9. Desafeto
Era noite e após passar o dia trabalhando e revisando os documentos referentes ao reino, Treize sai do escritório e após se despedir e dispensar o soldado que passou o dia de guarda em frente à porta, ele se dirigiu rumo a seu quarto.
Lady Une estava de um lado ao outro no corredor do castelo em frente a porta do quarto de Treize, notava-se claramente que a moça estava inquieta ela olhou e parou varias vezes em frente a porta e levantou a mão para bater, mas desistia no meio do caminho, voltando a andar de um lado ao outro.
Treize cainhava tranqüilo, porém a passos largos pelos corredores até chegar perto de seu quarto e quando avistou a moça, parou de andar, encostou-se a parede e divertiu-se ao ver a indecisão dela, de quem não sabia se batia na porta ou não. Ela não notou a chegada do homem a quem procurava, baixou a cabeça com a expressão decaída e soltou os braços deixando que eles caíssem rendidos paralelos ao corpo dela.
Ao ver a feição triste dela ele se endireitou e voltou a andar rumo a ela, olhando-a fixamente com passos curtos e elegantes. Seu olhar se tornou felino, mas ao mesmo tempo suave. Seu olhar foi tão penetrante que Lady Une sentiu a presença de alguém e virou-se para ver quem se aproximava. Ficou branca ao ver que era Treize.
- Milorde?
- Milady... Deseja falar comigo? – A voz dele saiu rouca e sedutora. A moça perdeu um pouco do equilíbrio, mas se recompôs rapidamente, sem deixar que fosse visível sua desestabilidade.
- É... Sim... – Sua voz saiu falhada e ao perceber, o loiro sorriu satisfeito.
- Algum problema? – Ele se aproximou dela, os passos lentos e de forma sedutora a fizeram engolir em seco. – Posso ajudá-la? – Ele parou em frente ela a centímetros de distancia.
- Bem... Eu só... – Ela mordeu o lábio inferior e sentiu o sangue ferver ao sentir o perfume dele.
- Você só...? – Ele sussurrou aproximando mais o rosto do dela.
Lady Une baixou o olhar e fixou a boca de Treize, ela ficou tão concentrada nos lábios do homem a sua frente que nem sentiu o mundo a sua volta parar. Os lábios agora se aproximavam mais dela e a moça começou a fechar os olhos lentamente, preparando-se para o toque aveludado deles. Ele levantou a mão calmamente e passou os dedos por entre os fios de cabelo dela, apesar de seu ato ser extremamente suave e gentil, o toque a despertou de sua hipnose momentânea.
Lady Une abriu os olhos rapidamente e ao ver Treize a milímetros de distância e seus lábios quase se tocando, assustou-se e deu um passo para trás. Treize a encarou confuso. A moça então, envergonhada com o ocorrido, pediu licença e com uma pequena reverencia se retirou apressadamente. Treize a viu partir pelo canto do olho, depois olhou para sua mão e levando-a para perto do nariz aspirou o perfume daquela tão desejada jovem. Deu um sorriso de canto e deixando de lado sua frustração, entrou em seu aposento para descansar.
-/-/-
Relena se perdeu no olhar daquele homem, que parecia ter saído de seus mais profundos desejos e sonhos, de tal forma que não notou estar abraçada a ele, muito menos que ela a apertava contra seu corpo com força. A distância entre suas faces eram de poucos centímetros. E a cena era assistida pelos amigos dele, que achavam a cena divertida e intrigante. Ambos analisavam um ao outro com muita atenção. E só foram tirados de seu transe, por causa da menininha que antes corria alegre, agora puxava a saia da loira querendo atenção.
Relena olhou para ver quem era tão insistente e atrapalhar seu sonho e vendo a jovenzinha, lembrou-se do que estava acontecendo e tudo passou por sua mente como um flash. Recordou de estar correndo atrás dela, de tropeçar e de se preparar para queda, que não veio, pois havia sido amparada por algo. Ela então olhou para baixo e viu que estava sendo segurada pela cintura e seu corpo estava colado ao do seu salvador.
Sem pensar duas vezes, a princesa se desvencilhou do desconhecido, quem manteve o olhar fixo nela. A loira levou a mão até o coração, sentindo o quão agitado ele estava, sua respiração era ofegante e o olhar de Heero sobre ela era abusivo. O rei olhava intrigado, analisando cada detalhe daquela moça a sua frente. Sentiu o perfume dela e se agradou. Estudou atento aos encantos dela e sentiu-se atraído. Ela era linda e pelo que pôde observar e sentir, imaculada.
- A senhorita está bem? – Perguntou e sua voz saiu rouca e sensual aos ouvidos dela. Relena apenas assentiu. – Deveria ter mais cuidado... – E seu olhar se fixou aos olhos dela, estudando as reações da moça.
- O - Obrigada... – Relena falou e sua voz de anjo saiu entrecortada.
- A quem tenho a honra de conhecer? – Heero voltou a falar e Relena sorriu com a pergunta.
- Me chamo Relena... – O rei estranhou o nome e puxando na memória, lembrou.
- Por acaso seria, Relena Merquise de Peacecraft? Filha do conde Merquise de Peacecraft e irmã do capitão da guarda Milliardo Merquise de Peacecraft?
- A seu dispor, milorde... – Agora foi à vez de ela estranhar. – Vejo que conhece minha família... Porém não sei seu nome...
Todos os presentes estavam vendo a cena intrigados. A menininha ficou parada olhando hora para Relena e hora pra Heero, atenta aos acontecimentos e interessada naquele acontecimento inédito. Mas, uma voz que gritou o nome da loira, chamou a atenção de todos os presentes. Zechs vinha correndo em direção a eles e parou bruscamente ao ver que a irmã não se encontrava sozinha. Abriu um amplo sorriso ao reconhecer o rei.
- Não acredito... – Foram as primeiras palavras do capitão da guarda. Heero se virou para o amigo e esboçou um discreto sorriso de canto.
- Zechs... – Ao ouvir o apelido do irmão ser pronunciado, Relena se intrigou ainda mais. Pois, sabia que o desconhecido era amigo do irmão.
- Heero... Bem vindo de volta ao lar.
Os amigos se cumprimentaram com um aperto de mãos animado e a moça sentiu seu chão desaparecer. Não sabia o motivo, mas parecia que seu coração havia falhado uma batida e um frio subiu a sua espinha. O desconhecido a sua frente, era o herdeiro ao trono e filho do rei Dante. E o pior de tudo isso, era que ele também era seu cunhado. A moça sentiu uma forte vontade de desaparecer e não entendia o que acontecia com ela.
- Obrigado... Tive o prazer de conhecer sua linda irmã.
Heero lançou um olhar furtivo de canto para Relena, que não percebeu por estar perdida em seus pensamentos e nem tão pouco Zechs, por estar compenetrado admirando Noin, a quem acabou de notar a presença. Heero então, se virou para ver o que ganhou a atenção de Zechs e viu Noin, que retribuía o olhar com muito empenho.
- Onde estão todos? – Heero ignorou a situação e quebrou o silêncio, tirando a atenção de Zechs de seu alvo.
- Hum... – O capitão demorou alguns segundos a entender a pergunta. – Ah, sim... O rei está em seu aposento junto à rainha. E o príncipe. – Zechs fez uma cara de desgosto ao lembrar-se do atual cunhado. – Está na sala do trono, atendendo a um comerciante. – Heero assentiu e voltou a olhar para Relena.
- Milady, infelizmente não pude presenciar sua festa de aniversário. Porém, trouxe seu presente. – Ao falar isso, Trowa saiu.
- Não há necessidade de se incomodar majestade... – Falou a loira, timidamente.
- Seria um desrespeito de minha parte, não cumprir com meu dever... – E Heero continuava altivo.
- Qual dever majestade? O senhor não tem dever algum, para comigo. – Enquanto Relena falava, Trowa voltou com uma caixa feita em ouro desenhado e a entregou para Heero.
- Pois eu insisto que deve aceitar. – O rei do mesmo jeito que pegou a caixa das mãos do amigo a estendeu a moça, que ficou admirada com a delicadeza do trabalho ali deixado. As mãos que esculpiram aquela caixa, não faziam idéia da obra de arte que fizeram.
- É linda...
Relena falou em tom baixo, apenas para ela. Olhou para Heero que fez um sinal com a cabeça, indicando para que abrisse a caixa e ela obedeceu. A loira abriu com cuidado o presente e se surpreendeu com o que havia dentro. Era um colar de ouro com um pingente de esmeralda e os brincos formando um conjunto. Mas, não eram simples esmeraldas. Ela nunca havia visto esmeraldas tão brilhantes quanto aquelas. Era o presente perfeito. A loira ficou perdida admirando o presente que se esqueceu de que estava acompanhada.
- Gostou? – Heero questionou, tirando-a de seu torpor.
- São perfeitos... – Ela falou ainda olhando o conjunto. De repente, a moça fechou delicadamente a caixa e em um suspiro a estendeu de volta ao rei. – Perdoe-me majestade... Mas, não posso aceitar algo tão valioso.
Zechs e todos os demais se surpreenderam com a atitude dela, mas nada disseram. Heero olhou o presente e encarou a moça e notou na face dela algo diferente de todas as mulheres. Não tinha cobiça e seu olhar era sincero, desapegado do material e viu o quanto ela realmente se viu desmerecedora de tal presente. Ao ver os sentimentos dela, teve mais certeza que nunca que ela o merecia. Deu um sorriso, ato que causou estranhamento a todos os amigos que assistiam a cena, e dando as costas pra moça, dirigiu-se para a entrada do castelo.
Relena olhou a atitude do rei e entendeu que ele não aceitaria o presente de volta. Voltou a olhar a caixa e sorriu. Sem nada a dizer agradeceu ao rei em pensamento, enquanto assistia aquele homem elegante e intrigante, afastar-se dela e entrar no castelo. A menina então, que esteve o tempo todo em silencio assistindo a cena, puxa a saia da princesa novamente, pedindo atenção e a loira pega na mão da jovenzinha e caminha pra dentro do castelo, entrando pelos fundos.
-/-/-
O príncipe continuava conversando com o comerciante e seu interesse era nulo para com a mercadoria do homem, que notava o pouco caso do príncipe e se incomodava com isso.
- Mas, esse material realmente é seda? – Lúcius fazia desfeita da mercadoria.
- Com certeza alteza... E da melhor qualidade. – O homem suspirou. – O rei não pode mesmo me atender?
- Não... Meu pai esta indisposto...
Lúcius continuava com sua arrogância e isso começou a irritar o homem, que só não devolvia o mesmo tratamento por se tratar de um príncipe e ele sabia muito bem que se fosse descortês, sua punição seria a forca. O príncipe querendo mostrar que entendia do assunto desfez dos tecidos que eram de ótima qualidade. Porém, um colar chamou-lhe a atenção. Ele era com a corrente dourada e um pingente quadrado de topázio. O colar era lindo e chamou a atenção do príncipe. Mas, o que Lúcius não imaginava era que tal beleza era falsa. O comerciante, vendo o interesse do príncipe, encontrou a grande oportunidade de se livrar daquele colar lindo, porém sem valor algum.
- Vejo que gostou do colar... – Falou o homem mostrando um animo novo. – É uma peça rara que pertenceu a filha de um imperador...
- Sim... Quanto custa? – Lúcius encarou o comerciante.
- O valor de tal preciosidade não foi calculado alteza... Sinto que não está a venda. – O homem tinha a real intenção de enganar o príncipe e estava conseguindo.
- Ponha seu preço, homem... Dinheiro não é um problema. – Lúcius falou altivo e o comerciante oprimiu um sorriso.
- Bem... Digamos... Mil moedas de ouro? – Falou o homem e Lúcius se pôs a pensar.
-/-/-
Heero entrou no castelo e parou no meio do corredor de costas pra porta de entrada. A sua direita estava à porta de entrada pra sala do trono, seguindo pela esquerda ele teria acesso a todo o restante do castelo e seguindo em frente pelo corredor tinha acesso ao jardim com a fonte. Parou observando a decoração de tapeçaria feita na entrada, com as armaduras expostas e sentiu-se novamente nostálgico. Seus amigos parados atrás dele admiravam o bom gosto utilizado para enfeitar o castelo.
Por ordem de Zechs, os servos descarregavam a carruagem e levavam as bagagens para os respectivos quartos ordenados pelo capitão da guarda. Heero continuaria com seu antigo quarto, que agora seria re-organizado a espera de um homem e os amigos foram colocados em quartos de hospedes. Enquanto os homens carregavam os baús, as mulheres limpavam e organizavam tudo. O herdeiro ainda ouviu alguém se aproximar e notando não fazer parte dos que já estavam ali, virou-se para ver quem era e encontrou o olhar do conde, que o encarava com um olhar orgulhoso e emocionado.
- É um enorme prazer tê-lo de volta... Majestade. – O homem se ajoelhou perante o herdeiro que agora era rei, reverenciando-o. Heero o encarou.
- Levante-se conde... – O herdeiro o encarou com o olhar brando. – Não há necessidade de me tratar tão formalmente. E nem deve ajoelhar-se perante mim... É uma honra revê-lo... – O conde sorriu em resposta as palavras do rei e levantando-se o abraçou. Heero apenas correspondeu.
- Vejo em seu olhar a sabedoria de Arturo e a frieza de Dante... Você é um verdadeiro rei, tendo como mentor e pai grandes homens admiráveis.
- É bom revê-lo... – O conde sorriu para ele. – Já tive o prazer de conhecer sua bela filha. – O conde alargou ainda mais o sorriso.
- Ah sim? – E falou, sentindo que o plano já havia começado.
- Uma jovem encantadora... – Heero segurou para si o restante de seus pensamentos.
- Obrigado. – E o conde apenas respeitou o silencio do herdeiro.
- Onde estão o rei e a rainha? – Heero perguntou.
- Em seu aposento. E seu irmão se encontra na sala do trono atendendo um comerciante. – O conde apontou à porta que dava acesso a sala do trono e falou a parte do príncipe com um tom insatisfeito na voz e Heero notou. Heero assentiu.
- Me apresentarei em primeiro ao rei.
Heero então olhou para o lado e estendendo a mão em direção aos amigos, apresentou um por um ao conde, que sorriu em cumprimento se interessando em analisar Noin, pois notou o olhar diferente que seu filho, quem assistia a cena toda, lançou a moça. Achou a moça linda e admirou a boa educação dela. Depois de haverem sido corretamente apresentados, Heero se dirigiu diretamente ao quarto dos pais, e após receber autorização da mãe, entrou.
Dante estava deitado e seu semblante era duro, mas ele tossia um pouco. Amanda abraçou o filho feliz e Heero expressou um suave sorriso. Depois pegou uma poltrona e sentou ao lado da cama, em frente ao pai. Nenhum deles falou. Ficaram calados por um tempo se encarando, se analisando. A rainha percebeu que pai e filho precisavam de um tempo, então sem dizer nada ela saiu e foi cumprimentar os amigos do filho e Noin, com quem simpatizou em sua ultima viagem a Wing.
- Como tem estado? – Heero começou o assunto.
- Não tenho estado em minha melhor forma... Mas, conhece sua mãe... Sempre exagerando. – Dante expressou seu aborrecimento, que Heero não percebeu ser fingido, assim como a tosse do pai.
- Mas, se não esta bem... Deve descansar...
- Como? Explique-me? – Dante parou para tossir e voltou a falar. – Tenho um reino que necessita de minha atenção...
- Para isso estou aqui. – Heero falou calmo.
- Como assim? – Dante então, fingiu surpresa. E Heero se levantou.
- Enquanto eu estiver em Sank... Cuidarei de tudo.
- Mas, e Wing?
- Deixei uma pessoa de confiança no comando em minha ausência. – O herdeiro caminhou e olhou o reino pela janela do quarto do pai. Dante segurou um sorriso que quis se formar.
- Agradeço... – Heero então, encarou o rei e Dante tossiu e falou. – Bem... Você está no comando. Será a autoridade máxima como deve ser... Cuide de tudo por aqui... E eu farei sua mãe feliz, fazendo repouso. – Dante revirou os olhos, entediado e Heero assentiu. – Agora vá e assuma a reunião com o comerciante... Não confio no seu irmão e no homem muito menos.
Heero assentiu e saiu. Dante então sorriu satisfeito. Seu plano funcionou perfeitamente e Heero não notou nada. Pelo menos ele pensava que não. Heero saiu do quarto com uma sensação estranha, como se algo estivesse errado por ali, mas não sabia o que era. Decidiu que deixaria essa investigação para outra hora, pois tinha trabalho demais a fazer no momento e aos poucos descobriria o que se passava ali.
Saiu e se encontrou com os amigos conversando com a rainha. Ou melhor, Duo e Noin conversando com Amanda, Quatre conversando com o conde, Zechs trocando algumas palavras esporádicas com Trowa e Wufei encostado na parede calado analisando os detalhes do local novo. Heero saiu e chamou os amigos para que o acompanhasse e a rainha voltou para junto do marido acompanhada pelo conde. Zechs acompanhou Heero, a pedido dele.
Ao chegarem à sala do trono, Heero parou e analisou a seguinte cena: Lúcius estava com um colar na mão, o comerciante empacotando as mercadorias e um baú de pequeno porte cheio de moedas de ouro sendo entregue ao homem. O herdeiro calculou na mente o quanto caberia de moedas de ouro naquele baú e chegou à conclusão que por volta de mil e poucas moedas. Sem entender o motivo de tal fortuna, por não ver nenhuma mercadoria ao redor do irmão e apenas um colar em sua mão, se inquietou por dentro e a passos firmes adentrou o cômodo.
Sem pedir permissão e nem ao menos cumprimentar os que ali estavam Heero passou pelos guardas do comerciante sendo seguido pelos amigos que tinham expressões sérias, pois sabiam que ele não estava de bom humor. Zechs os acompanhava interessado no desenrolar da cena. O herdeiro encarou o irmão que o estranhou, pois Lúcius nunca havia visto o irmão. As únicas memórias que tinha de Heero eram lembranças vagas e distorcidas que um homem tem de sua infância. Apesar de não ter visto o irmão desde os cinco anos, Heero conseguiu reconhecer os traços de Lúcius com perfeição.
O rei tirou os olhos de Lúcius e encarou friamente o comerciante que sentiu um frio subir por sua espinha dorsal, então, baixou o olhar e fixando no baú que o homem segurava, sem a menor delicadeza o puxou, arrancando-o da mão do comerciante e sentiu o peso. O herdeiro abriu o baú e vendo a fortuna que ali estava, voltou-se para Lúcius que ficou em choque com o ocorrido.
- Onde estão as mercadorias que custam tamanho valor? – Heero perguntou friamente para Lúcius.
- Quem pensa que é, para entrar aqui no castelo, interferir nos negócios do príncipe e ainda ousar me pedir satisfação? – Lúcius falou altivo e agressivo. Heero levantou mais a cabaça e encarou o irmão com frieza. – Guardas...
Lúcius gritou por socorro e os guardas que ainda não conheciam ao herdeiro vieram em socorro ao príncipe. Os integrantes da equipe Gundam sacaram suas espadas em defesa a Heero que deu sinal para que eles a guardassem. Antes dos guardas do castelo se aproximar de Heero, Zechs se interpôs e deu ordem que os guardas voltassem a seus postos e não voltassem ali sem as ordens dele. O príncipe chamou a atenção de Zechs e exigiu uma explicação.
- A explicação é simples... – Heero interferiu. – Irmão! – O príncipe ficou branco e se calou, ele então entendeu quem era o homem que chegou com sua elegância autoritária. – Agora responda... O que significa esse valor? – O tom calmo de Heero era intimidador.
- Bem... – O comerciante, temeroso, começou a falar ao ver que o príncipe se calou. – É que eu e vossa alteza real... – O homem apontou para Lúcius. – Fizemos um excelente negocio. Ele comprou de mim uma jóia rara... E de um valor incalculável.
O herdeiro então se virou novamente para Lúcius e olhou a jóia. Depois estendeu a mão aberta pedindo para ver o tal colar. O príncipe apenas estreitou o olhar e sabendo ser inútil discutir, entregou-o para o irmão mais velho. Heero, não olhou para a jóia e a estendeu diretamente a Quatre que a analisou. O loiro sempre foi apaixonado por pedras preciosas e as conhecia muito bem. O rapaz olhou e analisou cautelosamente. O silencio tomou conta do local e o comerciante tentava acreditar ser impossível de descobrirem a verdade. Depois de um tempo, Quatre sorriu e olhou novamente para Heero.
- Lindo... – Estendeu o colar de volta ao amigo e o comerciante sorriu satisfeito. – Pena que o que tem de lindo, tem de falso. – Então, o comerciante empalideceu.
- Está seguro? – Heero perguntou e olhou para o comerciante.
- É uma imitação perfeita eu diria... – Quatre riu de seu comentário. – Ou melhor, quase perfeita!
- Tentando enganar o príncipe? – Heero estreitou os olhos para o comerciante.
Os guardas do comerciante, erroneamente sacaram suas espadas e Trowa e Wufei os desarmaram num piscar de olhos. Duo pegou o baú e o colocou longe do comerciante e Noin e Zechs apenas assistiam à cena a espera dos próximos acontecimentos. Lúcius então ficou irado e encarou o comerciante com desprezo.
- Como ousou me desafiar? – Falou o príncipe, inconformado.
- Não alteza... De forma alguma... – O homem suava frio. – Eu também não sabia...
- Não sabia? – Lúcius então, esqueceu que Heero havia retornado e voltou sua ira para o comerciante. – Você me garantiu que esse colar era valioso!
- Mas, eu...
O homem estava assustado. Seu plano deu errado e agora tinha um sério problema pela frente. Heero o encarava e Lúcius sentia vontade de matar o homem ali mesmo.
- Por favor, alteza... Perdoe-me. – E o homem caiu de joelhos implorando.
- Perdoar-lhe? – Lúcius repetiu. – Nunca!
O príncipe pediu uma espada para que pudesse acabar com o homem ali mesmo e Heero o impediu, depois deu sinal para Zechs que viesse e prendesse aqueles homens imediatamente. Decidiu que os julgaria depois. O herdeiro estava muito cansado da viagem e preferiu protelar o ocorrido. O capitão da guarda obedeceu às ordens e prendeu o comerciante junto com os guardas dele.
Lúcius se incomodou com a decisão do irmão e saiu irritado, nem ao menos parou para receber Heero corretamente e também ignorou a equipe Gundam. Heero olhou o irmão saindo daquele jeito e apesar de sua expressão continuar neutro, por dentro ele sentia-se perplexo. Sempre pensou que exageravam quando falavam das atitudes do irmão e de repente, comprovou que não existia tanto exagero assim.
- Com licença... – A voz angelical que surgiu do canto oposto pelo qual o príncipe saiu, chamou a atenção de todos. – O jantar esta servido... – Relena sorriu após dar seu comunicado e pedindo licença, saiu. Heero a seguiu com um olhar atento.
-/-/-
Na hora do jantar e obedecendo as ordens de Dante, Heero sentou no lugar que correspondia ao rei. A equipe Gundam se organizou nas demais cadeiras, deixando vago o local que já pertencia aos integrantes de Sank. Amanda deixou o rei comendo no quarto e juntou-se aos filhos a mesa. Zechs, o conde e Relena também já estavam em seus devidos locais e só faltava Lúcius.
Quando o príncipe chegou e percebeu Heero no lugar do pai se enfureceu, mas tentou se acalmar. Não podia deixar que vissem seu ódio, não ainda. Forçou-se a sorrir e seguiu para o lugar que lhe era destinado e que ficava exatamente a esquerda de Heero. O mais velho sentiu que seu irmão não era verdadeiro em sua reação. Lúcius então cumprimentou a todos formalmente e pegou a mão de Relena, depositando um beijo galanteador nela e demorado, para depois se sentar. Todos se sentiram incomodados com a cena e Relena ficou envergonhada, mas conteve-se. O herdeiro ficou curioso.
O jantar começou e ninguém falou. A equipe de Heero sentiu o clima tenso. Heero como costumava ser fechado, não teve nenhuma dificuldade em ficar calado. Amanda e Relena trocavam olhares inquietas pela situação. O conde analisava e Zechs lançava olhares assassinos para Lúcius, condenando-o por sua atitude com respeito à Relena. Já o príncipe, maquinava formas de agir com o irmão recém chegado e tentava a todo custo mostrar-se altivo.
- A viagem de foi muito cansativa? – A voz angelical de Relena quebrou o silencio. A pergunta foi destinada a todos os recém chegados.
- Para ser sincera... Um pouco. Mas, nada insuportável. – Noin respondeu e lançou-lhe um sorriso meigo.
- Fico feliz... – Relena devolveu-lhe um sorriso mais amplo ainda. – E é a primeira vez que a senhorita faz uma viagem extensa como essa?
- Na verdade não. Já viajei para vários lugares distantes em missões junto com Heero e os rapazes. – Noin explicou e sua frase causou espanto em Relena, Lúcius, Amanda e o conde. Que além de estranharem a palavra missão, surpreenderam-se pelo modo informal dela tratar o rei.
- Ah... Por acaso, a senhorita é prometida do meu irmão? – O príncipe foi malicioso e irônico em sua pergunta.
- Não. – Zechs interrompeu de forma hostil e explicou. – A senhorita Lucrezia cresceu ao lado de Heero e também faz parte de sua equipe. Ela é uma guerreira e luta ao lado de Heero em suas batalhas.
A explicação causou espanto nos que ali estavam e que não conheciam a história. Amanda e Relena olharam para Noin incrédulas de como tão delicada mulher poderia ser um soldado. Lúcius se espantou com a resposta recebida e o conde apenas sorriu de canto, aliviado por dentro, pois sentiu medo de que algo se passasse entre Heero e Noin, não só por Relena ser prometida ao herdeiro, como por ver que seu filho alimentava um real sentimento pela moça.
- As palavras de Zechs são verdadeiras. Cresci ao lado de Heero, Duo, Trowa, Quatre, Wufei e Treize, que não veio conosco e ficou cuidando de Wing. E afirmo que sinto por eles um amor de irmã... – A morena de cabelo curto sorria carinhosamente para os amigos e apesar de nem todos sorrirem com os lábios, todos retribuíam o sorriso com os olhos.
- Interessante... Mas, quem garante que o sentimento deles para com a senhorita é o mesmo? – Lúcius começou a provocar. – É uma bela mulher... Não me estranharia que meu irmão ou um deles sentissem algo pela senhorita. – Noin se incomodou com o comentário.
- Posso afirmar... Que nunca olhei para Lucrezia com malicia. E duvido que algum deles o tivesse feito. Ela é como nossa irmã mais nova. Não deturpe o que é puro...
As palavras de Heero foram duras, apesar dele não haver sequer se dado ao incomodo de mudar o tom da voz. Zechs e todos que ali estavam gostaram do que ouviram inclusive Relena, que encontrou nas palavras de Lúcius uma grosseria que destoava de sua educação.
- Acho essa relação admirável e linda! – A loira sorriu e animou Noin.
- Sim... Também concordo. – E a rainha incentivou. – Alias, sejam todos vocês bem-vindos a Sank. Espero que se sintam em casa.
- Obrigado majestade. E isso, digo isso com certeza é em nome de todos. – Quatre representou o grupo com sua simpatia acolhedora e os demais confirmaram com um gesto de cabeça.
- Lindo... E cativante... Sério! – Lúcius continuou com sua ironia.
- E porque não come? – Heero perguntou, lançando um fito mortal para o irmão. – Acaso a comida não está o seu agrado?
- Claro que sim meu querido irmão... Tudo está perfeito. – E o príncipe sorriu. O herdeiro engoliu em seco. – Mas, pra onde mesmo viajou com a equipe, senhorita Lucrezia?
- Fomos para alguns reinos prestando serviço a coroa. – Trowa puxou para si o foco e Noin agradeceu em pensamento.
- E você é? – Lúcius não se lembrou do nome e perguntou com descaso por haver sido interrompido em sua conversa com Noin.
- Trowa Barton, filho do duque Barton e amigo de seu irmão. Muito prazer. – Trowa sempre soube utilizar sua nobreza e educação a seu favor. E conseguiu ser altivo sem passar dos limites, fazendo com que Lúcius não pudesse repreendê-lo.
- Prazer...
O jantar continuou sendo alfinetado pelas palavras indiscretas que Lúcius utilizava. Seu intuito era incomodar a Heero e deixá-lo mal perante os que ali estavam. Porém, para a infelicidade do príncipe o único sentimento que ele conseguia dos que estavam à mesa era lastima com respeito a ele. A equipe Gundam e Heero não compreendia o motivo dele ser tão agressivo para com eles. Em especial para com Heero. Mas, de uma coisa os amigos do herdeiro tinham certeza. Era visível que não exixtia nenhum afeto por parte do irmão mais novo e sim uma enorme rivalidade e inveja.
Amanda e o conde furtivamente se entreolhavam, pensando em como aquele clima estava pesado e se seria possível suportar aquilo, que com certeza se repetiria. Zechs e Relena estavam preocupados. Ambos sentiam-se mal pela atitude grosseira do príncipe, mas nada poderiam fazer e apenas desejavam que o jantar acabasse logo.
Sempre que Heero falava sobre um assunto, Lúcius tentava contar vantagem sobre o tema e quando não tinha como, menosprezava o assunto com tom sarcástico. Heero analisava a situação e tentava compreender o que ali se passava. Não passou despercebido pelo herdeiro a forma como os que pertenciam a Sank olhavam para o príncipe. Ele observou que Zechs não gostava de Lúcius e vice-versa e ambos faziam questão de demonstrar. O conde tratava o príncipe com educação e cortesia, respeitando-o como príncipe, mas não demonstrava ser fã dele. A rainha encarava o filho com pesar e até envergonhada com as atitudes que presenciava.
Agora o que mais lhe chamou a atenção foi entre Lúcius e Relena. Era notável que seu irmão mais novo nutria fortes sentimento pela jovem, mas, não era recíproco. O herdeiro sempre soube, muito bem, ler as pessoas e viu que Relena possuía carinho por Lúcius, mas não amor de mulher. A forma com que ela olhava o príncipe parecia assustada, como se algo a incomodasse demais, como se algo em sua mente a censurasse. Ela sentia-se envergonhada pelas atitudes grosseiras de Lúcius como se fosse algo dele, mas, seu olhar seu corpo deixavam claros que ela não lhe pertencia. Foi um caso que realmente atraiu a atenção de Heero, o deixando verdadeiramente intrigado. Lúcius ao notar o olhar insistente do irmão sobre Relena, não se poupou.
- Então, meu amor? – Ele pegou a mão da loira e a levou para perto de seus lábios, ganhou a atenção de todos com essa atitude. – Você preparou nosso quarto como você queria?
Sua frase fez com que todos à mesa se sentissem desconfortáveis. Heero ficou realmente irritado e confuso com a cena presenciada. Relena arregalou os olhos para o marido e teve vontade de desaparecer. Não suportou a pressão e sem conseguir controlar seu impulso, olhou para Heero e se encontrou com o olhar dele fixo nela.
...Continua...
Ola minhas queridas... Demorei pra trazer esse capitulo né?
Mas, por um lado foi bom, pq uma amiga muito importante conseguiu chegar um pouco mais perto de acompanhar vcs.
Bom, quero saber o que acharam... O que vocês tem a dizer do capitulo, da história e não me xinguem muito, ok?
E o que acharam da interação Heero e Relena? To ansiosa por minahs reviews, então, não tardem, ok?
Beijos pessoas lindas e agradeço ao carinho que vcs me dão sempre!
Obrigadas as minhas queridas amigas que sempre me apoiam e me ajudam... Vcs são demais!
Até o próximo!
