N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 23
Exposição
07 de novembro de 2007
Gaara, Centro de Tóquio às 07h12min
Não havia notado, mas quando olhei para o lado eu já estava ali sentado no sofá da sala, com as pernas cruzadas e a televisão a minha frente ligada em um filme americano qualquer. Não prestava atenção, pois o cheiro doce de cookies puxavam minha atenção para a porta da cozinha que estranhamente estava localizada no lugar errado. Me percebi para lá, esperando qualquer coisa que não sabia dizer o que era.
- Gaara?
Era ela. A Haruno estava ao meu lado e me perguntei por que não tinha notado sua presença ainda. Ela estava sentada com joelhos nus levantados, usando apenas um pequeno short jeans, regata cinza e um de seus braços estava apoiado no sofá.
Sorria terrivelmente próxima. Talvez no máximo alguns palmos de distância, sendo possível ver as íris em seus tons misturados e as sardas nas maçãs. Descendo um pouco a vista, observava o pescoço e um pouco mais a baixo o busto apenas protegido pela a blusa larga, de maneira que consegui ver, naquela posição, o leve volume do seios.
Não fazia frio. Ela provavelmente só de estar ali já esquentava tudo.
- Não quer cookies, Gaara?
- Cookies?
Tinha me esquecido. Havia perguntado sem tirar meus olhos delas e, talvez por isso, suas bochechas coraram. Não desviou o olhar, mas a boca entreabriu e tremeu, úmida e vermelha.
Queria beijá-la.
- Esqueceu-se dos cookies, Gaara? – ela indagou com o tom de voz levemente mais baixo. Virei apenas mais um pouco e concordei com a cabeça. Ela estava com aquele sorriso misto a constrangimentos e diversão, ou talvez essa mistura insana seja produto apenas da minha inabilidade de descrevê-la. - Então... Você estava pensando no quê? No quanto você gosta de mim?
Ela se aproximou ainda mais, de maneira que podia sentir suas coxas nuas me tocando e seu braço, antes apoiados no sofá , roçando em meu peitoral. Se eu fizesse qualquer movimento ali eu poderia abraçá-la.
– Não é isso? – ela perguntou com um ponta de decepção. Seus olhos verde brilhavam cabisbaixos e mordia os lábios internamente.
- Não, não é isso...
Minhas palavras cessaram, pois ela inclinou-se e vi seu rosto se aproximar do meu, tinha a boca levemente aberta deixando escapar o hálito quente e roubando toda minha atenção para seus lábios. Vermelhos... Senti a pulsação firme logo embaixo devido a excitação e me vi constrangido com a possibilidade dela perceber, no entanto, por mais que eu quisesse formular uma frase para afastá-la ou mesmo mover qualquer músculo para fazê-lo, meu corpo simplesmente não reagia, como se eu não tivesse controle sobre ele. Até que seus lábios foram direcionados próximos ao meu ouvido e me arrepiei, aumentando o incômodo nas áreas baixas, deixando repentinamente a calça apertada demais.
– Estava pensando em quem? – ela perguntou com a voz molhada, arrastada e seu corpo inteiro me tocando, de maneira que levantei minha mão na intenção de puxá-la... E me contive. – Você não quer me tocar Gaara...? Você pode tocar em tudo...
Não me lembro como, mas no segundo seguinte eu já tinha uma de minhas mãos na curva de seu pescoço. Meu rosto tão próximo ao dela, que nossos narizes se tocavam, os lábios há pouco milímetros de distância. Não sei se eu não conseguia ou se eu não podia beijá-la... Talvez por estar tão perto dela, sentindo o hálito quente, o cheiro tão forte, me fizesse me encontrar em um espaço a parte. Como se não houvesse muito sentido e tudo aquilo não passasse de…
Um sonho.
Meu travesseiro realmente é muito macio. Foi a primeira coisa que eu pensei quando me percebi fitando a parede do meu quarto e a curva do meu braço enquanto me encontrava deitado de bruços.
Cabelos rosas, cookies e a curva do pescoço da Haruno foram o segundo pensamento e logo depois veio a lembrança de meu sonho.
A pulsação entre minhas pernas foi minha terceira conclusão. E a possibilidade de voltar ao sonho foi a quarta... E então me senti ridículo.
Precisava de um banho... Frio. Do contrário... de uma maneira ridícula, talvez eu quisesse dá continuidade aquele sonho... e...
Droga...
Gaara, Centro de Tóquio, dez minutos depois.
Segui até a cozinha já vestido com o uniforme. Imaginei que Temari comentaria algo sobre minha aparência com um sorriso debochado ou, então, começaria a manhã com Kankurou reclamando de algo degradante a respeito da comida. Mas quando passei pelo corredor, vi apenas minha irmã se apoiando na parede enquanto tentava caçar os seus saltos com dificuldade.
- Vai sair? - perguntei inexpressível. Era ainda cedo e normalmente ela sempre saia depois de mim. Temari não me fitou quando disse:
- Sim, seu café está na cozinha. - logo depois abaixou-se e começou a procurar qualquer coisa dentro de sua enorme bolsa.
- Kankurou?
- Ah, Kankurou... Ele foi arrastados pelo nosso pai.
Estreitei os olhos. Meu pai nunca tinha assuntos com nenhum dos filhos, logo não saia por ai arrastando qualquer um por ai. Normalmente ele delegava nossa presença em algum evento mesquinho e raramente íamos juntos.
- Por quê?
- Parece que Kankurou era amigo, ou conhecido, de uma das vítimas que ele está resolvendo.
Provavelmente se tratava de Nuvem Vermelha, pois julgando pela a imensidão do caso, o departamento de crimes hediondo dificilmente direcionaria o mesmo detetive para casos diferentes.
- Que amigo? - tentei arriscar. Talvez Temari soubesse de qualquer coisa, por mais alheia que fosse quando se tratava desse gênero de assunto. Sempre dizia que tudo aquilo era loucura, assassinatos, furtos e molestadores de crianças inocentes. Sempre dizia em tom casual, como se não desse muito importância ao assunto, sempre com a justificativa de prezar sua sanidade.
- Citou que era um artista plástico...Merda, onde está essas chaves? - perguntou para si mesma e depois seguiu apressada para o interior da cozinha. A segui e a vi procurar em lugares irracionais, como a geladeira.
- Procura de novo na bolsa. - sugeri, já que no estresse Temari sempre deixava escapar alguma coisa e era bem possível que as chaves estivessem no lugar mais óbvio.
- Ótima ideia. - ela disse afoita sem me fitar e passou por mim enquanto me prensei no parapeito da porta.
- Ele falou quem era? - tentei novamente.
- Hum, disse que trabalhava com argila, meio estrangeiro e maluco. O de sempre. - escutei o tilintar das chaves em suas mãos. Logo depois ela apressou-se e sem se despedir saiu. Deixei a respiração escapar lentamente pela boca... Então, provavelmente mais uma vítima havia se concretizado. A Orquídea... "Linda e Intensa...".
Isso me lembra que a Yamanaka citou algo a respeito disso.
- Ah! - Temari surgiu novamente - Não deixe de comer. E tem Cookies no armário. - e sua cabeça sumiu.
Cookies. Haruno. Tocá-la por inteiro. Droga...
Sakura, Floricultura às 8h00min
Estava diante da floricultura quando o meu celular vibrou e vi o nome de Gaara na tela. Ainda me encontrava meio decepcionada com a notícia de que não poderíamos recorrer a florista para perguntar a respeito de Sai e de Ino - apesar se tratar apenas de uma suposição - pois a mesma se encontrava em uma viagem devido a questão de saúde na família. Não que eu estivesse realmente interessada nisso, no entanto, a substituta, uma jovem mulher de longos cabelos tingidos, era uma ótima fofoqueira. Nada contra fofoqueiros, eles eram excelentes para conseguir informações.
A questão é que quando meu celular vibrou pela terceira vez, ainda tinha meus olhos na tela pensando em como eu contaria aquilo para Gaara. Talvez eu pudesse o enrolar, já que estou atrasada para o colégio...
- Bom dia, Gaara. - respondi mecanicamente e logo fiz um mesura com a boca ao me dá conta do meu cumprimento ridículo.
- Bom dia. - ele respondeu e aquilo pareceu me acalmar. - Quero conversar com você, podemos nos encontrar?
- Agora?
- Não, no intervalo.
Estreitei os olhos sem entender.
- E precisava me ligar para isso? - perguntei me controlando para não soar mal educada ou desgostosa sobre sua atitude. Ele não respondeu por um longo tempo e me perguntei se ele estaria pensando seriamente sobre aquilo. Se tratando de Gaara, não duvidava nada que ele chegasse alguma conclusão estúpida sem qualquer senso comum - Deixa, nos encontramos no terraço então?
- Deidara. - ele ignorou minha pergunta e eu levantei a sobrancelha diante daquele nome desconhecido. - é a Orquídea.
Senti uma palpitação quente no peito. Então o assassino havia agido, matado mais alguém e o melhor de tudo: Não se tratava do cara do templo.
Eu deveria estar infeliz com a notícia, pois além de se tratar de uma vida, a possibilidade do assassino não ter sido pego era uma péssima notícia para qualquer pessoa de caráter... No entanto, de alguma maneira que eu não sabia dizer por que, me encontrava bastante satisfeita.
(...)
Isso é horrível. Eu não deveria estar feliz com isso. Iruka, Asuma, Naruto... Todos eles foram diretamente ou indiretamente atingidos por aquele bastardo...
- Sakura? - voltei a realidade quando escutei a voz de Gaara - Não se torture por estar feliz em receber essa notícia.
Arregalei os olhos diante das palavras do sociopata funcional... Que de sociopata funcional estava perdendo muita coisa.
- Não, não é isso...- me apressei em mentir e já consegui imaginá-lo levantando uma das suas ralas e quase inexistentes sobrancelhas. - Mas quem é Deidara?
- É um artista plástico, parece que era conhecido de Kankurou, meu irmão. Estava realizando uma exposição por Tóquio nesse último semestre.
Eu realmente não tinha qualquer tipo de conhecimento artístico, logo qualquer possibilidade de eu conhecê-lo era nula.
- Exposição? Será que ela ainda estar aberta?
- Por quê?
- Gostaria de vê-la... Não estaria ai a representação do artista? - perguntei. A princípio Gaara não respondeu na outra linha. - Além disso, depois da sua morte com certeza a exposição será bastante visitada e...
- Você não irá sozinha, Haruno. - senti um pontinha de preocupação em suas palavras e não contive um sorriso desdenhoso e provocativo. Por mais que obviamente ele não pudesse vê-lo.
- E quem irá me impedir de sair imediatamente daqui, Sabaku?
- Não se...
- Te encontro na saída já que hoje, misteriosamente, não irei a aula.
Disse sarcasticamente sem me discriminar pela minha irresponsabilidade escolar. Desliguei o celular. Eu tinha um sorriso grande e claro em meu rosto, e isso porque conseguia imaginar perfeitamente bem a cara de concreto de Gaara, disfarçando sua incredulidade e raiva.
Desde alguns dias tenho me tornado mais atenta... e otimista quanto ao comportamento de Gaara. As diversas e discretas reações, seja o silêncio, o piscar de olhos ou até mesmo a leve sobrancelhas franzidas... Tudo me indicava alguma parte dele. E pouco a pouco, eu começava a perceber que diante de toda aquele seriedade e inexpressão, Gaara era na verdade cheio de reações... Algum delas dignas de muitos sorrisos involuntários, divertidos e sarcásticos.
E hoje eu definitivamente percebi, que não havia nada mais divertido do que provocar o sociopata funcional... vulgo Sabaku no Gaara.
Sakura, Centro de Tóquio às 8h35min
Achar a exposição do renomado artista plástico não foi, de nenhuma maneira, difí na internet havia vários comentários a respeito do jovem de 19 anos – ótima fonte esses sites especializados – que já tinha recebido dois prêmios antes de chegar a maioridade. Era espantoso... e até eu, uma leiga no assunto, sabia reconhecer isso.
O luto também foi inevitável e os comentários sempre envolvendo "Era tão jovem" ocupava todas as páginas e e eram ditas por comentaristas no Twitter. Já imaginava que a exposição estivesse lotada, mas quando lá cheguei em um luxuoso prédio comercial no centro de Tóquio, me deparei apenas com um enorme cartaz e as portas fechadas.
O cartaz era do artista plástico, e mesmo com a ausência de cor, conseguia ver claramente que era um dos jovens mais bonitos que eu já tinha visto. Deidara tinha longos cabelos, olhos afiados e enigmáticos, e no lábios um sorriso malicioso e abusado. Além dos traços que eram elegantes e equilibrados. A rua estava movimentada como qualquer manhã no centro de Tóquio, mas ninguem em particular parecia dar atenção a exposição.
A Órquidea. Linda e Intensa. Pela primeira vez não havia mistério da escolha do alvo.
Inclinei um pouco a cabeça levando um dedo aos lábios. Observando bem, ele também era meio assexuado... Da maneira que essas leitoras de mangá adoram.
- Parecia uma mulher, de fato.
Me surpreendi quando a voz chegou aos meus ouvidos antes de me dá conta da sua presença. Ao meu lado, também atento ao cartaz, estava um jovem homem elegantemente vestido em roupas despojadas que possuía os cabelos vermelhos e sonolentos olhos castanhos.
- Desculpa...
- Tudo bem. - ele respondeu, mesmo não sabendo que minhas desculpas foram apenas um impulso. - Você é alguma fã?
- Não.
- Repórter?
- Não...
- Então é só uma curiosa. - ele declarou por fim e começou a andar em direção a entrada do elegante prédio comercial. Me apressei em sua direção.
- Sim, sou uma curiosa... Mas...
Ele girou em minha direção e me fitou com um sorrisinho mínimo.
- Sabe... Como você se chama? - ele perguntou. Fiquei levemente sem reação diante de sua pergunta. Pisquei duas vezes antes de sussurar meu nome. - Haruno... Entendo. Eu era noivo do Deidara, Sasori.
Noivo? O cara só tinha 19 anos e já era quase casado?
- Imagino que você seja mais uma das estudantes que caiam em seus pés, enquanto não sabia nem do que era feito suas esculturas.
- Eram de argila. - não sei por que respondi. Talvez me sentisse ofendida. No entanto, ele não demonstrou nada além daquele sorrisinho mínimo em seu rosto. E por algum motivo eu soube que ele, de alguma maneira, estava morto por dentro.
Repentinamente me perguntei se Kurenai se sentia assim em relação Asuma.
- Você deve ser uma exceção então. Enfim, há algo em que eu possa fazer por você? - a pergunta parecia gentil, mas sua voz era seca. Não entendi suas intenções e como se tentasse me explicar, ele continuou - Ele era uma peste que adorava ser o centro das atenções. E provavelmente riríamos na cama hoje pela noite se eu lhe dissesse que havia mais uma estudante babando sobre o cartaz dele.
Os olhos deles ficaram opacos e distantes. E eu percebi que por dentro ele chorava ou talvez ria descontroladamente da própria desgraça.
- Desculpa... - eu pedi. Sentia que estava dificultando ainda mais o seu momento de luto. - Só poderia me dizer quando ocorreu?
- Há quatro dias. - respondeu seco.
Antes da prisão de Hidan. O que significa que ele ainda pode ser o assassino.
- Entendo. Ele era incrível, eu realmente lamento muito. - disse uma meia verdade, já que de fato não me sentia no direito de dizer aquelas palavras. Ele não reagiu. Suspirei fundo, eu sabia que a exposição não seria aberta novamente e que eu não teria nenhum contato direto com as esculturas de Deidara. E sabia também que não conseguiria nada de seu noivo quebrado. - Ele... O Deidara-san... Ele gostava de Orquídeas?
- Por que pergunta isso?
Ele sabe. Sabe que Deidara foi assassinado e, provavelmente, que era alvo de um serial killer... Será que ele havia visto o corpo também?
- Uma vez, eu enviei orquídeas para ele... Mas não sabia se ele gostava. - tentei disfarçar. Se ele acreditava que eu era uma fã desmiolada, talvez ele engolisse essa... Por mais improvável que fosse.
- Não. Ele nunca gostou de flores. - deu uma pausa. - Não é ciúmes, senhorita Haruno, mas lamento informá-la que ele jogava fora todas as flores que recebia, inclusive Orquídeas.
Pisquei duas vezes sem saber o que falar. Fingi uma expressão de decepção e abaixei a cabeça.
- Deidara provavelmente flertaria com você. - Sasori disse repentinamente e ao levantar minha cabeça fitei seu rosto inexpressivo. - E provavelmente sua beleza estonteante a deixaria gaguejando...
Sua voz soava baixa e controlada. No entanto eu sabia que ele dizia tudo aquilo porque necessitava fazê-lo, precisava, pois narrando os seus hábitos, seus possíveis movimentos, tornava, mesmo que só por um minuto a mais, a lembrança de Deidara mais viva.
- Isso é ridículo. - ele interrompeu meus pensamentos e quando vi ele já tinha me dado as costas sem dizer nada. Sabia que ele dizia aquilo para ele mesmo e tive a intuição de que aquele homem diante de mim entraria naquela galeria e ficaria o dia todo ali, fitando todas as esculturas, chorando por dentro, sem nenhuma expressão em seu rosto.
Droga. Desde quando eu fiquei tão emotiva?
Olhei o relógio de pulso e vi que já era tarde demais para eu voltar para o colégio. Enviei uma mensagem para Gaara dizendo que estava tudo bem e as poucas informações que eu havia "coletado". Enquanto eu descia a rua, quase esbarrando em alguma senhora apressada, a resposta dele chegou.
"Então as flores, em concreto não tem nada a ver com as vítimas, mas apenas o seu significado."
"E esse significado pode ser relativo..." enviei como resposta. Coloquei o celular no bolso da saia, mas não demorou nem meio segundo para chegar uma resposta.
"Sim... Conversamos melhor sobre isso depois. Quero vê-la, Haruno."
Era ridículo, no entanto sentia um batida falhar e um sorriso involuntário formar em meus lábios. Mesmo sabendo que Gaara não era totalmente consciente do quanto que aquela mensagem poderia ser tendenciosa, e muito menos que ele tivesse desenvolvimento de discernimento social suficiente para dizer aquele "Quero vê-la, Haruno" com alguma intenção de me afetar. Mas não importava, o que acontecia era que ele conseguia de fato.
Gaara, Centro de Tóquio, em casa, as 16h20min
Sai do colégio e segui direto para casa, talvez por isso Kankurou deu-se o trabalho de tirar os olhos da televisão, olhar para trás e ver quem acabava de chegar. Ele lançou um sorrisinho e logo voltou sua atenção para a televisão. Kankurou e eu não éramos muito próximos, mas tinha sensação que nos conhecíamos suficiente bem para lermos com facilidade as intenções e movimentos do outro... E como já havia passado do período de mal humor - as primeiras horas do dia - meu irmão provavelmente se encontrava bem disposto, o que facilitaria bastante minhas intenções de chegar em casa mais cedo.
Fiquei parado na entrada, o fitando de costas, ele estava relaxadamente jogado no sofá e me perguntei qual seria a melhor maneira de abordá-lo sobre o assunto do artista plástico.
Cruzei os braços. Conversar com Knakurou sempre foi mais fácil que lidar socialmente com qualquer outra pessoa, talvez por que ele não fosse tão sarcástico quanto Temari, ou peculiar como Rock Lee e distante como o meu pai. Então, sem qualquer cerimonia socialmente correta, perguntei:
- O que aconteceu na delegacia?
- Ah, estava esperando você perguntar sobre isso. - respondeu, não demonstrando qualquer interesse verdadeiro e me perguntei o que isso tinha ver com o assunto.
Me aproximei sentando ao seu lado, cruzei as pernas e vi Kankurou mudar de canal por uma terceira vez.
- Por que acha isso? - retornei ao assunto depois de um tempo.
- Você sempre se interessa pelo trabalho de nosso pai, mesmo que indiretamente. Até ele já percebeu isso.
Esse comentário me surpreendeu. De fato, antes mesmo de Nuvem Vermelha, eu já me inteirava sobre os assuntos do ofício do meu pai, as vezes era natural que Temari comentasse sarcasticamente sobre isso e me perguntasse quais eram minhas opiniões sobre o molestador misterioso da rua 17, ou os nome ridículos que os oficiais davam aos casos ainda sem resolução.
Era a primeira vez que eu me dava conta do tão consciente minha família era de uma série de comportamentos meus.
- Já pensou em seguir a profissão? - ele perguntou e mudou novamente o canal. Um filme de zumbis estava passando, ajeitei-me no sofá enquanto uma loira parava o carro lentamente vendo uma jovem nua sendo comida por uma horda de zumbi na parte traseira de um ônibus.
- Não sei... Ainda não sei o que eu quero fazer. - declarei sem emoção. A loira foi surpreendida por um cara e na pressa acabou batendo o carro. Droga, logo agora eles cortam a cena e começam com os créditos iniciais?
- Você daria continuidade a tradição... Não era o nosso avô delegado?
- Sim. - respondi sem muito interesse.
- Gaara?
Kankurou puxou minha atenção e então me virei e o fitei vendo uma expressão divertida em seu rosto.
- Você está com uma sobrancelha levantada? - demorei um pouco para entender sua pergunta. E percebi, apenas, quando senti minha expressão relaxar indicando que estava muito entretido com filme de zumbis.
- Não tenho sobrancelhas para levantar, Kankurou. - respondi e por algum motivo ele riu.
- Enfim - ele ainda tinha um esboço de sorriso no rosto - O que você quer saber sobre o artista plástico?
- Artista plástico? - tentei disfarçar, mas a sobrancelha de Kankurou levantada deixava bem claro que ele não havia acreditado. - Sim, Deidara. - resolvi ser sincero logo. - Ele foi assassinado?
- Ah, cara, já está sabendo disso tudo? Então, "provavelmente" - enfatizou a última palavra e me dei conta que meu irmão de alguma maneira se divertia narrando àquela história - ele foi morto por um cara que o nosso pai já estava procurando algum tempo atrás.
Algum tempo atrás? Isso poderia ser na semana passada, no verão anterior, ou mesmo há alguns anos. Pela primeira vez me perguntei se aquela série de assassinatos se tratava de uma repetição, o que seria bastante possível já que se referia a um ciclo... Talvez infinito.
- Estava?
- Sim, ele foi preso alguns dias. Mas ainda está sendo investigado... Por isso fui levado, queriam que eu identificasse o tal de Hidan... - ele deu uma pausa ficando pensativo. - Sim, era Hidan mesmo.
- E o que você tem a ver com isso?
- Eu estava com Deidara no dia em que foi morto. Éramos rivais não declarados na faculdade de arte. Nem dá para acreditar, não é? Sasori é bem capaz de matar esse cara se ele for solto...
Sasori, como indicava a mensagem de Haruno, era o marido de Deidara,. Ela não havia citado nada como a possibilidade dele ser um homicida em potencial...
- E o cara que foi preso?
- Não cheguei a vê-lo, mas pelo que fiquei sabendo ele também foi acusado de outro assassinato. Um professor, o que só piorou ainda mais a situação dele.
Asuma. Disfarçar minha empolgação com os olhos fixo na televisão era fácil, no entanto, por dentro sentia-me empolgado e conseguia imaginar minha mente sorrindo. Kankurou me afirmava que Hidan - era ótimo saber, finalmente, o seu nome - era suspeito de dois assassinatos. Mesmo que pela lógica seria mais fácil e sensato me basear na possibilidade dele ser o serial killer que procurávamos, bem sabia que um suspeito nunca se mantinha como suspeito por muito tempo desde de sua captura. Serial Killer eram orgulhosos e egocêntricos, normalmente cediam as acusações com facilidade. E Hidan estava preso há quatro dias, tempo suficiente para colocá-lo atrás das grades, se de fato ele tivesse cometido todos aqueles assassinatos, já que, com toda certeza a polícia já teria buscado provas em sua casa, com familiares e circulo de amizades. O que eu poderia concluir era que Hidan, de alguma maneira, estava vinculado a toda aquela história, mas pouco provável seria o autor daqueles assassinatos. A Haruno com certeza ficará feliz em saber daquilo.
- Um serial killer?
Kankurou ficou um momento em silêncio pensando sobre isso.
- Não me falaram mais nada, você já imagina o quanto foi complicado eu chegar a todas essas informações. - Soube com aquilo que não tinha mais nenhuma informação a me dizer. Ele mudou de canal no exato momento que um zumbi avançava por uma parede de vidro. Nas melhores cenas...Quis resmungar, mas me contive.
- Você quer ver aquele filme? - Kankurou perguntou desinteressado. Respondi que sim e voltamos a assistí-lo. No entanto, por mais que eu tentasse me concentrar no grupo de sobreviventes subindo pelo elevador eu só conseguia pensar a respeito de Hidan e como aquela história ainda está muito mal explicada.
N/A: Quanto a cena com Kankurou, eu não me esqueci, Gaara tem as sobrancelhas bem ralinhas, mesmo que ele diga que não tenha. E desculpem a piadinha infame, mas brincar com as sobrancelhas do Gaara é um hobby meu haha' Pois então, mudando de assunto, o Deidara morreu, mesmo eu sendo encaNtada por aquele topete loiro dele, eu não vi personagem mais adequado (talvez o Haku) para ser a orquídea, então ai está a quinta vitimas de AUR. Ahh, eu já tinha citado a respeito dele em AUR, será que alguém lembra? E bom, litros de lágrimas pelo fofo neorotico do Sasori, apesar de que confesso que adorei escrever essa rápida conversa da Haruno com ele. E tudo bem, tudo bem, eu disse que não teria morte, pois então... eu deveria para de fazer esses tipos de comentários sem antes recorrer ao meu rascunho haha'
Bom, deixando minha cretinice de lado, peço mil desculpas pelo atraso, mas as últimas semanas foram complicadas. Não prometo que o próximo capítulo sairá antes do esperado, no entanto, prometo que não demorará mais do que esse.
E fiquei super feliz por que recebi bastante comentários, muito obrigada pelo apoio suas lindas, realmente as leio com grande carinho (fato mais claro do que o ciúmes da Haruno ou o fanatismo do Gaara por tabaco - que não apereceu nesse capítulo haha).
Agradecimentos para Bianca que mais uma vez me ajudou a betar esse capítulo (e ela acha que vocês implicam com ela hauha' vai entender.)
Violak: Você voltou haha' bom revê-la por aqui, mas sim, fique tranquila, pois sei como é horrível comentar por celular e de que qualquer modo é bom saber que você continua acompanhando – mesmo com toda essa lerdeza do andamento da história haha'
Raiza: Acho que a fofura do Gaara fica também por esse jeito meio alienado sentimentalmente dele... E dá para sacaneá-lo com muito facilidade por causa disso (Kankurou é bem ciente disso haha). Quanto a Ino... Bom ela não é má, mas está passando por um momento complicadinho, ai ela se torna meio instável, muita coisa ainda se dirá dela nessa história. Obigada pelo comentário =)
Beijos de Amora
Oul K.Z
