Chegueiiiiii... Demorei? Não né? hehehe
Bom, vcs tão ansiosas e não vou demorar aqui.
Esse capitulo ta louco... E vcs conheceram que foi o casal vencedor da última enquete... Agora Divirtam-se! ^^


15. Preparativos

A princesa caminhava pelos corredores do castelo sendo seguida de suas amigas e algumas servas, todas pensando sobre a decoração mais adequada à festa do príncipe herdeiro, que aconteceria em um dia. O cardápio já havia sido decidido, após uma longa conversa entre a rainha e Relena.

As amigas foram ajudar nisso e conversar com a princesa sobre alguma forma de ajudar a salvar Teyuki de seu casamento arranjado. Mas esse motivo ainda não conseguira sua brecha. As jovens estavam entretidas em suas decisões e por alguns minutos a mais nova conseguiu esquecer suas aflições.

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Heero sentado na taverna observava seus amigos a jogarem conversa fora. Wufei, que tinha saído para poder se aliviar, ao voltar esbarrou em um rapaz que o encarou de forma arisca. O homem de beleza selvagem não se desculpou e ficou olhando para Wufei a espera que ele o fizesse.

- O que olha? – O moreno de rabo de cavalo perguntou irritado.

- Não irá se desculpar? – Jian perguntou irônico.

- Não me faça rir... Aprenda a olhar por onde anda... – E virou-se para sair.

- Nobre idiota. – As palavras do rapaz eram baixas, mas a proximidade fez com que o cavaleiro ouvisse. Wufei parou seu caminhar e encarou o rapaz de forma assassina.

- Como disse?

- Com licença... Milorde. – Jian se foi, deixando Wufei incomodado.

O cavaleiro voltou pra perto dos amigos e todos notaram sua irritação. Duo começou a provocar o amigo, ignorando sua mirada mortal, fazendo Quatre acreditar que o companheiro não tinha amor a vida. Heero e Trowa analisavam a cena se questionando o que poderia ter tirado o já tão raro bom humor de Wufei. Zechs ficou intrigado sobre o rapaz que ele viu encarando o amigo mal-humorado antes de ir embora e Noin tentava fazer Duo ficar quieto.

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Lúcius se encontrava em um movimento continuo sobre a jovem a quem beijava ardentemente. A moça de cabelo com a cor do carvalho e olhos cor de mel gemia com o prazer que recebia. A pele suada de ambos e o calor que os alimentava, os deixava alheios ao tempo e acontecimento. Ela atingiu ao clímax antes dele e quando o príncipe sentiu seu momento chegar se retirou rapidamente de dentro dela. Satisfeitos deixaram seus corpos repousarem sobre a cama, enquanto olhavam o teto.

- Como sempre... Esteve ótima. – Sorriu atrevido ao encarar a jovem.

- Já faz alguns dias desde que nos conhecemos... E eu tenho feito tudo o que me pede, alteza... Mas não vejo o resultado que desejo. – A jovem virou de costas para ele.

- Anee... Ainda pensa nele?

- Não consigo esquecê-lo... – Sentiu as lágrimas escorrem.

- Mas o capitão está tão feliz... Sem você. – Passou a mão nas costas dela e a sentiu estremecer.

- Você me prometeu... – A voz saiu entrecortada e baixa.

- Temos passado ótimos momentos, não é mesmo? – Ela o encarou com os olhos inundados. – Eu te trouxe um presente.

Lúcius levantou sem se preocupar em se cobrir, ela conhecia cada detalhe e cada pedaço do corpo daquele homem, Afinal, havia sido com ele que perdera sua virgindade e era com ele que vinha compartilhando suas tardes. As mesmas tardes que mentia ao pai dizendo que ficava no campo, lendo. O jovem príncipe abriu o baú e tirou de dentro uma caixinha de prata, depois voltou pra cama e sentando-se de frente a camponesa abriu a caixinha e tirou de dentro um colar de pérolas. A jovem ficou boquiaberta com o presente e o olhou surpreendida.

- Sempre que me agradar e satisfazer... Terá algo assim. E nunca mais você e seu pai passarão necessidade de nada.

- Meu pai... Ele nem sabe que existe algo entre nós.

- E não existe! – Ela o encarou perplexa.

- Como?

- Bem... A única coisa que temos é o sexo. – E sorriu. Ela olhou pra baixo e apertou entre as mãos o colar, segurando o choro. – Mas, ainda estou à procura da melhor forma de te alegrar... E mesmo que você se case com Milliardo... Não pretendo abrir mão de nossos encontros. – Ele se levantou da cama e começou a se vestir. – Portanto lembre-se que agora você me pertence...

Ela o observou se vestir e sair da cabana onde mantinham seus encontros às escondidas. Olhou ao redor e sentiu o choro e a tristeza se apossarem dela. Ela mesma não se entendia. Amava o capitão da guarda real, mas aceitava aquela relação com o príncipe, que a usava como objeto de prazer. Não podia negar que sentia atração física por ele e que ele sempre a satisfazia muito bem na cama. Mesmo assim, sentia-se ridícula e enojada ao final de cada encontro.

Levantou da cama e começou a se vestir, depois de pronta, arrumou a cama e pegou o lindo colar, pensando em qual desculpa daria ao pai sobre o presente. A renda de um ferreiro não era nem perto de ser capaz de pagar uma jóia tão cara. Suspirou e decidiu esconder o presente pelo momento. Saiu da cabana, certificando-se de que não havia ninguém que pudesse vê-la. Trancou a porta e seguiu seu caminho de volta a casa.

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Relena coordenava os preparativos do baile enquanto trocava idéias com suas amigas. Nisso a governanta do castelo aproximou-se rogando um pouco de atenção a princesa.

- Senhora Lana... Algum problema? – Perguntou amável e sorridente à senhorinha que conhecia desde criança, por quem alimentava um enorme respeito e carinho.

- Princesa, temos um problema com os servos... No dia do baile, muitos estarão de folga, o que atrapalhará na hora da festa. – Os reinos Sank e Wing eram os únicos que davam um dia na semana de descanso a seus trabalhadores, coisa que era feita em dois turnos, metade em um dia e a outra no dia seguinte.

- Entendo... – Pensou um pouco antes de continuar. – Falarei com o rei e lhe pedirei que me conceda a permissão de contratar algumas pessoas por uma noite, para que possam suprir essa falta... Se assim conseguir, lhe avisarei...

- Permissão concedida.

Uma voz rouca, grave e autoritária surpreendeu a princesa e a governanta, que ao olharem em direção de onde veio o som, puderam encontrar os olhos azuis e duros de Heero, que estava parado ao lado delas acompanhado de seus amigos. O rei ouviu a conversa enquanto se aproximavam, mas os passos silenciosos deles impediram que fossem descobertos antes que falassem algo, já que ambas estavam de costas à porta de entrada.

- Majestade... – O reverenciaram.

Hadja, Cléo e Teyuki surpreenderam-se com a presença dos rapazes. As duas primeiras sorriram, Had trocou olhares com Quatre e Cléo com Duo, enquanto Teyuki olhou timidamente para Trowa desviando o olhar logo em seguida, mas ele manteve sua visão fixa na moça. Wufei apenas observou a decoração do baile, alheio aos amigos e a conversa.

- Ouvi a conversa... – O rei comentou.

- Será apenas por um dia... – A princesa continuou.

- Faça como achar melhor. Porém, como o reino tem sofrido vários ataques, quero que Lucrezia escolha as pessoas... Não quero que se exponha.

- Sim majestade.

- Continue a decoração... Está ficando ótimo.

E depois de olhar fixamente a princesa analisando suas reações, o rei seguiu seu caminho seguido por três amigos. A princesa sentiu o coração disparado e a governanta se afastou. As amigas apenas observaram a saída deles.

- Princesa... – A loira se sobressaltou ao ser chamada e olhou rapidamente para Wufei.

- Milorde... – Intrigou-se.

- Preciso lhe falar...

- Prossiga.

- Em particular.

Relena entendeu e após dar autoridade para suas amigas que continuassem os preparativos, se retirou acompanhada do cavalheiro ao seu lado.

-/-/-

Kelly estava servindo as mesas da taverna na pousada onde trabalhava, concentrada em seus deveres. Sua face era séria como de costume, sem deixar de ser educada com os clientes e completar seus deveres com maestria. Mas os olhares incessantes e maliciosos de três homens sentados em uma mesa ao lado da porta de entrada sobre ela a incomodavam sobremaneira.

Ela já havia notado os olhares e tentava a todo custo ignorá-los. O senhor, dono do estabelecimento, também tinha se dado conta da cena e se preocupava pela jovem. Ela sentia uma enorme vontade em matar aqueles homens, mas tinha consciência que não poderia ir a extremos. Nunca se esquecia do motivo de estar ali, precisava juntar o máximo de dinheiro possível para continuar sua busca. Matar alguém, não só a faria perder o trabalho, como a faria ser presa e possivelmente condenada a morte, se não tivesse uma boa justificativa.

- Mais cerveja!

Um do trio levantou a caneca e gritou, olhando fixamente pra ela, que estava de costas para eles. Ao ouvir a voz do homem, sentiu um calafrio percorrer sua espinha e respirou fundo tentando controlar a gana que sentiu. Sem falar nada e nem tão pouco olhá-lo, dirigiu-se ao balcão a procura do pedido. O dono do estabelecimento parou seus afazeres para assistir a cena.

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A carruagem de Wing parou na estrada perto de um lago, para que todos pudessem descansar e os cavalos beberem água. Treize foi o primeiro a descer e seguiu em direção ao lago, tirando sua camisa e ficando de peito nu. Tirou sua rapiera e começou seu treino diário. Ele sempre treinava ao menos uma vez ao dia, e por conta da viagem, não teve tempo de fazê-lo mais cedo, aproveitando a parada para isso.

Os soldados aproveitaram para beberem água e os mais velhos relaxaram sob a sombra de uma árvore, sem deixar de prestar muita atenção ao redor. Lady Une estava sentada dentro da carruagem com a porta aberta, observando atentamente a Treize. Seus olhos percorriam o corpo dele, suas expressões, seus movimentos... Tudo nele a deixava hipnotizada. Mas sua mente lhe traicionou, fazendo com que se lembrasse dos momentos terríveis que passou naquele calabouço, sendo torturada e assediada por aquele rei asqueroso.

Teve vontade de chorar, mas segurou firmemente. Decidida, desceu da carruagem e caminhou em direção a seu salvador e agora, também podia dizer, amado. Aproximou-se de Treize e esperou que seus movimentos acabassem, enquanto observava atenta aos passos, a forma em que ele segurava a espada, seu olhar neutro, porém muito concentrado e o brilho em seu olhar. Seu amor pela esgrima era visível. O cavaleiro sentiu sua presença. E parando seu treino, ele vira-se para ela e diz:

- Milady... – Sorriu encantadoramente, fazendo com que ela ficasse desconcertada.

- Não queria atrapalhar...

- Nunca me atrapalha. – Ele se virou em sua direção e se aproximou da jovem. – Há algo que necessite?

- Eu... – Ela olhava pra baixo, atrevendo-se a encará-lo apenas por poucos segundos. – Eu quero aprender...

- Quer manejar uma espada? – Estranhou.

- Sim... Nunca mais quero ser indefesa. – Foi ai que ela o olhou decidida e ele sorriu satisfeito.

- Então me acompanhe...

O cavaleiro estendeu a mão na direção dela e ao segura-la, a jovem foi levada para um local mais reservado, onde houvesse sombra e espaço, mas sem se distanciarem muito do grupo. Chegaram ao local escolhido e Treize estendeu a ela sua espada. Une a segurou e se surpreendeu com a leveza. O olhar surpreso dela o fez rir. Havia perfeitamente entendido o que ela estranhara.

- Essa espada se chama Rapiera. É própria para um combate de velocidade. Serve para golpes de estocada. Totalmente inútil contra um cavaleiro de armadura, se não for muito hábil na hora de manejá-la.

- Entendi...

- Muito bem... Então, mostre-me o que aprendeu.

- Eu não aprendi nada...

- Não aprendeu nada enquanto ficou me observando? – O comentário fez com que ela corasse e ele riu, divertido. – Vamos... Mostre-me o que se lembra.

Lady Une ergueu a cabeça, colocou o pé direito na frente, o esquerdo para trás e segurou a espada com uma mão e a outra colocou para trás. O cavaleiro bateu com a mão na lamina da Rapiera e ela caiu. Une o olhou intrigada. Ele a colocou novamente na mão da moça que a segurou, dessa vez com força e ele bateu na lamina com mais força e ela sentiu a mão levemente virar.

- Não é com muita força e nem tão pouco frouxa... Dê-me. – Ele mostrou para ela a posição correta e segurou a espada em posição de ataque. – Bata na lamina. – Ordenou e ela obedeceu. E a lamina nem se moveu e ele nem se machucou. – É firme, porém maleável, para aguentar o clinche.

Treize então montou uma sequência de movimentos para ela e a fez repeti-los várias vezes. Ainda assim, Une continuava errando na forma de segurar a espada. Ele se aproximou por trás, segurando a cintura dela com a mão esquerda, a direita sobre a mão dela, segurando a espada, tentando demonstrá-la como deveria ser o agarre. Une sentiu o coração disparar, Treize falava bem perto dela com a boca próxima a seu ouvido, sussurrando as instruções.

Ela já não conseguia prestar atenção em nada e mesmo assim, ele ainda olhava em direção a espada na mão dela, com o agarre apertado, sentindo o respirar acelerado dela. Então o cavaleiro a solta e a jovem respira fundo, controlando-se. Nervosa, perdeu o equilíbrio por não estar atenta e pisar em falso. Treize rapidamente a segurou para que não caísse. E foi quando seus olhos se cruzaram. Envergonhada, Une se desvencilhou dos braços dele e desviou o olhar.

- Dessa vez não.

As palavras dele chamaram a atenção dela. O cavaleiro se aproximou da jovem e com uma mão segurou a cintura dela enquanto a outra alisou o rosto da jovem até puxá-la para mais perto. Treize sorriu e a beijou. Um beijo doce e carinhoso, que logo se tornou desejoso e apaixonado. Une soltou a espada fazendo com que ela fincasse na grama e entrelaçou o pescoço de seu amado, baixando totalmente sua guarda e se deixando levar pela paixão que sentia. Ele desceu sua outra mão até a cintura abraçando-a mais forte e aprofundando mais o beijo.

- Treize... Milady...

A voz do General Chang os trouxe de volta a realidade e separando-se lentamente, abriram os olhos. Ao se verem Treize sorriu e ela baixou o rosto com um sorriso tímido e as bochechas coradas. O cavaleiro respondeu ao General e recuperando sua espada, voltou para perto dos companheiros a fim de continuar sua viagem.

-/-/-

Kelly se aproximou da mesa com as canecas e pôde ver o brilho maldoso no olhar deles. Sem chegar muito próxima, curvou-se pra colocar as canecas e apressadamente se virou para sair dali, sentindo um deles passar a mão nela e o outro puxá-la fazendo com que ela caísse no colo dele.

- Me solta!

A moça gritou ao mesmo tempo em que acertou uma cotovelada no rosto do cara que a segurava e um chute nas partes baixas do outro que se levantou para ajudar a segura-la. O terceiro assistia a cena rindo. Ela se soltou deles e correu até a mesa da frente, retirando apressadamente a faca fincada sobre o pernil e a apontando em direção aos homens, sua feição grave e fechada.

- Eu mato quem se aproximar de mim. - Falou em voz firme, mas o sorriso não deixava o rosto deles.

- Senhores, por favor... Deixem a jovem em paz. - O dono do estabelecimento veio em socorro de Kelly que se surpreendeu interiormente com a atitude dele.

- Cala sua boca velho... A moça é linda e só queremos nos divertir um pouco. - Disse o líder, que ainda estava sentado e ria do ocorrido.

- Para isso, será preciso amansar a fera... - Disse o que levou o chute, se recuperando.

- Quanto a isso, não se preocupe... Cuidaremos muito bem dela... - O que levou a cotovelada sorriu, maliciosamente.

- Primeiro morta.

- Senhores não...

Os homens foram em direção a moça e o dono do local se colocou entre eles levando um tapa de costas de mão tão forte no rosto que caiu. Afinal, a diferença de tamanho entre eles e a idade era algo que deveria ser contado. Kelly então se lançou sobre eles e conseguiu cortar levemente o braço do líder, que se enfureceu com ela. Segurou o braço da moça e a desarmou. Logo a jogou sobre a mesa atrás dela, derrubando a comida no chão.

Todos os clientes do local sentiram medo dos três homens e preferiram ficar quietos apenas assistindo a cena, juntando-se no fundo da taverna e, apesar da preocupação que sentiam, não possuíam coragem o suficiente pra intervir em favor dela e do dono que gritava, caído ao chão, que soltassem a jovem. Um dos homens apoiou o pé sobre o senhor e o outro segurava as mãos da moça para trás enquanto o líder passava as mãos sobre o corpo dela ainda vestido. Kelly se debatia e gritava, como uma gata selvagem, pronta a retalhar seu inimigo na primeira oportunidade.

Todos que assistiam a cena pensaram que a ela seria estuprada ali mesmo na frente de todos, não vendo salvação para a jovem, apesar de se surpreenderem com o olhar guerreiro dela e com a luta incessante que ela travava contra seus agressores. Foi quando viram o homem colocar a mão na perna da moça e começar a subir por baixo da saia que uma flecha travessou a visão dele, bem próxima ao rosto do líder, fincando na mão do homem que segurava os braços de Kelly. O grito de dor do homem e a cena alarmou a todos, que olharam rapidamente em direção a porta, de onde havia vindo a flecha, surpreendendo-se.

Na porta havia seis cavaleiros da guarda real, acompanhados da filha do comerciante mais famoso do reino, Hadja, que olhava para os bandidos com desdém. Seu humor estava ácido. Ela deu uma boa observada na cena e a classificou da seguinte forma. A plateia era um bando de covardes que deveriam ser acusados de cumplicidade. Na frente, havia três bandidos que mereciam uma morte dolorosa, um senhor corajoso, porém de idade avançada e uma jovem, muito bonita, vitima e que provavelmente seria quem ela procurava.

- Atrapalho algo? - Perguntou, irônica.

- O que uma dama veio fazer aqui? - Perguntou o líder, sentindo o coração disparado.

- Que eu saiba, tenho o direito de ir e vir onde desejar...

- É claro milady... - Had riu com a cordialidade do homem e ele a olhou intrigado.

- Por favor... Não finja ser um cavalheiro, quando não passa de um lixo. - Falou rispidamente e encarou o que tinha a flecha na mão e segurava Kelly ainda com a outra. - Solte-a! - Ordenou e foi obedecida. - Farei com que tenham uma morte bem lenta.

- O que?

Os homens se entreolharam, sendo em seguida, golpeados pelos cavaleiros, que após baterem um pouco neles os acorrentaram e os levaram para o lado de fora da taverna para serem levados ao castelo, receber julgamento. Hadja mandou que levassem todos que assistiram a cena para testemunharem e ajudarem o dono do local a se levantar. Ela foi em direção de Kelly, que ainda mantinha o semblante apreensivo.

- Senhorita Kelly, correto?
- Sim... Quem é você? - Had sorriu divertida.

- Muito prazer... Sou Hadja Fayad a seu dispor.

- E o que faz aqui, senhorita? - Desceu da mesa e começou a juntar a comida caída no chão. Hadja estranhou.

- Poderia dizer: obrigada por me salvar.

- Obrigada... Mas, não precisava. Eu tinha tudo sob controle e poderia ter me livrado sozinha. - Levantou e foi levar a bandeja com tudo que juntou do chão para o balcão. Had observou a cena pasma.

- Claro que sim, não duvido. - A frase sarcástica foi pronunciada baixa, mas Kelly a ouviu e encarou Hadja de forma irritada.

- Por que me salvou, senhorita?
- Digamos que sou uma boa pessoa. - Sorriu.

- Muito bem... E porque veio até aqui? Duvido que precise comer em uma taverna quando se possui vários criados pra preparar as melhores comidas para você em sua casa. - Era desconfiada.

- Bem... Digamos que você tem grandes influências...

- O que quer dizer?
- Poderia acompanhar-me ao castelo?

- Ao castelo? Deixa eu pensar... - Pausa alguns segundos - Não.

- Eu esperava essa resposta...

- Ah sim?

- Sim... - Hadja então olhou para o dono do estabelecimento e pediu permissão para que ele a deixasse leva-la consigo.

- Bem... Sim. - O senhor assentiu.

- Muito obrigada. - Sorriu amavelmente ao senhor em agradecimento e deu ordens a um dos cavaleiros que chamasse a um médico para cuidar dos ferimentos do senhor, ela pagaria a conta. - Agora vamos?

- O que lhe faz pensar que irei?

- Será um bom negócio... Confie em mim.
- Eu não confio em ninguém.

- Apenas venha. Se não gostar de algo, terá total permissão para partir, livremente.

- Por que precisa de mim?
- É um assunto que a princesa conversará com você.
- A princesa?

- Sim... Agora vamos?

Kelly sempre desconfiou de todos, principalmente da nobreza, mas por algum motivo, sentiu que poderia acreditar na moça a sua frente, e a curiosidade de saber o que a princesa desejava com ela a deixou intrigada. Após confirmar mais uma vez o fato de poder ir embora sem ser barrada, se quisesse, concordou em acompanhar Hadja. Um dos guardas ficou acompanhando o dono do estabelecimento a espera do médico. Hadja e Kelly subiram na carruagem e os bandidos foram amarrados atrás da carruagem e foram obrigados a andarem o percurso inteiro até o castelo a pé, as testemunhas seguiram a escolta, cientes de que deveriam testemunhar.

Hadja mal desceu da carruagem e foi logo informar a princesa do ocorrido. Kelly foi levada até a sala de visitas do castelo e Cléo foi lhe fazer companhia. Relena dirigiu-se imediatamente até o escritório do rei para relatar a Heero sobre o caso. O rei se encontrava em companhia de Wufei e Duo, e assim que a princesa pediu permissão, lhe foi concedida. Relatou rapidamente o caso. Wufei se pôs de pé abruptamente com os olhos ardendo em fúria, sua atitude não passando desapercebida por ninguém, principalmente por Duo, que achou a cena muito interessante.

- Mande todos a sala do trono.

E com uma ordem direta, Heero terminou a conversa e Relena se retirou, sem deixar de lançar mais um breve olhar para Heero que a observou sair de soslaio, ao fechar a porta. Wufei encarou o amigo a espera de uma atitude. O rei calmamente baixou o documento e olhou para o que estava em pé.

- O que deseja que eu faça?

- Dê eles para mim...

O rei não disse nada e se levantou de sua poltrona, Duo o copiando, os três se dirigiram para a sala do trono, passando por um guarda e pedindo que este fosse chamar a jovem que foi a vitima dos bandidos.

- Você foi muito corajosa... - Cléo tentava a todo custo conversar com Kelly.

- Hum... - A morena continuava desconfiada e não queria dar atenção para conversa.

- Não te conheço? Tenho a sensação de já haver te visto antes.

Kelly ficou intrigada e começou a puxar na memória para ver se conseguia lembrar de algo, mas nada encontrou e Cléo também chegou a conclusão de poderia ser apenas uma impressão.

Nisso o guarda entrou e as informou da ordem do rei. Cléo acompanhou Kelly até a sala do trono e ao entrar encontrou-se com todos já presentes, apenas a espera delas. Duo e Cléo trocaram olhares e Kelly surpreendeu-se ao ver Wufei, que a olhou sem dizer nada. Heero deu a ordem para começarem a falar, primeiro as testemunhas, depois o trio de bandidos e por último ouviu a vítima, Kelly.

O trio disse que apenas deram o que a moça pediu, insinuando que ela havia tentado seduzi-los. Ao ouvir isso a jovem servente correu em direção a eles, querendo bater nos homens, mas foi impedida por Wufei, quem pediu que ela se acalmasse e deixasse que eles resolvessem o caso. Heero nem sequer se moveu e Duo se divertiu, rindo e brincando com a cena.

- Milady, se quiser eu os seguro para que a senhorita possa bater neles...

As meninas riram do comentário, menos Kelly que continuava lançando um olhar mortal em direção aos bandidos. Wufei olhou para Heero, que estava com cara de tédio. O rei se levantou e antes de sair deu seu veredicto, que por sinal agradou a todos da corte.

- Que eles paguem por seu atrevimento... Que sejam entregues a Wufei, para que ele... Lhes dê sua devida punição. Serão decapitados na próxima segunda. - Wufei e Duo sorriram com a decisão e Heero esboçou um leve sorriso de canto ao dizer suas últimas palavras. - Se ainda estiverem vivos.

O rei saiu olhando a princesa de canto de olho e ela lhe correspondia. Duo o seguiu e quando passou por Cléo piscou para a dama que sorriu, baixando o rosto corado. Wufei deu uma última olhada em Kelly antes de sair e a moça o encarou perplexa. Sempre se sentira sozinha e de repente via tantas pessoas a ajudando que se surpreendeu. O rapaz saiu acompanhado dos guardas que levavam os bandidos presos, que por sinal, saíram reclamando e gritando que aquilo era uma injustiça com eles. As testemunhas foram liberadas e Hadja, Cléo e Relena se aproximaram da moça que ainda estava confusa.

- Kelly... Esse é seu nome? - A princesa a chamou de volta a realidade.

- Sim...

- Sou Relena Merquise de Peacecraft Yui... A seu dispor. - A jovem servente curvou a cabeça em uma forma de reverência. - Ouvi falar muito de você hoje...

- Por parte de quem? - Relena olhou na direção por onde Wufei saiu e depois voltou seu olhar para Kelly e sorriu largamente.

- Digamos que... Você tem grandes influências... - A jovem ficou intrigada.

- Venha... Temos um assunto a tratar.

Todas saíram em direção à sala de visita e pediram chá e bolo para comerem enquanto conversavam.

-/-/-

A noite caiu e a carruagem de Wing parou em uma pousada para todos descansarem, Treize ajudou Lady Une a descer e logo foi ver se havia aposentos para todos. Depois de tudo organizado, cada um foi para seu quarto, banhar-se antes do jantar. Treize pegou o quarto ao lado de sua amada.

Lady Une tomou seu banho com bastante calma lembrando de cada detalhe daquele beijo que recebeu a tarde. Levou a mão aos lábios e fechou os olhos a procura do mesmo sentimento, sorriu.

- Milady... Está pronta? - A batida na porta e a voz de seu amado a retirou de seus devaneios.

- Ainda não... Podem descer que já vou.

- Quer que a espere?

- Não precisa.

- Muito bem... Não demore.

Treize então seguiu seu caminho para a taverna da pousada acompanhado daqueles que quando criança, chamava de tio. Lady Une saiu rapidamente da banheira e foi se arrumar. Vestiu algo simples, mas bonito, seu vertido tinha a gola quadrada e era na cor creme. Penteou os cabelos ainda molhados e os prendeu em um coque baixo com algumas mexas soltas. Apertou as bochechas para ficarem coradas e saiu rapidamente a caminho da taverna.

O jantar correu tranquilo e todos divertiram-se ao ouvir as histórias de batalha do General Chang, que, diferente do filho, era mais articulado, mesmo que mantivesse mesmo mal-humor. Treize e Une trocavam olhares sempre que podiam e mantinham suas atenções voltadas a todos na mesa. Ao final da janta, não se demoraram em subir para seus quartos, pois deveriam acordar cedo e precisavam descansar para o fim da viagem. Antes de ir para seu aposento, o cavalheiro parou para falar com Lady em sua porta.

- Durma bem milady... - Depositou um suave beijo na mão dela e a moça sentiu o coração disparado.

- Obrigada... - Ele se aproximou do ouvido dela.

- Gostaria de entrar... Mas, devo seguir as regras... - Sussurrava sem necessidade, pois estavam sós, mas adorava sentir o cheiro dela bem próximo à ele. - Vou sonhar com você...

Então, ele a olhou nos olhos e a beijou, de forma doce e gentil, sem pressa, sem medo, com entrega total. Lady enlaçou o pescoço dele e Treize passou as mãos pelas costas da jovem, de forma carinhosa, sem se atrever a nada indevido. Queria tê-la, mas não iria avançar a linha vermelha. Depois de se separarem, não disseram nada, o olhar sendo o suficiente para se demonstrar cumplicidade e verdadeiro sentimento. Ele deu mais um beijo na mão dela e a esperou fechar a porta para poder entrar em seu quarto e dormir.

O dia mal acordava e os cavaleiros de Wing já estavam de pé preparando suas coisas para seguir caminho.

Por ordens de Treize, Lady Une fora a última a ser acordada, o fato só sendo feito quando já estavam todos os baús na carruagem. Ela foi desperta por uma servente da pousada e logo ajeitou suas coisas para que pudessem colocar na carruagem com as demais bagagens. Tomaram o café da manhã bem reforçado e quando o sol finalmente chegou, eles subiram em seus cavalos e partiram. Treize e Une não conversaram, apenas trocaram olhares.

-/-/-

O castelo já havia acordado e todos já haviam tomado seu desjejum. Os servos se dividiram, metade indo cuidar dos afazeres diários do castelo e a outra metade indo trabalhar na organização da festa.

Relena estava no jardim do castelo, escolhendo as flores que deveriam ser usadas para enfeitar o baile do dia seguinte, quando tropeçou em uma pedra que não viu e perdeu o equilíbrio. Para não cair deu um passo para trás, tentando se manter de pé, trombando em alguém. A princesa se virou rapidamente para se desculpar e se surpreendeu.

Era alguém que ela nunca havia visto no castelo, ele sorria de forma misteriosa para ela e seu cabelo solto e jogado mexia com o vento, seu charme era selvagem e seu olhar era presunçoso, tinha uma postura impecável e a encarava de forma que a princesa não saberia explicar.

- Bom dia alteza - Ele sem permissão tomou a mão dela e a beijou.

- Bom dia, senhor...?

- Jian Zhang, a seu dispor alteza.

- Creio que é a primeira vez que tenho a honra de vê-lo por aqui...

- Sim... É a primeira vez que entro no castelo... E perdoe-me se cometi uma imprudência...

- Não... Esta tudo bem... E o que faz aqui?
- Desculpe-me, mas serei obrigado a confessar que vim vê-la.

- Como assim?
- Na realidade eu estava apenas conhecendo o lindo jardim do castelo quando a vi... - Relena enrubesceu. - Não sei se já lhe disseram princesa, mas sua beleza é incomparável...

- Obrigada.

Apesar de ser um gentil cumprimento ela sentiu-se incomoda, sensação que supôs ser pelo fato de ser uma mulher casada. Cléo e Hadja estavam entrando no jardim, quando viram a amiga conversando com o estranho e por alguns segundos sentiram-se confusas em que atitude tomar. Quando decidiram que deveriam se aproximar e também se informar sobre quem seria o desconhecido, ouviram uma voz autoritária atrás delas a procura de respostas.

- Quem é ele? - A amigas se viraram e viram Trowa, com a expressão vazia, encarando o jovem que conversava animado com a princesa.

- Nunca o havíamos visto antes. - Falaram juntas e Trowa seguiu em passos firmes em direção aos dois em questão.

- Bom dia... - A voz grave de Trowa chamou a atenção de Relena e Jian, a primeira sorriu e o cumprimentou de volta e o segundo o saudou com um gesto de cabeça, sem tirar os olhos de cima do cavaleiro. - Quem é você?
- Sou Jian Zhang... A seu dispor.

- E de onde vem?
- Venho do sul...
- E de que lugar do sul?
- De uma zona pacifica e de poucos habitantes...

- E essa zona tem um nome?

- Está interessado?
- Digamos que não é qualquer um que pode ficar conversando com a princesa. - Seu olhar era frio.

- Imagino que o príncipe Lúcius ficaria incomodado com isso... - Trowa riu irônico.

- Claro... O príncipe Lúcius... - E riu de novo, antes de voltar a ficar sério. - Independente do príncipe, você ainda não me falou de onde vem e a que se dedica.

- Trabalho com o Lorde Macben... - O nome surpreendeu Relena e Trowa. - O conhece?
- Já tive o desprazer... Agora, a próxima vez que quiser conversar com a princesa, marque um horário; nos retiramos, tenha um bom dia.

Trowa segurou a princesa pelo braço e após esperar ela reverenciar-se de forma cortês para o rapaz e ele se curvasse perante ela, a puxou para sair, e antes de partir, virou-se para Jian e deu uma última olhada com a seguinte pergunta:

- Conhece a saída ou preciso guia-lo?

- Não se incomode... Sei bem meu caminho.

Jian o encarou de volta e apesar se sua feição séria, possuía o sarcasmo no olhar. Trowa o encarou de forma assassina e levou Relena com ele. Passou por Cléo e Hadja e as obrigou a acompanha-los.

Jian observou a cena e depois que sumiram de sua visão, soltou uma risada baixa. Respirou fundo o ar do jardim e saiu pelo mesmo caminho que entrou, caminhando lentamente e com as mão cruzadas nas costas.

Trowa levou Relena com ele até o pátio do castelo.

- Princesa, peço que não converse mais com estranhos a sós...

- Ele não me parece alguém perigoso...

- O disfarce favorito dos lobos é a pele de cordeiro.

A princesa não soube mais o que falar e preferiu manter-se calada. Hadja e Cléo assistiram a cena paradas. Trowa então se virou para elas e perguntou.

- Onde está a senhorita Yukiame?

- O pai dela a obrigou a ficar em casa hoje... - A ruiva começou.

- É o dia da primeira prova do vestido de noiva dela... - A morena concluiu.

- Entendido... - Trowa ficou pensativo e em seguida olhou para a princesa. - Vou falar com Heero, qualquer coisa que necessitar, me chame... Logo Duo e Quatre estarão chegando de suas rondas... Se os virem, peça que venham falar com Heero, por favor. Com licença...

As moças apenas tiveram tempo de assentir e o cavaleiro se retirou da frente delas como um vulto de passos silenciosos. Hadja e Cléo ficaram animadas com a volta de seus cavaleiros favoritos e Relena ficou preocupada, pensando que talvez tivesse cometido um erro em aceitar conversar com o rapaz. Espantando seus pensamentos seguiu o caminho para a cozinha, ver se o almoço já estava quase pronto.

-/-/-

Heero estava finalmente terminando de revisar e assinar um ultimo documento. E, como ele trabalhara arduamente e sem descanso com a parte burocrática do reino desde que chegara, esse seria o último do dia. Trowa entrou no escritório, como sempre, sem pedir permissão, sentando-se na cadeira em frente ao amigo e ficou esperando, olhando para o rei, que apenas relanceou um olhar ao recém-chegado antes de baixar o documento de sua visão, pousando-o sobre a mesa antes de perguntar.

- O que é? - Trowa respirou fundo. - O que aconteceu?
- Preciso que impeça um casamento...

- Ah sim? E de quem?
- Da senhorita Teyuki Yukiame.

- A amiga da princesa? - Perguntou, estranhado.

- Exato.

- Ela irá se casar?
- Sim... O pai dela a está obrigando...

- E como quer que eu faça? O pai dela tem o total direito de casar a filha dele com quem desejar...

- Sim, Mas todos devem pedir permissão ao rei ou a lei máxima de onde vivem para poder realizar a boda. E quero que negue.

- Muito bem... A que se deve esse desejo?
- Ela está sendo forçada ao que não quer...

- E ela já falou com o pai dela sobre isso?
- Esse casamente é um negocio. Um acordo entre o pai dela e o lorde. Ele é bem mais velho que ela e não tem nada haver com Teyuki.

- Certo... E sobre a parte que você não está me contando? - Trowa calou-se bruscamente. - Não é a primeira vez e provavelmente não será a última que vemos jovens damas infelizes se casando com homens asquerosos por conta de negócios... O que te incomoda tanto, no fato de ser ela? - Trowa olhou para o lado e não respondeu e o rei entendeu tudo. - Verei o que decido quando vierem me consultar... Está bem assim? - O amigo assentiu e Heero pegou o documento para voltar a lê-lo quando perguntou com os olhos no papel. - Mais alguma coisa?
- Sim. - Trowa prestou bastante atenção em qual seria a reação do amigo. - Havia um homem desconhecido cortejando a princesa agora a pouco no jardim...

Heero baixou o papel bruscamente e olhou para Trowa com um olhar frio.

- E descobriu de quem se trata?

- Segundo ele, trabalha com o lorde Macben, o mesmo que irá se casar com a senhorita Teyuki, e se chama Jian Zhang... Disse vir do sul, de um pequeno vilarejo, mas não disse o nome.

- Mande chamar o lorde Macben... E descubra tudo o que puder sobre esse rapaz. Informe Wufei, Duo, Quatre e Zechs sobre isso e mande que investiguem também. Peça a Lu que descubra como esse rapaz entrou no castelo e foi parar no jardim sozinho... E mande Relena vir falar comigo.

- Certo... Me retiro... Agora, quanto a meu pedido?
- Onde eu mando, Teyuki não se casará com Macben.

- Obrigado. - Trowa sorriu.

- Mas é bom que você assuma seus sentimentos...

- Do que está falando? - Trowa ficou confuso e Heero esboçou um sorriso de canto.

- Você sabe bem... Agora vai e mande a princesa para mim...

Trowa saiu pensativo nas palavras do amigo e foi à procura de Relena. O rei perdeu a vontade de ler aquele documento e começou a pensar em quem seria o intruso.

-/-/-

Duo e Quatre chegaram de sua ronda animados e conversavam tranquilamente, ou melhor, Duo ria contando piadas e Quatre ria ao ver a felicidade do amigo, sem nem sequer prestar atenção a anedota contada. Ambos mudaram seus focos ao avistarem a dupla de amigas que tanto lhes interessavam. Duo foi o primeiro a se aproximar.

- Miladies... - Disse animadamente, ao se aproximar de Cléo e Hadja.

- Senhoritas... - Quatre teve uma entoação mais sóbria, porém alegre ao cumprimentá-las.

- Cavaleiros... - Disseram juntas.

- Milady Hadja... Me permite roubar sua amiga por um instante? - Duo lançou seu amplo sorriso a morena.

- Com certeza milorde... - E rapidametne, viu Cléo se distanciar com o rapaz de tranças.

- Me parece que ficamos a sós... - Quatre chamou a atenção dela.

- Sim... E fico feliz por dessa vez estar vestida... - Falou analisando a reação do rapaz.

- Bom... Mas, aquele dia estava tão linda quanto hoje.

Hadja corou. Ficava admirada ao ver como aquele cavaleiro conseguia deixa-la desconsertada, nunca antes ficou sem fala ao conversar com ninguém e tinha a resposta certa para tudo, mas com ele era diferente. Suas defesas sempre falhavam. A alguns metros de distância, ainda se encontravam Duo e Cléo.

- Então senhorita... Nunca mais se envolveu com malfeitores, certo?

- Por favor... Não me recorde daquele dia fatídico.

- É que não posso evitar em pensar que sua beleza fez com que aqueles homens perdessem a cabeça...

- Literalmente, correto? - Ela riu, pois agora aquele dia não lhe causava mais nenhum efeito e não passava de uma recordação ruim.

- Digamos que você é capaz de fazer um homem perder a vida. - Duo piscou e Cléo riu novamente.

- Finalmente chegaram...

A voz alta chamou a atenção de todos. Os quatro olharam na direção de quem os exortou e viram Wufei se aproximando. Quatre e Hadja se aproximaram de Cléo e Duo ao mesmo tempo em que o de trança respondia.

- Por que Wufei? Sentiu minha falta?

- Nem em sonho... - Respondeu com sua típica falta de paciência.

- Então, sentiu falta do Quatre? - Duo continuava provocando.

- Na hora que você apanhar, eu não vou te defender... - Quatre concluiu ao chegar.

- Ah, eu só estou brincando...

Wufei lançou um olhar mortal ao amigo, que colocou as mão cruzadas atrás da cabeça de forma despreocupada. As moças acharam graça na cena, mas tiveram medo de rir, por conta do olhar assassino de Wufei.

- Temos uma missão dada por Heero. Mexam-se... - Os rapazes assentiram seriamente ao verem que era um assunto urgente, pela forma que o amigo falou, e depois de se despedirem de suas damas com gentileza e cortesia, sumiram pelos corredores acompanhados do amigo que contava o assunto depois que se distanciaram das damas. Elas por fim voltavam a cuidar dos arranjos do baile.

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Heero estava com o documento sobre a mesa e olhava para um ponto qualquer sem prestar atenção a nada, sendo despertado pelas batidas na porta. Levantou de sua poltrona, como quem já sabia que era e deu ordens para que entrasse. Relena surgir sem causar nenhuma surpresa no rei e fechou a porta ao entrar. Ele ofereceu-lhe a cadeira com um gesto e sentou logo após ela.

- Mandou me chamar, majestade?
- Como estão os preparativos para o baile?

- Estão indo muito bem...

- Ótimo. É amanhã, certo?

- Sim... - Ele ficou pensativo. - Mas, esse não é o real motivo de eu estar aqui, correto?

- Quem era o rapaz com que estava conversando mais cedo?

- Seu nome é Jian e me pareceu um jovem encantador...

- Não lhe perguntei o que lhe pareceu, princesa.

- Perdão...

- O que ele lhe disse?

- Nada demais...

- O que ele lhe disse?

- Me elogiou... Disse que minha beleza era incomparável... E começou a me perguntar sobre as flores que gosto e coisas do gênero...

- Enfim, começou a corteja-la.

- Eu não encarei a situação dessa forma, e sim como um rapaz gentil que veio conversar comigo. - Heero se irritou, mas conteve a raiva para si.

- Da próxima vez, eu gostaria de conhecer esse rapaz gentil...

- Tomarei em conta seu desejo majestade... Necessita de mim para algo mais?
- Não. - E se levantou, fazendo-a imita-lo.

- Com sua licença...

- Até quando continuará com essa farsa ao lado de meu irmão? - Ela engoliu em seco. Desejava falar a verdade e estar ao lado dele, mas tinha feito uma promessa.

- Não sei a que se refere... Majestade. - Heero deu seu típico sorriso de canto e ela sentiu as pernas estremecerem. Ele caminhou até ela, ficando a centímetros da moça.

- Vou fingir, mais uma vez, que acredito nesse casamento. - Ela teve vontade de ser beijada por ele novamente e ele percebeu. - Disse e repito, na próxima vez, você me pedirá...

- E porque acha que isso irá ocorrer?

- Tenho certeza que você pedirá... Pode ir agora... Cunhada.

A palavra final incomodou a princesa de tal forma, que ela fechou o semblante e saiu sem se despedir devidamente do rei, que ficou satisfeito com a cena. Embora ainda intrigado com o jovem de mais cedo.

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O almoço ocorreu tranquilamente, Relena evitou olhar em direção a Heero, Dante se juntou a mesa com eles e ficou observando as atitudes de cada um, conversando às vezes com o conde e a Rainha. Zechs e Noin conversavam entre eles e davam as mão por baixo da mesa para que ninguém visse. Hadja e Cléo foram convidadas a almoçar e passaram o tempo conversando com Duo e Quatre, contando sobre como estava ficando a decoração. Trowa, Wufei e Heero eram os mais calados e Lúcius tentava mostrar um convívio harmonioso com a esposa, mas ninguém prestava atenção, deixando-o irritado.

Após o almoço, cada um voltou a seus afazeres. Trowa informou a Heero que passou a mensagem a lorde Macben, mas ele estava fora do reino e só voltaria no dia seguinte pela tarde. Como o rei já tinha terminado seus afazeres burocráticos, decidiu ir para a sala de treino se exercitar um pouco. Seu amigos o acompanharam.

As horas se passaram e logo Heero foi informado que a carruagem de Wing atravessou a ponte e já se aproximava da porta do castelo. Ele e os amigos se prepararam e foram receber seus familiares. Alguns como Duo, Quatre e Noin foram correndo, Heero, Wufei e Trowa, andaram a passos largos, enquanto Zechs foi buscar Relena, o rei Dante, a Rainha e seu pai. Lúcius ficou curioso e resolveu ir também.

A carruagem parou e Treize lançou seu amplo sorriso aos amigos que não via há um tempo. Desceu do cavalo e ajudou Lady Une a descer da carruagem, nesse meio tempo, os pais foram cumprimentar primeiramente seu rei, Heero, seguido do rei Dante e a rainha. Apresentaram-se ao príncipe e a princesa, essa última os recebendo com um sorriso radiante. Ainda conheceram o conde e por fim, foram abraçar seus filhos. Treize fez a mesma sequência que os anteriores, mas demorou um pouco mais em Heero. Um colocou a mão no ombro do outro e nada precisaram dizer. A cumplicidade entre velhos amigos falou pelo olhar.

- Onde está o duque? - Heero perguntou quando Treize já havia terminado de cumprimentar a todos e já estavam caminhando pelos corredores do castelo.

- Meu pai ficou cuidando de Wing em minha ausência. Disse que virá visita-lo depois que voltarmos.

- Diga-lhe que o aguardo.

- Considere o recado dado... Agora, mudando de assunto... Sua cunhada é encantadora... - Falou baixo para que só ele pudesse ouvir.

- Venha ao escritório... E me conte como está Wing...

Treize assentiu e seguiu Heero, junto com Duo, Quatre, Trowa e Wufei. Os seis estavam finalmente reunidos como antes. Lady Une foi para a sala de visitas com Relena, Noin, Cléo, Hadja e Amanda. Os demais foram se reunir na sala de reuniões, com exceção de Lúcius, que preferiu voltar para seus aposentos.

Treize contou a Heero toda a situação de Wing e deixou ele tranquilo ao saber que estava tudo em ordem. Também levou para o amigo todos os documentos que necessitavam expressamente da decisão dele.

Duo, também aproveitou a oportunidade pra contar a Treize sobre todos os acontecimentos de Sank e principalmente, sobre o interesse que Heero tinha pela cunhada. O loiro recém-chegado mudava de expressão a cada segundo com as notícias que lhe caíam em cima, chegando a conclusão de que ele poderia ajudar de alguma forma, mas como ainda não sabia qual, guardou para si aqueles pensamentos e continuou ouvindo os relatos.

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O jantar foi muito mais animado que o almoço, com conversas sobre vários temas, desde coisas alegres, até os problemas que o reino de Sank vinha enfrentando com os ataques de bandidos. Treize também relatou sobre Wing para todos e sem que percebessem, ele estudava atentamente a interação entre Lúcius e Relena, tentando ver onde estava o erro, ou melhor, descobrir como foi que eles chegaram a se casar. Se havia alguma ponta solta que ninguém havia percebido antes.

Ao terminarem o jantar, Cléo e Hadja despediram-se e foram para suas casas. Relena e Amanda foram ver se os quartos destinados aos convidados estavam devidamente organizados, Noin acompanhou Lady Une ao quarto dela, que, como estava muito cansada pediu licença e se retirou primeiro. Lúcius também desapareceu ao fim do jantar e os homens reuniram-se na sala da lareira para beberem vinho e conversarem, o que não significa que todos tenham conversado, alguns falavam e outros ouviam.

Depois de tudo bem vistoriado e preparado, as mulheres foram as primeiras a se retirarem, despedindo-se e indo descansar, deixando os homens divertindo-se. Afinal o dia seguinte seria de festa e elas ainda tinham que acordar cedo e organizar tudo o que faltava.

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Relena estava em seu quarto, suas servas já haviam deixado-a a sós e nesse instante ela tirava seu hobby para poder dormir. Com apenas seu corselet e seu short curto de renda, a jovem princesa sentou-se na cama e antes de deitar, ouviu a porta do quarto abrir. Ela já tinha apagado todas as velas e a única luz que iluminava seu quarto era a luz da lua, que entrava pela enorme janela.

A jovem se preocupou e puxou um pouco o lençol tentando se proteger. Viu a sombra de um homem se aproximar e indagou autoritária, exigindo que o invasor se apresentasse. Foi quando uma risada baixa a espantou. O homem caminhou em direção a luz e a jovem pôde ver, finalmente, o rosto de seu marido.

Lúcius sorriu para ela, estava alegre. Tinha seu hobby aberto, deixando a mostra seu peito nu, portava apenas uma calça solta de pano fino, estava a vontade. Carregava em sua mão direita uma garrafa de vinho e na esquerda duas taças.

- Finalmente teremos nossa noite de núpcias...

A jovem arregalou os olhos e engoliu em seco, sabia que cedo ou tarde aquilo aconteceria, mas não sentia-se preparada. Porém, decidiu que não mais fugiria. Tinha dentro dela que aquela noite seria decisiva e daria a ela o caminho certo a seguir. Não sabia bem ao certo como lhe seria dado o sinal de que tanto dependia, mas tinha a certeza de que saberia distingui-lo.

- Quer um pouco de vinho?

Ele se aproximou totalmente dela e acendeu apenas uma vela que ficava ao lado da cama. Encheu uma taça de vinho e a fez beber. Relena sentia o coração disparado de medo, mas não recuou. Ele sentou ao lado dela e tirou de cima da moça o lençol que a cobria, demorando-se em despi-la com o olhar, deliciando-se com a pele clara e suave de sua esposa.

Tirou a taça dos lábios dela e bebeu o conteúdo todo em um só gole, deixando escorrer vinho sobre seus lábios e pingando na cama. A jovem o encarava enrubescida com a atitude do marido. Ele colocou a taça sobre a cômoda e encheu de novo.

- Quanto já bebeu?

- Só um pouco...

Ao responder o príncipe riu e puxou a jovem, fazendo-a levantar e posicionar-se em pé a sua frente. A loira obedeceu, mas ficou incomodada ao ver o quanto ele já tinha bebido. Lúcius passou as mãos pelas pernas dela subindo até o bumbum da esposa, apertando-o de leve.

Relena estremeceu com o toque, mas a sensação não era boa. Sentiu angústia e vontade de fugir. Segurou-se para não chorar e agradeceu à pouca luz que deixava uma penumbra sobre seu rosto. Assim não se sentia obrigada a dissimular um sorriso de satisfação.

Ele então subiu as mãos até a cintura dela e puxou o short para baixo, enquanto ela ficava inerte sem manifestar nenhuma reação, sentindo a primeira lágrima escorrer sobre seu rosto. Ele então voltou a passar a mão sobre o bumbum dela, sentindo agora o toque delicado da pele macia.

A virou de costas para ele e levantou, bebeu mais uma taça de vinho em um gole e começou a desamarrar o corselete dela, deixando-o cair ao chão. A princesa agora estava totalmente nua por fora e desesperada por dentro. Ele a puxou de frente para ele e analisou o corpo escultural da esposa.

Tocou os seios dela com delicadeza, se segurando para não ser mais agressivo, pois seu desejo era incontrolável. Despiu-se de seu hobby e suas calças, deixando a mostra seu corpo bem cuidado e másculo. Relena não sentiu curiosidade em analisa-lo e manteve a cabeça erguida.

Ele então bebeu mais uma taça de vinho, depois voltou a enchê-la e fez a esposa beber, deixando que caísse vinho sobre o corpo dela. Sedento de desejo, a puxou para um beijo ardente e demorado, A jovem apenas se deixava guiar. Desceu os lábios pelo pescoço dela e continuou seu caminho até chegar aos seios. Levantou novamente a cabeça e a observou. Ela mantinha os olhos fechados, tentando se controlar e não deixar transparecer seu desconforto.

Ele a colocou na cama e se deitou sobre ela. A jovem sentiu o marido separar suas pernas e não conseguiu mais segurar suas lágrimas. Lúcius beijou o pescoço dela, enquanto ela levava a mão até a boca para abafar o choro e se preparava para sentir a dor que provavelmente viria, quando ele a possuísse.

...Continua...


Ok, chegamos ao fim...
Devo avisar qu estou bem protegida, por tanto não gastem as pedras... Não me acertaram... hehehe
E agora sobrou apenas dois casais, me corrijam se eu estiver errada, e quem se beijara pela primeira vez no baile?
O que acharam do capitulo? *sinceridade*
O que acharam dos acontecimentos?
Observações? Pontuações? Dúvidas?

Me contem tudooooo e deixem minha tão amada e aguardada REVIEW! Ok? Beijinnhos a todas (os) Amo vcs!
Confesso que senti saudades! *-*