N/A: Espero que gostem suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 17

Donatello


26 de outubro de 2007


Sakura, Donatello, as 09h36min.

Quando percebi Sai me fitando com um sorriso afável, me dei conta do que exatamente não estava me deixando concentrar. Estávamos ali há cinco minutos e ele não havia, em nenhum momento, tirado seus olhos de minha face. Estava ficando constrangida com aquela situação... Principalmente por que Gaara estava a duas mesas de distância, me esperando cumprir com as responsabilidades do festival. Além de que eu tinha tanta, mas tanta coisa para conversar com ele...

- Preciso que você se concentre Sai. – falei. Não tentei um sorriso.. O fitei por um momento e, mesmo com minhas palavras, sua postura não havia mudado. Continuava sorrindo, gentilmente, daquela maneira que nunca, mas nunca, saía do seu rosto.

E eu estava começando a me perturbar com isso. Alem disso a descrição da florista bate perfeitamente bem com a dele, bonito, de Kitagawa e com a pele incrivelmente bem cuidada.

- Você também, Sakura-chan. Esquece o Sabaku-san, e preste atenção em mim.

Aquilo me surpreendeu, e espero sinceramente que minha face não tenha demonstrado isso.

- Um cappuccino, e um suco de morango. – o dono da loja chegou com os pedidos que eu não tinha feito. Olhei interrogativamente e ele me fitou gentil. As marcas debaixo dos olhos lhe davam um aspecto acabado, mas era um semblante tranquilo, maduro e amável. Eu gostava de Iruka e, além disso, ele era amigo íntimo do Naruto, o que me provocava uma boa intuição. Por mais sem noção que seja. – Algum engano, Sakura-san? – ele perguntou e percebi que sua voz era também toda afável.

Deve ser muito fácil confiar nele. Eu, que sou eu, já confio nele.

- Não se preocupe Sakura, fui eu que pedi – Sai comentou. – Obrigada Iruka

- Vou trazer um copo de água, para você tirar o gosto do cappuccino que seu amigo pediu para você. – disse e eu entendi que ele se referia ao Sabaku.O fitei por um momento... Uma atendente perguntava para ele se desejava mais alguma coisa... Toda afoita... Affe. – e alem disso irá lhe hidratar melhor e impedirá alguma reação com toda essa cafeína circulando pelo seu corpo. – ele riu, e mesmo depois de um mau humor repentino, eu sorri em resposta. Iruka realmente conhecia os hábitos de seus clientes, o que significava que era demasiado observador.

- Você parece simpatizar com o dono do café. – Sai comentou logo depois de Iruka se retirar. Estranhei a pergunta, mas perguntas estranhas repentinamente se tornaram mais interessantes para mim do que as óbvias, principalmente se tratando de alguém como o peculiar do Sai. Como ele não era exatamente a pessoa mais tradicional, supus que a melhor estratégia era lidar com isso.

- Sim, você não gosta dele?

- Na realidade sim. Ele é gentil, um bom atendente.

A resposta não foi tão surpreendente como eu imaginei que seria. Mas ele continuou, e dessa vez sua expressão era distante.

- Eu pintaria sobre ele, cores beges, verde, azul-claro... Ele é suave.– percebi que um por segundo ele parecia relutante. – Combina com flores. – concluiu por fim, sem deixar evidente seu pensamento inicial. E isso me frustrou um pouquinho. – Tudo bem Sakura-san? – ele perguntou e me dei conta que estava o fitando muito intensidade.

- Sim, tudo bem. – dessa vez eu tentei um sorriso e ele voltou a sorrir para mim de maneira gentil. Como sempre.

Logo depois Iruka chegou com meu copo d'água. No instante seguinte, enquanto levava o copo aos lábios o sininho soou e vi Ino Yamanaka entrando pelo café. Ela nos fitou por um momento e nos cumprimentou distante com um sorriso pelo qual não soube identificar o seu significado. Sai chamou minha atenção com um suspiro e depois o vi tomando um gole de seu café. Os olhos negros opacos.

Quando voltei a olhar para Ino ela já estava sentada com Gaara. As suas pernas quase se tocavam debaixo da mesa. Ela sorria, divertida, maliciosa, provocante.

Eu sei que eu deveria estar feliz, vendo a Yamanaka dá espaço para o sociopata funcional. Espaço? Ok, ela estava praticamente se oferecendo, era quase ridículo. Mas não estou... Digo... Isso tudo é muito estranho em minha opinião. Droga! Gaara me pegou olhando para eles...

- Você é muito bonita Sakura-chan.

Sai comentou repentinamente e senti minhas bochechas queimarem. Ele tinha que comentar isso exatamente agora?

- Obrigada Sai. – comentei de uma maneira quase mecânica e me senti idiota logo depois. Ele soltou uma risada baixinha e aquilo me incomodou.

- Não entenda mal, mas você é realmente bonita no aspecto pelo qual eu a vejo.

Não entendi o que quis dizer com aquilo, mas não estava muito interessada em descobrir a mensagem subliminar de Sai. Estava mais interessada em saber o andamento da conversa de Gaara com a Yamanaka há algumas mesas de distância...

- Qual aspecto seria esse? –perguntei. Eu sei que eu não estou interessada, mas quando você treina constantemente suas habilidades sociais, respostas automáticas como essas são inevitáveis...

- Apaixonada desse jeito.

Minha respiração suspendeu por um segundo. Eu realmente não esperava isso, mas mantive a compostura. Automaticamente eu já tinha pegado o suco para tomar um gole e me dá um tempo para pensar, enquanto nesse rápido momento eu fitava os olhos negros e opacos de Sai que não me davam qualquer dica do que ele pretendia com aquele comentário.

- Muito presunçoso você. – disse. Tentei um sorriso maroto, mas Sai não reagiu.

- Nós dois sabemos que não se trata de mim.

Meu sorriso morreu imediatamente. Ao que ele se referia? Não estava muito entusiasmada com mais um achando que eu estava... Apaixonada pelo Sabaku. Droga, espero que minhas maças não estejam mais vermelhas do que esse suco de morango.

- Realmente bonita.

- Pare com isso... – falei sem pensar. Droga, droga, estava me atrapalhando. Só três segundos. Só preciso de três segundo para pensar.

- Não precisa se preocupar. Não é como se eu fosse comentar com alguém. Mas eu realmente acho impressionante o quão bonitas e... – ele praguejou novamente. O vi observando pelo canto do olho a mesa do Gaara e isso me confirmou o que estava suspeitando. – Enfim... – Voltou-se para mim. – Por que exatamente vocês não estão juntos?

Pois somos só amigos. Senti vontade de responder, mas me contive. Negar seria ainda mais complicado do que entrar no jogo de Sai. E há semanas que negar não tem me ajudado em nada, além de que minha reação patética ao seu comentário insinuava muito mais do que minhas palavras.

- Ele... Não gosta de mim. Desisti dele.

- Desistiu?

- Gaara-san está interessado na Yamanaka.

Ele deixou a xícara por um momento no ar e logo depois a colocou sobre o pires, como se aquelas palavras tivessem o atingido de alguma maneira. Isso me lembra de que os dois são conhecidos e se tratam como amigos íntimos, pois o próprio Sai a chamava pelo primeiro nome.

- Hum... Interessado na Ino... – o sorriso em seu rosto retornou, como se segundos atrás não tivessem existido. Há algo de estranho nisso. Há, na realidade algo de muito surreal na personalidade de Sai. E a maneira como ele fala de Ino, sempre a procurando...

Voltei a obsevar a mesa do Sabaku e minha respiração parou novamente. A Yamanaka acabava de sentar ao lado de Gaara, ombro no ombro, extremamente próxima, o sorriso nos lábios, há poucos centímetros de distância. Consigo até imaginar o hálito quente próximo ao seu rosto...

- Parece que você não desistiu. – escutei Sai comentar. Demorei um pouco para me dá conta do que ele se referia, mas logo me recompus.

- Você também não.

Ele não estava sorrindo antes, e esse comentário também não provocou nenhuma mudança em sua face, a não ser nos olhos, que ficaram mais uma vez sério. Eu tinha acertado, e ele sabia disso.

- Não importa. – ele levou o café até os lábios, mas a xícara estava vazia. Não contive um sorriso fingido.

- Então estamos na mesma situação.

Se eu não arrancaria informações de Sai fazendo-o se interessar por mim, eu arrancaria absorvendo suas mágoas... E compartilhando as minhas. E quem sabe, no meio de confissões caladas, olhares melancólicos e ciúme inventado, ele se tornaria meu amigo e me explicaria, de uma maneira, ou de outra, porque Ino estava vinculada a todos aqueles assassinatos.

- Talvez. E bom... Pelo jeito a Ino não vai realmente facilitar para você.

- Como assim?

Me virei até a mesa deles e percebi que eles não se encontravam mais ali.

- Experimente o banheiro. Vi o Gaara se levantando e logo depois a Ino... – ele comentou neutro, dessa vez tinha uma tentativa de sorriso nos lábios. Não pensei muito... Apenas me levantei.

Era logo ao lado, uma pia central dividia o banheiro feminino do masculino; quando vi que eles não estavam ali me senti realmente patética e com raiva. Maldito Sai. Estava brincando comigo.

- O que você... – comecei, mas parei quando percebi que ele fitava algo no lado de fora do Donatello. Minha respiração parou

Ino e Gaara estavam abraçados.

Não sei quando tempo fiquei os observando, mas só tirei meus olhos daquela imagem quando senti minha mão sendo segurada por Sai. Ele não sorria para mim, como sempre fazia, mas seus olhos não estavam opacos e havia algo de gentil em sua expressão.

- Esquece isso.

Sua voz era suave naquele pedido e eu tive vontade de revelar que era apenas um jogo. Que Gaara estava lá fora a abraçando, pois suspeitávamos dela, que ele fazia isso, apenas e unicamente, por que eu havia sugerido. Queria dizer também que eu estava bem, que não gostava dele, que não sentia nada e que não importava se era verdade ou mentira.

Um...

Dois...

Três...

E naquele momento realmente não importava. E foi por isso que eu apertei a sua mão e disse com meu melhor tom de voz chorosa, aquela ensaiada durante longos anos de experiência:

- Eu não consigo, Sai. Me ajude.


Gaara, Cinema às 14h42min do dia seguinte.

Olhei o relógio e percebi que estava adiantado. Havia marcado um encontro no cinema com a Yamanaka. Quando a Haruno ficou sabendo a respeito ficou mais ansiosa do que eu, e consequentemente, desde então, ela tem me mandando mensagens dando conselhos, me orientando e fazendo sugestões a respeito de qualquer detalhe inútil sobre o assunto. Como se sair com uma garota fosse tão complicado assim.

Por exemplo, hoje pela manhã, eu acordei com uma mensagem de texto da Haruno...

"Não se atrase, e fique bonito."

De alguma maneira não consegui imaginar a Haruno me dizendo aquilo e talvez por isso eu tenha a achado tão surreal a mensagem.

- Bonito? – escutei minha voz sonolenta perguntar. Uma risada soou logo depois. Não precisei me levantar para ver minha irmã na porta de meu quarto, com os braços cruzados e um sorriso sarcástico. Enfim, era minha irmã.

- Tem um encontro Gaara?

Não respondi, me levantei e andei lentamente até meu armário em busca de uma blusa. Desde que a Haruno havia feito uma visita surpresa, Temari me mandava indiretas como aquela todas as manhãs...

- Tenho.

Não precisei fitá-la para ter certeza de um sorriso irônico. Enfim, típico dela.

- Então finalmente teve coragem de convidá-la?

- Não é com a Haruno. – disse simples, para não provocar mais um debate sobre o assunto. – Mas foi ela quem me arranjou e me mandou essa mensagem. – joguei o celular que foi facilmente agarrado por ela. Ela leu e depois soltou uma risada.

- A Haruno, ela realmente está bem com tudo isso?

Óbvio, ela está desesperada atrás de informações sobre a Nuvem Vermelha, e por isso fica me empurrando para encontros com garotas por ai. Tive vontade de responder, mas eu mesmo achei que seria ridículo.

- Se ela mesma que arrumou esse encontro...

- Não sei... – minha irmã começou, estava mexendo em meu armário, provavelmente procurando algo para me vestir, pois ela adorava fazer isso. Desocupada. – Garotas são complicadas Gaara, talvez ela esteja realmente detestando te ver com outra garota.

Naquele momento, as palavras de minha irmã, me lembraram a conversa com a Yamanaka no Donatello.

- A Haruno irá adorar saber que estamos saindo não acha?

- O que você está sugerindo?

Ela não me respondeu, apenas deu uma risada pelo nariz. Logo depois, ela começou a encarar a rua lá fora, a calçada já esbranquiçada por uma rala neve fora de época.

- Eu realmente não acho que ela seja uma ameaça em relação a você. – Ino não me fitava. – Talvez ela seja uma ameaça em relação à outra pessoa, mas isso não importa... De qualquer forma eu adoraria saber mais sobre você.

- Em relação a mim?

Por algum motivo me peguei extremamente curioso em relação à Haruno. Queria saber o que ela estava pensando, o que tinha se tornado uma impossibilidade, não somente pela minha... Incapacidade, como ela mesma diria... Mas simplesmente porque não estávamos convivendo da mesma maneira.

Ino se levantou e se sentou ao meu lado. Estava com as pernas cruzadas na minha direção, o ombro tocando o meu e o rosto bem próximo, de maneira que eu podia contar seus cílios loiros. Naquele momento me dei conta que a Haruno tinha cílios realmente longos em comparação as outras garotas... E eram escuros apesar de seu cabelo ser rosa. Eu sei que não deveria estar pensando na Haruno naquele momento... Mas simplesmente o pensamento ocorreu.

- Ansioso Gaara-san? – Eu não estava ansioso. Só queria saber o que a Haruno estava pensando – Ou deveria chamá-lo de Gaara-kun? – ela não me deu tempo de responder. – Eu te respondo, mas vamos lá fora, tenho um compromisso e adoraria que você me acompanhasse.

Nunca soube qual era o compromisso da Yamanaka, mas me levantei deixando o dinheiro sobre a mesa.

- E esquece a Haruno, ela parece bastante entretida com o Sai.

Ino comentou e meus olhos se voltaram para a mesa dos dois, Sakura tinha sua atenção totalmente focada nele. Ela parecia ansiosa e suas bochechas estavam vermelhas... O que significava mais um momento de constrangimento calado. Queria saber o que eles estavam conversando, fazendo ou planejando para ela estar naquele estado... Mas de alguma maneira eu não podia fazer nada e era totalmente consciente disso. Não era da minha conta, a não ser no aspecto de que ele era, em tese, um dos suspeitos da Haruno e estávamos fazendo tudo aquilo unicamente para descobrir algo sobre todos aqueles assassinatos. Mas comecei a duvidar, a Haruno não o encarava como em mais um de seus personagens, ela parecia totalmente autêntica diante dele... E aquilo de alguma maneira me incomodou. Apesar de eu não saber identificar exatamente por que.

- Vamos Gaara... – senti a mão de Ino apertar meu braço. Por algum motivo me senti realmente patético. Não deveria estar me preocupando com aquilo. Sai sem me despedir da Haruno... De qualquer modo ela estava ocupada, ou pelo menos era melhor desculpa que eu tinha para sair dali. De alguma maneira não queria continuar por perto.

Lá fora estava realmente frio e por um momento eu desejei que a Haruno tivesse devolvido o meu cachecol. Procurei meus cigarros no bolso da calça, mas não tive tempo de pegá-los, pois senti novamente o braço de Ino me puxar. No momento seguinte ela estava me abraçando.

A princípio eu não entendi nada, e ao certo, não sei nem quanto tempo durou, mas era quente. Era realmente quente a sua respiração em minha nuca. Ino era mais alta e por isso, provavelmente, não precisava ficar nas pontas dos pés para me alcançar, como tinha que fazer a Haruno. Também tinha um cheiro diferente, mais concentrado, como de um perfume de uma marca cara qualquer.

Não era bom. Não era bom abraçar Ino. Era... Só quente. Insuficiente.

- Pálido demais... – Escutei minha irmã murmurar e então me dei conta que estava fitando suas costas, enquanto ela estava muito entretida em escolher uma roupa para mim. Tomei um banho e logo depois me vesti sem pensar muito a respeito.

Agora estou aqui, olhando o relógio e esperando Ino Yamanaka chegar para o nosso primeiro encontro. Ou como a Haruno gostava de chamar aquilo. Na realidade era só um cinema, onde escolheríamos um filme qualquer para assistir. De qualquer modo estou aqui na frente, enquanto adolescentes se agrupam em vários cantos, dando sorrisinhos simpáticos, fazendo barulho, se misturando... Meu celular tremeu em meu bolso e vi uma mensagem da Haruno.

"Já está ai?"

"Sim."

"Ela já tá ai?" a mensagem chegou poucos segundos depois.

"Não."

"Me responde direito. Só eu que quero que esse encontro saia direito?"

"Provavelmente sim. Duvido que eu descubra algo a respeito."

"Pergunte para ela se ela já leu Tulipa Vermelha... Disfarçadamente Sabaku!"

Não entendi o que ela queria dizer com aquilo.

"Ok."

"Odeio suas respostas monossilábicas."

"Nunca te incomodou antes."

"Pois saiba que sim...".

"Me desculpa então."

Esperei uma resposta, mas ela não veio pelos próximos cinco minutos. Olhei novamente o relógio, agora a Yamanaka já estava atrasada. Bom... Eu poderia conversar pelo menos um pouquinho com a Haruno agora. Se é que se pode chamar isso de conversa.

"Como foi com o Sai?"

"Se você não tivesse saído sem me avisar, você saberia."

"Desculpa, você parecia muito ocupada."

"Nem estava."

"Com o Sai. Você parecia muito ocupada."

"Digo o mesmo para você." Não entendi o que ela quis dizer com aquilo, levantei uma sobrancelha e escutei uns murmurinhos próximos de mim. Havia duas garotas de saias rodadas me encarando. Estranhas.

"Não entendi, o que você quer dizer com isso?" decidi perguntar.

"Com a Ino. Você parecia muito ocupado."

Ela estava repetindo minhas palavras? E eu nem estaria ocupado com a Ino se ela mesma não tivesse me pedido.

"Foi você quem me pediu para sair com Ino."

"Digo o mesmo em relação ao Sai."

Lembrei então das palavras da Temari

"- E a Haruno, ela realmente está bem com tudo isso?"

Não tenho por que pensar sobre, pois vi alguns metros de distância Ino chegando. A Yamanaka era diferente sem seu uniforme, parecia mais velha e madura; se não soubesse que estudasse em Kitagawa seria impossível dizer que era uma estudante.

Eu sei que eu deveria estar concentrado em Yamanaka Ino, mas a pergunta de minha irmã ainda soava em minha cabeça.

"... ela realmente está bem com tudo isso?"

Dane-se. Eu tenho que descobrir pelo menos um pouco a respeito de Ino Yamanaka. E se a Sakura realmente se sentisse incomodada com tudo aquilo, por mais que e não entenda os seus motivos, ela não teria arranjado nada com ninguém... Droga, estou ainda pensando sobre isso.

Baguncei meus cabelos. Segundos depois Ino estava na minha frente.

- Vamos?

Perguntou sorrindo. Notei que ela não tinha sorriso com covinhas como a Haruno. Concentração, concentração...

- Gaara? – minha atenção foi roubada pelo seu chamado. Ignorei o fato de ela me chamar pelo primeiro nome. – Que filme iremos ver?

Estávamos diante de vários cartazes. Nenhum me chamou atenção, mas isso era normal já que eu raramente me dava o trabalho de ir até o cinema para ver um filme. Era tão mais prático na televisão...

- Gaara? – ela perguntou novamente e percebi que eu tinha ficado provavelmente muito tempo em silêncio. – Você nunca chamou uma garota para sair? – ela pareceu se divertir com aquela pergunta.

- Por que você acha isso?

- Bom... Me chamando para o cinema, é algo que você deve fazer com a Haruno, não comigo.

- Humm... – fingi ter entendido o que ela queria dizer com isso. Afinal era só um cinema. – Deveria ter chamado para uma exposição? Teatro?

Ela tinha um sorriso muito discreto nos lábios.

- Estou meio cansada de exposições. Ele só pensa sobre isso.

- Sai te convida muito para ir nesse tipo de evento? – perguntei neutro, só para seguir o conselho da Haruno: "Se não souber o que falar, só faça uma pergunta pertinente. Pertinente Sabaku!". Não entendo o que ela queria dizer com pertinente, mas dane-se.

- Sai? Não muito... Ele sai muito pouco de qualquer modo, parece que nunca quer ser influenciado pela a arte dos outros. – A Yamanaka tinha a voz leve e clara, e pude ver pelo canto dos olhos, seus orbes azuis, que fitavam o cartaz, opacos. Acho que isso é um bom indicativo.

- Que exposição você tem ido?

- Você ficou sabendo de uma exposição de escultura de argila?

- Sei. Meu irmão comentou algo a respeito. – ela parecia distante demais para se dá conta do que estava lhe dizendo.

- Fui lá recentemente com uma amiga... As esculturas eram realmente bonitas, algumas simplórias... Mas refletem bem a beleza do autor. – sua expressão suave voltou-se para mim. Os olhos anilados continuavam opacos, mas diferentes de antes, estavam totalmente concentrados em mim. – Como você sabe que é do Sai que estava falando?

Acredito que minha respiração suspendeu por um segundo, afinal, eu tinha cometido um erro. Mas minha expressão como sempre não mudou. Eu precisava de tempo para pensar em uma resposta válida.

- O que você realmente quer comigo Sabaku? Não me diga que está apaixonado por mim, pois eu sei que você não está.

Eu realmente preciso de mais tempo para pensar...

- Tem alguma coisa a ver com a Haruno? Pois eu acho muito estranho esse seu interesse repentino por mim, sendo que você está sempre a observando. Me diga, o que você quer?

Eu sei que eu não deveria estar pensando a respeito, mas as palavras de minha irmã voltaram novamente a minha cabeça e sem qualquer razão simplesmente saiu:

- Eu quero que a Haruno se sinta incomodada.

E também sei que o plano estava totalmente seguindo outro rumo. Mas não havia escapatória. Ela estava ali, ao meu lado, me fitando, escutando uma mentira... E surpreendentemente ela também estava sorrindo.

- Então acho que podemos nos ajudar, não é Gaara-kun?

E eu realmente não sei de onde ela tirou essa de Gaara-kun.


N/A: Desculpem, tive uma crise de inspiração. E parece que eu estou enrolando muito com os acontecimentos, certo? Três capítulos seguindo só sobre Sai e a Ino? Poisé, juro que não foi proposital... Mas o próximo ainda serão com eles, então peço desculpas caso alguém já esteja de saco cheio. Apesar de achá-los bastante interessantes... E bom, vocês são desconfiados heim, hauha' tudo bem, até eu desconfiaria, principalmente com o surgimento repentino da Ino no Donatello logo depois do Sai.

De qualquer forma eu queria adicionar mais informações sobre a Ino nesse capítulo, mas simplesmente fui viajando nesse volta do tempo do Gaara nas lembranças dele e quando fui ver já tinha mais de 4000 palavras e por isso minha tentativa de corrigir foi bem mais falha do que as anteriores.

Enfim, gostei desse capítulo apesar de tudo, na realidade eu gosto muito da presença da Temari. Ah, próximo capítulo finalmente a quarta vítima é revelada hoho', eu já imagino que muitas pessoas saibam quem seja. Naruto que anda meio sumido também irá aparecer, senti falta dele então decidi enfiá-lo no próximo capítulo... Ah, algumas pessoas perguntaram a respeito do Sasuke, ele não irá aparecer, eu particularmente nem sou muito fã dele, principalmente daquelas cenas decepcionantes do mangá, super decepcionada com o Uchiha (momento desabafo).

D. F. Braine: Adorei essa parte do sue comentário "ar esquisitamente presente dele" em relação ao Sai, por que ele é exatamente desse jeito... Ele está por perto e você percebe que há algo de peculiar nele. Bom, realmente é muita coincidência que eles chegassem exatamente juntos, ou pelo menos muito próximo disso, mas... Enfim, pode significar várias coisas, certo? Espero que esse capítulo tenha adicionado mais informações quanto a Ino e Sai juntos. Quanto a Hinata e Naruto seu pedido será realizado em breve haha'

Violak: Ah isso é até verdade, mas não sei... É meio estranho lidar com Gaara ainda haha', queria que ele fosse o mais semelhante possível ao anime, já que no anime ele tem se revelado cada vez mais irresistível... Caramba, aquela cena no anime, na guerra, onde as ninjas de Suna soltam gritinhos histéricos por causa do Kazekage? Isso só comprova minhas teorias do quão gentlemen disfarçado o Gaara é haha'

Guest (é esse o nome? Ou virou padrão no site?): adorei sua sinceridade quanto à velocidade dos relacionamentos deles hauha' até eu estou meio que impaciente com a lerdeza dos dois, mas prometo que a partir dos próximos capítulos as coisas irão melhorar haha' Pois no próximo capítulo o Sai protagonizará uma cena e as intenções da Ino ficarão um pouco mais claras. E fico feliz que o Gaara pareça o Gaara... Isso significa que ele está tão irresistível como ele é no mangá? Haha' espero que sim.

Beijos de Graviola

Oul K.Z