Pessoas lindas, feliz Ano Novooo!

Taí meu presente pra vcs... Desculpem minha demora longa, ok?

Se tiver muitos erros me falem, corrigi correndo para poder upar. To ansiosa pela reação de vcs... hsuahsa

Bom, enfim, boa leitura! :D

17. A verdade

O médico estudava com muito afinco o caso de Quatre, o cavaleiro estava inconsciente na cama, Hadja sentada ao lado dele segurava sua mão e o observava dormir, desejando ardentemente vê-lo despertar, enquanto Noin saiu para buscar água limpa e panos para refazer o curativo que não parava de encharcar com o sangue do rapaz.

Ao ver a jovem guerreira entrar no quarto o médico resolve quebrar o silencio, informando o quadro do loiro, ganhando atenção total das moças nobres, enquanto que as servas começavam a trocar as ataduras.

_ Bem… A situação dele é realmente complicada. Fiz tudo o que estava em meu alcance. Aqui está a lista de algumas ervas para baixar a febre dele e o que temos a fazer é esperar… Trocar as ataduras somente quando estiverem muito molhadas e se houver uma mudança ruim me chamar.

_ Quer dizer que isso é tudo? Vamos deixá-lo à própria sorte?

Hadja estava inconformada e Noin por enquanto ouvia pensativa.

_ Infelizmente fiz tudo o que estava ao meu alcance milady.

_ Pois foi pouco… O que você fez, eu mesma poderia ter feito, não precisava de sua ajuda para isso.

_ Hadja.

O som da voz da guerreira saiu tão autoritário que calou a jovem imediatamente. O médico não sabia o que responder, sentia-se impotente e gostaria de fazer mais pelo cavaleiro, mas não sabia como.

_ Obrigada doutor, mando lhe chamar se precisar.

Noin estendeu a mão para o velho homem, que a beijou e logo pegou o saquitel com seu pagamento pelo serviço. Após ter lançado um último olhar em direção ao jovem e a dama que estava ao lado dele, saiu sem mais nada a falar. As servas se foram com ele.

_ Não é culpa dele que Quatre não reage.

_ É culpa minha que ele está nessa cama…
_ Não fale isso. Quatre jamais iria aceitar que você se sinta culpada de qualquer coisa. Ele é um guerreiro, e guerreiros se machucam em combate… Eu sei que ele é muito forte e sairá dessa… Por que não vai pra casa dormir?

A jovem meneou a cabeça em negativa rapidamente e continuou.

_ Não, por favor, diga à meu pai que não me espere e vá para casa dormir. E você também, Lucrezia… Vá descansar… Daqui não me movo, se houver alguma novidade eu mando lhe chamar.

_ Mas…

_ Nada e nem ninguém me convencerá a sair desse quarto, por tanto peço que não insista… Pode ir.

A dama foi tão firme em sua decisão que a guerreira decidiu não insistir, aceitou e após se despedir deixou o aposento dirigindo-se a procura de Heero para saber se poderia ser útil em algo.

Hadja sentou novamente ao lado de Quatre e acariciava o rosto do rapaz com tamanha delicadeza e devoção que parecia que ela estava à frente de um anjo.

_ Por favor… Acorda. Eu não sei o que farei se você não acordar… Preciso de você.

O loiro começou a ter febre forte e ela passou a trocar o pano molhado da fronte dele com mais frequência desejando que a febre o abandonasse.

Já era noite avançada e a febre do rapaz não diminuía, o barulho pelo castelo foi desaparecendo aos poucos, muitos dos convidados já tinham partido e ela não tinha noção de nada que se passava por ali, estava isolada e sua única preocupação era cuidar de seu amado. Sim, a jovem nunca assumiu para ninguém, mas seu coração já batia forte pelo cavaleiro que estava desacordado.

Então seu desespero começou a aumentar ao ver que a febre piorava e ele mostrava sinais de frio, mesmo inconsciente, seu corpo reagia a inflamação que ele tinha nas costas devido a flechada. A moça então se lembrou de um ensinamento que seu pai lhe deu sobre como aquecer uma pessoa de forma rápida.

_ É uma boa hora para testar uma teoria.

A dama foi até a porta e trancou a chave, depois foi para a cama e tirou o vestido, deitando-se sobre o rapaz, o abraçando. Depois puxou a coberta sobre os dois e ficou ali, imóvel, esperando que ele começasse a esquentar.

A proximidade de seus rostos não a fez rugir, muito pelo contrario, sem pensar duas vezes a moça depositou um suave beijo nos lábios do rapaz. Foi algo doce, tão delicado, tão cheio de amor e cumplicidade, foi uma cena bonita que fez o coração dela pular freneticamente.

Hadja sentiu que a febre começou a baixar e o semblante do rapaz se abrandou, já mais relaxada ela descansou sua cabeça sobre o peito dele e dormiu, acordando apenas com os raios de sol que invadiram o quarto no dia seguinte. E Quatre continuava adormecido. Vestiu-se rapidamente e deixou o aposento, antes que alguém fosse visitar o cavaleiro.

Naquela manhã Duo e Trowa saíram em viagem acompanhando o rei Dante e a rainha, que partiram a fim de buscar ajuda para encontrarem o príncipe Lúcius. As buscas continuavam incessantes para os que ficaram.

-/-/-

Relena passeava sozinha ao redor do castelo e vendo-se de frente ao lago, sentiu uma enorme vontade de banhar-se, sem pensar duas vezes, tirou seu vestido e entrou na água.

Heero fazia sua ronda a cavalo, quando viu o vestido da princesa tirado ao chão, desceu do animal e amarrando-o em uma árvore, se aproximou silenciosamente do rio. Seu coração disparou, ao vê-la nadando seminua. Observou por alguns instantes, enquanto decidia que atitude tomar. A notava totalmente distraída. Olhou ao redor certificando se de que ninguém se aproximava, a julgava inconsequente, ao mesmo tempo em que se deliciava em sua beleza. Sem aguentar mais, tirou sua roupa e entrou devagar no lago, sem que ela o escutasse com antecedência.

Ao se aproximar da princesa ele a abraçou por trás e beijou seu pescoço de forma doce. Ela se assustou e virou bruscamente para ver quem ousava fazer isso, quando viu o rei com um meio sorriso nos lábios a olhando com concupiscência, a princesa enrubesceu, tentou nadar em direção à margem, mas ele a segurou.

Sem esperar a moça contestar o atrevimento dele, Heero a puxou para bem perto dele, ambos sentiram a respiração acelerada do outro, seus corações estavam em sintonia, não suportando mais o desejo, ele a beijou, ao principio ela hesitou em sua atitude, mas sentia-se fraca demais para resistir.

O beijo foi tornando-se mais apressado e mais sedento, ela brincava com o cabelo dele, enquanto se deixava levar, o moreno, desceu os lábios pelo pescoço da loira e a beijava com ânsia ao passo que começou a desamarrar o espartilho dela. Relena não o impediu, ao contrario, virou se de costas para facilitar o serviço, ele beijava as costas e a nuca da jovem sem parar, fazendo-a enlouquecer.

Ao terminar de tirarem todas as peças de roupa que ainda faltavam, eles voltaram a se olhar novamente, o rei a admirou com muita atenção memorizando as curvas de seu corpo, enquanto ela já não sentia mais vergonha, agora foi a vez dela tomar a atitude, sua vontade se tornou tão forte, que ela se jogou sobre ele, o beijando de forma fogosa, ele a apertou contra seu corpo e desceu suas mãos para o bumbum da moça, depois continuou até as coxas dela e as puxou em sua direção, fazendo a loira cruzar as pernas ao redor do corpo dele.

A princesa soltou o ar ao sentir que ele entrou nela e ambos começaram a se amar ardentemente, ao sentir-se vigiada, ela abriu os olhos e viu o mascarado de olhos cinza da noite do baile apontando uma flecha em direção ao seu amado, gritou quando ele abriu as mãos e a flecha foi lançada, sua voz não saiu, seu desespero aumentou e quando ele ia ser atingido, Relena ouviu seu grito ao passo que se sentou na cama em pânico.

_ Um sonho... Tudo foi um sonho.

Sentia seu coração disparado e sua respiração ofegante, o medo em seu rosto a perturbava, fazia dias que ela tinha o mesmo sonho, desde o baile, toda noite sonhava em se entregar a Heero e toda manhã acordava com o mesmo fim.

Desistiu de dormir ao ver o sol nascendo, levantou da cama e foi tomar seu banho para começar mais um dia, de incerteza e preocupação com o paradeiro de seu esposo. Sabendo também que cada dia estava mais difícil de encarar o rei devido aos seus sonhos.

-/-/-

_ Relena você está muito calada…

A princesa que comia em silêncio levantou a cabeça ao ouvir a voz de seu irmão, olhou para a ponta da mesa e encontrou o olhar fixo do rei nela, baixou a cabeça enrubescida e respondeu, olhando para o prato.

_ Estou bem, creio que não dormi direito…

_ Ontem você disse a mesma coisa… Algo errado com sua cama?

Finalmente Heero se manifestou.

_ Não majestade… Minha cama está perfeita… Com licença.

Sem esperar mais nada a princesa se levantou e saiu. Heero e Zechs levantaram-se cordialmente para a moça se retirar da mesa e entreolharam-se sem entenderem a pressa dela em sair. Mas, resolveram não discutir o assunto.

_ Zechs, como estão às buscas?

Heero perguntou enquanto voltava a sentar-se.

_ Bem… Mas infelizmente nada de novidades ainda. Wufei tomou o turno da madrugada, ele deve estar voltando agora de sua busca.

Respondeu Zechs, que se sentia impotente por não haver encontrado nem vestígios do príncipe até então.

_ Bem… Verei como está Quatre… Com licença.

Heero levantou por fim e saiu, Zechs ficou ainda um tempo sentado à mesa pensando em como poderia encontrar a Lúcius, isso estava deixando o capitão da guarda incomodado demais. Mas o que realmente lhe fazia perder o sono era o fato de não saber como os bandidos entraram tão facilmente no castelo, só uma possibilidade poderia passar por sua mente, a de que alguém dentro do castelo estava envolvido em tudo.

_ Mas, quem?

_ Quem o que?

Ele se sobressaltou ao ouvir a voz que vinha de traz dele e levantou rapidamente ao ver sua amada chegando.

_ Meu amor…

O loiro estendeu as mãos para segurar as dela e a puxou para um doce beijo, cheio de carinho e cumplicidade.

_ Ainda pensando naquela hipótese?

_ Nada me tira isso da cabeça…

_ Já comentou com Heero?
_ Ainda não…
_ Conhecendo-o como conheço, creio que está pensando a mesma coisa.
_ Talvez…

Zechs voltou a ficar pensativo sobre o assunto, enquanto abraçava a Noin de forma protetora, como se a quisesse cuidar, e impedir que qualquer coisa lhe fizesse mal. A morena apenas se regozijou nos braços de seu noivo.

-/-/-

O rei caminhou apressadamente em direção ao quarto do amigo e sem bater, entrou. Parou uns instantes na porta por se surpreender ao ver a princesa sentada em uma poltrona em frente à cama do loiro que ainda continuava adormecido.

_ Majestade?

A loira levantou ao vê-lo.

_ Por favor, sente-se princesa…

Ele fechou a porta atrás de si e se aproximou da cama, com os olhos no amigo.

_ Até agora ele não acordou?
_ Não… O médico já esteve aqui várias vezes e não sabe explicar o motivo, já que a ferida já está cicatrizada.

_ Hum… Onde está Hadja?

_ Ela está proibida de sair de casa… Assim como Cléo e Teyuki.

_ Assim é melhor… Até que o príncipe seja encontrado e eu descubra quem está por trás de tudo isso.

_ Sei que ela está com muita vontade de vir ver Quatre…
_ E por que você está aqui?

Agora ele pela primeira vez a olhou e a loira baixou a cabeça, para esconder a coloração que se formou em sua face, não conseguia olhar para ele e não se lembrar de seu sonho. Ele notando que ela estava muito tímida com relação a ele, resolveu se aproximar mais.

_ Algo lhe incomoda princesa?

Colocou a mão sobre o ombro dela. E Relena sentiu o coração disparar, levantou rapidamente e tentou sair do aposento, mas ele a segurou pelo braço impedindo-a de prosseguir.

_ O que tanto a incomoda na minha presença?

_ Nada… Por que pensa isso?

_ Porque de uns dias para cá, a senhorita esta cada vez mais tímida com respeito a mim e tão pouco olha nos meus olhos… Como antes.

_ Impressão sua…
_ Se é assim, porque não me olha?

A loira continuava a encarar o chão, e cansado de esperar, ele segurou o queixo dela e a fez olhar para ele. Foi então que ele pode ver o quão rápida estava a respiração dela e como seus olhos brilhavam, demonstrando um sentimento que a perturbava, mas ele não tinha certeza de nada para expressar em voz alta.

_ Você…

_ Eu o que?

Ela o encarava de forma que nunca olhou a nenhum homem antes, ele sentia que algo nela havia mudado, já não era a mesma Relena que fugia dele, apesar da reação de fuga continuar nela, sentia que era ela lutando contra os próprios impulsos. Sentiu vontade de beijá-la, mas não se atreveu. Havia feito uma promessa à moça e pretendia cumprir, a próxima vez que a beija-se ela deveria pedir.

_ Eu tenho que ir…

Ele a soltou. A loira caminhou até a porta e a abriu, mas antes de sair, virou levemente a cabeça em direção dele e disse:

_ Heero, por favor, não me chame de senhorita… Ainda sou casada com seu irmão…

_ Não por muito tempo…

Mas, ela já tinha saído quando ele respondeu à fala dela e não escutou as palavras do rei. Heero suspirou e bagunçou o cabelo, incomodado com o que sentia que o estava deixando louco. Olhou para o amigo e resolveu sentar na poltrona, antes ocupada pela cunhada.

_ Quatre… Acorde e venha me dar um conselho… Daqueles que eu nunca te peço, mas você sempre insiste em me dar, mesmo contra minha vontade.

O rei apoiou o queixo sobre as mãos cruzadas e ficou envolto em seus pensamentos, até que Wufei entrou.

_ Então…

_ Nada ainda… Revirei cada pedaço do norte e até agora nada… E ele?

_ Igual…

O moreno de rabo de cavalo se aproximou da cama e abaixou perto do amigo para que ele pudesse ouvir suas palavras.

_ Levanta logo daí, porque estou com muita vontade de te dar uma boa surra, mas não bato em pessoas impossibilitadas de se defender…

Heero ouviu o que o amigo disse, apesar de suas palavras terem sido quase um sussurro e achou graça, mas não expressou nenhuma reação.

_ Vou tomar um banho, comer algo e dormir um pouco…

_ Está bem…

_ E você?

_ Sairei com a tropa que irá ao leste. Vamos buscar por lá… Volto ao entardecer.

_ E Noin e Zechs?

_ Duo e Trowa viajaram com meus pais… Treize e os mais velhos voltaram para Wing, junto com Lady Une, afinal, se ousaram invadir aqui, podem tentar o mesmo por lá e foram se certificar da segurança do reino… Portanto, não quero Zechs e Noin fora do castelo, eles precisam proteger a princesa e Quatre, também aqui.

_ Entendo… Bom… Se precisar de mim, sabe onde estarei…

Heero assentiu e Wufei deixou o quarto, fechando a porta ao sair.

-/-/-

Relena estava em seu quarto andando de um lado ao outro, incomodada, pensativa, intrigada, revisando e revisando os acontecimentos do baile em sua mente. Sua concentração era tão grande que não notou quando Zechs entrou e encostou-se à parede assistindo-a divertido com a cena.

_ Isso é algum tipo de exercício físico?

Perguntou brincando com a irmã, que se sobressaltou ao vê-lo e riu, levando a mão ao coração como quem tenta acalmar-se do susto. Ele riu dela.

_ O que te incomoda minha irmã?

Ele a abraçou de forma compreensiva. Ela o apertou, procurando forças para falar.

_ Porque as coisas se complicaram tanto?

_ Se você se refere ao sequestro do príncipe, eu…

_ Não… Ou melhor, sim… Quero dizer, não… Ai são tantas coisas…

Zechs a observou sentar na cama, confuso.

_ Muito bem… É sim ou não?

_ Desculpe irmão… Só eu sei o que me passa…

_ Certo…

Ele se aproximou e sentou ao lado dela.

_ Por que não me conta?

_ Acho que você pensará que sou louca…

_ Não acho isso… Bem… Talvez um pouco…

Ela o encarou e ele sorriu daquela forma de cumplicidade e confiança, que a fazia perder todas as defesas e confiar nele completamente. Ela soltou um suspiro e riu de volta.

_ Sabe… Tudo começou mal…

_ Ah que se refere? Ao fato de você não poder estar casada com Lúcius?

A loira o encarou, espantada com a novidade.

_ Como assim?

_ Você sabe… Relena você era… - Ele então entendeu o que acontecia para ela estar tão surpresa. - Relena… Você não sabia que era prometida de Heero?

A loira ficou boquiaberta e uma lagrima solitária escorreu por seu rosto, sentiu-se impotente, enganada e sozinha de repente.

_ Como assim?

Levantou da cama e ficou de frente ao irmão.

_ Pensei que papai tivesse te contado… Pelas leis, você e Lúcius cometeram uma traição a coroa, já que você era a noiva oficial de Heero, era para você assumir como rainha ao lado dele.

As lágrimas começaram a escorrer contra a vontade dela, não sabia se chorava ou se gritava. Sentiu um desespero e um medo inundarem seu interior.

_ Desde quando sabe disso?

_ Eu…

_ Fale Milliardo!
_ Quando você e Lúcius anunciaram o casamento, eu notei os ânimos extremamente alterados do rei e da rainha e o medo de nosso pai. Então depois da conversa que tivemos no escritório eu fui até nosso pai, em particular e insisti até que ele explicasse o que estava acontecendo.

_ E?

_ No dia que conhecemos o rei e a rainha pela primeira vez… Lembra-se desse dia?

_ Sim… creio que foi o mesmo dia que conheci Lúcius…

_ Exato. Quando saímos, o rei Dante, pediu ao pai que você fosse esposa de Heero, então a rainha se certificou de te dar uma educação de princesa.

_ E o que acontece quando esse acordo é desobedecido?

_ Nada de bom… Posso te dizer que temos sorte… Se nosso pai não fosse tão amigo do rei… E a rainha não gostasse de você como filha… As coisas não estariam nada bem.

_ Quem mais sabe?

_Todos… Creio que só você não estava informada…

_ Lúcius também?

Franzio o cenho incrédula.

_ Bom, ele eu não sei…

_ E Heero?

_ Sabe.

_ Meu Deus… - Ela voltou a sentar, sentindo-se enjoada e atordoada. - O que ele deve pensar sobre mim…

_ Hum… Creio que pela forma que ele te olha… Nada de ruim.

Ela o encarou surpreendida com o comentário, será que até ele já tinha notado algo? A pergunta não a deixava em paz, a partir daquele momento.

_ Relena… - Zechs ficou sério de repente. - Conheço você muito bem, irmã. E sei que nunca foi apaixonada por Lúcius. Por que casou com ele?

_ Eu… Eu me senti… Obrigada.

Foi a vez de Zechs se surpreender com a confissão da irmã.

_ Obrigada?

Ele levantou com o semblante mudando de confuso para irritado.

_ Ele te forçou a algo? Explique-se agora.

_ Preciso falar com Heero…

Ela levantou e caminhou em direção à porta, mas as palavras do loiro a parou.

_ Ele não está… Foi com a tropa, ao leste em procura do príncipe. Só volta ao entardecer.

_ Preciso falar com ele…

_ Não. Você precisa me dar uma explicação, agora!

A moça engoliu em seco e segurando a vontade de chorar criou forças de onde não tinha. Levantou a cabeça e encarou o irmão.

_ Lúcius escreveu uma carta de adeus e ia se matar naquela noite… Estávamos sozinhos no castelo e ele estava muito depressivo. Me deu medo, lástima. Nunca amei a Lúcius, mas sempre gostei dele como um irmão. Sempre tive carinho por ele e vê-lo daquela forma me destruiu por dentro… Tive medo dele fazer uma loucura… Pensei em como seria contar à Amanda que o filho dela se matou e eu não fiz nada para impedir. Como o rei me olharia daquele momento em diante? Pedi que ele não fizesse uma besteira, supliquei que ele não…

Ela baixou a cabeça, controlando as lágrimas ao lembrar-se daquele dia fatídico. E o capitão da guarda a ouvia com muita atenção enquanto uma gama de sentimentos o atacava, mesclando-se dentro dele o revoltando.

_ Então, perguntei o que eu poderia fazer para impedi-lo…

_ E ele?

_ Ele… Me encarou com os olhos inundados e disse que me amava… Que não seria capaz de viver sem mim… E só não se suicidaria se eu me casasse com ele.

_ Quê?

Zechs se pôs de pé, irado.

_ Eu cedi… Tive medo e aceitei. Já tinha tudo planejado, fiquei atordoada e não pensei direito… Aqueles soldados amigos dele trouxeram o padre…

_ Soldados? Que soldados? Da onde? Do castelo?

_ Sim… Daqui mesmo… Aquele padre era estranho… Nunca o tinha visto… Mas ele nos casou.

_ Como é? Relena… Que é essa história toda? Quero saber quais soldados são esses e onde encontro esse padre?

_ Não sei o nome dos soldados… Mas os reconheceria se os visse… O padre foi embora na manhã seguinte, não sei nada sobre ele, a não ser os olhos…

_ Os olhos?

_ Sim… Tinha algo muito estranho nos olhos dele… E eram de uma cor única. Se pareciam tanto…

_ Pareciam a quem?

Ela parou e voltou a ficar entretida em seus próprios pensamentos.

_ Relena acorda… Me responda… Onde você já viu olhos parecidos com os do padre?

_ No baile…

Ela então o encarou e Zechs se pôs pálido.

_ No baile?

_ Sim… O homem mascarado que pulou a sacada… Tinham exatamente os mesmos olhos do padre. Idênticos…

Zechs saiu do quarto da irmã com passos apressados e a princesa finalmente não suportou mais a tensão. Sentou no chão encostando-se ao pé da cama e chorou. As lágrimas já não encontraram mais resistência para cair, abraçou o próprio corpo, tentando inutilmente se autoconsolar e sentindo-se uma verdadeira tonta.

-/-/-

O capitão da guarda caminhava a passos largos e apressados pelos corredores do castelo.

Chegou até a grande porta de entrada e encontrou quem procurava, o tenente Otto - um jovem de cabelos negros, olhos de mesma cor e sempre sorridente, aspirava um dia tornar-se o capitão da guarda. - parou em frente ele e esperou que o rapaz terminasse de dar as ordens ao guarda que estava em sua frente, após soldado sair, foi diretamente falar com ele, sua voz era irritada e seus olhos demonstravam uma ira pouco vista por seus subordinados.

_ Tenente…

_ Sim capitão.

O moreno se posicionou devidamente para atender ao seu superior.

_ Quero que investigue quem são os dois soldados amigos pessoais do príncipe Lúcius… Imediatamente!

_ Pois não senhor…

_ Alguma pergunta tenente?

Zechs notou a hesitação de Otto.

_ Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?

_ Prossiga…

_ Por que deseja falar com eles?

_ Porque quer saber?

_ Simples curiosidade, senhor.

_ Limite-se a cumprir a ordem que lhe dei!

_ Sim, senhor.

Zechs deu as costas ao tenente e se retirou. Otto quando viu que o capitão já havia sumido de sua vista, franziu o cenho, a ordem que Zechs lhe deu, o incomodou, respirou fundo e foi para a sala de descanso dos soldados. Ao entrar deu uma rápida passada de olho ao redor e não encontrou o que procurava.

_ Soldado!

O homem que almoçava levantou rapidamente quando escutou a voz do tenente.

_ Senhor?

_ Onde estão os soldados Jefrey e Joe?

_ Foram para a taverna da Madame Mona, senhor.

_ Obrigado, volte a comer.

O moreno saiu a passos firmes, subiu em seu cavalo e correu para a taverna. Chegando em seu destino, entrou ao estabelecimento com uma face fechada e de muito pouco humor. Sua mente não parava de lhe incomodar, estava intrigado sobre o que Zechs queria com aqueles homens e o que eles seriam obrigados a dizer.

_ Soldados Jefrey e Joe!

_ Senhor. - Disseram em uníssono ao verem seu superior.

_ Paguem a conta e venham comigo.

Eles obedeceram à ordem e seguiram Otto, que subiu em seu cavalo e esperou que os dois fizessem o mesmo, depois tocou rumo à floresta, os soldados engoliram em seco, mas seguiram o tenente. Ao chegarem ao local desejado pelo tenente, esse parou de cavalgar, deu uma boa olhada ao redor, certificando-se de que estavam a sós.

_ O capitão está a procura de vocês.

_ Zechs? - Eles se surpreenderam e temeram a novidade.

_ Sabem o motivo? Ele estava muito nervoso.

_ Não faço ideia, senhor… - Disse Jefrey.

_ Tem certeza? Talvez ele tenha descoberto algo indevido de vocês…

_ Não… Claro que não… O que ele poderia ter descoberto? - Respondeu Joe.

_ Ótimo. Assim espero. Podem ir.

Os dois assentiram e deram a volta com o cavalo, se entreolharam temerosos, pois sabiam que se o capitão os procurava, tão nervoso como o tenente havia dito que ele era, porque algo ele tinha descoberto. Começaram a avançar devagar com seus cavalos, tomando tempo para pensarem em mentiras a serem ditas.

Otto sabia perfeitamente que os soldados tinham suas consciências pesadas e ainda mais que quando Zechs os pressionasse, fracos como eram, falariam tudo que sabiam por isso foi preparado, Assim que eles deram as costas ao tenente, Otto pegou um arco e atirou duas flechas certeiras e mortais. Para garantir que nenhum sobrevivesse, além de mirar no rumo do coração, embebeu-as em um veneno mortal. Jefrey e Joe deram seu ultimo gemido de vida e caíram de seus cavalos, mortos. O tenente passou por eles e os observou com frieza.

_ Inúteis…

Respirou fundo, jogou o arco no meio das folhas secas e cavalgou com velocidade de volta ao castelo, tinha que informar ao capitão que eles haviam sido atacados e por conta disso os soldados que ele procurava estavam mortos.

-/-/-

Uma chuva muito forte tomou conta do reino fazendo com que Heero e sua tropa voltassem mais cedo de sua busca, já que não tinha sentido em continuar buscando, já que estava obstruindo totalmente a visão deles. Logo que chegou ao castelo, o rei e todos os que estavam com ele foram se trocar, pois estavam molhados e nenhum podia se dar ao luxo de ficar doente naquele momento.

Heero pediu que preparassem para ele a banheira com água quente, para poder se esquentar do frio que passou. Assim que terminou, foi se trocar no quarto, estava terminando de vestir-se quando Zechs bateu na porta e pediu para conversar com ele. Heero permitiu e o capitão não deu voltas, foi direto ao assunto e contou tudo a ele sobre o casamento de Relena, nos detalhes, bem como sua irmã lhe havia narrado.

_ E os soldados? Os cúmplices de Lúcius?

Heero estava frio, não demonstrou nenhum sentimento ou emoção, porém por dentro sentiu uma ira crescer dentro dele, algo que se não fosse de sua natureza ser tão frio, jamais conseguiria ter guardado dentro dele sem explodir.

_ Estão mortos…

_ Como?

O moreno olhou para o amigo de forma ameaçadora. Olhar que Zechs pouco deu importância.

_ Otto foi procura-los e disse que foram atacados… Ambos morreram com uma flechada nas costas.

_ Como se chamavam?

_ Jefrey e Joe.

_ Quero saber tudo sobre eles, se tinham família ou não, quem eram, onde frequentavam, com quem conversavam, com quem dormiam… Absolutamente tudo e quero que me traga as pessoas mais próximas a eles. Quero falar com elas, principalmente as últimas que os viram vivos… Isso inclui o tenente.

_ Assim será.

_ Essa morte foi muito conveniente…

_ Você acha que…

Zechs foi interrompido com o som de batidas na porta.

_ Entra!

Heero deu a ordem, e a porta se abriu, revelando a princesa. Relena cumprimentou com um aceno de cabeça ao irmão e sentiu o coração estremecer ao ver Heero com o cabelo molhado e bagunçado e de camisa aberta, mostrando seu peitoral bem desenhado. Baixou o olhar para falar, sentia-se envergonhada, mas corajosa para enfrentar o assunto.

_ Desculpe interromper…

_ Entre princesa. - Falou de forma autoritária, sem permitir que ela se negasse. - Zechs deixe-nos a sós, por favor.

_ Está bem…

_ E que ninguém nos incomode.

O capitão passou pela irmã e colocou uma mão no ombro dela, tentando encoraja-la e saiu fechando a porta ao sair. Deu ordem para um soldado que ficasse de frente para a porta e proibisse a entrada de qualquer pessoa. Depois seguiu seu caminho a fim de cumprir com o encargo que Heero lhe havia dado.

_ Creio que esse não é o melhor lugar para conversarmos… Talvez fosse mais conveniente falarmos no escritório.

Heero olhou para ela e sentou-se em sua cama, deixando de lado o restante de suas roupas e parando completamente de se arrumar.

_ Estou totalmente à vontade. Prossiga com o que veio dizer.

Ela sentiu seu coração latir. Engoliu em seco, respirou fundo e soltou o ar pela boca.

_ Imagino que meu irmão já tenha lhe dito tudo o que eu contei.

_ Sim.

_ O que vai acontecer comigo de agora em diante?

_ Há que se refere?

_ Cometi um erro imperdoável ao me casar com seu irmão… Qual será minha punição?

_ Quer ser punida?

Ele estranhou.

_ Não é que eu queira… Com certeza, não quero… Mas…

_ Mas?

Ele a encarava penetrantemente e ela enrubescia.

_ Sabia que eu adoro te ver tímida?

_ Acho que eu mereço uma punição, por haver traído o rei… Mas, gostaria de pedir que não desconte em minha família. Me de a punição que achar apropriado e aceitarei de bom grado.

_ Simples assim?

_ Com certeza. Apesar de que também me sinto inocente por outro lado.

_ Ah sim? E por quê?

_ Nunca me informaram que eu deveria ser sua esposa… Até hoje?

_ E não crê que deva ser por isso que não foi devidamente castigada?

Ela parou e pensou sobre o assunto. Ele esboçou um pequeno sorriso com a hesitação dela. E sem que ela visse ele levantou e caminhou em direção a ela, quando a loira ergueu a cabeça, Heero estava parado em frente a ela.

_ Não havia pensado por esse lado… Mesmo assim, não tenho como me redimir.

_ Talvez tenha…

Ele passou por ela e parou nas costas da princesa, colocou as mãos sobre os braços dela segurando-a, e baixou até ficar bem próximo ao ouvido dela para falar.

_ Tudo poderá ser corrigido, se você ainda for… virgem.

Relena sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo com a aproximação e ficou totalmente sem graça com a forma insinuosa que ele falou com ela. Soltou-se sem dificuldade de seu agarre e deu um passo a frente para então olha-lo a face.

_ E se por uma fatalidade eu não for mais?

A face dele se endureceu por completo, ele serrou os punhos e a encarou.

_ Por acaso se entregou a meu irmão?

_ Nunca disse isso.

_ Deu a entender.

_ Fiz apenas uma pergunta… O que passaria se eu não fosse mais donzela?

Ele suspirou e pensou um pouco sobre o assunto.

_ Poderia propor-lhe… - Calou-se indeciso de continuar. - Seria muito mais difícil de cancelar o casamento, para não dizer impossível.

_ O que ia me propor?

_ Melhor não tocarmos nesse assunto.

_ Quero ouvir!

Ela deixou de se sentir tímida e ergueu a cabeça, segura de suas decisões e isso chamou a atenção dele.

_ Se Lúcius não aparecer, eu me casarei com você…

_ Mas e se ele voltar?

_ Poderia exigir que ele me devolvesse você.

_ Como?

_ Através de um duelo até a morte.

_ Isso não é uma opção. Jamais permitirei que lutem por mim.

_ Ou você poderia ser minha.

_ Me tornar sua amante?

_ Talvez assim ele te deixe ir.

Ela o encarou boquiaberta. Não conseguiu acreditar no que ouviu.

_ Enfim, poderíamos tentar encontrar um milhão de soluções essa noite… Mas a pergunta que define qualquer resposta é… Você ainda é donzela?

Ela o encarou incrédula com a pergunta, mas o que mais a incomodou foi o fato de não saber responde-la. Sem nada mais a dizer e nem esperar por uma continuação da conversa ela se retirou do quarto e ele a observou sair, irritado pela duvida que agora o incomodaria.

-/-/-

Quatre estava sozinho no quarto, ainda adormecido e sem nenhum sinal de vida, apenas em coma. A porta se abriu e o homem de capuz entrou, fechando a porta atrás dele. Aproximou-se lentamente da cama onde o cavaleiro estava e pode-se ouvir seu risinho baixo.

_ Eu poderia terminar o serviço agora… E seria um a menos com quem me preocupar. Mas, sabe Quatre… Não tenho nada contra você. Alias, não tenho nada contra nenhum dos seus amigos tão pouco, e se Heero não fosse uma ameaça para meus planos, nem ele precisaria morrer. O problema é que quero Dante enforcado em praça pública, por roubar o que era meu, e também porque quero tomar o reino dele… E sei que você e seus amigos tentaram atrapalhar meus planos.

O homem não se preocupava em ser ouvido pelo cavaleiro, aproximou-se ainda mais da cama, para continuar a falar.

_ Sabe… Ele quer você morto. Por quê? Ah, porque ele está apaixonado pela Hadja e já é de conhecimento público que existe algo entre ela e você. Mas enfim… Não serei eu quem irá te matar… Ele se encarregará do serviço. Provavelmente essa noite, quando todos estiverem dormindo, já que você continua vegetando, ele se encarregará de que você simplesmente não acorde mais. Eu sinto muito por você… Mas, só poderá haver um ganhador nessa guerra, e serei eu.

A porta do quarto se abriu e o homem misterioso, virou levemente a cabeça para ver quem era, mas em nada preocupado, tratava-se de Otto que olhou para o homem sem nenhuma surpresa. Sem que o recém-chegado ou ele se dessem conta, o loiro que estava desmaiado mexeu a mão, como sinal de quem estava acordando.

_ Você precisa sair agora, eu ouvi uma conversa da senhorita Lucrezia para aquela serva Kelly, de que ela estava vindo cuidar dele.

_ Está bem… Vamos então.

O homem voltou a olhar para Quatre que aparentemente estava igual e resolveu dar uma última noticia antes de partir.

_ Logo que você morrer, ele tomará Hadja como mulher, nem que seja a força. Porque assim deve ser… Quando queremos algo, temos que ter… Mesmo que seja forçando. Boa viagem para o inferno.

O homem de capuz deu as costas para Quatre e saiu com Otto que só fechou a porta após dar uma última olhada com ódio para o loiro e esboçar um sorriso malicioso. Assim que a porta se fechou, o cavaleiro finalmente despertou.

...Continua...

E novamente eu paro na melhor parte. hsuahsuahsuah

Ah vai, mas esse capitulo revelou muita coisa, ou não? Shuhsua

Então? Aquele esquema lindo, cadê minhas reviews?

Desejo a cada uma de vcs e toda sua família, um maravilhoso ano novo, repleto de novidades e muita alegria, sucesso e conquista. Que sonhos se realizem e que o ano de vcs comece maravilhosamente bem. Adoro vcs, muito mesmo.

Bom, espero que tenham gostado e até o ano que vem... Não adianta me pedirem pq só posto em 2014 agora. u.u fim de papo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Beijinhos e amo vcs!

31/12/2013 as 00h30