13. Pensamentos Revoltos
Uma menininha de cabelo preto até os ombros e olhos um pouco largo de uma cor de mel chorava desesperada com os braços esticados em direção a moça de longos cabelos negros que mirava a menininha com um semblante perturbado. Kelly se debatia insistentemente, tentando se livrar do agarre de dois homens encapuzados que a seguravam, um de cada lado, para que ela não fugisse. Mas seus esforços eram inúteis.
Do outro lado, a menininha era presa pelo agarre de um rapaz, dono de uma beleza selvagem, com o cabelo liso, preto e jogado, portador de olhos dourados com um semblante de raposa. Ele encarava Kelly com satisfação, recebendo a mirada felina da moça como retorno. As bocas se moviam, as lágrimas escorriam incessantes, o desespero de ambas era palpável, mas apesar da cena existir, não era possível ouvir as palavras e nem tão pouco o lamento. A cena era muda.
De repente, algo chamou a atenção de todos que ali estavam. Escoltado por dois guardas sérios e que não despertavam simpatia em quem os visse, surgiu um nobre, imponente e arrogante, usando uma capa azul com um brasão de ouro em destaque. Com luxúria no olhar e um sorriso sádico na boca, ele avaliou Kelly com satisfação imoral. Seguiu seu caminho em direção ao rapaz que segurava a menininha e entregou-lhe uma sacola, que foi aberta por seu receptor, expondo uma quantidade considerável de moedas em ouro.
A morena olhou para o rapaz, inconformada, com a boca entre aberta e o desespero visível no olhar, intercalando sua vista entre o saco de moedas e o rosto dele. Então o recém chegado virou-se para ela, o capuz cobria parte de seu rosto, deixando a mostra o máximo que a luz da lua e as chamas de algumas tochas deixavam transparecer naquela noite e sua voz foi ouvida em meio aquele gramado onde só eles se encontravam.
- Você é minha... – E sorriu.
- Não! – Kelly acordou gritando.
Levou a mão ao coração sentindo-o palpitar desesperadamente. Fazia mais de uma semana que não tinha esse sonho e sentiu que seu retorno não veio sozinho. Um mau pressentimento se apossou dela. Levantou da cama e foi até a janela, estava escuro, devia ser o meio da madrugada. Respirou fundo tentando se acalmar, e as lembranças de seu triste passado se aprofundavam cada segundo mais em seu peito. Voltou para cama e relembrou a cena.
- Por quê? Jian... O que te fiz para... – Lembrou primeiro, com tristeza, do rapaz que segurava a menininha e logo se focou nela, com carinho. – Mei... Onde você está?
Sentiu o vazio se apoderar dela e no reflexo abraçou o próprio corpo. Deixou o corpo cair para trás, voltando a se deitar, tentando esquecer e dormir, mesmo sabendo que seria inútil. Lembrou de novo da menininha e pensou: - Só terei paz, quando te encontrar... Mei, eu vou te encontrar... – Voltou a fechar os olhos, tentando descansar o corpo a espera do amanhecer.
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O dia raiou e encontrou com Heero já desperto e nos estábulos cuidando de seu cavalo Mustang marrom de nome Zero. Apesar de entretido em seus pensamentos, ele banhava o animal com muita dedicação. Alguns servos vieram até ele com o intuito de continuarem a dar banho no cavalo para que o rei pudesse descansar, mas seus esforços foram em vão, pois o moreno recusou e dispensou a todos. Cuidar de seu cavalo era um dever que ele fazia questão de cumprir pessoalmente.
Sentia-se inquieto, algo não estava certo. O casamento apressurado e inexplicável do irmão com Relena que visivelmente não o amava, a doença estranha de seu pai e agora esses assaltos inexplicáveis que se abatiam sobre o reino, ministrados por bandidos nunca antes vistos pelos arredores. – Minha chegada veio em boa hora... Ou tudo isso foi premeditado? – Essa pergunta martelava constantemente em sua cabeça, sendo a culpada de sua perda de sono,
- O que está por trás de tudo isso? – Questionou-se com uma pergunta retórica, no momento.
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Relena estava no jardim, sentada ao lado da fonte, lendo mais um capitulo do seu livro favorito, quando uma rosa colocada a sua frente lhe chamou a atenção, surpresa com o presente, a moça levanta o olhar para ver quem lhe oferecia uma flor de tamanha beleza e se surpreendeu.
Lúcius estava sorrindo carinhosamente para ela, fazendo com que a loira retribuísse-lhe igualmente no reflexo. Então, sentindo haver ganhado a atenção de sua amada, o príncipe encontra um lugar ao lado dela para se sentar.
- Ainda lendo esse livro? – Lançou um olhar ao objeto e depois para ela. – Quantas vezes já o leu?
- Algumas... – Sorriu divertida e fechou o livro. – O que tem de importante hoje? – Indagou curiosa.
- Nada... Por quê? – Perguntou confuso.
- Você nunca se levanta cedo... – Ambos riram.
- Lembra daqui? – Questionou olhando o lugar e ela o imitou, sem entender o que ele quis dizer com a pergunta. – Quando te conheci... Foi aqui. – Concluiu nostálgico.
- Sim... Você estava chorando... – Retrucou travessa e ele riu.
- Sim... – Concordou junto com um gesto de cabeça e ficou pensativo. – Queria que voltássemos a ser amigos... – Voltou a olhá-la e ela baixou a cabeça. – Queria que nos déssemos bem como antes... É possível?
- Não sei se poderemos ser como antes... – Falou com pesar. – Muita coisa mudou...
- Meus sentimentos não. – Ela não respondeu e apenas o encarou. – Deixe-me ser seu marido verdadeiramente?
As palavras dele a surpreendeu. A loira se pôs a pensar. Se dissesse sim, estaria cumprindo com os mandamentos da igreja e agindo como uma boa esposa. Essa opção a deixava inquieta e incomodada. Mas recusando, estaria sendo honesta com ele e com seus verdadeiros sentimentos. A pergunta correta a se fazer era de sacrificar-se ou não pelo casamento. Ele viu a mudez dela e notou que a pergunta não era fácil de ser respondida pela moça, juntando suas forças e insatisfação, decidiu não exigir uma resposta apressada.
- Bom... Eu me retiro. A rainha pediu para falar comigo e eu a deixei esperando tempo demais... – Levantou e pegou a mão da loira e depositou um beijo, depois se despediu. – Com sua licença... Princesa.
Relena viu o marido partir com seu coração na mão. Ela não sabia qual a atitude certa a tomar e não podia pedir conselhos a ninguém, pois seu segredo não deveria ser revelado. O que fazer? Que decisão tomar? Por que seu cunhado não lhe saia dos pensamentos? Eram perguntas das quais não conseguia as respostas.
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Trowa acabou de voltar ao castelo de sua ronda pelos arredores do castelo. A pedido de Heero, seus amigos ficaram responsáveis de vigiar para que os bandidos não pegassem ninguém de surpresa. O cavaleiro caminhava tranquilamente pelos corredores quando a rainha o abordou. Vendo sua majestade o rapaz se curvou em reverencia.
- Bom dia milorde... – Cumprimentou sorrindo.
- Bom dia majestade... Como à senhora está? – Devolveu a atenção com a face branda.
- Eu gostaria de lhe fazer uma pergunta... Seria possível?
- Com total certeza... Prossiga.
- Eu acabei de pedir a um dos guardas que me preparasse uma carruagem e ele me informou que meu filho, Heero proibiu qualquer saída do castelo sem sua permissão... Porém eu não o encontro em lugar algum.
- Hum... Entendo. Bem, majestade... A ordem é que ninguém saia sem a permissão dele, pois será designada uma escolta para a acompanhar, a fim de que nenhum bandido assalte a carruagem.
- Entendo... E onde ele está?
- Sinto muito majestade... Mas infelizmente não faço idéia de onde o rei se encontra... Não é muito do feitio dele informar por onde anda para nós.
- E não fica preocupado? – Estranhou a tranqüilidade com a qual o rapaz tratava o assunto. E Trowa sorriu.
- Fico mais preocupado com a vida de quem atravessar o caminho dele... – Amanda nada disse, apenas ficou pensativa. Era incrível a confiança que os amigos tinham em Heero. – Então, majestade... Há algo mais em que lhe posso ser útil?
- Sim... Preciso entregar esse convite a família Yukiame e como eu não encontro o mensageiro em lugar algum... Se não estiver ocupado demais, poderia me fazer essa gentileza?
- Com toda certeza majestade... Explique-me o caminho e levarei o convite...
- Obrigada.
A rainha atenciosamente explicou o caminho que Trowa deveria seguir e como reconhecer a propriedade da família Yukiame. O cavaleiro após entender perfeitamente as instruções, se despediu da rainha com um beijo na mão e seguiu seu caminho. Montou se Heavyarms e seguiu em frente.
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Heero havia caminhado sem rumo por vários lugares do castelo sem pensar em nada, ao mesmo tempo com a mente parecendo um turbilhão cheio de informações. Ele analisou cada detalhe do local onde nascera, mas que abandonou por vários e longos anos. De repente uma pessoa lhe roubou os pensamentos e o rei se pegou pensando novamente na jovem loira, de feições e sorriso doce, que ele foi obrigado pelo destino a chamar de cunhada.
Ao lembrar-se dela e conseqüentemente do beijo que trocaram, parou seu caminho e quando se deu conta, viu que havia chego ao pomar, exatamente no mesmo local onde tudo ocorreu no dia anterior. Respirou fundo pensando no que havia feito e em sua atitude inconseqüente e precipitada. Viu o local onde a encontrou sentada lendo e se aproximou dele, olhando atentamente tentando desenhar o corpo dela ali novamente.
Sentindo-se ridículo por estar naquele local de novo, o jovem rei se virou bruscamente para partir e se encontra com o olhar daquela que lhe roubava a paz. Relena havia chego ao local pouco tempo depois e não pode deixar de observá-lo. Heero a encarou e seu olhar de surpresa se tornou frio novamente, deixando a moça estranhada com a mudança brusca.
- Majestade... – Resolveu quebrar o gelo, apesar de sentir uma enorme vontade de fugir dali.
- Princesa... – Sentiu o coração inquieto ao vê-la, mas ignorou o incomodo. – Ontem... – Ela gelou. O coração disparou. – Não a vi no jantar...
Ao mesmo tempo em que sentiu um alivio pelo assunto ser outro, o desapontamento tomou lugar na face da jovem. Ela se enganava dizendo não sentir nada pelo cunhado e querer esquecer o assunto, ao mesmo tempo, sentia uma ânsia incontrolável por ouvir uma declaração dele e sentir seus lábios tocando os seus.
- Me senti indisposta... – Baixou a cabeça, e caminhou rumo a seu local de descanso para ler. Ao passar por ele, Heero segurou o braço da moça, fazendo-a parar bruscamente. Relena sentiu a eletricidade do toque dele percorrer do seu corpo, fazendo-a ofegante, então começou a se controlar.
- Sobre ontem...
- Sim... – Devolveu-lhe atenção total.
- Eu... – O rei fechou os olhos pensando em que dizer, sentiu-se estúpido e chegou à conclusão de que agiu muito errado. – Sinto muito... – As palavras dele caíram sobre ela como um balde de água fria. O herdeiro fez menção de sair, mas antes que ele se distanciasse dela a princesa segurou na blusa dele. Heero não se virou para ela e a loira encostou levemente a cabeça nas costas dele.
- Eu... – Sua voz saiu fraca e Heero entendeu o que ela quis dizer.
- A próxima vez... Será quando você me pedir!
O rei se afastou deixando para trás a jovem princesa que por ironia do destino era sua cunhada, com o coração na mão e uma grande incógnita na cabeça. Ele saiu sem ao menos olhá-la e desejando ardentemente que ela o procurasse. Sentia-se péssimo pela traição que exercia contra o irmão, porém a atração que a jovem tinha sobre ele era maior e mais forte que sua própria força de vontade. E o mesmo se passava com ela, que carregava a maior culpa de ambos os lados.
Heero havia acabado de entrar novamente no casteloquando foi recebido por um mensageiro ofegante de tanto correr de um lado ao outro a procura dele. O rei pediu que ele se acalmasse e em seguida continuasse, e assim o homem fez. Informou a Heero que uma carruagem nobre havia cruzado a fronteira e vinha em direção ao castelo. Heero assentiu e pediu por mais informações, o homem avisou que a carruagem trazia o emblema de Sank, mas ele não havia conseguido interceptar para saber de quem se tratava. O rei mandou chamar a rainha e foi se preparar para receber a visita misteriosa.
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Foi fácil para Trowa chegar à casa informada a pedido da rainha e sem demora foi logo se apresentar e em pouco tempo já estava sendo anunciado pelo guarda. Quem veio recebê-lo foi à senhora Yukiame, que abriu um amplo sorriso cheio de simpatia ao rapaz. Cordialmente o cavaleiro se apresentou e perguntou pelo senhor da casa.
- Desculpe meu esposo, mas ele está atendendo um visitante importante...
- Perdoe-me senhora, mas o que pode ser mais importante que um informe da rainha?
- Bem... – A senhora ficou sem graça. – Com certeza nada... – Trowa mantinha seu olhar misterioso a espera de uma resposta. – Mas, ele está tratando sobre o casamento de nossa filha... Com lorde Macben...
- Sua filha? – Trowa até o presente momento não sabia onde estava.
- Sim... Minha filha única: Teyuki... – Foi quando o nome lhe trouxe uma imagem à cabeça e ele se lembrou da jovem que salvou no dia em que chegou ao reino.
- Por um acaso sua filha se perdeu há uns dias atrás?
- Sim... E um cavaleiro amigo do rei Heero a salvou.
- Sim... Eu a encontrei.
Foi então que a senhora se deu conta de que o jovem a sua frente não era apenas um mensageiro da rainha, mas sim um amigo, importante, do atual rei de Sank. Sentiu vergonha de não ter-lhe oferecido uma cortesia maior e ordenou que um de seus servos fosse buscar chá e bolo para o jovem e avisasse seu esposo que deixasse tudo e se apresentasse imediatamente a sala. Convidou Trowa para sentar-se e ele a seguiu.
- Como está sua filha? – Perguntou enquanto se sentava.
- Bem melhor... Obrigada.
- Ela está feliz com o casamento?
- Bem... – A mulher baixou a cabeça com um olhar triste, acentuando mais as poucas rugas que rodeavam os olhos dela. – Ela foi informada ontem sobre o noivado e desde então se recusa até mesmo a comer.
- Ela... Não sabia... E nem tão pouco gosta dele. Certo? – Trowa a encarava altivo, mas não agressivo e sim observador.
- Meu esposo... Foi quem planejou tudo. – Ela suspirou, não sabia o porquê, mas sentia que poderia e deveria confiar aquele estranho sua tristeza. – O lorde é bem mais velho que ela... Mas, devido a negócios... Tornou-se o noivo de Tey. – A serva serviu uma xícara de chá ao jovem e um bolo deixando ambos à sua frente na mesa de centro.
- Sinceramente, minha senhora... – Trowa tomou um gole de chá. – Acho um absurdo forçar alguém se casar...
A conversa foi interrompida pela chegada de um homem de meia estatura, cabelo grisalho e olhos marcados pela idade, seguido por outro uns cinco centímetros mais alto que o primeiro, cabelo castanho claro, acima do peso e jeito canastrão. O primeiro cumprimentou Trowa se apresentando como o senhor da casa, em seguida apresentou seu acompanhante como lorde Macben. O cavaleiro foi cordial e cumprimentou o senhor Yukiame com um aperto de mão, mas o segundo ele apenas lançou-lhe o olhar.
- Vim a pedido de a rainha entregar-lhe esse convite... – O senhor pegou o papel com um sorriso.
- Querido... Esse jovem é o rapaz que salvou nossa filha.
O homem encarou o jovem rapaz a sua frente com uma mescla de espanto e gratidão no olhar. Trowa apenas assentiu e o homem emocionado, abraçou o jovem como agradecimento.
- Desejava conhecer aquele que trouxe minha menina de volta sã e salva... Obrigado. – O cavaleiro apenas sorriu.
- Ora, ora... Obrigada por encontrar minha noiva... – Trowa lançou um olhar mortal ao homem que devolveu um olhar metido.
- Gostaria de ver a senhorita... Seria possível?
- Por mim, não haveria problema algum... Mas, minha filha não se encontra... – Falou o pai. – Ela foi visitar a casa dos Fayad.
- Entendo... Sendo assim, com sua permissão, me retiro...
Trowa despediu-se dos anfitriões cordialmente e trocou faíscas com o lorde, noivo da jovem que ele salvou. Sem dizer mais nada e deixando a senhora Yukiame admirada com tamanha beleza e gentileza, o jovem cavaleiro montou seu cavalo e se foi, com a mente incomodada pelo casamento que ele achava um absurdo.
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Wufei caminhava calmamente por meio a multidão que se espremia para andar de barraca em barraca em meio à feira. Fazendo sua ronda no lugar mais insuportável para ele, onde havia inúmeras pessoas esbarrando-lhe. Esforçava-se em focar totalmente em seu dever, para não perder a paciência e acabar matando um inocente apenas porque olhou em sua direção.
Ainda atento ao que acontecia e incomodado com o ambiente, teve sua atenção roubada por uma linda jovem de cabelos longos negros e que ele conhecia muito bem, afinal, adorava provocá-la. Começou a segui-la sem ser visto, a moça parava de barraca em barraca procurando os melhores legumes e verduras, bem como as melhores frutas. Divertiu-se com a nova distração que lhe concedeu um ambiente mais ameno.
Kelly tentava focar em suas compras, mas sua mente estava distante e seu coração inquieto, as lembranças que a despertaram essa madrugada não se dissiparam e a mantiveram acordada a todo instante. Voluntariou-se para ir as comprar naquele dia com o intuito de espairecer, mas ainda não tinha conseguido o resultado desejado.
A moça caminhava em meio à multidão que ocupava todo o espaço, deixando apenas um corredor muito estreito para ela e aquelas pessoas que seguiam o mesmo caminho se esgueirarem. Já havia passado pela maioria das barracas, tanto as que ficavam a sua esquerda como as da direita, mas sua busca ainda não havia terminado. Continuou e virou a esquerda na ultima barraca da fileira, com a intenção de entrar no outro lado da feira.
O caminho tomado passava em frente uma taverna, ela olhou por casualidade em direção ao comercio, como sempre fazia, atenta a tudo que passa a seu redor, mas o que viu a brecou abruptamente, e a fez empalidecer. A morena sentiu como se houvessem lhe tirado o chão e ousou se questionar mentalmente se havia voltado a dormir e estava tendo outro pesadelo.
Em uma das mesas ao fundo avistou um grupo de soldados beberrões e arruaceiros, que se divertiam brincado com as serventes e causavam incomodo aqueles que estavam sentados comportadamente tentando ter uma refeição calma. Porém os brasões da nobreza indicando a hierarquia daqueles homens impediam que qualquer pessoa questionasse o comportamento deles.
Mas não era nada disso que fez a moça se desesperar por dentro e sim o fato de reconhecer aqueles homens. Eram os guardas que acompanhavam o nobre de sua lembrança, aqueles que a seguravam para o inescrupuloso se satisfazer com sua dor. Sentiu medo e ódio misturado. Deu alguns passos para trás sem desviar os olhos daqueles homens, temendo que a vissem e a perseguissem.
Wufei estranhou as reações dela e a viu parar bruscamente, perder o sangue do rosto e depois andar para trás como se algo fosse para cima dela. Olhou a direção que ela olhava e viu o grupo de guardas desconhecidos, voltou o olhar para ela e viu a moça virar e sair correndo na direção oposta a taverna, a seguiu em passos largos e sem poder impedir, presenciou a morena em um descuido, esbarrar em um vendedor, deixando cair das mãos dele um vaso muito caro.
- Me desculpe senhor, por favor... – Ela falava aflita.
- Desculpe? – O homem questionou inconformado. – Desculpas não pagam meu prejuízo, senhorita. – E falou por fim irritado.
- Mas... Eu não tenho dinheiro... – Respondeu preocupada.
O moreno vendo o medo no olhar dela resolveu se aproximar para ver o que estava acontecendo. Chegando bem próximo, pode ouvir o pedido de perdão que ela lançava ao homem que queria uma indenização do objeto quebrado.
- O que está acontecendo? – Indagou autoritário. O homem vendo que se tratava de um nobre, foi logo se queixar.
- Essa senhorita... – Disse com desdém, enquanto Kelly olhou para Wufei com uma mescla de alivio e temor. – Quebrou um vaso caríssimo meu e não quer pagar. – O moreno olhou para ela e a viu baixar a cabeça.
- Isso é verdade?
- Sim... Mas, não foi algo proposital... Foi um acidente.
- Acidente ou não, como faço eu com um prejuízo desses? – O vendedor não desistia.
- De quanto estamos falando? – Wufei foi direto ao assunto.
- De trezentas moedas de prata...
- Eu pago... - Wufei começou a tirar o saco de dinheiro, mas foi impedindo por Kelly.
- Não preciso de sua ajuda... – Encarou-o felina.
- Do que está falando mulher? Você prefere ser presa? – Devolveu-lhe o olhar.
- Eu não preciso da piedade de um nobre que gosta de esbanjar dinheiro...
Ao ouvir as ultimas palavras da moça, o moreno estreitou os olhos em direção a ela e guardou o saco de moedas. O vendedor assistia a cena inconformado, mas a mente do homem começou a ter ideias. O cavaleiro dirigiu um olhar ao homem e disse que ele poderia chamar os guardas e fazer a queixa formal, assim ela deveria pagar perante o rei a divida. Depois deu as costas a ambos e Kelly começou a sentir o desespero se apossar dela.
- Espere... – Indagou o vendedor. – Tenho uma solução... – Os dois o olharam atentos. – Eu esqueço a divida por completo, se os dois concordarem em me fazer um favor essa noite.
- Eu faço o que for preciso para não ser presa e poder quitar minha divida com o senhor. – Kelly foi direta e o homem contente olhou para Wufei a espera da resposta.
- Não quebrei nada... Não tenho divida com ninguém, então não tenho favor nenhum para fazer... – Ele então olhou a moça. – E também tenho dinheiro para pagar qualquer coisa que eu deva... – Kelly sentiu a ira se apossar dela.
- Não precisamos da ajuda desse cavaleiro... Posso fazer o que for preciso sozinha.
- Na realidade... Não. – Ambos olharam para o vendedor. – A solução que encontrei, requer ambos... Se o cavaleiro não aceitar, farei a queixa perante o rei. – Kelly olhou incrédula para o homem e depois para o moreno, que tirando os olhos da moça, olhou para o vendedor depois apontou para ele uma direção.
- A entrada do castelo é logo ali... Fique a vontade...
Ele virou as costas novamente para o dois e começou a andar no sentido contrario, a morena olhou para o vendedor, boquiaberta e ele disse que daria queixa, caso o rapaz não aceitasse ajuda-la. Sentindo-se acuada e com medo de ser presa, a moça guardou dentro dela o orgulho e deixando as compras perto da barraca correu atrás de Wufei. Ela segurou na manga dele, fazendo com que ele a encarasse.
- O que você quer mulher? – Seu tom era ríspido.
- Eu quero que me ajude... – Falou entre dentes.
- E... – Disse em tom de descaso.
- Por favor... – Pediu sentindo um aperto no coração de ter que dar o braço a torcer. – Ele riu satisfeito.
- Porque eu deveria ajuda-la? Afinal... Sou apenas "um nobre que gosta de esbanjar dinheiro"... Certo? – Foi irônico e ela sentiu vontade de bater nele, mas respirou fundo, ser presa de novo não estava em seus planos.
- Peço desculpas... Milorde... Fui rude... E peço que reconsidere... E me ajude.
- Assim está bem melhor...
O moreno sorriu satisfeito e voltou para a barraca, tentou novamente pagar o vendedor, que dessa vez recusou o dinheiro, afirmando que a ajuda deles naquela noite seria de uma serventia maior, do que propriamente o valor no momento. Wufei ficou contrariado, mas lembrando da força que a moça reuniu em se desculpar com ele acabou aceitando. O vendedor informou o local e a hora em que ambos deveriam se apresentar naquela noite e após receber as coordenadas o cavaleiro se foi.
Kelly e Wufei tomaram caminhos opostos. O problema todo fez a moça se esquecer, momentaneamente dos homens que reconheceu na taverna e ela voltou pra hospedaria tentando imaginar o que ela deveria fazer essa noite de tão importante. Já Wufei voltou para o castelo pensando que deveria partir para Wing assim que fosse possível, pois sentia que estava ficando bonzinho demais desde que chegou a Sank.
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Heero havia acabado de perguntar a rainha, sobre quem seria o recém-chegado ao reino, quando bateram na porta e logo um mensageiro entrou informando que a carruagem havia chegado ao castelo. Sem esperar pela resposta da mãe, o rei saiu em direção a porta de entrada para receber o visitante.
- Será uma surpresa para você meu filho. – As palavras da mãe, fizeram com que ele a olhasse, mas logo seguiu seu caminho.
A carruagem já estava parada quando Heero chegou e o cocheiro descia para ir abrir a porta da lateral. Logo saiu de dentro um homem robusto, de fisionomia forte, olhos fundos de cor azul escuro, cabelo castanho preso em um rabo de cavalo baixo e um sorriso grande estampado no rosto. Heero o encarou um pouco indeciso.
- Minha cara irmã... Há quanto tempo...
O recém chegado subiu as escadas e foi direto dar um grande abraço na rainha, que o recebeu feliz e animada. Heero observou a cena, pensativo, pois sua memória sobre o visitante era vaga. Amanda se soltou depois de alguns minutos do irmão e apontou o filho, que não tirou os olhos de cima deles. O visitante olhou Heero de cima a baixo, depois se voltou para a irmã, procurando uma confirmação em seus olhos, mas sem dizer uma palavra, recebendo um sorriso como resposta. Então ele voltou a olhar para o sobrinho meio indeciso ainda. Heero mantinha sua fisionomia séria e monótona.
- Mas, será possível? – Começou meio tímido, mas logo se soltou. – Heero! – Então segurou o rapaz pelos ombros e o abraçou dando três tapas nas costas. A proximidade incomodou o rei.
- Sim... – Disse se desvencilhando do agarre. – Sou eu mesmo... – Terminou a frase esperando que o recém chegado se apresentasse.
- Não se lembra de mim? Sou seu tio Cássius. Não se lembra de mim?
- Ele era muito jovem a última vez que te viu meu irmão... – Amanda interferiu. – Desculpe-o. Heero observava calado. E Cássius notou a grande semelhança entre o sobrinho e o cunhado.
- Seja bem-vindo... – Foram as únicas palavras de Heero.
O tio sorriu e seguiu o sobrinho e a irmã para dentro do castelo, chegaram a sala de visitas e se depararam com quase todos reunidos. Amanda havia pedido que anunciassem a chegada a todos e ali estavam, Lúcius e Relena, o conde e Zechs e todos da equipe Gundam, com exceção de Dante que não fez nenhum esforço para sair de seu quarto.
Cássius começou com um grande abraço em seu sobrinho querido Lúcius que o recebeu alegre e muito receptivo, depois deu um beijo na mão de Relena, a beleza da jovem chamou-lhe a atenção, que se lembrava apenas de uma jovenzinha adolescente. Depois cumprimentou o conde e Zechs que foram educados, porém sem muita euforia e por fim foi apresentado por Amanda a todos da equipe Gundam que estavam presentes. Quatre, Noin e Duo foram os mais receptivos, Wufei e Trowa limitaram-se aos cumprimentos cordiais, com um aceno de cabeça. Heero observada à cena encostado-se ao batente da porta.
Era uma sala razoavelmente pequena comparada a demais comodidades do castelo. Pois ali era onde eles recebiam apenas membros da família ou muito chegados a eles. Era um local onde havia sofás e cadeiras, com mesas de centro, onde podiam fazer reuniões mais reservadas e cômodas para beberem chás e comerem bolos. E assim foi feito, todos ali presentes foram devidamente convidados a ocasião e as servas serviram bolos, pães, frutas, chás, sucos, e tudo que havia de melhor para a chegada do barão St-Pier, irmão mais velho da rainha.
Apesar da insatisfação de ser obrigado a estar presente, o rei logo achou um escape para agüentar aquela reunião incomoda. Heero passou a maior parte do tempo observando e analisando Relena, que sentindo o olhar dele sobre ela, evitou olhar em sua direção todo o tempo. Já estavam todos acomodados. Heero observava o ambiente e analisava as reações, atento também em conhecer mais sobre o tio, mas sua maior atenção voltava-se na maior parte do tempo a sua cunhada. Ele estava sentado em uma poltrona sozinho, que ficava de frente para a porta de entrada e dava-lhe o privilégio de ter uma visão completa de todos os demais.
Ah esquerda de Heero, em duas poltronas gêmeas, se encontravam Trowa e Wufei com fisionomias entediadas. Mais a frente, Duo e Noin em um sofá comentando sobre o que ouviam da conversa que acontecia em suas frentes. Quatre sentou-se ao lado de Relena e participavam nos momentos oportunos do assunto. Lúcius sentou a direita de Cássius e Amanda à esquerda. Os três eram os principais regentes do dialogo. Em outra extremidade e ficando a esquerda de Heero, estavam o conde e Zechs que observavam atentos.
A conversa corria animada, agradando alguns e desagradando outros. Heero se perguntava o motivo do pai não ter mandado nenhuma noticia de boas vindas e tão pouco pedido que o tio fosse vê-lo já que se encontrava indisposto. Mas, como sabia que não teria resposta, ignorou o assunto. Relena cometeu um deslize e pensando que o rei estava atento ao tio, resolveu lançar-lhe um olhar de rabo de olho e acabou se deparando com o olhar insistente dele. O que a fez mudar o foco rapidamente. Ele sorriu com isso.
De repente Wufei se põe de pé, tão sutilmente que ninguém notou além de seus amigos e Zechs. Aproximou-se de Heero, colocando a mão no ombro dele, se abaixou e sussurrou algo para ele. Após ouvir atentamente, o rei concordou com um gesto de cabeça e o moreno se retirou em passos de gato. E como um fantasma desapareceu pela porta sem fazer nenhum barulho.
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Era começo de noite, Wufei saiu do castelo sem deixar nenhum recado ou dar explicações e foi para o campo, montado em seu Nataku. Avistou uma clareira e ouvindo o som da música, teve certeza de que estava no lugar certo. Ao chegar no local foi recebido pelo vendedor, que fez uma festa ao vê-lo e foi em seu encontro com uma taça de vinho que lhe entregou. Apesar de agradecido pelo vinho, Wufei não sorriu, apenas assentiu. Depois deixou a taça um pouco de lado, precisava conhecer o local e as pessoas que estavam ali para depois pensar em beber. Ficou observando os que ali se divertiam. Arrancou suspiros das mulheres que ali estavam, recebeu olhares de inveja de alguns homens, olhar apreensivo de outros e acolhedor dos demais. Mas, ignorou a maior parte, continuou parado, encostado em uma pedra só observando a alegria daqueles que ali estavam.
- Então... Divertindo-se? – Questionou o vendedor.
- O que estou fazendo aqui?
- Estamos fazendo uma comemoração. Minha sobrinha se casa amanhã e queria dar-lhe uma festa...
- Mas, o que tenho com isso?
- Bem... Achei que iria gostar... – O homem olhava de rabo de olho para ele. – Sinto que precisa se divertir mais... O senhor me parece uma excelente pessoa, mas é muito calado... Um pouco de ar fresco e diversão lhe fará bem.
O vendedor se afastou e foi para perto dos noivos. Wufei o encarou incrédulo, era possível que aquele homem estivesse querendo se meter em sua vida? Como ele ousa ter tamanha audácia? As perguntas se formavam em sua mente e cogitou a idéia de partir. Separou-se da pedra e virou para ir embora quando se deparou com o olhar de Kelly, tinha acabado de chegar e não pode deixar de notá-lo.
A jovem estava com metade do cabelo preso e alguns fios rebeldes escapando do prendedor. O vestido dela era longo e de cor salmão, mas os ombros e o colo ficaram a mostra, realçando o contorno de seus seios, Ela tinha os olhos delineados e os lábios rubros, como uma princesa. Ele ficou um tempo estático admirando a beleza dela. Sempre a viu, com roupas velhas e com a face irritada, nessa noite, sob a luz do luar e a claridade da fogueira ele pôde ser testemunha pura de tamanha beleza.
Por sua vez, a moça também estava admirada ao vê-lo, pois todas às vezes nunca parou para prestar a devida atenção, ao rapaz. Ele estava com uma camisa preta de cordão transpassado no peito o que deixava uma parte de seu peitoral a mostra, uma calça branca e botas pretas. A espada nunca abandonava sua bainha amarrada à cintura, o rabo de cavalo baixo, sempre como sua marca registrada, mantinha seus fios negros bem presos e seu olhar era penetrante.
- Você... – Ele quebrou o gelo e a olhou de cima a baixo. – Está... Bonita.
- Obrigada... – Corou.
- Pensei que não fosse aparecer...
- Me atrasei, pois a esposa daquele senhor resolveu me arrumar...
Ele esboçou um imperceptível sorriso e deu passagem para ela continuar em direção a fogueira e aos demais convidados. Wufei suspirou e decidiu que não iria mais embora. Voltou a encostar-se à pedra e finalmente pegou a taça de vinho e bebeu. A noite seguiu e tudo corria bem. Kelly se divertia com todos os convidados e Wufei a observava insistentemente de longe, bebendo sem parar.
A moça hora ou outra trocava olhares com o cavaleiro, mas nenhum dos dois ousava trocar palavras. Ela dançou com alguns rapazes e isso incomodou o moreno, mas decidiu fingir que não era nada. Continuou parado observando a festa e já fazia um bom tempo que perdeu a conta de quanto já havia bebido.
Kelly também estava bebendo, mas estava mais moderada que Wufei. O vendedor analisava a cena e a interação do casal com satisfação, pois ele conseguiu notar algo que nem mesmo Kelly e Wufei haviam notado. O homem era de idade avançada e já tinha uma boa experiência em decifrar certos comportamentos. Teve a sensação de que seu plano seria bem sucedido.
Um rapaz se aproximou da morena e a chamou pra dançar pela décima vez, o cavaleiro estava contando e já tinha fixado sua atenção naquele homem, sabendo que ele era o mais insistente. E também o rapaz mais incomodo para ele de toda a festa. A moça recusou e ele insistiu. O moreno não gostou e se alarmou, o rapaz insistiu de novo e sendo novamente rejeitado, tentou forçar para ela o acompanhar. Kelly se irritou e o empurrou. Mas, o rapaz estava bêbado e já não era dono de suas atitudes. Lançou-se sobre ela, mas antes que conseguisse por as mãos na moça foi impedido por Wufei que se colocou entre eles e encarou felino o rapaz.
- Não ouse.
Com poucas palavras e um olhar mortífero, o cavaleiro conseguiu espantar o rapaz insistente. Que baixou o rosto e viu que a mão do cavaleiro já estava sobre sua espada e pela forma que o encarava, não temeria em usá-la. Como a noite já estava avançada as maiorias dos que ali estavam já se encontravam bêbados, o que os fez ignorar o atrito.
- Venha... – Olhou para ela após o rapaz se afastar. – Vou levá-la embora.
- Não... – Disse autoritária. – Não preciso que me defenda...
- Escute mulher... Não me faça perder a paciência. – Ameaçou.
- Vai fazer o que? – Desafiou-o.
Wufei sorriu felino e Kelly estranhou. Segurou no braço da moça e a puxou colocando-a no ombro e carregando-a seguiu em direção a seu cavalo. Passou pelo vendedor que riu ao ver a cena e mesmo com a moça esperneando e gritando em cima dele, dando ordens para que a pusesse no chão, o cavaleiro seguiu seu rumo. Colocou-a sobre o cavalo e subiu logo a seguir.
O caminho inteiro foi feito com ela reclamando e batendo nele, mas os golpes não surtiram nenhum efeito, fazendo com que ele ignorasse as tentativas de se soltar da moça. Logo quando chegou a frente da hospedaria que ela trabalhava ele desceu do cavalo e pegando-a no colo a desceu também.
- Como ousa me... – Ela nem conseguia falar de tão irritada. – Quem pensa que é?
- já está na hora de ir dormir, não acha? – Ele falava com desdém.
- Você não é ninguém para mandar em mim desse jeito... – O tom de voz empregado era alto, mas não chegava a ser um grito, o que fazia com que ninguém fosse alarmado.
- Pode ser... Mas, pelo menos não estou... – Pensou e continuou. – Me oferecendo para todos da festa...
- Oferecendo?
Kelly ficou cega de ódio ao ouvir as palavras do rapaz a sua frente e puxando a mão para trás e depois a levando com toda sua força, acertou um tapa na cara de Wufei. O cavaleiro levou sua mão para o local onde foi acertado, não porque doeu, mas, por ter ficado espantado com a atitude dela. E sem pensar em nada, apenas no reflexo e respondendo a seus instintos adormecidos no subconsciente dele, Wufei a agarrou pela cintura e puxando-a para bem perto dele, fazendo seus corpos colarem a encarou.
- Nunca mais repita isso...
E colou seus lábios nos dela, fazendo com que uma descarga elétrica percorresse todo o corpo de ambos. O beijo começou lento e foi se tornando cada segundo mais ansioso, a moça que de inicio lutava para se desvencilhar, cedeu as caricias, envolvendo seus braços ao redor do pescoço do moreno. O beijo era quente e acolhedor o que fazia com que nenhum deles pensasse em mais nada.
Depois de algum tempo e necessitados de ar, suas bocas se separam, fazendo com que o casal sentisse um vazio envolve-los. Abriram lentamente os olhos e foi quando sua realidade veio à tona, se entre olharam por alguns segundos, mas que pareceu uma eternidade para eles. Envergonhada de sua atitude impensada e inesperada, Kelly se separou bruscamente de Wufei. E de cabeça baixa, correu em direção a hospedaria deixando-o ali, sozinho sem saber o que dizer.
Após ver a moça fechar a porta sem nada falar, o cavaleiro olha ao redor e vê que está sozinho. Não sabia o que pensar, naquele momento sua mente era vazia e sentiu que também deveria partir. Subiu em seu cavalo e dando um último relance de olho em direção a hospedaria partiu, na direção contraria. Kelly já estava em seu quarto e pode ouvir o relinchar do cavalo e seu galopar se afastando. Sentou na cama, tentando acalmar o coração que parecia que ia sair pela boca e decidiu se arrumar para dormir, tentando esquecer o acontecido.
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Percorria o corredor do castelo desanimado, quando sente a presença de um vulto. Pára e olha rapidamente para trás, se deparando com um Duo bem humorado.
- Por acaso te assustei? – Ria animadamente.
- Da próxima vez te abro em dos com minha espada. – O mau-humor era uma característica tão forte de Wufei que o rapaz de trança nem se importou com a ameaça.
- Você demorou... Venha... – Falou virando para seguir o caminho oposto.
- Aonde? – Questionou intrigado e Duo voltou um largo sorriso ao amigo.
- Nos divertir... – E virando novamente na direção oposta, completou. – Vamos ao bordel...
...Continua...
Oieeee... Já sei, já sei... Demorei horrores dessa vez, né?
Mas, gostaria de informar que a culpa é de vcs... u.u
Afinal vcs escolheram Wufei x Kelly e eu tinha que fazer algo decente... Espero que tenham gostado! ^.^
E já avisando, pra aqueles que disserem que eu sou a unica culpada, saibam: "Se a culpa é minha eu ponho ela em quem eu quiser!" Hehehehe...
Bom... Oq acharam? Não poupem palavras...
Esse capitulo ficou mais extenso que de costume...
Enquetes: Próximo casal a beijar?
Repito: Quem está causando os problemas em Sank?
Nova: O que acharam do Cássius?
E obviamente, as perguntas de sempre, oq acharam, gostaram ou não, oq esses meninos farão no bordel... hsuahsuhasuha Enfim... Divirtam-se nas respostas!
Beijões e adoro vcs... Obrigada por sempre me apoiarem e me acompanharem... Até o 14..
