N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 22

Templo


05 de novembro de 2007


Sakura, frente ao colégio Kitagawa às 15h12min

Quando desliguei o celular sem entender nada eu só parei no meio da rua, provocando uma expressão de interrogação em Tenten. O detalhe mais importante nisso tudo é que Gaara se comportava como um sociopata funcional e raramente demonstrava emoções. Talvez por isso a ansiedade em sua voz, bastante clara naquele telefonema, foi razão suficiente para eu arranjar uma desculpa qualquer e me despedir. Tenten não disse nada, possivelmente achasse que eu estava indo me encontrar com Gaara-san - como o chamava.

Entretanto isto não importa. Se Yamanaka pretendia sair do colégio sem ser "notada", ou mesmo simplesmente sair dali o mais rápido possível, a saída mais fácil seria o portão principal. Afinal, era a decisão mais óbvia a ser tomada, de maneira que ninguém desconfiaria ou estranharia caso essa fosse sua intenção. Outra suposição adicional era que, além de usar o portão principal, Ino procuraria por suas colegas como sempre fazia, afinal ninguém a questionaria por cumprir sua rotina.

E por isso, dando jus a minha genialidade, Ino Yamanaka estava descendo a rua principal na companhia de duas meninas que, se não me engano, também faziam parte do grupo de Ikebana.

Passamos lado a lado enquanto eu subia a rua e ela descia. Nossos olhos não se encontraram, entretanto percebi algo de desequilibrado em sua face, como se os lábios curvados e a expressão suave indicasse um fingimento ansioso. Além disso, parecia distraída e ausente, pois mesmo eu a fitando durante 3 segundos em nenhum momento ela pareceu notar minha presença.

Não sei como, mas Gaara estava certo em me ligar. Havia algo de estranho acontecendo com a Yamanaka. Só não saberia dizer a importância disso... Já que o Sabaku nunca me apoiava e sempre a defendia indiretamente, mesmo não querendo admitir. Quando já estava a alguns passos de distância, me permiti olhar para trás e a vi parar e conversar com as duas garotas. Àquela distância era impossível escutar qualquer coisa, entretanto ela aparentava se explicar soltando um sorriso sem jeito como se pedisse desculpas. Suas amigas, no entanto, não pareciam ofendidas ou irritadas, apenas confirmaram com a cabeça depois de aparentarem certa preocupação. Em seguida ela andava em direção oposta, em um caminhar lento e calmo. Acompanhei-a com o olhar até entrar em uma ruela estreita, onde meu campo de visão já não mais a alcançava.

Contive-me para não correr, pois mesmo com tantos estudantes seguindo aquela mesma direção, Ino poderia muito bem suspeitar que eu estava a perseguindo. Ainda tinha a história incompreensível com Sai onde ela, com certeza, era bem ciente da minha existência, o que na realidade se tornou bem óbvio quando usou Gaara para me atingir.

Sentiria uma pontinha de raiva, se minha ansiedade em acompanhá-la disfarçamente não fosse maior. Até no meio da rua Yamanaka se mantinha em seus passos calmos, apertando a bolsa contra o ombro. No entanto, quando passamos por dois pequenos restaurantes, ela seguiu outro rumo, entrando em um beco ainda com seu caminhar contido, sem chamar qualquer atenção. Tomei um susto quando antes de sumir ela deu uma última olhada a sua volta, mas logo me acalmei ao me dá conta que ela não tinha notado minha presença no meio das outras pessoas.

Droga. Se não me apressasse eu provavelmente a perderia de vista. Acelerei os passos e então estava diante do beco, meio escuro e fedorento, quase o clichê dos clichês com ausência de ratos e latas viradas. O maior inconveniente foi que Ino já não estava mais ali e quando me apressei para seguí-la senti-me sendo agarrada pelo braço e meu coração parar na garganta.

Gaara. Soube quando me virei e vi seus olhos verdes estranhamente despreocupados. Sua mão direita segurava-me pelo braço, como costumava fazer, no entanto, sem dizer nada, ele a deslizou em direção a minha mão e apertou meus dedos, para em seguida me arrastar e subir a estreita rua.

- Ela deve estar indo para o Templo.

Me perguntei como Gaara chegou àquela conclusão, entretanto me mantive em silêncio apenas o seguindo . Talvez eu estivesse ansiosa demais para criar questionamentos, ou quem sabe, atenta ao modo estranhamente delicado que ele segurava minha mão. Me senti ridícula e afastei este pensamento. Meu foco tinha que ser outro.

Chegamos no Templo pela entrada lateral a direita. Mesmo que naquele horário raramente as pessoas visitassem o Templo Budista, chegar pela frente seria quase tão estúpido quanto gritar pela Yamanaka e perguntar diretamente o que estava acontecendo. E por um segundo eu até achei que aquela seria uma boa opção, pois quando entramos, seguindo pelas áreas mais externas em busca de qualquer pessoa loira, não encontramos nada e nem ninguém, além de uma senhora de idade varrendo as plantas sobre o chão sujo de uma fina camada de neve.

- Templo? Seria melhor termos a seguido naquele beco. – reclamei girando meu corpo em direção a ele, nossas mãos ainda juntas. Ele não respondeu, aparentemente atento ao ambiente.

- Aquele beco só tinha uma saída. – ele começou neutro sem me fitar. – E ela teria que cruzar o Templo para seguir para qualquer lugar.

- E se o destino dela fosse exatamente o beco, ou qualquer residência ali perto? – sugeri levemente enfadada.

- É uma opção, mas ai nossas presenças seriam óbvias e qualquer aproximação com Yamanaka estaria perdida.

Ele respondia tudo com uma incrível inexpressão na cara e repentinamente me senti irritada como ocorria desde quando nos conhecemos. Será que ele nunca aprenderia a demonstrar nada naquele rosto de concreto? Hoje pela manhã ele estava tão mais expressivo... Conseguia até ver uma pontinha de irritação, negação e ansiedade.

- Por que você nunca se altera? – perguntei e me contive para não demonstrar nada além de um conjunto de sobrancelhas curvadas. – Você não tem a menor noção do quão difícil é decifrá-lo.

Ele se virou finalmente me fitando, tinha algo de suave em seu olhar, e com sua voz mais casual continuou:

- Com você ansiosa desse jeito? Alguém tem que pensar nesse momento.

Não tive certeza, mas provavelmente meu cenho estava franzido. Gaara estava me subestimando novamente.

- Não se irrite, ainda temos que achar a Yamanaka.

Suspendi um suspiro e mordi os lábios inferiores. Ele estava certo e era horrível admitir isso. Não podia ficar irritada toda vez que Gaara agia racionalmente enquanto eu era levada por esse turbilhão de emoções incontidas.


Gaara, Templo Budistas às 15h42min

Quando ela abaixou a cabeça depois do que disse, me questionei se estava tudo bem. Raramente a Haruno não me respondia e aceitava minhas análises sem argumentar. E mesmo que isso impeça uma discussão desnecessária, esse comportamento de alguma maneira me incomoda. Seus dedos ainda estava entrelaçados com os meus e sentia nossas palmas suarem. Era estranho a situação que nos encontrávamos, ela cabisbaixa pensativa enquanto ficávamos parados no fundo de um Templo Budista em um tempo terrivelmente frio como esse.

Isso me fez perceber que ela está usando um cachecol vermelho escuro me recordando que ela ainda não devolveu o meu. Está usando também apenas uma calça colada de lã escuro por debaixo da saia rodada, suéter e paletó da escola, e suas mãos estão descobertas sem qualquer proteção. E mesmo assim nossa palmas estão quentes. Senti um incômodo na tórax, algo meio sufocante e ansioso que não era exatamente desagradável. E me dá conta disso me provoca a imensa vontade de tocá-la novamente.

Droga, eu não deveria ter esse tipo de pensamento, muito menos agora. A Yamanaka. Isso. Deveríamos estar pensando sobre isso.

Quase esbocei um sorriso ao me dá conta das minhas palavras anteriores.

" Alguém tem que pensar nesse momento."

E bastava ela ficar cabisbaixa, com suas mãos entre as minhas para eu perder completamente a linha do raciocínio. Pergunto-me se a Haruno não estivesse por perto esse caso seria mais bem resolvido, pois eu deixaria de ter esse pensamentos desnecessários.

Decidi ter foco, entretanto não soltei sua mão.

- Desculpa... – ela murmurou e fui levado novamente a realidade. – De qualquer modo, parece que a Yamanaka não está aqui. O que iremos fazer?

- Vamos dar mais uma olhada.

Seguimos durante alguns minutos pelo Templo, sempre em passos discretos olhando atentamente para todos os lados a fim de não sermos flagrados. Mesmo que não estivéssemos fazendo nada de errado.

Repentinamente senti a Haruno perder o equilíbrio e saltar-se para frente agarrando-se ao meu braço. Era só um tropeço, nada que fosse necessário um suporte, no entanto, só paramos por um segundo e não dizemos nada enquanto suas mãos continuavam lá. Prossegui com meus passos como se aquele repentino ato da Haruno não significasse nada, por mais que o incômodo no tórax tivesse se tornado ainda mais presente. Talvez eu temesse que ela se afastasse caso eu dissesse qualquer coisa.

- Você acha que seu pai desconfia de nós?


Sakura, Templo Budista às 15h44min

Quando segurei seu braço eu já tinha um "Desculpa e obrigada" na ponta da língua. Entretanto logo depois que o agarrei pelo braço e ele parou em silêncio, minhas cordas vocais travaram. Agradeci mentalmente quando ele voltou a andar indicando não ser nada demais. E permaneci assim como se houvesse nada de errado.

- Você acha que seu pai desconfia de nós? – perguntei na tentativa de dá continuidade a conversa. Sentia minhas botas fazendo barulho na rala neve no chão de terra.

- Sinceramente, eu não sei... Mas, de qualquer modo, ele seria prejudicado caso alguém do departamento descobrisse que o seu filho está envolvido indiretamente com tudo isso. – me respondeu neutro e naquele momento eu tinha entendido por que ele nunca estimulou a ideia de revelarmos a polícia o que estava acontecendo. – Mas acredito que ele sabe de algo... A maneira como tem me observado esses últimos dias...

- Como? – perguntei e tentei fitá-lo. Me dei conta que Gaara deveria ser quase dois palmos mais alto que eu e que caso eu quisesse alcançá-lo eu provavelmente teria que ficar nas pontas do pés.

- É como se ele me vigiasse e estivesse preocupado com alguma coisa, mas não pudesse dizer nada.

Provavelmente o pai de Gaara desconfiava de nós, primeiramente porque era impossível que ele não soubesse de minha visita até Uehara Hiromi e, segundo, porque era absurdamente estranho que a mesma garota aparecesse no seu escritório particular com uma desculpa estúpida relacionado à sua falecida esposa.

- Acho que ficará tudo bem, caso não invadamos o escritório dele de novo. – brinquei, no entanto Gaara não esboçou qualquer sorriso. – Estive pensando também... Por que não vamos até a floricultura levando uma foto do Sai ou da Ino?

Gaara cessou os passos e virou em minha direção. Meus braços nos seus deslizaram e perdemos o contato físico.

- Isso seria uma boa ideia. Confirmaria nossas suspeitas. – ele respondeu de maneira neutra, entretando senti algo de gentil em sua expressão, por mais banal que aquela resposta fosse. No entanto, fosse simplesmente pelo elogio, fosse por que gostava de Gaara, eu não contive um largo sorriso.


Sakura, Templo Budista às 15h49min

E lá estava ela sorrindo novamente sem as covinhas. Revelando os dentes brancos e deixando os olhos, grandes e verdes, com o brilho tão característico. Um pequeno floco de neve pousou sobre seus lábios e foi inevitável não pensar em seu formato...

Dei um passo para trás. Eu não deveria e nem posso estar pensando sobre isso, principalmente agora. Baguncei os cabelos em um ato nervoso e dei as costas para ela. Segui apressado até a entrada do Templo. Esqueci que precisávamos de discrição e acelerei os passos em direção a saída. De qualquer modo, muito provavelmente, Yamanaka Ino já tinha ido, ou até mesmo não tivesse nem ao menos vindo até ali.

- Gaara. – a escutei me chamar, no entanto não parei .Senti então meu braço ser segurado e imediatamente me virei em sua direção. Estava incrivelmente próxima e o primeiro pensamento que me ocorreu foi que eu poderia beijá-la nesse exato momento.

Agora, nesse instante. Os lábios rosados e ressecados pelo frio... Mas o incômodo afável no tórax mudou para desagradável quando vi sua expressão confusa.

(...)

Não estou entendendo nada.

- Está tudo bem? Você está estranho desde manhã. – ela comentou, tinha as sobrancelhas franzidas e suas mãos em meu braço, e mesmo sobre o casaco podia sentir uma leve queimação.

Eu não agia estranho... Só não entendia nada em relação a ela. Eu só estava tendo aqueles pensamentos inapropriados, enquanto apenas desejava resolver as coisas e que meus cigarros voltem a ser tão eficientes como antes.

– Gaara... – seus dedos deslizaram até minha mão, como se pedissem minha atenção. Em um impulso eu segurei sua mão e no ato pude ver seus olhos verdes arregalarem e os lábios ficarem entrecortados puxava o ar com um pouco mais de força.

E então meus dedos travaram nos seus e um barulho me arrastou para a realidade.


Sakura, Templo Budista às 15h59min

Olhar fixamente para Gaara desse jeito poderia me colocar em maus lençóis e, talvez por isso, eu tenha entrado em uma estável posição de pânico. Ou seja, totalmente sem reação. Do contrário talvez o beijaria ali mesmo, sem pensar em mais nada. Quem sabe o gosto fosse de cigarro, e seria mais intenso e ansiado do que qualquer outro beijo.

Eu, definitivamente, não estou tendo esses tipos de pensamento.

Veio então quase como um salvador, ou um repressor de pensamentos inadequados, o barulho de certa agitação - a princípio incompreensível. Não víamos, entretanto podíamos escutar pessoas se movendo cautelosas em um ritmo constante. E, então, já não estava mais pensando em agarrá-lo ali mesmo.

Gaara me puxou para um canto mais discreto, atrás de um conjunto de pequenas árvores e arbusto esbranquecidos pela neve.

Poucos instantes depois um um grupo, de cinco policiais armados e com roupas escuras, surgiu seguindo, provavelmente, para o fundo do Templo em passos cautelosos e ritmados. Escorados nos arbustos, eles não nos perceberam e logo os vimos sumir pela lateral do Templo principal. No meu peito sentia o coração acelerado batendo fortemente contra minha caixa toráxica.

Olhamos para trás a fim de ver se ninguém mais os seguia; saímos andando apressados até a outra lateral do Templo principal, seguindo na mesma direção que os policiais haviam ido.

Quando chegamos à ponta, ainda escondidos pela estrutura, ouvimos o barulho de uma porta ser escancarada e logo depois podíamos ver um pequeno arcabouço secundário do Templo, algo semelhante a uma pequena casa ao estilo antigo e emadeirada, sendo invadida pelos cinco policiais. Esperei pelo pior, mas não houve qualquer barulho nos segundos seguintes e o máximo que ocorreu foi o fato de Gaara segurar minha mão ainda mais forte. Soube que ele queria dizer que estava por perto.

- O que está...

Fui interrompida ao ver saindo dali um homem algemado sendo levado por dois policiais. O reconheci imediatamente, era o mesmo cara que invadiu o hospital, visitou o enterro de Kiba e ameaçou Asuma de morte. Ele estava ali, com a cabeça baixa, com seus cabelos brancos para trás, sendo arrastada pelos dois... E foi então que me lembrei. Ino.

Onde estava Ino? Senti o coração acelerar de maneira quase dolorosa quando a possibilidade de sua morte voou pela minha cabeça. Será que era ela a proxima vítima, linda e intensa como um orquídea? Me parecia tão concreta e real aquela possibilidade, que foi inevitável não me senti apavorada.

No entanto, não tive tempo de alimentar essa possibilidade, pois minha atenção foi roubada quando surgiram, em passos acelerados e ansiosos um grupo de pessoas. Entre eles, mais a frente e apressado estava Sai que seguia em direção a entrada, ignorando completamente a presença dos policiais e o cara algemado.

Logo atrás vinha o pai de Gaara com as mãos enfiadas no escuro sobretudo, tinha uma expressão tensa e estava na companhia de outro oficial que aparentava ser tão importante quanto ele, apesar do aparente descaso indicado pelos seus olhos pesados, a máscara escondendo metade da face e os cabelos brancos e bagunçados como se tivesse acabado de acordar.

Minha atenção voltou para Sai quando vi Ino saindo envolvida por um manto e escoltada por outro policial. Sai levou as mãos até o rosto dela, que mesmo nesta distância eu podia ver estar úmida e vermelha devido as lágrimas. Desta vez ela não se afastou e o abraçou.

Não pude ver mais nada, uma vez que fui puxada por Gaara.

- Melhor sairmos daqui antes que meu pai nos perceba. – ele disse. Pisquei duas vezes, voltando-me a realidade, fiquei ciente da mudança de ritmo do meu coração e como a respiração se tornara levemente mais alta. Era difícil dizer se eu estava perturbada e feliz, entretanto não havia tempo para chegar a qualquer conclusão sobre aquilo, pois tínhamos realmente que sair dali.


Gaara, Centro de Tóquio às 16h40min

Só conseguimos escapar de lá quando todos saíram pelos portões principais provavelmente em direção a delegacia.

Estávamos indo para uma pequena loja de conveniências por insistência minha, pois Sakura queria seguir para qualquer lugar mais próximo e concretizar alguma teoria que passava pela sua cabeça. Chegamos e nos sentamos em um balcão, na ponta havia apenas um senhor comendo um ramen e quase senti inveja devido ao frio, entretando logo esqueci ao sentir o cheiro enjoativo chegar as minhas narinas.

Realmente não sei como as pessoas conseguem comer isso.

- Gaara.

Haruno me chamou e minha atenção foi voltada até ela. Estava inclinada em minha direção e eu, de costas para o senhor, tinha minhas pernas quase encostada as suas. Ela, no entanto, parecia tão concentrada que provavelmente nem se deu conta deste detalhe.

- Por que será que ele foi preso?

- Talvez pela morte de Asuma...

- Então é ele o assassino...?

A pergunta pairou sobre nós. Faria sentido se ele fosse o assassino, ele estava em teoria ligado ao Asuma e a Uehara, além de estar presente no enterro de Kiba e ter invadido o necrotério. No entanto, aquela possibilidade não me agradou em nada... Mesmo por que era impossível saber exatamente qual era o vínculo de Ino naquele contexto.

- Talvez. Podemos descobrir isso. - respondi.

- Como?

- Meu pai.

- Não. – ela balançou a cabeça negativamente, vi um rastro de preocupação. – Melhor não, podemos esperar e ver se ocorre mais assassinatos, em última instância... – ela deu uma pausa e acariciou as próprias mãos. – Podemos recorrer a Ino, conversar com ela. Não sei... Nunca a vi tão assustada, parecia apavorada.

- Imagino que estava ajudando a polícia. – sugeri, Sakura me fitou curiosa. – Suponho que o telefonema que ela recebeu poderia ser do cara de cabelo branco, provavelmente para marcar um encontro, algo a ver com Asuma. Ela aceitou e ligou para a polícia, que provavelmente já mantinha contato desde a morte do Asuma.

- Então ela foi quase como uma isca?

- Algo próximo disso. Isso talvez justifique por que ela e Sai não podiam ficar juntos, talvez para protegê-lo.

Ela estreitou os olhos pensativa. Normalmente a Haruno ficava absurdamente empolgada com possíveis teorias. Hoje, no entanto, e principalmente depois de ver aquela cena, ela parecia estranhamente estarrecida.

- Isso faz sentido. - declarou por fim. - Talvez Ino não tenha nada a ver com os assassinatos, não diretamente.

- Possivelmente ela soubesse de alguma coisa.

- O que acho curioso foi Sai ter falado que ele a salvou de alguém... Imagino que de um grupo.

- Um grupo? - meus pensamentos foram parar em Uehara Hiromi. - O Grupo Suicida? No caso... Nuvem Vermelha.

- Será que Ino tentou entrar em um grupo suicida...? - ela deu uma pausa e sobressaltou repentinamente - Claro, Sai pode muito bem ter a impedido de se aliciar ao grupo.

- Por que Ino tentaria entrar em um grupo suicida? - perguntei, a ideia de Ino Yamanaka em um grupo como o de Hiromi Uehara me soava inconcebível, no entanto, como a Haruno nunca reagia bem quando eu duvidava das possibilidade quanto a Ino, apenas sustentei a pergunta.

- Não sei... Se ela não estivesse envolvida com Sai, talvez após a morte de Kiba...

- Podíamos verificar isso.

- Sim, talvez se eu conversar com Sai, ele diga alguma coisa.

- Converso com Ino, então.

Ela pareceu pensar seriamente sobre alguma coisa e seus olhos ficaram nublados.

- Acho que a Ino não irá soltar nada sobre isso. - ela me fitou por um segundo para logo depois abaixar o olhar - Você também não é muito bom em arrancar informações. - declarou inclinando o rosto e levando uma de suas mãos a curva de seu pescoço - E... duvido muito que a Ino, não sei, diga qualquer coisa depois disso tudo. Com Sai será mais fácil, pois ele não parecia estar diretamente vinculado.

Achei o julgamento dela inválido, entretando não disse nada. De qualquer forma, era inevitável achar estranho que ela me desestimulasse buscar novas informações enquanto ela saia por ai atrás do garoto com cara doente.

Acho que preciso de um cigarro, bem certo que algo doce e quente agora também seria uma boa opção e me ajudaria a pensar e, quem sabe, manter a Haruno aquecida e mais calma. Não que ela estivesse ou demonstrasse qualquer traço de ansiedade, mas ela sempre ficava bem humorada diante de algo envolvendo chocolate. Me levantei sem avisar... Quando notei seus olhos verdes me encarando, me lembrei de uma reclamação antiga.

" - Poderia ter dito o que ia fazer."

Reclamou quando sumi em busca de um café sem avisá-la. Isso me faz lembrar que semanas depois era eu quem reclamava da mesma coisa.

- Vou pegar chocolate-quente. – informei neutro e segui em direção a máquina. Quando voltei coloquei o copo diante dela e logo depois a vi aquecendo a palma das mãos. Ela tinha os olhos perdidos em qualquer coisa lá fora e não havia agradecido. – Atordoada?

Haruno me fitou por dois segundos e em seguida voltou a olhar para fora.

- Só fiquei surpresa... Ver o cara que estávamos perseguindo sendo preso, seu pai ali e Ino aos prantos... Ela sempre me pareceu tão... Insensível.

- Talvez ela estivesse aguentando essa situação por muito tempo.

- Provavelmente. - ela deu uma pausa e tomou outro gole do seu chocolate-quente. - Gaara... - sua voz soou um pouco mais baixa que o normal, e estranhei não somente isso, mas o fato dela pronunciar meu nome daquela maneira. - Obrigada por estar por lá. Talvez minha ansiedade teria atrapalhado tudo.

Aquilo me surpreendeu e fiquei sem reação, no entanto, assim como sempre ocorria não expressei nada.

- Não foi nada, já enfrentamos situações piores.

- Mas antes eu não estava tão ciente da importância disso.

- Por isso eu estarei sempre por perto nesses casos.

Ela mordicou os lábios e seus olhos caíram sobre sua bebida. Ficamos em silêncio por um tempo até que sua voz, mais baixa que o normal, continuou a falar:

- Você me mima demais, Gaara... Às vezes eu gostaria de saber por quê. – ela voltou-se em minha direção e soube que era uma pergunta. – Você também fazia isso quando saía com a Yamanaka?

Não entendi a intenção da pergunta; na realidade, eu nunca entendi por que a Haruno sempre perguntava sobre a Yamanaka. No entanto, achei que não seria adequado levantar aqueles questionamentos e então simplesmente respondi:

- Não, nunca comprei chocolate quente para a Yamanaka.

Então ela soltou uma risada pelo nariz, e tive a sensação que ela ria dela mesma.

- Eu sou mesmo estúpida. – disse por fim e em seguida tomou um gole do seu chocolate quente.

- Você não é estúpida.

Ela tentou um sorriso, no entanto era apenas algo com covinhas. Tomou nervosamente um outro gole de sua bebida e uma mecha de seus cabelos caiu sobre seu rosto. Sem perceber, quase como um hábito, o coloquei atrás de sua orelha. Só notei o meu ato quando ela me encarou e meus dedos ficaram estáticos na curva de seu pescoço.

Fitamos por três segundos até que seus olhos caíram. Agarrou minha mão em seu pescoço e a segurou com as suas duas mãos. Estavam quentes e úmidas devido a xícara de chocolate quente. E sem me fitar continuou:

- Ele pode não ser o assassino. E mesmo que seja ainda temos muito o que descobrir, não é? – perguntou, entretanto não era necessário responder.

Ela levantou o rosto, girando-o em direção a janela, tinha os olhos distante e um rastro de sorriso, algo sem covinhas, nos lábios. Parecia calma, pensativa, mas sentia que reprimia qualquer coisa. Sabia disso, pois suas mãos seguravam as minhas com firmeza, mesmo que carinhosamente.

Me dei conta que eu queria cuidar da Haruno, por mais que eu soubesse que ela podia cuidar dela mesma perfeitamente bem. Por mais que às vezes ela fosse mais genial do que eu e, com toda certeza, mais sensível e perspicaz.

Só um pouco, não importava.

- Temos sim. - respondi acariciando sua mão. Ela em resposta apertou ainda mais os meus dedos e virou-se em minha direção revelando um sorriso sem covinhas.

Então tive certeza, eu não sairia de perto mesmo que quisesse ou sentisse aquele incômodo, mesmo não entendendo absolutamente nada quando se tratava do seu jeito, de suas reações ou provocações. E mesmo que levasse uma eternidade resolver todo aquele caso, eu não me importaria e, provavelmente, nem mesmo quando tudo aquilo acabasse.


Há! Quero ver quem teve que mudar suas teorias a respeito da Yamanaka depois desse capítulo haha'. Falando dela, só eu que realmente gostei da rápida e singela cena com o Sai? Criei carinho pelos dois... e nem sei por que. Quanto ao Gaara... Eu realmente tenho que comentar algo a respeito? De charmoso, para abobalhado disfarçado, gentleman pagador de chocolate quente e salvador de tropeços hauha'

Acho que o pessoal não curtiu muito capítulo anterior, pois recebi poucos comentários, ou talvez todos estejam meio ocupados, mas de qualquer forma, suspeito que esse capítulo foi bem mais agitado, romântico e fofo que outros – apesar que a cena dele piscando por causa do sorriso da Haruno no capítulo anterior foi também bem fofinho (por falta de adjetivos).

Não haverá mortes nos próximos capítulos, mas talvez desaparecimentos, invasões e eventualmente algumas cenas como essa do café. Falando disso alguma sugestão de como ficará o relacionamento dos dois depois disso?

Cah Hoshiko: Sempre e sempre me divirto lendo suas teorias. Depois desse capítulo me pergunto afinal o que foi adicionado em sua cabeça. E concordo, Gaara tem que ser mais impulsivo, agir como um alfa, oras essa. Quanto a vítima... haha' nem posos dizer nada , em breve você verá, conversamos mais pelo chat. Beijos de Kiwi.

Oul K.Z