretos? Não concordou com o conteúdo? Ou o que? – Perguntou o rei encarando o filho. Lúcius desviou o olhar e encarou o chão, então o rei voltou-se para o visconde.

- Bem, majestade. O príncipe não pode comparecer a nossa reunião hoje...

- Não pode? Ou não quis? – E a pergunta voltou para Lúcius. Que respirou fundo e encarou o pai.

- Esqueci... – E apenas informou. Dante segurou a raiva e achou melhor discutir isso em outro momento. Respirou fundo, fechou a pasta e entregou nas mãos do conde que entendeu que era para se encarregar de tudo.

- Tenho uma informação a dar. – Dante encostou-se à cadeira e encarou a todos os presentes. – Relena saíra em viagem amanhã.

- Relena? Por quê? – Zechs perguntou estranhado, olhou para o pai que ficou tranqüilo, pois já sabia de que se tratava.

- Bem... Ele precisa conhecer o...

- Ela não vai a lugar nenhum! – E Lúcius interrompeu a frase do pai antes de ser completada com um tom de voz alterado. – Ela não irá a lugar nenhum. – Dante se irritou com a audácia do filho e o questionou.

- Posso saber por que não? – O rei encarava o príncipe com arrogância.

- Porque ela é minha esposa e não permitirei que viaje a lugar nenhum...

Dante então começou a levantar vagarosamente de sua cadeira, com os olhos fixos no filho. Seu olhar possuía ódio, era possível até mesmo jurar que o rei estava ficando transtornado, Dante olhava para Lúcius como um touro olha para o toureiro, com gana. Os demais integrantes da sala ficaram incrédulos. Zechs não sabia se acreditava ou não. Lúcius nunca sentiu tanto medo de seu pai, mas não pensou em momento algum em voltar atrás.

- O... O que você disse? – Dante estava de pé e sua voz saiu falhada de tanta força que ele empregou ao falar e tinha os dentes serrados de raiva. Lúcius respirou fundo e sua calma sumiu.

- Que... Que eu me casei com ela ontem à noite...

Ao dizer isso Zechs sacou sua espada transtornado, esquecendo-se de que ele era um príncipe, mas a rainha e seu pai entraram na frente para que não ocorresse nenhuma desgraça. O visconde tentava segurar inutilmente ao capitão da guarda eu era três vezes o seu tamanho.

- Calma Milliardo. Abaixa essa espada. – Falou o conde em tom autoritário com o filho que tinha ódio no olhar.

- Porque conde? Deixe o rapaz terminar com o que começou! – Falou Dante possesso.

- Como? – Amanda olhou incrédula e tirando forças de onde não tinha, vestiu-se de rainha e com um tom autoritário ordenou. – Parem com isso imediatamente. Milliardo guarde essa espada e todos se sentem. Quero ouvir essa história completa. – Era nessas horas que Dante não se atrevia a discutir com a esposa. Todos obedeceram menos Dante, que apesar de se calar, continuou em pé. – A palavra é sua Lúcius...

- Visconde, por favor, mande chamar Relena. – E o conde pediu.

O homem abriu a porta e notou que o guarda não estava então entendeu o porquê dele não ter entrado devido à gritaria, então decidiu ir buscar a moça pessoalmente. Os integrantes resolveram não falar nada sobre o assunto até que Relena chegasse e assim o fizeram. Quando a loira passou pela porta, Zechs a analisou e se deu conta do anel, o mesmo anel que Lúcius havia dado-lhe de presente no dia de seu aniversario, então pode comprovar a verdade do que o príncipe disse.

- Com licença majestade... Mandou me chamar? – Ela não havia sido informada que já sabiam do casamento. Dante nada disse, ofereceu-lhe a cadeira para ela sentar e a moça assim fez sentindo que as coisas não estavam nada bem ali.

- Relena... É verdade que se casou com o príncipe? – O conde perguntou a filha, calmamente.

- É obvio que é verdade, veja a aliança na mão dela. – Zechs falou revoltado e Relena entendendo a situação se assustou, tentou cobrir a aliança com a mão, mas já era tarde demais. Teve vontade de chorar e seu pai a encarou pedindo confirmação e ela apenas assentiu.

Dante se levantou e ficou andando de um lado ao outro pensando. Amanda sentiu uma forte vontade de chorar e não conseguiu se controlar. Zechs encostou-se à parede e olhou incrédulo a irmã, sentia uma sensação horrível no peito. O visconde não sabia o que dizer e ofereceu seu lenço a rainha. Lúcius continuou calado, apenas observando, principalmente a Relena que permanecia com a cabeça baixa e as poucas vezes que olhava o marido, estremecia.

- Relena... Você ama o príncipe? – O conde apesar da noticia o incomodar era a parte envolvida mais calma do local. – Seja sincera. A moça pensou e respondeu.

- Amo... – Falou e completou a frase em pensamento: Como um irmão.

- Não quero mais ouvir uma palavra desse assunto. – Dante começou a falar e com seu tom autoritário de um rei, debruçou sobre a mesa e encarando ela e o filho intercaladamente, prosseguiu. – Não acredito e não acreditarei nunca nessa história de que você ama Lúcius... – Relena estremeceu. – Não sei o motivo desse casamento repentino, mas o quero anulado imediatamente.

- Não será possível... Já o consumamos. – E Lúcius falou com a maior tranqüilidade. Todos olharam para ele com suas iras aumentadas e Zechs olhou para a irmã, desapontado.

- Seu... – Dante segurou a raiva. – Cedo ou tarde irei descobrir o motivo real desse circo todo... Não se esqueçam. – O rei ameaçou. – Será melhor que contem a verdade. Mas, por hora, o que está feito, não poderá ser desfeito. Saiam!

Relena sentiu o chão faltar, não consegui manter-se em pé. Lúcius ajudou-a a levantar e segurando ela pelo braço a levou para fora do escritório, onde a moça caiu em lágrimas. Ela estava sozinha, sentiu que seu mundo estava desmoronando e teve mais medo que nunca do futuro. Se ao menos tivesse o apoio de suas famílias ela poderia suportar melhor a nova vida, mas agora, ela realmente estava perdida.

- O que faremos? – Perguntou o conde ao rei.

- Temo que não saiba como me desculpar contigo... – Falou Dante sinceramente.

- Não deve se desculpar. Minha filha também agiu de forma equivocada. – O conde olhou para o filho que não consegui mais manter sua posição.

- O que está feito... Por hora continuara assim. Até que eu desvende esse enigma. – E Dante completou.

- Peço desculpas também pela atitude de meu filho... – Falou o conde.

- Esqueça isso... – Falou o rei e se voltou para Zechs. – Milliardo, vá descansar. – O capitão apenas assentiu e saiu cambaleante. E o rei falou o mesmo a todos. – O dia foi insuportável. Vamos todos descansar.

Ninguém disse mais nada. Seguiram as recomendações do rei em silencio saíram e foram a seus devidos aposentos. Zechs estava a caminho de seu quarto quando vê Lúcius conversar com Relena dentro da biblioteca com a porta entreaberta e movido por um impulso ele entrou bruscamente na biblioteca e avançou sobre o príncipe acertando um soco no estomago e quando Lúcius se curvou de dor, Zechs o afastou e acertou dele um soco na cara.

O capitão não tinha nenhuma intenção de parar, mas sua irmã se interpôs entre os dois, implorando que ele parasse. – Saia da frente! – Zechs gritou com ela e ela meneou a cabeça em negação. Ele então baixou os punhos e a encarou com desgosto. Sem nada a dizer, ele fez menção de partir, mas ela o segurou.

- Milliardo, por favor, me escuta...

- Você vai me contar a verdade? – Perguntou irritado encarando-a.

- A verdade? Mas, eu já disse o que tinha pra dizer... – Falou apreensiva.

- Se pensa assim, não temos mais nada a conversar!

O capitão se desvencilhou do agarre da irmã e saiu. A loira caiu de joelhos em prantos e Lúcius assistiu a cena satisfeito, limpando o sangue da boca.

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Heero estava reunido com seus amigos em uma grande mesa quadrada, na qual todos eram de mesma importância para ele, discutindo os assuntos do reino, assuntos esses corriqueiros, porém de grande importância ao povo. Só faltava Noin para completar o grupo, que logo chegou acompanhada de Lady Une. Heero parou a conversa e todos ficaram em pé para receber as damas, que se sentaram a mesa. Treize não tirou o olho de cima da convidada e ela lhe era recíproca.

- Bom dia senhorita... Desculpe meu descuido. – Heero era polido ao falar com Lady Une. – Desde que lhe encontramos, não tive a oportunidade de conversar contigo...

- Não precisa se desculpar majestade. É totalmente compreensivo. – Ela sorriu tranqüila.

- Bem... O motivo de estar aqui hoje, é que quero lhe fazer algumas perguntas. – E o rei continuava com sua habitual seriedade.

- Prossiga... – Disse ela sentindo um frio na barriga começando.

- Vou direto ao ponto então. – Ela assentiu. – Porque estava acorrentada e sendo torturada naquele calabouço? – A jovem moça ficou encabulada com a pergunta, mas decidiu ser tão direta quanto ao rei.

- Dekim conquistou o reino do qual eu fazia parte... Matou minha família e decidiu que eu seria dele... – Ela parou um pouco ao lembrar-se do terror que passou. – Ele queria se casar comigo e me neguei... – Respirou fundo antes de continuar. – Então, ele quis me tomar à força e eu me defendi... Graças a minha rebeldia contra ele... Dekin disse que ia me domar... – Ela riu com raiva. – E me condenou aquele castigo, até o dia que eu cedesse.

- Maldito... – Treize falou quase em um sussurro, mas o suficiente para seus amigos ouvirem e concordarem.

- Muito bem... Então a senhorita não possui mais ninguém... – Ela assentiu, mas sabia que não era necessário responder. O rei analisou um pouco a situação e decidiu. – Pude observar por seu jeito que era de uma família nobre. – Ela assentiu de novo. – E não vi nada em sua conduta que a recriminasse... Sendo assim, pode fica conosco, se quiser.

Lady Une abriu um largo sorriso de pura alegria. Agradeceu a Heero inúmeras vezes e recebeu o bem-vindo oficial de toda a equipe, principalmente de Treize que se mostrava ser o mais feliz com a decisão, de todos os integrantes da reunião.

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Relena estava procurando o irmão por todo o castelo. A moça não havia dormido nem sequer um pouco durante a noite e sentia-se apavorada com medo de Zechs não querer mais falar com ela. Seu pai havia saído cedo com o rei para resolver assuntos do reino e ela não podia falar com ele no momento, mas podia começar a resolver o problema com Zechs.

Depois de muito procurar, Relena avista o irmão perto do estábulo conversando com a moça que conheceu a mais de um mês de nome Anee. Pensou um pouco se deveria ou não ir até eles, mas decidiu que qualquer que fosse o motivo da conversa dos dois, não poderia ser mais urgente que a dela. Aproximou-se do irmão a passos apressados e o chamou. O que fez a moça se alertar e estranhamente fugir. Zechs olhou para a mulher que saiu correndo e depois se voltou para a irmã, com um ar de incomodado.

- O que deseja Relena? – Ele falou com descuido e ela sentindo as lágrimas chegarem, saiu correndo em direção ao capitão da guarda e o abraçou com força. Ato que o surpreendeu.

- Me perdoe Milliardo... Por favor, eu imploro seu perdão... Por favor... – Zechs ficou sem reação, tentou se segurar, mas sua irmã sempre foi seu ponto fraco. Ao vê-la escorregar pra ficar de joelhos ele a parou e a puxou de volta, abraçando-a com força.

- Esta bem... Esqueça... Desculpe pelo modo que falei com você... – Ela meneou a cabeça em negação, ainda abraçada com ele. Agora a loira não segurou mais as lágrimas e as deixou correrem soltas. Sentia-se segura novamente e isso acalmou o coração dela.

- Relena... – Falou Zechs afastando-a um pouco para poder ver o rosto dela. – Me conta o verdadeiro motivo... O que realmente aconteceu? – Ela baixou a cabeça balançando em um não continuo. Ele a encarava aflito, então ela o olhou dentro dos olhos e respondeu.

- Não posso falar nada. Mas, precisa confiar em mim... Por favor... Confie em mim.

- Então realmente existe um motivo por trás disso tudo certo? – Ela olhou para o chão e nada respondeu. Mas, não foi necessário, pois ele entendeu. Então ele voltou a abraçá-la. – Esta bem... Você não quer ou não pode me falar agora... Não vou forçá-la, mas, estarei atento a esse assunto. E vou descobrir. – A moça nada disse apenas se agarrou mais ao irmão e ali ficou curtindo aquele momento e afastando o medo de ser abandonada por ele.

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- O que Heero falou na carta? – Perguntou o conde ao rei. Eles estavam andando a cavalo pelo reino, voltavam para o castelo de suas visitas e caminhavam vagarosamente, para poderem conversar.

- Pedia desculpas e informou que devido aos trabalhos que tinha no reino, não poderia comparecer a festa de aniversário de Relena. – Dante ficou pensativo e continuou. – Mas, que já havia encomendado um presente e que logo enviaria. Também informou que não poderá voltar para Sank...

- Não poderá? – Perguntou o conde e Dante assentiu.

- Que Sank, no momento não necessita dele... Já Wing, sim... Mas, se precisarmos dele, ele virá.

- Entendo... – O conde ficou tão pensativo quanto o rei. – Majestade... – Dante olhou ao amigo curioso ao ouvir o tom polido demais que o conde dirigiu a ele. – O que faremos sobre Relena e Lúcius? – O rei respirou fundo. – Não tenho nada contra Lúcius e é uma honra saber o quanto ele ama minha filha, mas...

- Mas, você preferia vê-la casada com Heero. – O rei falou e o conde lançou-lhe um olhar de concordância. – Também prefiro. E não acreditei em uma palavra sobre o assunto do casamento por amor e que já foi consumado. Absurdo isso... – Dante falou com desdém. – Quem eles pensam que são? Pensam que sou um idiota? Que não notaria que estavam mentindo? Lúcius é bom nessa arte, mas Relena... A moça tem a pureza nos olhos e é por isso que a escolhi como nora! – Dante discursava sozinho, olhava pro caminho que fazia, sem realmente vê-lo. O Conde o observava atento as palavras do amigo e concordava com elas.

- Mas, estão casados... – O conde ficou irritado ao lembrar-se da noticia da noite anterior, mas disfarçou.

- Sim... Mas, duvido que esse casamento tenha sido consumado. – O conde o encarou. – Mas, como a faremos contar a verdade?

O silencio tomou conta de ambos. O rei e o conde pensavam ao mesmo tempo uma maneira de descobrir a verdade e acabar com aquele casamento que para ambos não passava de uma farsa. De repente Dante começa a falar.

- Uma ótima opção seria fazer ela se apaixonar por Heero... Assim, ela se arrependeria e falaria a verdade. Contaria o motivo de tudo...

- Concordo alteza, mas o Heero não voltará por hora...

- Sim meu caro... É verdade. Teremos que pensar em algo para trazê-lo de volta... Mas, o que? – Dante pensa, até que o conde sorri.

- Eu já sei como... Mas, creio que deveríamos pedir ajuda a rainha...

Dante encarou o amigo e atiçou o cavalo para que ele acelerasse o passo. O rei viu o amigo aumentar a velocidade e estranhado, o seguiu. Ambos foram conversando pelo caminho de volta e apesar da face do rei não mudar, ele ficou muito satisfeito com a idéia tida pelo amigo. Chegaram ao castelo e foram chamar a rainha. Os três se trancaram no escritório com ordens para não serem interrompidos.

Depois de mais de uma hora de conversa, Dante mandou chamar o filho e Relena. A moça ao entrar no escritório olhou para o pai que lhe sorriu de forma reconfortante e isso a acalmou, ela lhe devolveu um amplo sorriso, cheio de gratidão. Lúcius chegou e entregou ao pai o documento do casamento dele com Relena.

- Muito bem... – Começou Dante. – Os chamei aqui, porque quero informar-lhes que aceito o casamento. – O casal estranhou a mudança repentina do rei, mas nada falou. – Aceito esse casamento, mas gostaria de informar, que estarei observando os dois de perto. Lúcius, sendo um homem casado, devera a partir de hoje, se ocupar dos assuntos do reino. Ficamos entendidos?

- Sim, majestade... – Apenas Relena concordou e todos olharam para o príncipe, esperando uma resposta.

- Porque tenho que me envolver com esses assuntos incômodos? – Perguntou Lúcius.

- Por que agora, você além de príncipe, está casado... E tem que aprender algo mais do que beber... – Dante respondeu duramente. – E digo mais, a partir de hoje, deve respeito a sua esposa, por isso, não ouse ficar saindo e se divertindo. Fui claro? – Quando o príncipe foi falar algo, Dante se levantou e no seu tom habitual os dispensou firmemente, tirando a oportunidade do príncipe de falar algo.

Após o casal sair do escritório, Relena deu as costas para Lúcius e se foi, sem ao menos se despedir. Ele irritado com toda aquela situação, vira as costas e vai para o lado oposto. Dentro do escritório, Dante lacra uma carta urgente para Heero e pede que o conde a entregue a um mensageiro. E saindo do escritório, o conde obedece às ordens. A rainha pergunta ao marido, se ele acredita que dará certo. E Dante lhe dá apenas com um sorriso de canto.

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Um dia se passou e o mensageiro chegou com uma carta emergencial para o rei Heero em Wing. O homem não parou para descansar, apenas parou na hospedagem que liga os reinos para trocar de cavalo e continuou a viagem, a mensagem que deveria ser entregue tinha um caráter de emergência, sendo assim, era sua obrigação levá-la com muita urgência. Ao chegar ao castelo foi recebido por Trowa que no momento em que o homem desceu do cavalo, ele estava dando ordens aos guardas da entrada.

- Bom dia senhor... – Falou o mensageiro se aproximando e Trowa apenas assentiu. – Trago uma mensagem urgente do rei Dante Yuy, para vossa alteza real o rei Heero.

- Pois bem, siga-me.

Trowa deu as costas pro homem e andou sendo seguido por ele. Ao chegarem ao escritório ele abriu a porta e entrou sem pedir permissão. Heero que estava lendo alguns documentos apenas levantou os olhos e viu Trowa, mas só se endireitou na poltrona quando viu que ele estava acompanhado.

- Este é um mensageiro de Sank. Parece que seu pai tem urgência em falar com você...

- Bom dia majestade... – Falou o recém chegado um tanto apreensivo, pelo olhar frio de Heero, que assentiu em resposta e estendeu a mão para pegar a carta.

- Aconteceu algo de grave no reino? – O rei perguntou ao mensageiro.

- Não fui informado majestade... Apenas tive ordens de trazer-lhe a carta.

- Por acaso fez o percurso da viagem toda sem descansar? – Heero notou o estado de cansaço do homem a sua frente e ele assentiu. – Trowa, leve ele para comer e descansar. – O amigo nada falou e saiu, levando o homem com ele.

Heero abriu calmamente a carta e se surpreendeu com o conteúdo dela:

Meu estimado filho,

Venho por meio de esta pedir que retorne a Sank.

Seu pai esta muito doente. Pegou uma gripe muito forte na ultima viagem ao norte,

E seu estado está delicado por esses dias. Seu irmão não gosta e nem se esforça em cuidar das necessidades do reino.

Por favor, retorne... Estamos precisando de você.

Com amor, sua mãe!

Heero ficou incomodado com a carta e mandou chamar todos os membros de sua equipe, pedindo uma reunião urgente. Depois de muito conversarem e debaterem o assunto, o rei tomou uma decisão. Todos com exceção de Treize iriam para Sank com ele. Treize ficou encarregado de cuidar de Wing e lhe chamar sempre que fosse necessário. Lady Une, cuidaria do assuntos referentes ao castelo e os servos. Ela não fez parte da reunião, mas ganhou uma posição para auxiliar Treize, Que ficaria no comando durante a ausência de Heero.

Após decisões tomadas, Noin se encarregou de preparar a viagem, ajudando os amigos a organizarem suas bagagens, informando Lady Une de seu novo cargo, informando os servos do castelo que ela e Treize estariam no comando por um tempo. Noin, desde a morte do rei Arturo, assumiu o comando do castelo e seus cuidados como se fosse sua casa e Heero sentia-se aliviado com isso. Sendo assim reconhecida por seus feitos e ganhando mais força no comando. Depois de tudo bem organizado, a viagem foi marcada para a manhã seguinte. O mensageiro voltaria com eles.

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- Por onde andaram meninas? – Relena abraçou as três amigas que não via há dias e que acabaram de chegar para visitá-la no castelo.

- Ah Relena, me perdoe. Prometi voltar no dia seguinte, mas meu pai precisou de mim e só hoje consegui um tempo para vir te visitar. – Falou Hadja com pesar.

- O mesmo digo eu, Relena querida... Meu pai está fazendo negócios com o pai da Had e me obrigou a ajudá-lo... – Falou Cléo triste.

- E meus pais me arrastaram para uma viagem chata da qual detestei ter ido e não tive tempo nem de lhe enviar uma nota explicando... – Teyuki falava inconformada.

A princesa riu das explicações. Sabia o quanto os pais das amigas influenciavam na vida delas e compreendia perfeitamente o sumiço delas. Mas sentia-se muito melhor de tê-las de volta.

- Esta bem... Já nos desculpamos... Agora nos conta o que fez de bom em nossa ausência? – Perguntou Hadja e a princesa se pôs triste, o que causou um grande estranhamento nas amigas. – O que aconteceu Relena?

- Eu... – Ela parou com medo. Mas, tomando fôlego, simplesmente falou. – Me casei com Lúcius. – As amigas a encararam estáticas e de repente começaram a rir loucamente. Relena ficou boquiaberta com a atitude delas.

- Ai, ai... Essa foi muito boa... Agora fale sério... O que você aprontou de bom Relena? – E acalmando-se da crise de riso, Cléo perguntou.

Relena vendo que não acreditaram nela, não disse nada e apenas mostrou a mão com a aliança. As amigas olharam para a aliança e conforme foram reconhecendo o presente de aniversário que ele deu a ela, suas feições foram se fechando. De um amplo sorriso alegre, passava a ser uma expressão séria, quase irritada. Hadja e Cléo foram as primeiras a entenderem a seriedade do assunto, enquanto Teyuki continuava em choque.

- Que brincadeira é essa Relena? – Perguntou Hadja, controlando-se.

- Não é nenhuma brincadeira... Eu me casei com Lúcius, na mesma noite do ultimo dia em que vocês estiveram aqui... – Falou ela.

- Como pode? Você ficou maluca? Desde quando ficou tão inconseqüente Relena? – Cléo falava exaltada e Teyuki tentando acalmar a amiga.

- Perdoem-me... – Falou Relena com pesar.

- Se está pedindo perdão, é porque sabe que fez algo errado. – E finalmente Teyuki deu seu parecer. E a princesa emudeceu.

- Como foi à reação do rei e da rainha? – Perguntou Hadja.

- A rainha chorou muito... Mas, não de alegria. O rei ficou revoltado...

- E seu pai? Porque com certeza Zechs deve ter ficado louco... – Had continuou a especular.

- Não sei... Meu pai sempre foi muito controlado... Não gostou, mas não disse nada para mim... E Milliardo... Você resumiu bem. – A loira baixou a cabeça ao lembrar.

- Muito bem... Faremos assim... Não adianta lhe criticarmos agora... Então, proponho um passeio para espairecer... O que acham? – Teyuki encerrou a conversa e Relena agradeceu mentalmente. As quatro amigas se retiraram para um passeio pelo campo. Hadja e Cléo ainda tinham esperança de convencer a amiga a contar o real motivo do casamento.

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Uma jovem, de longos cabelos negros e olhos amendoados de cor escura, agredia sua pele branca ao caminhar pelo sol ardente. A moça estava exausta, mas feliz por finalmente ver o fim de sua viagem logo à frente. Ela finalmente avistou a civilização e o castelo de Sank. Ficou mais animada e tirou forças de onde não tinha para apressar o passo e encontrar um local para descansar.

Ao entrar no meio do povo, sua beleza chamou a atenção de alguns homens mal intencionados, porém ela não percebeu e continuou sua busca por um lugar onde pudesse dormir e comer. Encontrou uma hospedaria de um senhor bem velhinho e por não possuir muito dinheiro, o homem, simpatizando-se com ela, lhe ofereceu comida e acomodação em troca dela ajudá-lo com os serviços do local e ela felizmente aceitou.

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Relena voltou para o castelo após passar todo o dia passeando com suas amigas. Era disso que ela precisava. Espairecer era algo de que ela necessitava ardentemente, as meninas não tocaram mais no assunto e Relena se alegrou. Não adiantava mais ficarem jogando nela a besteira que ela cometeu ao se casar, mas o problema já estava feito e agora tinha que continuar com a farsa. Não tinha fome e foi direto para o quarto, mais que comida, precisava de sono.

Deitou na cama e os problemas vieram sobre ela de forma esmagadora e tirando-lhe o sono. A loira não sabia mais o que fazer, revirava-se de um lado ao outro na cama e não conseguia encontrar o sono. De repente, algo lhe veio à mente. Mais exatamente alguém, de olhar frio, porém acolhedor. Alguém que não lhe era conhecido, mas somente de olhar seu desenho o coração da moça disparou. Deitou de lado e ficou lembrando cada detalhe do rosto daquele desconhecido. Desejou saber quem ele era, mas não tinha a coragem suficiente para perguntar a quem quer que fosse.

Lembrar daquele olhar e focar-se nele foi o suficiente para fazer sua mente acalmar e o medo de seu futuro se esvair. Antes que o sono tomasse posse totalmente dela, a moça pronunciou suas ultimas palavras.

- Eu queria que você aparecesse para me salvar... – Os olhos dela se fecharam e o sono se apossou da jovem.

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O dia amanheceu e todos no castelo ficaram pendentes do rei que amanheceu estranhamente doente. A rainha não saiu do lado do marido e o conde pediu que o príncipe assumisse os assuntos do reino. Lúcius aceitou o dever contrariado e não se esforçava pra esconder seu desgosto. Dava pouca atenção aos assuntos do reino e passou o dia de mal humor.

O conde ignorava a forma desleixada do príncipe e continuava fazendo sua parte informou a Lúcius que ele deveria receber a visita de um comerciante importante de outro reino que viria a falar de negócios no lugar do rei. O príncipe bufou e cortando o sogro, perguntou novamente, pela terceira vez no dia, o que seu pai tinha que o tornava impossibilitado a trabalhar. E pela terceira vez, o conde informou que ainda não sabia, mas o rei não estava nada bem e a rainha o fez descansar.

- A que horas chegará esse tal comerciante? – Perguntou Lúcius irritado.

- Logo após o jantar... – Falou o conde estendendo ao príncipe um documento que sem ao menos ler, Lúcius assinou.

- Isso não é hora de receber visita... – Falou o príncipe, indignado.

- Mas, é quando ele poderá vir... Agora, se me der licença, alteza... Irei buscar mais alguns documentos para o senhor analisar.

O conde saiu e Lúcius ficou entediado, olhando para as paredes do escritório. O dia correu tranqüilo, e Relena ainda evitava falar com o marido. Trocavam olhares esporádicos quando se cruzavam e ninguém conhecia a verdadeira história por trás do casamento repentino. O príncipe deu ordens aos soldados que não aparecessem no castelo por um tempo, para que ninguém lhes fizesse perguntas sobre o assunto.

A noite chegou e com ela o tal comerciante importante. Um homem, de aparência moura e expressões nada tranqüilas, entrou no castelo acompanhado de alguns guardas pessoais e guiado pelos guardas do castelo. O príncipe o aguardava na sala do trono e não gostou muito do homem que apareceu, mas pouco deu importância.

- Boa noite alteza? – Falou o comerciante.

- Bem vindo forasteiro... O que me trás de bom?

- Linda seda e jóias raras... Vim conversar com o rei... – O homem sentiu-se incomodado com a presença do príncipe.

- Sinto muito... O rei esta indisposto hoje e eu o representarei. – Lúcius colocou mostrou toda sua altivez ao homem e fez sinal para que ele sentasse em uma poltrona que mandou buscar.

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Uma escolta militar muito bem armada e uma carruagem param em frente o castelo. Heero desce de seu cavalo mustang preto e olhou calmamente para seu antigo lar ao qual retorna nesse momento. Olhou para Trás e Trowa estava ajudando Noin a descer da carruagem. A pedido do rei, a moça viajou como uma nobre e não como um cavaleiro. Pensou um pouco antes de entrar. Aquela sensação nostálgica não combinava com ele e sentia-se estranho ali, como se não fosse seu verdadeiro lar, então antes de entrar resolveu dar uma volta ao redor e relembrar daquele local.

Relena corria atrás de uma pequena menininha que se divertia em fugir da princesa. A loira já estava cansada, mas precisava alcançar a garotinha, antes que ela se perdesse. Já ofegante, por estar a muito tempo naquela brincadeira de pega-pega, a princesa em um passo em falso, pisou na barra do vestido e perdendo o equilíbrio foi de encontro ao chão. Fechou os olhos preparando-se para colisão que não veio. Relena sentiu-se amparada e braços fortes a sustentaram. Abriu lentamente os olhos para ver seu salvador e sentiu seu sangue ferver, quando se deparou com aqueles olhos misteriosos que conheceu através de um desenho.

...Continua...


Bom pessoal, atendendo aos pedidos taí o encontro dos dois.

O que acharam? Gostaram? E da reação do Dante?

O zechs ficou só um pouquinho irritado, né?

Temos uma nova persongem entrando em cena... E um romance começando!

Quero reviews e nada de preguiça, não custa tanto assim vcs me deixarem reviews, né?

To ansiosa por isso, ok?

Aguardo as REVIEWS de vc e obrigada por nunca me abandorarem e sempre me acompanharem!

Beijos a todas e ainda estou ao aguardo de reviews que não vieram dos capitulos anteriores!