N/A: Espero que gostem suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 18
Quadros
29 de outubro de 2007
Sakura, Kitagawa as 12h10min
Não me surpreendi quando vi que Gaara não havia respondido a minha última mensagem. Fazia hoje exatos três dias que não trocávamos qualquer palavra... Tudo bem, não é exatamente muito tempo... Só três dias, mas de qualquer modo, era muito estranho vê-lo pelo corredor e não ter qualquer motivo para ir conversar com ele.
Simplesmente eu não tinha motivo, nem coragem, nem... Vontade de fazê-lo. Hoje pela manhã acabei o vendo subindo até o terraço na companhia da Ino Yamanaka. Antes era Matsuri agora era Ino... Bom, acho que o sociopata funcional não era tão antissocial e inatingível como eu achava.
Mas não me importo. Realmente não me importo.
Talvez um pouco, por que isso está atrasando qualquer andamento no caso Nuvem Vermelha, e tínhamos decidido resolver isso juntos...
Pensando bem... Nunca havíamos decidido isso . E eu nunca precisei dele para fazer qualquer coisa, talvez as informações que apenas o pai dele poderia nos fornecer, mas desde que ele sumiu com a chave do escritório, Gaara não tinha qualquer utilidade para mim...
Levei as mãos aos olhos suspirando. Droga, quem eu estava querendo enganar? Eu simplesmente estava sentindo sua falta. Não era segredo para ninguém, Tenten já tinha me perguntado diversas vezes sobre ele, até Naruto e Rock Lee me lançavam olhares estranhos... Para piorar, Sai estava tão convicto disso que não era necessário qualquer teatrinho quando se tratava do sociopata funcional.
Não. Não, Não. Só estou estressada por causa desse festival, não faz nem dez minutos que acabei de resolver alguns problemas referentes ao assunto com Kabuto-sensei. Quando tudo isso passar eu continuaria com a minha vida normal, vendo-o por ai, buscando pista, invadindo necrotérios, tirando conclusões, aguentando a cara de concreto dele enquanto bagunçava os cabelos vermelhos ... Droga, eu estou sorrindo?
-Sakura? – escutei Tenten me chamar. Estávamos em um corredor movimentado, apoiados na janela enquanto eu tentava tirar um minutinho de tranquilidade. – Está tudo bem?
- Sim, tudo tranquilo, por quê? – meu sorriso desmanchou e Tenten me olhou divertida.
- Pensando em alguém? – minhas pupilas dilataram e ela soltou um suspiro quebrando seu ar de diversão. – é uma pena Sakura, eu achei que vocês tinham alguma coisa...
Alguma coisa? Gaara e eu nunca tivemos nada, pelo menos nada além do caso Nuvem Vermelha. Era o que eu queria dizer... Mas já estava começando a duvidar disso. E desde quando Gaara é o centro das informações?
- Ah... – comecei mas minha voz morreu. No final do corredor eu o vi. Gaara seguia em minha direção, com as mãos no bolso, e se eu não estivesse enganada, tinha certeza que ele cessou o ritmo por um minuto e piscou algumas vezes. Nos fitamos por um segundo e uma vontade enorme de andar até ele quase se apossou dos meus pés. Queria conversar com ele. Qualquer coisa... Talvez lhe contar como está sendo com o Sai, que deveríamos ir à floricultura mais uma vez.
- Sakura-chan? – escutei Naruto me chamar na outra ponta do corredor e virei minha cabeça imediatamente. Estava acompanhado de Sai, que possuía o sorriso imutável na cara. Gaara. Retornei a me virar em direção ao Sabaku, e me surpreendi quando o vi rapidamente na companhia da Yamanaka.
As mãos de Ino estavam em seus cabelos, os bagunçando. Gaara não movia um músculo sequer, mas por um breve segundo nos fitamos novamente e eu travei . Apenas por um momento, pois logo depois eu já tinha me virado seguindo em direção ao Naruto e Sai.
Sorria. Por mais que eu sentisse um grande incômodo no alto do pulmão.
- Está tudo bem? – Naruto perguntou. Era óbvio que ele perceberia algo de estranho, mas não me importei, apenas sustentei o sorriso. Vi que Sai observava algo atrás de mim, e conclui que ele observava Ino e Gaara, sabia disso, pois seus olhos negros estavam opacos e não havia qualquer sorriso falso em seu rosto. – Hum... – Naruto murmurou, como eu disse não era novidade para ninguém que eu estava incomodada com Gaara. Droga. Até eu estou admitindo isso para mim mesma.
- Vamos tomar algo Sakura-chan? Nada de coca cola. – Naruto sorriu por mim e por algum motivo me senti realmente grata. Seguimos em direção oposta ao de Gaara, Tenten veio logo depois, iniciando uma conversa banal com Sai a nossa frente, enquanto Naruto permanecia ao meu lado.
- E a Hinata-chan? Não está com você – observei enquanto descíamos as escadarias, apenas para puxar assunto.
- Ah, ela não veio hoje. Me disse que a família tinha um evento importante . – percebi que sua expressão suavizou-se tristemente e me senti um pouco incomodada por ele.
- Mas vocês estão bem, certo?
- Sakura-chan! – eles exclamou murmurando. – Isso é um segredo! O Sai não sabe e...
- Não sei de quê? Que você e a Hinata estão namorando escondido? – ele se virou com um sorriso falso no rosto, sem parar de descer os degraus . E eu me perguntei se ele também não tinha qualquer discernimento social como o Sabaku...
- Co-como assim vocês sabe disso?
Não contive um sorriso, na realidade me parecia muito óbvio que os dois estavam juntos. Qualquer um que se desse o trabalho de observá-los veria que existia algo entre os dois.
- Humm. – Sai pareceu pensar por um momento. – Ino me contou. – respondeu simples. A maneira como ele ainda chamava Ino, sem sufixos e pelo primeiro nome, me incomodou. Levantei as sobrancelhas, enquanto os degraus me pareceram mais interessantes do que olhar para frente.
- Sakura-chan? – me sobressaltei quando escutei Sai me chamar. Havia passado algum tempo desde que eu prestei atenção no que eles diziam, tanto que já nos encontrávamos no pátio e eu nem tinha me dado conta. Estou perdendo a concentração.
- Sim? Me desculpa. – pedi, mesmo não sabendo por que, talvez pela distração.
- Queria lhe mostrar uma coisa.
Sua voz disse gentil enquanto sorria. Um sorriso que não me pareceu falso. Percebi também que Tenten e Naruto nos observavam calados, minha amiga com um sorriso malicioso, enquanto o Uzumaki nos fitava desconfiados.
- O quê? – preferi os ignorar e perguntei.
- Venha. – ele segurou meu braço e me puxou em direção contrária ao pátio, entrando novamente em Kitagawa. Já alguns passos de distância, vi, entre os ombros, Tenten e Naruto nos fitando, sem nos seguir.
Pensando bem sobre isso, era complicado adivinhar a imagem que eu e Sai tínhamos. Ao contrário de Gaara e Ino, pois os boatos já estavam rodeando os corredores "Sabe o Sabaku, aquele ruivo estranho e bonitinho do terceiro ano?" "Sim, dizem que ele e a Yamanaka estão saindo..." "Ela recuperou tão rápido, não acha?" e seguiam os sorrisinhos abafados.
Seguindo até onde Sai me levava, sem dizer nada, me perguntei se ele se importava com aqueles boatos, pois desde o verde que joguei em Donatello, eu tinha descoberto seu interesse, aparentemente unilateral pela Yamanaka. Não eram apenas amigos como eu e Gaara tínhamos concluindo, mais eu do que ele. E isso me faz pensar que o Sabaku poderia estar bem satisfeito com isso...
Não demoramos muito até chegar no corredor destinado as artes tradicionais japonesas. Passamos pela sala de Ikebana, e estranhei que ela estivesse fechada.
- O grupo de Ikebana está fechado hoje?
- Não sei. – ele me respondeu sem me fitar. Ele continuou me puxando. Era obviamente mais gentil do que Gaara, principalmente por que seus dedos estavam entrelaçados com meus, e suas pele era realmente mais macia do que a do Sabaku, apesar disso não fazer qualquer diferença... Gaara afinal era gentil da maneira dele, mesmo que distante, mesmo que ausente...
- E por causa disso que eu gostaria de lhe trazer até aqui.
Meus pensamentos foram roubados por Sai. Suavemente ele me puxou pela mão e me pôs diante dele, já dentro de uma sala qualquer. Era realmente frio lá dentro, mas de algum maneira muito confortante. Devido as largas janelas preenchendo toda a parede à esquerda, o ambiente era bem claro, sem cortinas, sem barulho, apenas com o cheiro forte de tinta. O mais atraente, no entanto, eram os quadros.
Observei toda a sala, e por mais que a princípio eu pudesse perceber todos os demais detalhes, quando meus olhos caíram sobre o primeiro quadro, ao certo, não saberia dizer se era o primeiro ou décimo qualquer, minha atenção foi totalmente roubado por ele.
Era incrivelmente bonito, de maneira que eu mal conseguia descrever. Eu tinha a sensação de que se tentasse eu acabaria perdendo algo de muito essencial, como se o silêncio fosse a melhor maneira de fazê-lo.
Senti então minhas mãos, outrora abandonadas, sendo seguradas novamente. Era Sai. Era todo Sai naquele toque... Presente e ao mesmo tempo me puxando para o chão.
- Conseguiu esquecê-lo por um segundo?
Não quis responder, mesmo sabendo intuitivamente do que se tratava. Dei mais alguns passos até a sala, atenta aos quadros que seguiam um ao lado do outro, todos únicos, e próprios, independentes, mesmo que não soubesse dizer como.
- Acredito que sim.
Sua voz me arrastou até sua presença. O vi me encarando, sem qualquer sorriso no rosto, mas de alguma maneira muito mais gentil do que se tivesse algum puxar de lábios ali.
- Desculpa? – perguntei, mas ele não me respondeu. Me puxou pela mão até o centro da sala e pediu para que eu sentasse em um banquinho. Logo depois ele pegou um para ele, se sentando a minha frente. Continuava sem sorrir, mas me fitava.
- Você gostou?
Era difícil dizer se eu tinha gostado, pois não tinha certeza de sua pergunta. Mas me provocou algo agradável e talvez por isso eu tenha concordado com a cabeça.
- Isso me deixa feliz. Dizem que minhas pinturas tem essa capacidade.
- Qual?
Perguntei e então ele sorriu.
- De puxar as pessoas da realidade e fazê-las se esquecer por um segundo de todos os eventuais problemas. – ele deu uma pausa e virou-se em direção a algum quadro. – Me falaram que esqueciam as próprias emoções, a saudade, a paixão... Eu não sei, nunca pintei na intenção de esquecer.
- Obrigada. – pedi repentinamente e ele voltou-se em minha direção. – Obrigada por me mostrar isso.
Ele não sorriu para mim, mas de alguma maneira eu sabia que ele estava feliz com o meu agradecimento. Pegou minha mãos repousada sobre meu colo e disse:
- Só não fique fugindo disso. Não fuja de tudo.
Eu não entendi o que ele queria dizer com aquilo, por mais que seu pedido soasse ansioso e verdadeiro.
- Fugir? Não estou fugindo.
Sai levantou-se sem dizer nada. Não estava entendendo nada.
- Do que eu estaria fugindo? – perguntei, mas ele não me respondeu, apenas seguiu até um canto da sala e apoiou-se na janela. Estava distante. – Do que eu estaria fugindo, Sai?
- Não sei. – ele me respondeu sem qualquer emoção em seu rosto. – Vocês só fogem.
Vocês?
Minha pergunta mental não foi respondida. Instante depois escutei meu celular vibrar. Droga, não era momento para me mandarem mensagens...
Mas e se fosse o Gaara? Quando menos percebi eu já tinha pego celular e visto a mensagem. Era dele.
"Queria meu cachecol, quando posso pegá-lo?"
Cachecol? Três dias sumido e me vinha com essa história de cachecol...
"Hoje não posso, lhe trago amanhã."
Respondi rapidamente. Se ele queria o cachecol de volta, ele teria. Qual era dele com essa história de cachecol? E por que estou meio frustrada que seja só isso...?
- É ele? – Sai me perguntou. Droga. Por um segundo me esqueci dele. Quando voltei a fitá-lo percebi que havia algo de diferente na sala. Era outro clima, outras cores, outras sensações.
"De puxar as pessoas da realidade..."
Entendi e me senti estranha. Eu estava de volta a Kitagawa. Meus pensamentos estavam de volta a Gaara a pessoa que naquele momento eu tinha me esquecido.
Senti novamente meu celular vibrar.
"Ocupada?"
O incômodo voltou. Não sei por que me sentia tão incomodada pensando em Gaara. Pensando nas mãos de Ino em seus cabelos. De sua ausência. De sua indiferença...
- Deve ser ele. – escutei Sai dizer. Ele sorria para mim. E aquele sorriso me comprovou de que tudo havia voltado ao normal. Concordei com a cabeça.
"Sim, estou com o Sai" respondi. Queria que ele soubesse que estava com alguém. Que não estava sozinha. Que eu tinha alguém por perto.
- Você realmente deveria parar de fugir.
Sai desapoiou-se do parapeito da janela e seguiu em minha direção. O sorriso que nunca sumia em sua face.
- Fugir? Não estou fugindo de nada.
- Claro que está, não é óbvio? Vocês vivem fazendo isso. – disse. Me fitou por alguns rápidos segundos e pude ver em seus olhos escuros algum incômodo, frustração, talvez até desprezo. Senti que era algo voltado não somente a mim... Mas para alguém em específico, como se ele quisesse dizer aquelas palavras para essa pessoa.
- Sai? – o chamei. Ele não me respondeu, apenas seguiu para fora da sala me deixando sozinha.
"Vocês vivem fazendo isso..." Definitivamente não era para mim aquelas palavras. Mas de alguma maneira eu não podia dizer que elas não tinham nada a ver comigo. Talvez eu realmente estivesse fugindo. Talvez eu já soubesse do que ou de quem...
Droga. Levei minhas mãos ao rosto. Queria tanto vê-lo.
Não pensei muito, do contrário talvez eu não fizesse, pois me sentiria patética logo depois. Peguei meu celular e enviei.
"Onde me encontro com você amanhã?"
Coloquei o celular de volta em minha bolsa, pois sabia que do jeito que eu me encontrava ficaria olhando o visor por minutos a fio esperando uma resposta e seria patético demais se isso acontecesse. Me levantei e sai dali, tentando esquecer o aparelho em minha bolsa e na sua possível vibração de uma resposta de Gaara.
Gaara, Kitagawa às 12h14min
Olhei novamente o visor do celular. Ela ainda não tinha me respondido. Até entendo que esteja ocupada com esse evento inútil, mas de qualquer modo responder uma mensagem não deveria ocupar tanto tempo assim de sua vida. Falando dela... Eu acredito que ela realmente ficaria feliz ao saber do acordo que eu e a Yamanaka fizemos. Consigo até visualizar o sorrisinho sem covinhas...
E sendo mais especifico, o mesmo sorriso que consigo ver em seu rosto nesse momento. Quando entrei no corredor central do segundo andar, pude vê-la apoiado na janela na companhia da garota de coque que ainda não decorei o nome. Parecia bem, um pouco animada... Até sua amiga lhe dizer alguma coisa que desmanchou sua expressão de satisfação.
Segundos depois seus olhos se encontraram com os meus. Estranhamente tenho a sensação que não nos vemos, dessa maneira, há muito tempo. Já fazia algum tempo que não nos falávamos, uns três dias talvez, e desde o dia do Donatello que não nos víamos, talvez um vulto ou outro... Mas contato mesmo, pessoalmente, frente a frente...
-Sakura!
Naruto a chamou no final do corredor. Estava acompanhado de Sai, o garoto de aparência doente... Que Sakura estava aparentemente saindo. Confesso que nunca vi nada de estranho nele, senão sua expressão sempre estática e a convicção que ele provocava na Haruno de que era o suspeito da floricultura. Apesar disso ter mudado de um tempo para cá.
- Olha, se não é a Sakura com o Sai?
Ino surgiu da escadaria do terceiro andar. Ela vivia surgindo assim do nada, com algum comentário sarcástico, sempre com aquele jeito malicioso. Minha irmã vivia dizendo que garotas assim não eram dignas de confiança e se dependesse dela e da Sakura, isso seria motivo suficiente para torná-la a serial-killer que estávamos procurando. Eu, pelo contrário, não conseguia acreditar nisso.
- É... – concordei, apenas para não ficar no silêncio. Como era comum entre mim e a Yamanaka.
- Podíamos fazer uma brincadeirinha.
Eu não entendi o que ela queria dizer com aquilo. Mas não demorei muito para saber suas intenções. Ela levou suas mãos até meu cabelo e os bagunçou. Sorria divertida como se fôssemos muito íntimos. Imediatamente entendi que ela queria provocar a Haruno, e mesmo sabendo do quão improvável seria isso, voltei a procurar o olhar de Sakura e o achei de imediato.
No fitamos apenas por um segundo. Estava séria. Logo depois ela seguiu em direção a Sai e Naruto... e como sempre estava sorrindo. Naquela distância não pude ver se era um sorriso de covinhas ou não. Mas por algum motivo me incomodei.
Senti como se Ino, Sai, Naruto e a garota de coque, fossem um estorvo. Tirei as mãos de Ino do meu cabelo e dei as costas, escutei uma risada baixinha da Yamanaka enquanto descia as escadarias. Droga, queria um cigarro.
Consegui acender um cigarro apenas no lado de fora. Dei-me conta de que fazia muito tempo que saía ou fugia de Kitagawa no meio das aulas. Ultimamente tinha até fumado menos, sendo uma carteira suficiente para quatro dias. No entanto, quando pulei o muro, e segui até a rua debaixo em direção ao metrô, já tinha fumado três, um atrás do outro.
Estava incomodado. Talvez um pouco agitado, uma agitação que quando passei em frente ao Donatello já tinha passado. Uma garota com um cachecol saiu do bar-café e me lembrei da Haruno. Fosse pelo cachecol, fosse pelo cheiro de café, me lembrei da Haruno, tomando discretamente seu cappuccino com um sorriso ou levando até a boca um pedaço de torta.
- Gaara-san? – escutei alguém me chamar e me deparei com Iruka, o dono do bar. Estava na entrada, usando luvas, casaco pesado, botas pretas, parecendo prestes a sair.
- Iruka-san. – o cumprimentei com uma reverência.
- Sempre educado, não me surpreenda que tenha tantas garotas encima de você. – ele disse rindo – Soube que minhas atendentes tiram no par ou ímpar. – não entendi muito bem o que ele queria dizer com aquilo e por isso usei uma das táticas que Sakura havia me ensinado.
- Está indo para onde?
Fazer alguma pergunta para dá continuidade a conversa, ultimamente ela tem sido muito útil para mim quando não quero parecer mal educado.
- Ah, para o metrô. Era para eu ter ido mais cedo, mas tive um imprevisto.
Acho impressionante como essa habilidade da Haruno é realmente prática.
- Estou indo para lá também. – eu disse e mesmo que eu não tivesse qualquer expressão no rosto, Iruka sorriu para mim e continuamos nossos passos. O metrô não era muito distante dali, e por um tempo ficamos em silêncio. Me perguntei se ele não tinha se dado conta que eu estava faltando aula, mas de qualquer forma Iruka era tão gentil, que dificilmente faria qualquer comentário a respeito. Ou pelo menos foi o que Rock Lee tinha me falado. Pois aparentemente Iruka era muito popular entre os estudantes.
- Que imprevisto lhe aconteceu? - Ele me fitou meio surpreso e me dei conta que não era uma pergunta pertinente, como diria a Haruno. Iruka, no entanto não deixou de sorrir, como se entendesse que eu só queria manter uma conversa.
- Ah, alguém estava precisando da minha ajuda.
- Algo muito preocupante? – perguntei inexpressível. Por mais que eu tentasse demonstrar interesse eu não conseguia mentir.
- Ah... Um pouco. – ele olhou para o céu por um momento. Soltou um sorriso fraco e logo depois fitou o chão sujo com uma rala camada de neve. – é complicado, por que as pessoas não entendem que elas não são as mesmas o tempo todo.
- Como assim ?
- É natural por exemplo sentir raiva ou ciúmes. Amar e odiar. – fiquei em silêncio, ele suspirou. – Amar e odiar a mesma coisa, deve ser difícil, certo?
- Acho que sim...
Iruka sorriu para mim enquanto continuamos nossos passos. Quando nos aproximamos da estação de metrô sua voz começou bem baixa:
- Mas não foi tão complicado, sabe – não entendi por que ele retornava o assunto, talvez para amenizar a situação ou simplesmente desabafar pois já tinha começado a conversa - Pequenos gestos, um sorriso, uma conversa. Uma pequena coisa pode acalmar o coração de alguém. Pode curar um pouco o sofrimento. – ele sorriu novamente, dessa vez tive a sensação que não era para mim, mas para alguém distante. – Essa pessoa me comprovou mais uma vez isso... Ah, um bilhete por favor.
Estávamos na bilheteria. Enquanto estávamos passando pela roleta, ele primeiro do que eu, percebi que meu bilhete não estava sendo lido. Na terceira tentativa eu desisti e logo depois escutamos o barulho distante do metrô chegando.
- Pode ir, eu terei que comprar outro. – disse, ciente da urgência dele.
- Mesmo?
- Sim.
Ele sorriu para mim e correu em direção as escadarias. Quando sua cabeça sumiu tive coragem de pegar um cigarro da carteira em meu bolso. Fumaria só mais um antes de pegar o metrô.
"Pequenos gestos, um sorriso, uma conversa. Uma pequena coisa pode acalmar o coração de alguém."
As palavras soaram em minha cabeça quando já estava na metade do cigarro. Um sorriso, um pequeno gesto que pode acalmar o coração de alguém. Mesmo que só por um segundo. Sempre achei que cigarros eram suficientes nesse aspecto. Quando me sentia ansioso, mesmo sem demonstrar fisicamente, por qualquer coisa, fosse meu pai, minha mãe ou mesmo o tédio, eu sempre podia recorrer a um para senti o corpo relaxar e consequentemente a mente.
Ultimamente, no entanto, eles pareciam menos eficientes. Percebi isso quando vi saindo da estação uma garota de cachecol. Me lembrei da Haruno. Realmente queria vê-la. Realmente queria conversar com ela, sem Naruto ou a sua amiga de coques. Queria tomar um cappuccino e vê-la soltar um sorriso sem covinhas. Droga. O cigarro realmente não é suficiente para saciar essa vontade.
Peguei meu celular no bolso de trás. Eu podia escrever "Quero vê-la"? Acho que não seria pertinente, como ela mesma diria... Melhor então "Me veja no Donatello daqui a pouco. Não traga ninguém." Não, não vejo como isso poderia ser mais adequado...
Talvez se eu pedisse algo que necessitasse de sua presença... Como devolver meu cachecol.
"Queria meu cachecol, quando posso pegá-lo?"
Estava bom, certo? Me pergunto se eu deveria perguntar para Temari depois.
A resposta chegou segundos depois.
"Hoje não posso, lhe trago amanhã."
Levantei uma sobrancelha, me perguntando por que não hoje.
"Ocupada?"
Olhei o visor do celular por uns 5 segundos até que desisti de esperar uma resposta e acendi um segundo cigarro. Se ela me respondesse talvez pudéssemos no encontrar hoje , então era melhor esperar uma resposta antes de pegar o metrô...
"Sim, estou com o Sai."
Fiquei algum tempo olhando a mensagem. Estava com o Sai... Não me surpreende que ela esteja com o garoto de cara doente. Coloquei celular no bolso e segui até a bilheteria para trocar o bilhete. Peguei o metrô poucos minutos depois. Não estava cheio e por isso consegui um assento entre duas garotas. Me pergunto se ela realmente tomaria tanto tempo com o Sai... Talvez eles saíssem depois da escola e por isso, mais uma vez, ela não poderia se encontrar comigo. Eles devem realmente estar saindo...
Cruzei as pernas e os braços. Meus olhos se encontraram com de uma garota qualquer no banco da frente, ela pareceu tomar um susto e foi então que eu percebi que minhas expressão estava rígida. Logo depois senti meu celular vibrar.
"Onde me encontro com você amanhã?"
(...)
Era uma mensagem atrasada da Haruno. Por mais que fosse um atraso de poucos minutos. Comecei a respondê-la, mas no meio da mensagem, enquanto digitava "Terraço" senti alguém me observando atentamente com olhar. Não demorou muito para eu me da conta que era a mesma garota a minha frente. Seus olhos grandes e escuros me fitavam, enquanto sua boca estava entre cortada. Logo depois ela desviou o olhar, levou as mãos ao colo agitada e as bochechas ficaram vermelhas.
Foi então que vi pelo reflexo da janela. Eu estava, mesmo que de uma maneira bem discreta, sorrindo. E então me dei conta que realmente alguma coisa estava mudando, fosse pelo caso Nuvem Vermelha, fosse pelas carteira de cigarro, fosse pelos sorrisos involuntários por causa de uma mensagem da Haruno.
N/A: Oh Deus, quase ma arrependi de escrever a parte do Gaara, mas não me contive. As coisas tinham que andar, e depois da sugestão da Camila, consegui ver um Gaara possessivo de maneira muito real. Talvez alguns não concordem, mas eu realmente acho que combina com ele. Sem dizer que ele é meio inexperiente emocionalmente falando. Bom eu disse que o próximo alvo seria revelado... E pelo jeito é melhor eu parar com essas minhas promessas haha'
Eu admito que o Sai é bipolar e esse capítulo está cheio de diálogos surreais – o que na realidade não é nenhuma novidade, pois com Hiromi não foi diferente. Também admito que esse capítulo foi super mal escrito, mas ando meio instável nesse sentido. Falando disso, decidi que será melhor eu realmente atualizar quinzenalmente, eu escrevo com mais calma e tenho mais tempo de corrigir também, por isso não estranhem se eu começar a demorar. E Obrigada pela paciência.
Esse capítulo revelou muita coisa, mesmo que de uma maneira bem indireta. Foi quase um alívio tê-lo que escrever, estava todo tempo pensando "Até que fim! Estou conseguindo e sem enrolar."
Comentários respondidos por PM. Espero que todos estejam recebendo.
Violak : Eu demorei um pouco com esse, mas espero que tenha valido a pena. Espero que com esse você tenha ficado ainda mais curiosa, já que esse em particular está cheio de pontinhas soltas por ai.
D. F . Braine : Eu já devo ter comentado isso várias vezes, mas sua perspicácia com os personagens sempre me surpreende, principalmente com o Gaara haha' Era exatamente isso que eu queria que as pessoas percebessem do Gaara, ele é simples, natural, não sentimental, mas também não é insensível. A Sakura, bom... Ela é um pouco instável, mas sempre foi muito pé no chão quando era necessário, isso ficou claro no apartamento da Hiromi e até quando as duas conversaram. Com Sai não seria muito diferente, ela sabe que gosta do Gaara, sabe que as pessoas percebem isso e agora ela sabe tambem que tem que começar a lidar com isso... Mesmo com os impulsos dela e sua mania de ficar mandando mensagem direto só para manter algum "contato". Ahh, Sai nem é tão terrível, é? ... Tadinho, tadinho, ele é tão... Não sei... Eu gosto tanto dele haha' E bom, agora as coisas entre Gaara e Sakura está mais firme, veja até desculpinha o Sabaku tem arranjado haha'
