N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 16

Significado


25 de outubro de 2007


Sakura, Colégio Kitagawa às 10h10min.

Estamos quase em novembro e todo final de ano Kitagawa realiza um festival, com a proposta de tornar a escola mais unificada e as turmas mais unidas. Sempre achei esses eventos inúteis, além de consumir um tempo absurdo. Para piorar eu sou a representante da minha turma e de todos o terceiro ano. Não preciso nem concluir que sou a mais sobrecarregada nessa história toda.

Esse ano o tema será História do Japão e já estava me imaginando enfiada nos livros de História Clássica Japonesa. Por mais que eu deteste esse evento, é extremamente necessário que tudo saia perfeito. Mesmo achando que perseguir um serial-killer seja mais atraente do que coordenar um monte de adolescentes desorganizados.

Agora mesmo eu estava pedindo licença para o professor de física, Aoba, para conversar com o 3º D sobre os primeiros detalhes do festival. Antes de entrar, eu já sabia que era a turma de Rock Lee e Gaara, e talvez por isso, eu tenho respirado mais fundo duas vezes antes de arrastar a porta, e me deparar com todos aqueles aluno me fitando desanimados.

- Bom dia. – fiz uma reverência educada, alguns me responderam, outros não. Coloquei no rosto uma expressão tranquila e continuei – Imagino que todos saibam do festival de final de ano do colégio Kitagawa, que começa a ser organizado em meados de novembro e segue até o final do ano. Imagino também que alguns saibam que sou responsável pelo 3º ano e consequentemente irei coordenar as turmas.

Passando meus olhos pela a turma percebi Sai no corredor. Nos fitamos por um milésimo de segundo, e me lembrei que ele era um dos responsáveis pelo 3º B, que inclusive é a turma de Ino Yamanaka. Ele estava sempre assim, com um sorriso afável, e por mais que isso possa parecer positivo, para mim, era sempre um péssimo indicativo.

- O tema esse ano será História do Japão – continuei e alguns murmurinhos de reclamação começaram – E os 3º anos serão responsáveis exclusivamente pelo Período Edo... – os murmurinhos se intensificaram ainda mais. – Silêncio, por favor. Eu sei que não agrada a todos, mas, qualquer reclamação concreta, conversem comigo depois, agora eu só tenho a... – minha voz fraquejou quando cruzei meus olhos com a figura de Gaara. Estava sentado, próximo a janela, de maneira desleixada, como sempre, e com seus fundo olhos sobre mim. Nenhuma expressão naquele rosto. Droga. Não posso corar em uma situação como essa – Tenho a responsabilidade de lhes dá maiores informações. Kurenai e Kabuto-sensei serão responsáveis pelos terceiros anos, qualquer dúvida que ocorra, se direcionem a eles, ou a mim, que sou do 3ºA. Quem é o representante dessa turma? – Um garoto na primeira fileira se levantou fazendo uma reverência. – Gostaria que selecionasse os dois alunos responsáveis por essa turma e me informasse ainda hoje se possível.

- Já temos os escolhido, Sakura-san.

- Sou um deles, Sakura-chan! – Rock Lee ao fundo levantou sua mão. E novamente meus olhos caíram sobre a imagem de Gaara. Ele continuava da mesma maneira como se não tivesse parado de me fitar por nenhum momento. Droga. Depois daquela situação constrangedora, estávamos sem conversar, ou mesmo nos fitar, há três dias. Estive todo esse tempo, repentinamente, muito ocupada com o festival, além de evitá-lo constantemente pelos corredores.

- Isso é ótimo Lee-san. – tentei um sorriso. Logo depois uma garota baixinha e de rosto muito maquiado se levantou, ela lhe disse seu nome e continuei – é uma prazer conhecê-la Rika-san.

Vi o representante sorrir para mim. Tinhas os dentes amarelados, que apenas fumantes tinham, e logo soube que me daria problemas. Não que fumantes sejam uns problemáticos... O problema é um representante ser um fumante. Sinal que ele fingia muito bem uma responsabilidade e caráter que não tinha.

- Acredito que seja isso, espero ideias de vocês. – falei dando uma reverência de despedida. E sabe quando você faz algo para se auto-provocar? Voltei a dar uma última olhada em Gaara, só para sentir o nó na garganta e para minhas pernas comprovaram o nervosismo. Droga.

Logo depois que sai da sala, percebi que tinha travado minha respiração. Levei uma mão até o peito, senti... Mas que droga!

- Que susto! – disse logo depois que vi Rock Lee, que estava ao meu lado, me puxando pelo braço. Exatamente igual ao sociopata funcional. – O que você quer Lee?

Ele me fitou com uma de suas sobrancelhas absurdamente grossa e percebi que tinha me expressado sem pensar. No entanto, em resposta, ele me fitou de maneira preocupada.

- Vocês brigaram?

- O que?

- Você e o Gaara.

Me senti ansiosa diante da pergunta, porque pela primeira vez eu não tinha uma resposta na ponta da língua. Não estávamos brigados, e não tínhamos qualquer razão para eu ficar fugindo toda vez que eu o visse pelos corredores... Será que ele achou que eu estava irritada?

- Ele achou isso? – perguntei, notando apenas depois que minha voz saiu mais rápida e alta do que planejava.

- Não, ele não comentou nada comigo. Mas ele anda meio mal-humorado... Mais do que o normal. Aconteceu algo entre vocês?

Mal-humorado? Mas foi apenas um maldito abraço realizado no estúpido impulso de uma patética garota empolgada, como eu. Ele não poderia está mal-humorado com isso, poderia?

- Não, é só que tivemos uma situação complicada... – Não terminei de falar, pois vi, no final do corredor, a Hyuuga vindo em nossa direção. – Hinata-chan! Desculpa Rock Lee, mas tenho um compromisso agora. – Hinata me olhou atônica quando me aproximei e agarrei seu braço a arrastando em direção oposta. Viramos o corredor e então me desculpei.

- Desculpa por isso Hinata-chan. – ela ainda me olhava meio surpresa, mas logo depois sua expressão suavizou-se. – Estava indo para onde?

- Estava na enfermaria... Mas planejava ir para sala de Ikebana para pegar algumas coisas...

- Você está bem? – notei um inchaço em suas pálpebras. Ela me respondeu positivamente de maneira tranquila e preferi não questionar – Se quiser posso acompanhá-la, já estava terminando minhas funções de qualquer modo.

Ela me respondeu com um sorriso, sem me perguntar por que eu tinha agido assim. Seguimos nossos passo e logo depois que nos aproximamos, no exato local onde Rock Lee e eu conversávamos, Gaara passou por nós. Seus passos lentos, retos, como se não estivéssemos ali. Digo... Éramos sempre cientes da presença do outro, independente da maneira como nos encontrávamos, fosse no terraço, fosse nos corredores, fosse no pátio do colégio.

Estávamos sempre ali. Sempre olhávamos um para outro como se disséssemos "Estou aqui, você sabe que estou aqui" mesmo sem trocarmos qualquer palavras, qualquer cumprimento. Não era importante que conversássemos, apenas tínhamos que cruzar os olhos em frente aos armários para dizemos Bom Dia.

E agora, ele passa reto, sem dizer nada, sem olhar para trás. Droga, droga, droga...

Eu devo ser muito idiota mesmo, é óbvio que ele faria isso depois de eu ignorá-lo toda vez que esbarrávamos pelos corredores. Ele só estava pagando na mesma moeda, certo?

- Sakura-san?

- Sim? – me sobressaltei com aquele chamado. Me deparei com Hinata me fitando intrigada.

- Você brigou com o Sabaku-san? – perguntou. Droga. Por que todos acham isso? Eu só o abracei, e estou constrangida demais para vê-lo, satisfeitos? Sim, sou uma idiota, satisfeitos também?

Queria dizer isso, mas apenas suspirei.

- Não, não brigamos. Somos só amigos. – não entendi por que eu havia dito aquilo. Mas não importava. – Mas e você e o Naruto-Kun?

Ela voltou-se para frente, tinha um olhar gentil e as maçãs rosadas.

- Pelo jeito vocês estão muito bem...

- Sim... Acho que sim. – ela respondeu.

- Desculpa perguntar isso, mas...

Por alguma razão ela parou de andar.

- Você quer saber por que é um segredo, certo?

Concordei com a cabeça e continuamos a andar.

- Bom, como você é amiga do Naruto-kun, acredito que está tudo bem. É por causa da minha família, que é um pouco rígida com quem me envolvo. Sou a herdeira e sou preparada para isso desde então... – ela soltou um sorriso triste. – Você não imagina o esforço que foi para conseguir entrar em Kitagawa, colégio onde meu primo entrou e todos os meus parentes... Ou seja, eles esperam muito de mim e ter um relacionamento, sendo tão jovem, para os padrões Hyuugas, seria impossível. – sua voz era limpa, objetiva, de maneira que soava como uma resposta quase ensaiada. Eu sei disso, pois ensaio muitas resposta em frente ao espelho e essa parecia exatamente como uma. Não estou dizendo que a Hyuuga está mentindo, mas ela parece ser muito cuidadosa em relação a esse assunto.

Respondi que o segredo estaria bem guardado comigo e ela me agradeceu gentilmente. Seguimos até a sala de Ikebana; atravessando o corredor, dei uma olhada na poesia do mural que continuava ali intacta, nos aproximamos da porta e nesse movimento escutamos a porta ser arrastada.

- Sai?

- Ah, Haruno-san. Ainda bem que a encontrei. – ele comentou. Ainda mantinha o sorriso simpático nos lábios e comecei a me sentir realmente incomodada com isso. – Precisava falar com você a respeito do festival.

Por algum motivo achei aquilo muito suspeito, mas apenas sorri simpaticamente.

- E o que gostaria comigo?

- Depois que você anunciou o festival, começaram as discussões, a turma quer muito que o tema do evento seja mudado.

- Escrevam uma solicitação a diretora, me entreguem e enviarei pessoalmente a ela. – respondi simples. Ele suavemente levantou a mão e colocou uma mecha rebelde do meu cabelo atrás da orelha. Com sua voz, controlada e levemente rouca, agradeceu e sem se despedir passou por mim e pela Hinata, indo embora. Sentia minhas bochechas queimarem. Aquele ato havia me surpreendido e por isso, fiquei ali, bem próxima à porta, sem qualquer reação. Até escutar o nome dele.

- Gaara-san? – a voz de Hinata me despertou. Virei-me, e me deparei com os olhos carregados do Sabaku em minha direção. Tinha os braços cruzados, e os cabelos vermelhos estavam mais bagunçados do que nunca, exatamente da maneira como eu os achava mais bonitos... Droga, droga, droga. Senti vontade de fugir novamente. Não quero vê-lo, não quero senti-lo próximo, nem os nós na garganta, nem o incômodo no estômago.

- Acho que vou indo, então. – Hinata disse e minha vontade era agarrar seu braço e pedir para que ficasse. Mas quando menos percebi, ela já tinha ido e o ruivo doente estava ao meu lado, com os braços ainda cruzados, e os olhos verde-água sobrecarregados sobre mim.

- Olá Gaa...

- Me desculpa. – ele me interrompeu – Não faço a menor ideia de porque você está agindo assim, mas se foi por aquele abraço, peço desculpas. – ele disse neutro. Sua voz controlada, sem nenhum rastro de constrangimento ou ansiedade.

E por algum motivo me senti realmente patética diante de tudo aquilo. O encarei, e pela primeira vez me dei conta que Gaara era a única pessoa no mundo, pelo qual eu não tinha qualquer maneira de interpretar ou prever seu comportamento. E talvez por isso eu me sentisse tão incomodada perto dele, e agia tão impulsivamente, sentindo todas aquelas sensações desagradáveis.

- Não foi por isso. – menti, ele ergueu uma de suas ralas sobrancelhas. – Eu só estive ocupada.

Ele não disse nada, apenas me fitou por um longo momento descruzando os braços. E ele era idiota? Fui eu quem o abracei, porque ele estava pedindo desculpas?

- Não se preocupe, com esse evento todo eu estarei...

- Ocupada e não poderá ficar por perto. – ele completou. Pergunto-me se ele está incomodado com isso e por algum motivo senti um nó na garganta.

- Mas podemos ainda tomar cappuccino. – falei e me senti ridícula logo depois. – Digo, para conversarmos sobre o caso Nuvem Vermelha.

- Claro.

Ela bagunçou os cabelos. Senti vontade de sorrir ao ver os fios vermelhos ainda mais bagunçados que o normal e quis tocá-los para talvez sentir sua textura, ou arrumá-los, ou bagunçá-los...

- Sábado, então. – ele disse e sobressaltei. Não podia corar agora. Tentei um sorriso, que provavelmente saiu nervoso, e ele levantou uma sobrancelha. – No Donatello.

- Certo, nos vemos lá então.

Gaara deu as costas e saiu. Quando ele sumiu de vista me dei liberdade de levar as mãos ao rosto e soltar um suspiro.

- É só uma café Sakura, é só um café... – disse para mim mesma.


Gaara, Donatello, as 09h00min dois dias depois.

Ela estava atrasada. E eu adoraria um cigarro nesse exato momento, mas minhas pernas estão paralisadas e não estou muito empolgado de encarar o frio lá fora. Olhei pela a janela, mas não havia ninguém de cabelos estranhos pelas calçadas. Talvez ela não venha, e até compreendo diante desse desnecessário festival. Mas ela tem um compromisso comigo, e conversar somente com Rock Lee e o Uzumaki tem tem sido um pouco cansativo. Não que lidar com a Haruno, e suas crises de personalidade, seja mais fácil...

(...)

Acho que me habituei com a constante presença da Haruno neste ultimo mês.

A vi pela janela se aproximando, tinha as mãos enfiadas nos bolsos do casaco e usava calças jeans, botas e o meu cachecol. Mesmo de longe eu podia ver suas bochechas vermelhas pelo frio, e me lembrei de sua expressão, há dois dias, quando Sai tocou-lhes os cabelos.

Não pareciam ser só amigos. Era óbvio...

- Desculpa o atraso. – ela pediu logo depois que se sentou a minha frente. Tinha tirado o cachecol e colocado sobre o colo. – Ainda não tive oportunidade de lavá-lo, mas creio que você não se importa. – ela ergueu o cachecol embrulhado.

- E quando você sair daqui? Pretende morrer de frio? – disse neutro. Ela pareceu não entender. – Me devolva depois. – respondi sem emoção. Logo depois pedimos dois cappuccinos; quando foram tragos pelo atendente, Sakura sorriu, como sempre fazia, parecendo uma criança. Tive vontade de comentar isso, mas me contive.

- Descobri algo interessante – ela começou logo depois de tomar o seu primeiro gole. – Jiraiya escreveu um único livro de romance, chamado Tulipas Vermelhas. Na dedicatória, estava escrito: "Escrevi, pois me doía saber que eram Tulipas Amarelas.".

- Entendo, e as flores sobre sua cabeça era exatamente Tulipa Vermelha.

- Exato, e como no próprio poema diz, "No mundo há pessoas que entregam tulipas vermelhas. Não sabendo que deveriam ser amarelas". Pesquisei a respeito e descobri que Tulipas Vermelhas significam eterno amor, e que amarelas significam amor não correspondido.

- E por isso Jiraiya foi escolhido? Por que escreveu um livro com essas palavras?

- Julgando pela dedicatória era um romance quase autobiográfico. – ela concluiu, seus olhos estavam brilhando e notei que se divertia. – O serial sabia disso, conhecia Jiraiya pelo visto, o caráter, a personalidade, até as paixões. Não foi escolhido sem qualquer razão.

- E se ele lançou uma entrevista afirmando isso? – sugeri. Ela mordiscou os lábios.

- Eu duvido muito... Digo, ele não fazia entrevista, pois suas obras eram polêmicas. Sem dizer que essa é a sua obra menos popular.

Baguncei os cabelos. Percebi que Sakura me fitou por um segundo, e logo depois desviou o olhar.

- Entendi. Vamos considerar isso então. E no caso de Kiba e Asuma?

- Bom... A flor de Asuma é a Dália, no trecho do poema está escrito... – ela pegou um pedaço de papel, onde estava escrito o poema com sua própria letra e me entregou.

- Apenas ignore esse falso sentir e sinta o verdadeiro mundo e o compreenda, o perceba e não o negue... Verás que desta Dália – Li um trecho que ela tinha sublinhado.

- Pesquisei também e em uma das pesquisas estava escrito essa informação: "Significa compreensão e sensibilidade. Combatendo a rigidez mental e a parcialidade, as dálias ampliam os horizontes e aumentam a percepção para o que acontece ao redor. Melhorando a confiança e a forma como encaramos desafios".

- Asuma era professor – comecei, vi que ela sorria largamente, significava que tínhamos concluído o mesmo pensamento. – Alem de ser compreensível com os alunos.

- Exato! Ele estava sempre sujeito a ajudar e conversar com os alunos, não era por qualquer razão sua popularidade. Sempre ofereceu suporte a quem lhe pedisse ajuda.

- Então ele realmente conhecia a personalidade dos seus alvos, era próximo e talvez até íntimo.

- Íntimo? Mas se era íntimo a polícia acabaria vendo certa semelhança entre os mortos, não? E além de que seria uma insensibilidade monstruosa...

- Quanto à polícia eu não sei, mas quanto a insensibilidade, eu não esperava menos.

Sakura tomou um gole do seu cappuccino. Estava incomodada como sempre acontecia quando se lembrava se tratar, não apenas de uma série de mortes, mas também da existência de uma pessoa, como eu e ela, capaz de assassinar friamente.

- Mas e com o Kiba? – ela não me respondeu, pois momentos depois Sai havia entrado pelo bar café e toda sua atenção foi voltada até ele. Já imaginava que ela se levantaria, o cumprimentaria e sorriria simpaticamente como sempre fazia. Esperava também as maças vermelhas, talvez um constrangimento calado e algo entre eles que eu não saberia dizer o que era, mas que eu sabia estar ali.

E aconteceu tudo da maneira como imaginei, com a exceção do sorrisinho, que possuía covinhas, mas que eu imaginava ser consequência do constrangimento calado.

- Podemos conversar rapidamente a respeito de uns detalhes do festival? – pude escutar, mesmo que eles estivessem em pé, há alguns passos de distância. Seguiram depois na minha direção. Já imaginava que Sakura me prediria licença, daria uma explicação qualquer, e deixaria a conta do cappuccino para eu pagar.

E aconteceu tudo da maneira como imaginei.

- Não vai demorar muito. – ela disse, logo depois seguiram até outra mesa, onde poderiam conversar de maneira mais confortável.

Sakura, vez ou outra, me olhava pelo canto dos olhos, me pedia desculpas sem proferir qualquer palavra. Eu sabia que era responsabilidade dela, sendo ela uma das responsáveis pelo evento. Mas... Como posso dizer? Era estranho ela está ali, sendo que o esperado é que ela estivesse sentada nessa mesa, conversando comigo e tirando conclusões sobre Nuvem Vermelha.

Olhei pela janela desistindo de entender o comportamento da Haruno, ou de esperá-la resolver tudo aquilo. Minha vontade de cigarro só se intensificou ainda mais, e percebi que o dia estava estranhamente cinza. Estranha também era a atendente que perguntava pela terceira vez se eu queria mais alguma coisa. Minha vontade era dizer "Sim, que a Haruno, não me deixasse esperando".

- Está irritado com alguma coisa, Gaara-san?

Quem perguntava era Ino, que sem eu perceber, tinha acabado de entrar e sentar na minha frente. Ela tinha uma expressão suave, concentrada e adulta. Não sorria, mas sentia-se um estranho bom humor.

- Não exatamente.

Ela sorriu.

- Para mim você está irritado.

Achei estranho ouvir alguém falando aquilo, pois raramente eu tinha alguma expressão no rosto que indicasse qualquer rastro de irritação.

- Eu sei que está. – ela concluiu firme. – Mas quando é que vamos sair mesmo?

Não respondi. Olhei pelo canto dos olhos e percebi que a Haruno nos observava. Me senti estranho por alguma razão. A vontade de Sakura era que eu saísse com a Yamanaka e provavelmente ela nos analisava na esperança de que indicássemos algum sucesso sobre isso.

- Para onde você gostaria de ir Yamanaka?

Não tentei sorrir, nem parecer interessante, mesmo por que eu não conseguiria fingir. Ino olhou para o lado, e depois soltou um sorriso, enquanto apoiava o rosto no dorso da mão. Seus olhos eram de um azul intenso e os longos fios loiros caiam sobre os ombros. Não posso negar que seja bonita...

- A Haruno irá adorar saber que estamos saindo não acha?

Ela perguntou, seu indicador acariciava os próprios lábios, sua voz era divertida, enquanto os olhos continuavam me fitando, mas desta vez, brilhando de uma maneira quase infantil. Eu realmente não estava entendendo as intenções da Yamanaka.


N/A: Notei que eu não vario muito nos ambientes, é sempre em Kitagawa, normalmente nos corredores, nas salas, e no terraço, mais raramente na casa do Gaara, Shibuya e é claro o Donatello. Mas não se preocupem, pois o Donatello deixará por um tempo se ser o palco de encontro de Sakura e Gaara.

Oh meu, eu sei que fiz bobagem. Mas não é como se o Gaara sentisse ciúmes... É mais como "Calma, ai, o que ta acontecendo aqui?" ... Ou talvez estivesse mesmo haha

"A Lantana em sorrisos discretos, gestos pequenos, e notarás que é exatamente isso que fará a diferença de um dia ruim, para um dia melhor." Alguma sugestão de quem seja o dono dessa frase? Eu planejava que eles discutissem a respeito disso nesse capítulo, mas ele ficou demasiado longo devido à primeira parte da Sakura, então terei que deixar pelos próximos capítulos. Falando disso, peço desculpas pela lentidão desse capítulo.

D. F. Braine: Entender a Sakura também não é fácil, ela é instável demais, briga demais, de repente está feliz, de repente está brigando. Acho que alem da falta de tato do Gaara, a Haruno também não facilita, ela mesma de vez em quando nem se entende haha' Acho que Ino e Gaara são personalidade compatíveis, pelo menos em AUR, não que ela seja mais fácil de entender... Mas enfim, eles vão dar certo, de alguma maneira, como esse próprio capítulo sugere... E você pegou muito bem o "ar" da Ino, e sim ela nos terá muito o que dizer em breve.

Raiza: Fico feliz que esse descobri aos poucos esteja sendo bom de acompanhar. Já citei isso antes, mas na hora do clímax tudo fica melhor haha'

Conny: Imagine ela hauha', ela sente vergonha só de pensar em certas coisas, imagine comentar isso em voz alta e ainda para tal cujo? Quanto a reação da Ino... Meio que foi surpreendente para ela, acredito que ela lida com rapazes bastante diferentes do Gaara, apesar de no fundo ela perceber alguma coisa de errado, afinal, ela está longe de ser estúpida. E fico feliz que a descrição do poema apesar de simplória tenha sido interessante o suficiente para se sustentar... Mesmo por que ele é fundamental para a história, quase um mapa astrológico haha'

Violak: E a preguiça de betar ? hauha' ... Estou betando aos pouquinho e pretendo repostar direitinho em breve, apesar de já ter mudado as coisas mais importantes. Obrigada =)

Beijos de Cebola (sabia que se você lavar direitinho, elas ficam menos ácidas e ótimas com azeite e limão? Acho que só eu não sabia dessa, mas de boa haha')

Oul K.Z