N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 26
Passado
15 de novembro de 2007
Gaara, Restaurante em Funabora às 16h21min.
Me pergunto se nos dias atuais, os eventuais atrasos do sexo feminino são visto como algo normal. Não sei, talvez exista uma razão misteriosa ou uma regra de etiqueta alterada. Tudo bem. Não há muito sentindo no que estou falando, e com certeza é um pouco sexista... Mas realmente me pergunto por que a Haruno, sempre - e quando digo sempre, é por que realmente é sempre - chega atrasada.
Olhei meu celular pela quarta vez, esperando uma mensagem de texto da Haruno justificando seu atraso de 20 minutos. Havíamos marcado um encontro com a antiga companheira de quarto de Hiromi em um restaurante simples, onde serviam café e não cobravam 10%. De acordo com a Haruno, tudo deveria ser discreto e perfeito, para que Fuuka se sentisse o mais confortável possível... Ou algo próximo disso. No entanto, tenho certeza que seu atraso não faz parte dos planos. Afinal Fuuka, sentada bem diante de mim, não parece exatamente confortável com o mórbido silêncio entre nós dois.
Estamos em um canto discreto do restaurante, eu com meu expresso pela metade, e ela, uma mulher que suponho ter seus 25 anos, observando pacientemente qualquer coisa que a mantivesse distraída. Parece-me uma mulher educada, e de sorriso fácil.
Também era bonita. Cabelos longos, de um tom avermelhados e olhos grandes, nada de mais.
Quando levei meu café novamente até os lábios ela soltou um largo suspiro.
- Eu não costumo ficar tanto tempo em silêncio, que tal conversarmos até sua namorada chegar...
- Ela não é minha namorada. - respondi simples, sem saber exatamente o motivo. Talvez por que, ultimamente, eu tenha questionado qual era o significado da Haruno para mim. O que poderia ser estranho já que desde sempre nunca me vi realmente preocupado com isso.
Fuuka-san soltou um sorriso mínimo.
- Entendo. Somente amigos então?
- Sim. Amigos.
Amigos que têm alguma coisa ainda não explicada...
- Mas então... - ela deu uma pausa enquanto sorria. Provavelmente tentando ser simpática. - Por que exatamente vocês me chamaram aqui? Apesar da Haruno-san ter sido bastante enfática no último e-mail, seria interessante ouvir o seu ponto de vista também.
- Haruno era como uma irmã de consideração para Hiromi. Elas perderam contato quando ela entrou na faculdade... Então ficou realmente surpresa quando ela cometeu suicídio. - repeti o discurso que Sakura havia planejado. - Eu não a conheci, mas vim por causa da Haruno.
- Entendo... Hoje em dia isso é tão comum, e ao mesmo tempo ,quando nos deparamos com alguém próximo, ficamos realmente chocados. Mas de qualquer forma, de que maneira eu posso ajudá-los?
Não pude responder sua pergunta, pois a Haruno surgiu na entrada do restaurante, aturdida, provavelmente pela pressa, e olhando para todos os lados em nossa procura. Imediatamente acenei para ela, e então, ao nos achar, ela soltou um largo sorriso, sem covinhas.
Eu realmente gosto quando ela sorri desse jeito. Principalmente para mim.
- Peço realmente desculpas pelo atraso Fuuka-san. - sentou-se na cadeira entre nos dois e se inclinou para cumprimentá-la. - E agradeço de verdade por ter vindo, significa muito para mim. - disse, enquanto os cabelos ainda estavam desorganizados, caindo entre o cachecol que apressadamente retirava. Voltou-se para mim, e, como se me cumprimentasse, sorriu. Me contive para não organizar a mecha do seu cabelo solto.
- Ah está tudo bem. Estávamos tendo uma agradável conversar, não é Gaara-san?
Fuuka me fitou sorrindo e concordei com cabeça sem saber o que dizer a respeito. Afinal, aquele comentário era mero sinal de educação.
- Entendo... Isso é bom, Gaara não é muito comunicativo. - as duas riram como se compartilhassem um segredo e isso me fez perceber, mais uma vez, que as habilidades sociais da Haruno eram realmente impressionantes.
Conversaram sobre mais alguma leviandade enquanto esperavam o café da Haruno chegar. A roupa que vestia, uma blusa social e calça jeans apertada, juntamente com toda aquela cafeína, dava-lhe um aspecto maduro, parecendo uma universitária qualquer. Além disso, as duas juntas pareciam amigas de longa data... Enquanto eu, em minha jaqueta de couro e lã, de braços e pernas cruzadas, esperava pacientemente que elas tocassem em algum assunto interessante. Demorou cerca de quinze minutos, até que me mantive atento à conversa quando a Haruno citou algo que nos interessava.
- Como era Hiromi na universidade?
Não me dei conta como chegaram aquele ponto, mas quando menos percebi, Fuuka havia ficado séria, muita concentrada no que dizia.
- Hiromi era calada e distante. Nunca fomos amigas na verdade, companheiras de quarto de fato, mas ela nunca reagia bem as minhas aproximações, apesar de ser uma garota educada e gentil...
- Gentil... Penso que ela mudou muito desde que saiu da faculdade. Foi diagnosticada como levemente... É difícil admitir isso - a Haruno apertou levemente a xícara que segurava - Levemente insana... Apesar de tudo...
- Eu entendo Haruno-san. Na realidade Hiromi, mesmo na faculdade, já demonstrava ser muito melancólica. Às vezes até sombria. Era distante, e como éramos de setores diferentes raramente a via pelos corredores, apesar de acreditar que não se tratava disso.
- Como assim?
- Bom, Hiromi era muito sozinha, não tinha amigos. - deu uma pausa suspirando. - era realmente triste que ela se afastasse de todo mundo. Houve, no entanto, um período, poucos meses antes dela sair, que parecia consideravelmente melhor... - ela soltou um sorriso. – Ah, isso me lembra, vagamente, de algo, uma das poucas intimidades que tivemos. Havia um veterano pelo qual Hiromi comentava algumas vezes, dizia que era muito gentil... Ou algo assim, ao certo não me recordo como falava.
- Ela estava apaixonada por ele? - Haruno perguntou notoriamente ansiosa, e Fuuka, em resposta, apenas sorriu como se divertisse com a ingenuidade de uma adolescente.
- Longe disso. Hiromi não era de se apaixonar, na verdade... Nunca escutei rumores de relacionamentos. De qualquer modo, quando falava do veterano eu também suspeitava, até que ela disse que não se tratava disso, dizia até que "Não estava preparada ainda para aquilo". - soltou um sorriso preguiçoso. - Penso que era uma garota gentil... Até nos elogios. Nunca vi ninguém comparar alguém com uma flor.
Flor. Haruno e eu imediatamente trocamos olhares. Ela, no entanto foi mais rápida do que eu e perguntou:
-Que flor?
- Ah, não me recordo... Talvez, Dália ou Jacinto...
"Apenas ignore esse falso sentir e sinta o verdadeiro mundo e o compreenda, o perceba e não o negue...".
- Como era esse veterano? - perguntei me dando conta que minha voz soando pela primeira vez naquela conversa era inusitada.
- Ah... Era famoso por escutar as lamentações dos outros, tinha fama de conhecer a mente masculina por ser um galinha... - ela riu, um riso fosco como se risse de si mesma. - Até eu lhe contei os meus problemas com um ex.
Era a Dália... Assim como Asuma.
- Como ele se chamava?
- Kazuma. O sobrenome já me esqueci. - ela sorriu gentilmente. - Mas de qualquer forma ele não estava intimamente ligado com Hiromi, pelo menos pelo que eu saiba.
- O que aconteceu com ele?
- Não sei. Perdi contato com ele antes mesmo de perder com Hiromi.
Haruno moveu-se agitada na cadeira, nitidamente ansiosa. Provavelmente sua cabeça estava girando em teorias, naquela euforia que somente ela tinha quando estava descobrindo alguma coisa.
- Eu vou pedir algo, vocês querem olhar o cardápio? - ela perguntou repentinamente, no entanto apenas discordamos com a cabeça.
Fuuka ergueu a mão esperando a atenção de algum garçom, enquanto isso eu aproveitei aquele meio tempo e levei minhas mãos até as da Haruno repousada sobre seu colo. Não nos fitamos, mas eu sabia que ela entenderia minha tentativa de acalmá-la. A senti ajeitar os dedos de maneira que seu mindinho ajeitou-se entre meu indicado e anelar.
Quando Fuuka conseguiu finalmente pedir uma torta, Sakura largou minha mão. Senti como se faltasse algo ali. Soa sem sentido, eu sei, mas era uma sensação desagradável.
- Espero que eu não esteja atrapalhando a intimidade de vocês. - Fuuka comentou sorrindo, não um sorriso malicioso e insinuante como o da minha irmã, mas de maneira gentil. Haruno em resposta deixou as bochechas corarem e por alguma razão achei aquilo muito divertido.
- Er... Enfim... - Haruno gaguejou tentando voltar ao assunto. - Eu realmente gostaria de saber mais a respeito da intimidade dela... Entender, sabe?
- Eu entendo, mas sabe, creio que uma pessoa que sabe de fato a intimidade de Hiromi não existe. Ela era muito fechada.
- Absolutamente nenhum amigo? - Haruno insistiu.
- Um, ou dois... Mais colegas do que amigos. Houve uma época, um período em que ela estava melhor, mais receptiva. Se não me engano ela tinha um amigo, talvez mais íntimo, não sei.
- Como assim?
- Hiromi comentou muito a respeito de um colega de curso, falava sempre sobre ele. Pelo menos durante um tempo, um pouco antes de ser expulsa da faculdade...
Era uma informação nova para mim que Hiromi havia sido expulsa... Planejei perguntar por que, mas ela continuou sem deixar oportunidades.
- Mas temo que nunca o vi, e nada sei além de que eram amigos.
- Se recorda o nome?
- Ah, com certeza não... Mas confesso que na época suas citações sempre me deixavam enciumada.
- Enciumada...?
- Digo, achava suspeito. Era como se Hiromi, apesar de estar melhor, estivesse fazendo algo errado... Quando ela foi presa por consumo de drogas, eu soube que tinha algo relacionado com esse amigo. Realmente nunca soube.
- Se chamava Yusuke? - Haruno disso verbalizando a mesma pergunta que eu tinha em mente.
- Ah, realmente não sei. Seria exigir muito da minha memória. - respondeu e sorriu, um sorriso amarelo como se pedisse desculpa pela falta. - Mas quem seria esse Yusuke?
- Ex-namorado dela.
- Sério? Impressionante... Para alguém que sempre dizia "Ainda não estar preparada", creio que ela deve ter mudado bastante para chegar a ter um relacionamento.
Fitei a Haruno e percebi que ela estava bastante pensativa. Repentinamente ela mudou sua expressão, mexeu algo em sua bolsa e retirou uma folha de papel.
Sakura, Restaurante em Funabora às 16h55min.
Eu sabia que era apenas uma possibilidade, um chute ao nada, mas de alguma maneira inexplicável, talvez meramente intuitiva, eu sabia que eu tinha que tentar.
- Eu sei que é meio improvável, mas um pouco antes de Hiromi falecer ela estava com esse poema. - coloquei sobre a mesa o poema que eu sempre carregava comigo. Já havia se tornado uma folha gasta, mas, que com sorte, não tinha nenhuma das minhas anotações - Você saberia dizer se na época da universidade ela já o tinha?
Fuuka pegou a folha e leu rapidamente. Vi que seus olhos gradativamente haviam perdido o brilho e que os lábios estavam minimamente curvados para baixo. Ela já tinha lido e com certeza significava algo.
- Claro. Esse poema estava fixado no nosso mural. Hiromi, sempre o lia e eventualmente eu também.
- Sério? - exclamei animada. - Era realmente importante para ela. Você sabe a origem desse poema?
- Curioso você perguntar isso. Eu fiz a mesma pergunta... - deu uma pausa - O peculiar era que não sabia. Na realidade ela me disse que ninguém sabia... Mas pelo fato de não ter dono poderia pertencer a qualquer um... - e sorriu, um sorriso gentil. E eu soube que ela estava de acordo com aquelas palavras. - ele é realmente bonito apesar do final ser deprimente.
- Deprimente? - perguntei. Gaara mantinha-se sentado de braços cruzados.
- No final, depois de viver todas as flores, o eu do poema se mata, não é?
"E talvez, depois de tudo isso, reconhecerás que em cada passo, em cada aroma sentido, estava apenas buscando o amor, e o acharás só pelo o ato da busca".
E com calma, sem qualquer dor no peito, conseguirá dormir."
Sentia uma mistura insana de felicidade, curiosidade e empolgação. E toda aquela reação pela simples informação que essa mulher me dava. O poema era um ritual. O assassino estava o realizando, talvez para ultrapassar alguma coisa, chegar a outro nível, se elevar, se modificar... Mudar...
Droga, eu realmente tenho que conter esse sorrio bizarro apenas em minha mente, do contrário Fuuka dirá que sou uma louca.
- Eu não tinha percebido... - Gaara comentou e suas palavras me puxaram para o chão. - Mas realmente se trata disso.
- Sim, é como se o "eu" se preparasse para morte, para o descanso. – Fuuka ainda tinha os olhos sobre o papel, parecendo repentinamente muito melancólica. Depois se voltou para nós e, com um sorriso mínimo no rosto, confessou - Às vezes eu acho que Hiromi estava cumprindo o poema... Quando me disseram que ela havia se matado não fiquei realmente surpresa, ela sempre pareceu querer isso, mesmos se esforçando para o contrário.
Os olhos castanhos de Hiromi pareceram diante de mim. Peguei o poema sobre a mesa e logo após lembra-me de cada trecho - afinal já o havia lido uma centena de vezes - me senti intimamente ligada a ela. E de alguma maneira, uma obrigação sem sentido de entendê-la se apoderou de mim.
Gaara, Restaurante em Funabora às 17h30min.
Despedimos-nos de Fuuka apenas meia hora depois que a sua torta chegou à mesa. Nos últimos minutos não conseguimos nenhum informação que nos servisse de algo. Gradativamente, Sakura e ela só mantiveram uma conversa banal rodeada de elementos académicos, estéticos e, em sua maioria, totalmente desinteressante para mim.
Depois de tomar mais duas xícaras de expresso, elas perceberam que já era suficiente e nos despedimos em frente ao restaurante, Fuuka seguindo em direção contrária, enquanto nós seguimos até minha motocicleta.
Durante todo o caminho Sakura manteve-se pensativa.
- Aconteceu algo?
Era uma pergunta tola, mas a intenção era só puxar assunto e descobrir o que estava passando em sua cabeça.
- Ah, nada demais. - ela disse distraidamente. Balançou as cabeças colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha - um movimento que indicava uma tentativa de organizar o pensamento. - Aconteceu muita coisa hoje... Estou ainda pensando sobre tudo.
- Conversa comigo. - respondi simplesmente. - Podemos ir comer alguma coisa. - Ela então voltou sua atenção para mim e um sorriso sem covinhas surgiu em seu rosto.
- Arranjando uma desculpa, Sabaku?
Sua voz soava divertida, como se insinuasse algo. Tive a intuição de que se tratava do nosso velho hábito de sempre usarmos um café como desculpa para nos ver. O que era estranho, pois as vezes a Haruno provocava, em outras elas fugia e era impossível eu prever sua reação.
Mas não importava, eu simplesmente gostava de ver todas elas. Mesmo sem entender a maioria.
- Podíamos parar de arranjar desculpas então.
Respondi somente. E fosse pelo meu tom casual ou o sentido de minhas palavras, vi suas bochechas corarem e o sorriso mínimo ter dificuldade em se sustentar. Ela estava constrangida.
(...)
Também gosto quando ela reage dessa maneira. Principalmente por minha causa.
Peguei o capacete entregando para ela. Ela colocou novamente a mexa atrás da orelha como se tentasse organizar a cabeça e eu, já montando na moto, soltei um sorriso mínimo, apenas um curvar de lábios preguiçoso.
- Você está brincando com a minha cara. - ela declarou por fim enquanto se sentava atrás de mim. - Até onde você mudou para brincar com minha cara?
Eu sabia que ela não estava realmente brava comigo, e então, simplesmente disse logo depois de ligar a moto.
- Eu gosto.
Não sei como, mas eu sabia que ela estava sorrindo em minhas costas.
Seguimos então em direção a minha casa. Quinze minutos depois estávamos diante do meu prédio. Ela desceu primeiro e, antes que eu também o fizesse, ela entregou o capacete em meu colo. A fitei interrogativamente enquanto ela me encarava meio sem jeito.
- Não podemos ficar aqui.
- O quê? Na minha casa?
Ela mordeu o lábio inferior, de maneira que minha atenção foi parar lá. Estava mais rosado que o normal devido ao frio.
(...)
- Eles vão entender errado.
- Entender errado o quê? - ela não me fitava e por isso conclui que deveria ser algo no mínimo sem sentido ou muito constrangedor. Cruzei os braços ainda montado em minha Titan ESD.
- Seus irmãos. Vão achar que... Não sei... Que temos alguma coisa
Levantei uma sobrancelha sem entender o que ela estava dizendo.
- Você já foi lá antes.
O que era uma verdade muito clara e que deixava sua última afirmação totalmente sem sentido.
- Sim... - ela disso com a voz arrastada, ficou um momento em silêncio, todo o momento olhando para qualquer direção a não ser a minha cara, até que suspirou e voltou-se para mim resignada. - Antes não tinha acontecido nada. A situação agora é diferente.
Quase escutei um click em minha cabeça. Agora eu estava entendendo o que ela estava querendo dizer... Mas de qualquer forma eu ainda não compreendia por que não podíamos subir até a minha casa.
O que realmente a impedia, sendo que estávamos... Saindo? Acho que é o termo certo... Ou não?
Eu costumo ser simples com esse tipo de coisa.
(...)
Tudo bem. Não irei discutir a respeito.
- Tudo bem. Ficamos aqui. - respondi simples e ela não disse qualquer coisa a respeito. Aquilo me fez pensar novamente no que existia entre a gente. Ao certo, eu nunca fui de questionar a respeito disso, pois eu nunca tinha passado por uma situação que me impedia de fazer qualquer coisa. Como me aquecer na minha própria casa.
- Certo. Vamos para algum lugar. - ela declarou por fim. A voz levemente mal-humorada. Os passos apressados e as mãos enfiadas no casaco.
Eu realmente nunca irei entender a Haruno.
Acabamos em uma loja de conveniência. Ela comprou um pão recheado e sem cerimônias começou:
- Acho que Hiromi tem tudo a ver com o desaparecimento de Kazuma. - disse e logo depois mordeu seu pão recheado. Estávamos sentados em um banco na parte interna da loja, enquanto podíamos observar o movimento da rua pela larga janela de vidro. - O "suspeita" na ficha dela, deve estar relacionado a isso.
- Sim... Talvez ela tenha o matado, mas a policia não teve prova. O primeiro corpo não foi encontrado no apartamento dela? - respondi simplório e a Haruno me fitou novamente com seus olhos mal-humorados.
- Não acho possível... Já lhe disse que não acredito que ela seja uma assassina. E, além disso, a não ser que ela estivesse atacando do além, Asuma, Iruka e Deidara não poderiam ser assassinados por alguém morto.
Ela realmente estava mal-humorada.
- Então como você explica ela o comparando com a Dália?
- Talvez seja coincidência, Gaara... Talvez o poema só esteja vinculado ao Grupo Suicida em que ela pertenceu. Talvez as marcas no corpo das vítimas seja apenas uma distração para a polícia, e o fato do primeiro corpo ter sido encontrado lá seja apenas para associá-la. Talvez Kazuma não esteja morto... Ou sei lá, alguém está copiando...
- Acho mais provável a ultima opção. - a interrompi, antes que nada que ela dissesse fizesse sentido - Vamos pensar direito.
Ela me fitava, os lábios curvados para baixo em uma clara expressão enfezada. Esperava que eu continuasse.
- Vamos começar pelo poema.
- Certo. O assassino está o usando como um género de ritual... Justificando seus crimes por ele.
- Sim, exatamente. É bem possível que quem esteja cometendo esses crimes pertenceu a esse grupo suicida pelo qual Hiromi também participou.
- Mas Gaara... - ela deu uma pausa e inclinou-se em minha direção. - O que garante que o poema esteja vinculado com o grupo suicida?
Isso era verdade. Tratava-se apenas de uma suposição.
- Nada. - conclui por fim. - Podíamos descobrir.
- Como?
- Hiromi. Podíamos ir até sua casa, com sorte ainda não a esvaziaram...
E então ela sorriu. Aquele sorriso sem covinhas. Suspirei mentalmente. Finalmente ela tinha deixado aquele repentino mau humor de lado.
- Se acharmos algo que comprove o relacionamento do poema com o grupo suicida... Então... - ela calou-se e repentinamente sobressaltou. - Gaara! - agarrou meu braço. - Se realmente tem a ver com o grupo suicida... Lembra-se das palavras de Sai? A insinuação dele com Ino... Que ela pertencia ao grupo suicida?
Concordei com a cabeça.
- Talvez isso explique por que o poema estava ali. Foi Ino que o colocou. Talvez Ino estivesse ajudando a polícia por que estava envolvida com Hidan, que tem algo ver com o grupo... Lembra-se ele entregando aquela carta?
Concordei novamente com a cabeça. E foi então que me veio a lembrança... E a possibilidade.
- Podíamos descobrir algo a respeito daquela estudante.
Os olhos dela brilharam.
- Sim, podíamos. Se conseguirmos descobrir a associação do poema com o grupo, isso explicaria por que ele foi colocado ali, e ainda comprovar que o assassino tem ao algo a ver com ele e o grupo... Não seria ótimo, Gaara?
Ela perguntou, mas eu realmente só estava atento à maneira como ela sorria empolgada diante de todas aquelas possibilidades. Permiti-me um mínimo sorriso.
- Sim... Depois descobrimos o que aconteceu com Kazuma.
- Se realmente ele faleceu então estão repetindo a mesma série de assassinatos.
- Estava pensando nisso, vamos supor que Hiromi tenha cometido uma série de assassinatos, ou estivesse vinculada com eles no passados. Alguém que pertenceu ao mesmo grupo, ou tomou consciência dos crimes baseados no poema e está fazendo o mesmo... Agora, se isso for verdade... O que fica em dúvida é se ele faz devido a uma ligação direta com o poema... Ou se é apenas uma maneira de distração.
- Sim, mas enfim... Não podemos descobrir nada alem disso sem comprovar antes que o poema está ligado ao grupo suicida...
Ou podíamos, quis dizer, mas me calei. Nada impedia que um possivel copiador apenas soubesse como ocorreu os crimes anteriormente e usou o mesmo argumento para distrair a polícia.
- O que torna complicado é descobrir a respeito desse grupo suicida... Achar essa menina que nem sabemos o nome é impossível, a única maneira é recorrer a Hiromi ou Hidan...
Levantei uma sobrancelha entendendo na hora a insinuação dela.
- É perigoso Haruno, esse cara não é simplesmente um traficante que podemos fingir comprar drogas.
Ela, no entanto, apenas soltou um sorriso cínico como me dissesse que faria indepedente de mim. E aquilo me deixou realmente irritado.
- Você não vai sozinha Haruno.
- Então venha comigo.
Analisei longamente toda sua face e suspirei, ela não mudaria de opinião.
- Vamos primeiro na Hiromi, e depois, caso não achemos nada procuramos algo sobre Hidan.
Ela não disse nada, apenas concordou enquanto sorria. Depois olhou o relógio no celular e sobressaltou na cadeira quando via que já estava muito tarde.
- Droga, tenho que ir. - ela o guardou no bolso e ergueu seus olhos em minha direção. - Tenho assuntos pendentes do festival para resolver. Nos vemos amanhã?
Eu ainda estava sentado, mas como o banco era alto, estávamos quase na mesma altura.
Se eu me movesse apenas mais um pouco eu poderia ser capaz de beijá-la. Sem interrompição dessa vez e sem ela ter uma razão plausível para fugir.
E como se lesse meus pensamentos sua expressão mudou gradualmente. Parecia levemente confusa, e obviamente era a respeito de algo que envolvia nos dois.
Eu tinha dito algo que a incomodou? Algo que ela estava se lembrando agora? Quis perguntar, mas não consegui formular a questão. Talvez não fosse nada.
- Sim, nos vemos amanhã.
Ela não disse nada, apenas concordou com a cabeça e logo depois foi embora. Enquanto a vi passar diante de mim senti uma sensação estranha, como se eu estivesse perdendo algo.
Me pergunto se eu deveria ter perguntado.
N/A: Olá, olá, esse nem demorou, não é? Não demorou por que percebi que com a demora eu estou perdendo leitores e por isso irei me dedicar um pouco mais a fic. Ela será publicada de dez em dez dias - e por isso talvez os capítulos sejam mais curtos, umas 400 palavras a menos. Bom, de qualquer modo ela já está na reta final... Ok, ainda muita coisa irá acontecer, mas já estamos caminhando para um final :) e quando eu terminar eu quero todo mundo que leu comentando! Sim, eu realmente me divirto lendo os comentários de vocês - e poxa, quem não curte?
Bom, eu amei escrever esse capítulo: Primeiro, houve romance, mas foi um romance leve, segundo por que levantei dois temas esquecidos há vários capítulos, o poema e Hiromi, que aposto que muita gente nem se lembrava.
Aposto que muita gente ficou surpresa com a origem do poema... Que por sinal, aparentemente, ninguém sabe. Não somente a origem, mas o significado final e agora ficou mais do que óbvio a relação direta do poema com a série de assassinatos. Mas questão pior está ai, o que Hiromi tem a ver com a morte não explicada de Kazuma, o veterano? Eu gostei muito da Fuuka, que inclusive é um personagem filler do Naruto que eu achei especialmente bonita e por isso, sem nenhuma outra justificativa a coloquei haha' Ah, eu sei que foi estranha a repentina amizade entre as duas... Se não me engano, a Sakura a mata nesse filler... Enfim.
Ahh, comemoração, pois AUR chegou as 100.000 palavras. Sim, minha cara e caro leitor, você já leu 100.00 palavras só desse fic... Agora se sinta péssimo por ter gastado esse tempo em uma fanfic e não naquele livro obrigatório para o vestibular hauha' To brincando, eu que agradeço por acompanhar =D
Evangeline Uchiha: Infelizmente nos últimos meses para mim foi difícil mantê-la atualizada. Mas pretendo atualizá-la com maior frequência, algo em torno de 10 em 10 dias. Obrigada pelo comentário e por continuar acompanhando mesmo com as longas demoras.
Beijos de Abacaxi
Oul K.Z
