12. Não é mais seguro.
O cavalo Árabe puro sangue branco de nome Sandrock corria em velocidade constante, levando seu dono, Quatre por um passeio ao redor do reino de Sank. Já havia conhecido vários lugares e agora estava perto de uma floresta e parou bruscamente ao ouvir o som de água. Sorriu ao pensar que estava perto de uma cachoeira.
- Que tal se refrescar um pouco garoto? – Falou com seu cavalo e amigo, passando a mão nele. Depois puxou a rédea para a direita e seguiu o seu caminho.
O loiro entrou na floresta e o som da cachoeira tornou-se mais forte, andou pouco e pode ver pedaços dela por entre as plantas. Mas, quando já estava prestes a atravessar as arvores se deteve. Seus olhos se arregalarão e ele virou o rosto bruscamente, depois pensou um pouco e não resistindo voltou a olhar, então deu total atenção a cena que via.
Hadja estava sozinha, apenas com suas roupas de baixo que era composta por um espartilho e um short curto de renda, sentada em uma rocha dentro da cachoeira toda molhada, brincando com a água. O loiro sentiu que não deveria ficar ali assistindo a moça quase nua, porém não sentia a menor vontade de desviar o olhar novamente.
Sentia-se hipnotizado pela beleza da moça, sua pela lisa e clara, seu corpo bem torneado, seu olhar marcante, seu cabelo sedoso, seus lábios bem desenhados. Tudo nela era atrativo a ele. Esperou em silencio para não alarmá-la. Hadja mergulhou e nadou até a margem da cachoeira, quando ela começou a sair da água ele viu uma cobra se aproximar da moça.
Quatre desceu do cavalo e foi de encontro ao animal, antes que ele alcançasse à morena, o cavalheiro cortou-lhe a cabeça fora. O barulho alarmou a moça que se virou rapidamente para ver o que era. Quando Hadja se encontrou com o olhar de Quatre, gritou, e levou tal susto que acabou por perder o equilíbrio caindo de costas. Ao notar que a moça ia cair, Quatre rapidamente correu até ela com a intenção de segura-la. Mas, infelizmente ele não conseguiu e como ela se segurou nele, cairão os dois dentro da água. Quatre se levantou encharcado e Hadja não se importou muito pois já estar molhada, mas quando viu o loiro que estava totalmente vestido, agora ensopado, não conseguiu segurar e começou a rir.
- Fico... – A encarou inconformado. – Muito feliz... De alegrar vosso dia milady... – Falou saindo da cachoeira e dando de cara com seu cavalo que estava parado a sua frente, sentido que até o animal ria dele.
- Ah... – controlou-se. – Desculpe-me milorde... Mas não deveria ficar me espionando...
- E quem disse... – Virou para ela a fim de retrucar, mas calou-se ao lembrar que era exatamente isso que estava fazendo. – Mas... – Gaguejou. – Vim salva-la de uma cobra...
- Ah sim? – Sorriu divertida ao ver o quanto ele ficou sem graça. – E onde está a cobra.
- Não acredita em mim? – Ele falou altivo e apontou para o lado, mostrando o animal morto. – Ali está milady... – Hadja seguiu a direção indicada e seu sorriso se desfez, mas logo o recuperou.
- Ora... Obrigada... – Falou divertida. Depois estendeu a mão para ele. – Como o cavaleiro já pode me admirar a vontade. – Falou vendo que Quatre a estava analisando novamente e seu comentário o pegou de sobressalto. – Poderia fazer o favor de me ajudar a sair da água? – Perguntou altiva.
Ele suspirou rendido ao jeito dela e sorrindo se aproximou, segurou na mão da moça e puxando-a para mais perto a pegou no colo para tirá-la de dentro da água. A atitude dele fez com que Hadja enrubescesse, o olhou incrédula, mas o olhar fixo nela a fez sentir-se bem apesar de sem graça, fazendo-a esconder um sorriso que começou a se formar em seu rosto. O cavaleiro notando o efeito que causou nela sentiu-se satisfeito e a levou para longe da margem, colocou-a no chão e pegou o xale dela para envolvê-la.
- Obrigada... – Disse em tom de voz baixo e suave.
- Não há de que, milady...
Depois deu alguns passos para trás e dando as costas pra moça, começou a despir-se da parte de cima de sua roupa. Hadja arregalou os olhos e surpresa com a cena, indagou confusa, sobre o motivo daquilo. Ele sem olhá-la afirmou que precisava, senão poderia ficar doente e ele não tinha permissão para isso. Então se calou e aproveitou o espetáculo que lhe foi dado. Quatre tirou sua blusa, deixando a mostra seu belo corpo, muito bem desenhado e trabalhado, notava-se o quanto ele era dedicado a cuidar e de si, através dos músculos bem torneados do rapaz.
Hadja estava tão compenetrada em sua vez de analisá-lo que nem notou que ele já havia se virado para ela e agora a encarava, divertindo-se em ser assediado pelo olhar daquela moça linda a sua frente. Hadja lhe interessava e era bom saber que o sentimento era recíproco.
- Então... Milady... – Falou tirando-a de seu transe e vendo-a enrubescer. – O que fazia aqui sozinha?
- Eu... Eu... – Tentou controlar a vergonha que sentiu ao ser descoberta. – Eu sempre venho aqui, gosto de nadar sozinha...
- Não acha que é um lugar afastado demais, para estar só? – Sua feição mudou para séria, preocupando-se com ela. – Poderia se aparecer pessoas mal-intencionadas...
- De que está falando? Sank sempre foi um reino seguro para se viver... – Falava enquanto via o loiro acariciar seu cavalo e puxá-lo para perto da margem. – Nunca senti necessidade de cuidar de meus passos ou necessitar de uma escolta... – Ele a encarou, enquanto Sandrock bebia água. – Além do mais, sei muito bem me proteger.
- Que conversa mais animadora a do casalzinho...
Falou um homem de feições fortes, pele escura e olhar maldoso, se aproximando deles seguido por um grupo de quatro homens de aparência semelhante às dele. Os cinco estavam armados e tinham sorrisos maliciosos em suas faces. Hadja sentiu o coração acelerar e deu alguns passos atrás, ficou apreensiva, mas seu primeiro instinto foi procurar por algo que servisse de arma para se defender.
Já Quatre, olhou para os homens com calma e tranqüilidade. Em nenhum momento sentiu-se intimidade ou acuado, com olhos rápidos passou por cada um dos homens analisando o que usavam como armas e como estavam posicionados, tentando identificar o tipo de combate ao qual eram acostumados. Olhou para o lado, sem virar o rosto, e viu suas cimitarras guardadas em um suporte preso a sela do cavalo que também estava atento ao ocorrido. Animais sentem o perigo e os cavalos da equipe Gundam sempre estavam preparados para o combate.
Hadja sentiu o agarre do Quatre em seu braço a puxando para perto e logo ele se posicionou a frente da moça. Que apesar de ter seu espírito aventureiro, se intimidou com a ordem silenciosa que aquele gesto mostrou para ela. Quatre que sempre parecia tão gentil mostrou-se frio e autoritário.
- O que vocês querem?
- Nós? – Perguntou o líder. – Queremos tudo o que vocês têm...
- E se não quisermos dar?
- Então, teremos que pegar a força... – Falou o homem divertido.
- Isso... Eu quero ver.
O homem atacou o cavaleiro, que sacou suas espadas em uma velocidade incrível e com a cimitarra esquerda interceptou o golpe do homem, afastando-o com um chute na barriga.
- Gostaria de informar que eu não quero machucá-los... Ainda possuem a chance de partirem ilesos. – As palavras do cavaleiro surpreenderam a todos.
- Você ficou maluco? Eles estão em maioria... – Hadja olhou- o incrédula. – Acha mesmo que irão embora?
- Senhorita... – A olhou de rabo de olho. – Gostaria que não interferisse no momento.
- Sim senhor... – Respondeu em tom sarcástico.
- Bom... O casal já terminou de discutir? – Perguntou o homem se levantando do chão, com a mão sobre a barriga, recuperando-se do golpe recebido. – Nós não vamos a lugar algum... Senhor... E quero todo o dinheiro que tem, agora.
- Péssima decisão...
Quatre falou o nome de Sandrock e deu alguns passos em direção ao homem, obedientemente o cavalo se posicionou a frente da moça, protegendo-a. O homem admirou a coragem do cavaleiro, mas o subestimou. Como ainda estava se recuperando, deu sinal para seus capangas avançarem. Os quatro cercaram a Quatre, que continuava com o mesmo jeito tranqüilo, atento a qual seria o próximo passo deles. Covardemente os quatro o atacaram ao mesmo tempo, mas para o azar dos ladrões, o loiro era um exímio espadachim, desviou dos golpes com maestria e cortou a todos eles sem ser atingido. Os quatro caíram ao chão, mortos.
Hadja ficou boquiaberta com a agilidade dos golpes certeiros e fatais. Quatre acertou apenas em pontos vitais, tornando as mortes rápidas e limpas. Agora o cavaleiro encarava o líder do grupo, que tinha a feição espantada com a velocidade e facilidade com a qual o homem a sua frente matou seus comparsas.
- Se tivesse me escutado àquela hora, agora poderiam estar vivos... Mas, agora não poderei poupar nem a sua vida.
- Nem desejo que o faça... – Falou estreitando o cenho. – Eles eram inúteis e eu vou me vingar...
- Como queira...
Quatre baixou suas cimitarras cruzando-as a sua frente, mantendo os olhos fixos no homem a sua frente, que por sua vez, se colocava em posição de ataque. Hadja vestiu seu vestido sem tirar os olhos dos dois. Estava interessada em saber o desenrolar da luta, já que Quatre se mostrou um incrível espadachim e o bandido não tinha intenção de correr. Ela sempre viu seu pai lutar e achava que ele era o melhor, até então.
O homem se lançou sobre o loiro que facilmente se esquivou e manteve o olhar no bandido, que estava inconformado por ter errado o golpe. Tomando mais fôlego e mais velocidade, lançou-se novamente sobre o cavaleiro que acabou com a luta enfiando a cimitarra direita em seu estomago. O sangue escorreu e Quatre puxou para tirar a espada, fazendo com que o ladrão caísse inerte.
- Então, milady... O que dizia mesmo sobre segurança?
Hadja fez cara de desgosto e Quatre riu. Depois ele limpou as espadas na roupa do bandido e as guardou. Pegou suas roupas e colocou a morena sobre o cavalo subindo em seguida, tocando-o rumo a casa dela.
- Como chegou até aqui? – Perguntou enquanto cavalgavam.
- Vim andando, minha casa e logo à frente... – A proximidade e o fato dele estar sem camisa a deixava nervosa.
- Entendo...
O restante do caminho foi feito em silencio, e assim como ela disse, não demoraram nada a chegar à casa da moça. Provavelmente teriam levado mais tempo se fossem a pé.
- Mandarei alguns de meus homens buscarem os corpos...
- Isso não seria o serviço do rei? – Perguntou estranhando as palavras dela.
- O senhor já fez muito em me salvar... Deixe que meus homens cuidem de tudo agora...
- E notei que não se assustou com a luta, milady... – Falou em tom de pergunta.
- Meu pai é comerciante, cavaleiro... Acredite... Não vi nada de novo... – Pensou e depois continuou. – Com exceção de alguns detalhes...
- Quais?
Hadja sorriu e deu as costas a Quatre que ficou olhando a moça entrar com uma enorme interrogação na cabeça, queria saber o que ela quis dizer com sua última frase, mas tinha coisas a serem feitas como informar a Heero do quase assalto, trocar de roupa e terminar de inspecionar o reino. Meneou a cabeça, sorriu uma última vez ao lembrar-se da moça e seguiu seu caminho com rapidez de volta ao castelo.
-/-/-
Heero estava em seu escritório e já havia lido quase tudo do último semestre e nem ao menos viu que já havia passado do horário de almoço há muito tempo. Ele foi despertado de sua concentração ao ouvir baterem na porta e sem perguntar nada, permitiu que entrassem. A porta se abriu e entrou uma serva carregando uma bandeja com o almoço dele.
- Com sua licença majestade... – A jovem colocou a bandeja na mesa sob o olhar estranhado do rei.
- Onde está a princesa? – Perguntou em mono tom.
- Disse que ia para o pomar... – A moça parou e respondeu. – Posso te ser útil em algo mais majestade?
- Não... Pode ir...
Ele voltou a olhar os papéis e a serva saiu. Quando a porta se fechou, o rei baixou os documentos e encarou a comida, pensativo. Incomodou-se com o fato de não haver sido a princesa que levou a bandeja e não gostava daquela sensação. Deu um gole no suco e o devolveu para a bandeja. Sem pensar mais levantou da poltrona e deixando aqueles documentos em cima da mesa saiu. Abriu a porta e o guarda se voltou para ele à espera de alguma ordem.
- Vá descansar... Eu vou tomar ar e logo voltarei...
- Sim majestade... Obrigado.
O guarda saiu e Heero trancou a porta, pois havia documentos muito importantes espalhados sobre a mesa que não deveriam ser vistos por ninguém. Saiu em direção do jardim que dava acesso ao pomar. Não sabia bem o motivo de estar fazendo aquilo tudo, mas sentia que precisava e talvez descobrisse o verdadeiro motivo quando se encontrasse com ela.
Relena estava sentada em um tronco tombado e escorada em uma árvore que ficava encostada ao tronco lendo Utopia de Thomas Morus, sentindo o sol bater em seus pés e regozijando-se com o vento que às vezes batia em seu rosto. Sentia-se tranqüila toda vez que lia as idealizações descritas no livro. Estava ali há tanto tempo que se esqueceu do mundo, nem ao menos a fome conseguiu desperta-la de seu mundo mágico e acolhedor.
Ouviu o som dos pássaros e resolveu parar sua leitura por um pouco de tempo, a fim de apreciar a beleza da natureza. Respirou o ar puro e sentiu-se tranqüila por finalmente conseguir espantar de sua mente tudo o que a afligia, mesmo que soubesse que seria por pouco tempo, queria aproveitar ao máximo sua tão estimada paz mental.
Um barulho a puxou a realidade e Relena se endireito rapidamente no tronco a fim de procurar de onde veio o som, mas sua procura foi quase inexistente, pois bastou olhar para o lado e se encontrar com o olhar gélido do herdeiro ao trono, soube então de onde veio o barulho. Demorou alguns segundos, para entender que ele não era uma simples miragem ou brincadeira de sua mente. A princesa ligeiramente se pôs de pé e com uma reverencia, cumprimentou o rei que a encarava insistentemente.
- Majestade... – Ela vacilou, mas logo se recompôs. – Precisa de algo?
- Porque não foi levar meu almoço? – Deu mais alguns passos em direção a ela.
- Desculpe majestade... Creio ter perdido a noção da hora... Prepararei algo imediatamente.
- Não há necessidade... – As palavras dele a fizeram parar, quando já ia dar os primeiro passos a caminho do castelo.
- Não? – questionou confusa. E Heero meneou a cabeça em negação.
- Uma das servas me levou o almoço há pouco.
Relena então voltou e ficando a mais ou menos um metro de distância do rei, o encarou, tentando encontrar alguma informação debaixo daquele olhar frio. Se ele já recebeu o almoço, qual era o motivo de procurá-la? Era q pergunta que a inquietava. Queria uma resposta, precisava de uma, mas não tinha certeza, se havia nela a coragem necessária para recebê-la.
- Então... Em que mais posso lhe ser útil?
- Ainda não me respondeu a pergunta... – Ela estava ficando cada vez mais confusa.
- Como assim, majestade?
- Pensei haver sido bem claro em minha pergunta, princesa... – Ele deu mais um passo em direção a ela. – Porque não foi levar o meu almoço?
- Entendi a pergunta majestade... – Ela pensou. – Mas, não compreendi o que deseja que lhe responda... Acaso não foi entregue seu almoço? – Ele assentiu. – Então não compreendo...
- Serei mais claro então! – Suspirou. – Porque uma serva foi levar meu almoço em seu lugar? Princesa...
- Ah... – Então finalmente ela entendeu e pensou no que poderia dizer. – Acaso houve algum problema? – Ficou preocupada. – Perdoe-me majestade, como já disse, creio ter perdido a noção da hora...
- Não aceito que ninguém me sirva, além de você... Princesa.
As palavras de Heero foram firmes e a surpreenderam. Ele deu as costas para ela a fim de voltar a seus afazeres, porém Relena sentiu-se mal com as últimas palavras dele, então, esquecendo-se de que deveria obediência ao rei, inflamou-se de ousadia e questionou.
- O que sou para o senhor, milorde? – Heero parou seu andar. – Que direitos possui sobre mim, para que me trate como sua serva pessoal? – Ele se voltou a ela.
- Eu... – Ele a agarrou pelo braço e a puxou para bem perto. Respirou fundo e continuou seu tom de voz baixo, mas agressivo. – Te avisei que era para estar sempre ao meu alcance e no meu raio de visão.
- E por quê? – Ela não se deixou intimidar. – Não é nada meu...
- No mínimo, sou seu rei e te ordeno respeito... – Relena riu.
- Castigue-me se queres... Mas, não é meu pai, irmão ou marido para exigir-me algo.
- Não ouse me desafiar princesa... – Ele riu de volta. – Creio que você recebeu a missão de me servir...
Provocou-a analisando-a abusivamente, de novo. Relena conseguiu soltar seu braço do agarre, mas Heero a envolveu pela cintura aproximando-os mais. Ela sentiu o coração disparar e o corpo estremecer sob o efeito inebriante que ele causava nela.
- Solte-me... – A voz dela tornou-se fraca.
- Excelente momento para relembrar o fato de que não sou seu marido, princesa... – Ela então sentiu o medo se apossar dela novamente. – Tem algo que queria me contar?
- Não... – Tentava empurrá-lo, mas suas forças eram inúteis contra ele. – Não tenho nada a dizer... Por que não me deixa em paz? – Ele se aproximou bem perto dela.
- Porque não quero...
As palavras dele a deixou surpresa. Heero terminou de encurtar a distância selando-a com um beijo. No começo foi apenas a junção dos lábios e ela conseguiu se afastar. Empurrou Heero com todas as forças que juntou e deu-lhe um tapa no rosto. A agressão doeu mais nela que propriamente nele, mas serviu para despertar nele um desejo novo. O rei a puxou novamente e a beijou.
Ela tentou se desvencilhar, mas dessa vez desistiu rápido, os lábios dele eram quentes, acolhedores e saborosos. A princesa sentiu como se o fogo fosse consumi-la. Desejou por mais e se deixou levar. O herdeiro, notando não haver mais resistência por parte da moça, a puxou para mais perto e fez com que ela entrelaçasse o pescoço dele com os braços.
O moreno envolveu-a pela cintura, alisando as costas dela com as mãos. O beijo começou a evoluir e ele experimentava o doce sabor daqueles lábios quentes. Ela abriu um pouco a boca dando maior liberdade a ele, que aprofundou mais o beijo, explorando a boca dela com sua língua e fazendo quem que a ânsia por mais que um beijo fosse despertado. Heero começou a beijá-la com mais ansiedade e apertava-a mais contra seu corpo. Suas mãos já conheciam toda a extensão das costas dela e desejavam conhecer o toque de sua pele.
A princesa brincava com o cabelo do rei e ele procurava a pele dela sob seus sedosos fios de cabelo, quando encontrou, sentiu vontade de abrir o vestido dela e quando tocou no cordão, puxando-o para abrir, Relena recobrou a consciência e se afastou dele, que a encarou contrariado. Ela então se deu conta do que havia se passado e lançou uma ultima olhada ao cunhado antes de sair correndo. As lágrimas se apossaram da moça, que sentia um enorme peso na consciência, não apenas por haver beijado o irmão de seu marido, como principalmente por ter gostado e desejado ir até o fim.
Heero ficou estático em seu lugar, não se moveu para impedi-la de sair correndo. Sabia que havia cometido um erro, mas não conseguia se arrepender ou se culpar. Ao contrário, desejava continuar de onde parou, pouco se importou com o fato dela ser sua cunhada. A desejava e isso ficou claro. São se prontificou em pará-la porque sabia que se o fizesse, não iria conseguir se controlar. Ficou receoso com o que poderia acontecer de agora em diante. Não sabia mais até que ponto seria capaz de se controlar para não possuí-la. Precisava se recompor e controlar-se, pois querendo ou não, ela era a esposa de seu irmão. Por hora, resolveu voltar para seus afazeres.
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Heero estava terminando o almoço, já havia feito de tudo para esquecer o ocorrido e finalmente estava conseguindo. A porta se abriu e sem pedir permissão Quatre entrou seguido do guarda que o segurou pelo braço, querendo tira-lo dali, mas Heero impediu o soldado e pediu que ele se retirasse. O homem sem entender muito, obedeceu.
- Desculpe Heero... Esqueço-me que não estamos mais em Wing...
- Esqueça isso... O que aconteceu?
- Tentaram assaltar a senhorita Hadja e eu... – O rei pegou uma pena e um papel.
- Onde foi? Mandarei que busquem os corpos...
- Ah não... Não se preocupe com isso... Foi perto da casa dela e ela disse que se encarregaria de queimá-los.
- Entendo...
- O que me incomoda é o fato de que eu estava a caminho daqui e me encontrei com Trowa e ele me contou que Duo também matou alguns homens mais cedo...
- Correto...
- Não é muito? Dois ataques no mesmo dia?
- Sim... – Heero estava pensativo. – É fato... É algo inquietante.
- O que pensa a respeito...
Os dois estavam discutindo o assunto quando ouvem vozes do lado de fora e de repente a porta se abre e por ela entram Trowa, Duo e Wufei, seguidos do guarda que estava discutindo com o último.
- Não podem entrar sem receber permissão...
- Eu entro onde quero e como quero. – Wufei retrucava irritado.
- Senhores... – O rei retomou a atenção. – Silencio. Alan... – Falou com o guarda. – Esses são meus homens de confiança... Grave bem o rosto dos quatro, pois nenhum deles precisa de permissão para entrar.
- Sim majestade. – O guarda reverenciou o rei e saiu contrariado.
- O que houve? – Se voltou aos amigos.
- Andei investigando... E parece que os locais onde a senhorita Cléo foi atacada costumava ser um local bastante seguro no qual ela freqüentava normalmente. – Disse Trowa.
- Sim... – Quatre tomou a palavra. – A senhorita Hadja disse o mesmo para mim. Ela estava afirmando o quanto Sank era seguro e que sempre freqüentou aquele lugar, quando os homens chegaram para nos assaltar.
- Hadja e você foram assaltados? – Duo perguntou maroto. – E o que você estava fazendo sozinho com a moça?
- A pergunta é... – Wufei cortou o homem de trança. – Quantos morreram?
- Cinco... – Quatre decidiu ignorar a pergunta indiscreta do amigo divertido.
- Chega disso... – Heero levantou da poltrona e ficou de frente aos amigos. – A questão é como esses homens chegaram aqui? Como eles passaram pelos limites do reino e como eles chegaram até elas?
- Nada disso parece um simples acaso... – Disse Trowa. E todos assentiram.
- Precisamos investigar isso...
Os amigos assentiram e se puseram a pensar.
-/-/-
Treize caminhava pelo jardim do castelo respirando o ar puro e viu ao longe a bela Lady Une sentada em um banco que ficava em baixo de uma árvore. Aproximou-se dela com passos leves e a moça só notou não estar mais sozinha, quando ele já se encontrava a seu lado.
- Milorde?
- Boa tarde milady... Não a vi durante a manhã... – Sempre com seu sorriso galanteador. – Por onde esteve?
- Perdoe-me... Creio que passei tempo demais na cozinha acompanhando os preparativos para essa noite...
- Essa noite? – Ficou confuso.
- Sim, milorde... – Ela sorriu estranhada. – Acaso se esqueceu que hoje virão seu pai e os pais de seus amigos?
- Ah, sim... Tem razão... Tive tantos documentos para analisar que me fugiu a mente essa história... Tenho que aproveitar a oportunidade para entregar-lhes os convites.
- Sim... É realmente uma ótima oportunidade...
- Se não for abusar de sua gentileza, poderia se encarregar de colocar os convites por perto? – Ele a olhava penetrante mente.
- Nada que o senhor me pede é demais... – Com o olhar meigo declarou e Treize sorriu. – Já estão prontos!
- Sempre muito eficaz... – Ela ficou sem graça e baixou a cabeça. Ele se aproximou e tocando no queixo dela, a fez olhar para ele. – Mais tarde que continuar nossa conversa da noite passada... Que ficou pendente.
Lady Une sentiu um frio na barriga e o coração acelerar, enrubesceu ao lembrar da noite passada, mas ao mesmo tempo se perdeu no olhar desejoso e no sorriso galante de Treize, que assistia as expressões dela com muita atenção. Depois sem nenhum dos dois dizerem mais nada, ele passou a mão suavemente sobre o rosto dela e saiu. Deixando a moça cheia de esperanças e totalmente apaixonada.
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Zechs estava no estábulo, sem camisa, lavando o Tallgeese e pensando em sua amada, conversando baixo com o cavalo, contando sobre como foi o primeiro beijo dele com Noin e sentia-se feliz. Era incrível, ver como alguém se sente ao encontrar sua outra metade. Estava amando e não sabia quanto tempo mais iria agüentar antes de contar a seus familiares. Na realidade eles estavam esperando para Zechs pedir a permissão formal ao barão, pai dela.
- Faz tempo que não te vejo...
A voz feminina e altamente familiar chamou a atenção de Zechs que se virou e se esquivou rapidamente quando Anee tentou beijá-lo. A moça nunca desistia e acreditava que logo conseguiria conquistá-lo. Por outro lado, Zechs teve medo de que Noin aparecesse e interpretasse mal as coisas.
- Anee... – Falou andando pra trás afim de que ela não o tocasse. – O que faz aqui?
- Senti sua falta... – Ela tentou abraçá-lo e ele segurou as mãos dela.
- Anee... Desculpe-me, mas terei que ser direto com você... Eu não te amo...
A moça ficou estática, sempre soube que seu amor não era recíproco, mas sempre teve as esperanças de um dia conseguir conquistá-lo. Não foram as palavras dele que a surpreenderam, foi à forma tão firme como ele as pronunciou. Não sabia exatamente o que era, mas sentiu que algo realmente mudou em seu amado. Ele estava diferente, possuía um brilho novo e uma força nova em suas palavras. Não sabia quando, mas percebeu que estava chorando e Zechs apesar de possuir preocupação em seu olhar não se aproximou para confortá-la.
- Por... Por... Quê? – A palavras saiam falhadas.
- Eu... – Parou procurando as palavras certas. – Estou... Apaixonado... Por outra pessoa.
As palavras dele a atingiu como um punhal cravado em seu peito. A moça caiu de joelhos e apoiou as mãos no chão inclinando-se para frente, deixando as lágrimas caírem com força de seus olhos. Sentia o desespero se apossar dela, mas também sabia que nada poderia ser feito. Zechs olhou de um lado ao outro, não sabia exatamente o que estava procurando, mas sentiu-se aflito. Ajoelhou no chão e colocou a mão no ombro da moça, que a arrancou com força. Anee encarou Zechs com raiva, depois se levantou e saiu correndo. O loiro ficou ali parado por alguns, instantes sem saber o que fazer. Depois decidiu continuar com seus afazeres e deixá-la em paz. Tinha medo de piorar as coisas se a procurasse.
A moça corria pelos corredores, procurando a saída, mas estava tão desnorteada que não sabia mais de onde entrou. Parou, encostando-se a uma parede e deixou a lágrimas descerem a vontade. Não conseguia ver nada com os olhos embaçados como estavam. De repente uma mão estendeu um lenço e ela aceitou, agradecida. Quando a moça levantou a cabeça para ver de quem vinha à cortesia, de sobressalto se pôs de pé e reverenciou o príncipe.
- Por que tão bela jovem está chorando? – Lúcius foi cortês.
- Perdoe-me alteza... Sei que não deveria estar aqui... – Ela falava de cabeça baixa. – Me vou imediatamente.
Ela se virou para correr, mas o príncipe a impediu. Segurou ela pelo braço e depois a fez se virar para ele.
- Senhorita... – Ela o encarou. A voz do príncipe era sedutora. – Por que não me conta o motivo de suas lágrimas?
- Eu... – Ela vacilou.
- Talvez eu possa lhe ajudar...
- Alteza... Agradeço sua preocupação, sinto que não existem formas de me ajudar...
- Hum... – Ele pensou e encurtou a distância da moça. Depois sussurrou sedutoramente bem perto do ouvido dela. – Para mim... Não existe o impossível... Confie em mim!
Anee o encarou um pouco dúbia, mas logo assentiu. Lúcius estendeu a mão para ela e a moça a segurou, seguindo o príncipe pelo caminho que ele a guiou.
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Heero, os integrantes da equipe Gundam e o conde se encontravam na sala de reunião do castelo, tentando descobrir o que poderia ter mudado, para haverem tido tantos ataques em um só dia. Passaram-se horas desde que estavam ali e não haviam chego a nenhuma conclusão. O conde também ficou preocupado com as novidades e afirmava que não era comum aquilo no reino.
Estavam concentrados quando ouviram baterem na porta e Heero deu a permissão para que entrassem, desejando que fosse Relena, mas para sua surpresa quem entrou foi sua mãe, a rainha.
- Com licença... Interrompo?
- Claro que não... – Heero falou e todos os homens se puseram de pé para receber a rainha.
- Senhorita Lucrezia... Não há vi o dia inteiro, como está?
- Bem, majestade... É um prazer reencontrá-la...
- O prazer é todo meu, e quando meu filho te der descanso venha me ver... Estou ansiosa para nos conhecermos melhor...
- Com certeza... Assim o farei. – Amanda sorria amavelmente a Noin, que retribuía o carinho mais sincero.
- Bem... O que deseja minha rainha? – Heero estava ansioso em saber o motivo da visita de sua mãe.
- Eu só vim informar-lhe que no fim de semana será ministrado um baile em sua homenagem, para comemorar a sua volta, meu filho.
- Um baile? – Heero ficou inconformado. – Mas, eu não fui consultado de nada disso...
- Os convites já foram distribuídos e todos aqui devem se preparar para o baile... – Olhou para os rapazes. – O nosso alfaiate real tomará as medidas de todos para as roupas... Agora se me dão licença.
Amanda saiu e deixou Heero boquiaberto com a novidade e seus amigos a espera dele estourar de raiva. O conde já sabia da armação, portanto ficou quieto.
...Continua...
Bom... Aqui está...
Enquetes:
Continuamos votando em quem será o próximo casal a beijar e já está no grupo lá no face e podem falar tb por reviews...
Mas, a nova será: Quem vcs acham que está tramando os assaltos no reino?
Quero opiniões disso e de muito mais...
Aguardo ansiosa por minhas reviews e as atrasadas... Cade as reviews anteriores?
Beijos galera... amo vcs!
