16. Baile

Uma floresta negra, fria e portadora de um silêncio agonizante se fechava para que quem estivesse dentro, não pudesse encontrar a saída...

Relena abriu os olhos e viu no teto a luz emanando da enorme janela que ficava em seu aposento, respirou fundo e passou as duas mãos sobre o rosto distanciando-se daquele cenário pouco agradável com o qual havia sonhado. Soltou um suspiro e deixou os braços caírem pesadamente a seu lado, seguindo a extensão de seu corpo. Foi quando percebeu não estar sozinha.

A jovem princesa virou rapidamente a cabeça e finalmente se lembrou da noite anterior. Lúcius dormia tranqüilo e profundamente e nem se moveu quando o braço da esposa esbarrou nele. O príncipe estava totalmente nu, com o lençol cobrindo metade de seu corpo e uma das pernas para fora, estava de bruços e seu rosto voltado para sua esposa com o semblante calmo. A loira de sobressalto sentou na cama e ao ver que estava nua, puxou o lençol para se cobrir e foi então que viu no chão as roupas que eles portavam antes de se deitarem. Sua feição se apagou.

Buscou seu robe, vestiu e se levantou. Olhou para o lençol e entristeceu, correu buscar um vestido para usar e quando ouviu as batidas na porta rapidamente foi atendê-las com medo de que seu marido despertasse. Eram sua servas, deu-lhes ordens para que a encontrassem no banheiro, pedindo que as jovens passassem pela porta que dava acesso ao aposento por fora. Sem nenhuma explicação e não deixando elas entrassem no quarto, a princesa fechou a porta. As duas moças se entreolharam estranhadas com a atitude da princesa, mas resolveram obedecer sem questionar. Relena pegou tudo o que necessitava e foi encontrar as servas no banheiro, como havia combinado, atravessando a porta que ligava os dois aposentos.

A princesa tomou seu banho em silêncio total, esfregando bem o corpo com o sabonete, enquanto as duas moças que a acompanhavam tentavam, inutilmente, conversar com ela como de costume. Mas, sua mente estava tão longe que nem as vozes das jovens ela podia ouvir.

_ Princesa? A senhora está naqueles dias?

Finalmente um das jovens foi ouvida. Relena a olhou confusa e pôde ver na mão da jovem seu robe manchado de sangue. Piscou algumas vezes tentando compreender e sem pronunciar uma palavra, assentiu. A jovem sorriu e foi preparar a roupa dela e tudo o que deveria por. Ao termino do banho as servas ajudaram a princesa se vestir e depois de pronta, a loira se retirou sem mais nada a dizer.

As jovens servas organizaram todo o banheiro, pegaram o robe da princesa para lavar e saíram. Caminhavam distraidamente pelos corredores, comentando sobre o quão estranha estava a princesa naquela manhã, que não notaram que estavam sendo seguidas por alguém que ouvia a conversa atentamente.

_ Bom dia, senhoritas...

As moças se viraram bruscamente para ver que estava com elas, e sorriram charmosamente quando viram Duo.

_ Milorde...

_ O que as moças mais lindas que trabalham no castelo estão fazendo?

O rapaz de longa trança se aproveitava do efeito que causava sobre as jovens para tirar sua tão desejada informação.

_ Estamos levando a roupa da princesa para lavar...

Respondeu a primeira, que tinha os cabelos negros e enrolados até a altura dos ombros, pele bronzeada e olhos cor de mel. Chamava-se Alice.

_ Ah... E me perdoem, mas não pude deixar de escutar... Vocês disseram que a princesa não estava bem?

_ Bem... Não sei se deveríamos falar sobre o assunto...

A segunda jovem era sempre a mais discreta das duas. Seu nome era Livia e tinha os cabelos a quatro dedos para baixo dos ombros de cor terra avermelhada, e seus olhos eram verde escuro.

_ Ah senhoritas... Não precisam guardar esse segredo de mim...

Sorriu de forma sedutora as jovens.

_ Porque o grande interesse, meu senhor? - Livia ainda não se convenceu.

_ Bem... Porque ela é a princesa deste reino!. E eu, como cavaleiro de Sank e amigo pessoal do rei Heero, tenho como obrigação cuidar de seu bem estar físico e mental. Por tanto se algo está errado, é meu dever solucioná-lo a fim de que tudo corra perfeitamente em seu estado normal...

Terminou sua narração sorrindo largamente. A segunda não teve como contestar, e a primeira se pôs logo a falar.

_ O que aconteceu é que a princesa se levantou muito estranha hoje.
_ Estranha como?

O sorriso dele se fechou e ficou sério ao escutar as noticias.

_ Bem... Ela não nos permitiu entrar em seu quarto momento algum, nos encontrando diretamente em seu banheiro. Passou o tempo inteiro calada, sendo que normalmente conversa conosco e nem ao menos nos cumprimentou. Sendo que a primeira coisa que ela sempre fez é perguntar como estamos e tudo mais. Ela parecia muito distante e inquieta... Foi estranho.

_ Hum... Entendo. Deve ser apenas que dormiu mal... Não acham?

_ Se o senhor acha...

_ Com certeza deve de ser isso...

Ele voltou a sorrir e com um beijo na mão de cada uma das duas, se despediu, seguindo o caminho contrário ao delas. Quando as jovens sumiram de sua visão, Duo voltou ao corredor do quarto de Relena, e depois de se certificar de que não havia ninguém no corredor, entrou furtivamente nos aposentos da princesa.

Fechou a porta atrás dele silenciosamente e em passos de ladrão caminhou pelo pequeno corredor de entrada do quarto, afim de ver se algo estava fora do comum ali, ao sentir a presença de mais alguém no cômodo se escondeu atrás de um biombo rapidamente. E de forma furtiva procurou pela pessoa dentro do aposento. Sua surpresa maior foi ver Lúcius dormindo, nu na cama da princesa.

Ao perceber que o príncipe não havia despertado e apenas se mexido, o cavaleiro saiu detrás do biombo, deu uma ultima olhada ao redor do quarto, como quem procura algo sem saber o que é, e saiu. Vendo que o corredor estava vazio, seguiu seu caminho com o cenho franzido e pensativo. Tentando assimilar a cena que acabará de ver.

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Todos estavam reunidos na mesa tomando seu café da manhã, e como de costume, o único que não se encontrava ali, era Lúcius, seu tio Cassius e os visitantes de Wing. Relena estava séria e não conversava com ninguém. Sua atitude chamou a ateção de todos ali, que estranhavam seu silêncio, com a exceção de Duo, que já sabia o motivo, mas não conseguia achar uma explicação real. Algo para ele não se encaixava ali e isso o incomodava.

_ Relena querida... Está tudo bem?

A voz doce de Amanda a tirou de seus pensamentos. Quando voltou a realidade, notou estar sendo observada por todos da mesa, até mesmo Dante parou de comer a espera de uma resposta da princesa, que se acanhou ao ser tão observada.

_ Sim... Desculpem... Creio que dormi mal... Apenas isso... Não há motivo para se preocuparem, estou bem!

Absolutamente ninguém acreditou na resposta dela, já que a princesa nunca foi boa em inventar desculpas ou mentiras. Mas, viram que pelo tom firme de suas últimas palavras, ela não pensava em dizer mais nada.

Amanda então deixou passar naquele momento e perguntou a um dos servos por seu filho Lúcius. O homem respondeu com pesar de que não havia encontrado o príncipe e que ele não tinha passado a noite em sua cama.

_ Onde será que foi Lúcius?

A rainha se questionou em alta voz e Duo respondeu de forma intrigante.

_ Talvez a princesa saiba...

Todos da mesa olharam para o cavaleiro e logo em seguida para a loira que ficou instantaneamente sem graça. Ela olhou para todos e baixou a cabeça, depois de puxar o ar discretamente, levantou o rosto com um meio sorriso e questionou a Duo.

_ O que lhe faz pensar que eu saiba, milorde?

Perguntou da forma mais doce que pode.

_ Creio que nada em especial princesa... Somente o fato de ele ser seu marido.

O cavaleiro deu de ombros como se não fosse nada especial, mas provocou. Queria estudar todas as reações da jovem.

_ Sim... Tem razão... Mas não. Não sei onde ele está.

A loira baixou a vista ao mentir e a mensagem foi captada por Heero, Trowa, Quatre, Wufei, Zechs e Noin. Duo soltou um sorriso maroto ao ver que realmente estava no caminho certo. Heero lançou um olhar para o amigo de trança, que para as pessoas que vissem não significava absolutamente nada, mas o rapaz que recebeu o fito entendeu perfeitamente o que aquilo significava.

Após o termino do café da manhã, todos se separaram. Zechs e Noin foram fazer suas rondas e aproveitarem para passar algum tempo juntos. Dante e Amanda foram fazer a última prova de suas roupas para o baile da noite, o conde foi atender os assuntos do reino, Heero e seus amigos foram para sala de treinamento e Relena foi para o salão terminar os preparativos da festa e esperar suas amigas.

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_ Ai...

Duo gritou ao ser jogado por Heero para dentro do escritório vazio, os amigos apenas olharam a cena sem interferirem, Quatre quis parar o amigo, mas resolveu que iria sobrar para ele.

_ Não devíamos estar na sala de treino?

Trowa perguntou, tentando apaziguar a situação. Duo esfregava o braço que bateu contra a cadeira quando foi jogado para dentro do cômodo.

_ Por que disse aquilo na mesa?

_ Apenas falei que como esposa ela deveria saber do marido...

_ Duo Maxwell, não ouse mentir para mim. Você sabe de algo e eu exijo saber, agora!

Heero o encarava com agressividade e os amigos fecharam a porta, encostando-se nela, enquanto assistiam a cena e impediam que alguém entrasse.

_ Eu ouvi... Essa manhã uma conversa das servas pessoais da princesa, onde falavam que ela havia amanhecido estranha...

_ Continue.

_ E quando elas disseram que Relena não as permitiu que entrassem em seu quarto, fiquei preocupado... Com todos esses acontecimentos que estão passando em Sank...

Duo tentou desconversar.

_ Pare de dar voltas ao assunto. Termine!

Heero estava realmente impaciente.

_ Eu entrei no quarto dela e...

_ E o que?

_ Você não vai querer saber...

_ Não perguntei sua opinião. Apenas responda. O que você viu?

_ Bem...

_ Fala de uma vez.

_ Lúcius... Seu irmão estava dormindo, nu, na cama dela.

Duo baixou a cabeça como se estivesse envergonhado de algo, sentia-se mal por contar aquilo ao amigo. Quatre ficou boquiaberto, Wufei não sabia o que pensar, Trowa ficou introspectivo e Heero neutralizou totalmente seu rosto. Olhou para um lado e para o outro, como quem está confuso, mas sua face nada dizia. Depois virou de costas para o amigo.

_ Vamos treinar...

Depois saiu do cômodo sob os olhares de seus quatro amigos, quem sem nada a acrescentar, o seguiram em silêncio. No meio do caminho, Trowa ouviu um dos guardas mandando avisar a princesa que suas amigas estavam descendo da carruagem e sem pensar duas vezes ele se dirigiu ao corredor por onde elas iriam passar e sentou na primeira poltrona que encontrou, fingindo limpar sua adaga com um lenço.

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Lúcius acordou e olhou a seu redor, passou os dedos entre os cabelos e finalmente se lembrou de onde estava. Olhou para a garrafa de vinho aberta e as taças com um fundo da bebida na cômoda ao lado da cama e sorriu satisfeito. Puxou o travesseiro de sua amada e o cheirou com vontade, como quem deseja se embriagar.

Passou a mão pela cama e deixou o corpo cair pesadamente e espaçosamente. Soltou um suspiro e sorriu, deixando escapar carinhosamente o nome: - Relena... - Ela sempre foi o grande amor da sua vida. Sentou na cama, sem vontade de levantar. Alisou o lençol com adoração e quando se moveu para levantar algo no tecido lhe chamou a atenção. Vendo aquilo sorriu amplamente e depois de alguns minutos de nostalgia sobre a noite passada, da qual sua memória era muito fraca, pois ele se lembrava de entrar no quarto, mas não lembrava o após. Mesmo assim, aquilo era aprova do ato consumado. Levantou e foi direto para seu quarto afim de se arrumar. Seu dia era longo e tinha algumas coisas a fazer antes do baile.

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Teyuki, Hadja e Cléo entraram no castelo e a primeira pessoa que viram foi Trowa, que levantou da poltrona e cortesmente as cumprimentou com uma reverencia. Cléo e Hadja retribuíram o cumprimento acrescentando um amplo sorriso, Teyuki o cumprimentou de cabeça baixa e antes que elas partissem, ele a interceptou.

_ Milady... Poderia ter um minuto de sua atenção?

_ Milorde? Em que lhe posso ser útil?

A mais jovem das damas se surpreendeu ao ter o braço agarrado pelo jovem e teve vontade de recusar o pedido, mas as atenções estavam todas voltadas para o casal e sentiu que seria uma grosseria se não o escutasse.

_ Gostaria de... Lhe falar!

A encarou fixamente. Como sempre, Trowa manteve seu jeito misterioso com seu tom firme e inquestionavel. A jovem assentiu apenas e suas amigas seguiram o caminho delas com vários pensamentos e nenhuma palavra.

_ Me acompanhe...

Ele a guiou em direção ao jardim e quando estavam fora dos olhares incessantes dos guardas, o cavaleiro a convidou para se sentar no banco que ficava ao lado da fonte sob a sombra de uma arvore florida. A jovem timidamente se acomodou e ele apoiou um pé na mureta da fonte e apoiou o corpo sobre a coxa suspensa para conversar com a jovem que se mantinha calada, olhando para a grama.

_ Como tem passado?

_ Estou muito bem milorde... Obrigada por preocupar-se.

_ Continua com vergonha de mim?

Ela virou o rosto para o lado oposto ao dele e não respondeu. O cavaleiro sorriu.

_ Não vejo o motivo disso tudo...

_ Senhor... Em que lhe posso ser útil? Minhas amigas e a princesa... Me aguardam.

Teyuki levantou e falou firmemente com ele, que apenas limitou-se a apontar o banco para que ela voltasse a sentar.

_ Sinto que minha presença está te incomodando...

_ De forma alguma, senhor. Apenas... Estou preocupada com o horário.

_ Serei breve então. - Ela assentiu. - Porque a princesa Relena se casou com o príncipe Lúcius?

A morena surpreendeu-se com a pergunta e ficou confusa. Levantou pela última vez do banco e antes de partir, retomando seu caminho inicial, respondeu:

_ Não tenho a resposta para tal pergunta pertinente. Agora com sua licença...

Trowa a observou partir com um meio sorriso nos lábios.

-/-/-

Jian mal acordou e se dirigiu à sala sonolento e muito distraído. Assustou-se ao ver que não estava só. O homem que sempre o visitava, de capuz no rosto, estava confortavelmente sentado na poltrona de frente a lareira acesa, tinha as pernas cruzadas de uma forma bem masculina e a cabeça levemente apoiada sobre as mãos cruzadas a frente dele.

_ Você dorme demais.

Cumprimentou o rapaz de forma sarcástica e repreensiva.

_ Podia ter avisado que viria...

Passou a mão pelo cabelo recobrando-se do susto.

_ Assim é melhor... Dessa forma posso surpreendê-lo, caso esteja tramando contra mim. - Sorriu.

Jian suspirou e fingiu-se de desentendido..

_ O que lhe trás aqui?

O jovem pegou uma maçã e começou a comer, enquanto se escorava ao batente da porta do quarto, ficando com a visão do perfil direito de seu convidado, quem mantinha seus olhos fixos no fogo.

_ O baile é essa noite...
_ Sim... Eu sei. E já está tudo preparado para essa noite.

_ Mudança de planos.

_ O que? Por quê? - Parou de comer e se endireitou. - Agora... Em cima da hora?

_ Se matarmos Dante essa noite, teremos um grande problema.

_ E qual seria?
_ Heero... Ele assumirá o trono e isso não nos convêm! Ele nos caçará como alces... E quando pegar, porque ele vai pegar, desejaremos ter morrido devorados por lobos.
_ Nossa... Tanto assim? Que aterrorizante.

Jian riu alto e voltou a escorar no batente.

_ Não. Estou sendo otimista!

Foi a vez dele rir e Jian resolveu prestar atenção.

_ Então daremos um jeito de nos livrar-mos dele.

_ Não seja imprudente. Se Heero apenas espirrar, nós teremos problemas. Os amigos dele se encarregarão de fazer uma verdadeira carnificina se algo acontecer a ele. E se sobrevivermos, por um milagre, Lúcius assumirá.

_ E qual o problema da ovelha negra, inconseqüente da família assumir?
_ Eu quero governar!

O homem virou o rosto, pela primeira vez, em direção ao rapaz e sua voz saiu alta e claramente alterada.

_ Então mate todos, inclusive a rainha... - Ao se escutar, o jovem parou e se calou, tendo a certeza que havia cometido um equivoco em sua decisão. - Não. Péssima idéia. Não podemos planejar algo tão drástico de última hora...

Mas já era tarde, o homem levantou bruscamente e em poucos passos chegou até o rapaz, segurando-o pela gola de sua blusa, o pressionou contra a parede. Jian se surpreendeu e levou a mão para segurar o punho do homem, que não afroxou nem um pouco seu agarre. O rapaz prestou atenção no homem com metade do rosto coberto que falava ameaçadoramente.

_ Se encostar em apenas um fio de cabelo de Amanda, eu pessoalmente te estripo!

Jian neutralizou o semblante e vestiu-se de sua arrogância natural com um toque de sarcasmo.

_ A rainha...? - O jovem riu e foi solto. - Mas você não pode tê-la... Ao menos não pelas vias legais...

_ Sei disso. - Caminhou de volta a poltrona. - A propósito, sua querida Mei chegará no fim da próxima semana.

Jian o encarou com os olhos brilhantes.

_ Você irá entregá-la para mim?

_ Não tão rápido. Temos um golpe de estado para organizar. Você poderá vê-la, mas só ficará com ela quando eu conseguir o que quero. Tudo que quero!

_ E qual o problema de mantermos o plano antigo essa noite? Futuramente, de forma bem estruturada, podemos acabar com o restante.
_ Não seja precipitado... O povo ama seu rei, se todos os sucessores do trono morrerem, o povo não se sentara e aceitará o primeiro que se candidatar. Eles votaram e de acordo com meus informantes, Zechs é o favorito do povo abaixo apenas da família Yui.

_ Então qual o seu plano?

O homem voltou a sentar, concentrando-se ao fogo novamente. E Jian resolveu puxar um banco e fazer o mesmo. Ficou em silencio a espera do homem começar sua explicação.

-/-/-

Um trovão ensurdecedor rompeu o céu, sobressaltando todos do reino, principalmente a princesa e suas amigas. Hadja sentiu um mal pressentimento, mas decidiu guardar para ela.

_ Parece que vai cair uma chuva forte essa noite. - Cléo quebrou o silêncio que se formou com a chegada do som.

_ Sim... Só espero que os convidados possam chegar a tempo. - Relena finalizou.

_ A propósito Teyuki... Você não nos contou o que o milorde queria com você.

Cléo fez uma cara de malandra e encarava a amiga com pura curiosidade.

_ Eu... Eu não tenho nada para lhe contar...

Teyuki devolveu de forma arrogante. Atitude que contrasta com as feições doces da menina, dando-lhe um ar gracioso. Cléo não se deu por vencida.

_ Ah... Não vai falar?
_ Não.
_ Não tem problema... Descobrirei de outras maneiras.

_ Ah é? E como seria?
_ Você não é a única que pode me contar isso.

Ao terminar sua frase, a ruiva levantou a barra do longo vestido e pôs a correr pra fora da sala sem diminuir o passo no corredor. A morena demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo. E só foi realmente compreender o que se passava, quando viu o sorriso estampado no rosto da amiga, antes dela desaparecer de sua visão. Teyuki, finalmente percebeu que a jovem ia perguntar para o jovem em questão sobre a conversa e pôs-se a correr atrás dela, afim de impedi-la.

As duas amigas que ficaram, observaram a cena sorrindo. Relena por alguns instantes esqueceu seus pesares e Hadja, tentava afugentar os maus presságios com a alegria contagiante das amigas, quase irmãs que possuía.

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A carruagem real parou em frente a longa escadaria do castelo e por ela desceu Cássius. Duo estava saindo pelo portão e resolveu cumprimentar o barão.

_ Milorde... Como tem passado?
_ Muito bem meu jovem... E você?
O homem devolveu o sorriso para o cavaleiro que o observava atento.

_ Estou ótimo. Obrigado por perguntar. Eu estive curioso...

Duo começou a sondar.

_ Com o que?
_ Bem... Não o vi ontem... E tão pouco essa manhã. Crei ter entendido que o senhor ficaria hospedado no castelo... Seria muito descortês de minha parte, perguntar-lhe onde passou a noite?

_ De forma alguma meu rapaz. - O barão alargou o sorriso. - De fato, eu ficarei hospedado no castelo. Mas... Bem... Passei a noite com... Algumas amigas. Se é que pode compreender-me.

_ Perfeitamente. - O de trança sorriu malicioso. - Só peço que seja cauteloso. Lembre-se que o reino tem sido vitima de vários ataques, e com certeza a família real será o alvo principal.

_ Agradeço a preocupação meu jovem... Mas, sou muito bom com a espada. Não se preocupe.

Duo não falou mais nada. Com uma leve reverencia, despediu-se silenciosamente do barão e seguiu seu caminho em direção aos estábulos. Cássius o observou partir com o sorriso no rosto, que só se desmanchou após o jovem tomar uma boa distância dele. E sem mais nada a fazer, seguiu seu caminho em direção ao interior do castelo.

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Duo escovava e conversava com seu cavalo, quando ouviu passos apressados se aproximarem. Saiu para ver quem se aproximava e trombou com a jovem ruiva que nunca abandonava sua mente. O choque entre os dois foi tão forte que ele caiu de costas sobre o feno e Cléo sobre ele.

_ Ai...

_ Ai, digo eu milady...

Brincou enquanto a observava, sem mover-se para levantar.

_ O que o senhor faz aqui?

A moça esqueceu estar deitada sobre ele e o questionou arrogante.

_ Pelo visto, servindo de colchão para acomodá-la.

Ele sorriu provocativo e Cléo finalmente percebeu sua situação. Levantou correndo, um pouco envergonhada e ele começou a rir mais alto.

_ Não vi a graça...

_ Não teve? Mas, afirmo que foi uma ótima experiência.

Ele sorriu malicioso e ela disfarçou seu enrubescer com um olhar altivo, agora ambos já se encontravam de pé.

_ Bem... A que devo a honra de encontrá-la aqui, milady?

_ Estou a procura de seu amigo... O cavaleiro Trowa Barton.

O rapaz de trança se sentiu incomodado ao ouvir as palavras da moça e perdeu conseqüentemente o sorriso. Tentando disfarçar, questionou a moça da forma mais natural que conseguiu.

_ E por quê precisa tanto encontrá-lo?

_ Algum problema com isso? Milorde... - Ela percebeu a mudança de humor dele.

_ Nenhum... Apenas curiosidade...

_ Quero fazer-lhe uma pergunta.

_ Qual?

Cléo se aproximou do ouvido de Duo e com um sorriso maroto no rosto, respondeu.

_ Se você soubesse a resposta eu não precisaria perguntar a ele...

_ E como sabe que não sei?

_ Porque é uma pergunta pessoal.

_ Quão pessoal?

Ela afastou um pouco e o encarou nos olhos.

_ Está com ciúmes?

Duo a puxou para perto agarrando seus braços.

_ Deveria? - A questionou sério, falando entre dentes.

_ Não sei... Talvez se estivéssemos tendo algo... - Ela sussurrava. - Mas, como não temos... Não. - Terminou falando de forma brincalhona.

Duo ficou sem fala e algo o deixou inquieto, não teve resposta. A jovem virou de costas para ele e caminhou para fora do estábulo, quando pôs o pé na grama a céu aberto, a chuva caiu com toda força e a encharcou instantaneamente. Cléo ficou sem reação, parada na chuva, olhou para o céu depois para o vestido, passou a mão no rosto como quem quer se enxugar, mas uma ação inútil.

Olhou para um lado e para o outro. Estava sozinha. Deu a volta, afim de olhar para dentro do estábulo e ver se Duo ainda estava lá, e para sua surpresa, ela nem ao menos terminou de dar a volta, sentiu o rapaz de trança agarrá-la pela cintura e a puxar para um beijo quente, diferente da água fria que caia sobre eles. Os lábios se encontraram sem nenhuma dificuldade e se encaixaram como se fossem feitos sob medida.

_ Eu gosto de você...

Foram as breves palavras do cavaleiro para sua dama, quando ele se separou rapidamente do beijo, voltando a tomá-la com ansiedade. Cléo correspondeu ao beijo com todo seu corpo e alma, mas na segunda vez que se separaram a jovem o esbofeteou na bochecha direita.

_ Ai... Mas, por que fez isso? - Ele a encarou surpreso.

_ Eu não te dei permissão!

Respondeu autoritária e sorriu malvada. Depois o puxou para um terceiro beijo deixando o rapaz mais confuso ainda, mesmo assim ele não conseguiu resistir e se entregou aos lábios doces da moça. Cléo terminou o beijo e sorriu para ele antes de tomar seu caminho de volta ao castelo, sem dizer nada, deixando o jovem cavaleiro sem reação, mas com um brilho inconfundível no olhar.

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A tarde chegava ao fim aproximando-se a hora do baile. Eram por volta das seis horas da tarde e Zechs passava as últimas instruções para os guardas, e informava sobre a hora de troca de guarda e vistoriava se tudo estava como ele queria. Nomeou Otto para ficar no comando por aquela noite, já que ele estaria no baile acompanhando sua amada. Ao mesmo tempo, Noin inspecionava os servos que trabalhariam no baile e entregava-lhes os uniformes feitos para ocasião.

Kelly recebeu seu uniforme que era composto por uma camisa de mangas longas branca, levemente folgada, de decote canoa, com um espartilho vermelho-borgonha, amarrado na frente com cordões negros. A saia que ia até um pouco antes dos tornozelos era negra e sem volume, mas não muito pesada, facilitando o trabalho. Nos pés uma sapatilha da cor do espartilho. Para a ocasião, a moça escolheu prender o cabelo em um rabo de cavalo alto, destacando ainda mais seu belo rosto.

Logo após todos os servos estarem devidamente vestidos com seus uniformes, partiram para o salão, conferir se tudo estava conforme planejado, e mais uma vez admirarem a harmoniosa decoração trabalhada pela princesa durante a semana.
O amplo salão, rústico como a maior parte dos castelos, tinha formato de arco e um teto há muitos pés do chão. As cores naturais de marrom escuro tinham sido iluminadas com tons de dourado, os intrincados candelabros limpos e acesos. Tapetes pendiam nas paredes, com decorações em vermelho, nobres, e bordados a ouro. Quadros altos nas paredes faziam a outra contribuição para o luxo natural, o chão de piso frio tinha sido polido, assim como as armaduras que ficavam ao redor, pelo salão.

A mesa alongada, de madeira, densa e sólida, havia sido premeditadamente colocada a esquerda do trono que ficava ao fim do tapete vermelho, sobre os três degraus de escada, que o deixavam em um pedestal localizado de frente a porta de entrada do salão. Era decorada com uma toalha bordada, onde muita comida repousava, assim como os melhores vinhos e cervejas. A longa fileira das cadeiras, com forro também de cor vinho, com estampas com desenhos em dourado, estavam dispostas de formas a que se coubessem todos os convidados.

O cardápio, assim como a louça que seria utilizada, os quadros e até mesmo os tapetes para a decoração, todos haviam passado pelas mãos de Relena, que os aprovara conforme seu instinto mandava. No total, a cena formava um quadro confortável e ostentoso.

Os mais deliciosos e exóticos cheiros invadiam o ambiente de maneira intrusiva, a magna lareira acesa aquecia o local, fazendo um suave crepitar agradável. O local dos músicos estava preparado, em um palco de madeira levemente mais alto, em um canto onde não se atrapalharia a passagem, a direita do trono, com um espaço propenso a dança em frente aos músicos.

Rendas em decorações com flores davam os retoques finais, cheio de classe e discrição, formando um caminho agradável que guiava os convidados a atraente sacada com vista para o lindo jardim do castelo, levemente fechada pela longa cortina semi transparente, formando um local mais reservado para os interessados.

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Toda a nobreza se encontrava em seus quartos preparando-se para o grande evento. Amanda, já vestida, estava confortavelmente sentada em uma poltrona em frente ao espelho de sua penteadeira aguardando ansiosa que sua serva terminasse de preparar seu cabelo, que era preso em um coque solto, com varias mexas encaracoladas caídas sobre os ombros e sua coroa dourada combinava com o conjunto de colar e brincos de ouro amarelo com rubi, cor que combinava com seu vestido vermelho granada. Enquanto isso, Dante era ajudado por um servo e sua roupa era marrom com detalhes em bronze formando uma visão afável ao lado da esposa. Na cabeça a coroa de um rei, repleta de ouro e pedrarias que a faziam tão cobiçada e admirada.

Lúcius estava de bom humor admirava-se em frente o espelho, imaginando se estaria combinando ao lado de sua amada. Sua roupa era composta por botas marrons e calças azuis, camisa impecavelmente branca, colete e casaca azuis. O colete, acetinado, tinha filigrana decorando-o inteiro, e a casaca era forrada de pele de raposa, com uma gola de pelos macios e claros, entre branco e ferrugem. Usava luvas couro de astracã brancas, com punhos largos em azul e bordado em dourado. Seus cabelos estavam presos penteados para trás, feitos em uma trança de raiz francesa, amarrados por uma fita azul, e na cabeça sua coroa de príncipe em ouro branco.

Relena estava serena, nem tentava lembrar da noite passava, pois sabia que seria inútil. Estava conformada, e só conseguia pensar no baile, desejava mentalmente que tudo ocorresse como planejado e sentia um frio na barriga toda vez que tentava imaginar como Heero estaria vestido. Trajava um vestido encantador, no tom de cristais lilás, feito em tecido aveludado, o corpete apertado decorado de arabescos bordados em prata e dourado. A saia era longa e ampla, mas sem volume, e as mangas eram longas e pendiam pesadas dos pulsos. O decote reto, descobrindo os ombros, fazia o colo alvo e jovem dela o melhor lugar para exibir o colar de ouro com pingente de esmeralda que Heero a havia presenteado, claro que não se esquecendo dos brincos que completavam o conjunto. Sobre os cabelos semi presos e com madeixas soltas caídas à frente, usava uma tiara de ouro e pedras verdes delicadamente cinzeladas pelo melhor ourives do reino apenas para aquela ocasião.

Heero como sempre não demonstrava emoção. O servo que o acompanhava tinha sérias duvidas se estava ajudando o rei ou uma estatua fria a se vestir. O silêncio era calmante para o homenageado da noite e perturbador para o senhorzinho que o auxiliava naquele momento. Mas apesar da frieza externa, o interior borbulhava sua mente não parava de pensar no que seu amigo Duo relatou para ele mais cedo, gostaria de perguntar para a princesa sobre o assunto, mas não tinha esse direito. Finalmente olhou no espelho e estava pronto. Deu um leve e imperceptível sorriso, satisfeito com o resultado: trajava botas e calças negras, camisa verde-floresta, colete aveludado verde e casaca negra. A casaca e o colete eram ricamente bordados com motivos geométricos em prata. Toda gola da casaca era coberta fartamente de zibelina e suas luvas eram de couro astracã. Um grande cinto de couro preto, com uma fivela ricamente entalhada, arrematava o conjunto, da onde pendia a espada embainhada. Na cabeça, a coroa de ouro amarelo forjada para um príncipe, repousava até o momento em que seria trocada pela de um rei.

Noin e Zechs se arrumavam o mais rápido possível, pois ambos estavam ansiosos para ficarem juntos, ela portava um vestido bicolor, roxo e preto com detalhes em prata, que combinavam com seus olhos, usava um conjunto de brinco e colar na cor lilás e na cabeça um adorno prateado. Ele também abusada de duas cores, mas no seu caso era azul e preto. A primeira cor era dois tons acima da cor de seus olhos. O cabelo platinado era preso em um rabo de cavalo baixo amarrado por uma fita azul. Também portava um cinto de couro preto, onde carregaria sua espada.

Treize vestia verde, marrom e dourado, sua roupa possuía uma majestosidade condizendo com sua personalidade. Abusava do ouro em adorno, mas sempre tomando cuidado para não se tornar algo exagerado e sim notável. Levava um cinto de couro marrom preso na cintura e na bainha sua rapieira favorita, decorada com diamantes, uma verdadeira obra de arte.

Lady Une brincava com tons de vermelho em vestido, completando-o com toque dourado. Seu cabelo era levemente suspenso por uma presilha de pérola assim como seu conjunto de colar e brinco. E um sorriso alegre no rosto enquanto via o quão bonita estava.

Duo não trocou de cor, manteve seu usual preto bordado com detalhes pratas, seu cabelo continuava em trança, e a espada destacava pelo brilho das ametistas que a decoravam. Estava simples, porém elegante.

Trowa optou pelo cinza e preto, sua espada imponente presa no cinto prata, era decorada por topazio que dava-lhe um destaque interessante, contrastando com a falta de cores em sua roupa.

Quatre escolheu o azul e branco, formando uma combinação tão alegre quanto ele. Para a ocasião, usou uma corrente de ouro branco com um pingente em safira, um adorno bem masculino. Escolheu apenas uma espada, sua espada para ocasiões importantes, ela era decorada em safira e tinha a empunhadura em couro branco.

Wufei sempre muito discreto, escolheu o marrom com alguns detalhes em bordô. Suas botas e cinto eram um tom acima do marrom que compunha sua roupa. Sua espada era uma katana de empunhadura vermelha e prata. O cabelo em um rabo de cavalo baixo como sempre gostou, e um laço marrom o prendendo.

Cássius optou pela cor laranja e branco, abusava de adornos em ouro branco e seu rabo de cavalo, era baixo, mas bem firme com todo o cabelo puxado para trás. As mãos com vários anéis de pedras preciosas variadas, mas devidamente combinando.

Todos prontos, cada um saiu de seu aposento e foi em direção ao salão, a realeza aguardava que todos os convidados entrassem para poderem ser devidamente anunciados. Noin e Zechs entraram juntos acompanhados de seus pais. Treize e Une o seguiram em seqüência.

Duo e seu pai, o Marques, encontraram a linda Cléo, que portava um vestido na verde peridota, combinando com seus olhos, acompanhada de seus pais e resolveram entrar todos juntos enquanto os mais velhos se conheciam apropriadamente e o jovem trocava olhares analíticos com a ruiva.

Trowa e seu pai, o Duque, imitaram o amigo, quando viram a doce Teyuki acompanhada por seus pais. o jovem cavalheiro fez questão de apresentar a família a seu pai. Ela mantinha seu olhar tímido, evitando contato visual, enquanto ele a admirava naquele vestido rosa topázio.

Quatre e seu pai, o Conde, já estavam quase passando pela porta, quando a voz suave e sensual de Hadja chamou a atenção do rapaz. Ele se virou e viu a jovem acompanhada pelo pai. Ela sorria provocante em seu vestido azul safira, que coincidentemente combinava com a roupa do rapaz. Após cada um apresentar seus pais um para o outro, o loiro deu o braço para a morena que rapidamente aceitou e entraram todos juntos.

Lúcius e Relena, devidamente anunciados, entraram de braços dados. Ambos com sorrisos no rosto, transformando-os em um casal perfeito, porém os motivos dos sorrisos eram bem distintos. Ele sorria por ser anunciado ao lado de sua esposa e porque para ele, aquele dia era especial. Ela sorria por tudo estar correndo perfeitamente como o planejado para a festa, por estar em público e principalmente, porque era o esperado de uma princesa, um sorriso no rosto.

Em seguida foram anunciados Cássius e a rainha, que entrou de braços dados com o irmão. Eles também estavam sorridentes. Ele sorria como se algo fosse acontecer de muito bom, como alguém que teria um sonho ou parte dele realizado. Ela, como uma rainha e mãe orgulhosa, cumprimentando seus queridos convidados e testigos de um grande momento.

Então, o silêncio se formou e todos prestaram muita atenção. Amanda posicionou-se a esquerda do trono acompanhada de Cássius. Lúcius e Relena estavam a direita em pé. Foi anunciado o rei.

_ Sua majestade real o Rei Dante Yui II.

Dante entrou de forma imponente, cada passo que dava era intimidante e elegante, caminhou o percurso todo com passos firmes e apesar de olhar cada rosto dos que ali estavam presentes, não sorriu à ninguém. Terminou seu caminho e sentou no trono a espera de Heero. Que em seguida foi anunciado.

_ Sua alteza real, o Príncipe herdeiro e rei do reino de Wing, Heero St-Pier Yui.

Então ele entrou. Parou por milésimos de segundos, que passaram imperceptíveis para os convidados, mas foi o suficiente para ele ter uma primeira análise do local e dos que ali estavam. Seu rosto era brando, nada deixava transparecer, seu andar majestoso contrastava com seu olhar frio. Seus passos determinados em direção ao trono não deixavam duvidas de que ele era a pessoa certa para suceder ao trono. Sua aura era ainda mais intimidante que a de Dante, mas via-se a justiça e a nobreza em seus movimentos.

Quando ele estava subindo os degraus em direção ao trono, Dante se pôs de pé, deu um passo a direita e Heero se posicionou em frente ao trono do rei e sentou. Então um bispo da igreja, convidado para o evento aproximou-se e tirou a coroa de Dante, que apresentou uma segunda coroa que estava posta em baixo da principal, mais simples, porém digna ainda de um rei. O bispo levava a coroa lentamente em direção a cabeça de Heero ao passo em que lhe era lido o juramento do rei.

_ Você promete e jura solenemente governar o povo de Sank de acordo com as leis estabelecidas e devidamente justas, respeitando seus costumes e tradições? Você através de seu poder irá exigir que a lei, a justiça e a misericórdia sejam cumpridas em todos seus julgamentos, considerando os direitos por igual de todos?

_ Eu solenemente prometo que assim será!

Então o, agora rei, se levantou de seu trono e com a cabeça erguida, desceu os degraus calmamente, ao mesmo tempo onde seus amigos e mais alguns cavaleiros apresentavam armas, e ele atravessou o corredor com o cedro na mão direita e a coroa real na cabeça. Ao terminar o corredor, foi aplaudido fortemente por todos os convidados e por fim anunciado.

_ Sua Majestade real, o Rei Heero St-Pier Yui.

Voltou-se para o corredor, antes formado com a apresentação de armas e agora estavam todos de joelhos para saudá-lo. Heero fez o caminho de volta ao trono. Ao chegar, voltou a sentar, e a coroa real foi trocada por uma outra, a coroa oficial do rei, aquela que ele deveria portar sempre a partir de então. Era em ouro amarelo, com detalhes em prata e com um diamante em cada ponta. Então, a levantar-se de novo, anunciou, como sua primeira ordem.

_ Que o baile comece.

Os cavaleiros convidaram suas acompanhantes e aquelas por quem tinham interesse e começaram a bailar, alguns homens trocavam assuntos sobre negócios em cantos espalhados, Lúcius convidou Relena que gentilmente o acompanhou até a sacada. Os servos colocaram mais dois tronos sobre as escadas para Dante e Amanda sentarem. E enquanto Quatre e Duo convidaram Hadja e Cléo a dançar, Zechs e Noin conversavam animados com seus pais. Treize e Une, sumiram dos olhos de todos e Wufei ficou observando o salão. Trowa chamou Heero para conversar e Cássius entretinha os convidados de Wing.

-/-/-

Lúcius e Relena se encontravam sozinhos na sacada, ouviam ao longe o som da orquestra, a música era alegre e fazendo com que a cena destoe do cômodo ao lado. Ele estava empolgado e louco para repetir a noite anterior, ela estava incomodada e tinha medo de estar sozinha com ele.

_ Você está linda hoje...

_ Obrigada... Você também está ótimo.

Ela forçou o sorriso. Apesar de realmente achar que ele estava bonito, desde que haviam se casado, ela não conseguia mais sorrir verdadeiramente para ele.

_ Eu... Queria saber como você está?

Ele se aproximou e passou a mão no rosto dela, ela deu um leve passo para trás, encosto-se na mureta da sacada e abraçou o corpo.

_ Como... Você... Ainda te sinto... Distante.

_ Desculpe... Mas, não sei o que te dizer...

_ Sobre a noite passada...

Relena o encarou de forma brusca o que o surpreendeu, fazendo com que ele parasse de falar.

_ Eu não me lembro de nada...

_ O que? - Ele estranhou.

_ Eu não faço idéia do que se passou na noite passada.

Ele não disse nada. Ficou calado, não mostrou expressão, olhou para o lado oposto dela e passou os olhos ao redor pensando em algo que não quis deixar transparecer.

-/-/-

_ Heero, aquele é Lorde Macben, acompanhado do rapaz que falou com a princesa.

O rei olhou para o amigo e encarou os dois homens citados, analisando-os atentamente. O lorde usava as mesmas cores que o tio de Heero, mas de roupa totalmente oposta, apresentava um jeito bufão, mas Heero pôde ver que aquilo não passava de uma máscara. Ainda estava interessado em conhecer o verdadeiro rosto daquele homem.

Então focou em Jian, o rapaz de beleza selvagem que conversou animado com a princesa outro dia.

Ele vestia uma blusa azul escuro, de um material brilhante e fino, gelado como seda, uma braçadeira de couro preto que protegia seus antebraços, com detalhes em prateado. Por cima da blusa, um colete preto de um tecido mais resistente, mas também de aparência extravagante, opaco com detalhes prateados nos ombros, ia até o meio de suas longas pernas, com uma fita forte presa a cintura não só marcando-a, mas dando algumas voltas e servindo para segurar sua espada. As calças também eram escuras, porém simples, contrastando com o resto do visual carregado. As botas eram pretas e sólidas, completando um visual típico de festas. Seus cabelos bagunçados assumiam um tom rebelde no total de sua aparência, ressaltando seus olhos amarelados como os de um gato, atentos e espertos, apenas esperando a oportunidade certa de agir.

_ Ele não parece estar vestido como um nobre?

Heero fez uma pergunta retórica para Trowa, que apenas assentiu.

_ Bem vestido... Bem controlado e sorrindo em momentos chaves, fingindo uma falsa desatenção... Descubra quem ele é!

_ Eu terei prazer em fazer isso.

Trowa e Heero viraram para encontrar Wufei que apareceu sem fazer barulho e ouviu a conversa dos amigos em silêncio, mostrando um real interesse em investigar o alvo.

_ Faça isso... Quero saber tudo. Trowa me acompanhe...

Heero aproximou-se e os que ali estavam o reverenciaram, a seu lado Trowa.

_ Senhores...
_ Majestade... É um prazer, finalmente conhecê-lo.

O lorde foi cortês e Jian concordou com a cabeça, mas mantinha seu olhar atento as reações de Heero, que para seu incomodo não existiam.

_ Desculpe, creio não haver sido devidamente apresentado...

_ Oh sim... Permita-me meapresentar, sou o Lorde Macben e esse é meu braço direito Jian Zhang.

_ Zhang... Esse sobrenome não me é estranho... De onde vem?

_ Venho do Sul, majestade.

_ De onde do sul?
_ Um povoado pequeno e nada conhecido...

_ Hum...

Heero não insistiu, viu que o rapaz não queria falar e deixou as investigações para Wufei. Pousou uma das mãos no ombro do lorde, e fez sinal com a outra para andarem, o homem o seguiu, Trowa se posicionou na frente de Jian, deixando claro que não era para seguir os dois. O rapaz deu um meio sorriso e deu a volta sem dizer nada, seguindo ao lado oposto.

_ Ouvi dizer que o senhor tem interesse na jovem Yukiame...

_ Oh sim majestade... Uma bela flor para ser desabrochada, não concorda?

Heero olhou para o outro lado, o comentário o incomodou.

_ Permita-me perguntar?

_ Pergunte o que quiser majestade...
_ Como fez para conquistar tamanha beleza?

_ Conquistar? - O lorde riu a bom rir. - Isso nada mais é que um excelente negócio.

_ Ah sim? Que negócio?
_ O pai dela fez negócios com um comerciante de fora e o homem não cumpriu com sua parte, porém o senhor Yukiame perdeu uma soma considerável na transação e precisou de um empréstimo.

_ E o senhor cobrou o valor com a mão da jovem Teyuki... Certo?

Heero era político e mantinha o rosto neutro durante toda a conversa, vindo a esboçar um suave meio sorriso em sua conclusão final. Enquanto o lorde, contava com um sorriso satisfeito nos lábios.

_ Exatamente...

_ E de quanto estamos falando?

_ De dez mil moedas de ouro.

_ Uma boa soma...

_ Sim.
_ Mas se o pai dela, o senhor Yukiame, quisesse quitar a divida...

_ O senhor abriria mão do casamento?

O lorde não gostou da pergunta e fechou o cenho. Heero notou e se regozijou por dentro, mas manteve a expressão fria.

_ Pelo tempo que passou, os juros sobre o valor seriam enormes... E provavelmente eu não aceitaria. Quero-a como esposa de qualquer forma.

_ Juros... De quanto estamos falando?

_ De... Cem por cento do valor.
_ Então ele teria que reembolsá-lo vinte mil moedas de ouro?

_ Sim... Mas, como eu disse creio que não seria o suficiente... Teria todo o dinheiro que gastei com os preparativos para o casamento...

_ Mas, esse é o dever do pai.

_ Tomei a liberdade de fazê-lo pessoalmente.

_ Então, esse valor não lhe foi pedido. O senhor quis fazê-lo.
_ É... Digo... Bem... Si-Sim... Creio que sim...

_ Entendo...

_ Mas seria uma humilhação para mim. Todos no reino sabem que me casarei com a jovem Yukiame, se o casamento for cancelado, mesmo que eu receba tudo de volta seria uma humilhação.

_ Então a senhorita nada mais é que um troféu...?

O lorde ficou pálido, começou a gaguejar e não conseguia responder. Heero deu um meio sorriso e com um tchau de cabeça se afastou do homem, que ficou perplexo e desnorteado.

Trowa vendo que Heero se afastou do lorde foi encontrá-lo.

_ E então?

_ Temos que conversar. Mas, não aqui e não agora. Por enquanto... Acompanhe a sua querida Teyuki.

_ O quer dizer com querida? Eu não tenho nenhum...

Ele foi interrompido pelo olhar do amigo, que o encarou como quem diz: Não me venha com desculpas mentirosas. E Heero se afastou do amigo sem mais nada a dizer e sem esperá-lo terminar sua frase. Trowa engoliu e ficou um tanto pensativo, depois procurou a família Yukiame no salão e foi tirar Teyuki para dançar.

-/-/-

Heero seguia rumo a sacada e pode ver de longe, pela fresta aberta da cortina, seu irmão Lúcius acompanhado de Relena. Aparentemente eles conversavam, mas suas feições não eram alegres. Acelerou o passo afim de escutar o assunto, mas foi interceptado.

_ É um enorme prazer conhecê-lo majestade.

O rei se virou para ver de quem se tratava e encontrou o olhar insinuador da dama que o cumprimentou. Ela tinha olhos verde escuro, cabelo tamanho médio castanho claro, beirando o loiro. Era esguia e seu vestido era salmão com generoso decote. Na mão um leque, na cabeça uma coroa.

_ Perdoe-me... Creio que não fomos apresentados...

Perguntou, ela em resposta alargou o sorriso e estendeu a mão, o rei cortesmente a segurou e beijou. A jovem dispunha de todo seu charme ao falar com ele.

_ Sou Emera de Nothingan, a princesa do reino Du Bois.
_ É um prazer princesa.

_ Acredite majestade, o prazer é todo meu...

Ele esboçou um meio sorriso.

-/-/-

_ Então... Me responda Lúcius, o que aconteceu na noite passada?

A princesa sentia seus olhos umedecerem, um desespero apossar-se de seu coração e uma vontade louca de gritar, mas nenhuma das opções lhe era permitida, então engoliu a todas e tentava a todo custo manter sua compostura.

Lúcius encarou o chão, depois a paisagem, em seguida a festa, mas evitava a todo custo olhar os olhos da esposa. Sua face mostrava um sentimento de confusão, ele se mantinha calado o tempo todo e apesar de implorar, a loira não recebia uma resposta.

_ Me diz... Porque não me responde? O que realmente aconteceu na noite anterior... Nós... Nós realmente...
_ Isso seria tão ruim assim?

E ele finalmente falou, sem olhar para ela com um enorme pesar na face.

_ Eu... Não sei mais o que pensar... Acho que esse casamento foi um erro.

Sua frase saiu, mais pesada e mais dura do que ela havia planejado. Mas não se arrependeu, cansou daquela pressão psicológica e sentiu-se livre ao pronunciá-las. Ele a encarou boquiaberto era a vez da jovem olhar a paisagem.

_ Você...
_ Me perdoe Lúcius... Eu pensei que poderia te amar, acreditei de todo meu coração que poderia aprender a te amar como um homem e não apenas como um amigo... Mas, todos os meus esforços foram inúteis...

_ E por um acaso você se esforçou?

Ele falou com rancor na voz.

_ Sim... Por mais que você queira acreditar que não. Eu dizia pra mim mesma todas as suas qualidades e me focava no carinho que sempre demonstrou ter por mim... Mas, tudo foi inútil. Te amo... Mas como um grande amigo... até mesmo um irmão...

Ele sentiu as lagrimas chegarem a seus olhos e o coração escurecer e doer.

_ Por tanto, me diga verdade... Nós... realmente... Fizemos amor?

Ele parou, respirou fundo enquanto encarava o nada, sua feição começou e se fechar e o brilho em seus olhos se apagaram. Era como se ele tivesse se transformado em outra pessoa em questões de minutos. A princesa não notou, pois o rosto dele estava virado para o outro lado, mas quando ele a encarou a jovem sentiu um frio percorrer sua espinha.

_ Sim... Nós fizemos amor a noite passada, assim como faremos todas as noites de hoje em diante, pois queira você ou não princesa... Somos marido e mulher.

O príncipe voltou para o salão, deixando a loira desnorteada e sozinha na sacada.

-/-/-

_ Vossa majestade é um excelente dançarino.

A princesa Emera elogiou Heero durante a dança e ele nem sequer esboçou uma resposta. Viu Lúcius sair apressado da sacada e encará-los friamente antes de seguir seu caminho para fora do salão. O olhar ameaçador não causou nenhum efeito no rei, mas ele ficou curioso em saber o motivo daquilo.

_ Diga-me princesa... Seus pais estão aqui no baile? Gostaria de conhecê-los...

_ Meus pais faleceram no verão passado, majestade. Quem está a frente do meu reino é meu tio, até que eu me case. Nesse momento, meu marido e eu assumiremos o comando do reino e ele será muito mais rico.
_ Sorte do homem que a desposar...

_ Sim... E esse alguém poderia ser...
_ Se me der licença, terminamos nossa dança depois...

Ele a interrompeu e dando um beijo em sua mão se despediu. A princesa ficou com a palavra na boca e se sentiu rejeitada. Era a primeira vez que um homem não se interessava por ela e isso a incentivou a não desistir do rei.

-/-/-

Heero passou pela cortina que separava a sacada do baile, deixando ordens para que ninguém o interrompesse. Ele viu a princesa debruçada sobre mureta e se aproximou com passos de um felino, debruçando-se ao lado dela. A jovem se assustou ao vê-lo.

_ Eu não o ouvi chegar majestade...

Ela o reverenciou.

_ Não necessita se curvar... Estamos a sós.

_ Creio que isso é impróprio.

_ Nunca me importei com a opinião alheia e não pretendo começar hoje...

_ Majestade...

_ O que aconteceu entre você e meu irmão?

_ Nada com que deva se preocupar...

Ela deu um passo de distancia dele e voltou a encostar-se à mureta, olhando para a noite.

_ Vai chover...

_ Sim... O clima começou a mudar...

Eles permaneceram em silencio absoluto, paralelamente olhando a mesma direção, mas sentiam-se acolhidos um pela presença do outro.

-/-/-

_ Então, senhorita Cléo... Como foi seu fim de tarde?

Duo a provocou.

_ Foi... Como direi eu... estranho.

_ Estranho?

_ Sim... Aconteceram algumas coisas... Das quais ainda não tirei uma real conclusão.

_ Mas a senhorita gostou desses acontecimentos?

_ Não foram detestáveis...

Ela deu de ombros fingindo não se importar.

_ Mas e se eu quisesse repetir o acontecimento?
_ Milorde...

Ela o encarou de forma sedutora e se aproximou dele até o limite.

_ Eu não uma garota qualquer, o senhor terá que fazer mais do que simplesmente querer...

Ele sentiu o sangue ferver. Ela se afastou e sorriu travessa, depois deu uma olhada de rabo de olho para ver se seus pais não haviam notado, mas para sua tranqüilidade eles conversavam tranquilamente com o marques. Duo a encarou com ânsia e a convidou para dançar, convite que foi facilmente aceito.

Do outro lado estavam Quatre e Hadja que conversavam animados, enquanto bebiam vinho e trocavam olhares. O casal ignorava a existência das demais pessoas e seus pais os observavam sem serem notados.

Wufei não tirava os olhos de Jian até que sente a presença de alguém, quando se vira encontra o olhar intenso de Kelly.

_ O senhor aceita vinho?

_ Sim... Obrigado.

Ela o serve sem desviar os olhos dos dele.

_ Ainda não entendi...

_ O que?

_ Porque mandou aquele vestido de festa para mim?

_ Pensei que talvez pudesse me acompanhar no baile...

_ Isso eu entendi...

_ Então qual a dúvida?

_ O que não entendi é porque você não desiste...

Ele esboçou um sorriso de canto, o que irritou a jovem que virou e continuou a servir os convidados.

-/-/-

Era uma noite escura e fria, os ventos avisavam a chegada da chuva, já era a hora da troca de guarda, os guardas preparavam-se para serem rendidos por seus colegas, mas um deles não estava em seu posto, o soldado havia saído de seu lugar para ir urinar, e foi aí que o homem encontrou sua brecha.

Com o rosto coberto deixando apenas seus olhos cinzas a vista, o invasor passou pela porta acompanhado de um grupo de malfeitores. Invadiram o castelo na surdina e seguiram em direção ao salão do baile. Era um numero razoável de homens, não muito, mas o suficiente para causar um problema.

Andavam apressados, esgueirando-se pelas sombras, no caminho encontraram algumas servas, as que não os viram eles deixaram vivas, mas as poucas que notaram a presença deles foram degoladas antes mesmo de poderem dar seu último grito.

-/-/-

_ Porque se casou com Lúcius?

_ Como?
_ Está escrito no seu rosto que você não o ama... Porque se casou com ele?

Ela deu uma risadinha nervosa.

_ De onde tirou isso majestade?

Ele finalmente a encarou e estendeu a mão para ela.

_ Me daria à honra de uma dança?
_ Si-Sim...

O rei a puxou para bem perto e começaram a bailar.

_ Sinceramente eu posso ver que não é feliz...

_ Não sei de onde tirou isso majestade...

_ Me chame de Heero, quando estivermos a sós...

_ Esta bem... Heero.

A voz dela saiu suave, seu coração estava disparado numa mescla de alegria e medo.

_ Desde quando conhece Lúcius?

_ Somos amigos desde a infância.

_ Amigos... É exatamente esse sentimento que vejo em você... Porque não me conta a verdade?

_ Não há o que falar e mesmo que tivesse... De nada mais serviria.

_ Porque não?

Ela não respondeu, olhou para ele dentro de seus olhos e bem la no fundo, conseguiu ver algo diferente, algo que na hora ela não saberia descrever, mas que futuramente entenderia, algo que ficava atras da frieza. O silencio voltou a reinar e por alguns instantes ela esqueceu seu medo, o medo de serem vistos e deitou a cabeça no peito dele, sentindo pela primeira vez a sensação de proteção.

-/-/-

Lúcius andava de um lado ao outro do quarto, estava muito irritado, metade de seus pertences estavam jogado ao chão, alguns vasos quebrados e ele passava a mão incessantemente no rosto, como quem tenta recordar algo.

_ Isso não pode estar acontecendo... Eu... Eu tenho que lembrar...

Colocou as duas mãos sobre a cômoda e encarou o espelho, seu olhar era transtornado e confuso. Ele não conseguia lembrar-se de nada, por mais que tentasse.

_ Você nunca saberá disso Relena... Nunca... Nunca te deixarei ir... Você é minha!

-/-/-

Trowa continuava dançando com Teyuki e se divertindo com a feição corada da jovem, eles não falavam, mas as palavras sobrariam para eles naquele momento.

Duo e Cléo continuavam também a dançar, mas ela ria das piadas que o cavalheiro lhe contava. E Hadja e Quatre também entraram para a pista de dança, mas a morena perguntava curiosa sobre as inúmeras aventuras que o jovem participou.

O rei Dante e a rainha conversavam com o conde. Zechs e Noin namoravam sentados em um sofá perto da mesa do banquete, e finalmente foi possível avistar Treize e Une que dançavam juntinhos em um canto mais escondido e afastado dos demais.

Kelly estava servindo os convidados quando tromba em um, ao se virar para ver quem era o inconveniente que não olhava por onde andava teve uma grande surpresa.

_ Jian?

_ Kelly?

Os olhos dos jovens se arregalaram, tamanha a surpresa de ambos, que pronunciaram ao mesmo tempo o nome do outro.

_ O que faz aqui Jian? - Ela parou por um momento e lembro de algo muito importante. - Onde está a Mei?

_ Ela está ótima... E eu sou quem pergunto... O que você faz aqui?

_ Jian me deixa vê-la, por favor...

A moça quase implorou.

_ Sempre tão fraca...

_ Eu não sou fraca... E eu deveria te matar por...

_ Vá em frente... Tente...

_ O que está acontecendo aqui?

Os dois que discutiam olharam e viram Wufei que exigia uma resposta e os encarava incessantemente.

Mas antes que alguém respondesse, as portas do salão foram fechadas e trancadas com força, o que chamou a atenção de todos que ali estavam causando uma comoção.

Duo, Trowa, Quatre, Wufei, Zechs e Treize, puxaram suas parceiras para tras deles, Dante se levantou e indagou.

_ Quem são vocês? e Como ousam invadirem o baile do rei?

_ O senhor não é nosso rei... Homens... Divirtam-se...

Os invasores avançaram sobre os convidados agarrando as mulheres, comendo do banquete e roubando quem podiam. Os guardas estavam presos do lado de fora do salão e somente os rapazes estavam armados. Estavam em desvantagem perante os invasores.

Noin pegou uma espada de decoração do local e se posicionou para batalha.

_ Lucrezia, vá para trás e proteja o rei.

Zechs deu uma ordem que a namorada não conseguiu desobedecer, ele juntou-se a Treize, Trowa, Wufei, Duo e Quatre na linha de frente, prontos a contra ataca.

Heero e Relena estavam tão imersos em seus pensamentos que só notaram que algo estava errado quando ouviram um grito de desespero tão alto que parecia que estava ao lado deles. O rei soltou da princesa e ambos correram para o salão. Quando ele viu a cena, mandou Relena para perto de Noin e sacou sua espada, avançando para a batalha.

Jian aproveitou o momento para tentar seqüestrar Kelly, mas Wufei logo percebeu e foi em socorro da jovem, lançando sua espada contra o rapaz que se defendeu. Wufei sentiu-se encorajado quando viu que o rapaz sabia lutar.

Quatre estava sendo atacado por vários lados, ele cobriu Wufei que foi salvar Kelly e acabou ficando sem cobertura. Trowa e Duo cobriam um ao outro, assim como Zechs e Treize cuidavam um da retaguarda do outro, Heero abria caminho para os convidados se afastarem da luta, Noin matava qualquer um que conseguisse passar pela barreira e os generais, duques, marqueses e condes agrupavam os convidados e protegiam o rei e a rainha.

Davhand passava os olhos a procura de alguém, na luta deixou cair o lenço que cobria seu rosto e Relena o viu. A princesa teve a sensação de conhecê-lo, mas, não conseguia lembrar-se de onde. O homem quando viu que foi visto por ela deu um leve sorriso e correu para a sacada, sua vitima não se encontrava ali e seguiu para sua missão particular. Suas habilidades eram diferentes e o homem não encontrou dificuldades descer pela sacada para subir em outra.

Os invasores apesar de estarem em maior numero não estavam conseguindo vencer, mesmo assim a luta não acabava, podia-se ouvir o barulho dos guardas presos para fora do salão tentando inutilmente arrombar a porta.

_ Seria muito mais fácil abri-la. - Pensou Hadja.

E a jovem vendo que a luta estava concentrada em um dos lados pensou que poderia se esgueirar até a porta a fim de deixar os guardas entrarem e o pesadelo acabar logo. Começou a caminhar agachada, tentando ser o mais invisível possível e consegui, passou por Noin e todos que estavam ao lado dela despercebida... Pelo menos por um tempo.

Quando a jovem já estava na metade do caminho Quatre a viu e se preocupou, causando sua distração por alguns segundos, o que o fez ir para o chão com a força do golpe de espada que seu adversário lhe proferiu. Heero viu o amigo no chão e gritou.

_ Quatre!

Correu em sua defesa e impediu que o homem o acertasse com a lâmina de sua espada, foi então que com a ajuda de Heero Quatre procurou novamente Hadja para ver se a moça estava bem e vendo que ela já estava quase na porta se tranqüilizou, mas sua alegria durou pouco quando viu que um dos bandidos tinha uma flecha apontada para a jovem. Ele não conseguiria chegar a tempo.

O cavalheiro correu com toda velocidade matando quem tentasse impedi-lo com golpes certeiros com o fim de tentar tirar a moça da frente da flecha e ele chegou no momento exato para receber a flechada no lugar dela. Hadja arregalou os olhos ao ver Quatre cair sobre ela com a flecha nas costas e sentiu que tudo ficou mudo, como um silêncio total e parecia que o ambiente estava em câmera lenta.

Ela caiu de joelhos com o loiro que a salvou nos braços e quando já estavam no chão, o tempo e o som voltaram a sua normalidade e o grito da jovem dama atravessou o ambiente sangrento de forma ensurdecedora. Foi quando os amigos do cavalheiro caído notaram o ocorrido.

_ Não!

Gritou Trowa e os demais amigos ficaram perplexos. O rapaz que gritou procurou o arqueiro pelo salão e em poucos passos, correndo com toda sua velocidade, pulou sobre o homem e o abriu em dois com sua espada. Wufei desnorteado com o ocorrido caiu no chão após ser empurrado por Jian, que aproveitou do momento de distração de seu adversário e correu, Kelly ignorou a fuga do rapaz e correu em socorro do cavalheiro que a defendia. Noin jogou a espada para o General Chang e correu em socorro de Quatre, Zechs viu o caminho livre e conseguiu abrir a porta do salão, os soldados entraram e a luta acabou os bandidos que sobraram foram mortos sem piedade, sobrando apenas um.

Heero junto dos amigos carregaram Quatre para o quarto e mandaram buscar o médico real. Todos foram escoltados para outra sala e soldados ficaram de guarda protegendo os convidados e Dante, junto de Amanda a acompanhá-los. A rainha mandou buscarem Lúcius, pois ela não o via no meio da multidão.

Heero deixou o amigo aos cuidados do médico e de Hadja que se recusou a sair do quarto, junto de Noin e foi com os demais procurar saber como foi que os homens invadiram o castelo, encontraram três servas mortas no caminho e antes que terminasse de seguir o rastro de sangue deixado pelos invasores, um guarda o interceptou.

_ Majestade... O príncipe Lúcius foi seqüestrado!

...Continua...


Ola meninas tudo bem?
Faz tempo pra caramba né?
Como estão todas? E todos? Pq sei que tem homem que tb le minha fic...
Gostaria de agradecer imensamente a todos que me apoiam a tanto tempo e nunca desistiram de mim.
Obrigada a Miyavi Kikumaru pela correção.
E bom... Espero imensamente que ninguém queira minha pele... Pq ja vou avisando sem pele, sem capitulo. u.u
Vou tentar não demorar mais tanto, ok?

hsuahsuahsuhaushuahsa

Até a próxima pe-pe-pessoal! shuahsuahsuahsua

Ah é... Já ia me esquecendo: REVIEW! REVIEW! REVIEW!