N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 24
Beijo
09 de novembro de 2007
Sakura, Adachi às 21h30min
Demorei 20 minutos no telefone para conseguir convencer minha vó de que estava tudo bem e que eu poderia sobreviver aos próximos 10 dias em que ela estaria em Hokkaido. Não era nenhuma novidade, que desde os 14 anos, suas viagens durassem por quase um mês. Eu tinha meus braços, discernimento social e dinheiro para passar o mês tranquilamente sem colocar fogo na casa, sem ser surpreendida por psicopatas e sem gastar mais do que tenho.
Eu adoro isso. Deitar na varanda, tragando e bebericando um chá quente. Adoro de uma maneira estranha, pois por mais que eu goste da tranquilidade da casa e a liberdade de andar só de camisola para lá e para cá, ainda me ocorre algumas vezes que ser cuidada é bom.
Provavelmente minha mãe cozinhava melhor do que eu e talvez assim eu pararia de comer omelete queimado com chá-verde.
Me pergunto o quão diferente eu seria se meus pais estivessem vivos, quantas pessoas eu teria conhecido e quantas das que eu já conheço seriam só desconhecidas... Não consigo imaginar minha vida sem ter conhecido Tenten, Gaara ou até mesmo Tsunade-san. E, além disso, acredito que seria uma pessoa totalmente diferente, o que não significa ser, necessariamente, mais completa ou qualquer definição tradicional desse conceito instável de felicidade.
Sinceramente, não sei por que, mas desde sempre esse assunto me atingi muito pouco. Mas com certeza afeta, já que ultimamente, sem nenhuma razão aparente, eu tenho pensado a respeito...
Ainda deitada na varanda, de barriga para cima e sobre o soalho de madeira, percebi dois pontinhos aleatórios no teto. Parecem dois coelhos morrendo por uma jujuba de canela.
Ter esses tipos de pensamentos indica que estou com sono. Olhei as horas no celular e me dei conta que havia uma mensagem não lida. Antes de saber quem era já estava desejando que fosse Gaara e quase soltei um sorriso quando vi que era mesmo.
"Preciso falar com você, me liga."
Fosse pelo sono, fosse só pela vontade, não pensei muito e simplesmente liguei. Só me dei conta que estava muito alegre quando tocou pela terceira vez e ele imediatamente atendeu.
- Haruno?
Ele nunca me chama pelo primeiro nome, mesmo que eu já o chame há algum tempo.
- Sim, acabei de ler sua mensagem.
- Só um momento.
Ele pediu e logo depois escutei barulho ao fundo indicando que ele estava se movendo. Depois veio o som de uma porta fechando, o que me fez acreditar que ele estivesse se trancando no quarto.
- É algo tão importante assim para você precisar de privacidade?
Ele demorou um pouco para responder e aposto que estava se perguntando como eu havia percebido isso.
- É sobre Hidan... Parece que ele foi acusado do assassinato de Asuma e Deidara.
Gaara, Centro de Tóquio às 21h46min
A escutei suspirar no outro lado da linha.
- Como você ficou sabendo disso?
- Meu irmão era conhecido de Deidara e foi levado para depor. Mas ele só esteve com Deidara por alguns minutos muitas horas antes do assassinato.
- Entendo, e como Deidara foi morto antes da prisão do Hidan, é bem capaz dele ser realmente o culpado. Além de está diretamente vinculado com Asuma...
Notei um tom de reticência e perguntei curioso, apesar de minha voz, como sempre, soar limpa e impessoal:
- Isto de desanima?
Ela demorou um pouco para responder, e por um momento só escutei sua respiração pesada.
- Bom... Agora não temos mais nada para procurar a respeito da Nuvem Vermelha.
Senti-me frustrado e ansioso quando sua voz soou desanimada e desinteressada no outro lado da linha. Já era uma verdade não declarada que não havia nada de concreto que estimulasse o nosso vínculo... Com rara exceções, nunca nos encontrávamos, senão para discutir sobre o assunto
No entanto, tenho a expectativa que desculpas não serão mais necessárias. E foi então que me dei conta, que além da curiosidade, toda aquela busca sem sentido também se tratava de uma desculpa, não somente para ocupar os dias tediosos, mas para passar mais tempo com a Haruno.
Eu deveria parar com essa incerteza.
Me sentei na cama e só me dei conta o que estava fazendo quando escutei minha própria voz soar.
Sakura, Adachi às 21h55min
- Quero vê-la.
Me senti muito rígida quando suas palavras soaram firmes e indiferentes. Definitivamente Gaara não é ciente do quanto que aquela simples oração pode me afetar. Que também quero vê-lo, conversar e tocá-lo quase o tempo todo...
Droga, tenho que dar uma resposta.
- Agora?
Ele pareceu relutante, pois por um momento não houve resposta, mas logo depois continuou
- Preciso de cigarros, podemos nos encontrar naquela loja de conveniência próxima a sua casa?
Me pergunto como ele sabe que há uma loja de conveniência perto da minha casa... E existe um pequeno detalhe... Lá não vende cigarros. Eu deveria avisá-lo que o máximo a ser achado em um bairro de velhos são incensos mal-cheirosos... Mas...
Apertei um pouco celular antes de minha voz soar calma e controlada:
- Pode ser, eu também preciso comprar cigarros. - olhei para a carteira largada no carpete de madeira e me senti ridícula mentindo daquele jeito. De qualquer modo, já que eu estava mentindo, uma mentirinha a mais não faria qualquer diferença.
Gaara, Adachi às 22h16min
Repentinamente me senti ridículo. Dei meia volta bagunçando os cabelos e escutando as chaves no bolso chacoalhar. No atual momento, em frente a loja de conveniência quase vazia, estou vestido apenas uma calça jeans, uma camiseta e a jaqueta. Na pressa de sair de casa, esqueci de pegar o cachecol e luvas. E ainda para completar a situação, olhando o visor do celular pela terceira vez, eu vejo que a Haruno está atrasada.
E se algum idiota a surpreendeu no caminho? Eu realmente não deveria tê-la chamada tão repentinamente... Cigarros? Eu já tinha cigarros, por que inventar essa desculpa estúpida?
- Gaara? - me virei de imediato e quase senti os músculos do meu rosto formarem um sorriso. Ela estava ali, vestida desleixadamente em uma calça moletom e casaco, que se assemelhavam mais a um pijama.
- Você demorou. Pensei que tinha acontecido alguma coisa.
Só percebi o quão preocupado eu estava quando escutei minha própria voz. No entanto, esqueci completamente disso quando a vi sorrir, o mesmo sorriso sem covinhas que deixavam os olhos ligeiramente mais fechados e a boca menos carnuda. Quase consigo sentir as palmas da minha mão suar, e por um segundo tive que controlar as minhas pernas para não seguir até sua direção e tocá-la.
Por que eu não deveria fazer isso já que eu quero tanto?
- Tá tudo bem, aqui é uma bairro de idosos. - ela me respondeu ainda sorrindo - E pegue, eu trouxe seu cachecol.
Ela deu uns passos enquanto retirava o cachecol do próprio pescoço. Em seguida me mantive em silêncio quando ela ficou bem a minha frente e nas pontas do pés colocou o mesmo cachecol em torno de mim. Percebi sua respiração ficar levemente mais densa indicando uma ansiedade calada e sua boca entreaberta soltar um ar quente acariciando meu pescoço. Tentei, mas não me contive... Abaixei os olhos e naquela distância pude ver todos os pontos multicoloridos de sua íris, e um pouco mais abaixo os lábios ressecados pelo frio. Me perguntei mentalmente qual seria a textura de sua boca seca e sem perceber retirei minhas mãos do bolso para logo depois escutar o som da minha carteira de cigarro amassado cair no chão.
Sakura, Adachi às22h20min
Olhei para baixo sem me afastar dele - ainda me perguntando quando respirar se tornou tão difícil. Não consegui disfarçar uma expressão de interrogação quando vi uma carteira de cigarro amassada no chão. Não demorei para me dá conta que eu não era a única mentirosa ali, no entanto, a única questão era saber por que ele havia feito aquilo. E então, no impulso, o encarei e minha expressão formulou minha pergunta.
Ficamos assim por um longo tempo. Somente no silêncio, sem movimentos enquanto eu podia ver bem próximo de mim a pele pálida, os lábios finos e cheios, sua respiração nítida no ar. Sentia-me obviamente ansiosa e ávida, mas não queria sair dali, não queria sair de perto dele, tão próxima e quente, como se houvesse um toque denso no pequeno espaço entre a gente...
- Eu queria vê-la...
Era sua resposta. E sua voz soou muito baixa de maneira que somente nós dois escutamos. No segundo seguinte, de modo que já nem lembro como ou por quem, sua boca já estava na minha.
Gaara, Adachi às 22h21min
Por um segundo em nem me dei conta que estava realmente ali. Sentia meu corpo se mover, meus lábios molhados e a temperatura firme e quente de suas mãos em meu pescoço, mas não entendia, ainda não havia passado pela minha percepção ou mesmo imaginação o que estava acontecendo.
Só sabia que seus lábios não eram secos.
E era bom, quente, molhado, ansioso... E eu não sei, e não quero saber o quão estúpido pode ser descrever essas coisas.
Nem me recordo de que maneira aquilo começou. Talvez se eu me desse conta eu não teria tido a coragem de levar minhas mãos até seu corpo e segurá-la, trazê-la pra mais perto e assim perceber que ela, de alguma maneira, foi parar nas pontas do pé.
Talvez tivesse sido naquele milésimo de segundo em que um mínimo sorriso surgiu e assim eu, ou ela, ou nós dois, nos movemos e nossas bocas procuraram uma a outra
Sakura, Adachi às 22h21min
O primeiro contato foi suave, nada mais que um roçar de lábios. Entretanto, a sensação que eu tinha era de uma leve tremedeira interna, estranha e gostosa. E depois, quando senti seus braços em torno de mim, me erguendo em um impulso, percebi sua boca simplesmente entreabrir e preencher meu lábio inferior. Não me contive, minhas mãos foram parar na curva de seu maxilar e pedi para que o beijo se aprofundasse. A resposta foi suas mãos em minha cintura segurando ainda mais forte, e sua boca entreabrir dando liberdade a sua língua ansiosa.
Em algum momento meu dedos foram parar em seus cabelos, e pude finalmente sentir sua textura macia e úmida. Em outro instante já estávamos apenas com os lábios encostados sentindo a respiração pesada roçar, enquanto em um movimento mínimo trocávamos beijos pequenos para logo depois, repentinamente seguir um mordisco e depois mais outro. Quando já parecia insuficiente, eu ou ele, ou nós dois, entreabríamos mais a boca e eu o sentia apertar ainda mais minha cintura enquanto minhas mãos iam parar firmes na curva de seu pescoço.
E mesmo não sabendo a ordem que tudo aquilo prosseguia, por dentro era uma sensação agradável e intensa, como uma inconstante que crescia gradativamente, uma espécie de felicidade irracional, provocada apenas por aquele contato sensível.
Aos poucos tudo foi se acalmando. Meus calcanhares voltaram ao chão, Gaara afrouxou os braços sem me soltar e mesmo assim eu sentia uma espécie de ansiedade que nunca se acalmava. Percebia, no entanto, mesmo naquele silêncio e relativa tranquilidade, a calada vontade de Gaara e parecia-me que ninguém estivera tão ávido por aquilo quanto ele. Me dá conta disso me fez sorrir, e mesmo com meus lábios contra os seus eu não me contive, o sorriso simplesmente surgiu enquanto sentia sua respiração próxima a minha face, e suas mãos ainda firmes em minha cintura como se não quisesse me largar nunca.
Gaara, Adachi às 22h31min
Ainda sentia um agradável incômodo por todo corpo quando ela parou e sorriu.
Não pensei muito quando a abracei, e mesmo não podendo ver eu sabia que ela estava ainda mais bonita naquele momento.
- Por que sorri? - perguntei, só me dei conta do quão baixo soou quando a pergunta já tinha me escapado. Houve um murmurinho indicando uma risada, senti que ela se divertia e estava sendo verdadeira.
- Tem gosto de cigarro.
Quase ri com aquele comentário e foi então que percebi o gostinho mínimo de cigarro em minha boca, que poderia muito bem ser devido ao beijo ou simplesmente pelo hábito.
- Calma ai, você está sorrindo? - ela se afastou de mim para me fitar, e só me dei conta que eu tinha um sorriso mínimo nos lábios quando vi seus olhos verdes levemente abertos.
E então, como se os nossos olhos tivesse algum tipo de anti-efeito, nós nos soltamos.
Sakura, Adachi às 22h35min
Era como uma massa de ar fria que exalava "constragimento". Nos afastamos, quase um passo de distância logo depois que nossos olhos se encontraram. Ficamos um segundo em silêncio e tenho a absoluta certeza que não somente eu, mas ele também, nos sentíamos ridículos.
Não pelo beijo - e ainda consigo sentir uma leve fraqueza nas pernas. Mas pela a situação em que nos encontrávamos, tão ansiosos e... apaixonados? Não, por favor, não. Estou totalmente sem saber o que fazer.
A questão era que se fosse qualquer um, eu simplesmente escaparia dessa situação desconfortável encarnando qualquer personagem. No entanto, é óbvio que não seria assim, pois simplesmente se tratava do sociopata funcional com o melhor beijo do mundo.
Deus, não me faça nunca dizer isso em voz alta caso você realmente não queira que eu morra de vergonha. E que maldita oração gigante é essa?
Droga... estou constrangida. Percebi minhas bochechas ficarem vermelhas e minhas mãos com mil pontinhos dolorosos, me fazendo sentir como uma adolescente frustrada.
- Seu celular está tocando.
Como?
(...)
Sim, meu celular. O senti vibrar no bolso da minha calça e de uma maneira quase atrapalhada finalmente o atendi. Estava tão ansiosa que nem olhei na tela para saber quem estava me ligando.
- Sakura? Finalmente... - era Tenten, parecia levemente ansiosa e por isso me recompus imediatamente. - Onde você está? Estamos aqui no lado de fora da sua casa.
- Estão? - perguntei sem entender. Já eram quase 10h30min e, para completar, ela estava falando no plural.
- É uma longa história. - sua voz soava levemente tremida. - Aqui está frio, Sakura, não tem como você abrir a porta logo, não?
- Não estou em casa, mas posso ir agora para ai. - respondi sem conseguir esconder minha preocupação e curiosidade. Olhei para Gaara e o vi me fitando interrogativamente. - Chego em minutos.
Ela concordou pedindo para eu me apressar e em seguida desliguei o celular. Gaara e eu nos fitamos em silêncio como se procurássemos palavras. Provavelmente não acharíamos por agora e talvez por isso eu suspirei e ele enfiou a mão no bolso retirando a chave da motocicleta.
- Eu te levo.
Chegamos realmente poucos minutos depois. Quando desci da motocicleta, pude ver imediatamente a imagem de Tenten se abraçando em um casaco e Hinata, cabisbaixa, vestindo um casaco alaranjado. Me lembrei imediatamente de Naruto.
- Finalmente. - Tenten respondeu, e mesmo que eu não a tocasse conseguia sentir suas bochechas geladas pelo frio.
- Estavam aqui há quanto tempo? - perguntei. Tenten me respondeu que uma pouco mais de 15 minutos. - Tudo isso? Nesse horário da noite...
- Sakura. - Tenten me interrompeu com um tom de voz sóbria. Pela a expressão em seu rosto entendi que havia preocupações maiores. Meus olhos caíram imediatamente na imagem de Hinata, a Hyuuga estava curvada, encolhida em seu casaco e com um semblante melancólico e desconfortável. Não pensei muito, me aproximei e a tocando com o braço gentilmente falei:
- Vamos entrar, aqui está muito frio.
Hinata me fitou por um segundo e vi um misto de agradecimento e constrangimento em seu rosto. Sorri tentando transmitir tranquilidade, em seguida peguei minha chave e a entreguei para Tenten. Eu entraria depois, pois tinha um ruivo me fitando interrogativamente, e que com certeza não aceitaria participar da noite do pijama...
- O que você acha que está acontecendo? - ele perguntou sem cerimônia.
- Não sei, mas provavelmente tem a ver com Naruto. - deixei escapar um suspiro enquanto Gaara encostava-se em sua moto.
- Entendo, você quer que eu fique?
Se você ficar, provavelmente não dormirei nada. Quis responder, mas apenas neguei com a cabeça.
- Obrigada, mas sou capaz de lidar com isso.
Respondendo aquilo me recordei do conteúdo da carta, onde ela me pedia desculpa por me abandonar nas responsabilidades do festival. Pediu também para que eu não perguntasse ou me envolvesse com o término do relacionamento dos dois e para que, se assim fosse possível, acompanhasse Naruto no processo de luto. Pediu desculpa também pelo método antiquado, mas que no atual momento era a única maneira de comunicar com as pessoas, além do celular.
Senti-me péssima depois de lê-la, principalmente por causa de Naruto, que, desde então, tem se desviado de todo mundo. Eu poderia perfeitamente ter perseguido o assunto, mas simplesmente não me ocorreu.
- Vou indo então. - Gaara disse pegando seu capacete. Abri a boca para falar qualquer coisa, mas não tinha nada a ser dito. Talvez eu só quisesse ficar mais um tempo ali, na esperança sem sentido de que aquele constrangimento calado se resolvesse.
No entanto, quando ele sentou na moto e me fitou, eu soube que não hoje, mas em algum momento, aquilo seria resolvido. Ele se despediu com um aceno e logo depois eu entrei em casa.
Tenten e Hinata já estavam em meu quarto. Tenten procurando alguma coisa em meu armário enquanto Hinata mantinha-se sentada na cama. A Hyuuga fitava meu quarto com curiosidade, bastante interessada na simplicidade que uma garota do subúrbio poderia ter... Tudo bem, isso foi um pouco maldoso. Mas não consigo deixar de imaginar Hinata em uma casa luxuosa rodeada de empregadas e os melhores tutores do Japão.
É inegável. Ela parece um personagem feminino de shoujou. Ou não, já que, hoje em dia, a moda é a protagonista da classe média e que possui problemas de timidez... Pelo menos ela se encaixa no segundo requisito.
- O que tá procurando? - perguntei e as duas voltaram-se para mim. Tenten tinha uma expressão séria e na maior cara de pau respondeu:
- Um futon para você e o Gaara-san. - estreitei os olhos e ela riu. - É só um casaco, na pressa eu me esqueci de pegar um que preste.
- O que aconteceu?
- Hinata fugiu de casa. - Tenten respondeu simples, ainda entretida em sua busca.
- Fugiu? - perguntei diretamente para Hinata e ela abaixou a cabeça imediatamente. - O que está acontecendo Hinata-chan?
Ela esfregou os dedos uns nos outros e vi sua pele ficar avermelhada. E com certeza não era pelo frio.
- Eu... - ela suspirou indicando um repentino cansaço. - Queria ver o Naruto-kun... Tem sido tão complicado... Eu simplesmente queria vê-lo.
Me aproximei sentando ao seu lado. Não era segredo para ninguém que a Hyuuga estava realmente apaixonada pelo Naruto. O que me incomoda, é que para mim, ele também estava... Mesmo que de uma maneira muito mais discreta.
- Pensei que vocês estavam bem. Posso perguntar por que ele terminou com você?
- Sabe... - ela deu uma pausa e nesse momento Tenten também depositou sua atenção na conversa. - Acho que ele simplesmente não gosta mais de mim... Mas não posso ser egoísta. – aquela declaração chamou minha atenção – é bastante claro que ele tem motivos para querer manter distância, principalmente com o Iruka … e Jiraiya-san...
Aquilo era verdade. Não a primeira parte... Mas a parte em que Naruto estava vinculado a Iruka e Jiraiya e consequentemente muito afetado pelo duplo luto. Senti-me repentinamente interessada - não que não estivesse antes, mas agora era por outros motivos - e me ajeitei na cama segurando sua mão.
- Talvez não seja isso. Sempre achei que Naruto gostava muito de você.
- Talvez... Talvez... É horrível não ter essa certeza - senti suas mãos tremerem. - E eu me sinto tão ridícula. Fugir de casa para vê-lo? Você tinha que ver como ele me olhou... E... Doeu tanto... E… Me desculpa. Nem sei por que estou falando tudo isso, sou tão egoísta que só sei falar dos meus problemas para os outros.
- Hinata-chan. - Tenten começou, a voz suave e um sorriso discreto nos lábios. - Isso não é nada, se estamos aqui com você é por que queremos escutar não acha?
- Tenten-chan está certa. Está tudo bem você falar. - reforcei a ideia. - Mas o que aconteceu?
- Estamos passando por uma época difícil lá em casa, depois da morte do meu pai as responsabilidades tem pesado encima de mim e de Neji-nii-san. Temos tido aulas particulares e tudo tem sido muito complicado... – ela deu uma pausa. Senti seus olhos brilharem e por um momento jurava que estava prestes a chorar. - E para mim não tem sentido... - ela virou-se em minha direção. - Acredita que... Que nem sair de casa direito eu posso? Eu nunca importei com aulas, com os dias, mas pelo menos agora...
Aquilo parecia ainda pior do que eu imaginava. Era como se Naruto fosse o centro do seu mundo.
- Naruto foi meu porto seguro desde que meu pai morreu... E agora... Eu o entendo, é difícil pra ele. - ela soltou meus dedos e levou as mãos ao rosto. - Isso é tão constrangedor... Fugir para vê-lo e não ter como voltar para casa.
- Ela simplesmente não pode voltar. - Tenten começou a explicar. - Neji não atende o celular para ajudar e ela não pode surgir em casa no meio da noite sem explicações. Então Naruto pediu minha ajuda... Como ela não poderia ficar por lá e eu e você somos as únicas que sabem da situação...
Não era necessária nenhuma outra explicação. Eu bem sabia que seria difícil levar Hinata para a casa de Tenten, seria possível leva-la até um hotel, tirando obviamente a insensibilidade do , ato que, apesar de tudo, Naruto seria incapaz de fazer.
- Está tudo bem Hinata-chan. Você será sempre bem vinda aqui em casa...
Tirando que agora terei que acordar cedo para apagar os rastros de cigarros da casa... De qualquer forma, acredito que essa deveria ser uma das minhas últimas preocupações no momento. Depois desse comportamento estranho do Naruto eu fiquei ainda mais consciente que algo estava acontecendo com ele.
- Alguem quer chá? - perguntei tentando um sorriso.
- Eu quero um aquecedor Sakura. - Tenten comentou emburrada e logo depois vimos um sorriso mínimo no rosto de Hinata. Acho que ficará tudo bem... E amanhã eu irei conversar com o Naruto parar arrancar algumas explicações.
Gaara, Delegacia às 09h36min do dia seguinte.
"Larga de ser mesquinho. O que custa você ir até lá? Pelo que eu saiba nosso pai não é nenhum monstro de sete cabeças." Quando entrei na delegacia a voz despojada de Temari ainda soava em minha cabeça. Na realidade eu não planejava aparecer novamente por aqui, muito menos para visitar o meu pai, mesmo com o mero compromisso de lhe trazer o celular esquecido. A última vez eu estava com ele, um pouco antes de seguirmos para o funeral de minha mãe. Pelo que me disse tinha algum assunto pendente. Seus olhos estavam secos.
Não sei nem por que, logo agora, estou me lembrando disso. Talvez seja influência do local.
Atravessei o longo corredor, chegando a um balcão onde as ocorrências eram feitas. No caminho, esbarrei com dois guardas que me encararam secos e desprovidos de emoção. Isso me faz pensar que a Haruno provavelmente concordaria com a ideia de que eu era uma ótima opção para profissão.
Me senti ligeiramente estranho com a lembrança concreta da Haruno, pois mentalmente todos os sentidos pareciam presentes. Ainda conseguia ver sua boca, escutar sua risada baixa e até mesmo sentir a extensão de seus braços e mãos coladas em mim...
O corpo tão próximo que eu poderia...
- O que você quer?
Acordei para a realidade com aquela pergunta.
Um senhor de pele machada tinha seus olhos em minha direção.
- Sou filho do Chefe do Departamento de Crimes Hediondo.
Me analisou por um rápido momento e não demorou muito para chegar a conclusão de que eu era, sem sombras de dúvidas, o filho do Chefe do Departamento de Crimes Hediondos. Talvez fosse a linha negra de nascença embaixo dos olhos, e a expressão morgada típica de nós, Sabaku. A burocracia necessária, no entanto, o fez pedir minha identidade, mas logo depois fui encaminhado até sala de meu pai. Ficava ainda no primeiro pavimento, seguindo pelo corredor a direita logo antes do espaço destinado ao encarceramento dos presos em investigação.
Ele não estava em sua sala e decidi esperar no lado de fora. Me sentei em um pequeno banco, poucos metros de distância de um gradeado que dividia o espaço social do privado e era vigiado por dois guardas. Fiquei escutando música e me aguentando para não acender um cigarro, até que o barulho das chaves manipuladas por um dos guardas chamou minha atenção.
Esqueci completamente da vontade de tabaco.
Um homem alto, de cabelos brancos e jogados para trás saía dali. Segurava uma sacola de plástico e no rosto tinha uma suave e despreocupada expressão. Não me olhou, apenas seguiu reto, em passos contidos e elegantes, semelhante a um gangster da máfia Italiana.
Era Hidan. E eu realmente não acredito que ele não foi incendiado por nenhum crime...
- Gaara?
Ainda tinha meus olhos fixos nas costas de Hidan quando escutei meu pai me chamar. Virando-me pude ver seus olhos estreitos e as maças do rosto levemente levantadas, numa mistura de desconfiança e surpresa. Era estranho, pois meu pai raramente mostrava emoções, o que me indicava, que mesmo sendo as primeiras horas do dia elas deveria está realmente cansado.
Talvez Hidan seja responsável por isso.
- Temari me pediu para te entregar. - o celular estava no bolso do meu casaco e por isso rapidamente o mostrei. Ele, no entanto, apenas fitou o estranho objeto sem fazer qualquer outro movimento.
- Fique com ele. Pretendo comprar outro.
E então ficamos nos fitamos, em um incômodo silêncio, como sempre acontecia nessa espécie de relacionamento que tínhamos. Pergunto-me se meu pai se comporta dessa maneira com todo mundo e até mesmo se era assim com minha mãe. Provavelmente não.
- Bem, eu vou indo. - eu disse por fim, mas não fizemos qualquer movimento que indicasse uma despedida. Era como se houvesse algo pendente entre nos dois.
- Gaara... - ele deu uma pausa, e percebi que ele puxava o ar com as narinas com mais força. - Só tome cuidado.
E deu as costas indo em direção a parte interna da delegacia. Talvez meu pai já soubesse do meu estranho interesse pelo caso Nuvem Vermelha, ou talvez simplesmente fossem palavras de pai. Creio que seja algo que ainda não é concebível ao meu raciocínio...
É realmente estranho chegar a essa conclusão.
Segui em direção a saída da delegacia, a questão de Hidan ainda estava pendente e talvez por isso eu tenha saído olhando de esguelha para todas direções em busca da figura platinada. No entanto ele já havia sumido completamente do mapa. Olhei o visor do celular me perguntando se seria uma boa hora para ligar para a Haruno, por mais que fosse final de semana, tenho a leve intuição de que ela era do tipo que dormia durante toda a manhã...
Eu podia acordá-la... Quase esbocei um sorriso ao imaginá-la de cabelos bagunçados e pijama... Sim, talvez eu devesse fazer uma visita sob uma desculpa qualquer.
N/A: Esse capítulo demorou, eu sei e peço desculpas. Mas tive um entrave criativo simplesmente por causa dessa primeira cena. Eu a comecei apenas pensando "certo, agora eles se resolvem... e então...". Minha saída foi juntar os elementos que mais significam "eles dois", cigarros, loja de conveniência, frio e cachecol. E apesar do ambiente e contexto estar construído converter a sensação de uma beijo (ainda mais um beijo tão esperado) em palavras não deixou de ser difícil. Acabou que foi um impulso onde nenhum dos dois sabe quem começou haha'. A questão mesmo é que eu não sei escrever cena de romance. Imagine cena de beijo? Deus, como isso é difícil fico super impressionada com quem consegue... Inclusive se alguém quiser me indicar fanfics com boas cenas de beijos eu agradeceria, de verdade.
AHH, antes que me esqueça. Minha experiência aqui no site indica que capítulos com cenas de beijos sempre recebem menos comentários! Sério, em outras fics minha era sempre o capítulo menos comentado... Mas não deixem de comentar sim? Eu sei que eu demorei, mas juro que não foi por preguiça!
Retornando a fic...Beijo com gosto de cigarro. Quem nunca beijou um fumante não consegue imaginar o que é isso - tem gente que não se importa, mas com certeza tem muita mais gente que acha insuportável. Mas como os dois são fumantes, creio que o gosto não foi um problema. Ah! Cara, eu quero muito saber como eles irão reagir depois disso (sim, eu ainda não pensei sobre isso), o que vocês acham que irá acontecer?
Ah sim, as vezes eu me esqueço de que Gaara tem uma motocicleta, caso alguem tenha curiosidade eu a imagino no modelo CG 150 Titan ESD da Honda. Ah, inclusive é um modelo nem tão caro. Viu, Gaara nem é tão playboy assim haha'
Próximo capítulo ainda teremos uma cena entre Hinata e Sakura, e a Haruno irá conversar com Naruto em busca de explicações.
Agradecimento a Bianca Caroline que me acalmou com a cena complicada do beijo e que corrigiu o capítulo para mim mais uma vez. Confesso inclusive que um dos meus maiores estimulos para escrever são os comentários sacanas, sarcástico, cínicos e adjetivos semelhantes a respeito da história. E sim eu também pensei em Claudinho e Bochecha quando ele disse aquilo hauha'
Resposta aos comentários eu coloquei aqui por ser mais prático haha'
Violak: Eu realmente gostaria de brincar mais com a cara do Gaara com esses sonhos hot deles, espero ter oportunidades haha . Demorou mas voltei e espero que o capítulo recompense um pouco a demora.
Jessi: Adoro novas leitoras *-*, sempre me animam em continuar a fic ao saber que mesmo com a quantidade de capítulos e ainda tenho oportunidade de novos leitores. E super satisfeita tambem por gostar da fomula basica de AUR " suspenses, romance e alguns assassinatos" haha' E tambem fiquei realmente feliz com seu comentário a respeito da minha tentativa de equilibrar fofura com suspense, por que as vezes eu acho que estou sempre exagerando em um ou em outro e é realmente bom saber que mesmo assim esteja agradando, é quase como "Ufa" mental haha' Espero que esse capitulo tenho recompensado a demora e muito obrigada pelo comentário, como eu disse é sempre bom descubrir novas leitoras :D
Conny: Desculpa, desculpa, mas como não brincar com um sonho erótico do Gaara? haha Até minha revisora ficou assim "Ok, agora eu sei que isso definitivamente só pode ser um sonho". Também adoro o Sasori, é uma pena que ele não terá mais espaço na história, mas realmente o acho um personagem interessante. O que mais impressiona é que ele teve uma participação muito rápida em Naruto e mesmo assim se tornou um personagem muito querido (yaoistas que o digam). A cena da Kankurou realmente foi divertida de escrevê-la, é uma relacionamento de irmão tão estranha e tão pouco trabalhada em fanfics. Ah, sem pressão, sem pressão, de qualquer forma acho que esse capítulo recompensa a demora, assim espero haha'
YokoNick-chan: Universidade e tempo são duas coisas que se anulam haha' Inclusive você faz que curso? "Quero te ver Haruno" é marca registrado do sociopata funcional, e o melhor de tudo, ele nem tem noção do quão impactante isso pode ser. Bom, eu realmente não tive espaço para colocar em pratica a memória do Sabaku quanto ao sonho... Mas ótimo comentário, me surgiu ideias quanto a isso. Sempre bom ler seus comentários em especial suas observações questionando detalhes que nem eu mesma me dou conta haha'
Nina Starling: Senhorita, você vive falando que possui teorias, mas nunca me diz quais são, queria tanto saber para me orientar quanto ao que o pessoal está pegando ou não. Bom, ele é bi sim, mas o coração só do Sasori (deus, como eu consigo ser brega.) E caramba, você não é a primeira a desconfiar do Naruto e isso... me deixa tão empolgada. O Deidara foi citado de uma maneira bem discreta pela própria Ino... Me pergunto se alguém se deu conta disso haha'.Obrigada pelo comentário, e avisarei a Bianca os agradecimentos.
Susan: Demorou mais saiu!
Beijos de Alecrim (sabe aquela angustia de tristeza? Aquele incômodo no peito que parece passar nunca? Pois então, agua com alecrim é muito bom pra isso! Oul K.Z também pode ser curandeira haha')
Oul K.Z
