N/A: Espero que gostem suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 19
Escadaria
30 de outubro de 2007
Sakura, Sala dos professores do Colégio Kitagawa as 12h01min
Acordei com os músculos doendo, uma leve dor de cabeça e a voz rouca. A sorte é que meu nariz não estava vermelho como uma rena do Papai Noel, então poderia facilmente enganar minha aparência com um pó e sorrisos em excesso. A outra boa notícia é que fiquei de saco cheio desse evento de final de ano e muito facilmente encontrei uma solução para esse problema. Conversando com Kurenai e Kabuto-sensei sobre meus recém-compromissos imaginários com a doença de minha vó – não que a doença seja uma mentira, mas no momento está mais estabilizada – eles muito gentilmente, e com ótimas expressões de pena em suas faces cansadas, entenderam que eu não poderia me dedicar em tempo integral a todos os acontecimentos do evento, como decoração, lixo orgânico e irresponsáveis do primeiro ano que não sabem fazer uma colagem de primeira série.
Kabuto era um professor novo, de expressão sarcástica, de humor afiado, e recém-substituto de Asuma. Gostava dele, pois ia direto ao ponto sendo uma pessoa que não enrolava em suas decisões. Também circulava boatos de suas viagens aos confins do mundo, conhecendo religiões, realizando experimento e povos desconhecidos na Indonésia. Ou pelo menos foi a conclusão que os estudantes chegaram quando perceberam que em todas as aulas ele aparecia com a composição química de uma erva qualquer que nem minha vó conhecia.
Mas isso não me importa, pois alem de eu estar longe de ser uma puritana, ele muito gentilmente propôs uma equipe de apoio. A princípio eu fiquei meio receosa com suas escolhas, adicionar mais dois representantes por turma poderia ser complicado diante do excesso de autoridade, mas de qualquer forma não era como se eu tivesse muita opção, já que eu queria rapidamente me livrar daquilo. Houve uma lista de sugestões, citações de alunos que nunca nem ao menos ouvi falar, mas concordei gentilmente. Umas das "selecionadas" foi Hyuuga Hinata, e apesar dela não é exatamente o melhor exemplo de liderança, sua gentileza chamava atenção e seus conhecimentos artísticos, devido a família, poderiam ser muito úteis, sem dizer seu poder aquisitivo.
- Apesar de não ser o melhor momento para Hinata, diante de todos os problemas que ela tem enfrentado com a situação da família...
- Seria bom mantê-la ocupada. Qualquer coisa, estaremos aqui, só precisamos que você continue orientando a todos e tudo dará certo – Kabuto concluiu por Kurenai.
Eu não sabia exatamente quais eram os problemas da Hyuuga, mas de qualquer forma ela estava ajudando a se livrar de um problema meu. E assim, Hyuuga Hinata tinha se tornado umas das minhas salvadoras. E o melhor de tudo, julgando pela sua personalidade educada e calada, ela seria muito fácil de lidar e poderia orientá-la sem ter que ouvir respostas preguiçosas.
- Seria ótimo, gosto da personalidade da Hinata-san... Ela é calma e responsável – comentei eles sorriram para mim. Depois de uma rápida conversa sobre alguns detalhes pendentes, me despedi e segui até minha sala para pegar as minhas coisas.
No caminho esbarrei com Sai, mas alem de um sorriso forjado nada foi trocado entre nós, ele simplesmente seguiu o seu caminho como se eu não passasse de mais uma estudante qualquer naquele longo corredor. Suspirei. Não tinha tempo para entender o comportamento de Sai, por mais que minhas suspeitas sobre ele não tivessem sido totalmente eliminadas, agora eu já estava atrasada e já conseguia ver até a cara inexpressível de Gaara reclamando disso...
Senti-me levemente ansiosa. De uma maneira ridícula, confesso. Decidi que não pensaria sobre aquilo... Sobre meu estado de humor. O trataria como tratava como antes, sem mais, nem menos. Sem essas estúpidas vontades...
Gaara, Terraço do colégio Kitagawa as 12h21min
Apaguei o cigarro no chão de concreto, pois sabia que a primeira coisa que ela me diria seria sobre o cheiro que não poderia impregnar em seus cabelos. Eu estava tão acostumada com o cheiro de cigarro que para mim a Haruno era uma mistura de erva doce e tabaco, por mais que a erva fosse mais forte e indiscutivelmente mais agradável.
Na realidade, eu já tinha esquecido como era, no entanto ainda tinha definições bem claras. Sabia que era bom. Mas meu pensamento se resumia a isso... E sinceramente não sei por que estou tendo esses pensamentos inúteis.
Escutei os passos da Haruno na escadaria, mas não me virei para acompanhá-la com o olhar. Continuei apoiado sobre o gradeado de metal sentindo meu pescoço gelar e meus cabelos ainda úmidos devido a uma neve bem rala.
- Está vendo o quê? – Sakura chegou ao meu lado também se apoiando nas grades, o primeiro detalhe que notei é que ela estava usando luvas escuras e que sua voz estava meio rouca, como se tivesse se recuperando de um resfriado. Virei um pouco o rosto e pude ver seu nariz pequeno e arrebitado levemente vermelho, me lembrando uma criança – Não vai me responde Sabaku no Gaara? – senti um leve tom de diversão em sua voz, mas no seu rosto estava uma tentativa de sorriso com covinhas. Não era verdadeiro.
- Já tomou remédio? – perguntei ignorando sua pergunta anterior totalmente sem importância. Ela voltou-se para mim, seus olhos verdes bem abertos.
- Sim... – ela deu uma pausa – Tomei pela manhã. – respondeu e levou uma de suas mãos até o rosto a aquecendo pelo hálito. De vez em quando eu a achava realmente irresponsável e teimosa.
- Vamos sair desse frio. – respondi neutro e segui meus passos até a saída do terraço. Vi que a Haruno não me acompanhava e me virei para encará-la. Estava alguns passos de distância, com seus cabelos rosas também úmidos, apenas um casaco e uma meia calça pesado por debaixo da saia do colégio. Era óbvio que ela estava se cogelando ali, mas não há qualquer dúvida que irá fazer um longo discurso declarando que estava bem. Apenas para me irritar.
- Esqueci o seu cachecol, me desculpa. – ao contrário do esperado ela não disse nada alem daquilo, sua voz estava até gentil e sem jeito como se tivesse cometido um grande erro. Não estou entendo a Haruno, só para variar.
- Tudo bem, queria conversar com você também. – respondi neutro e voltei a andar em direção a saída do terraço. Não estava nem me lembrando desse cachecol... Mas enfim.
Momento depois estava sentado na escadaria, nos últimos degraus da segunda levada de escadas, de maneira que não podíamos ser escutados, nem vistos. Quando a vi ajeitando a saia e sentando ao meu lado me dei conta de que era um espaço discreto, mas em contrapartida era ridiculamente pequeno, de maneira que mal conseguia me mover sem tocá-la.
E não sei por que, mas ficamos um longo momento em silêncio. Ela com as mãos agasalhadas pelas luvas e sendo aquecidas pela boca, os joelhos fechados e finos protegidos pela calça negra, enquanto os pés com sapatilhas se moviam em uma tentativa de manter o corpo ainda mais quente. Eu pelo contrário não conseguia sentir frio, mesmo usando apenas a blusa social e fechada do colégio, tênis e calça jeans pesada... Ainda consigo sentir nessa distância o cheiro quente de erva doce e, por mais surreal e possível que possa ser, a presença da Haruno, com sua respiração notoriamente pesada pelo silêncio, era toda quente.
- Sabaku. – escutei a voz dela e me dei conta que ela já tinha tirado as mãos da boca há algum tempo. – O que queria falar comigo?
- Claro... Sobre a Ino. – ela voltou-se repentinamente para frente aquecendo as mãos novamente com a boca. Nas palavras da minha irmã, Sakura, obviamente, não gostava da Yamanaka. – Ela me fez uma proposta... – ela soltou um murmurinho como se estivesse atenta, mas desinteressada. – Por algum motivo ela disse que aceitaria brincar comigo.
- Como assim?
- Em algum momento da conversa, ela percebeu que não estava apaixonado por ela, e o meu interesse por ela se converteu em interesse por você... – aquilo soou estranho em minha voz, e até eu senti isso.
Sakura, escadarias do Colégio Kitagawa as 12h29min
Contive o incômodo que aquelas palavras me provocavam. Era óbvio que eu não gostava da intimidade que Ino e Gaara estavam adquirindo com o tempo, mas era ainda mais óbvio que a culpada de tudo aquilo era eu e por isso, em uma tentativa de não deixar clara minha frustração, levei minhas mãos até a boca as aquecendo, por mais que elas já estivessem quentes o suficiente.
- Como assim?
Perguntei por fim.
- Em algum momento da conversa, ela percebeu que não estava apaixonado por ela, e o meu interesse por ela se converteu em interesse por você...
Senti uma palpitação falhar. E agradeci aos céus por estar tão frio que eu pudesse usar o clima para justificar o vermelho de minha face... Por mais que as palavras do sociopata funcional fosse uma mentira.
- E ela disse que me ajudaria a "incomodar" você...
Senti uma patética e repentina raiva se apossar de mim.
- Ela estava te ajudando a fazer ciúmes em mim? – Ino Yamanaka estava tentando brincar com minha cara e ela estava conseguindo isso tão bem que... – Aquela intimidade toda com você ontem era por causa disso?
Ele não me fitou, continuava olhando para frente, os dedos entrelaçado diante das pernas abertas, enquanto apoiava os braços nas mesmas. Parecia totalmente desinteressado naquela conversa.
- Quando ela tocou seu cabelo era para me provocar? – insisti e dessa vez ele se virou para mim. Com a raiva repentina meu corpo estava todo curvado para Gaara e meus joelhos acabaram tocando suas pernas, estava também com o rosto inclinado, de maneira que, quando ele se voltou em minha direção, estávamos em uma distância de centímetros onde podia sentir a respiração e o hálito de Gaara tocar em minha face...
Gaara, escadárias do colégio Kitagawa as 12h33min
Fiquei levemente surpreso quando Sakura fez aquela pergunta. Acreditava que ela estava totalmente alheia as tentativas de Ino em sua brincadeira, mas parecia que a Yamanaka tinha conseguido muito mais do que sua intenção... Aquilo me provocou certa curiosidade e quis imensamente saber o que a Haruno estava pensando, mas eu não disse e nem conclui nada, pois quando me voltei em sua direção pude ver o rosto da Haruno tão próximo do meu que era possível contar os pontinhos verdes, castanhos e azuis de suas íris.
Não que isso importe, e qualquer pensamento fora daquele pequeno espaço entre nos dois não tinha qualquer importância... (...) Me sentia ainda mais quente, e não podia me dá conta de mais nada senão na temperatura, nos lábios e nas (...) a boca estava ressecada pelo frio, mas ainda mais vermelhas por causa disso, a pele, no entanto, continuava em seu tom trigal(...) Queria tocá-la e...
Sakura virou-se repentinamente para frente, a vi puxar o ar com mais força antes de levar, novamente, suas mãos protegidas pela luva.
- Por que... – ela demorou um pouco para formular a frase – Bom... – seu corpo relaxou repentinamente e percebi que ela tinha voltado ao normal. Assim como tudo a nossa volta. – Por que ela tentaria fazer ciúmes em mim?
- Não sei... Não acredito que fosse para me atingir ou para se manter próxima de mim. Ela nunca teve muita iniciativa nesse sentido. – comentei neutro.
- Entendo... – ela deu uma longa pausa – Gaara. – senti certa empolgação em sua voz, de maneira que ela nem a menos tinha se dado conta que havia me chamado pelo primeiro nome. – Toda vez que ela aparece com você eu estou com o Sai, certo?
Era verdade. Lembrei-me no dia em Donatello quando ela surgiu sem ser convidada a minha frente e logo depois me abraçou na calçada...
- O abraço. – eu disse em voz alta sem me dá conta. – Sai estava vendo.
- Sim... Possivelmente, certo? Eu me lembro da maneira como Sai sempre observava a situação... – ela deu uma pausa, parecendo pensar por um momento enquanto apoiava o rosto no dorso da mão. Sua expressão estava suave e eu podia ver claramente a empolgação dela, mesmo que não estivesse fazendo nada para indicar isso. – Não tem sentido... Sai, pelo que suspeito, gosta da Ino. Acho até que era dela de quem falava falava... – silenciou-se novamente perdida em pensamento. E eu estou aqui, sem entender nada. – Gaara. – ela voltou-se bruscamente para mim, segurava o meu braço apoiado sobre a perna. Seus olhos de tons verdes misturados fixos e bem abertos. – E se ela estiver fugindo dele, por causa do Kiba, do Asuma de tudo isso...
- E por que ela tentaria fazer ciúmes dele?
- Porque... – ela pareceu desanimar novamente – Não tem qualquer sentido. Se Ino quer provocar Sai e Sai gosta da Ino... Por que exatamente eles não estariam juntos?
- Não sei. Por que exatamente uma pessoa sai por ai matando homens e colocando flores sobre sua cabeça...?
Sakura havia se virado em minha direção aparentemente perplexa. A expressão, no entanto, não se sustentou por muito tempo e logo depois ela tinha um sorriso divertido e sem covinhas enquanto me olhava.
- Isso foi uma piada, Sabaku?
Vi o seu sorriso formar gradualmente uma linha escondendo os dentes. Não sei quanto tempo eu fiquei a fitando, mas foi tempo suficiente para ver uma mecha de seu cabelo cair sobre seu rosto, e minha mão intuitivamente colocá-la atrás de sua orelha.
Ao certo eu não saberia dizer por que, só tinha o feito. Talvez fosse apenas a vontade de tocá-la, me aproximar, mesmo sem entender em um impulso qualquer... Era algo banal, mas podia sentir os nódulos dos meus dedos em atrito com a sua pele... Que estava queimada em vermelho. Podia ver também seus olhos ficarem cabisbaixo e sua boca vermelha pelo frio ficar entrecortada, úmida e...
(...)
Sakura, escadaria do colégio Kitagawa as 12h36min
Sua mão ainda estava no alto do meu pescoço quando escutei murmurinhos de conversas vindo da escada. Meu corpo paralisou e provavelmente minhas pupilas ficaram dilatadas. Gaara que estava em direção contrária a direita da escada virou-se para trás e logo depois retornou. Sussurrou entre os lábios de maneira quase muda o nome de Ino e logo depois de Sai.
- Isso é ridículo Ino, o que Kiba tem a ver com tudo isso?
Era a voz de Sai e por algum motivo eu suspendi a respiração como se qualquer rastro de barulho fosse impedir de escutá-los. Gaara deixou a mão deslizar até me colo, atento ao que diziam, sem perceber onde seus dedos foram parar.
- Não fale do Kiba.
Desta vez era Ino. Sua voz exasperada, mas baixa, e elevada o suficiente para que eu e Gaara, imóveis naquela escadaria, pudéssemos escutá-los. Demorei um segundo para perceber que eles estavam no final da escadaria, de maneira que não poderiam nos ver se não fossem realmente atentos. Meu corpo ficou ainda mais rígido ao me dá conta.
- Não fale do Kiba? Estávamos nessa muito antes...
- Não fale do Kiba! – dessa vez sua voz saiu alta o suficiente para qualquer pessoa escutar, mas no tinha ninguém naquela área do colégio para ouvir qualquer coisa. – Ele... Ele... Deus! Você não vê que é perigoso? Isso é ridículo.
- Ridículo é você, que me persegue e não admite, que quer e não faz nada.
- Sai...
- Eu te tirei de lá, você me disse que eu te salvei daquelas pessoas...
- Eu não...
Ino tentou dizer, mas foi bruscamente interrompida. Eu não podia ver ainda, mas não contive a ansiedade e a certeza de que eles estavam se beijando e inclinei-me um pouco, de maneira que pude vê-la sendo prensada na parede e, como o esperado, beijada a força pelo Sai... Quase soltei algum som pela boca em surpresa, mas me contive, provavelmente com uma expressão perplexa. Nunca imaginaria Sai fazendo isso...
No entanto Ino não pareceu muito feliz. No exato momento em que ela o empurrou, me senti sendo puxada de volta por Gaara e cai de bunda na escadaria ao seu lado. Ele me censurou com o olhar e tive vontade de esganá-lo. Ele não esperava mesmo que eu iria conter minha curiosidade, esperava?
- Teimosa. – ele disse apenas movendo os lábios sem proferir som algum e por algum motivo senti vontade de rir daquele comentário... Voltei minha atenção a Ino e Sai, mas quando o fiz Gaara voltou-se para mim e disse normalmente. – Eles já foram...
Não contive um sorriso. Tinhamos descoberto alguma coisa.
- Como pensávamos, ela está fugindo dele, por que está envolvida com algo perigoso. – comecei confiante. – Talvez ela realmente não seja a assassina... Mas se ela estiver envolvida com o assassino, se estiver o ajudando e pedindo ajuda de Sai também...
- Tem sentido... – sorri ainda mais quando ele concordou com minha teoria. Era tão bom ver o Sabaku sem argumento. Tinha quase vontade de beijá-lo... Ok. Beijá-lo não, mas... – No entant, isso não explica ainda muita coisa. E também não comprova nada, talvez ela estivesse traindo Kiba na época em que ele foi morto e se sente terrivelmente culpada, e perigoso seria o relacionamento dela com Sai diante da recém morte do ex-namorado...
Definitivamente Gaara é...
Gaara, escadárias do colégio Kitagawa as 12h50min
Eu já sabia que isso iria irritá-la. Mas eu tinha que colocar na mesa todas as possibilidades do significado daquela conversa. Haviam várias pontas ainda soltas, como a citação de Sai sobre tê-la salvado de outras pessoas... Mas ainda poderia ser qualquer coisa. No entanto, Sakura parecia muito decepcionada em seu argumento ser facilmente derrubado e em uma crise de humor, onde somente ela e mais ninguém podia ter, se levantou da escadaria e voltou-se fria em minha direção.
- O que você sugere Sabaku, que nada disso está vinculado com a morte de Asuma e Kiba? Tudo gira em torno dela. É óbvio demais, por que você...
- E por que você insiste em encaixar os fatos em uma teoria incerta? – dei uma pausa, e nos fitamos fixamente por um longo momento até que ela deu as costas para mim. – Haruno – a chamei mais ela não se moveu – Você tem que considerar tudo...
- Por que estamos sempre dando volta, sem saber de nada. Não fazemos nada. Não descobrimos nada.
Deixei escapar um suspiro.
- Veja, floricultura, os corpos, as fotos, Ino, Kiba, o cara estranho que provavelmente matou Asuma... Por que nunca fomos à policia e falamos sobre isso? – ela começou freneticamente e percebi que tudo aquilo era um desabafo – Não fazemos nada alem de ficar aqui... E por que não vamos à floricultura descobrir e... E por que você é incapaz de suspeitar da Ino? É tão óbvio...
- Não é que eu não suspeite da Yamanaka, só não quero criar uma verdade baseada em tão pouco.
- Não é pouco e... – ela começou a argumentar e não contive em bagunçar os cabelos. Lembre das palavras de Temari, da Ino, do Sai, até das sugestões estranhas de Rock Lee.
- O que tanto te incomoda na Ino? É por que estou, em teoria, saindo com ela?
Tudo bem. Eu confesso que estou um pouco estressado e não estou conseguindo pensar direito. Mas a reação da Sakura foi ainda mais intrigante do que meu impulso mal pensado, seus olhos arregalaram e sua boca abriu duas ou três vezes para argumentar, mas nada saiu alem de um...
- Esquece.
E deu as costas decidida em ir embora.
- Haruno... – a chamei, mas ela não fez nada. Antes que pudesse descer um terceiro degrau a puxei pela mão. Não queria que ela fosse embora, não dessa maneira. – Esquece, não estava perguntando a sério. – ela não disse nada a princípio, e ficamos assim ainda uns três segundos, eu segurando sua mão e ela paralisada, em pé em alguns degraus abaixo.
- Só acho estranho que você não consiga ver...
- Ver o que?
- Não sei... – não estava entendendo nada e ela não ajudou quando sua voz morreu repentinamente. Me levantei e a puxei gentilmente com a mão. Ela estava séria e não me fitava. Obviamente incomodada com alguma coisa.
- Haruno...
Meu chamado não tinha qualquer importância quando escutamos passos acelerados vindo em direção ao corredor. Segundos depois vimos uma Tenten afoita acompanhada de Rock Lee que, diante da velocidade, não perceberam que estávamos ali encima.
Não sei que pensamento ocorreu, mas quando dei por mim, já estava puxando a Haruno e seguindo os dois. As expressões em suas faces, um misto de preocupação e assombro era motivo suficiente para arrastar a Haruno fazendo-a me seguir sem fazer perguntar. Aposto que ela estava tão ansiosa e preocupada quanto eu.
- Isso é estranho. – disse enquanto descíamos do segundo para o primeiro andar. Sentia minha respiração levemente afoita.
- Tenten! – Sakura chamou, mas a garota de coques já estava longe demais para escutá-la.
Quando percebi já encontrávamos no lado de fora do pátio, alguns alunos nos olhavam atônicos e curiosos, mas isso foi apena um lampejo em nossas vistas, pois não importava os motivos, sabíamos que algo mais importante estava acontecendo.
E então vimos. Descendo a rua em direção ao metrô, bem a frente de Donatello, enxergamos uma ambulância e dois carros da polícia. Saindo do bar café deslizava uma maca com um corpo envolvido por um tecido branco. Eu não sabia como, mas eu tinha certeza: era Iruka. E assim veios as palavras confusas da carta e a descrição de Lantana.
Iruka tinha sido assassinado. Ali mesmo...
Vi meu pai na entrada do café, com suas mãos enfiadas nos bolsos e com uma expressão preocupada. Seu olhar rapidamente caiu sobre mim e depois se voltou para o corpo que seguia até ambulância.
- Iruka-san...
A voz de Sakura soou e foi então que eu me dei conta. Estávamos ainda de mãos dadas, ela segurando a minha fortemente e seus olhos vibrados no que víamos. Me senti ainda pior quando a vi naquele estado... Queria tirá-la de lá.
- Eu te levo em casa Sakura...
Eu disse, mas a Haruno não respondeu. Ela então, sem tirar seus olhos do Donatello deslizou seus dedos até meu braço direito e o segurou com suas duas mãos, agarrando-se em mim. Ficamos em silêncio e imóveis até que a ambulância foi embora.
N/A: O formato desse capítulo foi uma experiência já que alternei tantas vezes as narrativas de Gaara e Sakura, e foi engraçado pois foi um dos mais divertidos e diferentes, já que eu nunca tentei escrever atração física em primeira pessoa de uma maneira que parecesse natural e não uma descrição bizarra haha' Bom, eu realmente não sei escrever cenas de romance... Ai eu pensei, pensei e pensei, como diabos Gaara narraria atração por alguém, e bom minha conclusão foi que ele não perceberia e estaria mais voltado para o outro do que para ele mesmo.
Mudando de assunto: o Iruka morreu, era para ele ter morrido há dois capítulos atrás, mas aproveitei o espaço para desenvolver Ino e Sai, e agora a suspeita definitiva do relacionamento dos dois como namorados ou ex ou amantes ou parceiros de assassinatos em série – não sei hauha'
Ah, aproveitando esse espaço de uma maneira não muito correta, venho aqui fazer propaganda de outra fic minha. Dessa vez não é U.A, mas é Gaara e Sakura, para o nosso deleite; o casal principal é Shikamaru e Temari e adivinhem só tem também Kankurou e Ino haha' Se tiverem tempo, curiosidade ou simplesmente pena dessa escritora charlatã de fanfics, deem uma olhadinha no meu perfil, se chama Nuvens de Suna e ela também é atualizada quinzenalmente.
O próximo capítulo será leve mais voltado para o cotidianos, pois até o grande próximo acontecimento irá demorar uma semana. E bom, como a Bianca já observou uma vez, Sakura aparecerá fumando depois de tanto tempo sem seus marlboro favoritos haha' Ou seja será um capítulo meio que inútil XD
Estou com a ideia de colocar algum capítulo extra entre os capítulos com as perspectiva de alguns personagens e minha tentativa será Tenten e Rock Lee. Não prometo nada, mas espero que vocês gostem.
Responderei todos os comentários no próximo capítulo, pois meu chefe lindinho voltou e não me dá sossego e acho que vocês estão mais interessadas na história do que nas minhas respostas gigantes haha' Mas agradeço imensamente pelo carinho e desejo beijos de cupuaçu a todas ( O sorvete é muito bom .Experimentem é meio doce meio azedo :D)
Oul K.Z
